Autora: Sakuri
Tradução: Malfoy-Moraine S.A
Pares: Draco Malfoy e Harry Potter
Classificação: R
Disclaimer da autora: Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.
Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Sakuri. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D
Notas: Werewolf!Draco
Capítulo 36: Arriscando
De algum lugar, lá no fundo de sua mente, Draco se perguntava que porra ele estava fazendo. Aonde tinha ido parar todos aqueles bons argumentos contra aquele curso de ações?
Como, por exemplo, o fato de que ele não era gay.Aquilo não costumava estar em questão. Ele nunca antes tinha sequer olhado para outro garoto, muito menos Harry. Quanto a isso, elecontinuava não olhando para outros machos e os achando atraentes. Era só o maldito grifinório. Tinha que ser. Ele não era sempre a exceção para tudo…?
Logicamente, Draco sabia que seu lobo interior era o responsável por essa atração. Ele queria seu companheiro. Mas mesmo assim, isso era desculpa para ele estar reagindo tão fortemente a essa aproximação? Quando Harry de repente começou a beijá-lo de volta, fez de tudo para não deixar escapar algum sussurro patético e pular no garoto, a despeito de não ter idéia sobre... os mecanismos da coisa. Ele queria o grifinório, foda-se o resto.
E ao mesmo tempo, cada instinto seu de auto-preservação estava gritando em protesto. Se ele cedesse, seria seu fim. Estaria preso a Harry definitivamente – ao passo que o outro rapaz estaria tão livre quanto sempre. Ele não tinha obrigações para com Draco, inconsciente de seu statuscomo parceiro de lobisomem. Se ele quisesse que aquilo fosse apenas uma 'ficada' – colocando o sonserino no mesmo nível de Chang – bem, não haveria prejuízos para ele, haveria? Já para Draco...
Novamente, encontrou-se permitindo que seu parceiro tomasse o controle da situação enquanto era girado e pressionado contra a parede. Harry partiu o beijo por um momento, sua respiração estava rápida enquanto ele procurava no rosto de Draco por qualquer permissão que ele pudesse estar dando. Sem querer ter uma segunda chance para reconsiderar completamente aquilo que ele estava fazendo, Draco puxou Harry para si e fechou os olhos para a realidade. Ele poderia fingir, só por um tempinho, que não havia nada de complicado ali – nenhuma conseqüência prevista, nenhum problema inevitável. Eles não estavam se agarrando no meio do corredor com a ansiosa esperança de que ninguém entraria por ele e os pegaria. Ele poderia fingir que tinha algum controle sobre suas próprias ações.
"Eu odeio isso," ele tinha dito momentos atrás. Bem, ele odiava. Ele nunca tinha estado tão vulnerável em sua vida e não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso.
Harry arrepiou-se ao sentir a força considerável do lobisomem o rodear. Sim, Draco facilmente poderia tê-lo empurrado para longe se ele quisesse; poderia facilmente ter tomado controle da situação – como ele tinha demonstrado não muito tempo atrás com Nott. Ao invés disso, ele parecia completamente sucumbido, aceitando qualquer toque que Harry escolhesse lhe oferecer. Era quase irresistível, aquele tipo de submissão.
Harry teve que se afastar para trás um pouco, com medo de que acabasse inteiramente viciado naquela sensação.
O loiro olhou para ele em torpor, parecendo momentaneamente perdido. Harry levou uma mão a sua boca para descobrir que Draco tinha o mordido ali, seus dedos trouxeram uma leve mancha de sangue.
"O que você -? O que foi -? Draco…" Ele balançou a cabeça perdido, lutando contra a carga de hormônios e excitamento em que tinha se afogado no momento em que o sonserino o tinha agarrado.
"E-eu não..." O loiro fechou os olhos por um segundo e parecia afastar qualquer pensamento que tivesse vindo a ele. "Desculpe."
"Não peça desculpas," Harry murmurou, esfregando sua nuca sem jeito. "É só que... Eu pensei que você não queria..." Ele fez um gesto vago entre eles. "…o que quer que isso seja."
"Não queria. Não quero." Aquilo, Draco pensou, era meio que verdade. Ele assistiu a expressão no rosto do grifinório oscilar, então fechar-se. "...Só não consigo evitar."
Harry bufou desdenhosamente. "Legal," ele respondeu sarcasticamente. "Muito, muito legal." Sem olhar para o sonserino, ele passou por ele para pegar sua Firebolt.
Quando ele virou-se para sair andando, o lobisomem o segurou pelo pulso. "E você?" perguntou, querendo que isso soasse na defensiva, mas ao contrário, deixando escapar genuína curiosidade por seus lábios.
Harry suspirou. "O quê?"
"...Quer isso?"
Eles se encararam desconfortavelmente, Draco ainda segurando o pulso do grifinório, que de repente tinha perdido as palavras. Como ele deveria responder àquilo? A pergunta veio tão bruscamente...
Ele queria continuar com aquele...?
Seja lá o que fosse.
E isso trouxe a questão: o que Draco considerava ser aquilo? Era apenas... experimento? Ele estava entediado? E se…
Desde que começou a conhecê-lo, Harry vinha respeitando a determinação do sonserino de sair por cima, e até mesmo a frieza com que agia para atingir aquele objetivo, mas agora lhe ocorria o pensamento de que talvez...
Bem, talvez isso fosse apenas mais um método de Draco para atingir o poder.
Ele nunca tivera tanto medo de alguém o usando por seu nome antes disso, e era irônico o fato de que a primeira pessoa a alarmá-lo fosse o sonserino, que tinha sempre detestado sua fama – ainda detestava, Harry suspeitava. Era só que-
Não. Ele cortou sua linha de pensamento, antes que ela arruinasse a tímida confiança que eles já tinham estabelecido.
Além do mais, Draco nunca conseguiria fingir inocência ou apreensão convincentemente, e ainda assim, ele mostrava ambas as emoções no momento, cada uma servindo apenas para tirar Harry dos nervos ainda mais.
"Potter...?"
Ele piscou, percebendo que mais uma vez o loiro estava mais perto do que deveria, embora parecesse não notar o fato ou o que eles pareceriam para alguém que entrasse pelo corredor. Lentamente, de um jeito que fez o grifinório imaginar se ele não estava inconsciente para essa ação, seus dedos trilharam um caminho para baixo e roçaram em sua palma.
"...Eu quero isto," ele admitiu finalmente com um suspiro, provavelmente a confissão mais difícil que ele já fizera. Imediatamente, ele deixou a cabeça cair embaraçado, horrorizado em ver o sonserino sorrir torto em diversão ou vitória.
Draco não fez nenhum nem outro, e o encarou intensamente. "Mesmo?"
Ele não conseguiu não rolar os olhos. "Não, esta é minha idéia de como fazer piadas."
"Vá se foder, Potter - "
"Use meu nome."
O loiro ficou em silêncio, aparentemente chocado. Ele examinou o grifinório curiosamente, então assentiu quase imperceptivelmente. E sorriu.
"...Harry."
Ron fez seu caminho de volta para a Sala Comunal com um bocejo cansado, automaticamente tomando nota das pessoas presentes ali. Não muitas, percebeu rapidamente, enquanto caminhava diretamente até Hermione. A maior parte do time tinha ficado lá no campo, contentes em fofocar excitadamente a respeito do talento que eles tinham acabado de presenciar, se perguntando em voz alta se conseguiriam incorporar algum daqueles movimentos em seus jogos. Katie estava furiosa por seu apanhador estar se segurando nos jogos, e espantada por Malfoy tê-lo superado. No momento em que Ron tinha deixado o time, ela estava chiando incoerentemente sobre o que faria como punição para o garoto de óculos, enquanto ao mesmo tempo o elogiava.
Hermione olhou para cima apenas quando ele largou-se sem cerimônia ao lado dela no sofá, bufando.
"Eu ouvi toda a comoção em torno do jogo de apanhador de Harry," a bruxa falou vagamente enquanto marcava a página de seu livro. "Foi tão bom quanto estão dizendo?"
"Melhor," o ruivo respondeu mal-humorado, infeliz. "Cadê ele, afinal? Lá em cima?"
Ele o olhou surpresa. "Não, ele não voltou. Na verdade, eu pensei que ele estava com o time."
"Não, ele desapareceu com o Malfoy."
"Oh..."
Ron fez um som desdenhoso e balançou a cabeça. "Eu não entendo," murmurou, embora sem o mesmo calor que vinha a alarmando nos últimos dias.
"'Tá, 'tá legal, o retardado está voando melhor do que ano passado. E talvez ele saiba um pouquinho de mágica. Mas..." Novamente, ele balançou a cabeça e deu de ombros.
Ela o olhou simpaticamente. "Harry o conhece melhor do que nós, Ron. Obviamente há mais do que -"
"Mas não pode ser." Ele sentou-se apoiando os cotovelos nos joelhos. "Ele é Malfoy". Por que ninguém além de mim parece se lembrar disso?"
Okey, ela decidiu. Ela oficialmente tinha tido o bastante desse ciclo vicioso de argumentação. Colocando o livro de lado, virou-se para encarar Ron propriamente. "Não é que nós não nos lembramos disso, sabe. É que nós conseguimos ver que ele está mudado."
"Mas-"
"Não me diga que é impossível! Reconhecidamente, era... improvável, mas aconteceu. Você não tem prestado atenção a nada? Lucius Malfoy o deserdando? Dumbledore confiando que ele trabalhe com a AD? Harry confiando nele?
Ron ficou olhando-a sem palavras.
Ela fez um som de exasperação. "Ele mudou para o lado da Luz."
O ruivo piscou, então franziu o cenho. "Você 'tá brincando? Malfoy? Como você pode acreditar numa coisa dessas?
"Porque eu não sou cega? Ron, por favor, pare de ser tão teimoso! Converse com Harry -"
"Hermione! Por que eu deveria quando -"
"Ele ia te contar," ela falou, o interrompendo. "Quando você voltou, ele ia te explicar que era amigo de Malfoy."
"Bem, então por que ele não -?"
"Você bateu nele, Ron! Você bateu nele e tentou azará-lo, e foi Malfoy que te impediu."
O ruivo parou por um momento. "Mas eu sou o amigo dele desde o primeiro ano! Isso não deveria contar para alguma coisa?"
"Conta. Mas, dessa vez… você está errado."
Ele caiu no sofá como se ela tivesse lhe estapeado.
Ela continuou. "Harry não está pedindo para você gostar dele. Ele provavelmente ficaria assombrado se vocês trocassem uma palavra civilizada. A única coisa que ele está pedindo é que vocês não se azarem a cada encontro – e você fez isso no momento em que chegou!"
"Ele mereceu -"
"Oh, mereceu não," ela insistiu. "E Harry não mereceu aquele espetáculo também, embora talvez seja do seu interesse que ele tenha te trazido até aqui a salvo mesmo depois de você tê-lo socado sem nenhum bom motivo."
Ron a olhou zangado e então desviou o rosto, suas esperanças diminuídas. Suas reprimendas calmas e casuais eram impossíveis de serem retorquidas, embora seu ressentimento ainda estivesse ali, logo abaixo da superfície.
Nesse momento, a porta do retrato abriu-se e os dois olharam para ver Harry tropeçar para dentro da sala. Ultimamente, ao colocar os olhos no ruivo, qualquer bom humor em que ele estivesse instantaneamente evaporava – mas dessa vez, seu ridículo sorriso brilhante nem ao menos oscilou. Sorriu enormemente para os dois, e correu uma mão por seu cabelo bagunçado. Sobre um dos ombros, ele carregava sua vassoura, e estava deixando uma trilha de marcas de pés no carpete. Hermione resistiu ao impulso de ralhar.
Ao invés disso, deu uma olhada interessada nele, um pouco em suspeita. "Você parece feliz," ela comentou. "Bom jogo?"
Harry piscou. "Oh. O jogo. Sim, foi ótimo."
"Hum. Ron estava bem me dizendo isso."
Olhos verdes piscaram para o ruivo em surpresa. "Estava?"
Ron corou e olhou feio para Hermione. Só porque ela tinha decidido que os dois estavam prontos para fazer as pazes não significava que era verdade. "Foi bom. Acho."
"Obrigado. Hum, eu preciso tomar um banho. Vejo vocês mais tarde." Ele deu as costas e seguiu para as escadas.
Quando ele estava prestes a alcançá-las, Hermione o chamou. "Você estava com Draco, Harry?"
O sorriso idiota retornou em toda a sua gloria. "Sim. Por que, o que aconteceu?"
Ela sacudiu a cabeça. "Nada. Não importa."
Ron esperou um intervalo decente de tempo até que ele tivesse certeza de que o outro garoto tinha subido as escadas e desaparecido no banheiro antes de lentamente olhar para a bruxa. "Okay, Eu entendo que eles sejam amigos, por mais assustador que seja dizer isso em voz alta. Mas tem alguma coisa... sabe, esquisita nisso tudo pra você?"
Com uma grande força de vontade, ela manteve sua face sem expressão. "O que você quer dizer?"
"Como... eu quero dizer…" Ele se interrompeu, grunhindo. "Nada. É estúpido." Merlin, talvez elaestivesse certa e ele estivesse vendo problemas onde não existia. Era a única explicação para o horrível pensamento que tinha acabado de aparecer em sua cabeça.
Astutamente, Hermione segurou a língua.
A noite encontrou Hermione sozinha com seus estudos na Sala Comunal, a exceção de um pequeno grupo de primeiranistas e secundaristas próximos à lareira. Ela não se incomodava. Tinha tido a chance de dar uma revisada em Poções – matéria em que ela tivera uma queda uma vez que Draco alcançara notas mais altas que a dela no teste surpresa que Slughorn aplicara na primeira aula depois das férias.
Suspirando, ela sentou-se reta e esfregou os olhos. Aquele tinha sido um longo dia, mas pela primeira vez em muito tempo ela sentia que tinha concluído com êxito alguma coisa. Ron estava amadurecendo, embora ele parecesse estar lutando contra isso. Ela podia dizer que a raiva dele quanto a Harry estava amainando, o que era um alívio. Ela não agüentaria mais comentários azedos vindos do garoto.
Ela estava quase pondo um fim na noite quando o som de passos a fez erguer a cabeça enquanto Harry entrava em seu campo de visão, parecendo mais limpo do que mais cedo. Ele sorriu cansado e juntou-se a ela no sofá.
"Cansei do interrogatório," ele falou, referindo-se ao bombardeio de perguntas atiradas em cima dele por Katie e os outros membros do time assim que eles conseguiram encurralar Harry.
Ela assentiu e esperou que ele desembuchasse o que quer que estivesse em sua mente. Ela conhecia Harry. Quando ele se aproximava dela daquele jeito, sozinho, ele normalmente tinha algo para falar. Ela conseguia ver isso na expressão dele, que olhava para outro lado intensamente, como se o carpete carcomido tivesse todas as respostas do universo.
"O que há de errado?" ela sugeriu eventualmente, quando ele não cooperou. "Você parecia bastante feliz mais cedo."
"Eu estava. Digo, eu estou." Ele caiu no silêncio novamente, franzindo a testa.
"Harry...?"
Respirando fundo, Harry forçou a si mesmo a olhar para ela. "Como o mundo mágico se sente sobre… sobre h-homossexuais?
As sobrancelhas dela se ergueram lentamente. Bem. Se ela tinha alguma dúvida ainda, aqui estava sua confirmação. Ela vacilou, incerta de como reagir por longos minutos. Harry achava que estava sendo sutil? O que ela supostamente devia dizer a ele?
Finalmente, ela decidiu-se pela verdade direta. "Lidam com o assunto praticamente da mesma forma que no mundo trouxa." Ele a encarou sem expressão até que ela continuou. "Como nas gerações mais novas – nossa geração – a tendência é estar cada vez mais de mente aberta sobre a coisa toda."
"...E as pessoas mais velhas?"
"Tendem a desaprovar. Especialmente famílias puro sangue." Ela teve que enfatizar essa parte, observando cuidadosamente a expressão de seu amigo. Melhor que Harry soubesse no que ele estava se metendo se ele estivesse dando a entender o que Hermione imaginava que ele estava dando a entender. Os Malfoy, afinal de contas, eram a família puro sangue da geração deles. "E, claro," ela adicionou, "quando... celebridades saem do armário, a reação tende a ser muito maior nas duas direções." Ela o encarou intensamente até ele corar e, de fato, esconder o rosto nas duas mãos.
"Não acredito que estou tendo essa conversa," veio o murmúrio em tom de resmungo por entre os dedos de Harry.
"Você começou," ela acusou. "Harry – Harry, olha pra mim – estou assumindo que essa conversa inteiramente hipotética tem um objetivo?"
Olhos verdes mostraram um mundo de alívio quando ela lhe deu uma rota de escape. "E-eu só estava perguntando, sério... Sabe, curiosidade..."
Interiormente, Hermione rolou os olhos, e continuou com falsa casualidade, como se aquele fosse o tópico de conversa do dia. "Não que isso realmente importe, às vezes."
"O que você quer dizer?"
"Bem, há incidentes de bruxas e bruxos famosos através da história que tiveram amantes do mesmo sexo. Há inclusive rumores a respeito de Dumbledore, e ninguém usa isso contra ele."
"O quê?"
Ela deu de ombros. "Bem, é verdade. Mas você entendeu o que quis dizer? Reputação pode, às vezes, maquiar o que alguns bruxos consideram uma falha. E também há os casos que não dá opção à pessoa..."
Mais uma vez, ele parecia perdido.
Ela mordeu o lábio, perguntando-se se estava fazendo a coisa certa ao arriscar esse pedaço de informação, então continuou. "Bem, como Veela ou... ou parceiros de lobisomem."
Harry piscou para ela e passou para a expressão seria que significava que ele estava realmenteouvindo agora.
"Sirius e Remus, por exemplo," ela falou, ignorando seu retrair a menção de seu padrinho. "Remus não teria escolha sobre estar ligado a Sirius. O mundo bruxo em geral, até mesmo os puro-sangues, teriam levado isso em conta, considerando isso apenas mais um aspecto da maldição."
Harry suspirou e ajeitou-se, não parecendo nem um pouco menos preocupado do que estava quando chegara. Distraidamente, ela virou algumas páginas do livro, o deixando absorver tudo o que ela tinha lhe dito. Ele fugiria completamente se ela tentasse pressionar mais a conversa antes que ele estivesse preparado.
O silêncio contemplativo permaneceu até que ela pudesse sentir suas pálpebras caindo. Apenas quando ela já temia cair no cochilo foi que ele falou.
"Então, como é que você... 'cê sabe, sabe? Se você é."
"Eu assumiria que você se sentiria atraído por outros garotos. Ou garotas, dependendo do caso."
Ele mordeu o lábio. "E se... e se você não está? E se é só por esta pessoa?"
De novo, ela perguntou-se se ele achava que estava sendo sutil. Sacudindo exasperada a cabeça, ela tentou pôr em palavras sua resposta. "Então... talvez você não esteja atraído pelo gênero. Talvez você esteja apenas atraído por Draco como pessoa."
"Mas – O quê?" Sua cabeça virou-se num estalo para olhá-la, seus olhos arregalados.
Ela sorriu indulgentemente. "Desculpe. Eu não deveria adivinhar esse tanto?"
"Não é – Eu não – Hermione!"
"O quê? Não há nada do que se envergonhar."
"Mas-"
"Você já o beijou?"
Imediatamente, o garoto tornou-se carmesim, fazendo a menina rir um pouco.
"Oh, então é por isto que você estava tão feliz hoje à tarde." Ela sorriu feito um tubarão, e não conseguiu se segurar, "E aí? Ele foi melhor do que a Cho?" ¹
Ela não conseguia se lembrar da última vez em que Harry pareceu tão horrorizado. Em desespero, ele cobriu o rosto novamente, afundando-se nas almofadas.
A despeito de si mesma, ela não conseguiu evitar a pequena fagulha de divertimento. Ela certamente tinha de dar os créditos a Draco. O sonserino devia ter alguma coisa boa, uma vez que até agora ela não tinha acreditado que Harry pudesse ter alguma inclinação pelo outro garoto – ou qualquer outro garoto, na verdade.
"...Você acha que estou sendo estúpido quanto a isso?" ele sussurrou eventualmente.
Ela o estudou intensamente. Ela achava? Como ela poderia explicar que, não, embora irônico, ela estava começando a achar que o lobisomem era na verdade sua melhor escolha...? Draco, mesmo que quisesse, jamais poderia machucá-lo, traí-lo, hesitar em sua lealdade. O lobisomem o protegeria com toda a extensão de seu poder, usando toda a sua força, mágica e destreza. Além disso, embora ela freqüentemente desaprovasse seus métodos, ela podia ver vantagem em ter uma inteligência fria sonserina devotada ao benefício de Harry.
E se Harry podia aceitar um relacionamento com o garoto que lhe fazia feliz – algo que ela não tinha pensado ser possível – bem, melhor ainda.
Então ela sorriu. "Eu acho que essa é a coisa menos estúpida que você fez em um bom tempo."
Ele olhou para ela em surpresa, piscando.
Suspirando, ela pegou seus livros e levantou-se, escondendo um bocejo. "Me conte mais amanhã, Harry. Desculpe, mas vou cair no sono se ficar sentada aqui mais um pouco."
Ele ofegou. "O quê, é isso? Sem sermão? Nem mesmo… perguntas? Nada?"
Ela sorriu. "Você parece chateado de que eu não vá te dar um momento difícil sobre isso."
"Bem... eu pensei..."
Afetuosamente, ela estendeu a mão e bagunçou gentilmente seu cabelo antes de virar-se na direção de seu quarto, respondendo por sobre seu ombro. "Harry. Nem todo mundo nasceu para dificultar as coisas para você."
Notas de tradução:
¹- O sorriso de tubarão é obra absoluta da tradutora.
Alguém mais reparou que a Hermione é a Slasher-mor dessa fic?
