Autora:Sakuri
Tradução:Malfoy-Moraine S.A
Pares:Draco Malfoy e Harry Potter
Classificação:R
Disclaimer da autora:Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.
Disclaimer das tradutoras:Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Olimakiella. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos:SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D
Notas:Werewolf!Draco
Capítulo 31: O Outro Lado dos Sonserinos
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Já passava bastante da meia-noite, Severus tinha certeza, embora ele não tivesse verificado a hora exata há um bom tempo. Cerca de seis minutos, na verdade. Sua varinha estava na mesa ao lado, pronta e aguardando um outro feitiço Tempus a qualquer minuto. Enquanto esperava, ele fixava seu olhar mal humorado no líquido âmbar de uma taça, agitando-a distraidamente e assistindo a luz fraca da sala refletir em seu fundo. Era raro ele beber, mas sentiu que esta noite pedia por um pouco de coragem líquida.
Ele estava descobrindo que não fazia bem para ele ficar para trás se preocupando e querendo saber sobre os eventos dos quais não fazia parte. Acostumado a estar no meio dos acontecimentos, experimentando a emoção e a consciência de que ele poderia ser apanhado a qualquer momento, sua vida dependia muito de suas próprias habilidades como bruxo e espião, com ninguém além de si mesmo para confiar...
Suspirou. Agora - ironia das ironias - aqui estava ele, confiando em Lupin para fazer um trabalho que era seu por direito. E era uma farsa, com certeza. Um grifinório brincando de espião como se fosse alguma brincadeira de criança. Quem já tinha ouvido falar em tal atrocidade? Lupin iria se matar ou se machucar, ou algo igualmente trágico - não que ele não se encaixasse no fim digno de um mártir. Provavelmente era algo que ele sempre sonhou, um tiro de glória para o patético homenzinho. No entanto, Severus não podia deixar de pensar nas últimas semanas infernais em que tinha sido forçado a tolerar o lobisomem, e que desperdício tudo teria sido se o idiota fosse e morresse agora ...
E isso, disse a si mesmo, era tudo o que lhe preocupava. Bem, talvez isso e o fato de que Lupin ainda tinha uma dívida com Draco. Ele certamente não estava preocupado com o homem em um nível pessoal.
Lançou outro Tempus e viu que agora eram quinze para uma da manhã. O lobisomem estava atrasado. Muito atrasado. Era por volta de sete horas quando ele partiu, e o Lord das Trevas não costumava estender seus encontros mais do que o necessário, mesmo quando algo inesperado acontecia - como a chegada espontânea de um lobisomem amargurado. Ele não deveria estar de volta agora... se é que ele iria voltar?
Frustrado, bebeu o que restava da bebida em seu copo, sentindo queimar a parte de trás da sua garganta, e levantou-se, agitadamente batendo sua varinha contra uma de suas pernas enquanto começou a caminhar pelo pequeno quarto apertado. Ele estava inquieto. Ele queria estar lá fora, queria a adrenalina de caminhar no proverbial fio da navalha.
Mais do que isso, ele queria saber o que estava acontecendo! Merlin, isto era tortura. Teria Lupin tido sucesso em seu subterfúgio, por mais incrível que esse pensamento fosse? Se sim, por que ele demorava esse tempo todo? Oh, Deus, e se o Lord das Trevas tivesse exigido um teste de lealdade do lobo? Lupin iria falhar, é claro que sim. Ele não tinha o sangue frio para fazer o que era necessário. Se tivesse sido pedido para provar a si mesmo, talvez até machucar alguém...
O Mestre de Poções rapidamente colocou uma mão firme nas costas de uma cadeira, de repente certo de que o lobisomem estava morto dentro de uma vala em algum lugar, com a Marca Negra estampada no céu acima de sua cabeça.
Não! Não, pelo amor de Deus, ele estava sendo ridículo. É claro que seria necessário algum tempo para ganhar a confiança do Lord. Isso era tudo. Lupin iria retornar em breve, presunçoso e auto confiante agora que ele finalmente conseguiu sucesso em alguma coisa, apesar do fato de que, realmente, Severus o tinha conduzido em tudo até agora.
Exceto nisso. Ele não poderia ajudá-lo com isto, poderia? E esse foi o dilema que o havia direcionado a beber.
Com um suspiro, correu os dedos pelos cabelos - um hábito do qual pensou ter se curado anos atrás - e forçou-se a retornar ao seu lugar. Outro copo foi enchido, principalmente para manter suas mãos ansiosas ocupadas, e Severus se sentou para assistir as brasas devidamente brilhantes de seu fogo, quase querendo que eles se tornassem verdes em sinal do retorno do lobisomem. Embora o diretor já houvesse solicitado que Lupin fosse de floo direto para seu escritório quando retornasse, Severus sabia, com a certeza de quem tinha se submergido na mente e motivações do homem, que esse não seria o caso.
Se ele voltasse, Remus iria ali primeiro.
oOo
Harry não podia mais se permitir pensar em Remus. Sua preocupação frenética ocupou-o por horas e o estava deixando louco. Cada músculo dele estava tenso, cada nervo no limite com a necessidade de estar fazendo alguma coisa. Ele pediu - leia-se: exigiu - que Snape o avisasse no momento em que o lobisomem retornasse, e estava certo de que já saberia de algo agora se Remus estivesse em segurança na ala hospitalar, ou no escritório do diretor. No entanto, como ele não tinha ouvido nada, significava que o homem ainda estava longe da segurança, e ele estava lutando contra o desejo de ir bater na porta do Mestre de Poções, apenas para checar...
Assim, Harry chegou à conclusão de que tinha que se distrair, para que seus próprios pensamentos não o levassem àquela ação irracional e desesperada que ele ainda estava considerando.
Haviam apenas dois seres que eram opções para ele agora. Um deles, embora tivesse tentado bravamente, estava dormindo no sofá em frente a Harry. O grifinório sorriu quando olhou o loiro, com a cabeça apoiada sobre o livro que estivera lendo. Ele teve que admitir, Draco tinha verdadeiramente se esforçado na tentativa de permanecer acordado por ele – apesar de que ele o olharia letalmente se Harry tentasse lhe agradecer pelo apoio, e negaria veementemente. Foi apenas cerca de vinte minutos atrás que Draco finalmente perdeu a luta com o sono e caiu para o lado, se enrolando. Harry soltou delicadamente sua mão - que o sonserino, de alguma forma, manteve segura sem perceber - e se levantou do sofá. Franziu a testa por um momento, considerando, antes de se dirigir para o pequeno corredor em que nunca tinha ousado entrar até esse momento, e entrou no quarto do outro menino.
Pensou apenas em pegar a coberta da cama e enrolá-la no lobisomem adormecido, mas, claro, não pôde evitar deixar que seu olhar vagueasse pelo aposento logo que entrou.
A decoração era, inevitavelmente, com a temática sonserina, mas Harry foi surpreendido ao constatar que os verdes escuros e cinzas eram muito mais suaves do que ele esperava. Enquanto seu quarto – vermelho, ouro e mogno - era quente e confortável, o de Draco era... repousante. Sim, essa era a palavra certa. Calmo, quase relaxante - apesar das roupas que haviam sido jogadas sem cuidado no chão. Ele revirou os olhos para isso, lembrando a tendência surpreendentemente bagunçada do sonserino, e resistiu ao impulso de limpar a poeira e pendurar os vários conjuntos de vestes que ele podia ver à sua volta. Em vez disso, sua atenção foi desviada para a estante de livros. Depois de hesitar um só momento, ele aproximou-se para examinar alguns títulos.
A maioria eram livros de feitiços, o que era de se esperar. Ele também encontrou obras de ficção escritas por bruxos e bruxas dos quais nunca tinha ouvido falar antes, e não prestou muita atenção. Não, o que realmente chamou sua atenção e lhe causou certo divertimento e choque foram os livros de ficção trouxas escondidos nas prateleiras do sonserino. Para alguém que vinha em toda sua carreira escolar proclamando do alto da torre do sino que trouxas eram uma espécie inferior, Harry estava começando a perceber que Draco parecia ter adotado mais da cultura trouxa do que ele estava disposto a admitir. As roupas, os livros, qual seria o próximo? E, dando um olhar mais atento a gama de livros, Harry mordeu a mão para conter o riso alto. Deus, Malfoy era uma mocinha, e o grifinório congratulou-se por finalmente encontrar a prova na forma de uma inegável cópia bem-manuseada de "Orgulho e Preconceito".
Ele eventualmente se afastou da estante, no entanto, lembrando que entrou no quarto com um motivo. Lamentavelmente - uma vez que parecia ser a única coisa arrumada em todo o quarto - ele puxou a colcha verde da cama e acomodou-a em seus braços. Também encontrou Vanima enrolada nas almofadas do sonserino e, se perguntando se era habitual para a serpente compartilhar a cama de Draco, ele também a pegou e fez o seu caminho de volta para a sala principal.
Agora, estava enrolado na poltrona do outro lado da sala, assistindo passivamente a ascensão e queda do edredom que praticamente engolia o garoto sob ele. Que inesperado, Harry pensou, piscando languidamente. O loiro realmente parecia... doce, quando estava adormecido.
Um segundo depois, ele riu. Sua preocupação com Remus deveria tê-lo feito enlouquecer depois de tudo, porque de jeito nenhum alguém em sã consciência podia se referir a Malfoy como doce.
Mas então, ele não era mais Malfoy, era? Mesmo em sua mente, Harry tinha começado a se referir ao lobisomem como Draco. E enquanto Malfoy era um bastardo, um bruxo das trevas e uma cobra pouco confiável, Draco era... Bem, ok, ele ainda era todas essas coisas, mas ele também era a pessoa que cuidava de Vanima, que corria com ele nas luas cheias, que o protegeu de uma das maldições de Ron como se fosse uma questão de vida ou morte, e que se sentia confortável o suficiente para dormir em sua presença. Este era o garoto com seu banheiro ridiculamente abarrotado, com seu gosto demasiado feminino na literatura, e, se Harry estava lembrando corretamente, mais do que um pouco tarado por Parseltongue. Ele riu com esse pensamento, então hesitou, franzindo a testa.
Em seu colo, Vanima se mexeu para chamar sua atenção. No que você está pensando?
Ele suspirou, quase resignado. "Que eu tenho um julgamento muito limitado."
"Em quê?"
Ele respondeu automaticamente, não tendo certeza se estava tentando dizer 'amigos' ou 'namorados' ou algo totalmente diferente, só que na língua de cobra saiu algo como "Companheiros".
Ela pareceu considerar isso antes de responder. Eventualmente, após rastejar em direção a seu pulso, observou, "Não me parece que você tenha qualquer julgamento na questão, limitado ou não."
Ele franziu a testa. "O que você quer dizer?"
"Criaturas como ele" - Ela queria dizer Draco, ele assumiu – "não têm escolha quanto a seus companheiros. Mas isto é apenas para o bem. Isso os abstém de cometer erros. Você não deveria se preocupar com o seu julgamento."
Esta não foi a primeira vez que ele se sentiu perdido enquanto falava com Vanima. A cobra falava em enigmas, mas acreditava que ele poderia entendê-la facilmente. Ele tinha certeza de que ela o achava estúpido toda vez que ele pedia para ela explicar algo.
Desta vez, porém, ele estava completamente perdido.
"Será que estamos falando da mesma coisa?" Ele se perguntou o que ela pensou que ele entendia por "companheiros", e o que diabos ela quis dizer com o lobisomem não ter uma escolha no assunto.
Se as cobras pudessem suspirar ou rolar seus olhos, ele tinha certeza de que ela teria feito as duas coisas.
"Sério, eu acho que você confundiu. Eu só queria dizer -"
"Os seres humanos são tão freqüentemente obtusos..." Ela observou, perplexa, e não importou o quanto ele implorou e pediu, se recusou a continuar com a maldita conversa.
oOo
Mesmo àquela hora, Harry e Severus não eram os únicos ainda acordados. Dumbledore estava sentado sozinho em seu escritório, olhando tristemente para a Penseira à sua frente e se perguntando se tinha cometido um erro ao enviar o lobisomem às trevas; Ron estava deitado acordado no quieto dormitório da Grifinória, furioso com a flagrante cama vazia ao lado da sua e tentando ignorar o ciúme que o invadia; Hermione estava estrábica pela luz de velas lendo as palavras de mais um livro pesado, lentamente, chegando a temer o que poderia significar para Harry ser o companheiro de um lobisomem sonserino.
Além de todos estes, havia mais uma pessoa se aproximando cada vez mais de Hogwarts, seguindo o caminho que vinha da vila de Hogsmeade. A figura, segurando firmemente seu manto escuro, estremeceu na chuva que a açoitava e tropeçou, exausta, mas se forçou a continuar. As torres e campanários do castelo apareceram à sua frente, picotadas com as luzes da janela e, eventualmente, proporcionando a visão mais acolhedora que ela tinha visto em muito tempo.
Ela engasgou, com um riso de alívio puro quase escapando de seus lábios, mas ela o engoliu com dificuldade, com medo de não parar, se começasse. Parecia que ela tinha andado por horas ao longo do caminho lamacento que, nas carruagens, poderia ser percorrido em uma fração do tempo, e ela não estava habituada a esse tipo de viagem. Suas roupas finas, seu manto de veludo caro e chique, quando ela começou, estavam agora mais que encharcados de chuva, estavam cheios de sujeira, trapos magicamente rasgados. Se ainda houvesse algo dentro dela além de desespero, ela poderia ter sentido vergonha por sua aparência.
Nada disso importava, no entanto. Seus olhos estavam fixos no castelo e ela mal piscava, já tropeçando no terreno da escola. O que ela precisava estava dentro de Hogwarts e ela havia decidido que nada nem ninguém iria mantê-la longe por muito tempo. Ela havia sido uma tola condescendente por muito tempo, mas isso havia terminado. Ela estava aqui agora. E era isso que importava.
A caminhada através do terreno aberto foi a mais longa que já havia feito. Não havia energia sobrando para correr, mas todos os seus nervos gritavam para estar dentro do castelo. Parecia levar uma eternidade para cobrir o chão molhado da chuva que se estendia ao redor de Hogwarts.
Quando finalmente se aproximou dos poucos degraus de pedra que levavam às imponentes portas duplas, empertigou-se, levantando as saias para não atrapalhar sua subida, e sentiu a força e o poder das defesas mágicas acionadas por sua inesperada presença, mas não hesitou. Ela suspeitava que o diretor não iria protestar pela sua chegada embora, sem dúvida, ele já estivesse ciente dela.
No silêncio dos corredores desertos, ela movia-se sem se deter, o ritmo de seus passos aumentando junto com seu senso de urgência. Logo, estava correndo tão rápido quanto era aceitável para uma senhora de sua classe, seu manto ondulando atrás dela enquanto descia escadas de pedra e atravessava corredores, o capuz da capa caiu para trás revelando o emaranhado de cabelos normalmente impecáveis. O medo a alcançou, enquanto ela esperava que seu alivio fosse arrancado no último segundo, encontrando por acaso algum professor ou fantasma de patrulha pelos corredores, que certamente iriam iniciar um alarme que Dumbledore tinha até agora ignorado.
Torcendo para que se lembrasse de seu destino corretamente, e que a pessoa que ela procurava não houvesse mudado a sua residência desde sua última visita, dobrou um corredor e cuidadosamente procurou a porta que queria. Então, sem parar, atirou-se contra ela, batendo sem dignidade ou graça. "Severus! Severus!"
O Mestre de Poções não estava dormindo, ela estava certa, quando ele abriu a porta no mesmo instante, usando a expressão sarcástica de alguém que não queria ser perturbado em nenhuma circunstância. Exceto, talvez, por essa. Suas feições se apagaram com o choque, os olhos escuros procuraram seu rosto como se duvidasse do que estavam vendo.
"... Narcissa?"
Narcissa Malfoy, em toda sua glória esfarrapada, ergueu o queixo e exigiu imperiosamente: "Onde está meu filho?"
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Harry estava à beira do sono, apesar da sua vontade de permanecer acordado, quando o retrato se abriu. Ele se moveu confuso, sentando-se e voltando o olhar para a mulher que entrou.
Levou um pouco de tempo para reconhecê-la, parecendo tão diferente da última vez que eles se encontraram, há mais de dois anos. Envolta em um manto preto esfarrapado, o vestido azul escuro por baixo parecendo muito pior com o desgaste, e seus longos cabelos loiros se soltando do coque usual, caindo molhados, enrolados num emaranhado sobre seus ombros. Harry se perguntou se a mãe de Draco já havia estado tão desarrumada em sua vida.
Assustado pelo seu reconhecimento, ele levantou-se automaticamente, deixando Vanima escorregar para o chão e para baixo da poltrona. Sua varinha estava em sua mão quase por conta própria, a mente anestesiada pelo sono registrava apenas que ela era uma Malfoy e uma bruxa perigosa certamente, se sua reputação fosse verdade.
Seus olhos, num tom de cinza chocantemente familiar, voltaram-se em direção a ele. Se Narcissa ficou surpresa com a visão dele, ela o demonstrou apenas arqueando uma sobrancelha perfeitamente esculpida. Seu olhar era calmo, avaliativo, e de repente Harry sentiu-se tolo por sua reação e timidamente abaixou a varinha.
Outra figura entrou atrás dela. "Ele está aqui, Narcissa - Potter! Pelo amor de Deus, o que você está fazendo aqui?" Snape o encarou, incrédulo, com uma expressão vagamente indignada.
"Eu... Eu..." Como era perturbador explicar qualquer coisa com a mãe de Draco o ouvindo atentamente.
Mas seu interesse pareceu desvanecer-se rapidamente - ao contrário de Snape, cujo olhar permaneceu sobre ele, sem hesitar - quando ela avistou o loiro no sofá, enterrado sob uma montanha de edredom. Narcissa deu um passo em direção a ele e abaixou-se até se ajoelhar e, apesar de sua aparência atual, Harry não conseguia se lembrar da última vez que tinha visto alguém mais gracioso em seus movimentos.
De repente sentiu como se estivesse assistindo a algo muito pessoal, e olhou ao redor procurando por uma fuga. Mas não havia nenhum movimento que ele pudesse fazer que não o levaria para mais perto de um enfurecido Mestre de Poções, e assim ele só poderia permanecer ali, sem jeito, enquanto Narcisa estendia a mão e acariciava a extensão de cabelos claros, que era marca registrada de sua família. Draco não acordou, apenas remexeu um pouco com o toque suave.
A bruxa fechou os olhos, como se ela tivesse acabado de encontrar o que procurava, e curvou a cabeça até a orelha de seu filho, sua voz era demasiadamente audível no silêncio do quarto quando ela sussurrou: "Eu sinto muito, meu querido."
Harry desviou o olhar, desconfortável, quando Narcissa depositou um beijo na testa de Draco antes de levantar e voltar a encarar os dois outros ocupantes da sala. Mais uma vez o seu olhar pesado encontrou o solitário grifinório entre eles, e ela foi lentamente em sua direção. Ele ficou tenso quando ela se aproximou, querendo se afastar, mas o sofá atrás dele não permitiu e assim ele só conseguiu ficar parado até que ela chegasse a uma pequena distância.
Por alguma razão, pareceu estranho para ele observar que Narcissa Malfoy era uma mulher pequena. Menor do que Draco, a quem Harry tinha provocado uma ou duas vezes por seu tamanho. No entanto, algo sobre a presença dela numa sala a fazia parecer mais alta, mais importante e mais bonita do que ninguém. Mesmo com os cabelos emaranhados e o vestido rasgado, ele não tinha vergonha de admitir que a matriarca Malfoy era, talvez, a criatura mais delicada que ele podia se lembrar ter encontrando, com toda a sua pele pálida e olhos grandes, frios. Era fácil ver de onde Draco herdou sua aparência. O cabelo loiro-branco poderia realmente ser de Lucius, mas em todo o resto, ele era certamente o filho de sua mãe. A semelhança, agora que Harry tinha a oportunidade de olhar de perto, era inquietante. Ambos formidáveis, frios, e se precisassem, belos - sim, ele poderia admitir que Draco era bonito, se ele se convencesse de que era apenas uma observação casual - e, como ele suspeitava, sonserino até a alma.
Ela estava olhando para ele atentamente, os olhos ligeiramente estreitos. "Meu filho deve confiar muito em você, senhor Potter," ela disse abruptamente, "para permitir você em seus aposentos privados, e para adormecer com você ainda aqui. Eu tinha a impressão de que vocês sempre... antipatizaram um com o outro. Verdade? "
Foi Snape quem respondeu, cortando qualquer gaguejar ineficaz que Harry poderia ter oferecido. "Parece que certas rivalidades foram superadas nesses últimos meses. Eu lhe garanto, Narcissa, tentei convencer Draco a reavaliar sua escolha de... amizades". Ele olhou com desprezo para Harry, que o encarou de volta, se atrevendo a rolar os olhos para o professor.
A bruxa mais uma vez arqueou a sobrancelha, mas seus olhos nunca deixaram o adolescente na frente dela. "Devo questionar, nesse caso, o que é tão especial em você, senhor Potter, que levou Draco a ignorar os conselhos e desejos da família e dos amigos para trancar-se nesta escola com você, e se os rumores estiverem corretos, como seu único aliado."
"Ele tomou a decisão antes que nós começássemos a conversar, senhora Malfoy," disse Harry automaticamente, percebendo tarde demais o olhar de Snape de alarme sobre o ombro da mulher.
Narcissa piscou, virando-se para observar o ainda adormecido sonserino. "É mesmo?", ela perguntou a ninguém em particular. Então, ajeitando as mechas do cabelo úmido com o mesmo cuidado que ela poderia usar se tivesse sido primorosamente penteado naquela manhã, girou sobre seus calcanhares e deixou a sala, dizendo baixinho por cima do ombro, "Vou ver o diretor agora, Severus."
Snape continuou onde estava, hesitante, com sua expressão furiosa. "Garoto idiota", sibilou quando ela se foi, sua voz baixa e perigosa, tão abafada que era improvável que Narcissa pudesse ouvi-lo de fora da sala. "Ela vai perguntar, agora, qual o real motivo de Draco para trocar de lado, a verdade virá à tona. Uma verdade que ele" - Severus apontou para o Sonserino" – nunca quis que sua mãe soubesse!"
Harry se encolheu. "Ela... Ele não teria sido capaz de esconder isso para sempre, de qualquer maneira...", protestou debilmente. Então, lembrando os eventos anteriores da noite, ele o encarou seriamente. "Remus já voltou?"
O Mestre de Poções pareceu surpreso por um segundo antes de ficar carrancudo. Harry observou-o murmurar um rápido encanto de verificação do tempo entre uma respiração e outra, mirando ansiosamente na direção que Narcissa havia tomado. "Não. Não, ainda não, embora eu tenha sido afastado de meus aposentos por alguns minutos."
"Então, volte para lá! Veja se ele está -"
"Existem outras coisas importantes acontecendo esta noite, Potter!" o homem rosnou, exagerando, na opinião de Harry. "Agora, retorne ao seu próprio dormitório, pelo amor de Merlin. Vinte pontos da Grifinória por estar fora depois do horário."
"Mas eu não estava -"
"Agora!" O homem só esperou até que Harry fizesse uma careta e mover-se para passar por ele, antes de agarrar seu ombro e empurrá-lo para fora do quarto, permitindo que o retrato de Lilith fechasse atrás deles e deixasse Draco dormindo.
Narcissa esperava no corredor, continuando em um ritmo vivo, uma vez que eles a alcançaram. Snape manteve a mão firme sobre o grifinório enquanto eles se dirigiam para cima, através da escola, deixando-o praticamente à entrada da sua Sala Comunal com uma ameaça do que poderia acontecer se ele saísse novamente naquela noite.
Com um inconveniente resolvido, Severus continuou com Narcissa ao seu lado, seu destino sendo a gárgula de pedra que guardava a infame escada em espiral. "Jujubas", murmurou com desdém, ganhando um divertido olhar da bruxa.
"Algumas coisas nunca mudam", ela observou carinhosamente. Tudo bem para ela achar divertido, ele pensou, como ela não tinha sido obrigada a pronunciar estas palavras malucas repetidas vezes durante anos a fio.
Juntos, eles subiram a escada. Severus avançou apenas para abrir a porta do escritório e permitir que ela entrasse na frente dele.
Dumbledore olhou para cima, a expressão em seus olhos mais brilhante do que tinha sido estas últimas semanas. "Ah, senhora Malfoy. Sente-se. Severus, você vai se juntar a nós?"
"Eu..." O Mestre de Poções vacilou na porta, relutante em participar da pequena reunião.
Após alguns segundos, o diretor acenou uma mão. "Ah, claro. Volte para seu quarto, meu rapaz, e nos mantenha informados de todos os acontecimentos que ocorram esta noite".
Severus assentiu e, com um olhar persistente, curioso para Narcissa, virou-se e saiu da sala, se perguntando ansiosamente se ele poderia ter perdido o retorno do lobisomem nos últimos cinco minutos.
Comentários Aleatórios das Malfoy-Moraine:
Cy: EU DI UM BEJO NELAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Nanda:¬¬ Vai escrever!
Ly:E levei pra passear!
Cy:Só que eu prefiro aipim! *pulando*
Ly:A gente fomos num shoppis! Pra modi a genti lanchar!
Nanda:Chega! Vão escrever! As duas!
Ly:Quanta genteeeeeeee-ê-ê! Quantia alegriaaaaa!
Cy:Arriba!
Ly:\o/
Notas das tradutoras:
Ahá! Não é pegadinha do Malandro. É a atualização da fic mesmo. XD A gente tarda mas não falha. Nem deixa serviço inacabado. De toda forma, quem continuou acompanhando o MM lá no Livejournal conheceu mais cinco capítulos da história, que já está em sua arrancada final.
Mas e aí, Draquetes, como vocês estão? O que tem feito de bom? Sentiram terrivelmente a nossa falta? *bate pestanas*
Bom, o capítulo 32 não tarde (palavra de escoteiro), bem como o resto da fic.
Só parar lembrar, depois de tanto tempo sem se ver, quem deixar reviews e não tiver login/estiver logado, por favor, deixe um email para que a gente possa responder. Nós demoramos um pouquinho mas respondemos todos. ^^
Um beijo das MM!
Cy e Ly - de volta.
