Autora:Sakuri
Tradução:Malfoy-Moraine S.A
Pares:Draco Malfoy e Harry Potter
Classificação:R
Disclaimer da autora:Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.
Disclaimer das tradutoras:Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Sakuri. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos:SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D
Notas:Werewolf!Draco
Capítulo 34:A verdade vem à tona
As aulas finalmente recomeçaram na segunda feira, e Harry estava quase aliviado. Ele havia passado por mais drama no feriado do que achava que era justo, e recebeu as aulas como um descanço.
Mas isso não queria dizer que elas eram remotamente relaxantes, mesmo em comparação com o estresse da última semana. Como Ron estava na maioria das classes que ele tinha, e seus lugares eram usualmente próximos um do outro, parecia que a tensão que existia entre eles não acabaria em nenhum futuro próximo. Hermione se via tentando inutilmente mediar o par, sem se atrever a defender Malfoy para Ron, e sabendo que seria em vão ao menos sugerir que Harry se distanciasse do sonserino. Ela estava surpresa em como o garoto podia causar tantos problemas entre eles mesmo quando ele vinha sendo amigável.
Talvez a pior parte do dia tenha sido durante Poções. Ela já devia ter esperado, na verdade, e discretamente desviado a situação antes que ficasse muito ruim. Mas ela já estava tão cansada de uma manhã inteira transmitindo curtas mensagens entre os garotos, uma vez que eles se recusavam a se falar diretamente desde qualquer que fosse a discussão que tiveram no sábado à noite.
Eles tinham se sentado em seus lugares usuais, Hermione no meio, quando Slughorn instruiu que a turma se dividisse em pares. Ela hesitou, olhando entre os dois amigos e querendo encolher-se. Qualquer um com quem ela escolhesse trabalhar, só faria com que o outro se ressentisse. Ron a fulminou ansiosamente, enquanto Harry, do seu outro lado, tinha fitado com determinação a frente da sala, seu queixo erguido de maneira desafiadoramente teimosa; ambos exigindo, em sua própria maneira, que ela tomasse um partido.
Tinha sido quase um alívio ouvir a fria e arrastada voz atrás de ela, e voltar-se para ver o loiro aproximar-se furtivamente deles. Não tinha sido intencional mas, pensando bem, ela estava bastante certa de que tinha lançado um olhar pateticamente suplicante para ele, do qual ele tinha desviado rapidamente.
"Não diga," Malfoy ridicularizou, fingindo assombro. "Problemas no paraíso? Não pode ser..." Sorrindo em satisfação, ele dobrou os braços e inclinou-se contra a borda da carteira, mais próximo de Harry, que o tinha observado com uma expressão que sugeria não ter nenhuma idéia do que o sonserino estava querendo. Isso, Hermione pensou, não podia ser bom.
Ron, de forma previsível, parecia estar prestes a arremessar-se na mera visão do outro garoto, a causa de suas atuais infelicidade e raiva. Tinha colocado uma mão em seu braço, disposto o permanecer calmo com as zombarias de Malfoy.
Mas, pela primeira vez, o loiro não parecia interessado numa briga. Perdeu o interesse em Hermione e Ron rápido o suficiente, e mudou sua atenção para Harry, que o considerou curiosamente. "Vamos, Potter. Por que você não tenta trabalhar com alguém competente, pra variar? Talvez consigamos um Passável para você, desta vez." (1) E com isso, virou-se e caminhou para o lado da Sonserina da sala de aula, ignorando as expressões atordoadas da maioria de seus colegas de classe.
Harry piscou, lançou um olhar para ela, e então agarrou sua mochila e seguiu o loiro que já se retirava. Ela observou a visão surrealista de seu amigo e Malfoy montando o equipamento e indo tratar de seus proprios trabalhos com uma civilidade que ela nunca pensou ser possível. Mesmo durante as poucas vezes em que ela os vira juntos, o par tinha brigado implicado um com o outro até certo ponto. Nunca realmente tinha ocorrido a Hermione que talvez eles realmente pudessem agir como amigos – amigos normais – ao inves de aliados relutantes. Ela tendeu a supor, como Ron, que Harry se sentisse pesaroso pelo sonserino, e o defendia porque tinha que fazê-lo. Mas agora, ela perguntava-se–
Foi abruptamente tirada de seus devaneios por Ron, que batia seu livro texto de Poções em cima da mesa com desnecessária força.
"Eu não entendo," ele murmurou sombriamente. "Não entendo porra nenhuma do que está acontecendo! Eles não podem estar sérios com esta palhaçada. Harry não tem motivo algum para–"
Hermione suspirou e voltou-se para Ron, doente das mesmas reclamações que ela vinha ouvindo inúmeras vezes desde o retorno do ruivo. "Acho que chegou o momento onde você tem que aceitar que eles são amigos, Ron. Eles apenas são. Não sei por quê, mas é verdade".
Ron a fitou por alguns segundos antes de continuar, como se a garota não tivesse dito uma palavra. "Você sabe que eu tive que descobrir sozinho se Remus estava bem?"
Cansada, Hermione fechou os olhos por um momento. "Sim. Eu fui com você. Mas considerando que você saiu feito uma tempestade hoje de manhã quando Harry tentou – "
"Hermione! De que lado você está?"
E não havia fim a discussão, a tensão, a recusa teimosa de tirar aquilo a limpo. Aquilo a estava levando à loucura. Harry não tinha ligado muito para o fato de ela estar conversando com Ron, especialmente agora que ele tinha Malfoy – algo que começava a preocupá-la de uma nova maneira, enquanto ela os observava interagirem, e sabendo o que ela tinha feito sobre o lobisomem – mas se ela trocasse uma palavra amigável com Harry, isso fazia Ron a olhar como se ela fosse uma traidora. Era o quarto ano novamente, e ela tinha odiado esta situação tanto quanto agora.
oOo
"Estou apavorado que ele nunca mais me perdoe, Severus."
"Eu não sou seu conselheiro, Lupin. Você irá perceber que eu não me importo."
Remus, que estava acostumado àquele tipo de resposta, o ignorou. Sentou-se em um das poltronas de squishy – ele sempre se surpreendia com o conforto dos aposentos do Mestre de Poção – perto da lareira. Uma vez que as masmorras eram congelantes nesta época do ano, ela ficava quase permanentemente acesa e o lobisomem relaxou com o calor.
Eles tinham acabado de terminar outra sessão de Legilimencia, durante a qual Severus poliu as defesas que ele tinha construído, procurando qualquer sinal de que tivessem sido passados pra trás pelo Lorde das Trevas. Eventualmente, depois do que pareceram horas – e ele tinha a dor de cabeça para provar isso – o homem tinha anunciado que tudo parecia bem. Naturalmente, a sua tarefa estava agora mais difícil do que já era, desde que tivera que compensar com a Marca e sua assinatura mágica. O Legilimente teve que tomar cuidado para não desencadear a pequena conexão que agora existia entre o lobisomem e o Lorde das Trevas, mas trabalhou ao redor dele com a mesma habilidade de sempre. Ajudou o fato que ele já soubesse os efeitos da Marca por experiência própria...
Atualmente, o Mestre de Poções andava distraidamente pela sala, apertando a ponte de seu nariz numa tentativa de dissipar a dor aguda, resultado do uso de prolongada magia mental. Lançava um olhar para Lupin de vez em quando, perguntando-se por que o homem se demorava ali, e suficientemente curioso para deixá-lo permanecer, durante um momento.
"Ele culpa você," o lobisomem comentou demoradamente.
"O meu coração está sangrando". Com um suspiro, Snape virou-se para considerar o outro homem. "Eu nunca tive tempo para toda esta ânsia adolescente de Potter. Você o mima, sabe. E o deixa insultá-lo".
"Como-?"
"Lupin, eu não digo facilmente, ou por pouco, mas fazer... o que você fez foi talvez o único ato respeitável que eu tenho conhecimento que você já cometeu. Este... aborrecimento de Potter está diminuindo isso". Rolando os olhos, Snape continuou com sua andança.
Remus ficou silencioso, sentindo-se levemente confuso. Suspeitou, em algum lugar entre o desprezo para com Harry, que Severus o tinha cumprimentado. "Respeitável?", ele investigou, levantando as sobrancelhas.
O Mestre de Poções parou, considerando. "...É," ele admitiu por fim, como se a palavra tivesse sido arrancada dele. Não olhava o outro homem, em vez disso fitava as chamas. "Potter, embora lamente e pragueje contra a injustiça disso tudo, nunca entenderá o sacrifício que você fez nessa reunião. Um dia, ele terá que se acostumar com o que nós temos que fazer em nome desta guerra."
Remus pensou em negar as palavras, defender Harry, como ele sentia que devia, mas ele não conseguia juntar suas forças para isso. Em vez disso, encontrou-se se escostando para tras no sofa, fechando os olhos e sentindo-se, ridiculamente, como se tivesse acabado de ser vingado. "Obrigado, Severus", ele murmurou, e foi recompensado com uma espécie de grunhido ininteligível de reconhecimento.
oOo
Narcissa olhou bobamente ao seu redor, examinando o quarto em que havia sido acomodada para viver enquanto fazia arranjos em outro lugar. A propriedade Black que ela escolheu era menor do que a Mansão Malfoy, mas perfeitamente adequada. tinha pertencido anteriormente à Bella, mas foi colocada em seu nome quando a irmã foi presa. Agora, ela tinha elfos domésticos arrumando o local em preparação à sua chegada.
No entanto, antes de deixar Hogwarts, havia ainda uma coisa que ela tinha que resolver.
Como se seus pensamentos tivessem sido atendidos, houve uma batida na porta, e ela se levantou para graciosamente atravessar o quarto e cumprimentar seu filho. Draco esperava do lado de fora do quarto com a mesma hesitação que ele parecia ter desenvolvido perto dela atualmente. Ela abriu espaço e, após uma breve pausa, ele entrou.
"Você queria me ver?"
Ela sorriu e indicou as cadeiras próximas à lareira. "Sente-se, querido. Nós precisamos conversar."
Ele obedeceu lentamente, sua linguagem corporal positivamente gritando desconfiança.
Ela girou os olhos e se acomodou de frente para ele, pegando uma xícara de porcelana delicada e bebericando seu chá. Por um momento, ela se lembrou das tardes que eles passaram assim quando Draco era uma criança, e eles se sentavam no estúdio enquanto ela o ensinava a ler e a fazer contas, com o tilintar suave da xícara e do pires deixando um tom agradável a sua memória. Aqueles haviam sido tempos mais calmos que estes.
"Mãe...?"
Voltando ao presente, ela sacudiu levemente sua cabeça, voltando a focar sua atenção no garoto. Ele estava franzindo a testa em confusão, mas por baixo disso, ela podia ver seu nervosismo. Então ele realmente temia que ela descobrisse qualquer que fosse o segredo que ele estava guardando.
"Eu percebi -" ela começou formalmente, antes de parar com um suspiro. "Draco, o que está acontecendo?"
Seu filho, ela decidiu, nunca seria capaz de parecer inocente. Ao invés disso, ele parecia um cervo preso numa rede. "Acontecendo?" ele repetiu, com olhos arregalados e ridiculamente inocentes. "O que você quer dizer?"
"Você sabe o que eu quero dizer! Desde que cheguei aqui, o diretor tem insistido para que eu fale com você e descubra o que essa... essa mudança é!"
"Mudança -?"
"Você pensou mesmo que eu não iria perceber?" Rapidamente, antes que sua voz chegasse a alturas ensurdecedoras, Narcissa se acalmou. "Eu sou sua mãe. O que você esperava? Que eu simplesmente ignoraria o fato de que alguma coisa está errada?"
"Nada está -"
"Draco Lucius Malfoy!" Descansando sua xícara com um som seco, a mulher inclinou-se para a frente e o encarou fixamente. "Não só você se associou com Harry Potter - e eu devo acrescentar que o encontrei no seu quarto naquela primeira noite - mas você também tem evitado qualquer contato comigo por meses, mesmo quando eu lhe escrevi -"
Finalmente, o sonserino encontrou sua voz. "O que, quando você me escreveu tentando me convencer a voltar para a Mansão, onde o pai teria... iria..." ele sacudiu a cabeça enojado e desviou o olhar.
Narcissa abriu a boca para responder, mas parou. "...Eu nunca lhe escrevi nada assim. Draco, eu estava orgulhosa por você ter feito a mesma escolha que eu fiz: não se curvar para aquele louco."
Olhos cinzentos, um reflexo dos dela, voltaram em sua direção a contra gosto. "Era a sua letra", ele protestou fracamente, mesmo enquanto percebia que falsificar uma letra era uma tarefa facilmente possível para alguém como Lucius. "Eu nunca recebi nenhuma outra carta."
"Provavelmente por obra do diretor. Não tenho dúvidas de que ele estava interceptando qualquer coisa que viesse do seu pai ou de mim. Eu suspeitei disso, quando você nunca respondeu...". Narcissa deixou a voz morrer, pensando nas paginas que havia escrito nos últimos meses, perguntando o que havia acontecido para que ele mudasse de idéia, implorando para que ele respondesse, convencida de que ele havia cortado todo o contato para sempre por alguma razão desconhecida. "Draco..."
Teimosamente, o rapaz olhou para a mesa entre eles, examinando os detalhes da louça com um interesse determinado. Não iria responder. Não podia. E mesmo assim ele podia senti-la bisbilhotando, com aquela voz insistente dela, doce e aconchegante, e que sempre tirava a informação dele não importando se ele pretendia falar ou não. Era a voz que ela havia usado quando ele tinha sete anos, e para a qual ele tinha finalmente admitido ter quebrado o vaso caríssimo na sala de visitas; era a mesma expressão preocupada, atenta, que ela usava todas as vezes que queria que ele confessasse alguma coisa, normalmente alguma coisa sobre a qual ela já sabia.
Mas não, dessa vez ele iria resistir, porque agora ele não estava assumindo ser responsável pelos cacos de um ornamento aleatório. Isso era uma completa reviravolta em sua vida. E sim, ele podia tentar explicar para ela que nem... tudo havia mudado, mesmo que ele mesmo tivesse brigado com essa mesma idéia no começo. Em vão, ele poderia tentar defender a si mesmo e o que havia se tornado - mas Narcissa Malfoy, de sua própria maneira, era tão orgulhosa e sangue-puro quanto seu marido.
Não, ele não podia correr o risco de dizer a ela, porque ele não aguentaria sua expressão de horror.
"Mãe, eu não faço ideia do que você está falando", ele disse por fim, colocando sua bastante utilizada máscara sem espressão no lugar.
Ela o encarou por longos momentos, esperando que ele demonstrasse alguma abertura. Ele sempre o fazia antes, quando quer que ela quisesse saber alguma coisa, mas não agora. Eles nunca haviam encarado algo tão importante antes, e Draco estava pronto para mostrar que ele podia contrariar a mulher, quando preciso.
Finalmente, com um discreto som de desapontamento, ela pegou o chaleiro delicado que estava sentado entre os dois e completou outra xicara do líquido, empurrando-a na direção dele. Por educação, e resistindo à ânsia de girar os olhos, ele pegou a bebida e a bebericou distraidamente.
"Muito bem", ela continuou, ainda parecendo magoada. "Devemos começar alguma conversa sem sentido, então? Já que obviamente você não confia em mim para nada sério -"
"Oh, mãe..."
"Como foi o seu dia? Você está indo bem nas aulas, eu espero. Merlin sabe que nenhum filho meu vai..."
Ele se desligou do que ela estava falando enquanto ela continuou com as expectativas que tinha para ele, coçando os olhos e lutando contra um bocejo. Deus, ele estava cansado! Ele não estivera dormindo muito bem nos últimos tempos, com toda essa atividade - assim como devido a certos... sonhos que de algum jeito se esgueiraram por seu subconsciente, cortesia do maldito Potter, - e subitamente parecia como se sua exaustão o estivesse alcançando.
"Draco?"
Ele voltou a prestar atenção, sacudindo a cabeça para clarear a mente. "Sim?"
Sua mãe franziu a testa gentilmente, um movimento discreto de suas sobrancelhas. "O que você está escondendo de mim?", ela perguntou novamente, olhando-o intensamente e um pouco tristemente.
Ele suspirou, sacudiu a cabeça, e prontamente abriu a boca e falou de uma vez. "Eu sou um lobisomem."
Imediatamente, o mundo desabou. Era o que parecia, de qualquer forma. Ele se sentou rapidamente ereto, uma mão tampando estupidamente a boca como se ele pudesse pegar as palavras e colocá-las para dentro novamente, apagando o olhar chocado do rosto de sua mãe.
Que...?
Por que...?
... diabos?
Alguma porção distante de seu cérebro devia estar funcionando além do espanto incoerente, felizmente, já que repentinamente ele viu seu olhar desviar para a xícara de chá ainda segura firmemente em sua mão.
"Você me drogou...", ele murmurou, incrédulo. "Você me deu Veritaserum..."
Narcissa ainda não tinha se recomposto o suficiente para responder de nenhum modo gracioso, e pôde apenas sibilar um, "Você é o quê?"
"Um lobisomem", ele disse novamente, e fechou os olhos horrorizado. "Pare com isso."
"Como?", a voz dela estava mais firme agora, urgente.
"No começo do a-ano...", ele murmurou por entre dentes cerrados, tentando desesperadamente impedir as palavras de sair, mesmo enquanto ela as absorvia famintamente, se inclinando para a frente. Seus dedos se fincaram no braço macio do sofá, enquanto ele lutava com a poção que tirava a verdade dele, e a névoa em sua cabeça que tornava mais difícil de resistir. "Lu... Lupin me mordeu."
"O quê?" Abruptamente, a Malfoy estava em pé, sua postura radiando fúria de um jeito que ele nunca conhecera antes. Com os pulsos fechados aos seus lados, os dedos amassando o tecido macio de seu vestido. Seu rosto estava pálido com a raiva, e ela tremia visivelmente.
"Não -" ele tentou interrompê-la, mas foi cortado.
"Como você pôde não me contar sobre isso? Você devia - eu devia estar aqui! Eu devia tersabido! Por que ninguém me comunicou?"
Impelido a ser honesto, o sonserino respondeu sem encontrar os olhos dela. "Eu não queria que você soubesse. Nunca. E ninguém lhe contou porque eles juraram silêncio na esperança de que papai não descobrisse e me deserdasse publicamente." Ele riu sem humor. "Isso funcionou bem..."
Perdida, sua mãe o encarou, imóvel. Eventualmente, ela conseguiu sussurrar. "Foi isso? Foi esse o acordo que eles te deixaram fazer? A razão para Lupin ainda estar aqui, livre de consequências?"
Oh, Merlin, não. Não isso. Ele mordeu o labio até ter certeza de que iria sangrar, mas mesmo isso não podia impedir a resposta de subir por sua garganta como bile. "...Sim", ele cuspiu por fim. "Sim, mas você não pode -"
"Como eles se atrevem a fazer isso?" Narcissa praticamente gritou, todos os traços da bruxa aristocrática e fina tinham desaparecido, deixando para trás a mãe desamparada. "Como eles podem justificar -? Como ele pode -? Eu vou matá-lo por isso -"
E então a situação piorou, se possível. Draco teve apenas um segundo para perceber que o lobo nele estava acordando ao som da ameaça, antes de suas feições mudarem levemente e de ele sentir seus instintos tomarem o comando.
"Mãe, não!"
Narcissa congelou com o som da voz que emergiu da boca de seu filho. Não era o tom frio e refinado que ela sempre conheceu. Longe disso, era o rosnado de alguma coisa que não era mais humana. Ela se encolheu sem perceber, tanto pelo som quanto pela visão que o garoto apresentou a ela.
Um pouco desorientado por se encontrar de pé, Draco ignorou o corte que apareceu em seu lábio, onde um canino havia perfurado a pele, rapidamente passando a língua pelo local para remover o traço de sangue. Mal estava conseguindo manter suas ações sob controle. Com a combinação de Veritasserum o fazendo ficar um pouco aéreo, seu próprio pânico surgindo sob a superfície, e a raiva do lobo rosnando incoerentemente, era um esforço absurdo tentar se segurar desesperadamente a algum fiapo de pensamento coeso.
Ainda compelido a dizer a verdade, quando normalmente ele provavelmente teria encontrado alguma outra desculpa para o que estava prestes a dizer, Draco sacudiu a cabeça inflexivelmente. "Você não pode tocar em Lupin por isso", ele disse firmemente, conhecendo-a bem o suficiente para imaginar o quanto ela destruiria o outro lobisomem se tivesse a motivação.
"Por quê? Certamente você quer que ele seja punido -"
"Ele já foi", Draco respondeu automaticamente, pensando na culpa do homem, e na Marca que ele havia recebido algumas noites atrás. "Mas, mãe, eu não posso deixar você fazer mais nada com ele."
Ela sacudiu a cabeça incredulamente, e Draco podia ouvir a pergunta que ela queria gritar para ele.
Bem, aí vinha outra admissão embaraçosa. Ele não tentou lutar contra ela, sabendo que era inútil, mesmo que aquela ponta de pensamento racional estremecesse. "Ele é parte da minha... matilha."
E ali estava algo que ele nunca achou que teria que admitir. Bom Deus, ele tinha uma matilha. Ele tinha uma matilha.
Narcissa piscou. "Sua...?"
Com tanta dignidade quanto foi capaz de juntar, ele levantou o queixo desafiadoramente. "Matilha. Sim. Você não pode contar, não pode prendê-lo, não pode amaldiçoá-lo, porque ele é... é... Bem, você ouviu da primeira vez."
Lentamente, as feições do lobo foram dando lugar às de Draco, conforme o temperamento de seu filho voltava a acalmar. Ela assistiu, horrorizada e fascinada, enquanto presas retraiam-se e olhos escureciam e voz tornavasse suave e humana mais uma vez.
E então, finalmente, parecia tê-la atingido o que exatamente tinha acontecido com seu filho. Ela levantou uma mão trêmula para a boca, sem saber, pela primeira vez em sua vida, o que fazer.
Draco a encarou incapaz de fazer qualquer coisa, ainda que com o estranho sentimento de que ele deveria confortá-la, ou ao menos se desculpar. Ele deu as costas a ela, no entanto, assim ela não veria o terror em seus olhos. Ele não queria que ela soubesse. Ele não queria que ela tivesse sabido nada daquilo...
"Potter sabe, não sabe?"
Malfoy se perguntou se teria escutado a pergunta quase inaudível sem a ajuda dos sentidos aguçados do lobo. "Sim. Ele salvou minha vida quando aconteceu."
"É este o motivo dessa amizade?"
Draco considerou por um momento, antes de sacudir a cabeça, ainda sem encará-la. "Não. Na verdade não.". E ela teria que arrancar os outros detalhes sobre isso dele, se pudesse.
Mas nenhuma outra pergunta foi feita. Ele podia sentir os olhos dela nele, mas não se atreveu a virar-se e ver por si mesmo qual era a expressão no rosto da mulher. Era demais para o orgulho 'sangue puro' e alegria dela. Aquilo tudo estava acabado, agora, porque ele não era mais nem mesmo um bruxo, era? Ele era um maldito lobisomem, e um tão envolvido nisso que já estava até mesmo defendendo a pessoa responsável por lhe inflingir a maldição.
O silêncio prosseguiu, com a mesma força, até que fosse um grande esforço permanecer calmo, parado. Desistindo, Draco virou-se hesitantemente.
Narcissa estava diretamente atrás dele, e ele a olhou surpreso, se perguntando como ela tinha se movido sem que ele percebesse.
"Você devia ter me contado...", ela suspirou novamente, fazendo aquela onda estranha de culpa voltar.
E então ela o abraçou.
Ele estava tão perplexo que congelou completamente, vagamente se perguntando o que ela achava que estava fazendo. Ela não tinha ouvido tudo? Ela não tinha prestando atenção...?
E ainda assim sua mãe continuou se segurando a ele como se nunca fosse soltá-lo, fazendo-o ficar tão desconfortável quanto nunca esteve, apesar da pequena voz no fundo de sua mente que gritava em alívio e reafirmação. Estranhamente, ele acariciou o ombro dela e murmurou a única coisa que estava, inutilmente, vindo a sua cabeça.
"Eu não acredito que você me drogou..."
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Notas de tradução:
(1) - Frase original: "Maybe we can get you a passing grade this time."
