Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Capítulo 21: Vanima

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"Serpentsortia!"

O feitiço estava rapidamente se tornando algo como uma marca. Novamente, a cobra negra caiu no chão com baque surdo e um silvo. Alguns alunos se afastaram nervosamente enquanto ela ia em direção a eles, mas quase instantaneamente uma outra voz sibilante cortou o silêncio. Harry, ao lado de Draco, estava olhando intensamente para a cobra conjurada e sussurrava naqueles tons baixos que ele fazia. O sonserino ouviu com um interesse quase clínico. Ele havia visto Potter usar aquele talento apenas duas vezes em todo aquele tempo em que eles se conheciam, ambos os incidentes no calor da batalha. Agora, com ambos calmos, ele se viu bastante fascinado pelos silvos e sussurros leves que saiam dos lábios do grifinório. Ele até se arrepiou, um pouco.

Os dois tipos de sons eventualmente cessaram, e o corpo negro da serpente se virou lentamente, se enroscando frouxamente no tornozelo esquerdo de Draco, perfeitamente domada.

"O que qualquer um de vocês faria," ele começou a falar calmamente, embora com o leve tom de desdenho que estava sempre presente,"se eu lançasse esse feitiço quando Potter não estivesse aqui?"

Ninguém respondeu. Ao invés disso, ele foi recebido com olhares hostis e teimosos da maioria das pessoas reunidas. Alguns corvinais pareciam intelectualmente interessados, curiosos em saber aonde ele queria chegar, e a maioria dos lufa-lufas estava tremendo. Mas os grifinórios – a maioria das pessoas ali – cruzaram os braços e o encararam, sem piscar. Irritado, ele olhou para Harry com uma expressão que obviamente dizia, Então? Faça alguma coisa!

Inutilmente, Harry apenas deu de ombros. Ele, também, tinha seus braços cruzados, embora sua atitude fosse de interesse. Draco já havia visto aquele olhar antes. Potter o estava avaliando, tentando ver como ele lidaria com essa coisa de 'ensinar'.

Que se dane, Draco pensou, lutando contra a vontade de dar um empurrão no grifinório.

Certo então, se ninguém iria fazer nada. Eles estavam todos pedindo por isso. Em um segundo, sua varinha estava em sua mão e se movimentando pelo ar, abrangendo a maior parte da sala. "Oppugno!" O feitiço, feito para se controlar a vontade de criaturas conjuradas, imediatamente fez efeito. A cobra, que estivera em torno dele quase carinhosamente, instantaneamente alterou sua natureza. Estava se movendo como uma flecha negra, as presas a mostra, se atirando para cima das vitimas que lhe foram indicadas.

Harry deu um meio passo para frente, abrindo a boca para murmurar um contra-comando, mas Draco esticou o braço, segurando o grifinório pelo peito e barrando seu caminho. Harry o olhou incrédulo, mas o loiro se recusou a olhar para os olhos verdes que queimavam nele. Ele observou a cobra se mover para atacar, tenso, esperando que um daqueles idiotas lentos pensasse em reagir, ao invés de esperar que Harry os salvasse. Mas sua varinha ainda estava em suas mãos, pronta para destruir a serpente no último segundo se fosse realmente necessário.

Parecia que ele iria precisar. As pessoas estavam recuando aos tropeços, murmurando ansiosamente e procurando por suas varinhas, mas a cobra era rápida, e não era uma distância muito grande que ela tinha que cruzar. Ginny Weasley gritou quando a criatura se focou nela, e deu uma última investida rápida.

Mentalmente. Draco xingou e levantou sua varinha para impedir o ataque. Ele não foi tão longe.

"Wingardium Leviosa!"

A cobra negra subiu no ar, onde parou suspensa como se estivesse em uma bolha, se movendo de um lado para o outro de uma maneira bastante confusa.

Granger havia finalmente tomado o assunto em suas próprias mãos, e agora baixava tremulamente sua varinha.

Draco murmurou. "Finalmente."

Harry, franzindo as sobrancelhas, tirou do caminho o braço restritivo do sonserino. Embora ele esperasse por isso, mesmo quisesse isso, os métodos educativos de Malfoy o deixavam nervoso. Ele nunca seria capaz de arriscar daquele jeito, mesmo que o perigo fosse mínimo. O sonserino havia feito isso friamente, no entanto, sem se deixar afetar pelo risco.

Agora, porém, o loiro apenas olhava, saindo de cena e deixando que Harry diminuísse o nervosismo que ele causou tão rapidamente.

Suspirando, o grifinório se adiantou, andando calmamente até a cobra flutuante e alcançando-a. "Finite Incantum." E a criatura caiu em suas mãos estendidas antes de se enrolar pelo seu braço e ombro..

"Harry, pelo amor de Deus...!" Ron gesticulou nervosamente. "Isso não está funcionando! Ele vai matar alguém assim!"

"Oh, cale a boca, Weasley! Tente se mover pelo menos uma vez, ao invés de deixar a – sua namorada defender você!"

Harry se virou para encarar o loiro, mas ele não deixou de perceber que Malfoy havia evitado seu insulto usual destinado a Hermione no último momento. Hum. Talvez essa coisa de lobisomem estivesse mesmo deixando ele com a cabeça mais aberta.

"Você vai deixar ele se livrar disso?!" Ron demandou ríspido, seu rosto de uma cor vermelha intensa, como sempre ficava quando ele se exaltava.

Harry deu de ombros. "O que eu deveria fazer?" ele perguntou, sendo deliberadamente inútil, assim como ele havia sido com Malfoy. Se ele queria que aquilo funcionasse, não dava para todos os outros ficarem procurando-o para servir de escudo. Além disso, Malfoy supostamente deveria ser detestado, então seria contra produtivo se ele tentasse amenizar qualquer faísca e discussão que surgisse.

"Diga a ele!" Foi a demanda impaciente do ruivo.

Harry fechou os olhos, silenciosamente contando até três, e então sacudiu a cabeça. "Ron... Essa é a razão para ele estar aqui. Ele obviamente tem um estilo diferente do meu, e todos vocês precisam saber como é enfrentar isso." Ele deu um passo para trás para que pudesse olhar para os outros. "Essas lições não são mais apenas sobre alguns tipos de magia. Elas são sobre técnica, e para se aprender a duelar contra diferentes tipos de oponentes, encarando alguém que se recusa a lutar justo, e saber como é realmente querer vencer, para não se machucar, e não apenas para implicar com alguém."

"Malfoy não é um Comensal da Morte, mas ele conhece Artes das Trevas o bastante para ensinar a vocês de formas que eu não posso."

Cochichos explodiram das pessoas, alguns não muito quietos de forma que Harry pôde ouvir pedaços de conversas ao seu redor. "... não é um Comensal?!" "Há. Certo." "O que ele quer dizer com isso?" "...ainda não entendo porquê ele esta aqui..."

Ele supôs que deveria parecer estranho: o Menino que Sobreviveu insistindo que Draco Malfoy não era um Comensal da Morte, algo que ele vinha anunciando praticamente desde que eles eram primeiranistas. E não ajudava o fato de ele não poder provar sem revelar o novo status de lobisomem de Malfoy e sua conversão para o lado da Luz.

Seguindo esse pensamento, subitamente lhe ocorreu que talvez Malfoy não quisesse que ele anunciasse sua nova fé nele, por qualquer razão pervertida que fosse. Curiosamente, ele olhou questionadoramente para o loiro.

O sonserino estava realmente lhe encarando, mas com um tipo de emoção que Harry não sabia descrever. Os olhos cinzentos não revelavam nada, mas pelo menos não havia nenhum sinal aparente de raiva.

Ele se voltou novamente para sua audiência. "Olhem, eu sei que ninguém gosta dessa situação, muito menos de Malfoy – mas, para ser honesto, essa é meio que a idéia." A cobra em volta de seu pescoço sibilou em seu ouvido, perguntando o que estava acontecendo e por que havia tanta tensão no ar. Ele ignorou aquilo – ela – por um momento e continuou falando. "A porta ainda está aberta para qualquer um que queria sair, mas... eu acho que isso vai valer a pena, se vocês ficarem."

Depois de um tempo, foi Neville quem falou, hesitantemente chamando a atenção para si mesmo. "Harry, e-eu não sei sobre todo mundo, mas quando eu disse que ficaria na semana passada, não foi uma decisão qualquer. Eu imaginei que fosse ficar mais difícil com... com Malfoy aqui. Mas não quero sair." Ele enrubesceu assim que terminou, embaraçado por ter falado tanto, e na frente do sonserino.

"Harry, a gente pode falar com você?" Essa foi Hermione, se aproximando dele com Ron. Eles já haviam brigado e discutido sobre essa situação antes, na Sala Comunal, quando ele pediu que eles aceitassem. Os tons de suas vozes tinham variado de sussurros e cochichos conspiradores para batalhas de gritos entre ele e Ron, que toda a casa da Grifinória havia testemunhado. Isso tinha sido duas noites atrás, e eles chegaram a uma trégua na seguinte, quando Hermione convenceu o ruivo a dar outra chance para as reuniões.

Harry assentiu, mesmo se perguntando sobre o que Ron iria protestar agora. Por mais que entendesse a relutância e os argumentos dos seus amigos, ele estava conseguindo tornar uma situação estranha em ainda pior. Deus sabia que Malfoy não estava feliz com sua nova obrigação, o resto da AD estava preocupada e irritada com sua presença, o próprio Harry estava nervoso, mas ele sabia que isso era necessário, soube desde a primeira vez que pensou sobre isso. Ele apreciaria algum tipo de apoio e, a essa altura, não se importava de onde viria. O pavio curto de Ron e sua recusa teimosa em cooperar seriam um problema, ele podia ver isso agora...

oOo

Draco observou o Trio de Ouro se afastar para um canto da sala. Potter, ele viu com alguma surpresa, não estava parecendo nada feliz, enquanto os outros dois estavam usando expressões idênticas de ansiedade. Ele escondeu um sorriso. Então as rachaduras já estavam começando a aparecer...

Que pedaço de informação adorável.

Ele continuou olhando discretamente. Por alguma razão incompreensível, Potter ainda mantinha a cobra em torno de seu pescoço e ombros. Era uma coisa pequena e magra, na verdade – não foi seu melhor trabalho – e seu peso não parecia incomodá-lo de forma alguma. Draco até mesmo viu seus olhos se desviarem para ela ocasionalmente, e ele tinha a estranha sensação de que Potter a estava ouvindo, talvez até conversando. Não ocorreu ao idiota de que ele não estava nem mesmo conversando com uma criatura real?! Mas não, ele imaginou que Potter apenas começaria um discurso sobre direitos iguais para todas essas cobras 'falsas' por aí – ou talvez ele deixasse isso para Granger...

Sacudindo a cabeça, ele se desviou de sua tangente irreal de pensamentos e deu uma olhada pela sala. A bolha protetora de membros da AD havia se dispersado um pouco, e agora os outros adolescentes se separavam em grupos de três ou quatro, discutindo os acontecimentos da reunião.

Ele não esperava que Potter fosse anunciar sua crença de que ele não era um Comensal da Morte, então Draco não tinha muita certeza ainda de que ramificações poderiam ocorrer. Sozinho nos fundos da sala, ele observou e escutou, tentando pegar menções de seu nome e descobrir qual era a opinião geral. Eles sabiam que ele conhecia Artes das Trevas – sempre souberam disso – mas a palavra do Garoto de Ouro devia servir para alguma coisa, ele pensou. Mas o quê? Era bem provável que eles pensassem que ele havia conseguido enganar Potter, ou alguma outra coisa igualmente ridícula.

Ou então, talvez eles acreditassem que o Garoto que Sobreviveu havia feito sua mágica mais uma vez e tivesse conseguido 'salvá-lo'.

Ele nem conseguiu esconder o riso dessa vez, ganhando vários olhares alarmados e suspeitos, mas ignorando-os.

Sendo um Malfoy, a primeira coisa que pulou para sua cabeça quando Potter anunciou suas crenças para todas essas pessoas, foi se isso afetaria seu status social de alguma maneira. Como o Príncipe da Sonserina, ele havia sido fanaticamente cuidadoso para evitar ser associado com Potter nesses últimos dois meses ou mais. Tudo o que ele precisava no momento era que essas pessoas tivessem a impressão de que ele é um 'cara legal' agora...

Oh, que indignidade.

E, é claro, não haveria nada que impediria que essa fofoca se espalhasse, já que o contrato de Granger não impedia de espalhar notícias para o resto da escola que não estavam diretamente relacionadas à AD. Em uma semana já estaria estampado em todos os lugares que Harry Potter confiava em Draco Malfoy. Talvez não gostasse dele, mas confiava nele, o que era ainda pior para o sonserino. Ele nunca conseguiria sobreviver a isso se saísse de controle.

Bem, ele teria que engolir isso, não é? Ele iria até Pansy e Blaise antes que eles ouvissem qualquer coisa, e diria a eles – confidencialmente, é claro – que ele estava começando um novo plano para deixar Potter com a guarda baixa.

Ele não tinha a menor dúvida de que o rumor de seu 'plano' estaria rodando a Sonserina em menos de uma hora.

Sim, isso iria funcionar. Satisfeito, olhou de volta para o Trio de Ouro, desejando que pudesse chegar um pouco mais perto.

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"Por que você está fazendo isso?"

Harry suspirou audivelmente, mostrando sua irritação de um jeito que ele normalmente não faria com seus melhores amigos. "Eu já disse a vocês. Porque ele pode nos ajudar!"

"Não, ele não pode!" Ron cerrou os dentes em frustração, encarando o grifinório menor com seus olhos azuis.

Sem se impressionar, Harry o encarou de volta com os braços cruzados, tentando ignorar a cobra – Vanima – que estava perguntando por que ela não podia morder a criatura grande que se inclinava para cima dele. Ele já havia lhe dito não uma vez, mas se Ron continuasse sendo um idiota, talvez ele fosse forçado a se afastar, sob o risco de ceder a tentação.

"Se cooperar, ele pode ser um professor tão bom quanto eu." Vendo os olhos de Ron se arregalarem com isso, ele se voltou para a bruxa perto deles. "Hermione, você sabe que eu estou certo. Nas duas reuniões que ele participou antes dessa, ele conseguiu pegar todas as pessoas nessa sala – incluindo eu – fora de guarda. A proposta inicial da AD era preparar todo mundo para a guerra. Obviamente, eu ainda não fiz isso, se Draco pode entrar e amedrontar a maioria das pessoas daqui!"

Hermione franziu as sobrancelhas, mas Ron engasgou. Após um tempo, ele conseguiu dizer. "Quando ele virou 'Draco'?!"

Percebendo seu deslize, Harry lutou contra o rubor e fingiu exasperação. "Tudo bem, Malfoy então. Mas esse não era o meu ponto. Ron, pense nisso. Ele podia ter te machucado quando você tentou atacá-lo e não viu sua varinha -."

"Eu percebi que você não tentou pará-lo, também! O que foi aquilo?!"

Hermione colocou as mãos nos braços de ambos, tentando acalmar os dois bruxos. "Vocês estão gritando. As pessoas podem ouvir."

Ignorando-a totalmente, Harry falou alto. "Foi uma demonstração que eu achei que era necessária! Vocês não estavam levando a sério que eu o chamei para ajudar. Ainda não estão!"

"Porque eu não entendo." Ron respondeu sinceramente, falhando em manter um choramingo fora de sua voz. "Nós não precisamos dele, Harry. E ninguém o quer, com certeza..."

Inacreditavelmente frustrado, Harry abriu a boca para responder, mas Hermione se adiantou. Ela entrou no meio deles, olhando para Ron e mantendo as palavras raivosas na boca do ruivo com um único olhar.

"Parem com isso, você dois. Se qualquer coisa vai funcionar, nós precisamos ser uma frente unida. Você sabe que Malfoy perceberia se não fossemos – e apesar do que quer que você pense, Harry, usaria esse fato. Além disso - ela virou-se para Ron, - como você espera que o resto da AD apóie Harry, se nós não apoiamos?"

O bruxo ruivo ficou quieto, olhando-a daquela maneira que dizia que tinha perdido e sabia disso. Como ela conseguia fazer isso com algumas reprimendas e olhares frios, Harry nunca saberia, mas invejava esse talento.

"Certo." Ron murmurou eventualmente, fazendo uma careta. "Frente unida, que seja. Mas se ele aprontar, Harry..."

"Eu vou manter um olho nele, Ron. Sei o que estou fazendo." Com algum esforço, ele se impediu de adicionar, 'Eu espero'.

Movendo os ombros, ele liderou os dois para o meio dos outros adolescentes. Viu Malfoy, e foi se juntar novamente ao loiro, continuando a lição.

oOo

Com uma força de vontade imensa, Harry se impediu de intervir em cada feitiço, azaração ou 'demonstração' que Malfoy achou necessária, embora começasse a suspeitar de que o sonserino apenas gostasse de atormentar. Como se ele já não soubesse disso...

Mesmo assim, Malfoy se mostrou surpreendentemente capaz de controlar as situações voláteis que criava. Como quando ele convocou a cobra e a incitou sobre as pessoas, ele se manteve atento, pronto para neutralizar a ameaça em um segundo se tivesse. Harry estava bastante impressionado, embora tivesse passado a maior parte da tarde à beira do nervosismo, sua varinha constantemente a mão. Às vezes, ele notava os olhares desaprovadores de Ron, mas seu amigo não havia falado novamente.

Malfoy falava pouco enquanto ensinava. Ele deixava isso para Harry, provavelmente consciente de que sua audiência era hostil, e ainda sem querer admitir que sentia qualquer entusiasmo real por isso. Em algumas ocasiões, ele se colocava completamente de lado e observava o grifinório fazer uma aula mais normal, perguntando se todos ainda podiam lançar o feitiço do Patrono, o que eles prontamente fizeram. Imediatamente, a sala foi tomada por luz prateada.

Draco, ao invés de estar observando a AD como deveria estar fazendo, aprendendo suas técnicas, observava Potter com uma curiosidade suprimida. Ele notou que os olhos verdes se animavam mais do que nunca quando ele estava explicando alguma coisa, ou encorajando aqueles que o procuravam para pedir ajuda. Ele pareceu extasiado quando sua classe provou ainda ser capaz de produzir Patronos.

Em sua mente, Draco colocou essa imagem perto da memória do garoto deprimido e isolado que ele havia visto mais cedo naquele ano, e se perguntou o que havia mudado. Não podiam ser aquelas lições estúpidas. Elas atingiam diretamente os nervos de Draco e deixavam seu humor pior do que nunca; era impossível que Potter tirasse sua dose de felicidade delas.

Foi um alívio para ele, e um visível desapontamento para Potter, quando as pessoas começaram a criar desculpas e ir embora pela noite. Luna saiu com um adeus rápido, e então restaram apenas ele e o Trio de Ouro. O loiro não sabia porquê ainda estava rondando por ali, apenas que ele tinha uma vaga idéia de falar com Harry enquanto eles andavam para as escadas, como eles haviam feito algumas noites antes.

Então ele se xingou. Como assim? Quando foi que essa idéia entrou em sua cabeça?! E como diabos ela conseguiu ficar lá sem que ele a encontrasse e eliminasse...?

Se sacudindo de volta para a realidade, ele deixou o desprezo torcer seus lábios. Havia alguma coisa errada com ele ultimamente. Ele estava ficando louco, provado pelo fato de que ele estava ali, pra começo de conversa.

Harry estava olhando Malfoy pelo canto dos olhos, e notou quando o loiro estremeceu subitamente, olhando em volta como se tivesse acabado de perceber onde estava. Ele fez uma careta, tão zangado e detestável como sempre – mas havia algo mais também. Harry piscou, sem prestar mais atenção no que quer que fosse que Hermione estava cochichando para ele. Malfoy parecia... solitário.

Ele se deu um cutucão pelo sentimentalismo, mas o sentimento não foi embora. Talvez fosse a falta de pose sonserina que normalmente saía de cada uma de suas palavras com reverência, mas que agora estava bastante ausente. Talvez fosse o fato de que ele tivesse realmente trabalhado essa noite, colocado esforço em alguma coisa – mesmo que tentando valentemente não mostrá-lo – e agora estivesse deixado de lado sem receber nenhum obrigado de nenhum deles, enquanto Ron e Hermione o cutucavam, insistindo para que eles fossem embora sem olhar para trás.

"Harry, cara, vamos embora."

O grifinório suspirou, e gentilmente retirou a manga de sua camisa das mãos de Hermione. "Podem ir na frente. Eu alcanço vocês."

A expressão de Ron gelou abruptamente, e ele sacudiu sua cabeça em desgosto mudo, antes de sair batendo o pé sem nenhuma palavra. Hermione o seguiu, embora tenha lhe jogado um outro olhar preocupado e exasperado.

As palavras pausadas vieram de trás dele assim que a porta se fechou, de onde o loiro se encostava mal humorado contra a parede. "Eu dificilmente preciso que você me leve em casa, Potter." Draco tentou esconder um rubor raivoso que lutava para aparecer, enquanto pensava sobre aonde sua mente esteve poucos momentos antes.

"Eu não estava oferecendo." Veio a resposta rápida, um pouco divertida, enquanto Harry dava alguns passos em sua direção.

"Então por que ainda está aqui?"

"Por que você está?"

Eles encararam um ao outro, sérios, até que Harry teve que rir e abaixou a cabeça. Deus, tudo tinha que ser uma competição, não tinha? Ele abriu a boca para fazer algum comentário, mas parou, quando alguns silvos soaram próximos das mangas de suas vestes.

O lobisomem piscou, os olhos cinzentos desviando para a origem do som. "Oh, me diz que não é o que eu acho que é..."

Harry enrubesceu enquanto levantava o braço, gentilmente puxando o tecido para revelar uma pequena cabeça oval descansando em seu pulso, brilhando com pequenas escamas. Vanima moveu sua língua para provar o ar, e então prontamente desapareceu de volta para a segurança das vestes.

"Eu pensei que você a tivesse desfeito!" Draco exclamou antes que pudesse se impedir. "Você sabe que é uma criatura conjurada, certo...?"

"Eu não posso desfazê-la, ela tem nome." Isso parecia um motivo razoável o suficiente para ele.

O sonserino estava sem expressão. Ele sacudia fracamente a cabeça. "Como ela pode ter um nome? Ela apenas existe por umas duas horas."

Harry deu de ombros, distraidamente correndo um dedo por sobre o corpo fino que ele podia sentir sob sua manga, enrolado em seu braço. "Não faço idéia, mas ela tem. Vanima." Um pensamento lhe ocorreu e olhou rapidamente para cima. "Hum, você não a quer de volta, quer? Quero dizer, ela é sua, tecnicamente, mas eu imaginei que já que você não pode falar com ela..."

A incredulidade de Draco se mostrou brevemente, e novamente ele sacudiu a cabeça, recusando. "Pode ficar com ela. Merlin, Potter, só você faria um animal de estimação de um... um feitiço."

"Hum. Vai ser bom ter alguém pra conversar."

"Esquisito." O loiro murmurou para si mesmo. Então, franzindo a testa, continuou. "Onde, exatamente, você vai manter isso?"

"Ela." Harry corrigiu automaticamente, e só então percebeu o problema. "Oh."

Os dormitórios não eram uma boa idéia. Seus colegas de quarto não iriam gostar de uma cobra normal no dormitório – uma originalmente criada por Malfoy não era nem mesmo uma opção. Ele pensou brevemente em deixá-la aqui, então descartou a idéia com a mesma velocidade, sem saber com certeza o que aconteceria se ele deixasse uma criatura viva ali. A sala respondia aos pensamentos do que quer que houvesse dentro, e não se abriria até que aquilo saísse. Ele poderia acidentalmente fechar a sala para sempre se a deixasse ali.

Não tinha nenhum outro lugar a que ele tivesse acesso – pelo menos, não acesso privado, de qualquer forma.

Draco observou enquanto o rosto de Potter se desanimou lentamente. Ele sentiu uma pontada desagradável no estômago ao observar aquilo, e o outro nem parecia perceber a expressão de quebrar o coração que estava usando quando baixou os olhos verdes para seu pulso esquerdo, onde a cobra estava escondida. Imbecil emotivo.

"O que você acha que eu devia fazer com ela? Soltá-la na floresta?"

Draco cerrou os dentes com força. Não, ele não diria uma palavra. Não diria, porque a idéia passando por sua cabeça agora era positivamente a coisa mais estúpida que já lhe ocorreu -!

Ele deixou escapar um longo suspiro sofrido quase contra sua vontade, antes de murmurar, devagar. "Eu tenho um quarto privado..."

Harry piscou para ele, sem entender por um momento. "Você está... você quer dizer...?"

Draco encarou. "Diga a ela para ficar fora do banheiro, para não tocar em nada que ache que pode ser comestível a menos que você dê a ela, e se ela ao menos sibilar torto pra mim..."

"Por que... você iria oferecer isso?"

O sonserino não fazia absolutamente nenhuma idéia, e estava pensando nisso no momento. O que havia de errado com ele?! Era como se alguma compulsão temporária tivesse tomado o controle por tempo o suficiente para que ele abrisse a boca e dissesse aquelas palavras condenadoras, e agora os olhos verdes o olhavam como se Harry o estivesse vendo pela primeira vez.

Resignado e irritado, ele esticou uma mão. "Oh, cale a boca e passe ela pra cá, Potter. Eu não pretendo ficar aqui a noite toda."

Sem hesitar, Harry esticou o braço e soltou um sibilado baixo, palavras sussurradas voaram pela mente de Draco como liquido. A cabeça reptiliana de Vanima emergiu lentamente, e então começou a se afastar para o braço que esperava para recebê-la.

"Ela não vai morder."

O som da voz normal do grifinório o assustou. Parseltongue o encantava, ele começava a perceber. Ele ouviu fascinado, encantado quando a cobra obedeceu instantaneamente.

Voltando a si, ele riu. "Seria melhor pra ela se não mordesse." Ele olhou para o longo corpo negro que se enrolava em seu antebraço e ombro, provando sua pele com sua língua bifurcada. Ele tocou um dedo gentil atrás da cabeça dela e traçou uma trilha por suas escamas.

Harry o olhou curiosamente. Na verdade, ele nunca viu ninguém que não mostrasse medo perto de serpentes. Além de si mesmo, é claro. Mas então, ele supôs que Malfoy tinha que ser o Príncipe da Sonserina por algum motivo.

"Você não vai fazer nada com ela, vai?" Ele sentiu que devia checar, recebendo um olhar exasperado.

"Deus, Potter, eu sou desagradável, não sou mau. Enquanto ela não tentar me morder, nós vamos ficar bem."

Ainda acariciando distraidamente seu novo, parcialmente indesejado colega de quarto, Draco começou a andar para a porta, Harry indo atrás dele. O sonserino não gostava de silêncio, então falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça. "Como é que pode o Time dos Sonhos não estar brilhando perfeitamente como de costume, então?"

O grifinório piscou, se perguntado se Malfoy era sempre tão direto, mesmo quando estava sendo educado. "O que, Ron e Hermione?"

"E você."

"Oh. Eles acham que eu estou ficando louco."

O loiro levantou os olhos, olhando-o para ver se ele estava falando sério. "Não me diga. Por minha causa?" Uma risada maliciosa escondida por trás de sua voz, não muito bem presa.

Harry deu de ombros, aparentemente não percebendo. "Esse é um motivo. E eles não sabem que eu estava aprendendo a virar Animago. Nenhum dos dois faz nenhuma idéia de para onde eu continuava desaparecendo nesses últimos meses. Provavelmente, pensaram que eu estava me mutilando ou algo assim. Oh, e graças a você, eles acham que eu estou tendo um caso por aí porque eu não quis dizer quem é minha 'namorada'."

Draco teve que rir então. Oh, a ironia, que os amigos de Potter se matassem de preocupação, enquanto ele, supostamente o inimigo, sabia de tudo que eles pudessem desejar perguntar.

"Não é engraçado." Harry insistiu, sem muita força.

"Você sempre pode apenas contar para eles... bem, tudo menos a parte sobre mim. Por você não fez isso, a propósito?"

"Você se importa?"

"Não. Não particularmente."

O grifinório deu lhe deu um longo olhar e suspirou, decidido a pensar naquilo como honestidade 'refrescante' em vez de dolorosa falta de tato.


Comentários das Malfoy-Moraine:

Ly diz: Fico pensando... será que os comensais realmente acordaram um belo dia e disseram: nossa.. parece tão divertido ser um bruxo das trevas... vou sair saltitante e matar pessoas...

Ou nos só os vemos como as 'trevas' por que teoricamente vemos a historia do ponto de vista da 'luz'?

Será que se a historia fosse contada do ponto de vista do Voldie, ele acharia que o lado dele era o da luz e o do Dumbie era o das trevas?

*filosofiadebebadopontocom*

Cy diz: *achando a Ly profundamente filosófica*

Mas é sério. É tudo sobre pontos de vista e de como os personagens foram criados. Os Weasley tinham tudo para ser uma família de sangue puro e com uma penca de Comensais. Não sei oque aconteceu no meio do caminho. O Draco, por exemplo, acho que dificilmente era viraria o carinha das fics... tipo, ele cresceu acreditando q o lado dele era o certo.

É bem o que você falou, meio que para eles, o lado deles era o da luz.

Cy - que não, só bebeu limonada. u.u

Ly diz: E todo esse papo filosófico surgiu de uma frase tão inocente desse capitulo... Essa aqui ó: "subitamente lhe ocorreu que talvez Malfoy não quisesse que ele anunciasse sua nova fé nele, por qualquer razão pervertida que fosse."

Cy diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ly diz: Pervo ele, não?

Cy diz: Total!

Ly diz: Acho que encontramos nossa nota pra esse cap! \o/

Comentário da Nanda (já que dessa vez ela não estava no msn no nosso papo de bêbado...): Yayyyyyyyyyy, capítulo mais fofo até agora... amei! O Draco estava particulamente fofo nesse capítulo né, não? Só faltou, praticamente, dizer: "Potter seu otário, eu te amo, não percebe não?" Espero que daqui pra frente aconteça coisas mais interessantes, sabe? Tipo, umas emparedadas entre eles...coisinha básica!

Porque eu fico boiando tanto quanto vocês, já que minhas Mamis, faze jogo duro e não me contam nada *bufa*

Bjus pessoas pervertidas!


Notas das Tradutoras:

Wheeeeeee!!!! Capitulo 21 prontinho pra vocês!!!! E pra mim esse é um dos melhores, foi realmente divertido traduzir esse...

Beijos e até domingo que vem!

Ly e Cy