Autora:Sakuri

Tradução:Malfoy-Moraine S.A

Pares:Draco Malfoy e Harry Potter

Classificação:R

Disclaimer da autora:Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.

Disclaimer das tradutoras:Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Olimakiella. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos:SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D

Notas:Werewolf!Draco

Capítulo 35:Criatividade

"Sua mãe foi pra casa, então?"

"É. Os elfos domésticos foram buscar as coisas dela na Mansão ontem à noite. Ela partiu esta manhã."

"... E ela está... sabe, levando numa boa?"

Virando a cabeça levemente, assim o vento assopraria para longe o cabelo de seus olhos, Draco deu de ombros.

"Surpreendentemente, sim. Chorou algumas vezes - Deus, odeio quando ela faz isso - e ela ainda quer assistir Lupin sofrer uma morte dolorosa, mas... é. Ela está indo bem." Ele franziu o cenho, ainda vagamente surpreso com as lembranças.

"Imaginei que ela ficaria," Harry falou calmamente, sua respiração saindo embaçada no ar frio enquanto ele caminhava ao lado do loiro, seus tênis quebrando os galhos secos no chão.

"Oh, fala sério," Draco murmurou, dando uma olhada com o canto dos olhos em seu companheiro. "Eu bem sei o que você pensou, Potter. Você estava esperando que eu fosse deserdado pela segunda vez nesse maldito mês."

O grifinório sorriu de lado em divertimento. "Pensei não...", ele protestou sem determinação, sorrindo.

Draco fez um som cético e balançou desapontado a cabeça. "É uma boa coisa que você seja um melhor jogador de quadribol do que mentiroso, porque senão seria uma prática inteiramente sem sentido." Dito isso, ele colocou a vassoura que carregava numa posição melhor sobre seu ombro e satisfeito consigo mesmo olhou o outro garoto.

Harry, Firebolt em mãos, o encarou de volta enquanto resumiam seu caminho até o campo. Ele não tinha se incomodado em trocar suas roupas para o uniforme de quadribol; ao invés disso, vestiu um jeans desalinhado, um blusão velho e o cachecol da Grifinória. Da mesma forma, Draco também parecia estar vestido casualmente - de um jeito que Harry não acreditava ser possível em se tratando do sonserino - usando o único suéter que possuía que não era feito sob medida e o cachecol da própria casa.

Ele olhou para as arquibancadas vazias e para o campo, pensativo, ouvindo o eco dos gritos e insultos que tinham soado ali ao longo dos anos e, mesmo agora, ecoavam em sua memória. Próximo a ele, o sonserino tinha a mesma expressão contemplativa, sem dúvida revivendo suas próprias experiências de jogo.

Harry deu uma cotovelada nele antes de montar sua Firebolt. "Pronto?", ele perguntou, olhando a pequena bola de ouro que o outro apanhador segurava, e que já lutava pela liberdade.

O loiro respondeu montando sua própria vassoura e dando início a uma lenta subida enquanto olhava expectante para o grifinório. Harry o seguiu, os olhos movendo-se num rápido movimento para o lado quando o sonserino soltou o pomo e este se afastou rápido dos dois.

"É melhor você não jogar truques baratos como Chang fez!", Draco o chamou e eles subiram juntos.

Harry arqueou uma sobrancelha e teve de sorrir. "E eu que pensei que você chamaria aquilo de um truque sonserino," ele apontou com falsa inocência, ecoando as palavras que ele uma vez teria tomado como um insulto.

"Lave sua boca, Potter!", o loiro cuspiu, parecendo ofendido. "Há uma lista muito pequena de pessoas a quem eu dou esta honra, e Chang não está nela!"

O grifinório riu. "E eu estou?"

"Você tem seus momentos", o sonserino consentiu, com relutância. Sua expressão ficou vaga por mais alguns segundos antes de um sorriso de diversão genuína cruzar suas feições, e ele riu. "Bem, o que você está esperando, Potter? Um convite?" E, sem qualquer outro aviso decente, ele acelerou o ritmo com um impulso de velocidade, explodindo no céu na trilha do pomo de ouro.

Sorrindo selvagemente, Harry partiu em perseguição. 1

Com o final das aulas do dia, Ron sentou-se na Sala Comunal sem mais nada para fazer. Ele odiava ter de admitir, mas estava entediado. Hermione estava num daqueles dias que significava que você não obteria a sua atenção a menos que estivesse citando "Hogwarts: Uma História", e Harry ... Bem. Ron não sabia onde Harry estava, e nem fazia questão de saber, muito obrigado.

Melancolicamente, ele apoiou os pés sobre uma banqueta próxima e jogou-se para trás na poltrona, cruzando os braços e fazendo cara feia para quem o encarasse por muito tempo. Ele poderia ter recorrido ao xadrez, mas a maioria dos grifinórios se recusava a jogar com ele nos últimos dias, sabendo que iria inevitavelmente perder. Além disso, ele não estava com paciência para xadrez no momento.

Suspirando dramaticamente, olhou em volta procurando algo para fazer, os olhos percorrendo os outros ocupantes da sala. Lilá e Parvatti estavam, como sempre, sentadas fofocando e rindo a um canto. Colin sentado de pernas cruzadas no chão, sua câmera em seu colo e tinha o que parecia ser um álbum aberto diante dele. Neville estava podando algum tipo de árvore em miniatura, com uma concentração que fez a cabeça de Ron doer apenas em assistir.

Ele revirou os olhos e desviou o olhar, sentindo-se irracionalmente irritado que ninguém o divertisse. Merlin, com certeza havia alguma coisa para fazer por ali? Além da lição de casa.

Ele olhou para o lado de Lilá no momento em que ela levantou-se de repente e, arrastando Parvatti, dirigiu-se para a escada que levava aos dormitórios dos garotos. Seamus estava acenando para as duas animadamente.

Carrancudo, Ron inclinou-se para frente, tentando perscrutar e ver o que estava acontecendo, mas as meninas já tinham desaparecido lá em cima. E, mesmo enquanto ele olhava, outros estudantes começavam a se agitar, murmurando curiosos. Seamus ainda estava indicando o quarto, explicando algo que Ron não podia ouvir. Em poucos segundos, as pessoas estavam seguindo o exemplo de Lilá, subindo apressadamente para o dormitório.

Perplexo, Ron se levantou e seguiu até o rapaz irlandês, com o objetivo de exigir saber o que estava acontecendo, mas Seamus virou-se e correu até as escadas. Enfurecido, o ruivo correu atrás dele.

Seu quarto estava lotado. Grifinórios amontoados num dos lados do quarto, murmurando e empurrando-se.

Com os olhos arregalados em indignidade, Ron levou um momento para reunir-se a eles, e então foi resumindo o seu caminho através da massa de pessoas, rosnando incoerentemente para si mesmo.

"Você consegue ver -?"

"Uou-"

"O que eles estão fazendo -?"

"Isso é muito legal -"

Os trechos das conversas eram absurdos até que ele chegou à frente da pequena multidão para encontrar Seamus e Katie praticamente pendurados para fora da janela, suas expressões estavam extasiadas.

"O que vocês estão olhando?", Ron perguntou ao alcançá-los.

Sem se virar, Katie alcançou um braço por de trás dela até encontrar sua camisa e agarrá-lo, em seguida, puxando-o para o lugar entre ela e Seamus. Ele tropeçou, rebateu a mão da garota e olhou para cima.

E soube imediatamente o que todos eles estavam olhando. Ele simplesmente não podia acreditar.

"... O que eles estão fazendo?"

Katie abanou a cabeça em espanto. "É um jogo de apanhadores... Você já os viu voar assim? Qualquer um deles?"

Ron ficou em silêncio, fixado nas listras de cor turva que cortaram o céu cinzento de um lado para o outro, acima do campo de Quadribol, a toda a velocidade e sem restrição.

Mesmo de seu ponto de vista distante, ele sabia que não era o mesmo tipo de vôo usado em um jogo. Um jogo real era sobre eficiência e tática; o que ele estava vendo era um teatro aéreo que simplesmente não poderia ser realizado com outros jogadores no caminho. Ele se perguntava, distraído, se os apanhadores sequer estavam realmente procurando o pomo ou se eles estavam só mostrando um nível de velocidade e habilidade que nunca puderam ser exibidos.

Como que à distância, ele ouviu Colin sussurrando: "Eu tenho que tirar algumas fotos disto ...". Veio o som da porta se abrindo e os pés batendo na descida das escadas. Uma segunda pausa, e então a cabeça de Katie chicoteou ao redor, fixando os olhos nele.

"Venha, Weasley. Precisamos de lugares melhores ...". Mais uma vez, ela estendeu a mão e agarrou a frente de sua camisa, e a próxima coisa que ele soube foi que estava sendo arrastado a força do quarto com o resto de sua equipe de quadribol, enquanto a maioria de seus colegas de casa corriam para tomar seu lugar na janela.

Ele estava rodopiando em queda livre, o chão congelado acelerando assustadoramente em sua direção, o ar gélido e cortante entrando por suas roupas e cabelo. Tentou respirar contra o fluxo de muito oxigênio e, com dedos dormentes, agarrou-se como pôde à vassoura.

Bem a tempo de evitar uma colisão, deu um impulso para cima e passou raspando no campo gramado, satisfeito com o arrepio de medo que tomou suas veias.

Olhou de relance para cima para ver seu companheiro serpentear por entre as arquibancadas do outro lado. Cabelos loiros brilhavam contra o céu nublado de inverno. Sem pensar, o grifinório continuou a encarar mesmo quando retornou a um ponto mais alto de vantagem, circulando preguiçosamente, fascinado pelos movimentos do sonserino.

O estilo de Draco havia mudado, ele tinha certeza. Perguntou-se se a diferença se dava devido aos reflexos do lobisomem, ou simplesmente porque ele não estava tão tenso quanto costumava ficar durante os jogos. O outro apanhador parecia mais gracioso no ar de repente, mais calmo, mais confiante.

Depois de um tempo, ocorreu-lhe que ele tinha se distraído nos últimos cinco minutos. Se recompondo, balançou a cabeça e deu uma olhada em volta em busca do pomo de ouro, procurando em todos os cantos do campo.

Surpreendentemente, não levou muito tempo até localizá-lo, pairando sobre o traçado do meio de campo. Harry o viu e inclinou-se para frente, cerrando os dentes com esforço e excitação. Do outro lado do campo, Draco notou seu movimento pelo canto dos olhos e, sem pensar, virou sua vassoura e mirou o grifinório que se aproximava. O pomo tremulou entre eles e iniciou-se uma corrida para ver quem o alcançaria primeiro.
Draco pressionou-se contra a vassoura e inclinou-se para frente, seus olhos fixados na pequena bola dourada a sua frente, desviando os olhos apenas uma vez para seu rival, apenas para ver sua própria expressão determinada espelhada ali. O vento machucava seus olhos enquanto avançava pelo ar, fazendo-o estreitá-los até que o mundo se resumisse ao pomo e a Harry.² Ele se esqueceu de respirar, posicionando-se na vassoura, pronto para estender a mão.

Então o pomo, como se sentisse que estava encurralado, subiu como um foguete. A cabeça de Harry voltou-se para cima para olhá-lo, os olhos vasculhando o céu. A bola de ouro viajava verticalmente, quase se perdendo entre as nuvens.

"Potter!"

Harry abaixou o olhar em choque, tendo se esquecido que estava indo em direção ao outro apanhador. Harry fez menção de desviar a vassoura, mas hesitou quando percebeu a intenção do sonserino. Draco gritou novamente e, sorrindo em desafio, estendeu o braço.

O grifinório entendeu num segundo. Reagindo instintivamente, ele desviou-se levemente para a direita de modo que passasse apenas raspando pelo outro jogador, e também estendeu sua mão, agarrando o pulso do outro garoto quando eles cruzaram no ar. Imediatamente, a força de suas velocidades combinadas fez Harry sentir um segundo de desorientação enquanto eles giravam. Com alguma dificuldade, ele puxou o cabo de sua vassoura para cima, nunca soltando o pulso de seu companheiro, e de repente os dois estavam subindo numa espiral apertada.

Impressionado, ele riu em pura excitação. Seus dedos gradualmente perderam seu aperto no loiro, mas o movimento continuou até que os dois estivessem angulados praticamente na vertical, sua espiral ainda intacta. Seus olhos se desviavam entre o pomo e Draco, que voava exatamente no mesmo nível que ele. O sonserino estava absolutamente focado, seu rosto virado para cima. Todo seu refinamento tinha desaparecido em algum momento de sua perseguição. Seu cachecol verde tinha se perdido no caminho e o cabelo pálido batia em seu pescoço. Ele deixou seus olhos cair em Harry uma vez, e eles estavam novamente azulados como os do lobo.

O grifinório nunca o achara tão atraente.

Juntos, eles continuaram subindo e subindo, lutando pela liderança. Agora, o pomo estava bem em frente a eles, tentando escapar freneticamente de suas garras. Harry lutou para segurar-se à vassoura e estender a mão ao mesmo tempo. Ouviu o grunhido de protesto de Draco quando seus dedos ralaram o prêmio, tão perto-

Escorregou. Automaticamente, a mão que alcançava o pomo retraiu-se, agarrando-se ao cabo da vassoura para impedir a queda.

O sonserino o ultrapassou, sua mão estendendo-se e capturando a pequena bola.

Harry estava em choque quando Draco deu a volta e veio na direção dele, parecendo tão atônito quanto. Ele segurava o pomo como se não tivesse muita certeza do que fazer com ele, os olhos redondos e piscando.

"Eu consegui...?"

Harry teve que rir com a honesta descrença no rosto de seu companheiro. "Boa captura," comentou, começando a guiar a Firebolt para baixo. Draco o seguiu na descida. Fora de vista, o grifinório sorriu. Quando a ficha finalmente caísse, ele jamais ouviria o fim daquela historia.

Somente quando alcançaram o chão foi que Harry percebeu. Congelou em surpresa em frente ao time inteiro de quadribol da Grifinória mais Colin Creevey, que batia fotos como se não houvesse amanhã. Ele resistiu ao impulso de azarar a maldita câmera.

Draco parou ao seu lado, hesitando um pouco. Harry deu uma olhada nele e se preparou. "Vamos," murmurou, e moveu-se para encarar seus amigos, o sonserino logo atrás.

Não demorou muito para ele perceber que, sim, o time inteiro estava presente – Ron inclusive. Sua atenção foi diretamente para o ruivo, que o encarou de volta inexpressivo por um momento antes de desviar o olhar, teimoso. Harry estreitou os seus em resposta, mas o gesto passou despercebido pelo outro garoto.

Katie caminhou até ele e cruzou os braços. "Por que, Potter, você não joga tão bem assim nos jogos?"

Harry a olhou incrédulo. "Eu acabei de perder," ele apontou.

"Não é- Você o quê?" A atenção dela voltou-se para Draco, e então para o pomo que ainda se debatia em sua mão. "Primeira vez para tudo, suponho..." falou enfim, severamente.

Lançando um olhar furioso, o loiro, sem uma palavra, ergueu o dedo para a garota. O insulto, de alguma forma, perdeu o efeito devido sua aparência bagunçada.

Harry suspirou. "Por que vocês – Colin, abaixe esse negócio, 'tá legal? – por que vocês todos estão aqui fora?"

Os outros membros do time começaram a se aproximar, lançando olhares suspeitos para o sonserino. Ginny parou ao lado de Katie, o olhando curiosamente. "Nós estávamos assistindo vocês lá da Torre," ela confessou, sem vergonha. "Aquilo foi brilhante, Harry."

Draco fez um som de desdém e rolou os olhos. "Claro, todos os créditos vão para o Potter, como sempre..."

A garota ruiva ergueu uma sobrancelha para ele. "Qualquer um pensaria que você está com ciúmes, Malfoy."

O sonserino sorriu friamente e ergueu o pomo. "Não tenho razão para estar," murmurou contente consigo mesmo.

Exasperado, Harry desviou de Ginny e Katie e começou a caminhar. A Firebolt jogada sobre seu ombro. Ele estava se sentindo bem depois do jogo, mas por algum motivo a chegada de seu time tinha feito seu humor cair. Ele queria voltar para casa.

"Ô! Potter!" Draco chamou irritado, o seguindo com um olhar de desgosto ao passar pelos outros grifinórios.

Katie assistiu os dois irem embora com um leve franzir de cenho. Ao seu lado, Ginny parecia divertida e Ron, que tinha se juntado a elas com a partida de Malfoy, estava impassível.

"Vocês sabem o que isso significa, não?" Katie perguntou para os dois irmãos.

Ginny a olhou com um ponto de interrogação no rosto. 3

Ela suspirou lamentosa. "Eu nunca vi o Harry jogar tão bem. E Malfoy ganhou mesmo assim. A Grifinória está ferrada."

Ron olhou ameaçador para os apanhadores que se afastavam. "Bastardo..." ele murmurou soturno, embora fosse impossível dizer a qual dos dois garotos ele estava se referindo.

"E justiça foi finalmente feita." Draco comemorou vitorioso enquanto eles entravam na escola. Estava sorrindo, claramente satisfeito, exibindo mais uma vez o pomo capturado e praticamante sacudindo-o na cara do grifinório.

Harry o olhou exasperado. "Não era pra você ter guardado isso quando acabamos?," ele perguntou secamente, quase torcendo para acabar com o bom humor irritante do outro.

O sonserino deu de ombros. "Provavelmente," ele respondeu, examinando seu prêmio. "Mas eu estou pensando em mantê-lo como recordação."

"Oh, Deus..."

Draco sorriu com o pavor na voz do companheiro, divertido. Sim, ele definitivamente continuaria cantando vantagem sobre isso para o outro garoto por algum tempo. Ele sentia como se essa fosse sua primeira vitória em muito tempo, a primeira vez que ele vencera o grifinório honestamente, sem recorrer a truques ou falhando espetacularmente.

"Você só está chateado," ele acusou, tentando jogar as mechas embaraçadas de cabelo molhado e bagunçado para trás, em vão.

Harry fez um som indignado, mas não teve chance de responder.

"Draco!"

Eles se viraram ao som do grito para ver três outros sonserinos entrarem em sua cola. Pansy e Blaise, que Harry sabia terem sido o mais próximo do que poderia chamar de melhores amigos do loiro, pareciam mais do que um pouco relutantes enquanto caminhavam atrás do terceiro, Nott, que se aproximou com o que parecia ser uma cópia mal feita da expressão presunçosa de Draco. Harry lutou contra a vontade de rir da tentativa óbvia do menino de usurpar o posto de Principe da Sonserina.

"Eu vi o seu showzinho lá fora." Nott disse quando parou na frente do par.

Draco não pareceu impressionado e sim um pouco irritado. "Devíamos vender ingressos da próxima vez?," ele perguntou para ninguém em particular, fechando a cara.

Harry o olhou discretamente, percebendo a mudança de atitude. Na defensiva, o loiro subitamente reverteu sua expressão para o desprezo e fria superioridade que Harry conheceu por tanto tempo, até poucos meses atrás. Irônico, ele pensou, que agora eram os próprios sonserinos os que recebiam essa atitude, enquanto Harry suspeitava que ele era o unico que havia visto o lobisomem sorrir como ele vinha fazendo na última hora.

"Só porque você chupou Potter" Nott estava dizendo sarcasticamente quando ele voltou a prestar atenção, "isso não quer dizer que você pode entregar as táticas de quadribol da sonserina, Malfoy."

Draco o olhou incrédulo. "Como é...?" Suas sobrancelhas se levantaram lentamente - um sinal que o grifinório reconhecia, mas que Nott evidentemente perdeu.

"Por que você pensa que ele está aí com você?" o garoto demandou, olhando Harry com uma careta, mas guardando a expressão real de desdém para Draco. "Talvez Potter seja mais sonserino do que nós imaginamos já que ele está obviamente manipulando você perfeitamente. É uma coisa triste de se ver."

O lobisomem parecia mais chocado do que qualquer coisa, piscando sem palavras. Harry quase se encolheu. Lentamente, ele recuou alguns passos, encostou sua Firebolt na parede e cruzou os braços, virando-se para olhar Nott de uma maneira que beirava a piedade. Ele se lembrou de seu acordo com Draco de serem iguais, e o que o loiro havia dito na época. "E se acontecer uma batalha entre eu e outro sonserino, pelo amor de Deus,deixe!". E era o que Harry pretendia fazer. Sinceramente, ele pensou, Nott merecia o que estava prestes a receber.

O idiota parecia distraído também. Ele não apenas deixou de perceber a expressão de Draco - quase completamente vazia pela raiva - como também não pareceu notar que, de uma hora para outra, estava completamente sozinho. Tanto Blaise quanto Pansy haviam paralisado e ido se juntar a Harry, próximo à parede, onde os três observaram numa expectativa silenciosa, unidos nesse breve instante.

"Merlin, Draco, você conseguiu afundar ainda mais, não foi?" Nott provocou, cercando o outro rapaz, tirando vantagem de sua estatura mais alta como forma de intimidação. O loiro nem ao menos piscou, meramente encarando em frente, os olhos no nível da gola da camisa do outro. Nott, erroneamente, entendeu aquilo como submissão e continuou. "Meu Deus, agarrando-se aPotter? Eu sempre soube que você gostava de dinheiro, mas vender-se a esse ponto..."

Harry podia apontar com precisão o momento em que Nott fora longe demais. Ele considerou intervir, então, mas como se lesse sua mente Blaise o segurou pelo ombro com força, mantendo-o no lugar. Ele não lutou muito contra isso, para falar a verdade. Decidiu que tomaria frente apenas se as coisas saíssem do controle.

Ao invés do jorro de mágica que Harry esperava, precedida por grandes e cruéis movimentos de varinha, Draco quase não se mexeu quando sua varinha escorregou de seu esconderijo dentro da manga de suas vestes. Apenas o leve contrair de seus dedos alertou o grifinório, que teve de admirar sua astúcia. Nott, obviamente, falhou em se defender quando o ataque finalmente veio.

O loiro murmurou inaudivelmente, fazendo com que fosse impossível saber qual maldição ele tinha usado, apenas que fez o outro sonserino abruptamente cair de joelhos com um olhar de espanto, seus braços de repente presos em suas costas. Automaticamente, ele começou a lutar contra aquilo, mas era como se cordas invisíveis o mantessem aos pés de Draco.

Entrando em pânico, ele intercedeu a Pansy e Blaise. "Pelo amor de Deus, façam alguma coisa!"

Draco olhou os outros dois também, calmo, meramente esperando para ver se teria interrupções. Quando ninguém se mexeu, ele perdeu interesse e voltou-se para Nott, gentilmente usando sua varinha para pender o queixo do garoto para cima até que seus olhos se encontrassem. Viu o início de um velho medo aparecer ali, corroendo a arrogância que ele mostrara antes.

"Você está tentando me substituir, Nott?" ele perguntou em voz baixa, dando tapinhas com a varinha na mandíbula do outro. "Não acredito que você inspire a mesma lealdade." Ele fez um gesto na direção dos três espectadores, que assistiam friamente.

O garoto empurrou-se contra suas amarras, virando o rosto da expressão de escárnio com um rosnado. "Vá se foder, Malfoy."

Draco sorriu torto, e isso era um vício. "Não se lembrou do seu lugar ainda?" perguntou zombeteiro, lentamente abaixando-se até que seus olhos estivessem no mesmo nível.
Sem aviso, ele estendeu a mão, desatou a gravata do sonserino e desatou os primeiros botões de sua camisa.

"Que merda você está fazendo?" Nott guinchou, tentando afastar-se para trás, mas falhando completamente.

"Te lembrando," Draco respondeu simplesmente.

Ele brandiu a varinha com um floreio, e os olhos de seu cativo se fixaram nela em um terror tão óbvio que o loiro deu uma risadinha. Sim, ele era perfeitamente capaz de machucar o desgraçado – ele até poderia, em outra hora ou lugar – mas azará-lo e só seria muito generoso. Draco tinha descoberto que o melhor método de punição no que diz respeito a seus colegas de classe não era a dor, era a humilhação.

Harry assistiu em mórbida fascinação enquanto o lobisomem abria a camisa de Nott para deixar exposto o pedaço de pele do lado esquerdo de seu peito, e lentamente tocava a ponta de sua varinha na carne enquanto sua vítima praticamente hiperventilava. Nott continuou a lutar contra as amarras, mas Draco o ignorou, seus lábios se movendo sem som enquanto proferiam um encantamento.

Por um momento, o grifinório se preocupou que Draco pudesse estar entrando em mais problemas com o uso de um feitiço das trevas ou algo assim. Cerrou os punhos, compartilhando um olhar preocupado com Blaise, que parecia estar tendo os mesmos pensamentos que ele.

Mas enquanto Harry olhava, a boca aberta para protestar, os esforços de Nott em se livrar cessaram e ele olhou para baixo chocado. Linhas negras tinham começado a se formar em sua pele, formando uma familiar caligrafia que Harry reconhecera de bilhetes trocados.

Em curvas e giros, estava escrito: Em serviço de D. Malfoy, Príncipe da Sonserina.

Harry engasgou em incredulidade. Oh, ele não estava vendo aquilo. Draco não tinha tatuado seu próprio nome na pele do garoto. Ele não era tão estúpido, certamente…

O loiro examinou seu trabalho, parecendo ponderar sobre a frase por um momento, antes de rapidamente se colocar em pé, dando tapinhas conciliadores no ombro de Nott.

"O que você fez…?" A voz do rapaz estava apagada em horror e incredulidade enquanto ele olhava para baixo e balançava a cabeça.

"Só colocando você no seu lugar," Draco respondeu ingênuo, vagamente girando a varinha por entre longos, hábeis dedos. Mesmo com os cabelos bagunçados e suas roupas de quadribol, ele exalava superioridade.

Então, inclinando-se para baixo, ele abaixou a voz e sibilou na orelha do outro, "Estou de volta ao poder, Nott. Você faria melhor em lembrar disto."

Ele acenou a varinha sem cuidado e o rapaz tombou para longe dele, colocando-se sobre os pés com dificuldade e esfregando os pulsos como se eles tivessem sido esfolados. Encarou Draco sem dizer uma palavra, os olhos arregalados e assustados, fechando o colarinho de sua camisa para esconder a frase marcada em sua pele.

O loiro sorriu desdenhoso. "Saia," ele ordenou bruscamente, e se esquivou quando Nott apressou-se em escaper, encarando Draco ressentidamente enquanto passava, antes de desaparecer no saguão.

O lobisomem o assistiu partir com um ar de mofa antes de voltar-se para suas companhias remanescentes. Ele olhou desconfiado os dois sonserinos, então deu uma olhada rápida no grifinório, meio que esperando por desaprovação. Mas os três pareciam apenas surpresos.

Finalmente, foi Harry quem quebrou o silêncio. "O Príncipe da Sonserina?" repetiu céticamente. "Eu pensei que você não encorajasse esse apelido?"

Draco deu de ombros enquanto caminhava até eles, casualmente escondendo sua varinha de volta na manga. "Nunca subestime o poder de um título, Potter. Nós, que não sobrevivemos a Maldição da Morte, temos que fazer nosso melhor com o nome que nos é dado. Infelizmente, o meu acontece de ser um pouco mais pretencioso do que a maioria."

O grifinório zombou. Ele achava divertido ouvir Draco admitir aquilo.

Blaise tossiu suavemente, chamando a atenção do loiro. "Eu espero que aquilo não seja um feitiço permanente," falou em total calma, examinando suas unhas com a atitude de alguém acostumado com esse tipo de ocorrência.

"Desaparecerá em algumas semanas," Draco respondeu, com a mesma calma. Harry rolou os olhos, exasperado com sonserinos em geral. Aquilo tudo era um jogo de poder, decidiu, um sem morais ou maneiras.

"Acredito que vocês acrescentarão os adornos necessários neste pequeno incidente?" o loiro continuou, olhando de um para o outro do par sonserino.

Pansy sorriu – não o tipo de sorriso que tendia a um flerte que ela costumava dar, mas um digno de um sonserinos. "Claro, Draco querido. Você esperava por menos?" Ela pausou, e então acrescentou, "Não que tenhamos muito mais a acrescentar, depois daquela marquinha sua."

E com isso, ela agarrou o braço de Blaise e o arrastou para as masmorras, ambos assentindo para Harry ao passarem por ele.

"O que foi isso…?" o grifinório eventualmente perguntou, balançando a cabeça.

"Aquilo foi eu pegando minha reputação de volta," Draco respondeu, chegando mais perto e reassumindo seu olhar de profunda satisfação. Sua vassoura tinha ficado abandonada no chão onde ele tinha estado com Nott, mas naquele momento ele estava contente por tê-la deixado lá.

Harry piscou, surpreso com a súbita proximidade. Suas costas estavam contra a parede, fazendo-o se sentir um pouco acuado. Desconfortável, ele afetadamente tentou uma pose o mais casual que conseguisse, cruzando seus braços inconscientemente. Depois de assistir o sonserino reestabelecer sua autoridade tão eficientemente e sem remorsos, ele se sentia bastante atônito. Tinha se esquecido de como Draco podia ser quando provocado.

Seu lobo interior estava rosnando alegremente sobre o que considerava uma bem-sucedida vitória em cima de um humilhado inimigo e a proximidade de seu companheiro, e ele mesmo tinha ficado impressionado com o fato do grifinório ter mantido sua palavra sobre ficar fora do assunto. A combinação era intoxicante, fazendo-o se esquecer de quaisquer reservas que tivesse.

"O que você está fazendo…?" Harry perguntou, sua voz quase o desertando.

Draco balançou a cabeça e admitiu honestamente, "Não tenho idéia…" Hesitante, flexionou os dedos, então estendeu as mãos e os passou pelo blusão de Harry. Ele olhou para baixo imediatamente depois disso e interrompeu o toque, como que acordado para o fato de que o gesto não era algo que ele devesse ter se permitido.

Harry assitiu o jogo de nervos no rosto do garoto loiro com fascinação. Sem pensar, descruzou os braços e deixou-os cair, removendo suas barreiras. Era óbvio o que o sonserino pensava que ele queria, e embora ele achasse a não-característica timidez afetuosa, Harry tinha de se perguntar se aquele era o melhor caminho para aquela situação. Ele olhou em volta desamparado, quase esperando que alguém se aproximasse pelo corredor.

Mas não havia ninguém ali a não ser os dois, e o silêncio estava se tornando excruciante.

"Olha, Draco..."

Ao som de seu nome, Draco desistiu. Deu um passo à frente sem pensar, movendo-se para descançar sua testa no ombro do grifinório e suas mãos na cintura do rapaz.

Harry congelou, ficando totalmente tenso com o inesperado contato de corpo inteiro. Seus braços permaneceram fixos aos seus lados, não se atrevendo a tocar no sonserino.

"Eu pensei que você tinha dito- "

Draco não se moveu. "Eu disse. E eu odeio isso." Ele virou a cabeça, então sua respiração roçou o pescoço de seu companheiro.

"Então não- "

"Cale a boca, Harry," o lobisomem falou imperativamente, e o beijou.4

Notas:
1 - O_O Foi ela que escreveu o 'selvagemente'! Juro! _
2 – Nessa parte, a autora dizia que Draco ficava vesgo (juro! Ela disse mesmo!). Como isso não faria o menor sentido, nós resolvemos dizer que ele estava estreitando os olhos. No entanto, isso rendeu um plot maravilhosamente original e lindo, bem ao estilo MM de ser. Aguardem-nos! ^^
3- No original: Ginny looked at her in question.
4- E eu achando que era o Draco que usava a coleira.