Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Capítulo 29: O Velho Contra o Novo

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Ron voltou no sábado para uma Hogwarts bastante mudada.

Tendo passado a semana no não-tão-confortável ambiente familiar da Toca, com Gina sendo a irmã mais nova irritante que se supõe que seja, Fred e George atormentando-o constantemente, sua mãe alternando entre mimá-lo e gritar até que seu rosto ficasse azul, e seu pai se sentava distraído com algum novo objeto trouxa na mesa da cozinha, Ron estava pronto para voltar para o alívio relativo da escola. E, com o tempo fora, ele até mesmo sentia sua irritação com Harry desaparecer. Sim, ele podia ver agora que seu amigo não estava tentando causar problemas entre eles, ele estava apenas tentando trabalhar com o pedido que Dumbledore havia feito a ele – sendo o velhote insensível que era – assim como fazer o melhor que podia para a AD. Provavelmente não era um trabalho fácil, especialmente já que Harry tinha que trabalhar com Malfoy por falta de opção nas lições informais. Ron supôs, relutantemente, que ele não estivera tornando a situação mais fácil.

Ele também andou lendo o profeta durante o feriado, e havia visto o artigo que mostrou ao mundo que Malfoy havia sido deserdado. Esse pequeno momento de satisfação maliciosa havia sido o grande responsável por diminuir seu ressentimento.

Então foi com toda a intenção de ser a melhor pessoa que ele voltou a Hogwarts, deixou sua mochila no dormitório e foi à procura de seu melhor amigo. Estava quase na hora do almoço, então ele foi direto para o Salão Principal, onde adivinhou que tanto Harry como Hermione estariam, já que a sala comunal estava deserta.

Era bom estar de volta, e com essa nova situação. Malfoy podia tentar o quanto quisesse criar um abismo entre Harry e seus amigos; isso não significava que ele conseguiria. Além disso, não era como se o sonserino malicioso ainda tivesse toda essa influencia. Ron se sentia inacreditavelmente capaz de enfrentar de cabeça erguida qualquer insulto jogado para cima dele agora que ele e o loiro estavam no mesmo plano. Não, risque isso – Malfoy estava provavelmente mais pobre que ele era, desde sua renegação! De fato, ele não ficaria surpreso se o babaca estivesse se escondendo de vergonha, e assim removendo todos os problemas de Ron de uma vez.

Rindo para si mesmo e resistindo à vontade de assobiar – o que provavelmente teria sido demais, como Hermione gostava de dizer – o ruivo alegremente fez seu caminho escadaria abaixo, pensando nas provocações que ele finalmente poderia usar.

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"Hey, Seamus, cadê o Harry?"

O garoto moreno lhe deu uma olhada rápida, a boca cheia de comida que o impedia de responder imediatamente. Ele sacudiu uma mão indicando que estava tentando responder enquanto Ron olhava, preso entre diversão e impaciência.

"Estava me perguntando quando você iria voltar." O Irlandês finalmente conseguiu dizer, engolindo. "Talvez você consiga colocar algum bom senso na cabeça dele..."

Ron franziu a testa. "O quê?"

Lavender, que tinha se virado em sua cadeira para olhar para ele, rapidamente entrou na conversa. "Ron! Ah meu Deus, você tem que fazer alguma coisa!"

Um pouco em pânico agora, o ruivo olhou entre o par com uma preocupação evidente. "Por quê? O que está acontecendo?!"

"Ele ficou louco!" ela disse imediatamente, cortando a fala de Seamus. "Ele me chamou de vaca! Eu!"

"Isso." Seamus interrompeu, rolando os olhos. "E o sintoma mais sério de que ele está andando por ai com aquela cobra por vontade própria."

"Você quer dizer Malfoy?!" ele não tinha gritado, tentou se convencer mais tarde. Foi apenas o horror... "Mas eu pensei... eu pensei que ele estava –."

"Pobre como um rato e bem menos popular?" Seamus assentiu. "Sim, ele está. Harry o está resgatando."

Ron se sentou pesadamente no banco ao lado do garoto Irlandês, resmungando e cobrindo os olhos. "Eu vou embora por alguns dias...! E quanto à Hermione?! Por que ela não fez nada?! Aposto como o bastardo está fazendo o ato de 'coitadinho de mim', ela deveria saber que Harry não consegue ver através dele!"

Seamus deu alguns tapinhas em seu ombro em consolação e voltou para seu almoço.

oOo

Eles tinham concordado em falar sobre isso. Bem. Concordado não, na verdade. Era mais como... Eles tinham simplesmente se recusado a admitir que qualquer coisa fora do normal em algum momento aconteceu entre eles. Nunca. Se isso era um desapontamento confuso para Harry, cujos instintos grifinórios pediam para que chutasse a estranheza que havia entre eles para longe e aparecesse com uma saída favorável, bem, ele não mostrou. E se Draco acordou uma ou duas vezes no meio da noite, se encontrou olhando para Vanima encolhida numa bolha mágica de calor criada para ela do outro lado do quarto, e ouviu as memórias dos sibilos em Parseltongue que haviam entrado tão facilmente em seus sonhos, ele nunca iria admitir, e convenientemente esqueceria de qualquer momento em que estivera acordado pela manhã.

Então com essa regra muda aceita, eles começaram uma aliança meio insegura, feita ainda mais difícil por rivalidades meio mortas que ameaçavam reaparecer a qualquer momento, um geral de controvérsia circundando-os e tentação que Harry nunca havia experimentado em suas outras amizades. Haviam muitas armadilhas para que eles se acertassem confortavelmente em qualquer tipo de relacionamento. Ele não sabia como podia confiar ou mesmo gostar de alguém com quem ele havia trocado tanto ódio no passado – e mesmo assim, ele gostava de Malfoy, por mais imbecil que ele fosse. O sonserino o fascinava.

Internamente, Harry insistia que não estava atraído por Malfoy. Não dessa maneira, de qualquer forma. Mas...

No fim das contas, ele disse a si mesmo a justificativa, que estava atraído pelo que Malfoy representava. O loiro era tudo o que representava revolta e liberdade e excitação e raiva. Era o que pessoas sensíveis – Ron, Hermione, Dumbledore – era tudo o que essas pessoas desprezavam. Falso, perigoso, vingativo e cruel. Ele era o inimigo.

Ou havia sido o inimigo, de qualquer forma. O que ele era agora, Harry não fazia idéia, e estava achando difícil determinar.

Com isso na cabeça, foi com uma quantidade nada pequena de estranheza que eles conduziram sua amizade publicamente. Quase toda a grifinória, talvez com Hermione sendo a única exceção, achava que Harry tinha perdido a cabeça. Não, risque isso – a escola inteira achava que ele tinha perdido a cabeça, incluindo os professores. E haviam sido apenas alguns dias. Ele temia pensar em como seria quando as aulas recomeçassem, e as fofocas passassem a se mover mais rapidamente.

Ainda assim, ele ainda não estava pronto para abandonar o loiro. Ele sabia como era se sentir rejeitado – ele mesmo havia passado a maior parte de seu segundo ano se sentindo assim, e a vida com os Dursleys era ainda pior. Olhando a maneira como a sonserina agora tratava seu antigo príncipe, além de como as outras Casas estavam esperando uma oportunidade para empatar o placar contra o loiro, Harry sabia que era provavelmente apenas sua presença ao lado de Draco que prevenia o lobisomem de ser azarado até ficar inconsciente por estudantes querendo alguma vingança.

Não que ele duvidasse que Draco pudesse cuidar de si mesmo. De fato, sua presença servia ao duplo propósito de também não permitir que o loiro machucasse alguém em retaliação. Só Deus saberia a que tipo de maldição ele poderia recorrer se ficasse realmente com raiva, Harry pensou, distraidamente tocando a cicatriz fina que cruzava seu peito, cortesia de um feitiço do sonserino.

Harry teve que sorrir com a ironia. Ali estava ele, o Salvador do Mundo Bruxo, protegendo um lobisomem, e quase-Comensal da Morte, o único outro bruxo além de Voldemort a ter deixado a marca de uma maldição na pele de Harry.

Quando o loiro percebeu sua expressão enquanto pensava nisso, e demandou de uma maneira brusca saber por que ele estava com um sorriso tão idiota, Harry havia apenas sacudido a cabeça indulgentemente e passou a ignorar a tirada de deboche que se seguiu.

Atualmente, o par estava sentado do lado de fora da entrada da escola. Harry estava congelando, com o frio de inverno tendo se mantido constante agora, mas Draco tinha sido insistente, anunciando de sua maneira melodramática que ele simplesmente tinha que ficar um pouco ao ar livre. Para ser sincero, estava ficando tenso dentro da escola com os rumores e a onda de ressentimento que Draco havia atraído para si mesmo.

O loiro agora estava sentado em um dos bancos de pedra construídos na parede, suas pernas compridas esticadas à sua frente, ocupando qualquer espaço em que Harry pudesse ter esperado se sentar, então o grifinório permaneceu de pé, com o ombro encostado na parede, os braços cruzados fortemente ao seu redor para conservar o calor. Ele se perguntou com uma vaga incredulidade como Draco conseguia agüentar o frio com aparente facilidade. O outro garoto estava vestido com seu padrão impecável, com uma calça que lhe caia perfeitamente, casaco negro e cachecol sonserino, que estava puxado até seu queixo, embora nada disso parecesse extremamente quente. E ainda assim, o imbecil nem mesmo tremia. Se não fosse pelas nuvens de vapor que apareciam no ar gelado – e se não tivesse ele mesmo tido experiências que provavam o contrário – ele poderia achar que sua companhia não tinha nenhum calor, e estava de fato tão frio e duro quanto a pedra em que estava sentado.

Olhando-o, fixado em como a atmosfera de inverno parecia tirar a pouca cor que ele normalmente tinha, a não ser por um pequeno, fraco rosado em suas bochechas, Harry foi pego de surpresa quando os olhos cinzentos rapidamente se viraram para ele, e se remexeu culpadamente, embora não pudesse dizer o porquê nem por sua vida.

"Então, por que você está aqui, Potter?"

O grifinório girou os olhos. "Por que você exigiu que nós viéssemos aqui fora! Você pode perceber que todo mundo – todo mundo são – está lá dentro, onde está quente!"

A expressão de Draco não mudou, permanecendo estranhamente séria – um acontecimento incomum. Harry havia aprendido que embora o sonserino na verdade tinha uma variedade de expressões além da desdenhosa, ele raramente estava calmo o suficiente para ficar sério.

"Não, quero dizer... por que você ainda está aqui?" O loiro mexeu a mão em algum gesto casual, vagamente indicando a si mesmo. Ele desviou os olhos. "... Comigo."

"Oh." Harry piscou. Ele havia se perguntado a mesma coisa, e perturbado por seus amigos constantemente sobre o assunto, mas ainda tinha que encontrar uma resposta satisfatória. Não uma que ele estivesse disposto a admitir, de qualquer forma. Sim, ele gostava de Draco – provavelmente mais do que deveria – mas não poderia dizer isso, e ele duvidava muito de que o sonserino ouviria a um discurso sobre seu próprio senso de responsabilidade desorientado.

Então ele deu de ombros, tentando fugir da conversa antes que ela ficasse profunda demais para ser confortável. Engraçado, como a coragem grifinória repentinamente o havia abandonado. De novo. Por que é que apenas Draco conseguia uma resposta dessas dele?

Mas parecia que, dessa vez, eles haviam trocado de papel, e o loiro estava determinado a se manter no tópico. "Estou falando sério. Não é como se isso fosse problema seu, sabe. A pouco tempo atrás você estava me dizendo que eu merecia isso. Vamos admitir, você teria amado isso. O que mudou?"

Foi a vez de Harry desviar o olhar. "Você sabe o que mudou." Ele murmurou, envergonhado.

"Então é isso? Você acha que nós... que nós vamos -."

"Oh, não. Não! Não foi o que eu quis dizer. "Você já disse que não era..." quebrando a frase, ele suspirou e sacudiu a cabeça. "Não foi o que eu quis dizer."

O loiro levantou os olhos para ele, desconfiado. "Então o que? Por que eu espero que você saiba que isso não vai ser um tipo de... recompensa pelas suas boas ações, sabe."

Harry o encarou. "Eu sei." Ele disse, pensando que seria esperto não jogar a isca agora, mesmo que ele pudesse ter dito que Malfoy não estava exatamente protestando na outra noite. "Olha, a gente tem que ter essa conversa? Não da pra você só aceitar que tenha um amigo que você provavelmente não mereça, e você é bastante sortudo por isso-."

"Amigo" olhos cinzentos se fixaram cuidadosamente nele. "É assim que você se chama?"

O estômago de Harry revirou. "Eu acho que mereci o direito." Ele respondeu teimosamente, levantando o queixo.

Sobrancelhas loiras se levantaram rapidamente. "Eu acho que te disse uma vez que não entraria para as suas legiões de fãs, Potter."

"É, por que é isso que amizade significa." Curvando os lábios, o grifinório se desencostou da parede e correu uma mão pelos cabelos, estressado. Ele não queria conversa nesse momento.

Draco deu de ombros. "Isso é o que significava para mim. Só que eu era quem tinha os fãs adoradores." Ele deu um sorriso convencido com o comentário, mas a expressão era amarga.

"E veja aonde isso te levou." Harry cuspiu de volta, apenas para desejar que não tivesse assim que as palavras deixaram sua boca. Ele viu as defesas rapidamente se refazendo atrás dos olhos do sonserino. "Desculpe, eu-."

"Está frio. Vamos para dentro." E com isso, o loiro se levantou, passou por ele e desapareceu rapidamente pelo saguão de entrada, deixando Harry ir relutantemente atrás dele.

oOo

Ao mesmo tempo, Hermione estava vários andares acima sentada na biblioteca, cercada por pilhas de livros abertos. E numa ocasião rara, eles não eram relacionados à escola. Não, ao invés ela estava pesquisando o problema de Draco, sabendo perfeitamente que Harry provavelmente estava sentado por ai fazendo nada enquanto ela trabalhava por ele. Ela pensou consigo mesmo, exasperada.

Esse pensamento a fez levantar o olhar rapidamente, franzindo a testa. Ocorreu-lhe que Ron deveria estar incluso nesse cenário, e não o sonserino, mas ela tinha pouco tempo ou energia para gastar com preocupações.

Sacudindo a cabeça, ela voltou ao trabalho, passando os olhos pelas palavras a sua frente e as arquivando na memória. Até agora, nada do que ela tinha descoberto era de alguma ajuda. Embora ela estivesse certa em assumir que alguns feitiços afetavam lobisomens de uma maneira diferente, essa descoberta ainda não havia sido útil, já que ela sabia que Harry certamente não havia enfeitiçado Malfoy.

Cansada, ela parou para coçar os olhos, se perguntando novamente por que ela estava gastando tempo para resolver o problema de Malfoy. Mas, é claro, ela sabia. Fazendo isso, ela estava ajudando Harry. E além disso, era apenas certo que alguém retirasse o qualquer que fosse a maldição que estava afetando o loiro, e ela duvidasse que mais alguém fosse se importar com isso.

Mas havia tanta informação espalhada a sua frente, e a resposta potencialmente escondida em parte pequena dela. Talvez ela estivesse olhando na direção errada de qualquer forma, e as compulsões não fossem absolutamente relacionadas a ele sendo um lobisomem. Talvez-

Espera.

Um pensamento, memória, no canto de sua mente, a cutucou.

Rapidamente alerta e ativa novamente, ela se levantou e pegou um livro que estava do outro lado da mesa, voltando para seu lugar e passando rapidamente as paginas. Ela tinha visto alguma coisa, alguma referência a uma possibilidade tão ridícula, tão remota, que ela não tinha dado nenhuma atenção na hora, até agora, quando uma única palavra em outro livro havia feito sua mente rodar. Ela conhecia essa sensação de realização, reconhecia isso como a mesma sensação que sentia quando finalmente entendia um feitiço, ou completava uma poção. Entendimento despertou dentro dela, pedaço por pedaço, com apenas alguns buracos que estavam prestes a serem preenchidos. Mas pela primeira vez, o sentimento batia com seu bom senso. A idéia se formando em sua cabeça, sugerida pelo livro a sua frente, era simplesmente impossível demais. Certamente!

E ainda assim, ali estava, bem na sua frente, literalmente em preto e branco. Todos os sintomas descritos, todas as perguntas respondidas, tudo em um pequeno parágrafo. Ela o leu três vezes, só para garantir, o tempo todo sacudindo a cabeça em negação.

Finalmente, no entanto, ela encostou-se na cadeira, atordoada. Então ela tinha encontrado a cura.

Malfoy provavelmente ficaria mais feliz se ela não tivesse.

Pegando o livro, ela saiu da livraria com ele abraçado seguramente em seu peito, Correndo para encontrar o lobisomem e seu parceiro. Deus. Que pensamento estranho...

oOo

Eles se encontraram no Saguão de entrada. Foi quando Ron estava saindo do Salão Principal, e Draco entrando no castelo, e Harry vindo atrás dele, e Hermione descendo correndo da biblioteca. O encontro parecia quase predestinado, quando todos viraram de seus respectivos caminhos para encontrar os outros. Apenas Harry mostrou surpresa, tendo esquecido que seu amigo estaria de volta hoje. Ele começou a sorrir, até perceber a expressão tempestuosa no rosto do ruivo. Hermione o alcançou antes, também reconhecendo a raiva e tentando acalmá-lo, mas ele a ignorou, os olhos firmes no sonserino.

Harry se preparou para a discussão que estava por vir, sutilmente colocando uma Mão no pulso do loiro, que havia ficado tenso imediatamente e se movido para pegar sua varinha. Draco o olhou de maneira inquisidora, mas se rendeu momentaneamente, deixando que suas mãos caíssem vazias aos seus lados.

Ron não foi tão facilmente parado. Antes que Harry ou Hermione pudessem intervir, ele havia puxado sua própria varinha e a tinha apontada diretamente para o pescoço do sonserino, muito parecido com o que Hermione havia feito no terceiro ano. Calmo como sempre, Draco levantou uma sobrancelha, retornando o olhar frio do grifinório. Apenas Harry sentiu que ele estava lutando furiosamente para não revidar com sua própria mágica, e estava silenciosamente agradecido por ele ter algum alto controle.

"Do que diabos você está brincando?!" Ron gritou para ele instantaneamente, a voz e a mão tremendo com a raiva que corria por ele naquela momento.

"Eu não tenho idéia do que você está falando, Weasley." Draco disse baixo, colocando tanto desdenho numa frase tão simples que Harry rapidamente achou muito fácil se lembrar porque eles brigaram tanto com Malfoy durante os anos. Com esforço, ele tirou o pensamento de sua cabeça e se adiantou tentando impedir a briga

"Ron, fique calmo -"

"Não me diga para ficar calmo!" Furioso agora, o ruivo nunca removeu sua varinha de sua posição, mesmo quando virou para encarar Harry. "Você disse que seria apenas para a AD! Você disse que não seria... amigo do bastardo!"

O sonserino fez uma careta de deboche, e falou antes que Harry pudesse dar-lhe uma cotovelada para ficar quieto. "Ele criou bom gosto na sua ausência – ow!" em resposta, ele estreitou os olhos para o grifinório, que o olhou de volta exasperado.

"Ron!" Hermione gemeu de repente, já tendo visto aquele olhar que vinha do ruivo e que os outros dois não tinham notado.

Harry rapidamente virou sua cabeça na direção do outro garoto, instantaneamente vendo suas opções. Havia uma maldição na língua de Ron, já a meio caminho, e embora ela provavelmente não fosse uma que causaria grandes danos, não havia tempo para Draco desviar ou contê-la. Sem pensar, ele abruptamente estava entre os dois, alcançando o pulso de seu amigo e o forçando para cima. Um feitiço bateu no teto, ricocheteando inofensivamente, mas o bastante para criar uma barulheira e centelhas em volta deles. Hermione estava encolhida em choque e ultraje, Ron berrando insensatamente e Draco perdendo todo o senso de superioridade enquanto uma fileira das palavras mais imundas que Harry já tinha ouvido deixava a sua boca.

Ele podia lidar com tudo aquilo, mas infelizmente não tinha contado que o temperamento de seu amigo estaria tão fora de controle e direcionado para ele. O punho em seu estômago o pegou completamente de surpresa, e ele imediatamente soltou o braço do garoto, se dobrando ao meio. E então, completamente pasmo, percebeu que estava encarando o lado errado da varinha de Ron, e teve um segundo para realizar que não havia absolutamente nada que ele pudesse fazer, antes que a próxima coisa inesperada pudesse acontecer.

Um braço serpenteou por sua cintura e ele foi puxado para trás e virado. Desorientado, ele podia ter tropeçado, mas o braço que quase não o deixava respirar não permitiu.

"Não aponte está merda para ele, Weasley!" A próxima coisa a ser ouvida, seguida do furioso uivo protetor, foi o crack de um feitiço não verbal, e de repente Ron estava voando de costas e aterrisando pesadamente no chão, sua varinha caindo com estrépito longe dele.

Hermione estava uma mistura de horror e surpresa. Havia uma parte dela que estava preocupada com o ruivo e queria correr para checar se ele estava bem, mas tinha que ser dito, a maior parte dela estava achando muito difícil tirar os olhos dos outros dois.

Se ela precisava de confirmação para suas suspeitas, ela tinha acabado de receber.

Malfoy ainda não tinha soltado Harry, e não parecia que o faria tão cedo. Segundos atrás, ela não tinha apenas testemunhado seu amigo se colocar entre Malfoy e uma azaração, mas quando a mesa virou, ela pensou ter visto o impossível. Harry tinha sido puxado para ao lado com tanta força pelo loiro que chegava a ser intimidante, virado, ficando de maneira a não encarar a fonte do feitiço que estava por vir e mantido no lugar com relativa facilidade. A linguagem corporal do sonserino gritava possessividade. Ele estava parado em um ângulo, assim ele podia pressionar Harry ao seu lado enquanto se colocava na linha de fogo, sua varinha aparecendo de lugar nenhum em uma mão firmemente esticada. Tendo visto um rápido flash de presas, Hermione estava inclinada a pensar que Ron tivera sorte do loiro ter recorrido à magia primeiro. Mesmo na forma humana, ela imaginava o que um lobisomem furioso poderia infligir se tivesse razão o bastante.

Atacar seu parceiro era razão o bastante, ela percebeu, olhando para ele agora.

Características de lobo, uma vez vindas à tona, eram aparentemente difíceis de controlar. Seus olhos estavam branco gelo, artificiais e sinistros para quem os olhasse, e fixos na pessoa que o tinha ameaçado. Não fazia movimento algum, paralisado e tenso, como se simplesmente esperando-o voltar a se mover. Uma vez ela tinha visto num parque um pastor alemão brigando com outro cachorro, parecia congelado como se esperasse pelo próximo movimento de seu oponente, antes dos dois se encontrarem com assustadores rosnados e bater de mandíbulas. Suas orelhas estavam alertas, seus olhos arregalados, e lábios curvados para mostrar a fileira de perigosas presas. Ela estava certa de estar encarando a tradução humana daquela expressão.

Harry estava obviamente pensando as mesmas coisas. Lentamente, como se ele também sentisse o instinto de não fazer nenhum movimento brusco, ele alcançou a mão que segurava sua camiseta e roçou seus dedos sobre ela. Quando aquilo não causou reação alguma, ele a segurou mais firmemente. "Draco?"

Ela imaginou que uma orelha canina teria se contraído para mostrar que estava ouvindo, mas nessa forma ele apenas virou a cabeça levemente, nunca tirando os olhos ou sua varinha de Ron, que estava começando a se mexer. Vendo isso, ela se aproximou dele, esperando chegar lá e pará-lo antes que ele fizesse algo estúpido se acordasse. Passar pelo sonserino a fez hesitar, mas ele não deu a mínima para sua existência, então ela assumiu que estava segura e se apressou para se ajoelhar ao lado do ruivo. Era um milagre ninguém ter ouvido o caos ainda. Ela esperava que continuasse assim. Não seria legal alguém aparecer no meio daquela cena.

"Draco, pelo amor de Deus, eu estou bem. Vamos, me solta. Calma." Finalmente ele conseguiu se soltar dos dedos que estavam enredados em sua camisa, e pôde virar-se para encarar o loiro. Com o seu movimento, o lobisomem hesitou, então consentiu em dar as costas para Ron e Hermione, prendendo escandalosos olhos azuis no trêmulo grifinório. Eles o escanearam, como se confirmando se ele não estava mentindo, e vendo que ele estava realmente seguro. Harry o encarou de volta, incrédulo. "Que diabos...?"

Adrenalina cedendo, parecia que Draco estava voltando ao normal. Ele piscou algumas vezes, olhos voltando ao cinza natural. Então, franzindo o cenho, ele olhou por sobre o ombro para onde Ron estava deitado, Hermione agachada sobre ele enquanto o menino grunhia. Por um momento, ele parecia tão chocado quanto eles. "Eu fui...?"

Olhos arregalados, Harry terminou por ele, "Completamente exagerado? Sim. Sim, você foi." Perplexo, ele passou pelo aturdido sonserino para se juntar a Hermione e checar o ruivo.

Ron estava piscando para o teto quando ele o alcançou. "Harry?" murmurou quando viu o garoto, sua voz soando vagamente ininteligível.

Suspirando, ele agachou-se e começou o processo de colocá-lo em pé. "Sim, sou eu. Vamos levar você de volta para a Grifinória, certo?" Ron fez um grunhido de concordância e, com força, Harry conseguiu levantá-lo. Lutando sob o peso do garoto mais alto, ele lançou um olhar para Draco. "Que diabos você fez com ele?"

O loiro balançou a cabeça, perdido. "Eu... eu realmente não sei..." Em sua mente, os últimos minutos estavam envoltos em névoa. Ele nem ao menos se lembrava de lançar o feitiço, muito menos qual feitiço tinha sido.

Fazendo carranca, Harry virou-se e começou a meio guiar, meio arrastar Ron para o lance mais próximo de escadas. Hermione vacilou, instintivamente se movendo para segui-lo, mas pausando para lançar um olhar ao loiro. Ela suspirou quando viu sua expressão totalmente confusa e ofendida, que foram rapidamente escondidas atrás da usual máscara quando ele a percebeu o observando. Harry não pareceu ter notado sua falta, então ela andou até o sonserino.

"O que é, Granger?" ele perguntou, venenoso.

"Tem uma coisa que preciso te contar. Isso pode até mesmo explicar o que acabou de acontecer." Como se fosse uma negociação comercial, ela lhe estendeu o livro da biblioteca que de alguma forma tinha permanecido com ela depois do caos.

Ele olhou para aquilo impacientemente, não estava no humor para estudar quando todos os seus nervos estavam a postos, à beira de uma luta não terminada. "O que é?"

"Eu acho que nós deveríamos ir para um lugar um pouco mais privado," ela avisou. "Você não vai gostar disso."


Comentários aleatórios das Malfoy-Moraine:

Cy diz: Como uma coisa pode ser vagamente ininteligível? Ou ela é ou não. O.o

Ly diz: Não, não, não! Você só diz isso porque nunca tentou estudar pelo caderno do Siberiano... Posso te dizer com total certeza de que aquilo é vagamente ininteligível...

Cy diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Nanda diz: kkkkkkkkkkkkkkkkk

Cy diz: Mas esse vagamente ainda não faz sentido... u.u

Ly diz: Faz sim. É uma letra daquelas garranchadas, mas que se você apertar um pouco o olho e virar a cabeça pra esquerda num ângulo de 48°, você consegue entender... vagamente...

Cy diz: Ah sim, a angulação de 48° totalmente explica o vago, agora...

Ly diz: Num é? ^^


Notas das Tradutoras:

Aeeeeee!!!! Sim, demorei, eu sei. Mas desistir? Jamais!

Tai mais um capitulo, quentinho e ainda soltando fumaça pra alegria geral!

Beijos a todos e até semana que vem.

Ly e Cy