Fel

Essa é minha vida

Não se esqueça

Essa é minha vida

Isso nunca acaba

Engraçado como eu me ceguei

Eu nunca soube

Se eu estava algumas vezes tocada de leve

Amedrontada para perder

It's My Life - No Doubt

" Isso, faça de novo, me bata. É capaz de eu gostar."

Os dedos deslizaram suavemente pela face quente por causa do tapa, aquele tapa foi muito mais que algo físico, ele sentiu todo o seu interior tremer com aquilo. Os olhos estavam baixos, e ele não quis olhar para Lupin, por que simplesmente não esperava aquele tipo de atitude dele. Por que dessa vez algo muito estranho estava acontecendo? E ele sentiu que poderia chorar. Ouvia Lupin respirar pesado, e por um momento chegou a pensar que o outro se arrependeria daquele tapa logo no momento seguinte.

- Sai daqui, Sirius. - a voz foi alta, ele podia sentir cada gota de raiva nela, e não estava preparado para aquilo.

Lupin estava furioso, tão furioso que ele sentia o corpo todo tremer, ele sentia que poderia bater no outro até ficar sem forças, era como se a parte lobo de sua alma tivesse tomado conta. E agora ele se achava furiosamente esgotado.

Sirius pensou em falar algo, mas nada do que ele falasse naquele momento iria adiantar, estavam os dois cansados de uma situação não declarada de rancor. E Sirius fez algo sem poder conter: ele riu. Por quê? Por que era uma situação inacreditável e aquela risada saiu natural e cheia de estafa. A mão de Lupin se levantou para acertá-lo de novo, como se mais um tapa fosse capaz de tirar o outro dali. Mais um passo foi dado por Sirius que segurou sua mão e o empurrou contra a parede, ele sentiu uma dor rápida nas costas.

- Você esta agindo como um idiota, Lupin. - ele disse não alto, mas firme. - Você não tem o direito de me cobrar nada porque você simplesmente não fala nada, eu não tenho nada com você e não lhe devo satisfações. - as palavras de Sirius haviam sido duras, mas eram verdades que ele não agüentava mais segurar para precaver o outro de uma dor necessária.

Socos foram dados no peito de Sirius, Lupin tentava em vão afastar o outro, tentava dar socos em seu peito, e agora as lágrimas furiosas desciam por seu rosto sem fazer barulho. E assim como aquele ataque para afastar o outro acabou da mesma forma quando Sirius segurou sua outra mão e colocou uma perna entre as suas para prendê-lo na parede, Lupin virou o rosto para o lado, não queria olhar aquele Sirius que não se importava com ele.

- Se não deve satisfações para mim eu não sei o que está fazendo aqui, quero ficar só. - disse Lupin, tentando ao máximo controlar suas emoções. - Vai ficar com o Snape, e me deixe em paz, Black.

- Não, eu já disse que não vou sair daqui. - disse Black o soltando, tão rápido que os braços de Lupin penderam ao lado do corpo. - Eu saí sim com Snape, como saio com a maioria da escola e isso nunca fez diferença para você, por que faz agora?

Lupin levantou a mão, mas Sirius não se afastou, não segurou sua mão, e no fundo nem ele entendia, talvez todo a aquela fúria fosse pelo simples fato dele sentir que poderia perder Sirius se ele saísse com um garoto, não teria como competir, e aquela sensação de perda e raiva o enchiam todo.

- Bate, pode bater mas eu não vou sair daqui e não vou deixar de falar verdades para você, estou farto de protegê-lo o tempo todo. - e aquelas palavras terminaram com mais um tapa no rosto de Black. - Você não tem coragem, não toma atitudes, o que quer eu faça? Quer que eu tome as atitudes por você? - mais um tapa foi dado no rosto de Black.

Lupin sentia que poderia matar o outro de bater se isso fosse afastar Black dali, se fosse fazer com que Black parasse de dizer aquelas coisas. E agora ele sentia-se furioso porque as palavras sairiam dele como se ele não pudesse conter.

- Me deixa em paz, eu não quero falar com você, eu não quero ter você perto, estou acostumado a ficar sozinho, Black, você é irracional, você age como uma criança birrenta, não quero alguém como você perto de mim, não sou obrigado a tomar atitudes.

- Não, você não é, e nem eu. Caramba, será que é tão difícil para você admitir que me ama? Se você fizesse isso eu não estaria saindo com Snape, nem com o colégio todo. - as vozes iam se elevando cada vez mais.

Lupin avançou em Sirius, segurou os cabelos enrolados do outro próximo a raiz puxando com força, querendo que o outro sentisse um pouco da sua dor e que se afastasse dele, era aquilo que ele mais queria.

- Eu não te amo, eu odeio você, eu odeio muito você, Black. - gritou ele com força. - Você é prepotente e exibido, por que acha que eu amaria alguém tão superficial quanto você? Você não presta Black não é capaz de amar ninguém.

- Me bate mais, desconta toda a sua raiva em mim se é isso que você quer. - disse Sirius, um sorriso malicioso começando a desenhar-se nos lábios dele, enquanto ele se encostava mais no outro. - Se esse é o único contato que quer ter comigo e se esta colocando seu monstro para fora, me bata de novo e é capaz de eu morrer de tesão por você. - disse mordendo os lábios e soltando um leve gemido.

E foi o que Lupin fez, ele soltou os cabelos do outro para acertar com toda a sua força o rosto de Black com outro tapa, que cortou os lábios onde o outro mordia, e fez o gosto suave de sangue descer pela garganta de Black pingando um pouco no chão. E algo inacreditável aconteceu ali, Black retribuiu o tapa, ele deu um tapa no rosto de Lupin, forte demais, sim, mas um tapa certeiro no rosto do outro que o olhou assustado pela penumbra.

Mas não ficou só nisso, ele simplesmente pegou o outro pelos braços magros e o atirou no colchão que levantou poeira quando o corpo magro de Lupin se chocou contra ele e Black foi rápido, prendeu o corpo do outro com o seu, segurando os pulsos de Lupin forte, para machucar, para marcar o outro, sem se importar com nada.

- Me solta, Black... Me solta agora. - disse Lupin, o corpo tremendo e o rosto queimando pelo tapa e uma dor mais forte ainda no seu coração.

- Não, eu vou tomar a atitude que você não quis tomar. Eu estou cansado de brincar, Lupin. - disse ele cheio de raiva ainda, os olhos queimavam.

- Black... - disse assustado antes de sentir lábios contra o seu, e o gosto suave de sangue. Não queria assim, não queria um beijo de Black assim, não marcado pelo ódio e pelo sangue. Sentiu Black invadir sua língua com força antes de virar o rosto para o lado e fugir daquele beijo. - Não faz isso comigo, por favor.

Black soltou suas mãos do braço do outro para segurar com força o seu rosto apertando as bochechas querendo que o outro o olhasse, querendo ter o olhar sobre si mais um pouco. Mas Lupin parecia querer fugir de si, o que o deixava com mais raiva.

- Lupin, eu te amo, por que não assume que quer ficar comigo e eu te solto. - disse Sirius agora lambendo os lábios, o sangue ainda escorria.

- Black, me solta. - gritou ele agora, ele chorava mais, ele tentava se soltar a todo custo, encostando mais no corpo do outro. - Eu não… Não quero assim, por favor, não faça isso comigo. - pediu Lupin.

Mas Black o beijou de novo, não se importando com o sangue e nem com as súplicas vazias de Lupin, não com aquele choro que o perturbava o ouvido.

- Se eu me afastar, vai ser para você falar… Porque não agüento mais isso e sei que você também não.

E o silêncio de Lupin, os suspiros de choro e logo Black o soltou e se sentiu um monstro, apertou com os dedos a própria cabeça sentindo um pouco de dor.

- Por que você faz isso comigo Lupin? Eu te amo… Por que não acredita em mim?

- Por quê? Por que você faz isso comigo, por que você me machuca e dói tanto?

- Estou cansado de esperar. Estou cansado de esperar ouvir um eu te amo de você. - disse Sirius se jogando ao lado do outro, respirando pesadamente.

- Você não pode me amar.

- Por que não? Não sei se você sabe, mas não escolhemos quem amamos.

- Mas Padfoot... - disse o outro tão suavemente que Black sentiu o corpo tremer de uma forma gostosa e se sentiu incapaz de falar qualquer coisa. - O que eu tenho que pode fazer você se apaixonar por mim, eu sou um lobisomem, não sou bonito, e você tem a escola toda para você, pode ter quem quiser.

- Não posso. - disse Black agora era ele que começava a chorar, era ele que se desesperava entre lágrimas agora. - Não tenho a pessoa que eu mais queria que é você, será que não percebe que eu sempre fiz de tudo para chamar a sua atenção ou estava preso demais na sua própria dor que não olhava para os lados?

- Eu…Não tem por que você gostar de mim.

- Mas eu gosto, eu amo você, e quero muito você e estou sofrendo.

- Eu te amo.

- O que? - perguntou Black interrompendo as lágrimas e o olhando assustado.

- Eu amo você Sirius Black, e eu não quero mais vê-lo com ninguém por que você é meu.

Sirius sorriu gostosamente. E uma felicidade tomava conta de todo o seu corpo quando ele se aproximou mais do outro, o rosto marcado pelas lágrimas e ele adorou ouvir aquele tom possessivo na voz de Lupin por que não esperava por aquilo, e estava adorando ver todo aquele sentimento de posse no outro por que era um sentimento doce, tudo em Lupin era doce. Sentiu-o passar os dedos no sangue antes de falar.

- Posso te beijar?

Lupin sorriu, e o rosto ficou vermelho, ele olhou para o outro viu a marca de seus dedos ali e imaginou que seu rosto estava igualmente marcado e aquele machucado se tornou um prazer em seus lábios que ficaria marcado por dias como o começo daquele romance e como não queria que o corte sumisse pediria a Lupin para refazê-lo sempre que o sentisse fechar.

- Pode. - disse Lupin para selar o começo daquela noite maravilhosa e apenas dos dois.

Nas masmorras de Hogwarts…

Thiago ainda usava as vestes da fantasia, porém a máscara havia sido perdida em algum lugar. Ele sentia raiva misturada a alguns outros sentimentos que não sabia definir, mas que faziam uma mistura perigosa para qualquer um perto. Ele fechou a porta das masmorras com força, aquele lugar desabitado e cheio de poeira. A madeira rangeu quando ele o fez, a festa agora era distante.

Ele deslizou os dedos pela poeira do lugar, gostava de lugares assim. Depois se virou para Snape, encostando as costas na porta e o olhando. Os olhos eram frios, seu olhar era frio e mal chegava a ter brilho quanto ele tirou os óculos pousando-os em cima de uma mesa de canto. Não disse nada, sabia que o silêncio era o melhor método de tortura, era mais eficaz que qualquer coisa, ele destruía qualquer defesa. Deixava o medo corroer cada parte do outro e assim desarmá-lo por completo.

O Príncipe sobressaltou-se. Sentiu todo o lugar tremer, sentiu a poeira se erguer e fazer um véu embaçado diante de seus olhos negros e assustado. Nunca havia visto Thiago com uma expressão tão dura. Sentiu um calafrio percorrer seu corpo e então colocou uma das mãos em cima de uma mesa próxima. Engoliu em seco enquanto olhava para ele. O silêncio pesava feito chumbo, mas ele não conseguia falar. Sentia como se a voz lhe houvesse sido roubada. Ficou mais pálido, mas tentou manter o controle.

Depois de tirar os óculos, ele tirou a fantasia, ficando apenas com a calça e a camisa que usava por debaixo dela, e assim se aproximou mais de Snape, ficando de frente para ele, bem perto, os olhos nos dele, a expressão fria demais, nem ele conseguia se reconhecer ou se conter, lembrava apenas das lágrimas de seu amigo, lembrava apenas das cenas de ciúmes e tudo rodava em sua mente quando ele falou:

- Começa a falar. - disse as palavras bem pronunciadas e de um tom baixo, porém sério demais, como se não deixasse mais espaço ao silêncio ou pedidos de desculpa do outro.

Snape se encostou mais a parede, até não ter mais para onde ir. Pressionou os lábios um no outro enquanto o medo inevitável era estampado em seus olhos. Sentiu seu coração anunciar uma batida mais rápida e depois mais outra e mais outra, até se tornarem constantes. Sua respiração alterou-se um pouco e ele tremia. O que estaria havendo com Thiago? Por que estava se comportando daquela forma com ele, como se o fosse matar? Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas as palavras não saiam presas pelo medo.

Thiago sorriu, não um sorriso bonito ou bom, mas um sorriso que daria medo em qualquer um que olhasse. Deslizou os dedos no rosto do outro subindo para os cabelos compridos, enfiando os dedos entre as mechas para depois segurar com firmeza ali, pela raiz. Encostou mais o corpo no do outro, até prender ele na parede e a voz soou mais uma vez no mesmo tom.

- Não vai querer me ver mais irritado do que já estou Snape.

Assim que sentiu os dedos deslizarem nervosamente por seus cabelos até puxá-los tremeu violentamente. Fechou os olhos e depois os abriu, sua respiração totalmente alterada.

- Do que está falando, Thiago? - perguntou gaguejando. - Não sei do que está falando, o que foi? - disse nervosamente, o medo tomando conta dele por completo.

- Snape, não brinca comigo. - disse ainda rindo suavemente, mas sua risada era de nervoso.

Nervoso por causa de muitas coisas, primeiro por causa do outro ter dito para ele não encostar mais, e depois por causa daquela história ridícula de ciúmes.

- Quem mandou você aceitar ir com o Sirius no jantar, que história ridícula foi aquela? - perguntou ele sentindo o sangue ferver junto com a vontade de machucar o outro.

Snape arregalou levemente os olhos. Será que ele havia percebido alguma coisa? Falou a primeira coisa que lhe veio à mente.

- Mas... Thiago, qual o problema de ter ido com o Sirius se ele me chamou? Não sabia que isso poderia ofendê-lo... - dissimulou.

E parecia que a cada palavra do outro o irritava mais, depois ele tirou os dedos do cabelo do outro e se afastou um pouco.

- Você devia ter recusado, por muitos motivos, não quero você perto do Sirius. - disse se encostando à mesa e olhando para o outro. - Você não merece estar na companhia do Sirius ele é meu amigo, e suas atitudes me irritaram. - disse ele encostando as mãos na mesa antes de ordenar, a voz firme de sempre. - Tira a roupa. - disse apenas, sem explicações e estava claro em sua voz que ele machucaria o outro.

Snape entrou em estado de choque. Sabia que nada do que dissesse poderia tirar a raiva do outro, entretanto ele não conseguia se mover. Sentia no ar o perigo, ele era possível de se respirar. Snape olhou para um lado e depois para o outro, mas percebeu que não teria como ele fugir. Engoliu em seco mais uma vez e olhou para Thiago, seus lábios tremendo.

Thiago... O que está pensando em fazer? - disse o outro, a voz começando a ficar falha. Estava totalmente grudado com as costas na parede.

Thiago sorriu para aquele breve comentário do outro, ele achava que estava evidente em seu modo de falar o que ele iria fazer, arqueou uma das sobrancelhas antes de prosseguir.

- Snape, é melhor para você que tire a roupa do que me fazer tirá-la para você. – disse, e sua voz saiu um tanto furiosa dessa vez. Ele foi até o outro e o puxou pelo braço o jogando de costas em uma mesa. - Então, eu tiro, ou você tira? - seus lábios eram desenhados por um sorriso sarcástico.

Ele tirou a varinha e apontou para a porta que se trancou, e para o teto, uma luz azul percorreu toda a parede indicando um feitiço do silêncio.

Snape sentiu seu corpo bater de encontro a mesa e sentiu dor. Fechou os olhos enquanto tentava conter seu corpo trêmulo. Fechou os olhos enquanto ouvia a própria respiração alterada. Por sua mente passavam milhões de pensamentos, todos horríveis. O que Thiago iria fazer? Não poderia ser possível que ele fosse...

-Thiago, não faz isso, por favor... - parou de falar. Sua voz havia sumido e ele controlava desesperadamente as lágrimas. Levantou da mesa e se virou de frente para ele. Apoiou-se com as duas mãos na mesa, seu corpo encolhido para trás. Os cabelos cobriam seu rosto, mas Thiago podia ver o brilho de desespero em seus olhos.

-Por favor... - sua voz quase não saiu.

Thiago espalmou a mão no peito de Snape o mantendo encostado na mesa. Sem pensar duas vezes deu um tapa em seu rosto com as costas da mão, não conteve sua força no tapa.

- Eu nunca mais quero que se aproxime dos meus amigos, e mais, não quero cenas ridículas de ciúmes. - disse ele puxando o outro pela camisa. Ele agia com tanta fúria que sentia todos os músculos de seu corpo se contraírem só de pensar o que faria com o outro, sabia que aquela seria a gota da água, seria tudo o que precisava fazer, e ali, ele ultrapassaria todos os limites do possível. Depois daquilo, Snape tremeria só de ouvir a sua voz.

- Muito bem, vou tirar a roupa para você, Príncipe. - disse ironicamente enquanto puxava a roupa do corpo do outro.

Os olhos de Snape se fecharam imediatamente sentindo o primeiro baque do tapa. Ele gritou expondo sua dor e levou as mãos ao rosto, amparando-o. Imediatamente as lágrimas começaram a escorrer. Sentia suas mãos frias como pedras de gelo, era o medo. Não teve muito tempo, logo seu corpo foi jogado novamente contra a mesa e ele sentiu as mãos de Thiago a lhe tirar a roupa com força, ferindo-o ainda mais. Gritou de novo.

- Não, por favor, não faça isso comigo, Thiago...

Doeu muito quando o ouviu chamá-lo de Príncipe. Lembranças. E agora só dor.

Quando viu o outro sem camisa, Thiago não disse mais nada. Não ficaria discutindo com ele aquilo, era uma decisão e a sua fora feita. Ele virou o corpo menor e mais magro que o seu, deixando Snape de costas para ele novamente e apoiando a mão ali, o segurando pela nuca deitou parcialmente o corpo em cima do dele, ele já se sentia excitado assim, apenas de ver o outro naquela forma, e saber o quanto seria bom para si próprio. Segurou o rosto de Snape na madeira da mesa.

- Sabe Príncipe, eu gosto de ver você assim dessa forma, estou achando que devia ter feito isso antes. – começou, a voz saia lenta e baixa, ele sentia o corpo tocar o do outro enquanto respirava. - Mas só dessa vez que você mereceu. - disse ele agora sorrindo. - Não adianta implorar, eu não vou parar e ninguém vai te ouvir. - as palavras tão calmas, davam uma impressão ruim ao que acontecia. Pela forma como eram ditas, sem sentimento algum além da ira e da frieza.

Sentiu o contato do outro em seu corpo e estremeceu de medo de novo. Fechou os olhos e tentou não pensar naquilo que ia acontecer. Ele chorava. Um choro quase de criança. Não podia acreditar que a pessoa que ele mais amava na vida, senão a única, estaria o humilhando e acabando com ele daquela forma. Suas palavras só serviam para piorar tudo. Sentiu frio, seu corpo estava gelado, era o medo. O rosto de encontro à mesa dura tremeu enquanto ele chorava e perdia o ar, a respiração era difícil demais. A vergonha tomava conta dele e então ele tentou se refugiar em alguma lembrança boa, fechando os olhos. Então ficou em pânico, porque não se lembrava de nada bom que lhe acontecera na vida. Começou a ficar extremamente tonto e enjoado: era o medo.

Thiago desceu forte, as mãos pelas costas do outro, sentindo a pele macia, respirando o perfume de Snape, que só ele próprio tinha e parou as mãos um pouco no cós da calça.

- Sabe Snape, essa vai ser a última vez que vou tocá-lo. E agora você vai entender de uma vez o que eu sinto. - disse sorrindo.

E logo deslizou a calça do outro por suas pernas, colocando os joelhos entre elas para forçar o outro a abri-las.

- Vê-lo assim, tão submisso a mim, e sentir o seu corpo tremendo de medo é algo que eu realmente deveria ter provado antes, Príncipe e sempre que alguém chamá-lo assim, vai lembrar o que aconteceu. - disse ele ainda encostado-se ao outro. - Vai lembrar dessa noite, porque vai marcar em sua mente.

Sentiu as lágrimas desceram mais amargas. Aquelas palavras estavam dilacerando sua alma aos poucos, esmigalhando-a em mil pedaços. Fechou mais os olhos, apertaram-os até o limite. Novamente uma onde de tremor lhe invadiu, estava com muito medo do que ia acontecer. Mas ele o estava magoando demais, demais... Nada poderia salvá-lo depois daquilo. Novamente sentiu uma tontura forte, tudo começou a escurecer, mas ele não era abençoado com o desmaio. Estava ali bem são e ciente do que estava acontecendo, sentia a realidade como constantes tapas em sua face.

- Por favor, Thiago, não faz isso comigo... - dizia entre lágrimas - Eu vou... - mas deixou as palavras morrerem.

Apenas sorria com cada palavra do outro, era o que tinha que fazer, não era hora de pensar nem nada. Apenas o possuir, sem nenhum carinho como estava começando a fazer. Sentia o corpo de o outro tentar impedir aquela invasão, impedir aquela humilhação, mas ele era forte, era assim por causa dos treinos. Apenas começou a invasão do corpo do outro, com certeza doeria, talvez mais por dentro do que por fora, aquele quarto estava ficando insuportável até mesmo para ele, começava a parecer mais quente enquanto seu corpo parecia gelado. Apertou os dedos em volta da cintura do outro.

Snape gritou quando se sentiu invadido sem permissão. Aquilo doía, doía, humilhava, mas doía, doía, por um momento ele perdeu a noção de tudo, porque a dor era absurda. Suas pernas tremeram violentamente, ele quase caiu da mesa se não fosse pelas mãos do outro em sua cintura. Seu corpo permanecia gelado, muito gelado. Ele se agarrou na mesa e suas mãos estavam suando frio. Não podia deixar aquilo marcá-lo, não queria lembrar de Thiago daquela forma, mesmo que ele estivesse fazendo aquilo.

Buscou em sua mente escura alguma coisa para não morrer naquele momento e então se lembrou de algo que havia escrito em seu diário. Havia escrito lá a letra de uma música trouxa que ele se lembrava de Thiago quando ouvia. Sua mente então visualizou o diário e a letra. Começou a mexer os lábios devagar, mas sem som, sentia as lágrimas correrem por seu rosto. Não iria pensar naquele momento, ia se concentrar no diário. No diário ele havia escrito que dedicaria a música a Thiago. Via-se com ele no quarto da Grifinória (sem saber por que escolhera este e não Sonserina) a luz dourada a envolver-lhes, ele a sentir o corpo do outro o acariciando em movimentos precisos onde ele sentia o amor em ondas de calor e o teria com ele para sempre.

Então Thiago se concentrou em marcar o corpo do outro, com mordidas fortes no ombro enquanto cravava mais as unhas na cintura dele.

- Nunca mais, entendeu Príncipe? - disse devagar encostando a testa nas costas dele enquanto sentia sua pele raspar na de Snape. A voz agora estava um tanto afetada pelo prazer, porque parecia que daquela forma ele sentia mais prazer do que quando o outro estava preparado para ele.

- Nunca mais tenha essas idéias idiotas, e nem se aproxime dos meus amigos, talvez se o fizer eu consiga algo pior que isso. - disse e continuou com aquele ato de humilhação, sem se importar com a dor do outro, apenas se concentrando no seu prazer, apenas se preocupando consigo mesmo, e que o outro sofresse por que merecia. - Não sinto ciúmes de você e nunca vou sentir.

Snape sentiu seu corpo todo se arrepiar de dor e ele gritou mais uma vez, seus pensamentos sendo violentamente cortados. Gritava e chorava, mas uma hora estava sem voz, então seus gritos saiam incompletos. Começou a sentir algo escorrer entre suas pernas e sabia que era sangue.

Começou a ficar tonto de novo. Começou a gemer de dor, o ar lhe faltava e ele tinha dificuldades para respirar. Soltou as mãos da mesa, os braços penderam ao lado do corpo e ele só não caiu porque o outro o mantinha preso firmemente ali. Sentiu então seu corpo bater contra a mesa com cada investida. Seus olhos se fecharam e ele sentia que seu coração estava começando a bater menos depressa. Estava se acalmando e ele não ficou com mais medo. Voltou a pronunciar a letra, bem baixo, mas não conseguia ver imagem alguma. Tentou então acreditar na letra daquela música...

Quando finalmente chegou ao prazer ele parou as estocadas, e deixou-se ficar um pouco mais deitado em cima do corpo do outro, a sua respiração estava acelerada, ele fechou os olhos. Sentia cada parte de seu prazer único sem se importar com Snape. Não que alguma vez ele tenha se preocupado com Snape, mas como das outras vezes, ele pelo menos ia com cuidado, o outro acabava tendo um pouco de prazer mas daquela vez era diferente, porque só havia dor ali, ele só tinha conseguido prover o sofrimento de Snape.

- Preciso falar que não é para você abrir a boca para ninguém sobre isso? Ninguém acreditaria em você. - disse seu trunfo. - Mas Príncipe, guarde sempre esse momento com esse nome, creio que vai lembrar muito dele.

Sentiu seu corpo esquentar rapidamente, mas sentia muito frio. Abriu os olhos e eles nunca estiveram tão escuros. Parecia que haviam sido eternamente apagados. Assim que o outro terminou o terrível discurso, Snape conseguiu fazer-se ouvir. Com a voz fraca e a mente totalmente deturpada para sempre, se ouviu a musica trouxa bem conhecida de Thiago.

I can't remember when I last saw you laughing,

If this world makes you crazy and you've taken all you can bear,

You call me up because you know I'll be there...

Não me lembro quando foi a última vez que eu te vi sorrindo,

Se este mundo te deixar louco e você já não agüentar mais,

Ligue pra mim, porque você sabe que estarei ao seu lado

And I see your true colors shining through

I see your true colors and that's why I love you...

E eu verei suas cores verdadeiras brilhando sem parar

Vejo suas cores verdadeiras e é por isso que eu te amo

Respirou fundo e conseguiu terminar:

So don't be afraid to let them show…

Então não tenha medo de mostrá-las...

Ele fechou os olhos e seu corpo foi abandonando devagar a mesa, até chegar ao chão. Sua consciência o deixara. Snape não sabia, mas Thiago simplesmente adorava aquela música.

Thiago deslizou pela parede, sentindo a pele raspar durante a descida até ouvir todas as palavras de Snape o cortando fundo, e o ato que ele fizera vindo a seus olhos como se os assistisse de fora. Sentiu-se mais do que um monstro. As palavras de Snape eram ácidas para ele, por mais que a letra fosse bonita. O significado daquela letra agora mudaria para ele. Ficou parado e ouviu a voz do outro sumir, enquanto as lágrimas desciam pela primeira vez, encharcando seu rosto de forma silenciosa, em choque.

Não tinha o direito de chorar. Sentiu-se incapaz até mesmo de levantar, talvez ele tivesse matado a alma do outro, sua raiva o levara longe demais e agora resultava no desespero. Pensou em levantar e pegar o outro do chão, chegou perto, o rosto vermelho, engatinhou até ele, mas Snape estava desacordado. Por fim o levantou nos braços, o deitando em um sofá que estava jogado no canto. E se sentiu tão horrorizado com o que tinha feito que saiu praticamente correndo de perto do outro. Agora porém, não teria mais como um amor viver com aquilo, mas o amor de Thiago se tornava mais sensível e agora ele agüentaria a dor de seu próprio amor o matando.

Thiago simplesmente se sentia desesperado com o que tinha feito. E parecia que só agora se dava conta que amava Snape, que por mais que sempre tinha se negado a isso o amava. Procurou a varinha e disse um feitiço, não um mais alguns, para limpar Snape e tirar as marcas de seu corpo e também a dor. E depois simplesmente ficou ali parado olhando o outro, o corpo tremendo todo fazendo a varinha estendida balançar, e ele simplesmente não conseguia parar de chorar, era um choro compulsivo e cheio de dor, nunca tinha chorado daquela forma, seu peito doía quando as lágrimas saíram e ele tinha medo de se mexer e cair. Sua alma sofria como se ele sentisse toda a dor de Snape.

Thiago não sabia o que fazer, não sabia se caia no choro, ou se corria. Ele puxou o outro para si, o fazendo cair sentado no seu colo. Tentando entender por que ele havia feito aquilo, só se dando conta de que tudo foi movimentado pela sensação de que não poderia estar com Snape, e também por ciúmes. Ele abraçou o outro o apertando forte entre os braços.

- Snape... Severeus... - chamou enquanto escondia o rosto no corpo do outro, o chamando. Não haveria perdão para aquilo, ele sabia, mas o que poderia dizer. Que ele que iria se lembrar daquilo até sua morte? - Eu... - e se calou de novo por falta de palavras. Me bata, fale que me odeia. Se afasta de mim, eu mereço isso de você. - disse por fim a voz carregada pelo choro.

Nota: Quero agradecer a Srta Potter pela betagem e pela parte que me ajudou a escrever, a do Snape. E também pelo live que acabou inspirando algumas cenas na fic.