Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Afinidade Canina

oOo

Controlado por... por instinto, Harry correu, bem mais veloz do que ele jamais poderia correr como um humano. O ar da noite passou rápido por ele, doce e frio, parecendo estranho quando balançava seu pêlo. Pêlo. Merlin, ele tinha pêlos. Sua percepção súbita o chocou, fazendo-o aumentar a velocidade, querendo gritar de excitação da mesma forma que uma vez ele fez quando voou em Bicuço. Essa era a mesma sensação, o mesmo senso estranho de libertação.

Ele latiu, levantou sua cabeça para o céu, batendo as presas com o som. Era profundo e alto e apenas um pouco incerto. Satisfeito, ele fez novamente, e de novo, rindo feliz por dentro. Era um perfeito som de felicidade que a voz humana não poderia produzir. Não se importava que, para qualquer outra pessoa, ele provavelmente parecia malicioso e perigoso – ele estava feliz.

Correr ainda mais rápido, forçando seu corpo a se abaixar contra o solo e se concentrou em coordenar seus novos membros. Quatro patas grandes batiam pesadamente contra a grama, empurrando-o para a frente com uma força e graça caninas, algo com a qual ele apenas poderia sonhar em sua forma adolescente desengonçada.

A cabana na beira da floresta rapidamente chamou sua atenção, e ele foi atingido pela realização fantástica de que talvez não tivesse que explorar o terreno sozinho essa noite. Com outro latido excitado, partiu na direção da casa de Remus, esperando que o lobo aceitasse deixar sua casa confortável enquanto a lua estava cheia, só dessa vez.

Com a boca aberta, a língua balançando de uma maneira que ele imaginava que devia ser bem canina, ele se adiantou, ganhando velocidade novamente. Isso seria brilhante. Ele poderia dar a Remus o que James e Sirius deram uma vez: companhia, nessa noite quando o lobisomem estava realmente isolado. Seria uma forma de agradecimento...

Perdido em seus pensamentos, e aumentando a velocidade, suas reações se nublaram quando ele viu a forma familiar de Canino saindo de repente de trás da cabana à sua frente, sendo logo seguido por uma forma mais clara, larga e se movendo diretamente no caminho de Harry.

Ele tentou parar, desviar, mas ainda estava desacostumado a usar quatro pernas, especialmente nessa velocidade, e não ficou particularmente surpreso quando elas se embolaram sob ele. Seu ímpeto o levou para frente com relutância, e a próxima coisa que ele sabia era que estava batendo em algo aproximadamente do seu tamanho, tombando, rolando desajeitadamente, um emaranhado desgracioso de membros compridos e corpos cobertos de pêlo, rosnados e ganidos escapando deles.

Desvairadamente, Harry lutou para se desembaraçar do outro quando finalmente pararam de rolar, cambaleando em uma posição mais honrada antes de se afastar apressadamente do presente desconhecido.

Canino reapareceu, se mexendo excitado, seu rabo balançando violentamente. Ele pareceu instantaneamente reconhecer Harry, não mostrando nenhuma hesitação ao se aproximar, empurrando seu nariz molhado no rosto do garoto para examinar sua aparência nova.

Mas Harry estava distraído demais olhando a criatura na qual havia acabado de bater. Magra, com o pêlo pálido praticamente brilhando à luz da lua, refletindo conforme o outro ficava de pé, seus músculos tensionando sob o casaco prateado. Harry engasgou, fascinado e receoso.

E então, olhos azul pálidos estavam sobre ele, mandando um tremor de realização pela sua espinha.

Malfoy!

Automaticamente, ele tentou falar o nome, mas o que saiu foi apenas um rosnado baixo e um pouco hostil. O lobisomem branco o encarou de volta por um minuto antes que ele, também, fosse atingido pelo reconhecimento. Seus lábios se levantaram num rosnado, mostrando os dentes.

Outra figura de quatro patas interrompeu qualquer tipo de desentendimento que pudesse ter acontecido entre eles. Harry piscou para a forma lupina de Remus, reconhecendo-o instantaneamente pelos olhos dourados que claramente lançavam reprimendas entre ele e Malfoy. Ele apenas viu o homem assim uma vez, rapidamente, na noite em que o estuporou após seu ataque aos sonserinos. Essa era sua primeira chance se estudar completamente o outro. Ele era um lobo castanho, manchado de negro aqui e ali, assim como algumas áreas de pêlos embranquecidas perto do focinho e das orelhas.

Harry não podia esconder sua confusão ou surpresa, e seus sentimentos foram traduzidos precariamente como um choramingo envergonhado.

Remus parecia tê-lo reconhecido imediatamente, enquanto o olhava com olhos curiosos e gentis. Atrás dele, Malfoy se adiantou para olhar melhor. Os dois lobos o encararam intensamente. Harry podia apenas imaginar a expressão do sonserino se ele estivesse na forma humana: um desiteresse falso, determinado a não ficar impressionado que o moreno tivesse conseguido fazer a transformação Animaga, mas com o brilho em seus olhos entregando sua inveja.

Era difícil tentar se comunicar sem uma voz. Harry queria perguntar o que os dois estavam fazendo, aonde estavam indo. Queria ir com eles. E novamente, parecia que Malfoy não precisava de palavras para mostrar claramente seu desgosto pela presença de Hary. Ele deu outro rosnado de aviso, antes de se virar e se afastar de mal humor.

Harry virou olhos esperançosos para Remus, até mesmo dando um breve balançar de sua cauda, o que era uma sensação bem estranha.

O lobisomem lhe deu o que ele tinha certeza que teria sido um olhar exasperado se ele fosse humano, antes de se virar e ir na mesma direção de Malfoy, para a floresta. Harry murchou, desapontado. Ele teria gostado da companhia de Remus, de aprender com o mais velho...

Subitamente, um latido alto o assustou, e ele olhou para cima, surpreso, para ver os dois lobos o olhando intensamente. Remus jogou a cabeça para trás e uivou, antes de se lançar para as sombras, o reflexo prateado que era o sonserino logo atrás dele. Canino surgiu de lugar nenhum, passando pelo grifinorio confuso, para ir atrás dos outros.

Harry ficou paralisado por um segundo inteiro, até que o lento entendimento o atingisse. De repente, compreendeu o que havia acabado de acontecer.

Um convite.

Extasiado, ele os seguiu.

oOo

Sua respiração queimava em seu peito, rápida e forte, mais rápida, tinha que continuar correndo, correndo, vencendo. Seus pés mal tocando a terra, lama e folhas, não podia se deixar tropeçar, tinha que ir mais rápido.

Seu coração batia forte contra seu peito, tão alto que ele não podia ouvir nada mais; nem mesmo os sons violentos dos galhos se quebrando quando ele os pisava, nem o pingar da água da chuva das folhas molhadas, ou o barulho do vento em seus ouvidos. Ele estava surdo para tudo além de seu coração, e talvez, se não estivesse imaginando, o coração da pessoa com quem ele estava correndo.

Malfoy corria ao seu lado, um relâmpago prateado na escuridão. Eles dispararam pela floresta lado a lado, perfeitamente alinhados, ambos lutando desesperadamente para tomar a liderança. Essa era a mesma rivalidade que os dominava quando jogavam Quadribol, só que dessa vez eles corriam apenas pelo prazer de correr. Não haviam colegas de time com os quais se preocupar, nem balaços surgindo de lugar nenhum, nem mesmo um alvo que algum deles devia alcançar. Eram apenas eles e a vontade de vencer.

Pensando nisso, Harry se atirou para a frente com uma onda de adrenalina. Um rosnado divertido lhe escapou quando Malfoy facilmente o acompanhou, seus pescoços estendidos, tentando passar apenas um centímetro do outro. Deus, ele amava isso! Essa competição, a... a luta!

Ele se sentia como se estivessem correndo por horas, com Remus e Canino apenas conseguindo aompanhá-los um pouco atrás. O lobisomem mais velho mantendo um olhar tolerante sobre eles. Mais cedo, logo quando entraram na floresta, eles se empurraram e brigaram enquanto corriam atrás de Remus, ficando para trás e irritando o lobo castanho.

Ambos tinham se esforçado para ganhar a briga, Harry usando de seu tamanho maior – mesmo nessa forma – e Malfoy se mostrando ser irritantemente rápido. Eles rosnaram e se empurraram, arranharam, derrubaram, rolaram e chutaram, tudo em um esforço para mostrar quem era melhor. Algumas vezes, Harry havia mordido o outro, enfiando seus dentes no flanco ou do lado do pescoço do lobo, normalmente causando um ganido alto e uma revanche rápida. Mas não importava quantas vezes ele fizesse isso, Harry percebeu que Malfoy nunca tentava mordê-lo de volta. Duas vezes, ele sentiu dentes passando perto de sua orelha, e então do ombro, mas o sonserino nunca perdeu o controle o suficiente para fazer algo estúpido.

Harry havia ficado nervoso, no princípio, com o pensamento de que se ele não tomasse cuidado Malfoy podia amaldiçoá-lo com apenas uma mordida, mas suas preocupações se mostraram sem motivo até agora.

Além disso, esse tipo de pensamento estava começando a se perder no fundo de sua mente, esquecidos em favor de assuntos muito mais importantes. Como correr. Puxando o ar pela boca aberta, ele acelerou novamente assim que chegaram a uma clareira. Hary relutantemente diminiu o ritmo, percebendo que Malfoy fazia o mesmo, aproveitando a oportunidade para esperar por Canino e Remus e recuperar o fôlego.

Deitando de barriga, ofegante, Harry virou a cabeça e observou Remus se aproximar de uma forma muito mais digna, os olhos dourados brilhantes com o que poderia ser divertimento. Canino veio logo depois dele, se jogando feliz na grama próximo de Malfoy, que lhe deu um olhar frio.

Harry quis rir com aquilo, vendo o sonserino olhar desgostoso para o cão. O que ele estava percebendo, Harry sabia, era que Canino não estava mais abaixo dele – pelo menos não essa noite. Eles eram iguais aqui; os lobisomens, o cachorro e o Animago. Bem, quase. Pensando nisso, quando tudo dependia de instinto, e do conhecimento do mundo de um ponto de vista canino, o cachorro certamente tinha vantagem sobre Malfoy. Ele estava acostumado com isso. E esse fato devia estar deixando o sonserino louco. Não havia nada como professor, aluno ou bicho de estimação entre eles agora, e para alguém que foi criado cercado de círculos sociais, preocupado com status, encorajado a sempre subir na hierarquia... Harry quase se sentia com pena dele.

Agora, o lobo branco estava sentado de costas para o Grifinório, sua cabeça levantada para olhar a lua pensativamente. Harry não conseguiu resistir. Vendo o outro tão distraído, ele se levantou e se aproximou por trás dele. Antes que o sonserino tivesse uma chance de percebê-lo, Harry pulou para a frente e lhe mordeu forte em uma orelha, rosnando enquanto fazia isso.

Malfoy ganiu deselegante, pego desprevenido, antes de se virar ultrajado para ele. Harry já estava se afastando, mas em segundos estava sendo jogado no chão por um borrão branco raivoso. Eles rolaram, se empurrando de qualquer maneira, cada um tentando ter certeza de que acabaria por cima. Mais uma vez, os dentes de Malfoy se fecharam em sua garganta, de nenhuma forma se aproximando de ser uma mordida real, sendo até mesmo gentil. Mas o aviso estava ali, a ameaça do que ele poderia fazer.

Harry queria rir alto, sabendo que o outro estava blefando. Ele não sabia porque tinha tanta certeza, mas o pensamento de Malfoy o mordendo de propósito era bastante ridículo, pelo menos agora. A animosidade e raiva que normalmente havia entre eles não estava lá, sendo substituída por essa... rivalidade. Uma rivalidade saudável.

Harry não tinha ilusões de que isso era uma coisa permanente. Era tão temporário quanto a lua, e existia apenas enquanto seu bando improvisado existisse. Com a chegada da manhã, eles seriam inimigos novamente, Remus seria o professor Lupin, e Canino seria o animal de estimação.

Mas isso era bom, enquanto durasse.

Eles passaram longas horas explorando a floresta e seus limites. Se Remus achava que os guiaria pelo mar de árvores, ele devia estar bastante desapontado. Harry e Draco acabaram guiando-o, enquanto corriam na frente, competitivos até o fim, ambos querendo escolher a direção em que iriam. Mas eventualmente sua decisão deixou de importar, e eles simplesmente corriam, envolvidos na excitação do ato, presos no som dos dois corações e respirações rápidas, e nos sons das patas pela terra e folhas.

oOo

Harry acordou devagar e relutantemente. Ele manteve seus olhos fechados, querendo voltar a dormir ao invés de abri-los para a luz do sol que o acertava diretamente no rosto. Grogue, levantou uma mão para cobrir os olhos.

Ou tentou.

Ele sentiu garras arranhando estranhamente seu nariz. Imediantamente acordado, piscou confuso quando o mundo, tão claro quanto ele era, parecia estar em tons de preto e branco, e seus olhos próximos demais do chão. Aparentemente, sua cama era algum tipo de cobertor velho. Ainda sem se mover muito, ele deu uma olhada em si mesmo, se sentindo um tanto desorientado. As primeiras coisas que ele viu foram as patas. Suas patas.

Tudo voltou a ele com um baque, então. Seu sucesso na transformação, a exploração aos terrenos da escola, encontrar Malfoy e Remus, a floresta... Ele até mesmo se lembrava de voltar para a cabana de Remus quando eles finalmente estavam cansados, deitando assim que entraram e se rendendo à exaustão.

Ele se perguntou que horas seriam.

Percebendo que não poderia lançar um feitiço Tempus assim, fechou os olhos e se concentrou em voltar para sua forma natural. Pensou em coisas simples como ser capaz de ver em cores, em uma altura maior que um metro e meio, e em usar roupas e luvas, ao invés de pêlos.

Em segundos pôde sentir a mudança. Não doía, não como a transformação de lobisomem, mas parecia estranho de uma maneira totalmente nova. Novamente, ele experimentou a sensação estranha de mudar e esticar, voltando a sua forma humana. De fato, retornou para a exata forma em que estava quando iniciou a mudança, com a presença de sua varinha, roupas e óculos, coisas com as quais ele nem havia se preocupado.

Piscando algumas vezes, empurrou os óculos para a ponte do nariz, ainda lacrimejando com a luminosidade. Estava deitado de lado, ele percebeu, virado diretamente para a pequena janela e os raios de sol que passavam por ela.

Suspirando irritado, ele tentou se mover, resmungando quando todos os músculos de seu corpo pareceram se rebelar. Ignorando as ondas de dor, ele se levantou com esforço.

Com o movimento, algo bem próximo dele resmungou e se esticou, e um braço que ele não havia percebido antes se apertou em sua cintura.

Alarmado, Harry congelou, olhando para baixo. Com uma certeza absurda, um braço pálido estava jogado, cruzando seu corpo, os dedos segurando um pouco sua camisa. Sabendo perfeitamente bem o que não queria saber, ele virou sua cabeça lentamente, olhando cuidadosamente por cima do ombro.

Malfoy estava deitado ao seu lado, sem perceber a posição comprometedora em que estavam. Ele estava visivelmente adormecido, seus lábios partidos, as pálpebras fechadas, algumas mechas de cabelo balançando suavemente com a respiração lenta. Falsamente angelical. Na verdade, a única coisa que estragava a imagem era a sujeira. Estava em todo lugar, manchas de lama estavam espalhadas por seu cabelo loiro pálido, algumas folhas presas nos fios. Terra sujava uma bochecha e havia um fraco cheiro de chuva, suor e cachorro molhado nele.

O estômago de Harry se apertou abruptamente, mas ele ainda não podia se mexer. Olhou, de olhos arregalados e horrorizado, e fracamente fascinado. Lentamente – Merlin, tão lentamente, ele não queria que o outro acordasse – ele se moveu, arrastando-se para longe do sonserino e se virando para olhá-lo melhor.

E na mesma hora, enrubesceu de forma dolorosa.

Ele lutou valentemente para impedir seus olhos de vagarem, mesmo que apenas para deixar sua própria consciência em paz, mas isso era impossível. Com uma curiosidade mórbida, eles se moveram para baixo antes que ele pudesse impedir a olhada e fixá-los muito, muito atentamente no rosto do loiro.

Malfoy estava nu.

Nu, e ainda agarrado a ele enquanto dormia, seu braço insistentemente apertado em volta da cintura de Harry. O grifinório queria morrer ali naquele exato momento pela situação toda. Com as bochechas queimando furiosamente, ele mal ousava se mover. Se se mexesse, ou Malfoy acordaria, ou ele acabaria... olhando.

Então, encarou fixamente o topo da cabeça do loiro, se perguntando desesperadamente se conseguiria chegar até a porta, e então ao castelo, e ao santuário de seu quarto, do qual ele jurou nunca sair de novo, tudo sem acordar ninguém mais. Se ele conseguisse, ninguém teria que saber dessa humilhante-.

Espere. Isso não era culpa dele. Certamente não era ele que estava abraçando Malfoy. Era o contrário!

E mesmo assim, ele pensou, após alguns momentos, ele preferia evitar qualquer tipo de situação estranha.

Cuidadosamente, segurou o pulso fino que estava jogado nele, levantando-o e gentilmente movendo-o para fora de alcance antes de soltá-lo. O sonserino se esticou novamente com a perda do contato, fazendo Harry congelar de medo. Dedos longos se curvaram contra a textura grossa do cobertor, antes que Malfoy esticasse novamente o braço.

Harry esperou sem se mover, aterrorizado com a idéia de ver os olhos cinzentos se abrirem, mas o loiro não teve nenhuma outra reação. Aliviado, ele se levantou, livre do abraço.

Incapaz de se impedir, olhou curiosamente pelo quarto. Remus, ele estaria eternamente grato por isso, teve o bom senso de se enrolar em baixo das cobertas de sua cama antes de cair no sono, e estava dormindo a sono solto, graças aos céus. Canino estava com ele, deitado ao pé da cama e roncando baixo.

Então havia sido apenas Malfoy que acordou pronto para uma boa dose de humilhação, ele pensou com um pouco de satisfação. Seria bem feito para ele. E além disso, poderia ter sido pior, se ele tivesse acordado para se encontrar abraçado ao seu supostamente pior inimigo. Harry se considerou bastante bondoso por não pretender mencionar isso nunca.

Rindo, ele deixou sua guarda cair por meio segundo, e esse foi todo o tempo que precisou para olhar casualmente para o garoto adormecido. O riso desapareceu, e o vermelho coloriu sua face novamente, mas dessa vez ele não conseguiu desviar o olhar.

A característica que havia se prendido em sua cabeça, bem estupidamente, era que Malfoy era pálido. Uma expansão de pele branca estava na sua frente na forma de membros espalhados nada artisticamente, sem nenhuma pinta, ou espinha ou sinal para colori-la. Na luz clara, Harry podia ver o reflexo claro de pêlos loiros em seus braços e pernas, tão claros e finos que não poderiam ser vistos sem a iluminação direta.

Ele tentou desviar os olhos depois dessas impressões rápidas, mas...

Ele também era magro. Todo formado por músculos planos e algumas saliências de ossos. Harry se encontrou examinando a linha sutil de uma clavícula, seu olhar caindo para onde ela terminava. Descendo, olhando os contornos fracos das costelas, uma sugestão fraca de músculos, o buraco escuro do umbigo, um trilha fraca de amarelo guiando para baixo, e oh deus ele tinha que sair daqui.

Harry cambaleou para longe, esquecendo sua determinação em ser silencioso, e praticamente fugiu da pequena cabana. Do lado de fora, ele respirou fundo por puro alivio de estar fora de vista, antes de começar a andar – praticamente correr – em direção ao castelo.

Malfoy iria perceber, eventualmente, que ele tinha sido visto nu por seu rival, e sem dúvida ele se sentiria estranho por uma semana ou mais. Mas certamente, Harry pensou amargamente, Malfoy era o sortudo.

Ele nunca saberia de metade do que aconteceu.

Continua...


Notas das Tradutoras Boazinhas:

Wheeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! \o\ /o/

DOIS capítulos para vocês, gente. *o* Que lindeza, sô! ^^

Eu adooooooooro esse em especial, e sei que vocês vão gostar também, tarados. ¬¬

Bom, galera, é isso. Não enjoem da gente porque semana que vem tem mais! \o\ \o/ /o/

Beijão!

Ly e Cy.