Notas das tradutoras: Ae! Ae! Ae! Quem é vivo sempre aparece, porque se aparece é porque 'tá vivo! Ou então é morto-vivo, corram pras colinas! D8

É ÓBVIO que é muito mais emocionante fazer um suspense pelo clímax de uma história, todo grande autor sabe disso, por isso que demos essa pausa de DOIS ANOS. u_u

Tá aí o penúltimo cap. da Loba Platinada. Até daqui dois anos! VEM GENTE!


Capítulo 41: Demonstrações de lealdade

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Harry deslizou pela colina em direção a rua da pequena vila, obrigando-se a não olhar para onde ele sabia que Draco estaria de pé, olhando-o com ar de traição. Ele estava fazendo o que tinha de ser feito, Harry disse a si mesmo. Não podia deixar Draco vir com ele. Ele simplesmente não conseguia. O lobisomem tentaria protegê-lo, assim como fez contra Ron, e em uma batalha como aquela isso iria apenas levá-lo a se ferir, ou pior.

E, mais do que isso, Draco era ... Ele era...

Não. Ele não poderia deixar-se pensar nisso agora.

Seus amigos se apressarram para manter-se no terreno escorregadio, as varinhas em punho e os olhos à procura de algum sinal de que tivessem sido notados. Do seu ponto de vista mais elevado, podiam ver Snape abaixando atrás de qualquer forma de abrigo que pudesse evitar os ataques que estava sofrendo. Harry às vezes se esquecia de como o homem era um bruxo habilidoso, mas foi fortemente lembrado do fato agora que o assistia disparar uma torrente de maldições que derrubaram um grande número de Comensais da Morte.

"A prioridade é encontrar Remus," Harry instruiu, sua respiração ofegante. "Não se envolvam em duelos se puderem evitar. Acima de tudo, tentem não ser notados."

Quando eles finalmente alcançaram terreno plano, derrapando até parar atrás de uma das lojas, fora de vista, Ron virou-se para ele. Ele estendeu a mão e agarrou seu braço, gesticulando em direção à cabana onde tinham deixado a sonserino. "Cara, o que diabos ...?"

"Agora não", Harry murmurou, tentando se afastar. "Você pode gritar comigo pelo mau gosto depois que nós -"

"Não é isso," Ron o interrompeu, embora tenha enrugado o nariz parecendo um pouco revoltado. "Não, eu quero dizer ... Deixá-lo lá em cima? Que diabos você fez com aquele babaca para ele te ouvir?"

Hermione mordeu o lábio, preocupada. "Ron -"

"E não era você discursando sobre que bruxo fantástico Malfoy é? Não lhe ocorreu que ele poderia ser um pouco útil, pela primeira vez na vida ...?"

Harry fez uma careta. "Sim, Ron, me ocorreu. Eu apenas -." Ele se interrompeu, percebendo que não havia explicação razoável que ele pudesse dar agora. "Não se preocupe. Olha, certifique-se de ficarem juntos. Lembram-se das aulas na Sala Precisa? Você está mais seguro se tem um parceiro."

Hermione olhou para ele, incrédula. "Mas - Espera Harry. E quanto a você!?"

Harry começou a se afastar deles. "Eu vou mais rápido se estiver sozinho. Confie em mim, vou ficar bem. Prometo". E com isso, virou-se e correu para a batalha, seguindo as pegadas de Snape para que ele pudesse usar os mesmos abrigos. Tarde demais, percebeu que tinham esquecido de pegar a capa depois de um furioso mestre de Poções jogá-la no chão. Ele poderia usá-la agora, enquanto tentava se esgueirar sem ser visto por uma horda de Comensais da Morte, seus olhos arregalados e alerta para quaisquer sinais de Remus.

Harry estava contente, agora, que ele tivesse feito Draco descrever-lhe algumas das magias negras que conhecia ou tinha ouvido falar. Caso contrário, ele poderia ter ficado chocado com a exibição de maldições e feitiços malignos que estavam sendo lançados em todas as direções ao seu redor. Os Comensais da Morte não se limitavam às Imperdoáveis, o sonserino tinha explicado, e agora Harry entendia o que ele quisera dizer. Comensais da Morte eram muito mais criativos.

Maldição da cegueira. Feitiço esfolador. Fogo. Dor. Harry fechou os olhos e levou um momento para se recompor, surpreso. Ele estivera errado esse tempo todo. Práticas com a AD, mesmo com a presença de Draco, não o tinham preparado para aquilo.

Correu de um esconderijo a outro, assim que ele tinha certeza de que não seria visto, concentrando-se em seu próximo destino. Ron e Hermione moveram-se furtivamente de trás de um edifício para uma loja em frente a ele, do outro lado da rua de paralelepípedos, procurando o melhor momento para uma tentativa de encontrar o lobisomem desaparecido. Harry repetiu seus movimentos da melhor maneira possível, mas era difícil procurar e evitar ser visto ao mesmo tempo.

À frente dele, uma das figuras mascaradas rebatia os ataques de um civil com facilidade. Uns poucos movimentos de sua varinha mandavam os feitiços do outro homem girando em direções aleatórias - muito parecido com a forma que Draco fazia com seus adversários, Harry pensou, antes de perceber que ele realmente tinha que tirar o sonserino da cabeça. O grifinório assistiu quando o Comensal da Morte fez um movimento com a varinha que mandou o outro bruxo girando pelo ar. Harry mordeu o lábio e se encolheu quando a vítima aterrissou com força, sua queda sendo um pouco amortecida pela neve.

Harry então apontou a varinha, esperando ouvir as primeiras sílabas da Maldição da Morte, pronto para tentar pará-lo, mas antes que ele percebesse o Comensal da Morte tinha perdido o interesse e já estava se afastando. Harry recuou apressadamente, colocando-se fora de vista atrás da esquina do edifício mais próximo.

O que aconteceu? Por que o mascarado não tinha simplesmente lançado um Avada Kedavra, em vez de deixar seu oponente onde estava, permitindo-lhe a chance de se recuperar...?

Automaticamente, Harry verificou a posição do sol, e isso respondeu sua pergunta.

Em um flash Harry soube porque tinham levado Remus até ali. Eles estavam o levando para cima dos aldeões - não apenas para matar e fazer o seu trabalho para eles, mas para transformar tantos quanto pudesse. Harry empalideceu. Voldemort queria lobisomens, e Remus estava indo a contragosto criá-los para ele. Os Comensais da Morte não mataram ninguém porque estavam esperando a lua nascer. Afinal, pessoas mortas não podiam ser infectadas por uma mordida de lobisomem, podiam...?

Harry estremeceu, enojado pela idéia. Imediatamente, sua urgência em encontrar o lobo aumentou dez vezes, e ele olhou em volta freneticamente. Ao redor dele, agora percebia, as maldições que estavam sendo lançadas, apesar de maliciosas, não eram letais.

Ele encontrou-se olhando de um lado para outro, perdendo qualquer sentido de plano que ele pudesse ter iniciado. Sua mente girava em círculos. Onde estavam os outros membros da Ordem? Por que não haviam parado isso ainda? Onde Snape tinha se enfiado? Ron e Hermione ainda estavam bem? Ele não podia vê-los. Oh Deus, o que dizer de Draco? E se alguém o encontrasse lá em cima, sozinho e preso pela compulsão que tinha sido colocada sobre ele ...? E se-

Pare.

Harry percebeu de repente que tinha sido levado pelo pânico. Deu um passo adiante, pra longe de seu esconderijo, com uma meia intenção deformada de desesperadamente encontrar Remus ali e naquele momento.

Agora, retornando à relativa sanidade, ele rapidamente girou no lugar, lembrando-se da importância de se manter fora da vista.

Tarde demais. Aparecendo em roupas pretas e uma perturbadora máscara branca, um Comensal da Morte colocou-se atrás dele, bloqueando sua rota de fuga. Harry parou, espantado com a rapidez com que cometara um erro tão estúpido. Automaticamente, ergueu sua varinha, mas algo parou o feitiço na ponta da sua língua.

Loiro platinado. Harry piscou, estranhamente sem compreender por um instante, simplesmente incapaz de relacionar a silhueta familiar com o perigo a sua frente.

Finalmente, porém, a realidade o abateu.

Lucius Malfoy estava diante dele. Harry sabia disso, embora a máscara cobrisse seu rosto pálido. Ele reconheceu o cabelo loiro pálido que escapava do esconderijo sob seu capuz, e não havia dúvida sobre os olhos fixados furiosamente sobre si, ou a familiar varinha com cabeça de serpente apontada para ele.

Agindo puramente por instinto, Harry se jogou para o chão, bem a tempo de evitar o ataque que passou por cima de sua cabeça. Ele se arrastou para trás, enquanto uma sucessão de feitiços pulverizava a neve, Lucius na sua esteira, suas intenções obviamente perigosas.

A voz que surgiu por trás da máscara era mais fria do que o gelo sob suas mãos.

"Potter. Então esta é a maldição do Lorde das Trevas, de joelhos no chão." Casualmente, ele jogou outra maldição, fazendo Harry rolar desesperadamente para o lado. "O que, exatamente," Lucius continuou, "há em você que poderia ter convencido o meu filho a se aliar com a Luz? ... Diga. Estou achando difícil de entender, eu mesmo."

Harry se viu incapaz de falar. Seu processo de pensamento tinha simplesmente paralisado enquanto ele olhava com horror para o pai de Draco, cuja varinha estava apontada para sua cabeça.

"Eu sugiro que você tente uma explicação, Potter, para que eu não me canse e o mate agora." Ele estendeu a mão e tirou capuz e máscara, dirigindo toda a força de um olhar letal na direção do grifinório. "Você e seu diretor precioso tem feito algumas coisas realmente estúpidas menino, mas ...! Você realmente acha que eu deixaria você destruir minha família sem uma palavra de protesto?"

"Eu -"

"Silencio!" ele gritou, evidentemente mudando de idéia sobre uma explicação.

Harry congelou, o pânico descendo sobre ele enquanto o feitiço silenciador fazia efeito. Ele não poderia falar e, assim, não poderia usar a magia para se defender.

Lucius zombou, maliciosamente satisfeito com o medo que viu nos olhos verdes. "Oh, eu vou gostar disso. Ouso dizer que o Lorde das Trevas vai ficar desapontado por não conseguir fazer isso ele mesmo, mas eu tenho certeza de que é uma ofensa perdoável, considerando ..." Ele sorriu cruelmente. "Você acha que pode sobreviver de novo, senhor Potter?"

Harry não poderia ter dado uma resposta, mesmo que ele quisesse. Ele agarrou sua garganta, impotente, e devolveu o olhar de ódio. De repente, entendeu por que Draco tinha insistido que todos trabalhassem com um parceiro nas sessões inofensivas da DA. Se tivesse outra pessoa com ele ali, eles poderiam ter pelo menos acabado com o encanto que impedia sua voz de trabalhar...

De repente, uma idéia veio a ele. Algo que não necessitava de um encantamento.

Desesperado, ele começou a transformação de animago, desejando que ela se acelerasse. Imediatamente, sentiu a mágica chicoteando ao seu redor, mudando sua forma. Ele sentiu-se ganhar massa e altura, o mundo mudando de perspectiva a sua volta, seus próprios sentidos alterando tudo em uma corrida repentina.

Lucius recuou em estado de choque, não esperando ver o grande cão aparecer diante dele, surpresa o suficiente para abaixar a varinha por uma fração de segundo.

Usando a única arma ainda disponível para ele, Harry lançou-se para frente e trombou com o bruxo, pousando seu peso agora muito maior sobre Lucius, que caiu de costas com um grito indignado. Afiados e poderosos dentes caninos fecharam-se em torno do pulso do homem, arrancando sangue. Lutando para não engasgar com a sensação do líquido quente em sua boca, Harry preparou-se e mordeu de novo, desesperado para fazer Lucius derrubar a varinha.

O bruxo das trevas praguejou em dor e se controceu sob ele, tentando escapar. Seu joelho se conectou com as costelas do grifinório, mas Harry não cedeu. Uma pata grande prendeu o braço esquerdo do seu oponente, o que tornou impossível para Lucius transferir a varinha para a outra mão. Harry sabia que não iria escapar se o Comensal da Morte recuperasse o controle da situação. Esta era sua última tentativa de sobrevivência, e se não desse certo...

Ainda assim, mesmo enquanto ele pensava isso, para seu horror, viu pelo canto do olho que Lucius milagrosamente havia conseguindo colocar a varinha em posição. Tarde demais, ele olhou para baixo para ver os olhos cinzentos brilhando de dor e satisfação, num frio furioso.

"Crucio!"

Harry o soltou contra vontade, suas mandíbulas abrindo em um uivo de agonia. Lucius rolou para longe antes que ele caisse pesadamente, se contorcendo na neve enquanto a maldição o rasgava por dentro, deixando cada nervo em chamas. Ele curvou-se sobre si, como se tentasse se esconder, mas não adiantou. Como na outra vez em que ele tinha passado por isso, sentiu de repente como se fosse morrer simplesmente pela dor.

"Sua aberraçãozinha meio-sangue!", o bruxo gritava de raiva, embora sua voz soasse distante. Seu pulso mutilado foi pressionado protetoramente contra seu peito e a varinha segura na mão esquerda, ainda apontada diretamente para o animago se contorcendo a seus pés. O rosto contorcido em raiva, ele manteve a maldição pelo que pareceu ser para sempre, colocando na tortura cada pedaço de rancor e maldade.

Finalmente, ele afastou a varinha, e Harry sentiu o mundo colidir contra si quando o tormento terminou de repente, o alívio quase tão terrível quanto a dor naqueles primeiros segundos confusos. Ele se encontrou com metade do focinho enterrado na neve, inalando o gelo em suspiros profundos, desesperados, enviando choques de frio através dele a cada respiração.

Lucius moveu-se para ficar sobre ele, seu rosto era uma pintura de fúria cuidadosamente controlada, sua respiração audível enquanto ela raspava entre os dentes cerrados. "Eu gostaria muito de passar mais tempo em sua companhia, senhor Potter. Foi ... revigorante, para dizer o mínimo." Ele lançou um olhar ao longo da rua. "Mas o dever me chama. Adeus, senhor Potter." Ele ergueu a varinha. "Avada Ke-"

"Não!"

Antes que qualquer um deles entendesse completamente o que estava acontecendo, houve um outro lampejo de loiro e neve quando Draco derrapou no lugar entre eles, aterrissando desajeitadamente sobre os joelhos de modo que a varinha de Lucius ficou apontada diretamente para seu peito.

O bruxo mais velho quase sufocou em seu esforço para interromper a maldição, olhando com perplexidade e olhos arregalados o aparecimento inesperado de seu filho, parado protetoramente entre ele e seu alvo.

Harry lutou para se sentar, rosnando e tentando ignorar o grito de protesto de cada um dos seus músculos. Ele ficou surpreso ao ver o sonserino de repente, e mais ainda quando Draco se virou e empurrou-o de volta sem a menor cerimônia na neve, ajoelhando-se sobre ele, na defensiva.

"Mexa-se", Lucius manteve-se firme, os dentes arreganhados de pura raiva quando a situação fugiu rapidamente de seu controle.

Aterrorizado com sua própria ousadia, Draco cerrou a mandíbula e balançou a cabeça, lutando contra o instinto que pedia-lhe para obedecer o comando de seu pai. Em vez disso, ele apertou-se ainda mais contra o pêlo úmido e emaranhado de seu companheiro, que subia e descia com a respiração assustada.

"Draco. Retire-se neste instante." Seu tom de voz era a do mestre que esperava ser obedecido.

E, no entanto, mais uma vez, Draco balançou a cabeça. "... Não." A suas costas, os dedos cerrados convulsivamente na pele de Harry, exigindo força para si e para o grifinório.

Lucius hesitou, obviamente não acostumado com desobediência. Draco imaginou que a expressão dele era a mesma de quando Narcisa colocara-se diante de sua varinha depois de sua rebeldia. Ele não sabia o que fazer – o senso de dever colidindo com a lealdade familiar. Draco, que tinha acabado de experimentar um conflito interior similar, sentiu uma pontada de simpatia.

Ainda assim, não havia nada no mundo que tornasse isso mais fácil. Lucius tinha escolhido seu lado e Draco tinha escolhido o seu, e a notória distância entre eles nunca tinha sido tão profundamente exposta.

"Apenas mexa-se", repetiu o pai, que depois nunca admitiria que sua voz poderia ter demonstrado a menor nota de súplica.

Draco sabia, então, que o que quer que ele fizesse em seguida, Lucius não tentaria impedi-lo. Ele não conseguia amaldiçoar seu filho, assim como ele não tinha sido capaz de amaldiçoar sua esposa, mesmo quando tinha sido ordenado a fazer.

Com isto em mente, Draco ergueu-se e encontrou os olhos frios do pai. "... Desculpe", ele ofereceu inutilmente, e depois conjurou sua magia e aparatou, arrastando o peso morto de Harry com ele.

Deixado sozinho antes que pudesse protestar, Lucius olhou para a neve perturbadora a seu redor, estragada por pegadas e marcas, e manchada com seu próprio sangue. Draco estava longe de vista, e se ele havia ensinado seu filho direito, ele não permitiria que Potter ou ele fossem vistos novamente esta noite.

Lentamente, ele se virou e começou a caminhar - acintosamente azarando qualquer coisa que entrasse em seu caminho, amigo ou inimigo.

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Assim que deixou o grupo de adolescentes, Severus permitiu que seus instintos assumissem o controle.

À luz alaranjada do crepúsculo, Hogsmeade parecia em chamas. Ele foi forçado a olhar de soslaio como a neve brilhava conforme as cores se refletiam e agitavam sobre ela, uma visão pitoresca em desacordo com a violência ao redor.

Apressadamente, ele se dirigiu para o centro da aldeia, certo de que eles tentariam liberar Lupin na área mais lotada. Em seu caminho, ele manteve seu olho aberto a procura dos outros membros da Ordem, com certeza eles chegariam em breve. Os civis foram capazes de se manter, mas ele duvidava que iriam durar muito mais tempo sem ajuda suficiente.

Ele já tentinha aconselhado aqueles por quem passava a se refugiar no castelo, mas muitos dos bruxos e bruxas eram extremamente defensores de sua aldeia, determinados a ficar e vê-la em segurança. Severus ficou exasperado com a lealdade tola, mas rapidamente percebeu que não tinha tempo de sobra para ficar discutindo com eles. Que a tarefa de arrastá-los dali ficasse para Minerva e os outros, mesmo que fossem chutando e gritando - ele tinha suas próprias prioridades.

Amaldiçoando dois Comensais da Morte que bloquearam seu caminho, o Mestre de Poções avançou com confiança, sentindo-se quase satisfeito que ele estivesse em posição para lutar contra aqueles que, não muito tempo atrás, haviam perseguido-o no interior do círculo do Lorde das Trevas com risos maliciosos em seus ouvidos.

Agora, foi com fria eficiência que ele pegou-os um por um, passando despercebido entre as várias lojas pequenas que margeavam a rua, os olhos movendo-se sobre todos os pequenos detalhes. Como Harry, ele percebeu a falta de feitiços letais sendo usados pelos Comensais da Morte, e adivinhou a razão para a tática, por isso apenas ocasionalmente arriscou chamar a atenção para si, intervindo para proteger alguns civis indefesos.

Foi quando ele estava indo na direção do final da rua, onde as lojas davam lugar a casas, que aconteceu.

Ele congelou quando viu uma comoção começar no meio da rua, enquanto uma uma série de estampidos altos sinalizavam mais aparatações. Ele assistiu, fascinado, quando um novo grupo de Comensais da Morte se materializou, e entre eles uma gaiola de metal de tamanho considerável suspensa no ar por suas varinhas.

Dentro dela estava Lupin.

Severo, seus pensamentos tornando-se frios e nítidos e claros, não se permitindo fazer observações emocionais, adivinhou imediatamente que as barras de metal provavelmente foram infundidas com encantos de confinamento, caso contrário, Lupin já teria aparatado para longe, ou encontrado uma maneira alternativa para escapar da jaula.

Assim sendo, o lobisomem parecia estar além da capacidade de se segurar muito mais. Mesmo a certa distância, Severus pôde ver que os olhos dourados arregalados, já a cor do lobo, estavam muito brilhantes e selvagens, aterrorizado com o que estava acontecendo e com o que estava, sem dúvida, prestes a acontecer. Ele olhava sem ver os que o rodeavam. Mãos pálidas agarradas às barras, mas a aderência estava relaxada, a vontade de lutar o havia deixado. Suas roupas penduradas onde ele tinha perdido peso rapidamente nesta última semana. Severus sentiu uma fisgada ao imaginar que o homem tinha passado fome, em preparação para esta noite, na esperança de estimular o lobo em que ele se tornaria.

Sem pensar, ergueu sua varinha e ançou um feitiço. O encanto voou com precisão, acertando um dos Comensais da Morte na parte de trás. O bruxo mascarado gritou quando suas vestes pegaram fogo imediatamente, e prontamente tropeçou na direção dos outros. Caos se espalhou quando o grupo tentou apagar as chamas e olhou em volta em busca de seu atacante. Conforme cada um fora perdendo a concentração em seus feitiços de levitação, a gaiola de repente caiu com um estrondo. Severus fez uma careta para o lobisomem bastante frágil que a gaiola continha, mas sua simpatia foi interrompida quando os Comensais da Morte o avistaram e ele foi obrigado a lançar feitiços defensivos diante do bombardeio de maldições que vieram em sua direção.

"Lupin!", ele gritou quando pôde, acima do som de gritos e magia destrutiva. Ele tinha que chegar ao outro homem para o tira-lo do torpor em que ele parecia ter entrado. "Lupin, por Merlin -! Sectumsempra!" Sua maldição cortou dois dos bruxos mascarados, usada com muito mais eficácia do que a tentativa fraca de Draco.

Ele pensou ter visto o lobisomem piscar algumas vezes e olhar ao redor, mas não teve certeza já que um de seus adversários escolheu aquele momento para fazer um feitiço atravessar seu escudo de proteção. Por muito pouco, Snape evitou o pior de tudo, mas ainda assim o feitiço ricocheteou em sua perna direita, que dobrou-se sob ele.

Um dos Comensais da Morte, esperando uma abertura em suas defesas, estava praticamente em cima dele antes que Severus pudesse pensar em uma maldição adequada com a qual responder. Então, em vez disso, ele caiu de costas por instinto.

"Legilimência!"

Imediatamente, ele foi atirado dentro de outra mente desconhecida, uma que ressoava choque e pavor com a intrusão. Snape não hesitou, mesmo em seu próprio desgosto, forçando-se ainda mais profundamente.

Lupin poderia não saber ou apreciar, mas Severus tinha sido, em geral, tão gentil quanto pudera durante suas sessões - com exceção da vez em que perdera o controle. Agora, ele abandonou qualquer pensamento de tomar esse mesmo cuidado, e rasgou ao longo das linhas de pensamento violentamente, picotando-os, e não cedendo até ouvir o grito distante de dor.

Ele rapidamente se afastou, a tempo de ver sua vítima cair ao chão, aparentemente inconsciente, e apenas uma fração de segundo tinha se passado desde o início da invasão de mente. Os outros Comensais da Morte hesitaram, e ele se aproveitou de sua inação para lançar uma Maldição Atordoante neles, usando o momento de distração para erguer-se e se mover tão rápido quanto podia mancando sobre a neve na direção ao lobisomem enjaulado.

Quando Lupin finalmente o notou, não parecia que o tivesse reconhecido por um momento. Olhos dourados cintilaram incertos, não demonstrando nada de esperança ou excitação ou... qualquer reação, realmente.

Severus cerrou os dentes, tentando não pensar nas implicações de tal abatimento, e enfiou a mão no bolso para o frasco de poção pelo qual ele arriscara tudo para trazer aqui.

Outra maldição passou zumbindo por seu ouvido, o perdendo por milímetros. Ele girou para ver mais figuras vestidas de negro substituindo os que ele já tinha derrubado. Ele se perguntou quantos Comensais da Morte exatamente estavam presentes naquela noite, que parecia interminável - mas talvez fosse apenas sua imaginação. Ele supôs que os Comensais precisavam de homens tanto para controlar os cidadãos e os lobisomens que planejavam soltar.

Ele fez outro movimento para perto da jaula, mas vários feitiços foram arremessados imediatamente contra ele, que precisou reunir todos os feitiços de defesa que conseguiu. Não havia nenhuma maneira de eles o deixarem chegar perto do lobo. Eles o dominariam se Snape tentasse dividir sua atenção tentando salvar Lupin. E eles sabiam disso.

Então, fez a única coisa que ele podia pensar, dadas as circunstâncias.

Ele girou e atirou a poção com a máxima precisão possível, assistindo o frasco pousar em segurança a alguns meros centímetros das grades. Então, com a esperança de que Lupin ainda estivesse são o suficiente para reconhecer a poção e perceber sua importância, desviou o olhar a tempo de dar de cara com o jorro de maldições que vinham na sua direção.

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Para onde o sonserino o havia levado, Harry não sabia dizer. Tudo o que ele conseguia perceber era que ainda estavam do lado de fora, ainda ao alcance do som da batalha, mas protegidos o suficiente para que estivessem sozinhos por enquanto, sem a ameaça de serem atacados ou pegos no fogo cruzado. Ele fechou os olhos por um instante, deleitando-se com a fuga, antes que se obrigasse a manter-se alerta.

Os longos dedos de Draco enterraram-se no pêlo escuro do grifinório, sacudindo-o com força. "Harry, transforme-se de volta. Vamos, transforme-se." Sua voz tremia com urgência.

Obedientemente, Harry deixou a magia escapar dele, a transformação ocorrendo sem pressa desta vez. As mãos de Draco acabaram agarrando sua camisa, puxando o material até que ele cedesse e rolasse, gemendo.

"Você consegue se sentar?"

Ele balançou a cabeça e tentou responder, só então lembrando-se do feitiço silenciador. Gesticulou impotente para sua garganta, olhando para o outro menino suplicante.

Compreendendo, Draco bateu sua varinha impacientemente e murmurou, "Finite Incantatem".

Harry tossiu experimentalmente, testando a sua voz recém liberta. "Não está tão ruim assim", protestou fracamente, quando pôde. "Estou apenas... dolorido." Ha! Eufemismo. Por um momento, teve que confiar na força do outro garoto para erguê-lo, e depois balançou no lugar quando se viu em pé.

Draco recuou hesitante, observando para ver se o grifinório cairia sem seu apoio. Ele não caiu, e o lobisomem soltou um suspiro de alívio quando ficou finalmente convencido de que Harry estava realmente ileso, pelo menos na maior parte.

Mal lhe ocorreu este pensamento, a força de sua indignidade ultrajada o acertou com força, como um reflexo tardio. "Idiota estúpido!"

A cabeça de Harry rodou, surpreso com a exclamação, a tempo de levar um golpe na boca enquanto Draco matinha seu juramento secreto em colocar um pouco de senso em seu companheiro.

Pego de surpresa, Harry perdeu o equilíbrio, tropeçou e voltou para o chão, aterrissando deselegantemente de bunda na neve e olhando com olhos arregalados e chocados o garoto, a mão pressionado o lábio sangrando.

Draco se irritou, piscando os olhos de um azul ártico. "Se você tentar aquilo de novo, eu juro por Merlin, Potter, será a última coisa que eu-. Deus, você não tem idéia do quanto eu quero te azarar agora!"

Harry o olhou malignamente e cuspiu sangue. "Eu tenho uma idéia..." murmurou, colocando-se desajeitadamente de pé novamente. "Como é que você quebrou a compulsão, afinal?"

O sonserino zombou cruelmente. "Não é da sua maldita conta", ele rosnou, e se afastou.

Bem, realmente, o que mais ele poderia ter dito? Agora não era o momento nem o lugar de admitir que a simples visão de Lucius, caindo sobre seu companheiro, o tinha estimulado a tais níveis de medo que qualquer influência que o lobo possuía sobre ele tinha simplesmente ... explodido? Ele se lembrava, quase por um segundo, a sensação de algo quebrando dentro dele, como se uma descarga de adrenalina em seu coração quase o tivesse parado.

E nesse momento, ele supôs, ele e o lobo tinham verdadeiramente se unido pela primeira vez, porque a situação tinha apagado todas as possibilidades de mediação. Antes, ele ainda tinha tentado segurar-se, para que, no mínimo, ele não ficasse tão machucado se, e quando, Harry entrasse em pânico com a situação, o que ele suspeitava ser inevitável. Como ele havia chamado aquilo antes...? Uma "meia-experiência ", na tentativa de ficar com seu companheiro sem ficar muito apegado emocionalmente.

Bem, Draco nunca tinha sido muito bom em fazer nada pela metade. Ele só tinha levado um tempo para se lembrar disso.

Ele ainda estava perfeitamente consciente de que o grifinório tinha o direito de correr uma milha quando eventualmente confrontado com o que Draco tinha a lhe dizer, mas isso não importava mais, como o raio de terror parecia ter acabado de provar. Ele supunha que poderia aceitar o fato de que estava irremediavelmente ligado ao menino, mesmo que o sentimento não fosse mútuo.

E era isto o que o lobo queria dele, ele percebeu.

"... Draco?"

Tirado de seus pensamentos, Draco olhou para o grifinório, que o observava solenemente.

"Er ... não vai mais funcionar se eu te pedir para fazer alguma coisa, vai?"

O sonserino parou para pensar sobre aquilo, silenciosamente perguntando ao lobo dentro dele.

Levou um momento para perceber que não conseguia mais identificar a criatura separadamente. Olhou ao redor em confusão, procurando o local sombrio na parte de trás de sua mente de onde vinham todos os impulsos animalescos que o atormentavam desde que fora mordido. Mas com certeza, ele não estava mais lá.

Ele não era tolo o suficiente para pensar que estava curado, de modo algum. Mas a alteração o deixava perplexo. O quê...?

E então, em um flash, ele entendeu.

Ah, sim. Fazia sentido agora de uma forma que todos os livros não conseguiram colocar em palavras. O lobo não conseguia mais controlá-lo com as compulsões, porque não era mais uma mente individual, trabalhando por conta própria.

Agora, era realmente parte dele. Difundida em sua própria mente e motivos, adicionando mais uma camada de escuridão à sua pessoa - como se ele já não fosse questionável o suficiente, pensou ironicamente.

Portanto, esta era a conseqüência de verdadeira aceitação.

Poderia ser pior, pensou divertidamente depois de um tempo. Ele se perguntou se Lupin já tinha experimentado isso... essa fusão. O homem nunca tinha admitido para ele. Grifinório como era, ele provavelmente achou a aceitação mais vergonhosa do que a maldição original.

Lembrando-se da pergunta, Draco balançou a cabeça. "Não, isso não vai funcionar mais." Seus olhos se estreitaram. "Por quê? Desapontado?"

Estranhamente, Harry sorriu. "Não. E... Sinto muito... você sabe. Por compelir você."

"Deveria estar mesmo", o lobisomem rebateu prontamente, implacável. "Acho que eu me dei chicotadas, pelo amor de Deus, tentando vir atrás de você! E você é sortudo de eu não ter desistido. Um segundo mais- !".

Harry se aproximou e abraçou-o com força, efetivamente cortando o discurso quando Draco congelou, piscando em surpresa sobre o ombro do grifinório.

"Este não é o momento nem o lugar...", ele começou desconfortavelmente depois de alguns segundos.

O outro rapaz o soltou, sem sequer ter a decência de parecer envergonhado.

Draco o encarou, então revirou os olhos. "Bem, se você terminou, talvez possamos fazer isso corretamente agora".

"... Você ainda está disposto a ajudar?"

Malfoy soltou um suspiro longo de sofrimento. "Não pense que eu não tenha considerado te deixar desacordado e arrastá-lo de volta para a escola, Potter." Ele apontou para o céu. "Mas não tenho tempo suficiente."

Harry seguiu seu olhar, olhos arregalados quando percebeu, pela primeira vez, exatamente o quão escuro o céu estava, as primeiras estrelas pipocando o horizonte sombrio.

Draco já tinha virado, e foi apontando a varinha na direção do som da briga. " Accio Capa de invisibilidade!"

Harry o olhou se perguntando em silêncio por que não tinha pensado em fazer isso antes. Não demorou muito para que o objeto desejado viesse através do ar para a mão estendida do sonserino. Harry poderia nem ter notado, exceto pela ligeira distorção provocada no ar.

Draco atirou a capa para ele, com um olhar claramente acusatório, Idiota. Então, estendeu sua varinha também. "Aqui. Segure isto para mim."

Harry pegou e guardou a varinha de ébano em um bolso, estranhamente hesitante. Ele tinha o desejo de dizer algo, mas não conseguia por sua vida decidir o quê, e por isso só acabou mordendo o lábio em silêncio, de pé enquanto a transformação começava.

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"Confringo!"

O feitiço de Severus colidiu com seu mais próximo adversário, mandando-o para trás para trombar em outros dois com um grande estrondo, e os três cairam em uma pilha desorganizada. Ele esperou um momento, observando para ver se eles se mexiam.

Mas, no momento, parecia que estava seguro.

Girando, ele caminhou para a gaiola abandonada - lembrando sua irresolução apenas na metade do caminho. Ele hesitou, os olhos procurando pela poção que havia jogado em sua urgência. Ela não estava a vista, e ele se perguntou se a poção teria sido chutado de lado, ou derramada, ou qualquer outra coisa desastrosa, antes que o lobisomem pudesse alcançá-la.

Ele não conseguia vê-la, no entanto. Parecia que era tarde demais, de qualquer maneira. Mesmo enquanto ele olhava, o último brilho da luz solar desaparecia no horizonte, afundando a aldeia em uma calma quase falsa. O momento parecia ter pausado enquanto o último clarão do pôr do sol finalmente deu lugar à luz prateada da lua.

O Mestre de Poções congelou, sentindo o medo arraigado começando a envolvê-lo, e teve que lutar contra o impulso de virar e correr.

"S-Severus!"

A voz de Lupin o chocou. Ele saiu de seu torpor apreensivo para ver o lobisomem encolhido em um canto da gaiola, tremendo enquanto a transformação tomava conta dele. Ele se aproximou, varinha em punho.

"... Você tomou?" Sua voz soava muito fraca para seu gosto. "Lupin. Você tomou o Wolfsbane?"

Ele não obteve outra resposta do homem além do grunhido de dor que se transformou em algo que lembrava um latido. Mais uma vez, Snape encontrou-se assistindo a dolorosa transformação, que uma vez ele tinha testemunhado com Draco, não menos nervoso na segunda vez. Isso o afetava de uma forma que uma dúzia ou mais de Comensais da Morte não conseguiam; era assustador em algum nível primal.

Enquanto a lua emergia completamente de trás das nuvens, o uivo baixo do lobo cortou através de Hogsmeade.

Severus continuou a assistir, com os olhos arregalados, à espera de algum sinal quanto à possibilidade ou não da criatura diante dele ter mantido a sua humanidade. Parecia exausto, encolhido na parte inferior da gaiola encantada, com os olhos fechados.

Ousadamente, Severus se aproximou.

Um olho dourado abriu-se apenas o suficiente para olhar com indiferença para ele, e não havia sinal de qualquer selvageria ou reconhecimento na íris brilhante.

"... Lupin?"

Dolorosamente lento, o lobo alavancou-se em uma posição sentada. Não rosnou para Severus, ou lutou inutilmente contra seu confinamento, ou agiu da maneira irracional que ele suspeitava que um animal perigoso poderia agir.

Preparando-se, cruzou a distância final entre os dois, parando a alguns centímetros das barras de metal. E sim, lá estava ele. O frasco vazio deitado no chão da gaiola, drenado de poção.

Snape sentiu uma onda de alívio, e permitiu-se liberar o ar que não tinha percebido estar segurando.

Ainda assim, seria... irresponsável abrir a gaiola sem testes.

Não acreditando no que estava fazendo, ele assistiu sua mão, como se pertencesse a outra pessoa, alcançar as grades, oferecendo-a, pronto para puxá-la de volta caso a criatura se move-se muito de repente ou ameaçadoramente.

Olhos dourados fixaram-se nele, piscando languidamente, o lobo se inclinou para frente e lambeu seus dedos.

Severo não conseguiu evitar revirar os olhos e suspirar em exasperação, finalmente assegurado. "Isso não foi uma permissão para que você tomasse liberdades comigo, Lupin", reclamou em aborrecimento, enquanto recuava e brandia sua varinha para a gaiola, lançando um feitiço que fez a porta se abrir com um estrondo.

O lobo amarelo-acastanhado colocou-se desajeitadamente em sua altura máxima, o tamanho surpreendendo o Mestre de Poções. Ele tinha quase esquecido, nos longos anos que tinham se passado desde que enfrentara a criatura, sua grandiosidade e poder. Mesmo agora, sabendo que era manso, ele ainda sentia a sombra antiga de horror passando sobre ele.

E ainda. Este era Lupin. Logicamente, ele sabia que era Lupin, o estorvo bem-educado com suas estúpidas morais grifinórias e paixonite irracional. O que havia ali para se temer...?

Ele observou enquanto o lobo mancou na sua direção sobre três patas, outra lesão que ele tinha, evidentemente, sofrido durante o cativeiro. Inexpressivo, Severo lançou um feitiço de cura. Não seria perfeito, especialmente com a peculiaridade lupina de repelir magia, mas teria que ser suficiente.

Ele acenou com impaciência, parando apenas um momento antes obrigar-se a colocar a mão no ombro do lobo, os dedos enterrados no pêlo grosso, preparando-se para aparatar.

Sem aviso prévio, assim que Snape fechou os olhos para se concentrar, Lupin soltou um latido ensurdecedor e correu para longe do Mestre de Poções.

Os olhos de Severus se abriram em surpresa, espantado ao ver a criatura correndo para a grande massa de pessoas que enchiam o rua principal. Seu primeiro pensamento foi de pânico, que ele tinha de alguma forma sido enganado e tinha acabado de soltar um lobisomem enfurecido em cima de aldeões indefesos e Comensais da Morte também.

Mas não, Lupin passou direto pelas primeiras pessoas que encontrou, sem um segundo olhar, obviamente objetivando algo específico.

Severus olhou para além dele e rapidamente seus olhos cairam sobre o problema que tinha colocado o lobo em ação.

"Salazar...", ele sussurrou em descrença e fúria - e então, tratou de se colocar em perseguição.

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"Já teve a sensação de que nós não somos realmente necessários ...?" Ron resmungou carrancudo, parecendo pouco impressionado.

Hermione concordou com a cabeça vagamente. Ela sabia que era estúpido, mas ela, como Ron, havia se acostumado com a presença deles ser pouco necessária neste tipo de situação. Que Harry sairia correndo por conta própria, sem a menor pretensão de precisar ou querer sua ajuda. Ela suspeitava de que nem estariam aqui se não tivessem surpreendido ele e Draco nos corredores - e até o momento, seu papel parecia ter sido reduzido a ser o apoio moral.

Era... desconcertante, para dizer o mínimo.

"Basta continuar procurando", foi tudo o que disse, no entanto. "Remus tem que estar por aqui em algum lugar. Harry disse que sonhou com ele em uma gaiola ..."

"Os sonhos de Harry já estiveram errados antes", o garoto respondeu em dúvida. "Você não acha que ele cairia na mesma armadilha duas vezes, não é ...?"

"Bem, Snape obviamente acredita que ele está certo", ela argumentou.

Recostando-se contra a parede da loja em que estavam se refugiando, Ron deu de ombros. "Você percebe que poderia já ser tarde demais, mesmo se eles o encontrarem. Olhe. Já está escuro, e -?".

Adicionando um peso desconfortável nas palavras de Ron, um grito ecoou em torno deles. Caindo em silêncio, eles se olharam com olhos arregalados, ficando de pé e imóveis por pelo menos um minuto.

"Acha que eles conseguiram...?" Ron perguntou eventualmente.

Hermione mordeu o lábio por um momento, em seguida, virou-se e seguiu para a rua.

"O que você está fazendo?" ele perguntou, incrédulo, a seguindo após um momento de relutância. Ele estava muito satisfeito em descansar um pouco mais na relativa segurança de seu esconderijo.

"Eu tenho que ver o que está acontecendo", explicou ela, olhando por cima do ombro.

"Mas -"

Ela olhou a rua com cautela, como sempre sua curiosidade a governando, só para deixar sair um grito chocado. Ron correu em alarme, aparecendo ao seu lado a tempo de ver exatamente o que tinha causado a reação.

Remus Lupin correndo para eles, patas enormes amassando a neve, dentes e olhos faiscando.

Ron gritou e cambaleou para trás, agarrando o braço de Hermione para puxá-la com ele. Ela perdeu o equilíbrio e caiu por cima dele, derrubando-os no chão. Ainda puxando-a com ele, Ron continuou a corrida na direção oposta, a cabeça cheia de pensamentos sobre o terceiro ano, o incidente em que Sirius havia mordido sua perna, e como seria muito pior ser mordido por um lobisomem.

Algo branco pareceu surgir do nada, posicionando-se na frente deles e emitindo um grunhido. O peito de Ron doeu com o pânico quando ele percebeu outra das criaturas, e ele puxou sua varinha com as mãos trêmulas.

Outra explosão de movimento chamou sua atenção, e ele se virou para ver Harry saindo debaixo da Capa da Invisibilidade quando correu para se juntar a eles. Ao mesmo tempo, Hermione agarrou seu pulso, forçando sua varinha para longe do lobo branco.

"O que você está fazendo?"

"Ron, não!"

Ele não teve outra chance de protestar, quando Lupin derrapou em direção a eles e o lobo mais pálido rosnou até que ele recuasse um pouco. Ainda assim, não seria páreo se as criaturas lutassem; Lupin tinha peso, altura e força muito maior do que a do lobo prateado que estava entre ele e eles.

E então, aparentemente do nada, Snape apareceu, estendendo a mão e agarrando o pêlo escuro do lobisomem maior, arrastando-o para trás como se fosse nada mais do que um cachorro desobediente. Mais tarde, Ron maravilhar-se-ia com o absurdo da situação, mas no momento ele estava muito surpreso ao processar completamente a visão do Mestre de Poções atirando a hesitação ao vento ao arrastar uma criatura quase alcançando sua altura para longe deles.

"Lupin! Pelo amor de Merlin, você está assustando o inferno todo!"

Para espanto de Ron, o lobo enorme abaixou as orelhas e afundou contra o Mestre de Poções mansamente, parecendo estranhamente... envergonhado.

Da mesma forma, a criatura branca, que havia aparecido em sua defesa, levantou-se lentamente de sua posição de ataque. Apesar de ainda estar tenso, ela agora encarava o outro lobisomem com consideração cautelosa.

Harry se moveu com o mesmo cuidado, que se estendeu até tocar o lobo menor. "Draco ..." Os olhos azuis brilharam para ele, aliviando a tensão um pouco.

Ron empalideceu. "Malfoy?"

Hermione estava olhando o Mestre de Poções - completamente calma com a revelação, o ruivo notaria mais tarde. "Você conseguiu lhe entregar a Wolfsbane, então?"

Snape olhou para ela mais indignado do que nunca. "Eu mandei especificamente que todos voltassem para a escola!" Ela se encolheu, e ele se virou contra Harry. "Você, Potter, é imperdoavelmente estúpido! Não acredito que voc- Ah, cale a boca, Draco!"

O lobo, que tinha emitido um rosnado baixo, ficou drasticamente em silêncio.

Severus respirou fundo, mentalmente formando o discurso que iria infligir sobre os adolescentes e Lupin em um momento mais apropriado, então, olhou ao seu redor. Sim, os membros da Ordem estavam presentes na multidão agora, e era apenas uma questão de tempo antes que eles fossem notados - o que, para todos os envolvidos, seria melhor evitar.

O problema era: ele não poderia simplesmente aparatar todos de uma vez. Havia muitos para carregar, e com Draco e Lupin em seu estado atual, ele era o único capaz de-

"Professor ...?"

"O quê, Granger?"

Ela fez um gesto em direção à loja ao lado deles. "H-há uma passagem... no porão da Dedosdemel... Ela vai direto para a escola...".

Próximo a ela, Potter estava balançando a cabeça seriamente. "Nós não seríamos vistos."

Severus resistiu ao impulso de rosnar para eles. Mas dane-se tudo, ele não conseguia pensar em uma idéia melhor, então cedeu com relutância.

Ele viu quando os três adolescentes desapareceram sob o Manto Infernal de Potter, e depois ficou para trás assistindo suas pegadas seguirem caminho para a entrada da loja de doces deserta. Draco ficou perto deles, tenso e alerta.

O lobo ao seu lado de repente o cutucou, e só então Severus percebeu que ele parecia ter congelado, seus dedos ainda apertando o pêlo de Lupin.

Envergonhado, ele o soltou rapidamente.

Olhos dourados o encararam, irritantemente intensos, antes que a criatura começasse a mancar atrás dos outros. Severus suspirou, empurrando o irracionalmente poderoso sentimento de alívio, e fez questão de fechar a porta atrás deles.

Continua...


CAMM - Comentários aleatórios do Malfoy Moraine S.A.:

Ly: ó eu, bobinha, tentando arrastar uma pasta pra dentro dela mesma u.u

Cy: na minha terra isso se chama maluquice

Ly: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ly: na minha chamar as pessoas de malucas é recalque u.u

Cy: na minha, o recalque está nos olhos dos outros

Ly: e na minha, cego é aquele que nao quer ver

Cy: logo, o amor é cego, por isso recalcado

Cy: e o stevie wonder também

Ly: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ly: sabia! tava demorando pro Steve entrar nessa historia

Ly: ele é maluco u.u

Cy: maluco, cego e recalcado. u.u


O Ministério da Saúde adverte: qualquer erro de gramática é culpa da Ly. u.u

PS: Minha nada! To passando na auto correção do Word! A culpa é dele u.u