Autora: Sakuri
Tradução: Malfoy-Moraine S.A
Pares: Draco Malfoy e Harry Potter
Classificação: R
Disclaimer da autora: Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.
Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Sakuri. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D
Notas: Werewolf!Draco
Capítulo 38: Motivos
Ron não era o mais rápido dos pensadores, mas quando uma suspeita particular lhe ocorria – e repetidamente pipocava em sua cabeça quando ele menos esperava sua presença, resultando no surgimento das mais interessantes expressões faciais – nem mesmo ele poderia ignorar os pensamentos inoportunos.
Neste momento, ele estava sentado com Harry e Hermione à mesa do café da manhã da Grifinória. Enquanto o restante de seus colegas de classe exalava alívio em ver o Trio falando novamente, Harry estava mais tenso do que nunca. Mais uma vez, ele estava preocupado com Remus, que tinha sido chamado no meio da noite e ainda não tinha voltado ou mandado notícias. O garoto encarava melancólico seu pedaço de torrada e cutucava sua tigela de cereais.
Pelo canto de seus olhos, Ron viu o sonserino entrar como uma rajada de vento no Salão. Ele fez uma carranca, incapaz de esconder o ressentimento automático que o entupia, mas sua atenção continuou em Harry. Olhos verdes piscando para acordar, lentamente erguendo-se para fixar-se no loiro, seguindo-o enquanto ele cruzava a sala.
A Suspeita pipocou novamente na mente de Ron, mas ele a empurrou violentamente para o lado, sacudindo a cabeça.
A volta deles, dúzias de conversas que normalmente seriam consideradas excitantes tomavam lugar. Hermione e Ginny conversavam sobre os encontros da AD – o que estava por vir, o que eles já tinham visto, o quanto havia sido melhor do que ter Snape como professor de DCAT. Katie falava para qualquer um que estivesse ouvindo sobre os jogos de Quadribol que estavam programados para o resto daquele ano, as estratégias que eles usariam, e os planos que ela tinha para incorporar as habilidades de apanhador de Harry. E do outro lado deles, Seamus estava liderando uma conversa sobre o fascinante tópico que era, usualmente, garotas. Por debaixo da mesa, ele passava uma revista contendo só Merlin sabia que tipo de fotos incríveis...
E com isso tudo, a atenção de Harry nunca deixou o maldito sonserino. Ron se remexeu em frustração.
A Suspeita cresceu e ele se pegou virando para Hermione com uma expressão de pânico contido.
Ela estava esperando por ele, aparentemente. Calmamente, se afastando por um momento de sua conversa com Ginny, ela olhou para ele questionadoramente. "Ron, você terminou a redação do professor Snape, não terminou? È para hoje, você sabe."
Seus olhos se arregalaram. Redação…? Que redação? Por que ela não tinha lhe dito antes?
Ele vagamente lembrou-se de ter recebido um titulo comprido no qual ele não conseguira ver nem pé nem cabeça, e a instrução de que ele deveria escrever um rolo inteiro de pergaminho sobre o assunto. Merda! Snape lhe daria detenção por um mês se ele não tivesse algo para apresentar, pra não mencionar a quantidade de pontos que ele tiraria...!
"Tenho que ir."
Hermione assistiu com um senso de satisfação o bruxo ruivo sair correndo, presumivelmente para fazer alguma última tentativa em seu trabalho. Ela vira a preocupação que lentamente ganhou seu rosto, e sabia o que aquilo significava.
Inclinando-se para frente, ela cutucou Harry agudamente nas costelas, fazendo-o pular e reclamar. "Pare de ser tão óbvio!" ela sibilou, e virou-se antes que seu olhar de incredulidade preenchesse completamente seu rosto.
O dia se arrastou eternamente, até que no final dele Harry se sentia exausto. Não pelos trabalhos das aulas – as quais ele abstraiu em grande parte – mas por preocupação. Remus tinha dito que ele não ficaria longe a noite toda, e certamente não até tão tarde do dia seguinte. Ele ainda não podia acreditar que aquilo estava acontecendo de novo...
Tinha sido uma coisa ótima que ele e Ron tivessem feito as pazes na tarde anterior. Ele suspeitava que teria perdido seu temperamento completamente se o outro garoto tivesse continuado emburrado por mais tempo, no humor que ele estava. Como de costume, Ron e Hermione tinham se aproximado dele, oferecendo qualquer que fosse o conforto inútil que eles pudessem oferecer.
Mas, bem como ele tinha imaginado da última vez, ficar perto deles só piorava as coisas. Eles podiam até gostar bastante do lobisomem adulto, mas nenhum deles ficaria devastado da mesma forma que ele se por acaso ele não voltasse. Eles não sabiam o que dizer, temendo agir de forma normal demais ou alegre demais, em caso de Harry tomar essa atitude como insensibilidade.
E tudo isso o trazia aqui.
"Olá, Lilith."
O retrato imediatamente ergueu a cabeça, oferecendo-lhe um sorriso que mostrava dentes demais. Harry escondeu o desconforto. Não era algo que ele admitiria, mas ele suspeitava que, se tivesse conhecido a feiticeira na vida real, ela teria lhe assustado bastante.
"Você não passou aqui ontem à noite," ela acusou, com um tom de descontentamento. Ela tinha se acostumado com sua presença, por pelo menos ou minuto ou dois, cada final de tarde.
"Er, é... Tinha algumas coisas para resolver."
Ela o encarou em expectativa, observando-o mudar de um pé para o outro, tossindo desconfortável.
"Então... pode me deixar entrar?" ele perguntou finalmente.
Ela suspirou e girou para frente, nem mesmo se dando o trabalho de mencionar a existência de uma senha. Era só para Draco que ela exigia a senha, ocasionalmente trocando-a sem seu conhecimento só para se divertir.
Harry a atravessou, batendo polidamente no batente da porta para dar ao sonserino o aviso de que ele estava entrando. "Draco?"
O garoto estava sentado no sofá, a mesa cheia de rolos de pergaminho tinha sido arrastada até ele, que tinha uma pena na mão enquanto escrevia qualquer que fosse a redação que ele estava fazendo. Ele olhou para cima distraído pela interrupção, olhos cinza piscando algumas vezes antes de focarem-se apropriadamente no outro.
Ele sentou-se direito, então e espreguiçou-se. "Então o Trio de Outro está de volta a sua antiga glória?"
O grifinório ergueu uma sobrancelha e moveu-se para se sentar, colocando um dos pés na borda da mesa, só para irritar o loiro. "Você não precisa parecer tão infeliz com isso."
O olhando feio, Draco o cotovelou até que ele removesse o pé ofensivo. "Bem, eu dificilmente pareço extasiado," ele jogou. "Deus, você é um idiota, Potter."
"O que aconteceu com 'Harry'?"
"Estou bem irritado com você! Vai continuar 'Potter' até a segunda ordem!"
O grifinório rolou os olhos e preparou-se para a chiadeira inevitável.
Certamente, o sonserino atirou a pena para o lado e virou-se para ele, os braços cruzados. "Eu não posso acreditar que tudo o que o Weasley tem de fazer é murmurar algumas desculpas de merda e você o aceita de volta como se nada tivesse acontecido. Merlin, se ele estivesse na Sonserina..." Com satisfação maliciosa, Draco imaginou exatamente em como o bruxo ruivo seria ensinado a respeitar seus superiores. "Você já se esqueceu como ele agiu na última semana?"
Harry o olhou de volta aguçadamente. "Sim, pra falar a verdade, já. Da mesma forma que esquecitudo o que você me fez nos últimos cinco anos." Ele sorriu distorcidamente. "É um talento que tenho."
O loiro parou no ato de abrir a boca, parecendo desconcertado. Ele estreitou os olhos. "Você queria alguma coisa?"
Harry considerou brevemente o que aquilo dizia sobre si mesmo por achar que aquele era o tratamento que ele achava confortante em horas de estresse. Ele nunca tinha imaginado que viveria para ver o dia quando discutir com Draco fosse tão sistematicamente terapêutico e... bem-vindo.
"Desde quando eu tenho de ter um motivo pra vir aqui?"
O loiro não pareceu impressionado. "Houve um tempo em que você tinha," ele apontou secamente, notando que não fazia muito tempo que eles evitariam a companhia um do outro a todo custo.
Harry sorriu, e de repente ele estava muito mais perto do sonserino. Draco forçou seu rosto a ficar em branco, tentando não sorrir afetadamente. Oh, isso deve ser divertido. Potter tentando desajeitadamente dar em cima dele, ainda estranho nesses primeiros estágios do... o que quer que aquilo fosse. Ele não estava disposto a dizer 'relacionamento' ainda. Mas já era alguma coisa ele ter adicionado um 'ainda' no final daquele pensamento...
Calmamente, ergueu uma sobrancelha, inclinando a cabeça para o lado provocador. "Além do mais, você não deveria estar enlouquecendo por causa do Lupin agora?" Soava insensível, mas ele sabia que o grifinório entenderia aquilo como fora intencionado – sua versão codificada deVocê está bem? "Que espetacularmente insensível de sua parte, Harry."
Olhos verdes escureceram por um momento, então ganharam novamente seu brilho. "É, bem, você é uma boa distração..." E isto, Draco sabia, era uma igualmente versão codificada para Não quero falar sobre isso.
Bem, ele poderia ser a distração. Falar dificilmente seria uma prioridade...
Agindo com muito mais confiança que o grifinório, desviando-se dos hormônios adolescentes que queriam deixá-lo nervoso ou ansioso demais, e ao invés disso caindo novamente nos claros instintos do lobo, Draco inclinou-se e beijou e outro garoto firmemente na boca, mantendo-o no lugar com uma mão em sua nuca, seus dedos emaranhados nos fios negros.
Ele se afastou depois de alguns momentos, observando com satisfação a reação atônita que ele tinha causado. "Distraído?"
Olhos largos, com um vago sorriso surpreso, Harry assentiu. "… Chegando lá," ele admitiu. Então, percebendo o que eles estavam fazendo, ele baixou os olhos quando suas bochechas coraram. "Isto é... muito estranho."
O sonserino rolou os olhos. "Bem, duh..." ele murmurou. "O que você esperava? Que a gente fosse entrar facilmente em algum acordinho?" Ele escondia seu próprio desconforto injetando mais sarcasmo do que era necessário.
"Não, eu não esperava isso..." Ele continuou a olhar para baixo, assistindo os longos dedos de Draco brincar vagamente com sua gravata grifinória. Irônico, ele pensou, que agora fosse o outro garoto que se sentisse mais confortável com aquilo, mesmo que Draco tivesse lutado mais contra a situação.
Enquanto isso, o loiro o encarava intensamente, com o cenho franzido. Ao mero hesitar de Harry, ele tinha sentido seu estômago congelar. Ele podia fazer aquilo? Valia a pena o risco de tentar...? Se ele se deixasse acostumar com aquilo – acostumar com a idéia de que talvez, talvez eles pudessem fazer aquilo funcionar – e então algo desse errado...
E se as pessoas descobrissem? Eles estariam dispostos a sofrer a inevitável publicidade e controvérsia que viria a seguir? Ele seria capaz de jogar mais uma bomba em sua mãe, que já tinha sido misericordiosa em perdoá-lo pela vergonha de ser um lobisomem...?
E se Potter não estivesse tão sério com isso como ele dizia? Com certeza ele não poderia estar. Assim como Draco, ele nunca tinha feito aquilo. Ele não sabia o que aquilo envolvia. Ele não sabia no que estava se metendo. Para ele, aquilo era um experimento. Talvez ele fosse gay, talvez não – isto era um jeito conveniente de descobrir.
E mesmo que ele estivesse sério, em sua nobreza grifinória, para ver onde isso ia dar, fora da curiosidade ou algo mais, ele não tinha idéia da extensão das expectativas de Draco. E Draco não podia se conter. Ele não tinha escolha a não ser considerar no que ele estava entrando mais seriamente do que ele jamais tinha considerado qualquer coisa.
Era estúpido o que ele estava fazendo. Tentando satisfazer aquela necessidade dele, mas apenas conseguindo essa... experiência que não poderia durar. Ele não se iludia de que aquilo iria durar. Aquele era Harry Potter, destinado a glória do mundo da Luz, o salvador do mundo bruxo e mártir de sua geração, que sem dúvida se casaria com alguma garotinha bonita e respeitável e produziria três ou quatro pirralhos. Aquele futuro cor-de-rosa certamente não incluía ao seu lado um bruxo homem, lobisomem e que estivera do lado das Trevas.
Balançando a cabeça, Draco começou a se soltar do outro garoto, de repente desejoso por distância.
"Não," Harry falou automaticamente, e o loiro congelou no lugar a despeito de si mesmo.
E aquele era o sinal de que nem tudo estava bem, certo? As coerções. Elas ainda funcionavam, mesmo que Draco tivesse cedido ao que o lobo queria; cedido e confessado que, sim, ele de fato queria seu parceiro.
O grifinório suspirou. "...Desculpe," ele murmurou, quando percebeu o que tinha feito. "Estou tentando..."
"Eu sei," o loiro respondeu em voz baixa, mas não tinha certeza se ele acreditava naquilo ou não.
Ainda assim, agora era dificilmente o momento para entrar numa discussão sobre isso. Toda vez que ele olhava para o outro garoto, ele podia ver as sombras de preocupação e estresse por trás dos olhos verdes, e Draco sabia que não podia adicionar mais ali, não importava o quão frustrado ele se sentisse. Ele podia ser altruísta. Às vezes.
Deixando seus próprios sentimentos de lado, ele forçou um sorriso. "É, bem, a prática leva à perfeição," ele comentou. "Continue tentando, Potter."
Harry finalmente ergueu os olhos, divertido, bem a tempo de encontrar-se com uma braçada de distração loira.
Ele passou o dia e o final da tarde no quarto do sonserino. Eventualmente, Draco voltou a terminar qualquer que fosse a lição que ele estivera fazendo, e Harry o assistiu fazê-lo em profundo silêncio.
Eles tinham se beijado e tentado umas apalpadelas por cerca de uma hora, e para sua leve mortificação, Harry ainda podia ver a evidência na forma de sua própria mordida, escura contra a garganta pálida. Ele corou ao olhar para ela, mas não conteve um sorriso.
Mas embora ele estivesse contente com uma felicidade levemente embaraçada, nada que ele fizera colocava seus pensamentos em ordem. Enquanto as horas passavam, sua mente apenas se tornava mais e mais preocupada.
No começo, ele estava pensando apenas em Remus, freneticamente se perguntando se o homem estava bem, se ele estava voltando ou não, e que novo horror ele traria com ele se voltasse.
Então, enquanto continuava a assistir sua companhia sonserina, pensamentos emergiram criando novas preocupações.
Remus tinha sempre dito que lobisomens tinham um parceiro para a vida. E pelo que Harry tinha entendido, havia apenas uma única pessoa no mundo que podia preencher a posição de 'parceiro'. Não havia escolha quanto a pessoa, e nenhuma garantia de que o lobo encontraria essa pessoa. Mas quando e se ele encontrasse, Remus tinha dito, não haveria mais ninguém. Então, o que diabos Draco estava fazendo com ele, quando ele deveria saber que tinha um parceiro real por aí, em algum lugar...?
Harry não estava a fim de contemplar os motivos de Draco, entretanto, e empurrou os pensamentos para longe de sua cabeça.
Em algum momento próximo a hora de recolher, ele notou o sonserino começar a cochilar e sacudiu a cabeça em exasperação. Merlin, mas Draco ficava cansado ridiculamente cedo. Ele realmente tinha que começar a provocá-lo quanto a isso...
E então, não demorou muito para ele encontrar-se olhando para o nada, Draco jogado ao seu lado, a cabeça descansando em seu ombro. Até mesmo Vanima estava enroscada próxima à lareira, há muito adormecida, longe de lhe servir de entretenimento.
Ele espreguiçou-se, tentando desembaraçar o nó em suas costas sem incomodar o loiro que cochilava. Quase imediatamente, ele sentiu algo espetar seu lado e suspirou em frustração. Irritado, ele torceu o braço às suas costas e apalpou em volta até encontrar o objeto ofensivo. Agarrando-o, ele o pegou, e encontrou-se puxando um pesado livro de onde ele tinha sido enfiado e perdido sob as almofadas do sofá.
Intrigado, ele olhou o livro curiosamente. Por que Draco o tinha largado ali, ao invés de tê-lo colocado na prateleira em seu quarto...?
Pousando-o sobre o braço do sofá, ele examinou a capa. Era um livro sobre lobisomens, percebeu rapidamente. Fazia sentido. Remus provavelmente devia ter-lhe dado o livro então ele poderia estudar a maldição e aprender mais sobre ela.
Preguiçosamente o abrindo, ele correu os dedos pelas páginas, traçando com eles as palavras de introdução. Entediado, ele percebeu que não tinha nada melhor para fazer do que ler a coisa, considerando que Draco estava fora de jogo enquanto ele permanecia completamente acordado.
Folheando mais a frente, ele de repente notou que algumas páginas tinham sido marcadas. Virando uma delas aleatoriamente, ele esquadrinhou o título do capítulo, ergueu uma sobrancelha, e começou a ler.
Capítulo Dezoito: Parceiros de lobisomens...
