Autora:Sakuri

Tradução:Malfoy-Moraine S.A

Pares:Draco Malfoy e Harry Potter

Classificação:R

Disclaimer da autora:Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.

Disclaimer das tradutoras:Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Sakuri. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos:SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D

Notas:Werewolf!Draco

Capítulo 33:Perguntas respondidas

A princípio, Harry se perguntou o que diabos ele possivelmente podia ter feito de errado desde a última vez que vira Snape, para que o Mestre de Poções tenha vindo tirá-lo de uma mesa de café da manhã estranhamente tensa – uma vez que ele e Ron estavam oficialmente Não-se-Falando – para levá-lo em direção à porta. No caminho, o professor parou e fez um gesto para a mesa da Sonserina. Draco, com um olhar confuso, levantou-se e os seguiu.

Os três saíram para o corredor e Harry rapidamente se afastou, arrumando suas roupas como desculpa. "O que eu fiz desta vez?" ele perguntou ressentido.

Snape o olhou rapidamente. "Fora respirar?" ele respondeu sarcasticamente. "...Nada. Nós estamos indo para a Ala Hospitalar, já que Lupin está pedindo para ver você."

O grifinório piscou, quase parando antes que Draco o empurrasse. "Remus? Remus voltou? Ele está bem?"

"Ele voltou." Foi a resposta curta que o homem lhe deu.

Harry riu estupidamente e se virou para olhar Draco, que estava sorrindo como se dissesse Viu? Eu te disse. Mas ele franziu a testa segundos depois e murmurou confuso. "Isso é ótimo, certamente. Mas por que eu estou aqui?"

Snape não respondeu, apenas os guiou por outro corredor.

Harry rapidamente entendeu, lembrando-se da noite anterior. Ele disse automaticamente. "Sua mãe está aqui."

Foi a vez do sonserino parar espantado, encarando-o paralisado. "... O quê?"

"É, ela foi até o seu quarto na noite passada – foi quando, a propósito, ele me arrastou de volta para o meu quarto."

O Mestre de Poções voltou para perto dos deles quando percebeu que os garotos haviam parado de seguir, e agora os encarava impacientemente. "Se vocês já terminaram -."

Draco se virou para ele. "É verdade? Minha mãe está mesmo aqui? Ela está…?"

Snape suspirou. "Dumbledore insistiu numa interrogação durante a noite. O que quer que ele tenha descoberto, foi o que permitiu que ela ficasse. Você poderia perguntar isso diretamente a ela se vocês dois apenas se movessem."

Ela iria ficar? Isso só podia significar que o diretor confiava nela, pelo menos até certo ponto. Mas o que ela estava fazendo ali? Da última vez que ele havia ouvido algo sobre sua mãe, ela esteve tentando persuadi-lo a voltar para seu pai e receber a Marca. O que tinha mudado?

Draco estava sacudindo a cabeça, perplexo. E ainda assim, ao mesmo tempo, um alivio patético estava tomando conta dele, insistindo que ele a visse, tivesse certeza de que ela realmente estava... realmente estava...

Ela realmente estava ali.

Ele piscou, para encontrar o grifinorio ainda rindo idiotamente, com os olhos verdes divertidos. Harry segurou o braço de Draco, apertando, e cochichou, "Vamos!"

E então ele estava correndo na frente, ignorando completamente a reprimenda irritada do Mestre de Poções, e o que Draco poderia fazer, realmente, a não ser seguir? Ele também ouviu o grito exasperado de Severus quando passou pelo homem, nos calcanhares do grifinório, ambos correndo pelos corredores, derrapando nas curvas, rindo com puro alívio. Eles assustaram um grupo de Lufa-lufas que estavam descendo para o Salão Principal, correndo rápido demais para parar ou desviar deles, ao invés disso os empurraram quando passaram apressados, Harry gritando desculpas apressadas por sobre o ombro e Draco rindo ainda mais – algo que quase causou pânico em massa nos Lufa-lufas assustados.

Finalmente eles se aproximaram da ala hospitalar, Harry passando pelas portas primeiro e parando de súbito, fazendo Draco dar um encontrão nele segundos depois e espiar por sobre seu ombro para a audiência subitamente chocada dos dois.

Vários pares de olhos caíram nele e as vozes morreram. Harry deu uma olhada discreta pelo quarto, rapidamente registrando seus ocupantes. De um lado estava o diretor, olhando divertidamente de volta para eles e dando um discreto passo para o lado para revelar Narcissa Malfoy sentada em uma das camas, parecendo muito melhor do que ele vira da última vez. Oposto a eles, do outro lado da ala, Madame Pomfrey tinha uma mão apertada ao peito, assustada, encarando-os, e ao lado dela estava Remus, já de pé e indo em direção a eles.

Harry não percebeu que havia decidido se mover, apenas que ele estava subitamente do outro lado da sala para encontrá-lo no meio do caminho, se jogando em um abraço que o lobisomem respondeu feliz. Por sobre seu ombro, Harry fechou os olhos agradecido, percebendo, talvez pela primeira vez, o que teria significado se Remus não tivesse voltado.

E com esse pensamento veio uma onda de raiva. Ele se afastou, com a expressão ficando sombria. "No que você estava pensando?"

"Harry..."

O grifinório recuou outro passo, fuzilando-o com o olhar. "Não! Você nem ao menos me contou! Eu pensei que você estivesse morto!"

Madame Pomfrey o interrompeu, arruinando seu discurso irritado. "Senhor Potter, será que o senhor pode parar de gritar? Nós vamos terminar aqui em alguns minutos, professor." Falou, assentindo para Remus, desapareceu novamente em sua sala.

Harry levantou as sobrancelhas. "Terminar o quê? Por que você está aqui? Você se machucou?"

O lobisomem suspirou. "Sente-se, Harry." Ele ofereceu, e começou a explicação.

oOo

Assim que o grifinório se afastou na direção de Lupin, Draco foi deixado se sentindo exposto, a intensidade do olhar de sua mãe caindo pesadamente sobre ele. Ele hesitou, sem ter certeza do que fazer. Ainda não sabia por que estava ali. Ela iria tentar levá-lo para casa? E ainda assim, Dumbledore estava sorrindo...

Lentamente, andou em direção ao par, parando de novo quando Narcissa se levantou rapidamente. Ele se estapeou mentalmente. Essa era sua mãe, não havia motivo para agir como um animal encurralado.

Draco a olhou direito pela primeira vez então, os olhos se arregalando pelo estado de suas roupas – obviamente não eram vestes que ela escolheria; talvez fossem até roupas velhas da escola – e seu cabelo – sem arrumação, mas limpo, estando soltas as mechas que normalmente eram vistas amarradas – e finalmente seu rosto – sem qualquer traço da maquilagem que ela normalmente usava.

Não, algo não estava certo. Ela não estava ali para argumentar por seu pai.

Com isso decidido, ele cruzou o resto de espaço entre eles, indo ficar na frente da bruxa, fingindo calma. Ele a olhou com cuidado, esperando o primeiro sinal da reação dela.

Ela riu tremulamente, estendendo timidamente os braços para ele.

É claro, sendo um Malfoy, todo instinto nele proibia qualquer demonstração pública de afeição que parecia apenas natural nessa situação.

Narcissa, que não havia sido criada como uma Malfoy, e que achava demonstrações públicas de afeição uma coisa perfeitamente aceitável quando era referente a seu filho, agarrou o garoto antes que ele pudesse protestar, ficando na ponta dos pés para abraçá-lo, tocando seu cabelo e ombros, beijando suas bochechas e ignorando os protestos fracos do rapaz.

"Mãe," Draco murmurou com um olhar rápido e envergonhado para o diretor. "Mãe, por favor..."

"Oh, meu querido, me desculpe!" ele disse ansiosa, sem soltá-lo.

Em vão, ele tentou gentilmente afastá-la. "Mãe?"

"Sim?"

"O que você está fazendo aqui?"

Finalmente ela se afastou, parecendo um pouco surpresa, como se esperasse que ele já soubesse. Sacudindo a cabeça, ela deixou escapar um suspiro. "Seu pai." Falou, exasperada. "Ele ficou louco."

oOo

"Mas eu não vejo por que você tinha que ir, pra começar!" Harry protestou, provavelmente pela quinta vez, fazendo Remus suspirar e esfregar a testa.

"Harry, tente entender... eu só estou tentando fazer minha parte -."

"Sua parte devia ser aqui!" Frustrado, o rapaz fechou os punhos nas cobertas atrás dele, encarando o homem. "E quanto a ser um membro da Ordem? E... e ajudar Draco? E quanto -.?

"Ser um membro da Ordem significa que eu tenho que fazer isso." O lobisomem insistiu gentilmente. "E é claro que eu ainda vou poder ajudar Draco – mesmo que eu esteja achando que tem muito pouco que ainda reste para eu ensiná-lo. Harry, você só está inventando desculpas."

"E?," o adolescente demandou imediatamente. "E se eu estiver? Eu não quero que você faça isso."

Eles pararam, sem palavras por um momento, e então Remus deu de ombros. "Sinto muito. Eu só... tenho que fazer."

Harry levantou e se afastou, resistindo a perder completamente a calma. O que tinha de tão dificil nisso? Tudo o que Remus tinha que fazer era dizer não da próxima vez em que lhe pedissem para arriscar sua vida.

O lobisomem observou sua companhia por um tempo, cuidadosamente tentando encontrar suas próximas palavras. Finalmente, ele se preparou para lançar a outra bomba. "Além disso, não há mais opção quanto a esse assunto."

O grifinório girou nos calcanhares. "O que você quer dizer?"

Remus hesitou. Ele não estava mais tão assustado quanto estivera à noite, depois que Severus e Poppy passaram longas horas lhe dopando com poções calmantes e analgésicas, mas ainda assim, ele sentiu uma súbita onda de algo próximo ao medo histérico quando aqueles olhos verdes se prenderam nele. Aqui estava ele, diante da figura chave do lado da Luz, o filho de James, e prestes a mostrar a ele a Marca Negra de Voldemort, marcada para sempre em sua pele.

Nos segundos que se seguiram, Harry podia muito bem ter lido sua mente. Sem nenhum outro movimento, seus olhos se voltaram para o braço do lobisomem, que fechou a mão involuntariamente sobre a tatuagem, ainda escondida pela manga de sua camisa.

O entendimento trocou lugar com o puro horror no rosto do menino, e ele sacudiu a cabeça em negação. "Não..."

"Eu não tive escolha -."

"Não!" Furioso, Harry gesticulou, sem ter certeza se queria se afastar da traição ou se aproximar a fim de rasgar a manga da camisa e provar a existência da marca. Não fez nem um nem outro. Ao invés, manteve-se paralisado, pálido e com os olhos arregalados.

Recompondo-se o máximo que podia, Remus fechou os olhos e se concentrou no discurso que tinha decorado mais cedo. "Se algum de nós soubesse que isto seria necessário... eu não teria... e Severus não teria permitido... Deveria ter sido impossível!" ele cuspiu o final, amargurado.

O garoto não respondeu, e, eventualmente, Remus continuou numa justificativa desesperada. "Eu sou um lobisomem, Harry. Uma criatura que o Lord das Trevas considera sub-humana. Por que você acha que Draco fugiu para a Luz? Você-Sabe-Quem não o teria feito um Comensal da Morte, teria feito um bicho de estimação, um escravo. Severus e eu... nós discutimos os prováveis desfechos dessa missão caso eu aceitasse os riscos. Ser Marcado... não devia ter acontecido."

"Então por que aconteceu...?" o grifinório perguntou fracamente.

Sem saber o que fazer, Remus correu as mãos pelo rosto e pelos cabelos. "Eu não sei," ele adimitiu. "Eu não sei porque fui a exceção. Eu só consigo pensar que ele não confiou em mim no fim das contas, mesmo com os esforços de Severus. Isso...", ele puxou a manga da camisa e estremeceu quando seus olhos pousaram na marca. "Este foi o último teste."

Os olhos de Harry brilharam. "Você tinha que querer para receber isso." Ele acusou, seu olhar indo rapidamente em direçao à marca antes de se desviar enojado.

"Era isso ou morrer."

Eles se encararam sérios, até que Harry cedeu. "O que você quer dizer com 'os eforços'de Snape? Draco estava certo? Ele esteve treinando você?"

"Sonserinos são muitos perceptivos para o próprio bem. Sim, é uma maneira de dizer, embora eu deva dizer que ele fez a maior parte do trabalho...". O lobisomem suspirou cansadamente, vendo os olhos verdes escurecerem. "Não o culpe, Harry. Ele não sabia."

"Ele deixou você ir para uma reunião de Comensais da Morte! Ele te deu instruções!"

"Sem as quais eu teria tentado da mesma forma e teria sido morto nos primeiros cinco minutos!"

"Mas -."

"Já está feito, e é impossivel recuar agora. Eu estou lhe pedindo para aceitar isso, e que me desculpe. Não torne uma situação difícil ainda pior. Você pode fazer isso?"

Harry queria gritar contra a injustiça da situação, queria acusar Remus de ser imprudente e precipitado. Sua mandíbula se fechou enquanto ele lutava contra as palavras ressentidas que surgiam em sua garganta como bile, seus olhos molhados de lágrimas de uma raiva mal controlada.

"Certo." Ele cuspiu depois de um tempo. "Mas você tem que me dizer… da próxima vez."

O lobisomem pareceu murchar em alívio. "É claro," ele prometeu rapidamente, e olhou Harry enquanto o garoto girava nos calcanhares e saia da Ala Hospitalar, parando apenas para lançar um rápido olhar para o sonserino do outro lado do quarto antes de desaparecer de vista.

oOo

Draco viu o olhar que seu parceiro – Deus, ele realmente tinha pensado aquilo? Bem, isso teria que parar. Ele viu o olhar que Harry lhe lançara, e sentiu o estresse por trás dele. Havia uma grande parte dele - a maioria relacionada ao lobo - que teria simplesmente abandonado sua conversa atual no meio e se apressado atrás do grifinório, mas ele conseguiu controlar esse instinto, mentalmente rolando os olhos para sua própria reação patética. Quando ele permitiu que sua ligação ao outro garoto se tornasse tão profunda? Certamente só poderia ter sido nessa última semana, quando as circunstâncias tinham tornado uma amizade com o Garoto Que Sobreviveu a única opção que o beneficiaria...?

Ele disse isso a si mesmo, mesmo enquanto ignorava o levantar de sobrancelha suspeito de sua mãe enquanto ela testemunhava a interação.

Narcissa havia se acalmado o suficiente para ser reconhecida como a mulher que ele lembrava, reservada e composta e irritantemente observadora. No momento, ela o olhava com olhos estreitos, e ele sentiu uma necessidade enorme de redirecionar a atenção dela.

"O que, exatamente, você vai fazer agora que... deixou o pai?", perguntou, já que essa era uma dúvida que o estava perturbando, de qualquer forma. Ele se sentiu estranho dizendo as palavras, os resquícios da lealdade Malfoy nele ressurgindo contra o que ela havia feito, mesmo que a razão lhe dissesse que não havia outra opção. Obviamente, a benção matrimonial era uma coisa do passado para seus pais, mesmo que, no entanto, ainda não houvesse sido mencionado um divórcio, pelo que ele estava agradecido.

Ela olhou rapidamente para Dumbledore, que ainda estava ao lado da cama, antes de responder. "Esse é um assunto que nós discutimos", falou finalmente, cuidadosa. "A Mansão, parece seguro dizer, está fora de alcance para a gente, com as barreiras sendo ligadas ao seu pai. E é claro, a conta em Gringot-"

Draco fez uma careta. Podiam chamá-lo de superficial, ele não se importava, mas ele estava esperando que sua mãe tivesse uma forma de levantá-lo de seu atual status, ao invés de ir se juntar a ele lá.

Ela estalou a língua. "Não faça essa careta, querido, não fica bem. Eu não sou ingênua, Draco. Sim, as contas dos Malfoy agora estão fechadas para nós - no entanto, as contas dos Black que eu havia deixado para trás permanecem no meu nome."

Seu espírito se alegrou como não havia feito em muito tempo. Oh sim, ele podia ser superficial, mas agora ele tinha dinheiro de novo! Os Black eram uma familia com muitos recursos, antiga, poderosa e de sangue puro. Ele já podia sentir uma sombra de sua posição social retornando, e poderia ter abraçado Narcissa novamente em agradecimento.

Ela o olhava divertidamente, agradando-o por um momento, quando normalmente ela o teria repreendido pela felicidade indelicada. Continuou.

"Com isso em mente, há algumas pequenas propriedades em meu nome nas quais eu posso contar - embora a maioria da herança Black, acredito, agora pertença ao senhor Potter."

Draco a olhou surpreso. "Harry? Harry herdou nosso dinheiro? De quem?"

Mas mesmo enquanto dizia aquilo, uma luz se acendeu no fundo de sua mente. Black. Sirius Black. O parceiro de Lupin. Tanto ele como Harry parecendo perdidos no início do ano.

O diretor estava assentindo gentilmente. "O falecido Sirius Black era padrinho de Harry. Ele foi morto durante a batalha ano passado no Departamento de Mistérios. E deixou tudo para Harry."

Os dois adultos o olharam cuidadosamente, ambos adivinhando os pensamentos que corriam por sua cabeça. Seu pai tinha estado naquela batalha. Sim, ele sempre soube disso, mas subitamente era tudo real demais. Lucius esteve presente quando o padrinho de Harry foi morto - provavelmente a única família real que ele tinha, já que aqueles trouxas com quem ele vivia certamente não contavam.

Perturbado, sacudiu a cabeça para clareá-la, e olhou de volta para Narcissa. "Mas... você está bem? Você tem dinheiro?"

Ela sorriu. "Eu estou tão bem quanto sempre estive, Draco. Eu devia estar tomando conta de você, e não o contrário."

Draco assentiu distraído, enquanto sua mente se distanciava. Ele tinha conseguido ignorar os instintos do lobo de ir consolar seu parceiro devido a importância daquela conversa, mas agora que ele tinha certeza de que ao menos ela estava financeiramente segura, e continuaria na escola pelos próximos dias para que assim ele pudesse entender quaisquer outros detalhes menores depois, sua atenção tinha voltado para Harry. Ele sabia que o grifinório estaria esperando por ele em seu quarto; ele viu isso no olhar que tinha recebido.

Narcissa observou enquanto uma carranca que ele não pareceu perceber passou por seu rosto. Ela suspirou, conseguindo adivinhar em quem ele estava pensando, mesmo que ela não conseguisse entender isso muito mais do que Severus.

"Você pode ir, Draco", ela disse, gentilmente.

Ele a olhou agradecidamente, nem mesmo se preocupando em esconder o sentimento, antes de se virar e se apressar para fora da Ala hospitalar. Pensativamente, ela o olhou se afastar, antes de se voltar para o diretor.

"Você ainda não pode me dizer o que é que o mudou? Eu já posso dizer que há algo diferente - a última coisa sendo essa aliança com Harry Potter..."

Dumbledore sorriu simpaticamente. "Eu sugiro que você pergunte a seu filho, minha querida. Todos os outros que poderiam lhe ajudar foram jurados a se manter em silêncio."

Sim, ela falaria com Draco antes de ir embora e arrancaria a verdade dele mesmo que isso a matasse. O que ele possivelmente teria para esconder dela que precisava de tanta proteção quanto Votos de Silêncio?

Sacudindo a cabeça, ela lançou um olhar para o lobo do outro lado do quarto. Lupin a encarava. Quando ela encontrou seus olhos, ele enrubesceu e abaixou a cabeça, olhando para qualquer lugar menos na direção dela.

Dando de ombros, Narcissa rapidamente perdeu interesse e se voltou para perguntar ao diretor aonde iria dormir.

oOo

Draco encontrou Harry deitado de costas no sofá, Vanima enrolada em torno de seus pulsos e dedos, levantada de forma que ele pudesse olhar para ela enquanto sibilava. Ele virou sua cabeça quando o sonserino entrou, piscando algumas vezes para ele.

Draco tossiu rapidamente, desconfortavel. "Eu... Uhn, você está bem?" Lentamente, ele se aproximou, eventualmente se encostando na borda da mesa, segurando suas mãos juntas para impedi-las de mover.

"Sim", o outro rapaz murmurou, franzindo a testa.

"O que aconteceu com Lupin? Eu vi vocês discutindo..."

"Ele recebeu a Marca", Harry disse de uma vez, não escondendo seu desgosto. "E ele está determinado a continuar com essa droga de missão."

As sobrancelhas de Draco se ergueram em choque, e por um longo momento ele pensou em alguma coisa para dizer, mas não parecia haver muito o que dizer.

"Sua mãe vai ficar aqui?", o grifinório perguntou abruptamente, uma mudança óbvia de assunto.

"Por alguns dias", Draco admitiu. "Então ela vai se mudar para uma das propriedades dos Black que pertence a ela."

Harry piscou novamente. "Oh, eu tinha esquecido que ela e Sirius eram parentes..."

"É..."

Eles ficaram em silêncio enquanto o sonserino pensava em alguma coisa para conversarem, tentando não se remexer em seu desconforto e, por falta de algo melhor para fazer, encarava os movimentos serpentinos de Vanima pelas mãos do outro garoto.

"Imagino que você tenha dinheiro novamente, então?", Harry perguntou sem olhar para ele.

"Bem, eu dificilmente estou de volta à minha antiga glória, mas é um bom começo." Ele sorriu, optando pelo humor, Harry apenas pareceu se encolher mais.

"Então você está de volta aos bons olhos da sonserina?"

Draco deu de ombros. "Se eu jogar minhas cartas certo. Por quê?"

O grifinório se sentou subtamente, colocando a cobra no chão para que ela pudesse ir se arrastando na direção do quarto e dos feitiços de aquecimento que haviam lá. Olhos verdes olharam para ele, então novamente para outro lado antes de Harry falar, e ele se sentou com o corpo curvado, quase defensivamente.

"Então... acho que você não precisa mais de mim."

Surpreso, o sonserino parou, sua boca meio aberta em resposta. Oh, como era fácil ouvir um pouco de insegurança por trás daquela frase, e quão fácil seria acabar com a situação na qual ele se encontrava. O que aconteceria se ele debochasse e confirmasse o medo? Harry iria embora com raiva, mas isso colocaria um fim no seu problema de 'parceiros', certamente? Se o grifinório não estivesse por perto, talvez o lobo nele parasse de ganir. Ele evidentemente tinha entrado em sua cabeça, mas aqui estava uma chance, talvez a sua última chance, de extraí-lo...

Quando o silêncio continuou, Harry olhou para cima lentamente. E isso, ele pensaria mais tarde, foi sua queda.

"Não", Draco falou com toda a honestidade. "Eu não preciso de nada de você."

Os olhos verdes se arregalaram, como se, mesmo que ele tivesse temido, não pudesse realmente acreditar que estava ouvindo as palavras. Ele encarava o loiro paralisado, sua indignação presa na garganta.

Mas Draco não tinha acabado. Ainda sentado na mesa, ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. "O que você está sempre falando? Amigos deveriam ser... iguais. Bem, somos iguais agora, Potter. Não precisa mais me proteger - como eu sei que você acha que estava fazendo essa última semana. Deixe que eu me defenda na AD, e de seus amigos da sua casa, se eu precisar. E se a coisa chegar a azarações entre eu e outro sonserino, pelo amor de Deus, deixe."

Harry encarou seu olhar com outro tão intenso quanto. "Já lhe ocorreu que eu estava preocupado com o que você poderia fazer com alguém?"

"Eu tenho algum auto-controle-"

O grifinório puxou a gola de sua camisa o suficiente para ver o final da cicatriz do Sectumsempracruzando seu ombro.

Draco enrubesceu. "Isso... foi um escorregão!"

"E que escorregão! Você escorrega assim com qualquer outra pessoa e vai ser expulso por usar magia negra! Ou pior, alguém vai perceber o que você é."

Frustrado, o sonserino bufou e se virou. Maldito grifinório! ístava estragando seu ato autruista. Destruindo seu momento de graça, quando ele deveria se a pessoa melhor. Ele estava engolindo seu orgulho aqui! Estava arriscando Deus sabe o que por se envolver ainda mais com o garoto, que aparentemente era seu parceiro - mesmo que, nesse ponto, Draco não pudesse entender porquê.

Ele encarou um pedaço do carpete até que sua companhia falou, hesitante.

"Então. Iguais."

Draco considerou ignorá-lo mais um pouco, mas depois de decidir que não valeria a pena, devido aos temperamentos dos dois, Draco deu um suspiro melodramático. "Eu sei que isso deve ser um choque para você, já que você passou tantos anos sendo inferior e tudo o mais."

Harry estreitou os olhos exasperado. "Idiota", ele murmurou, e sorriu.