Autora:Sakuri

Tradução:Malfoy-Moraine S.A

Pares:Draco Malfoy e Harry Potter

Classificação:R

Disclaimer da autora:Esta história é baseada nos personagens e situações criadas por JK Rowling.

Disclaimer das tradutoras:Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem esta história. Harry Potter é da tia Joka e a fic, da Sakuri. Nós só a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos:SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite. :D

Notas:Werewolf!Draco


Capítulo 39: Alguma Coisa em Comum

Na privacidade de seu dormitório, Severus encarou a marca em seu antebraço e silenciosamente a desprezou.

Ele a odiava agora mais do que já a tinha odiado em anos. Ela o enojava. Ele não conseguia se concentrar em nada mais além do ódio. Queria que ela se fosse, queria sua pele limpa daquela maldição, daquela desfiguração, e teve que resistir à vontade de esfregar as unhas contra ela.

Cada vez mais comum, isso vinha acontecendo há dias. Não, há uma semana, ele percebeu.

Uma semana desde que Lupin se fora.

Uma semana desde que ele havia sido chamado por aquela mesma marca que queimava invariavelmente em sua pele. Em nenhum momento aquela dor entorpecedora da tatuagem havia aumentado nem diminuído. Ela simplesmente continuava, uma sensação constante, imutável, que não lhe dizia nada das ações ou emoções do Lorde das Trevas.

Ele desprezava a marca completamente. Não tinha nenhuma utilidade para ele! Se a dor tivesse aumentado em algum momento, ele poderia saber… poderia ter adivinhado o destino de Lupin. A Marca normalmente só doía daquela forma se o Lorde tivesse cometido algum assassinato particularmente satisfatório. Como o de um lobisomem próximo de Potter.

Mas não havia nada. Nenhum sinal vindo da tatuagem, nem bom nem mal, do que havia acontecido nessa última semana.

Ele imaginou Potter, com sua cicatriz e ligação - da mesma forma inútil - com o Lorde das Trevas, entendia seu humor como ninguém mais. Nenhum dos dois sabia o que estava acontecendo – o que talvez fosse a pior parte – embora ele suspeitasse que o garoto estivesse praticamente convidando visões das atividades do Lorde, assim como ele as havia recebido no ano passado, quando conseguira salvar a vida de Arthur Weasley como resultado. Quão frustrante que ele não pudesse ver nada sobre Lupin…

Severus fechou seus olhos em exaustão. Agora, em seu desespero, ele podia admitir, nos confins privados de sua mente, que ele evidentemente... se importava, de algum modo, com o lobisomem, por mais desagradável que a mera idéia fosse.

Ele sabia que Legilimencia tinha sido uma má idéia...

Ele tinha caído numa armadilha em algum lugar do caminho. Ele tinha acabado por conhecer o homenzinho maltrapilho, e isso não devia acontecer! Ele não queria ter ninguém em sua vida que realmente pudesse ter algum efeito quando partisse! Era por isso que ele e Narcissa haviam sido aliados tão bons: sua amizade era clínica , ambos sabendo que uma ligação verdadeira não era possível ou prática.

Quando foi que ele havia deixado de seguir aquela regra?

Suspeitava que fosse, de alguma forma, culpa de Lupin. Não era sempre culpa de Lupin...? Maldita peste grifinória! Arruinando com suas reservadas sensibilidades sonserinas...

Sem convite, o pensamento de que a peste grifinória provavelmente não estaria por perto por muito mais tempo para criar mais problemas lhe ocorreu.

Severus suspirou e massageou suas têmporas.

Ele suspeitava que devia ser grato por, mesmo nesse estado enfraquecido, não ser tão emocional quanto Potter. A bagunça em que o garoto havia se tornado era digna de exame.

E em seguida a esse pensamento veio sua pena por Draco. Paciência nunca tinha sido o ponto forte de seu afilhado. E tão próximo da lua cheia, que nasceria essa noite –

Ele se sentou mais reto em sua cadeira, tão rápido que machucou seu pescoço, seus olhos arregalados e fixos sem realmente ver.
E naquele momento, com a Marca inútil ou não, ele soube qual seria o destino de Lupin.

oOo

Draco se considerava um santo. Um santo!

Ele havia gastado cada reserva de tolerância, compaixão e afeição que ele tinha pelo Garoto que Sobreviveu nessa ultima semana, mas Merlin lhe ajude, seus nervos estavam acabando. Como os famosos comparsas de Potter haviam conseguido agüentá-lo por cinco anos de crises sem ficar loucos, ele jamais saberia, porque ele mal estava agüentando uma semana. Ele estava quase -quase - desenvolvendo algo parecido com respeito por Weasley, parando para pensar.

Oh sim, agora ele se lembrava do Salvador Suicida do início do ano. Bem, ele estava fazendo seu retorno indesejado, e Draco não sabia que merda tinha que fazer para melhorar a situação. Ele dificilmente era o tipo consolador, afinal...

Além do mais, o que alguém faz ou diz para consolar uma pessoa como Harry?

O garoto elevava 'problemático' a um novo nível. Com qualquer outra pessoa, Draco já teria desistido há muito tempo e a condenado ao seu próprio melodrama. Ele estava cansado de encontrar uma Granger em estado de pânico meia hora antes do toque de recolher, só pra perceber que ambos haviam conseguido perder o idiota de vista de novo. E então - oh, a parte divertida – ele começou a passar seus finais de tarde procurando pelos terrenos do castelo, normalmente para encontrar o grifinório próximo ao lago – o lago! – encharcado e congelando e cheio de angústia adolescente.

E também havia os momentos de raiva que vinham quando Draco menos esperava. Ocorreu-lhe, durante o segundo round de xingamentos que eles trocaram por volta da quinta-feira, onde Potter o informou de que ele era um idiota de coração gelado com o emocional de uma pedra, e Draco retaliou sugerindo calmamente que o Herói do Mundo Mágico fosse de uma vez cortar os pulsos e acabar logo com aquilo – ocorreu-lhe que talvez ele não estivesse o suficientemente bem equipado para ser um homem-de-suporte.

Isso o tinha levado até ali.

Que Merlin lhe ajudasse, se isso não mostrasse volumes sobre o seu compromisso com o bastardo ingrato, ele não sabia o que mostraria...

Diretamente de frente para ele, Weasley o encarava estupidamente. Deus. Mesmo com sua promessa de ser civil, ele não conseguia deixar de zombar da expressão idiota do outro bruxo. Granger pigarreou alto, obviamente o reprimindo, mas ele a ignorou e olhou para outro lado, desdenhoso.

Os três haviam conseguido lugares no fundo da biblioteca, imperceptíveis para qualquer um que pudesse passar. Draco ainda não conseguia acreditar que tinha concordado com aquilo, mesmo assim ele se sentou, finalmente um membro do famoso trio, e como ele odiava aquilo...

"Imagino que você o tenha deixado em algum lugar onde seus colegas de casa vão conseguir ficar de olho nele?", ele falou pausadamente, dando uma olhada em Granger.

Foi Weasley quem respondeu – sem ser convidado, ele podia acrescentar. "Ele não é um retardado mental, Malfoy. Do jeito que você diz, qualquer um pensaria que ele está pronto para se jogar da torre de Astronomia..."

Olhos cinzentos se estreitaram. "Eu sei que você consegue ser extremamente lerdo para perceber as coisas, mas não deu pra perceber ainda que Harry apresenta sinais clássicos de depressão -?"

A bruxa em meio a eles se inclinou para frente, cortando o que ele estava dizendo. "Parem com isso, vocês dois," ela sibilou. Então, se acalmando, continuou. "Eu o deixei com Ginny, Neville e Luna, e ele tem treino de Quadribol daqui a pouco. Ron vai estar lá com ele, e essa tarde eu vou -"

"Eu não acredito que você está agendando as coisas," Ron murmurou, seu queixo descansando pesadamente em sua mão.

"Eu não acredito que estamos contando com você," Draco respondeu imitando-o, recebendo um gesto ofensivo, para o qual ergueu uma sobrancelha indiferente.

Hermione suspirou e esfregou os olhos. "Ok. O negocio é... eu acho que vamos ter que enfrentar o fato de que... bem, é bem possível que Lupin não vá voltar."

O sonserino lutou para não mostrar nenhuma reação, mesmo quando o lobo nele levantou as orelhas e choramingou, triste com a perda do líder de sua matilha.

"Nenhum de nós era tão próximo dele como Harry", ela continuou, sem perceber o humor cada vez mais sombrio do lobisomem, "mas é obvio que ele esta tendo tantos problemas com isso como teve com a morte de Sirius. Ron, você viu ele da última vez..."

O ruivo murchou. "É... Mas nós não sabíamos como tirá-lo dessa na época. O que faz ser diferente agora?" Ele deu uma risada de divertimento cínico. "Espero que você não esteja contando com a presença curadora do Malfoy..."

Draco resistiu à vontade de chutar o outro por baixo da mesa, mas por muito pouco. Mesmo assim, o idiota havia levantado um ponto, embora fosse ser difícil comunicá-lo com ele sentado ali.

Encarou Granger até que ela percebeu que ele estava tentando ganhar sua atenção. "Você percebe que eu não vou ser de muita ajuda pelos próximos três dias, não é?" ele perguntou, confiante de que o ruivo não entenderia ao que ele estava se referindo mesmo se estivesse segurando um cartaz luminoso.

Ela assentiu, entendendo o que ele queria dizer. Com a transformação tão perto, ele mal tinha auto-controle para não se entregar em situação cotidianas, seu temperamento normalmente no limite. Discutir com Harry ou se preocupar desnecessariamente a cada vez que ele desaparecia sozinho estavam lhe deixando no limite. Ele alegremente se trancaria na solidão de seu quarto até que a lua cheia tivesse acabado, o que infelizmente significava que ele não iria correndo até o lago às onze da noite só para arrastar o grifinório de volta para o castelo.

Foi por esse motivo que ele se deu por vencido e concordou em cooperar com esses dois. Tinha que ter alguém em quem pudesse confiar para manter um olho em Potter enquanto ele estivesse incapacitado – e enquanto ele não confiaria no Weasley para fazer esse trabalho nem em um milhão de anos, Granger era prática o bastante para que ele pudesse confiar.

"O que você quer dizer com você não vai ser de muita ajuda?" Ron demandou subitamente, fechando a cara. "Eu sabia que você não se importaria mesmo com -"

"Oh, cresça, Weasley! Se eu 'não me importasse' você acha realmente que eu estaria me sujeitando a sua companhia?"

Hermione suspirou e viu a reunião ir por água abaixo. O único motivo para eles estarem ali era para tentar arrumar uma maneira de tomar conta de Harry, mas eles não pareciam conseguir trabalhar juntos de jeito nenhum. Mas também, o que ela esperava colocando Ron e Draco juntos na mesma sala...?

Ela olhou para o sonserino, bem a tempo de ver sua expressão mudar para raiva. Ela percebeu um momento de olhos azul-gelo antes que ele olhasse para o outro lado, irritado.

Hermione se surpreendeu ao perceber que sentia certa simpatia pelo garoto. Era óbvio que ele estava fora de sua área, tentando lidar com a tristeza de seu parceiro sem saber por onde começar. Pelo menos ela e Ron tinham certa experiência nesse tipo de situação. Ela suspeitava que ele estava fazendo o melhor que podia, com a pouca capacidade emocional com que Lucius lhe havia deixado.

"Ok. Acho que acabamos aqui." Disse abruptamente, levantando-se. Olhou para o loiro e assentiu. "Ele vai ficar bem."

Draco zombou. "São só três dias, Granger. É melhor que fique." E com isso, ele os deixou, saindo da biblioteca com uma dignidade altiva.

Ron se virou para ela. "O que tem de tão importante nos próximos três dias? Você sabe de alguma coisa que eu não sei?"

Ela deu de ombros evasivamente. "Não faço idéia. Talvez seja – Oh. Acho que perdi um brinco. Você não consegue vê-lo, consegue?"

Ela olhou enquanto o ruivo obedientemente procurava sob a mesa e decidiu que aquela tinha sido a pior mudança de assunto que ela já tinha usado.

Principalmente porque ela não estava usando brincos.

oOo

Há algumas milhas dali, nas bordas do pequeno vilarejo bruxo de Hogsmead, os primeiros sons de aparatação soaram, abafados pelo vento frio e neblina que cobriam o ar. Rapidamente, o espaço deserto em torno da Casa dos Gritos se encheu com bruxos de vestes escuras, tão rápido que, mesmo que os habitantes de Hogsmead tivessem notado sua aparição, eles nunca teriam tempo para fazer nada...

oOo

Harry sentiu como se alguma coisa o tivesse acertado entre os olhos. Ele engasgou e levou uma mão até a testa, onde dor explodia como pequenas estrelas por trás de seus olhos. Ele percebeu Ron segurar seu braço para mantê-lo em pé, e falar preocupadamente em seu ouvido, mas as palavras não o alcançavam.

Imagens estavam passando no fundo de sua mente, a visão que vinha querendo e esperando desde que Remus partiu.

oOo

Severus estava nervoso, indeciso pela primeira vez na vida.

O que ele deveria fazer? Dizer a Dumbledore? O que, exatamente, ele iria dizer? Tudo o que ele tinha eram adivinhações, especulações, uma vaga teoria baseada na crença de que ele podia prever os motivos do Lorde das Trevas.

Mas fazia sentido. Com uma estranha intuição, Severus sabia – ele sabia - porque Lupin tinha sido marcado, porque ele tinha sido levado, e o que estava para acontecer nas próximas noites de lua cheia.

E se ele lhes dissesse, e eles acreditassem em Severus, e então? O que fariam? O que eles podiamfazer?

Antes que ele pudesse remoer mais um pouco o assunto, a lareira reluziu numa coloração esmeralda. Ele não se assustou, com uma sensação de resignação, ele se virou para ela para ver Minerva o olhando com olhos grandes e escuros.

"Severus, recebemos notícias de Hogsmead, ela está -"

"Sob ataque," ele terminou por ela, sem emoção.

Minerva piscou. "O que – Como você sabia?"

"A marca." Ele responde rapidamente, e embora fosse verdade que ela tinha começado a doer cerca de vinte minutos antes, ele sabia mesmo antes disso.

"Bem, Dumbledore está chamando os membros da Ordem para encontrá-lo em seu escritório. Vá ver sua Casa primeiro, Severus, garanta que eles permaneçam em sua sala comunal até segunda ordem. Em alguns minutos, o Diretor vai fechar a rede de Flu, todas menos a da lareira dele. A escola está fechada."

Ele assentiu para mostrar que entendia e a viu desaparecer, a lareira ficando fria e escura na ausência das chamas verdes.

Por longos momentos, ele ficou congelado no lugar, lutando consigo mesmo. Sua lealdade a Dumbledore – sem mencionar o simples senso comum – o incentivavam a cumprir com suas obrigações como Minerva o havia instruído. Ele devia estar checando os sonserinos. Ele devia estar se encontrando com o resto da Ordem, ouvindo o plano de defesa sendo traçado por eles.

Mas…

Ele apertou as mãos em punhos e fechou os olhos, tentando se concentrar.

Foi por isso que Lupin foi Marcado. O Lorde das Trevas provavelmente nunca tinha confiado nele, vendo-o meramente como uma arma. Ele estaria lá esta noite, sem dúvida contra sua vontade, mas lá de toda forma. E se Severus sabia alguma coisa sobre estratégias dos Comensais da Morte, eles não teriam lhe dado Mata-Cão. Eles o deixariam se transformar, perder sua mente, e soltá-lo no vilarejo.

Era um ato terrorista.

Seria trabalho da Ordem pará-lo, se eles pudessem. Até que ponto chegariam? Eles estariam prontos para matar ou capturar?

Eles teriam alguma chance...?

Mas...

Movendo-se automaticamente, ele rapidamente retirou sua capa externa que tendia a se embolar no meio de uma luta, se certificando de prender sua varinha na manga da blusa negra que ele usava por baixo. Então, amarrando seu cabelo, também para maior eficiência, ele foi em direção à porta.

No entanto, uma vez lá, parou; sua mão apertando a maçaneta com força de mais.

Ele estava pronto para fazer parte da Ordem essa noite, sabendo o que eles teriam que fazer? Ele sempre tinha se orgulhado de ser capaz de fazer o que fosse necessário, por mais terrível, controverso ou condenável que fosse. Ele já devia estar acostumado com isso. Não tinha ele mesmo discursado para Lupin sobre os sacrifícios da guerra?

Mas...

Virando-se, ele foi rapidamente até as prateleiras no fundo de seu quarto, pegou um frasco de poção e partiu para o corredor, com a porta batendo atrás dele.

oOo

Abençoadamente ignorante do pânico que subitamente se abatia sobre a escola, escondido em seu quarto privado onde ninguém havia ainda pensado em avisá-lo, Draco engoliu o resto da Mata-Cão com uma careta e colocou o copo sobre a mesa, voltando ao livro que ele somente pegava quando estava se sentindo particularmente triste consigo mesmo. Ele tinha acabado de chegar na parte em que o Senhor Darcy pela primeira vez viu Elizabeth Bennet...

Ele pulou assustado quando o retrato girou. Olhando para cima em surpresa, viu Harry entrar no quarto irradiando urgência. O sonserino piscou, seu primeiro pensamento coerente sendo o por que de o grifinório não estar lá em baixo no campo de Quadribol, como Granger disse que ele estaria.

Então percebeu o sangue.

Draco estava de pé em um segundo, praticamente prendendo o outro garoto contra a parede em sua insistência de examinar sua testa, onde a cicatriz em forma de raio se destacava num vermelho violento.

"O que aconteceu?"

Harry empurrou as mãos preocupadas para longe impacientemente. "Visão," ele murmurou. "Draco, Remus ainda está vivo."

O sonserino levou um segundo para absorver a informação. Ele encarou o outro sem palavras por longos momentos, então sacudiu a cabeça. "Tem certeza?"

"Sim," Harry disse rápido, mesmo enquanto se abraçava contra a culpa que pesou em seu estômago. Certeza. Da mesma forma que ele teve certeza de que Sirius precisara dele da última vez...

Mesmo assim, ele não podia arriscar. E o que havia para perder de qualquer jeito, se Remus já não estava ali?

"Nós temos que ir. Nós temos que ir agora, eu tenho que fazer alguma coisa!"

Draco se adiantou e segurou os ombros do outro, tentando acalmá-lo até que ele pudesse entender o que estava acontecendo. "Do que você está falando?"

"Eles estão atacando Hogsmead -"

"O quê?"

"Agora! E eles têm Remus. Draco… ele não tomou a Mata-Cão."

O loiro permaneceu imóvel enquanto a situação se abatia sobre ele. Ele encarou os olhos verdes nervosos, e imediatamente viu a intenção neles.

"Você não vai até lá em alguma... alguma missão de resgate!" Para dar ênfase a suas palavras, suas mãos apertaram mais aonde seguravam o outro e ele viu o grifinório se encolher e tentar se soltar. Ele não afrouxou o aperto.

"Me larga. Eu vim aqui porque acreditei que você ia entender!"

Draco parecia incrédulo. "Você não pode esperar que eu incentive seu heroísmo retardado!"

"Eu esperava que você fosse me ajudar!" Com certo esforço, Harry se soltou com um empurrão no peito do loiro. "Você não se importa? Eles vão fazê-loe atacar pessoas inocentes!"

"Isso não significa que você tem que -"

Harry nem ao menos o deixou terminar. Ele se virou, de volta para o retrato, abrindo uma fração dele e dando uma olhada no corredor. Ele não tinha tido a chance de passar em sua sala comunal e pegar a Capa e o Mapa, que era a única razão para McGonagall ainda não tê-lo encoleirado. Ele teria que arriscar chegar a uma das passagens secretas sozinho, sem o uso de nenhum dos itens.

Foi por isso que ele havia passado ali. Não, ele não queria arrastar Draco para a batalha, mas ele gostaria de aproveitar seus sentidos de lobisomem, só até ele conseguir sair do castelo. Teria sido muito mais fácil evitar ser pego.

Vendo que o caminho estava livre, ele fez menção de dar um passo para o corredor, mas a mão de aço do lobisomem agarrou em seu pulso.
"Potter, não se atreva a ir embora desse jeito!"

Ele foi puxado de volta e virado, o abraço de Draco o envolvendo e prendendo seus próprios braços aos seus lados, não permitindo que ele se movesse. O queixo do sonserino descansava em seu ombro, olhando além dele, então quando ele falou, sua voz soou próxima do ouvido de Harry.

"Você não vai desaparecer por aí sozinho. Você pode ser morto! Eu sei perfeitamente bem que você tem um complexo de heroísmo, mas pelo amor de Merlin-"

"Draco..."

O loiro o ignorou com dificuldade. "Você sabe que eu poderia fazer você ficar aqui, mesmo que isso signifique que eu tenha que fazer isso por tanto tempo quanto for necessário!" Ele apertou seu abraço quase dolorosamente.

Harry não tentou lutar. "Eu poderia fazer você soltar." Ele disse simplesmente, e esperou pela reação.

As unhas de Draco arranharam possessivamente suas costas. "Você disse que não usaria a compulsão!"

"Isso é diferente! Isso é importante!"

"Merda!" frustrado, ele empurrou o grifinório para longe o mais forte que pôde. Esquecendo a força de lobisomem, ele o mandou contra a parede, onde Harry resmungou de dor.

Potter se segurou antes que caísse, e lançou uma olhada letal para o loiro. "Ótimo." Ele cuspiu, e tentou sair de novo.

Draco o encarou numa indecisão furiosa. Ele não queria nada mais do que fazer exatamente o que tinha ameaçado – segurar seu parceiro à força e, se fosse preciso, sentar em cima dele até que ele desistisse daquela idéia ridícula. Mas ele não podia, porque as compulsões faziam isso impossível. Ele ainda não podia desobedecer uma ordem direta do outro garoto, como Harry bem sabia.

Mas isso significava que a única outra opção seria ir com ele. Caminhar para o perigo porvontade própria. Colocar seu corpinho precioso em risco pelo bem de outra pessoa!

Ele era um Malfoy! E um sonserino! Nenhum dos dois faria algo tão estúpido se tivesse uma alternativa. E...

Ele podia negar o quanto quisesse, mas lá no fundo, ele era um pouco covarde. E quando ele dizia 'um pouco'-

Oh, pelo amor de Merlin. Jogando pensamentos sensíveis como esse pela janela, ele se apressou para alcançar Harry.

O grifinório tinha saído em disparada do dormitório e estava na metade do corredor, sem fazer realmente idéia de para onde estava indo, quando percebeu que Draco o tinha seguido por todo o caminho. Se virando para o outro garoto, ele cruzou os braços e perguntou forçosamente. "O quê?"

Olhos cinzentos o encararam friamente. "Eu vou com você, o que você acha? Se por nada mais, você toparia com Filch em cinco minutos sem mim." Então, calmamente, ele avançou.

Harry engoliu um insulto e o seguiu. "Você não tem que -"

"Nem ao menos termine essa frase, Potter. Pelo menos me dê um pouco de respeito." O loiro curvou um lábio desgostoso. Ele não podia acreditar que estava não apenas permitindo essa estupidez, mas ajudando também. Mesmo assim, que chance ele tinha, realmente? Era isso, ou deixar o imbecil ir de encontro à própria morte completamente sozinho em nome da nobreza.

Pelo menos desse jeito, ele tinha um lobisomem absolutamente irritado ao seu lado. Não que fosse uma diferença tão grande, Draco pensou secretamente.

Harry se apressou para alcançá-lo, e empurrou o sonserino para a direita quando ele quase pegou o caminho errado. "Nós vamos pegar a passagem secreta para a Dedos-de-Mel." Ele explicou. "É por aqui."

"...Passagem secreta? Como diabos você conhece uma passagem secreta?"

"Me lembre de te contar alguma hora."

Eles continuaram em silêncio, Harry lançando olhares cuidadosos para Draco sempre que ele achava que o sonserino não iria perceber. Draco, no entanto, estava aguçando sua audição lupina ao limite, tentando ter certeza de que eles não iriam fazer uma curva para dar de cara com algum professor procurando por alunos errantes. A escola o deixava nervoso desse jeito. Ainda estava claro lá fora, mas a escola estava completamente deserta, o silêncio ressoando muito alto em seus ouvidos.

"...Eu tenho que fazer isso, sabe." O grifinório murmurou.

Sua companhia não respondeu.

"Eu tenho... eu só... eu não espero que você vá além do que você precisar ir. Eu não quero que você se machuque, então você pode ficar aqui e contar a Ron e Hermione -"

Draco, que não estava prestando a menor atenção ao que ele estava dizendo, esticou um braço, pressionando-o contra o peito de Harry e fazendo o grifinório perder o fôlego. Antes de perceber o que estava acontecendo, Harry tinha sido arrastado para trás de uma armadura e tinha um sonserino pressionado contra si, fazendo gestos de silêncio freneticamente.

Sem emitir um som, ele mexeu a boca, "Tem alguém vindo."

Eles estancaram e tentaram ouvir, Harry desejando que eles tivessem algo mais para se esconder do que uma inadequada armadura. Num primeiro momento, ele não conseguiu ouvir nada, mas não demorou muito até que ele, também, ouvisse passos apressados se aproximando rapidamente, e o quase inaudível sussurrar de vozes.

Ele percebeu Draco franzir o cenho em confusão um segundo antes de uma das vozes murmurar em voz ligeiramente mais alta, "Harry?"

Lentamente, eles espiaram o corredor. Não havia ninguém.

Novamente, a voz chamou. "Harry! Olha, Ron, eles estão aqui!"

O grifinório piscou, perplexo, quando viu um tremeluzir de movimento e duas figuras se materializarem no ar. Ron estava segurando o Mapa dos Marotos, e a seu lado estava Hermione, a capa da invisibilidade sobre um de seus braços.

"O que vocês estão fazendo aqui?" ele quis saber assim que percebeu que eles deviam estar procurando por ele.

Hermione o encarou. "Eu sabia que você ia fazer alguma coisa do tipo! Assim que ouvimos as notícias eu fui conferir o Mapa, e lá estavam vocês dois, se esgueirando pelos corredores! Evocê!" Ela virou-se para Draco. "O que, se eu posso saber, aconteceu com o 'mantê-lo à vista'?"

O loiro quase se engasgou indignado. "Eu quero que você saiba que eu tentei pará-lofisicamente!"

"Funcionou bem, pelo que vejo!"

Pego no meio de assistir a discussão e se perguntando o que fazer para interromper os dois antes que eles fizessem muito barulho e fossem pegos, Harry não notou Ron escorregar para o lado dele até ser cutucado nas costelas pelo amigo. "Ei, olha isso aqui."

Ele deu uma olhada na expressão desconfiada que Ron usava, e dele para o Mapa e para onde o Weasley estava apontando. Depois de um momento, ele também franziu as sobrancelhas.

"Vocês dois. Venham aqui."

Hermione e Draco viraram-se com expressões idênticas, irritados por terem sido interrompidos no que eles imaginavam ser uma discussão racional. Finalmente, entretanto, eles se aproximaram e todos se curvaram sobre o mapa – o sonserino demonstrando apenas um breve momento de surpresa pela criação – para ver um pontinho intitulado Severus Snape movendo-se para a saída do castelo.

Hermione franziu o cenho. "O que ele está fazendo? Todos os professores estão no escritório do Dumbledore, ou com os estudantes..."

Ron grunhiu. "Eu sabia! O idiota é realmente um Comensal da Morte! Aposto que ele está se preparando pra se juntar a eles!"

Draco fez um som de desdém. "Não seja estúpido, Weasley, ele não -" Ele interrompeu-se abruptamente, os olhos esbugalhados. "Oh, meu Deus."

"Qual o problema?"

O sonserino voltou olhos arregalados, incrédulos, para Harry. "Ele é tão insano quanto você!"

"O que...?"

Eles encararam o mapa em silêncio, o significado das palavras de Draco lentamente os pegando.

"Não pode ser..." Ron murmurou eventualmente, sacudindo a cabeça. A idéia de Snape fazendo uma boa ação, especialmente aquela boa ação, invertia a ordem natural das coisas em sua cabeça.

O sonserino observou o pontinho que representava seu padrinho enquanto seus pensamentos se aceleravam. "Harry, onde é a tal passagem que você falou?"

A passagem estava indicada três andares acima.

Muito longe. Especialmente se eles pensavam em andar o caminho inteiro até Hogsmeade. Não, ele tinha idéia melhor.