Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Capítulo 24: O Poder da Observação

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Remus estava incrivelmente consciente sobre o conceito de parceiros lobisomens. Sua própria lealdade incompreensível e sentimentos confusos em relação a Severus havia empurrado a idéia para a linha de frente de sua mente – infelizmente, considerando que o Mestre de Poções havia levado segundos para ver os pensamentos, analisá-los sem misericórdia e rir de suas inseguranças.

"Você não precisa se preocupar, Lupin." Ele zombou na hora. "Nunca aconteceria. Você pode continuar perfeitamente fiel ao falecido Sirius Black." Ele cuspiu o nome como veneno.

Remus teve que se perguntar o que diabos poderia estar errado com ele para que ele se visse tanto desprezando quanto atraído por Severus e sua crueldade. A última sessão entre eles havia saído completamente de rumo, resultando em azarações infantis sendo lançadas de um lado para o outro nos aposentos do professor. O lobo tinha até mesmo, em algum momento, ido em sua ajuda, animado com a chance de chegar até o Mestre de Poções, que era quem ele via como a causa da traição de Remus contra seu parceiro. Sua fúria havia lhe dado a velocidade e força que haviam lançado Severus de costas no chão, com Remus em cima dele, trincando os dentes, sua varinha esquecida.

Olhos negros haviam se arregalado em medo por um segundo, e então rapidamente passaram a encará-lo com desprezo. "Agora vai pegar o que quer a força, Lupin?" Ele cuspiu, e Remus, enojado com a mera implicação e um pouco com ele mesmo, levantou sem nenhuma outra palavra.

Não havia uma explicação lógica. Não é como se fosse uma atração real, de qualquer forma, ele disse a si mesmo. Eram os remanescentes de uma fantasia de adolescente, de um tempo quando o outro homem havia sido um pouco menos duro e ácido. Era uma fascinação mórbida por algo que ele nunca teria, e talvez um efeito colateral da intimidade horrível que eles dividiam esses dias.

Pensando nisso, ele levantou os olhos para a lua, usando uma pata traseira para coçar atrás de uma orelha. Um pouco mais a frente, Harry e Draco corriam atrás um do outro, entrando e saindo de sua visão periférica.

Naquele momento, ele estava feliz por não estar em sua forma humana. Sua expressão teria mostrado muita coisa. Ele queria sorrir, mas por dentro apenas amargura reinava.

Ele nunca esteve tão certo de que estava olhando outro lobisomem e seu parceiro.

Nenhum deles sabia disso ainda, é claro, mas Harry sempre havia sido lento para perceber as coisas, e Draco se afundava em negações. Remus via isso. Ele tinha visto desde a primeira vez em que havia levado os dois para correr. Na verdade, tinha sido tão parecido com um flashback para seu próprio sexto ano, com Sirius, que ele havia se perdido em memórias mais de uma vez. Merlin, aquela estranha beleza e familiaridade da situação o assustavam. Como isso poderia estar acontecendo uma segunda vez, mesmo na concentração de magia que era Hogwarts...? Especialmente entre esses dois, de todas as pessoas – Harry, o afilhado de Sirius e tão parecido com ele em alguns momentos, e Draco, que era, para todos os propósitos, sua própria responsabilidade. Era impossível de se ignorar e doloroso de se olhar.

Então, enquanto os dois adolescentes dançavam em volta um do outro, lutando contra a atração que ele podia ver que já os estava aproximando, sua própria mente estava um tumulto. Ele se sentia obrigado a cuidar deles, guiá-los se pudesse, particularmente Draco. Ele ficava surpreso de perceber que estava ficando muito protetor do jovem lobisomem, que tinha poucos aliados adultos no momento. Lucius Malfoy era uma piada de pai, na opinião de Remus, se ele podia encorajar o filho para uma vida nas Trevas, e depois virar as costas quando o garoto recusava. Narcisa tinha evidentemente escolhido o lado do marido, e com Severus com seu humor atual por qualquer motivo inexplicável, Draco tinha que estar se sentindo de alguma forma abandonado. E como resultado, Remus podia perceber todos os sentidos familiares lupinos nele rosnarem em resposta. O garoto era uma parte de sua alcatéia, assim como Harry. Ele os trataria como tal.

Mas, Deus, era difícil suprimir uma onda de inveja que crescia nele cada vez que os via juntos. Há não muito tempo atrás, ele teve o que eles tinham agora e, oh, como ele queria isso de volta...

Mas ele não era estúpido, e tinha parado de se apoiar em esperanças falsas meses atrás. Seu parceiro estava morto, e embora Remus sentisse falta dele – sempre sentiria, em algum nível – ele o havia deixado ir.

Talvez isso fosse uma boa coisa, ele não tinha certeza. Minerva disse que era uma coisa boa, quando eles conversaram pela última vez. A única coisa que Remus sabia com certeza era que, sem Sirius, ele havia sido deixado com Severus – e isso não parecia estar funcionando muito bem, no momento...

oOo

Mais uma vez, a noite passou numa nuvem de excitação e competição, terminando finalmente quando os lobisomens e Harry voltaram exaustos para a pequena cabana, se jogando em suas respectivas camas armadas.

Era uma manhã escura, mesmo quando a luz finalmente chegou, cravando garras triunfantes nas nuvens cinzentas. Chovia melancólicamente, resfriando a atmosfera da manhã. Ainda assim, mesmo com o frio do lado de fora, Draco estava quente.

Ele sorriu sonhadoramente, tentando não abrir os olhos e quebrar o transe meio adormecido em que estava. O lobo havia voltado para o fundo de sua mente, quieto e seguro. Por enquanto, de qualquer forma. Como sempre, ele sentiu como se uma pressão imensa que ele nem soubera que estava sentindo houvesse sido removida. Aproveitando o conforto, ele se espreguiçou como um gato, curvando as costas e enrolando os dedos na coberta jogada sobre ele.

Da mesma maneira que Harry havia acordado assustado um mês antes, Draco abruptamente percebeu a presença de outra pessoa muito próxima dele.

O calor confortável rapidamente se tornou desagradável quando ele percebeu, lentamente, que estava enrolado em outro corpo. E, pior, mesmo sem abrir os olhos, ele sabia quem era. O cheiro distinto de Potter – a mistura estranha de garoto, cachorro e chuva, não desagradável – enchia seu nariz, fazendo o lobo soltar um pequeno e feliz rosnado de reconhecimento antes de voltar a seu cochilo, caindo ainda mais profundamente no relaxamento. Draco, por outro lado, sentiu como se todos os seus músculos tivessem acabado de ficar tensos.

Potter. Ele estava deitado com Potter. Deitado sobre ele! Mas que diabos...?!

O grifinório tossiu em seu sono e se mexeu. O braço sob a cabeça de Draco e em torno de seus ombros se apertou discretamente, forçando-o a restringir um som suspeitamente próximo a um choramingo. Todas as pequenas partes de sua pele que estava em contado direto com o outro garoto estavam em fogo. Contato íntimo. Contato íntimo em todos os lugares. Ele sentia a aspereza dos jeans de Potter passando em sua perna, que havia sido jogada por cima dos quadris do outro. Sob sua mão, o peito do grifinório subia e descia ritmado e ele podia sentir o bater lento de seu coração.

O que era isso?!

Assim como antes, no corredor perto do saguão sob a Capa de Invisibilidade, a proximidade o incomodava. Ele ficou tenso, pronto para se distanciar o mais rápido possível, mesmo que isso significasse perder sua dignidade com Potter acordando e vendo essa bagunça – mas abruptamente, o lobo dentro dele rosnou e se lançou a vida novamente, protestando qualquer movimento que ele pudesse ter em mente. Ele queria ficar ali, droga, e aparentemente estava tentando ao máximo fazer Draco querer a mesma coisa.

E Draco poderia ter brigado um pouco mais, se naquele momento ele não tivesse percebido uma linha verde, sob pálpebras quase fechadas, observando-o. Potter já estava acordado e testemunhando sua humilhação. O sonserino congelou, incapaz até mesmo de se retirar de suas posições comprometedoras.

"P-Potter..." Ele odiou a fraqueza em sua voz, mas não se podia esperar que mesmo Malfoys ficassem sem ser afetados por acordar pelados com um de seus rivais.

Ah, ali estava um pensamento que ele nunca iria tirar de sua cabeça...

A visão embaçava sem seus óculos, que foram deixados de lado, Harry olhou para ele e suspirou apenas com uma leve irritação. "De novo...?" a frase foi falada baixo, quase para ele mesmo, e bastante embolada por sua sonolência.

Sobrancelhas loiras se ergueram rapidamente. De novo?! O que ele queria dizer, 'de novo'? "Eu não estava sabendo que isso era uma ocorrência corriqueira." Ele sentiu a necessidade de dizer asperamente, fortemente ignorando o aumento de tom em sua voz.

O grifinório franziu a testa e fechou os olhos contra a exclamação alta, ainda não estando pronto para abrir mão de seu sono e conforto. Apesar de sua exasperação aparente com a posição, ele não estava inclinado a se mover para fora dela. No momento, de qualquer forma. "Oh." Ele murmurou eventualmente em resposta, suprimindo um bocejo. "Bem. Mas é. Volte a dormir, Draco…"

O lobo ganiu e rosnou concordando, praticamente chorando enquanto mandava um bombardeio de conceitos meio formados para ele, implorando para que o loiro se deitasse de volta e voltasse ao abraço delicioso e com cheiro bom. Similarmente, o uso de seu primeiro nome o fez sentir quase como se estivesse sob um Império, e antes que Draco pudesse realmente pensar nas conseqüências de suas ações, ele se encontrou hesitantemente deitando novamente sua cabeça aonde ela estivera antes.

Em algum lugar, seu bom senso estava gritando em pânico no fundo de sua cabeça. Ele estava perguntando o que pensava que estava fazendo, e se ele não percebia que esse era Harry imbecil Potter, de todas as pessoas, e pelo amor de Deus ele não era gay!

O lobo rosnou até que o bom senso calasse a boca, e então se acomodou para descansar com seu parceiro.

oOo

Eles não conversaram sobre isso depois. Como parecia ser o costume, Harry teve a certeza de ir embora antes que Draco acordasse uma segunda vez, parando apenas para deixar uma pequena pilha de roupas dobradas do sonserino antes de ir. Qualquer estranheza potencial foi avidamente evitada pelos dois se recusando a comentar sobre a situação. Privadamente, Remus desaprovava e suspirava e sacudia a cabeça, mas não fez nada para interferir. Nenhum dos adolescentes iria apreciar isso, ele tinha certeza...

Ron foi embora na tarde de sábado, com uma despedida rápida para Harry e um olhar demorado para Hermione, provavelmente um que ele considerava sutil. Embora Harry tivesse percebido a olhada, ele não conseguiu traduzi-la, e não se importava realmente em fazê-lo. Por tudo o que sabia, podia ser qualquer coisa, desde Ron finalmente resolvendo agir em seus sentimentos pela bruxa, ou uma lembrança silenciosa para que ela o interrogasse ainda mais.

Com a partida do ruivo, Hermione se colou a Harry com mais persistência do que nunca. Ele não se importava realmente com a presença dela, desde que ela não tentasse interrogá-lo novamente sobre suas desaparecidas anteriores, ou tentasse convencê-lo de que Malfoy era irremediável, não importa o que Dumbledore dissesse, como Ron havia tentado mais de uma vez agora. Ela dificultou que ele visitasse Vanima, no entanto – e era apenas Vanima que ele estava visitando, disse fracamente para si mesmo, apesar do fato de que ele e o lobisomem estivessem conseguindo manter conversas civilizadas nesses dias.

Também se tornou bem mais difícil escapar da Sala Comunal no fim da tarde, nos próximos dois dias, e Harry podia praticamente ver a suspeita passando pela cabeça da bruxa que se encostava em qualquer número de possibilidades do porquê ele estava ficando fora a noite inteira, três noites seguidas. Com Ron, essas suspeitas invariavelmente recaiam sobre uma namorada como resposta, mas Hermione era um caso completamente diferente. E agora sem a distração do ruivo, ela seria bem mais difícil de enganar e muito mais provável de perceber quais as exatas três noites em que ele saia todo mês.

Harry supôs que a bruxa eventualmente acharia que ele era o lobisomem. Seria isso melhor do que ela perceber que ele estava passando suas noites com Malfoy? Talvez, ele pensou, imaginando o jeito que o sonserino reagiria se achasse que seu segredo havia sido descoberto...

Além disso, ele podia agüentar Hermione achando que ele era um lobisomem, se ela chegasse nessa conclusão. Ela não diria nada, mesmo se fosse verdade.

oOo

"Aonde você está indo?"

A pergunta falsamente casual o parou a meio caminho para fora do retrato da Mulher Gorda, com a mochila nas mãos. Ele se virou lentamente para olhar a bruxa que o havia seguido.

"Achei que você estava fazendo seu trabalho de Transfiguração." Ele comentou.

Hermione cruzou os braços, sem se impressionar. "Eu estava. Isso não é uma desculpa para você desaparecer para Deus sabe onde a noite inteira – de novo!"

Ele suspirou. Bem, não era como se ele esperasse que a paciência dela fosse para sempre, ela podia apenas ter escolhido um momento melhor. Ele iria perder o nascer da lua se ela continuasse a segurá-lo por muito tempo, e Malfoy ficaria puto por ter ficado esperando.

Resistindo a necessidade de olhar seu relógio, ele baixou sua mochila no chão e rolou um ombro. Ele achava que tinha estirado um músculo ou alguma coisa na noite anterior, e ele repuxava hora ou outra. "Olha, você se importa se a gente conversar sobre isso em uma outra -."

"Não diga 'em outra hora'! Você sempre diz isso e nunca quer dizer!"

Ele a encarou. "Hermione, esse não é um bom-."

Ela se adiantou para mais perto dele e falou rápido. "Nunca é um bom momento atualmente! Eu não acho que você tenha falado comigo ou com Ron direito em meses! Você não confia mais na gente?"

Ele abriu a boca várias vezes, tentando decidir se deveria responder com irritação ou reassegurar a menina. "É claro que sim." Ele rebateu eventualmente, uma combinação dos dois. "Por que você acharia que eu não confio?"

Ela quase bateu o pé. "Porque sim! Harry, nós sempre dividimos tudo e parece que... que você está nos excluindo do nada. E eu não entendo porquê. Eu sei que você disse que não era Sirius, mas eu não vejo nada mais que-."

"Não é Sirius!" uma raiva genuína apareceu em sua voz, então. "Sim, tudo bem. Sinto falta dele, e admito que foi muito pior no começo do ano. Mas eu estou bem agora, honestamente."

"Então por que-."

"Talvez – apenas talvez – o mundo bruxo não precise de minha ajuda imediata esse ano, e minha vida não esteja na reta pela primeira vez, e eu gosto do fato de poder ter privacidade, Hermione! Sem torneios, sem repórteres, sem visões ou planos para ataques de Voldemort! Eu gosto do fato de poder desaparecer sem uma dúzia de Aurores me seguindo para minha própria segurança!" ele se cortou com um suspiro rápido. "Você entende isso...?"

Ela fechou a boca e concordou mudamente. Ele podia ver um músculo se contraído em sua mandíbula.

Harry se virou e foi embora.

oOo

Hermione o viu partir, frustrada e triste. Ela podia senti-lo empurrando Ron e ela para longe, mas não fazia idéia do que eles tinham feito de errado, se tivessem feito alguma coisa. Ele estava se distanciando de todo mundo. Mesmo da AD, o que no ano anterior havia sido algo como um grupo social, havia tomado um tom muito mais sério. Harry havia trazido Malfoy porque ele podia admitir que precisava da ajuda e de uma técnica tão diferente da dele próprio. Isso mostrava que ele estava disposto a abrir mão de conforto em favor da necessidade. E embora sua idéia tivesse impressionado Hermione no começo, em algum nível, agora ela se perguntava se isso não era apenas mais uma maneira para ter alguma distância entre ele e aqueles que se importavam.

Suspirando, ela fez menção de voltar para a Sala Comunal quando algo chamou sua atenção. Ela viu a mochila de Harry caída aonde ele a havia deixado minutos antes. Já era tarde demais para chamá-lo de volta, ela pensou, olhando para o corredor vazio.

Se abaixando, ela pegou uma das alças da bolsa e a levantou. Ele tinha apenas a si mesmo a culpar por seu descuido – e seu temperamento – ela disse a si mesma, sacudindo a cabeça.

A mochila em suas mãos estava meio aberta, ela percebeu tarde demais, e pôde apenas olhar quando alguma coisa escorregou para o chão.

Encarou surpresa a Capa de Invisibilidade.

Era nesse momento que ela precisava de Ron. Ele teria sido o primeiro a sugerir o que estava passando por seus pensamentos naquele momento, deixando que ela cumprisse seu próprio papel como sua consciência coletiva, sugerindo tudo o que havia de errado na idéia, quão imoral ela era, mesmo que eles acabassem fazendo, de qualquer forma.

Mas Ron não estava ali, e sua ausência dava a ela uma opção. Ficar firmemente colocada em seu papel de escolha, calmamente devolver a Capa para a mochila de Harry, que ela então deixaria na Sala Comunal para ele encontrar quando voltasse, e ir para cama.

Ou, pegar a Capa e descobrir o que estava acontecendo de uma vez por todas.

Ela escolheu.

oOo

Harry não foi difícil de se encontrar, mesmo com sua dianteira. De fato, ela quase bateu direto nele quando chegou perto do saguão de entrada. Recuando, ela observou com alguma confusão enquanto o outro grifinório esperava encostado em uma pilastra, checando o relógio. Ele não pareceu perceber a perda de sua mochila, o que não era comum. Ele estava tão distraído assim?

Ela ouviu um segundo par de passos, então. Não vindo de suas costas, de onde um aluno da Grifinória, Lufa-lufa ou Corvinal se aproximaria. Não, o som vinha da outra escada, a que levava para baixo, para as masmorras.

Harry se virou então, assim que Draco Malfoy entrou em sua vista.

"Está um pouco em cima da hora, não?" Harry disse baixo, e para a surpresa de Hermione, não era uma pergunta mal-humorada ou um murmúrio desgostoso.

Ainda mais chocante foi que Malfoy respondeu cordialmente, dizendo, "Não foi minha culpa. Pansy decidiu fofocar."

Ela olhou chocada quando o loiro se juntou a Harry e eles se viraram para as portas, andando casualmente lado a lado como se não tivessem sempre se odiado, para o melhor dos termos. Hesitantemente, ela os seguiu a distância, embora próxima o suficiente para ouvir a conversa entre os dois.

"Ela ainda pensa que você é um... você sabe?"

Malfoy riu. "Se você quer dizer se ela ainda pensa que eu sou um Comensal da Morte seguindo os passou do papai, então eu acredito que sim. Nem ela nem Blaise iriam me perguntar isso abertamente. Você deve ter percebido que nós não temos a mesma relação maravilhosa que o seu Time dos Sonhos..."

"Não tenha tanta certeza." Harry respondeu sem emoção, e Hermione lutou para não cobrir a boca em horror por ele poder dizer alguma coisa assim – e para Malfoy, de todas as pessoas!

"Oh?" o sonserino subitamente parecia interessado e pateticamente feliz. "Eu tinha percebido que vocês não estavam tão... inseparáveis como sempre."

"Hum."

Eles deixaram a escola, e Hermione se apressou para alcançá-los, ansiosa não apenas para ouvir o resto da conversa, mas para descobrir o que diabos eles estavam fazendo juntos. Estava começando a ficar escuro nos gramados, e ela se viu lutando para enxergá-los.

"Então vamos lá, Potter, qual o último drama?"

Houve uma pausa longa, antes que Harry virasse sua cabeça para olhar o sonserino. "Você, na verdade. Hermione diz que Ron está com ciúme porque eu pedi que você viesse para as reuniões da AD."

Um riso malicioso escapou do loiro. "Weasley tem todos os motivos do mundo para ter ciúme de mim, e ele se foca nisso?"

"Não comece."

"É verdade. Olha pra mim, eu-." Sem aviso, Malfoy engasgou e caiu.

Como se estivesse esperando por isso, Harry o pegou facilmente pela cintura, lutando para manter o outro garoto em pé por um momento, antes de ajudá-lo a ficar de joelhos. Hermione olhava completamente confusa.

"Eu esqueci a Capa!" Harry sibilou subitamente, enquanto Malfoy se dobrava sobre sua barriga com dor.

"Bem, pelo amor de Deus, Potter, faça alguma coisa! Um feitiço de silêncio, pelo menos, antes que alguém veja!" Ele falou por dentes cerrados, a voz áspera e bem distante da normalmente autoconfiante.

Mesmo enquanto a bruxa chocada observava, todo o som abruptamente desapareceu quando Harry cruzou o ar com sua varinha. Então, como se fosse a coisa mais natural do mundo para ele fazer, Harry se adiantou e segurou o pulso do sonserino protetoramente. Malfoy levantou a cabeça e o olhou de olhos arregalados por baixo de sua franja prateada.

Tendo secretamente lido mais do que suficientes histórias românticas, Hermione conhecia um Momento quando via um. Seu queixo caiu.

Então, Malfoy gritou. Ela sabia que ele estava gritando, embora não pudesse ouvir. Harry nunca desviou os olhos, e não o soltou até que foi forçado, quando o sonserino começou a mudar. Hermione mordeu sua própria mão e se forçou a ficar quieta.

E de alguma forma, ela conseguiu. Mesmo quando viu os olhos cinzentos mudarem para um azul brilhante, mesmo quando traços e membros começaram a se alongar e mudar, o que ela sabia que devia ser excruciante, e mesmo quando ele caiu para frente, ficando de quatro, e pêlo prateado cresceu numa velocidade impressionante sobre cada pedaço de pele. Mesmo então, ela permaneceu quieta.

Hermione estava tremendo quando a lua se tornou visível no céu e a transformação terminou. A criatura que surgiu tremulante se recompôs e se ergueu, mais alta do que Harry de joelhos. Era magro e comprido, o pêlo pálido praticamente reluzindo na luz da lua. De onde ela estava, não era difícil de ver a expressão mal escondida de admiração no rosto de seu amigo, mas ela percebeu que não podia realmente culpá-lo.

Draco Malfoy dava um lobisomem lindo.

Seu choque com as várias implicações a esse pensamento foi empurrado para longe, no entanto, quando ela se viu testemunhando ainda uma outra transformação. Ela sabia imediatamente que essa era de um outro tipo.

Parecendo satisfeito por Malfoy estar bem, Harry fechou os olhos calmamente. Uma linha de concentração apareceu entre suas sobrancelhas, e antes que ela percebesse, alguma outra coisa estava em pé em seu lugar. Não houve nenhum processo físico para se ver dessa vez – sem ossos se remodelando, nem músculos. Ao invés disso, seus olhos pareceram se desfocar por conta própria, deixando-a incapaz de olhá-lo diretamente enquanto magia distorcia sua imagem. Ela sempre se perguntou por que os livros eram tão evasivos para dar uma descrição exata de uma transformação Animaga, mas agora ela sabia: não era possível descrever, botar algo assim em palavras.

O cão negro que Harry se tornou fazia uma figura tão impressionante quanto o lobo.

Nenhum dos dois mostrou curiosidade com essas duas formas novas, e ela soube então que não era a primeira vez que eles estiveram juntos assim. Malfoy foi o primeiro a se virar e ir em direção a floresta, virando brevemente uma orelha com o latido fraco que veio daquela direção. Remus! Ela percebeu de repente. Ele sabia sobre isso! Ele… ele…

Oh, Deus. Olhando para o sonserino enquanto ele desaparecia nas sombras, ocorreu a ela se perguntar quem o havia transformado, em primeiro lugar. O único lobisomem que ela conhecia era Remus – e instantaneamente esse pensamento começou a trazer a ela memórias de aulas que eles dividiram esse ano, quando até mesmo ela podia sentir o ódio que rolava de Malfoy em ondas, direcionado para o mais velho.

Hermione não fazia idéia do que podia ter mudado sua atitude entre eles agora, mas ela tinha que se perguntar se isso tinha alguma coisa a ver com Harry, e sua aceitação abrupta do sonserino.

Com os pensamentos girando, ela se virou e andou distraída de volta para o castelo.


Comentários das Malfoy-Moraine:

Ly diz: Vamos fazer algum coment pra esses caps? Ou notas?

Cy diz: Pelo menos notas, né?

Ly diz: É. Ou podemos fazer uma nota-coment dois em um. É quase um bombril... só ficam faltando 998 utilidades u.u

Cy diz: Isso!!! Legal!

uahuahuahuhauhauhauhuahuahuahuhauhau

Ly diz: Nhaaaa.... e minha criatividade parou por aqui...

XD

Cy diz: Eu tô olhando pro meu emoticon com cara de paisagem...

Ly diz: uhauahuahuahuahuahuahuahuahau Eu fiquei olhando pra ele mó tempo também...

Cy diz: Mas sabe que eu bem fiquei com saudade do povo?

Ly diz: Ficar sem aparecer toda semana é tão... demorado... e... e... e... *com ganas de apertar as bochechas daquele menino bochechudo* E eu sei que vou me arrepender... mas to com saudade até do Draquinho lindo e loiro...

Cy diz: Não é? Eu tava pensando nisso... Nenhuma bochecha pra apertar esses dias... T_T E, cara... eu já assumi que gosto do lobo do Draco hoje, seria muita humilhação dizer que também sinto falta do Draquinho lindo e loiro? _

Ly diz: Sabe o que eu lembrei??? O próximo post vai ser feito com a família toda reunida fisicamente! *o*

Cy diz: Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, as meninas vão vir me conhecer, gente! *o* Imaginem só as perver- besteiras que vão sair de um encontro físico das MM... Essa frase ficou com duplo sentido, né? O.o

Ly diz: Saiu ^^

Ja sei! O nosso próximo coment pode ser uma mensagem de voz! Conversa gravada oralmente! Da pra fazer isso??? O.o

Cy diz: Não sei, mas eu amei a idéia... *o* Acho que no LJ dá... :/

Ly diz: \o/ A gente põe um link pra quem quiser ouvir o oral-coment!

Cy diz: Isso!!! *a que vai comprar um microfone agora*

Ly diz: Er... Esse negocio de oral pra lá, oral pra cá não ta pegando bem...

Cy diz: Não... só tá me dando idéias impróprias para o ranting da fic. u.u

Ly diz: auhauhauhauhauahuhauhauhauhauah Uia! Radio-fic! Não tem radio-novela? Faremos uma radio-fic! *a que fica com a voz feiona no microfone*

Cy diz: Uou! Inovações by MM! *a que tem voz de criança*

Ly diz: hauhauahuahuahuahuhahu Você vai fazer o fundo de gargalhadas u.u

Cy diz: Com certeza. u.u


Notas das Tradutoras:

Meu povo e minha pova!!!! \o/

Mais um capitulo pra vocês! Dois pra quem acompanha as duas histórias! Esperamos que gostem!

Só estamos essa nota-pós-nota para lembrar mais uma vez às pessoas que mandam review que por favor deixem um email para resposta.... Nós nem sempre conseguimos, mas sempre tentamos responder a todos vocês...

Beijos e até o próximo capitulo! Nesse mesmo bat-site, nesse mesmo bat-profile!

Ly e Cy