Fel

Meu coração - meu amor

Uma palavra - e se foi

Para ficar - eu irei

Acreditar - e rezar

Pra ver - pra sentir

Pra escutar - pra ser e se ir

Como posso me aproximar de você?

Como eu posso? - o tolo

Beleza não pode ser vista, mas somente beijada (mas somente beijada) Eu tenho tanto amor para dar

Mas onde você está e - como ser alcançada?

Eu posso conversar? - eu posso falar?

E eu posso deitar minha cabeça sobre você?

Eu posso escolher e eu posso dizer

Que te amo?

Escuridão me rodeando

Minha cabeça abaixa

Seus braços estão longe

Sua respiração me pega

Acima de tudo - eu estou apaixonado

Eu estou te amando - mas você

Tão longe de mim - eu estou revestindo

Suas palavras - sua face - sua respiração

Seu toque - seu coração deveria me cobrir

Mas tudo que você faz é me observar

Então eu dispenso sua graça

E lá longe a escuridão cresce

E quem me guia de volta para todas minhas rotas

O desejo e a dor

Na escuridão e desgraça

O desejo e a dor

Na escuridão e desgraça

Beleza não pode ser vista, mas somente beijada (mas somente beijada) Eu tenho tanto amor pra dar

Mas onde você está e como ser alcançada?

Como eu posso? - o tolo

Beleza não pode ser vista, mas somente beijada

Eu tenho muito amor pra dar

Mas onde você está e como ser alcançada?

Eu posso conversar? - eu posso falar?

E eu posso deitar minha cabeça sobre você?

Eu posso escolher e eu posso dizer

Que te amo?

Beleza não pode ser vista, mas somente beijada (mas apenas beijada) Eu tenho muito amor pra dar

Mas onde você está e como ser alcançada?

Darkness – Lacrimosa

O sol começava a nascer quando ele saiu da sala, seu corpo todo tremia diante da possibilidade do outro abrir os olhos e ter que encara-lo, pela primeira vez na vida ele sentia medo de algo que não compreendia. Suas pernas tremiam enquanto ele se dirigia não para o quarto, mas para o banheiro, não um banheiro qualquer, mas o do quinto andar onde não seria encontrado.

Ele abriu a porta e correu, seu estomago se revirava e foi o tempo exato para ele vomitar dentro do vaso, nunca sentiu tanta dor de estomago, mas por um momento ele queria sentir aquela dor, ele precisava dessas coisas para se sentir vivo. Ele tremia. Por que havia feito aquilo?

Ele tentava encontrar na sua mente razões para não ama-lo o tempo todo, ele vinha tentando odiá-lo, quando que aquele ódio virou amor? Ele sorriu tristemente, tinha conseguido, era certo que o outro não olharia para sua cara depois daquilo. Suava frio, enquanto pensava se deveria ter ficado lá para encará-lo, deitou no chão, estava sem camisa, usava só a calça, as roupas abandonadas para lembrar o outro da sua presença, de que nada daquilo fora um pesadelo.

Ele havia tremido de raiva, com tanta raiva que o cegou, ele só conseguia sentir ciúmes do outro, ele só conseguia querer afastá-lo, e ele fez de tudo, de coisas mais leves a mais forte e por quê? Por que ele não queria que ninguém se aproximasse demais e descobrisse os defeitos do garoto perfeito da Grifinória.

Não Snape, ele não poderia amá-lo, ele sabia que não devia, além do outro ser um mestiço era seu absoluto oposto, mas ele não conseguia se impedir de amá-lo, sempre tendo encontros às escondidas enquanto ele tentava acreditar que era apenas sexo fácil. Mas não era e agora estava claro para ele.

Estava destruído, tudo desmoronava a sua volta e ele não tinha mais lágrimas para chorar, avia matado bruscamente o amor no outro, por que Snape o amava, era claro em seus gestos e talvez aquilo o mudasse completamente. Seu peito arfava, ele sentia frio, mas se permitiu a essa tortura de bom grado, ele precisava sofrer tudo pelo que tinha feito ao outro.

Ele tapou o rosto com as mãos, não tinha sido só culpa dele, por que o outro o havia provocado de uma forma que nunca tinha feito antes, por que havia ido com Black, seu melhor amigo na festa, por que havia deixado Sirius o beijar?

Era a culpa de Snape também, ele não levaria aquela culpa a diante, ele não se culparia por um erro que fora do outro também e que acabou gerando uma briga e atos tão impuros. Não tinha mais palavras, não tinha mais pensamentos e ele só podia chorar, estava tudo acabado e a culpa e honra por isso pertencia só a ele.

o0o

Quanto Snape acordou, porém, evitou abrir os olhos, o medo de encontrar o outro ali era forte, mas ele tinha que vê-lo precisava olhar para a face sem sentimentos de James e matar de uma vez aquele sentimento. O pior é que ainda o amava, mesmo após tudo, ele gostava de sofrer ele tinha que matar esse sentimento com a dor por que nunca iria ficar com o Potter perfeito.

Sentiu-se inferior quando acordou e o outro não estava ali, ele era um lixo, por isso James o tratava assim, por isso ele tinha que deixar de amá-lo. Levantou-se, seu corpo não doía tanto como a sua alma, era um vazio, era como se não tivesse uma alma dentro de si, como se por um momento ele pudesse enfrentar o outro de frente. Quando começou a se vestir, sentindo-se um nada, a porta se abriu, ele resolveu não olhar, não importava quem era.

- Snape? – chamou a voz, tinha algo de diferente nela, não era cheia da prepotência que era tão típica do dono.

Por alguma razão estranha, talvez por causa do outro o tê-lo deixado só depois de ter estuprado coisa que ninguém nunca lhe tinha feito, uma ira pareceu tomar conta, mas ele era calculista o suficiente para cozinhar essa iria e ir injetando no outro como o veneno de uma cobra.

Ele vestiu a camisa e se deixou cair, sentindo todas as partes de seu corpo reclamarem quando encostou no sofá.

- Snape? Não é mais Ranhoso, ou quem sabe não prefira Seboso. – disse as palavras saíram com fúria enquanto por dentro um nó se formava na sua garganta, ele queria muito chorar, ele queria muito que nada daquilo tivesse acontecido, ele queria poder merecer amor e carinho de Potter. – Eu acho que você já fez o bastante, me deixe em paz. Ou voltou para completar o serviço?

James sentiu as palavras lhe atingirem, e arqueou uma sobrancelha, para ele tudo tinha remédio, tudo poderia ser concertado e perdoado, mas ele não pediria perdão. Não James Thiago Potter. Ele andou mais para perto do outro e apontou a varinha para executar um feitiço mudo para trancar a porta.

- Me escuta, não venha com ironias para cima de mim, não vou tocar em você.

- Me deixa sair, eu não quero ficar perto de você eu não quero falar com você, eu odeio você.

As palavras de Snape por mais que concretas e firmes não pareciam verdadeiras, será que James estava sonhando, ele viu no outro uma figura frágil, e não soube como pode fazer aquilo com ele. Ele foi até o outro e o segurou enquanto Snape tentava se soltar ele o puxou para ficar em pé, com fúria Snape tirou o braço dos dele, ou ele estava mais forte ou James estava mais fraco. Era um pouco dos dois.

Snape acertou um tapa na cara do outro, e esse tapa doeu mais em James do que poderia imaginar, no fundo ele se sentia um monstro, mas ele gostava de ser um monstro, era o que ele era e só Snape conhecia, ninguém conseguia olhar para o outro através daquele pinta de perfeição que ele exibia aquele personagem montado para esconder e proteger, que ele usava diariamente. No fundo ele era cruel e Snape mais do que ninguém sabia, no entanto o amou, e isso o assustou, o outro o amou mesmo assim.

- Eu sei que eu mereço isso de você, mas a culpa foi sua também. – disse a Snape que não agüentou, não tinha mais como segurar as lágrimas diante daquele absurdo, e por um momento ele se sentiu carregando toda a culpa de sua dor, talvez ele merecesse aquilo só por existir.

Ele começou a socar o peito de James, e James por um momento sentiu tanta afeição por ele tanto carinho que a culpa pesou mais dentro de si quando ele o abraçou, mesmo com os socos do outro, mesmo com toda aquela dor que os selava.

Não disse palavras, ele apenas se deixou ouvir as lágrimas de Snape que vinham com gritos, até que o outro se cansou e agarrou na sua blusa.

- Me mate de uma vez...por que não acaba com essa dor dentro de mim. Por que alguém não me mata simplesmente por que eu não tenho coragem de fazê-lo? – disse ele James ainda o apertava contra o peito, ele merecia ouvir aquilo do outro ele merecia que o outro o odiasse mesmo não sendo assim.

- Não posso.

- Eu não devia existir, não devia estar aqui, eu não mereço nada de bom por quê? O que eu fiz?

Ele subiu as mãos no rosto do outro então tomou consciência do que ele queria, ele queria que James cuidasse daqueles ferimentos que ele mesmo havia causado, chorava em desespero como se erguesse às mãos para Thiago e implorasse para ele fizer a dor parar, para apagar da sua mente tudo o acontecido.

James por outro lado, sentia que não era capaz de amar Snape como ele merecia, sabia que nunca seria o suficiente para acalmar as dores do outro. Ele deitou Snape e se deitou por cima dele, cobrindo o corpo pequeno com os seus e o abraçando.

- Eu mereço que você me odeie. Eu mereço qualquer mágoa vindo de você por que eu fiz isso, eu mereço que me mate dentro de você, não tenho o direito de pedir nada.

- Eu... eu...não devia ama-lo, eu fiz aquilo para te provocar, eu não sabia que você era capaz de algo assim.

Snape aos poucos ia tomando consciência do que o outro era do quanto monstruoso James poderia se tornar, e o nível de crueldade dele poderia superar qualquer coisa.

- Você é um monstro James. – disse ele ao outro saindo de debaixo do seu corpo sentindo o perfume do outro e pela primeira vez o olhou de forma assustada. James se sentou e ia se levantar de novo para segurar quando Snape parou com as costas na porta.

- Snape, me escuta.

- Não, você não tem que me tocar, eu tenho nojo de você, não quero mais que encoste em mim. – disse ele se afastando mais. – Me deixa sair daqui.

James pensou em retrucar não podia deixar o outro sair assim, não para sempre.

- Eu odeio você, Potter, me deixa sair agora.

Ele começou a puxar com força a porta como se James tivesse alguma doença transmissível e ele tivesse que ficar o mais longe possível do outro, e a dor em Potter foi tanta que superou a raiva e o orgulho ele poderia dizer que amava o outro, mas nunca faria isso, ergueu o rosto para a porta e murmurou o feitiço e ela se abriu, Snape saiu de lá às pressas sem olhar para trás.

James agora poderia chorar, poderia tentar matar dentro de si o que agora estaria mais vivo do que nunca, o amor por Severus.

o0o

Logo que acordou ele chegou a pensar que era um sonho que estava ali, e com quem estava até encontrar os cabelos dourados ao abaixar os olhos para o seu peito. Ele dormia, e Sirius quase não dormiu direito, por que queria ficar ali vendo o outro, com as feições calmas, tinha medo de se mexer e tirar o outro do seu peito. Haviam ficado juntos, e Sirius havia conseguido convencer o outro que o amava.

Mas agora era hora de acordar o outro, a festa havia sido deixada para trás bem como qualquer lembrança dela. Começou a mexer nos cabelos de Lupin, tirando os fios do rosto para poder vê-lo melhor.

Sirius logo quis beijá-lo, assim que Lupin abriu os olhos e o olhou Sirius quis encher ele de beijos cada vez mais calorosos, não tinha tido muito tempo que queria fazer aquilo.

Os dois tinham se acertado finalmente, e ele imaginava Moony sendo a coisa mais fofa em que já tinha posto os olhos. Por outro lado Lupin ainda continuava inseguro, tinha medo que Sirius cansasse dele.

Bem, para Lupin era só uma mania de Sirius Black, mas que ele iria aproveitar e tentar afastar de si os medos que o outro simplesmente virasse para ele e falasse que tudo não passava de uma brincadeira.

Sirius viu Lupin dar um pulo e se sentar rápido se afastando dele e deixando uma sensação de frio no lugar em que estava, coçou os olhos tentando fingir que não sentia o rubor em sua face, enquanto Sirius não podia deixar de sorrir para o rosto corado do outro.

- Ah… Desculpa. - disse Lupin sem graça, mas Sirius aproximou a mão do rosto dele acariciando-o. Se aproximando como um gato felino do outro enquanto o tocava como se tocasse uma taça de cristal. - Sirius? - disse o outro ficando mais envergonhado ainda.

Sirius o olhava com uma expressão completamente enevoada enquanto se aproximava mais até segurar o rosto de Lupin pelo queixo, o trazendo para mais perto enquanto tirava a mão de Moony de perto do rosto e o beijo ocorreu até Lupin empurra-lo o que deixou Padfoot muito aborrecido.

- Mas o que foi agora?

- Eu… eu não escovei os dentes ainda Sirius. - disse ele, a voz tremendo e ele estava vermelho de vergonha. Sirius bufou e pegou a varinha apontando para o outro e murmurando um feitiço fazendo o mesmo consigo.

- Melhor assim? Posso beijar você agora? - disse engatinhando e colando o corpo no do outro antes que Lupin pudesse respondê-lo já estavam se beijando. O corpo de Sirius era mais forte do que o de Remus, e estava comprimindo o corpo nele em uma espécie de sedução.

Mas Lupin correspondeu aquele beijo um tanto fogoso de Sirius.

- Não me importa, não vou deixar que saia daqui tão cedo, por tanto pode esquecer seus livros. Hoje é domingo e só vamos voltar a Hogwarts de noite.

- Tudo bem, eu fico com você Padfoot.

o0o

Era uma noite estrelada, a ele irritava que a noite fosse tão bonita, parecia uma afronta quando ele estava tão triste. Por um momento ele sentiu que a solidão era dolorosa demais, ele se sentou perto do lago, as vestes comuns de sempre enquanto ele segurava na mão um livro velho, mas pela primeira vez não sentiu vontade de escrever nele, não conseguiria se concentrar.

Por que tinha que amar James Potter? Bateu o caderno com força no chão como se o caderno tivesse culpa, e logo a vontade de chorar foi forte e ele sentiu-se um tolo quando as lágrimas escorriam pela face e os olhos ardiam como nunca.

Ele olhou para a lua, e chegou a perguntar por que algo de bom não acontecia a ele, chegou a questionar a razão de tudo aquilo, por que James Potter o tratava assim? Galhos foram se quebrando ao seu lado, e por um momento ele chegou a desejar que fosse alguma criatura que o matasse de uma vez.

Virou o olhar em direção os passos que se aproximavam com uma calma inebriante. Ele viu o animal pelos olhos esverdeados, a pelagem caramelo e os grandes chifres, ele, porém não sabia o que um Cervo fazia ali, naquele lugar, até vê-lo se aproximar da água e começar a bebê-la, ou não notando Snape ou confiando no garoto.

Ele nunca tinha visto aquilo, e depois sentiu vergonha como se o animal tivesse vendo ou sentindo que ele era tão insignificante que parecia pertencer à paisagem. Ele se deixou encostar mais ainda na árvore fazendo questão de se camuflar nela. O cervo parou de beber e se aproximou mais de Snape se sentando ao lado dele e deitando a cabeça nas patas dianteiras como se esperasse o garoto falar.

- Você vai ficar mesmo me vendo chorar não é?

Ele falava como se o servo pudesse ouvi-lo, tal era a necessidade de ter alguém, sempre fora sozinho, mas por que as pessoas pareciam não contar com ele para nada, nunca tinha tido ninguém próximo a si por que ele não achava que era uma boa idéia, não queria ter ninguém apesar de sentir falta de alguém para conversar, pensou na mãe, pensou em como queria estar nos braços dela àquela hora, a única pessoa em quem realmente confiava.

- Aquela idiota da Lily não entende, sabe. - disse ele para o céu, pelo menos o cervo o ouvia, e aquilo era realmente bom para ele. O cervo não o questionaria, era muito melhor do que falar com um ser "pensante".

- Às vezes eu me pergunto por que acabei vindo para essa escola. - disse ele com a voz baixa. - Mas o que realmente me intriga é por que James Potter me odeia tanto, eu nem sequer olho para ele.

O cervo levantou a cabeça e começou a olhá-lo diretamente, ele nunca tinha visto um cervo daquela forma, era um cervo que tinha uma alma e agia como se fosse absolutamente puro e tivesse ouvindo atentamente a qualquer palavra de Snape.

Talvez apenas, o outro o amasse, não, o pensamento foi cortado, nunca que James o amaria, não depois do que ele fez. Ele olhou mais para o cervo colocando os cabelos atrás da orelha e mostrando mais o rosto pálido de pele fina. Ele se levantou e se aproximou com calma do cervo não queria assustá-lo, e por um momento ele pensou que era impossível, ele era medonho devia assustar qualquer um.

Estendeu a mão, os dedos finos para tocar a cabeça do cervo e fazer um carinho ali, deslizando os dedos devagar. Como queria um dia poder tocar James assim, como queria que o outro correspondesse daquele sentimento que nem ele sabia o que era. Ou talvez até soubesse, mas se negava a ele, sim, após de tudo o que havia passado com o outro.

" Mas ele se arrependeu" - uma voz disse na sua cabeça como se fosse o cervo respondendo ao que ele tinha pensado.

- Não, ele não se arrependeu, eu não acredito nisso, é claro que ele só não queria perder o sexo fácil. - disse Snape como se cuspisse as palavras com uma raiva crescendo em si e fazendo seu peito doer por um momento, ele mesmo não queria acreditar naquilo que falava com tanta ferocidade.

- Ele só queria se aproveitar de mim, e sabe por que eu aceitei isso? - perguntou ele enquanto olhava para o outro e recomeçava a chorar os lábios ficando vermelhos.

- Eu aceitei por que eu achava que pelo menos uma vez na vida eu fosse ter sorte ou ser feliz com alguma coisa, eu achava que com o passar dos encontros ele me olharia de uma forma diferente do que a que ele criou de mim. - disse ele suspirando e tirando a mão do cervo que levantou mais o rosto ainda olhando-o.

- Mas eu sou um idiota, fico aqui falando com você, ou escrevendo nesse livro idiota, como se um diário ou um animal pudessem me responder. - ele se levantou e atirou o caderno no lago o vendo boiar. Depois se sentou no chão segurando a cabeça com as mãos enquanto chorava mais.

Ele se sentia confuso, não sabia mais o que pensar e por um momento ele quis esquecer tudo o que acontecerá até os momentos ruins e os bons ao lado de James. Os toques e todas as esperanças que ele tinha em relação a James. Ele apenas acertou um soco na sua perna, lembrar do que o outro havia feito todas às vezes era doloroso demais.

Olhou para o cervo parado ali, como, por um momento, ele queria ser aquele cervo, ou então apenas um animal qualquer com uma liberdade que ele nunca sonhou em ter.

Então algo aconteceu, uma luz forte envolveu o cervo todo, e começou a fazê-lo brilhar intensamente, e quando a luz foi sumindo ele se deparou com algo que nunca pensou que veria a imagem de James nu, parado ainda brilhando suavemente enquanto era iluminado pela lua.

Os olhos de James estavam com um brilho diferente e Snape se levantou, era mais baixo que o outro e James parecia não se incomodar com o fato de estar nu. E a voz de James começou baixa e devagar como se desse espaço para o outro sair correndo.

- It's you that I adore. ( É você que eu adoro) - disse se aproximando devagar, mas sem tirar o contato visual, a sua voz era suave ele cantava como se para o vento, ele cantava como que para trazer o outro para si.

Mas ele continuou dando melodia às palavras.

- In you I see dirty ( Em você eu vejo sujeira )

In you I count stars ( Em você eu conto estrelas)

Os dedos de James tocaram no rosto que um perplexo Snape, a voz do outro parecia colar seus pés ao chão. As lágrimas se secavam aos olhos.

- In you I feel so pretty ( Em você eu me sinto tão bonito )

In you I taste God ( Em você eu sinto o gosto de Deus )

In you I feel so hungry ( Em você eu me sinto tão faminto )

A voz de James começou a falhar e quando Snape levantou o olhar para vê-lo, lágrimas escorriam pelos seus olhos como se tivessem conseguido escapar e James segurava dentro de si pelo orgulho, a vontade de cair nos pés de Snape e pedir por mais uma chance. Enquanto Snape tentava pensar que ele só fazia aquilo para tentar reaver o sexo, mas não fazia sentido pensar assim, enquanto o outro cantava, enquanto a voz de James parecia um tanto triste. Ele nunca havia ouvido a voz de James soar assim, fraca e triste.

James o abraçou forte, o corpo de Snape estava imóvel e sentiu-se derreter nos braços do outro em uma entrega quando a voz de James voltou a murmurar.

- We must never be apart ( Nunca devemos estar separados )

Nota: A música que o James canta para Severus é Ave Adore do Smashing Pumpkins.