Fel

Às vezes acho que eu fiquei louco

Me dando conselhos até ficar rouco

Às vezes acho que eu perdi a memória

Contando de novo a mesma história

REFRÃO:

Aqui onde as horas não passam

Aqui onde o Sol não me vê

Aqui onde eu não moro

Não existo sem você

Me olho no espelho e me vejo do avesso

O mesmo rosto que eu não reconheço

rádio ligado, chuva e calor

As gotas me ferem mas não sinto dor

Aqui - Capital Inicial

Era um fim de tarde, ele estava ali perto do lago, o tempo estava frio naquele dia, estava chuviscando, mas ele não se importava. Ele olhava para o lago, alguns alunos andavam de um lado para o outro e apesar de não haver nenhum sinal dos marotos naquela manhã ele, estava feliz. E sabia por que não havia sinal deles, por que de noite haveria lua cheia.

Ele tinha uma flor nas mãos, algo que parecia ser uma margarida mas que tinha as suas pétalas pretas, ele gostava daquela flor em específico. Ele tinha o seu livro de poções avançadas na mão, um livro que tinha anotado muitas poções, um diário que ele mesmo escrevia ali, suas poções e feitiços que ele mesmo criava. Tinha abaixo de si uma taça.

- "Não devo fazer isso, é errado."

Ele tinha a página aberta onde se lia no título, a letra caprichada e cheia de arabescos. "Poção do amanhã", e a única coisa que faltava a poção era aquela flor, ele começou a tirar as pétalas uma a uma e depositar no copo, a curiosidade era uma de suas melhores armas.

O liquido vermelho brilhava levemente, as pétalas pretas se dissolviam até o preto sumir e a poção ficar mais escura.

Por fim, ele ficou admirando a poção, havia demorado sete dias para fazer. E agora ele saberia tudo o que o futuro reservava, ele saberia tudo o que precisava saber. Levou a poção aos lábios e sorveu cada nova gota. E quando terminou sentiu o gosto dos seus lábios, antes doces como mel se tornar amargo, tanto que ele chegou a tossir e sentir ânsia de vomito.

Sentia os lábios em fel, como se nada de bom pudesse resultar em seu futuro. Viu luzes vermelhas e pretas dançando na frente de seus olhos, o corpo tremendo e suando frio enquanto o gosto amargo só se tornava mais amargo, o rosto ficava da cor da poção e ele levantou, segurando a garganta, pensando que talvez teria feito a poção errada, pensando que não poderia ter aquele gosto.

Sua primeira atitude foi se levantar e pensar em correr até Horácio Slughorn para pedir ajuda, talvez o professor pudesse dar um antídoto. Mas ao levantar o preto em seus olhos cresceu tapando o vermelho e ele desmaiou.

- O futuro... Chegando… - foi a última coisa que ele ouviu, como sua voz saindo de dentro.

oOo

- Padfoot, pára. - disse a voz um tanto brava de Remus enquanto olhava o garoto andar de um lado para o outro na sala. - Vai acabar furando o chão.

- Eu não acredito nisso, como assim? Prongs, você esta brincando não é? - Padfoot andou até o garoto de olhos castanho-esverdeados que lia um profeta diário e desviou os olhos para Sirius com uma expressão totalmente entediada no rosto. - Você não podia ter feito isso, era NOSSO segredo.

- Hum, o que mais? Termina de falar, aí eu me defendo, Padfoot. - disse James indignado.

- Não, eu quero que você dêe um jeito, por que tinha que contar para Snape que é um animago, o que você tem na cabeça?

- Padfoot, será que você pode ouvir primeiro e parar de dar escândalo antes?

Padfoot caminhou até o sofá velho e afundou ali com a cara mais emburrada do mundo, mas se calou. Remus sorriu para ele e fez um "obrigado" com os lábios.

- Eu não contei a ele viu.

- Como? - perguntou Moony.

- Eu estava na forma de cervo e ele me viu perto do lago, mas eu estava com problemas para manter a forma de cervo e…- ele contou tudo o que tinha acontecido aos amigos.

- Você ama o seboso? - perguntou Sirius parecendo furioso. - Como eu não percebi antes, ainda mais depois do baile?

- Não chama ele assim, Sirius.

- Ah…Vai ficar nervosinho agora só por que eu chamei o Snape de seboso, se você não lembra, foi você quem deu o apelido no nosso primeiro dia de aula.

James riu suavemente, dobrou o jornal e continuou olhando para Sirius. Remus tinha um olhar perdido do outro lado pensando talvez que os dois fossem brigar.

- Você esta com ciúmes Padfoot.

- O que? - perguntou o outro totalmente incrédulo. - Eu não, por mim você pode espalhar uma folha no mural da sala comunal dizendo que é um animago e que seu apelido é Prongs, estou pouco ligando.

- Nossa, quanta mudança.

- Ei, vocês estão aqui por mim não é? - perguntou Moony.

oOo

Uma luz brilhava por todo o aposento, era uma casa, mas ninguém o via nem o sentia, era como se ele estivesse assistindo de fora os acontecimentos. Haviam muitas pessoas ali no lugar, andando de um lado para o outro, e em um canto da sala ele o reconheceu, o olhar preocupado, mas os cabelos estavam arrumados pela primeira vez sem estar uma ponta para cada lado, ele não tinha a mesma pose arrogante de sempre.

- James. - disse sem se ouvir, mas sabendo que olhava.

Ele parecia um tanto mais velho, um tanto mais cansado na visão de Snape, enquanto ele se aproximava mais de seus olhos.

Ele o viu sair e subir, quando um choro rompeu no ar, ele o viu passar por algumas mulheres vestidas de branco, e quando o jovem rompeu o quarto ele foi atrás só para vê-la ali, com uma criança nos braços, o rosto com um sorriso e lágrimas nos olhos.

Ele reconheceu logo os cabelos ruivos que lhe cobriam os ombros, ele reconheceu na criança algo dos dois, quando a criança abriu os olhos para ele e eram verdes como o da mulher que chamava-se Lílian Evans.

Ele virou o rosto não queria ver e quando voltou estava ali, em um lugar diferente onde uma criança o olhava, a mesma criança ria levantando os bracinhos.

"Harry"

Uma voz murmurou dentro de sua cabeça e continuou enquanto ele se apavorava para sair dali, enquanto ele só queria chorar e gritar com o que estava vendo, não, Potter não ficaria com ele, por quê?

" Uma criança deve nascer do ventre da mulher cujo o sangue é de não bruxos.

Essa mulher deve tê-lo com um homem bruxo que enfrentou muitas vezes o Lord.

Uma criança que salvará o mundo bruxo.

Ela terá os olhos da mãe.
E as habilidades do pai.
O futuro não muda, e você é um intruso, seu amor não existe."

E a voz ecoou em sua mente gritando que não existia nada daquilo, gritando que seu amor não existia.

Quando ele abriu os olhos e se sentou estava numa sala escura.

- Não devia ter feito essa poção, Snape pode trazer riscos.

- Mas é verdade? Não pode ser.

- É sim, por sorte sua é, você poderia ter morrido.

- Não me importo. - disse ele se calando e deitando de volta na cama.

- Sabe o que deve fazer?

- Professor Slughorn, por que eu devo abrir o nome dos meus sonhos por uma comunidade que nunca ligou para mim?

- Não vou responder, você vai encontrar a resposta sozinho. Vá para sua casa e durma o resto da noite que lhe sobrou.

oOo

Ele caminhava pelo castelo, era um corredor comum, estava claro demais, devia ser uma dez horas e ele pela primeira vez tinha perdido as primeiras aulas, por quê? Ele havia ficado a noite inteira chorando, não havia dormido nada, por que agora que ele pensava bem no que tinha visto sabia que por alguma razão, não devia estar na vida de Potter.

Ao pensar nisso ele sentiu uma mão fechando em seu pulso. Ele sentiu-se ser puxado enquanto tentava soltar sua mão, iria afastá-lo de si mesmo que isso doesse.

- Severus. - disse a voz de James quando Snape se soltou.

- Não ponha as mãos em mim. - disse Snape, dentro seu coração ruía. - Não quero mais, Potter.

- Ah, eu sou Potter para você agora?

- Não, é o que você não devia ter deixado de ser, Potter.

- O que aconteceu? Pensei que você tinha me perdoado.

- Não, eu mudei de idéia, eu odeio você. - sua voz saia fria.

O rosto de James se transformou em surpresa e depois voltou a ser impassível. Ele sabia que para terminar com James era simples era só falar que não queria mais, o outro era orgulhoso demais para ficar implorando.

Mas o que lhe surpreendeu foi que James deu a volta em si, e o segurou com força, empurrando-o contra a parede. Seu coração doía ao ver algo parecido com fúria nos olhos de James, seu coração doía por saber que estava tudo ruindo, e ele via os cacos de seu mundo no chão.

Mas James não falou, ao contrário, o beijou, não um beijo carinhoso como ele tinha provado mais um beijo feroz e cheio de mágoa, quando foi solto ele ainda ficou parado, deixou o corpo escorregar até o chão, os dentes mordendo os lábios segurando os gritos na garganta.

- Então, foi um jogo para você, Snape?

Sua cabeça latejava, ele levantou os olhos, tinha que ser forte por mais que sentisse vontade de chorar, estava ruindo, o fel voltando aos lábios e a dor que ele um dia havia provado estava voltando, ele se sentia morrer.

- Me deixe em paz, Potter finja que nunca aconteceu é simples para você. - disse cuspindo por mais que as palavras tivessem custado sua pouca força, ele sabia que o outro iria ficar com Evans.

E então viu o outro ir embora e agora ele podia chorar.

- Nunca mais encosto em você. - disse James antes de sair.

Ele chorava, e se lembrava aos poucos do rosto feliz de Potter com Evans, e aquela criança que era a cara do seu James, sempre seria seu por que aquele sentimento iria matá-lo aos poucos mais ainda permaneceria vivo.

Ele se deixou levantar e arrastar para as masmorras, onde poderia deitar e chorar, ali ele tinha algo que pertencia a Potter, a capa da última noite, ainda tinha o cheiro de Potter nela, talvez o jovem apanhador nunca soubesse que aquela capa estava com ele. Fez um feitiço para que a capa continuasse com aquele perfume eternamente, e a abraçou dormindo nela. Tinha acabado a sua parte.

oOo

Já Potter também tinha sofrido, porém ele havia ocultado tão bem que ninguém havia desconfiado de nada, ninguém tinha notado por que ele tinha chamado Evans para sair. E aquele ano foi o mais doloroso para Snape, ele sentiu como se aos poucos fosse morrendo.

No final do ano ele havia descoberto os comensais, e agora fazia parte deles e tinha onde trabalhar quando saísse da escola, sair da escola foi a melhor coisa que poderia acontecer.

E agora seria a última vez que ele veria James, assim de longe, ele ao lado de Evans no casamento, Evans agora seria Potter, e teria o jovem totalmente para ela, Snape achou que aquela era a última gota de sua alma que se perdia.

Snape andava pela casa pequena até encontrar um traço da lua minguante no céu, ele ficou ali olhando, de alguma forma aquela lua lhe atraia tanto quanto a minguante. Ele sorveu um pouco do vinho que tinha nas mãos e estava bem afastado de todos quando uma voz se fez ouvir.

- Você deve estar feliz agora, Snape. - sim era James, ele deixou que um sorriso morto nascesse em seu rosto.

- É o seu casamento vá ficar com a sua noiva, não importa como estou me sentindo.

- Sim, não importa mais. Não para mim. Mas é meu convidado então quero que se divirta.

- Ah, claro. - se divertir enquanto perdia o seu amor. Nunca. Mas ele estava ali a trabalho, como um comensal, não podia imaginar que o outro estava indo contra.

- Potter. - chamou ele antes que o outro saísse ou se levantasse do batente da porta. - Pare de tentar entrar no caminho de Voldemort.

- Por quê? Você acha que é certo o que ele esta fazendo?

- Não estou dizendo isso.

- Pois parece que as idéias dele são bem de acordo com a sua personalidade.

- O que esta querendo dizer?

- Que você esta do lado dele, e sabe, eu nunca o perdoaria por isso.

- Sim, ai estariamos iguais. Mas, o que eu quero é que você tome cuidado.

- Por quê? - perguntou, Snape chegou a abrir os lábios, sem falar nada, o pensamento completando que era por que o amava, por que não queria que ele se ferisse, mas não disse nada.

Seu coração doía quando ele botou os olhos em um olhar indiferente para ele então as mãos de James pediram silêncio e entregaram a ele uma carta.

- Leia quando chegar a hora, guarde essa carta até a hora que você conseguirá ler.

Snape olhou o papel e desfez o selo mas o papel estava completamente em branco, os dois papéis. Ele levantou o olhar para perguntar a James o que significava aquilo mas o jovem estava longe, sorrindo ao lado de Evans, e foi nessa hora que ele decidiu abandonar a festa, era ilógico comemorar sua morte. Porque era como Snape se sentia.

Queria ficar a sós em seu quarto e poder chorar. E foi o que fez, enquanto se prometia que seria a última vez que choraria por Potter, que nunca mais as lágrimas correriam de seu rosto e ele chegaria a odiá-lo.

Adormeceu com o rosto sobre a capa que ainda mantinha guardada consigo, que ainda conservava o mesmo perfume de noites atrás, quando eles fizeram amor.

Ele morava agora em uma casa trouxa, seus pais haviam morado ali, ele ligou o som trouxa e deixou que os primeiros acordes da música começassem com suas lágrimas. Ele se afundou no sofá ainda abraçando a capa, estaria condenado a amar eternamente.

- Tell me how it feels to be ( Me diga como é ser…)

A voz saia cansada e choros quando ele tentava acompanhar entre lágrimas o que o cantor falava.

- The one who turns inside of me... (a pessoa que enfia a faca dentro de mim )

A voz ia morrendo sempre, e ele enfiava o rosto com lágrimas na capa escura, tentando soltar sua dor agora que estava só. Ele procurava sentir a música, procurava deixar de sentir que vivia.

- Sim, acabou, acabou, agora é o fim não é?

Perguntava com a letra da música e ele estava só para sempre.

Nota:

Vamos lá, pessoas está acabando, quem não comentou aproveita é a última chance. Só teremos mais um capítulo.

Vou responder as reviews por aqui. Por quê? Simples, agora anônimos podem comentar e não quero que ninguém fique sem resposta, o que acharam desse cap? Ficou bom? Ah, a música que o Snape canta no final é Hole In My Soul do Aerosmith, eu estava ouvindo enquanto escrevia.

Nati: Que bom que esta gostando, de verdade, eu já respondi seu review pelo site, e claro adoro os seus comentários por favor continue mandando até o último cap que será postado na sexta que vem, e me diga o que achou desse cap? Eu não sei, gostei de escrever. Beijos

Regulus Black: Sim, o Sirius e o Remus também ficaram bons apesar deles não serem os personagens principais eu estou pensando em fazer um extra para contar a história deles, que bom que gostou…) Obrigado pelo comentário e continue lendo…)

Ayami: ahh é que o James é mal compreendido, mas ele também sofre de uma forma ou de outra apenas não demonstra. Não morda o pé da mesa, rs, prometo que o próximo cap sai logo…beijoss…

A todos: Sim, a fic esta acabando mas eu vou escrever uma universo alternativo de Harry que terá o primeiro cap publicando junto com o sete e último de Fel, vai chamar Amor Macabro e contará a história de Lucius Malfoy e Tom Riddle, vou ficar feliz se todos lerem, será uma história da qual vou me dedicar muito, apesar de estar plagiando um manga da Kaori Yuki que eu não lembro o nome mas é um yaoi lindo.

Sim, eu vivo Green Eyes, não leram, pobres dos que não leram…precisava falar isso

Beijos a todos que acompanham.