A/N: Oie, migs! Como vão? Esse nem demorou, viram só? Mas nem sei se vocês gostam dessa baixaria, enfim. É, eu preciso atualizar 'SS', eu estou tentando. Juro.

É um pouco mais explicativo que o primeiro e no próximo terá Brittana aterrorizando a sapata da Emily e Spencer e Caleb sofrendo na road trip com as Piroliro Liars (como diz o meu melhor amigo), Hanna e Aria. A partir do quarto, teremos já a galere do McKinley fazendo vergonha e arrumando encrenca. Obviamente, Santana aterrorizará todas as almas presentes no almoço do próximo.

É isso, galera bonita! Vou atualizar, mas se vocês nem curtirem o plot, ou o crossroads (amigas para sempre), eu paro sim. Mas isso nem tem me impedido de escrever a outra, eu só tive um pequeno problema com o rumo da história/personagens/final que já está escrito (nas estrelas). E essa aqui é mais pra desopilar a mente mesmo. Porém, se não gostarem, é só me mandar parar de me embaraçar publicamente e eu obedeço. Enfim, vejamos o que acham.

Hehe, beijo pra Carol que dá força até pra eu escrever bula de remédio. Acho que esse será meu futuro - espero que não. Além do mais, se quiserem culpar alguém por essa desgraça, ela é a pessoa, não eu!

Xoxo, gente mais bonita, bom final de semana!

Se eu tivesse Glee, o Finn teria menos falas do que a asiática. Se eu tivesse PLL, metade dos personagens já estaria morto e o resto estaria a caminho do mesmo fim.


"Então, ela deu sinal de sinal de vida?" Hanna me perguntou pela milésima vez em menos de cinco minutos e eu já estava um tanto quanto desgastada por dizer tantos 'nãos' ou suspirar em sinal de derrota. "Mas o que custa ela atender esse maldito desse celular? Eu vou ficar careca aqui, sabia?" Antes que ela terminasse de demonstrar sua fúria, eu e Aria nos entreolhamos e reviramos os olhos. É muito drama para um dia só.

"Hanna, você nem está mexendo nos seus cabelos, como vai ficar careca?" Aria perguntou enquanto relia a carta de despedida da Em, coisa para a qual eu não conseguia nem olhar sem sentir um enorme nó no peito e falta de ar. Por que ela fez isso conosco? Por que ela fez isso comigo?

"Oras, Mufa, mas nervosismo e impaciência também causam queda de cabelo, certo, nerd?" É, eu sabia que por 'nerd' ela estava se direcionando a mim, mas só me dei ao trabalho de revirar os olhos e voltar a discar o número da Em, coisa que não a fez se abalar nem por um segundo em sua teoria e continuou, citando suas (nem um pouco credenciadas, se me cabe dizer) 'fontes de pesquisa'. "Enfim, eu li isso na última Vogue e eles não publicariam se estivesse errado."

"Eu duvido muito que a Vogue tenha publicado isso, Han, eles só se focam em moda..." Aria emendou agora olhando para o vaso de frutas que ornamentava a mesa e parecendo estar com a cabeça em outra realidade. Ou na Em ou no Sr. Fitz, não posso afirmar com certeza. Resolvi espanar esses pensamentos e me focar na minha ligação, ainda era melhor do que presenciar as infinitas discussões dessas duas.

"Então foi vendo America's Next Top Model. Mas isso não vem ao caso, o que importa é que a preocupação é extremamente agressiva às minhas raízes loiras, só isso." Por favor, Em, atenda isso e me salve dessa conversa! Só você pode me entender nesse momento. Três toques. Vamos lá, eu sei que você está aí! Cinco toques. Que droga, Em! Você quer me matar de preocupação? Porque está se saindo muito bem se esse for o caso...

"Se fosse assim, você não teria mais um pêlo no corpo ou um fiapo de cabelo na cabeça, Han, vai por mim..."

"Sim, mas vai que eu começo a perdê-los agora? Esse tipo de estresse é novo e ainda não fui submetida a ele."

"Droga!" Eu gritei com o telefone, com a caixa postal, com os vizinhos, com as minhas amigas e com o que quer que tivesse ouvidos, mas nada da Emily atender a porcaria do celular. Minha onda de fúria serviu ao menos para calar a boca daquelas duas e mudar o foco daquela conversa sem pé nem cabeça. Aproveitei minha ira para me levantar do balcão da cozinha da Han e andar de um lado para o outro buscando uma solução pra isso. Certo, ela não me atende e não responde as minhas ligações, ou às chamados de qualquer uma de nós três, para início de conversa. Preciso pensar em outra aproximação, mas qual seria?

"Você já tentou mandar mensagem?" Caleb, que até esqueci que também estava aqui, se fez presente e parou encostado na geladeira, me olhando atentamente. Segurei meus instintos de, primeiro: fuzilá-lo com os olhos (ora essas! Como eu não teria mandado sms? Acho que já enviei umas duzentas, pelo menos. Como eu estaria tão à beira de um ataque de nervos se não tivesse tentado essa opção? Que tipo de pergunta era essa?) e segundo: revirar os olhos (pelo mesmo motivo que a primeira opção, mas essa seria uma metodologia menos intimidadora). No lugar disso tudo optei por:

"É, algumas milhares de mensagens." Ele assentiu com a cabeça e se encaminhou para o banco, com uma postura aparentemente derrotada. Suspirei fundo, não é como se qualquer uma de nós estivesse melhor do que ele, ou com mais esperança. Mas no momento que nos calamos em sinal de perda, quase que como mágica o meu celular me mostrou uma mensagem e, por alguns segundos, tive medo de abrir, ainda temendo ser da –A. Até me lembrar que a Mona estava devidamente presa e trancafiada e não veria um celular por um longo tempo em sua nova estada no manicômio. Levantando a cabeça, percebi que todos na cozinha me olhavam com medo (apesar de não saber com o que lidávamos anteriormente, tenho certeza de que o Caleb poderia sentir a tensão que se fazia no ar a cada vez que nossos celulares mostravam uma nova chantagem em forma de sms, então eu realmente entendo que ele consiga acompanhar os nossos humores e temores.) e balancei negativamente a cabeça. Não poderia ser ela, poderia? Melhor não pensar nisso agora, com a Em sumida e podendo muito bem estar em qualquer lugar e com qualquer pessoa, eu poderia sofrer um AVC ou uma parada cardiorrespiratória e eu bem sei que as chances de sobrevivência a qualquer uma dessas eventualidades na minha idade eram quase nulas. Pois deixei esse pensamento de lado e reuni todas as minhas forças em pensamentos positivos e abri a mensagem.

Eu estou bem. Xoxo –Em

Não tenho nem como descrever o sentimento de alívio e de felicidade que me envolveu, era algo desconhecido até para mim, mesmo depois de ter visto a Mona ser presa e responder por todos os crimes da –A, aquilo era algo que eu não sabia comentar. Era como se uma parte de mim, finalmente estivesse voltando a seu lugar de origem, como se tudo fosse ficar bem novamente, como se...

"Deixa eu ver o que a Em escreveu!" Hanna disse se apossando meu celular antes que eu pudesse chorar e molhá-lo até estragar todas as peças. Mas peraí, como ela sai se apossando assim do meu telefone sem nem pedir licença? Se bem que acho que ela nem conhece essa palavra... Balancei a cabeça para clarear meus pensamentos enquanto ela lia minha mensagem e repassava para todos, que pareciam muito mais aliviados e felizes sabendo das novidades. É, nós éramos mesmo um bom grupo de amigas. Quero dizer, amigos, já que agora o Caleb também faz do nosso clube. Nós tínhamos sorte de termos uns aos outros e de nos conhecermos tão bem. Bem até demais. Falando nisso, como ela descobriu que a mensagem era da Em? Quero dizer, obviamente que se fosse alguma chantagem, eu não estaria feliz, mas poderia muito bem ter sido o Toby, oras!

"Ai, graças a Deus ela está bem! Não perderei meus cabelos tão cedo!" Nossa amiga loira disse me abraçando junto com a Aria e depois pulando e fazendo uma limpeza com a língua na boca do Caleb (porque aquilo definitivamente não era um beijo, credo). Revirei os olhos para a preocupação da Han e resolvi matar logo a minha curiosidade e perguntar sobre seu sexto sentido.

"Como você sabe que a mensagem é da Em, Hanna?" Voltei a me sentar no balcão, agora muito mais calma e munida de uma nova força de vontade.

"Essa é fácil, pela sua cara de idiota, nerd." Cruzei os braços e olhei para o teto tentando segurar minha língua e minha resposta afiada mais uma vez no dia. Mas o que ela queria dizer com a minha 'cara de idiota'?

"A sua sutileza sempre me pega desprevenida, Hanna." Ela sorriu acreditando que aquilo fosse um elogio. Talvez fosse para ela, vá saber. Voltei a revirar os olhos, mas não desisti da minha pergunta. "Sério, o que você quis dizer com isso?"

"Ora, a cara que você sempre faz quando algo se trata da Em, ou quando ela está feliz e por perto, não sei..." Sua explicação terminou com um balanço de ombros que demonstravam pouco caso ou falta de palavras, nada novo até aí. Resolvi insistir.

"Poderia muito bem ter sido do Toby, você sabe." Arqueei uma sobrancelha em sua direção para demonstrar que eu precisava de uma resposta melhor e mais explicativa do que aquela e, me conhecendo o suficiente para saber que eu não deixaria isso passar em vão, ela simplesmente respirou fundo.

"Ela quis dizer que não é do Toby que você está esperando notícias agora, Spence, só isso." Aria se meteu na nossa conversa e pude ver, de canto de olho, Hanna suspirando agradecida. Essa corja! Humpft! "Mas vamos ao que interessa, precisamos falar com ela, né? Ver se conseguimos descobrir algo sobre o seu paradeiro pra tentarmos sair daqui ainda essa noite." Assentimos todos com a cabeça e nos entreolhamos, mais uma vez, esperando alguém tomar alguma atitude.

"Anda, Spence, liga, manda sms, sinal de fogo, ou o diabo pra ela! A gente está morrendo aqui!" Com sua famigerada dramaticidade, Hanna exclamou jogando as mãos para o céu e resolvi bater o pé.

"Ora, por que eu? Somos todas amigas e todas temos o número dela, vocês também podem fazer isso." Não sei o que eu disse de tão sobrenatural, mas Aria e Hanna se entreolharam e nossa amiga loira caiu na gargalhada, ainda grudada no pescoço de Caleb.

"Ora, por favor, né? Se ela quiser responder alguém, essa pessoa vai ser você." Não pude controlar o sorriso vitorioso que tomou conta do meu rosto ouvindo isso, um tipo de felicidade que nós temos quando somos reconhecidos por algo ou ganhamos alguma competição importante e estamos orgulhosos de nós mesmos. "Tire esse sorrisinho cretino da cara e escreva algo logo, anda!" Ora, essa bisca! Porque ninguém sai me ordenando por aí como se isso fosse algo comum, ainda mais vestindo um sorriso assustadoramente malicioso.

"Me dá isso aqui que eu vou fingir ser a Spence!" Aria tirou meu foco da minha discussão e roubou meu telefone da mão da Hanna, começando a digitar qualquer coisa, só que fui mais rápida e peguei-o de volta.

"Ei! Isso é meu!" Falei olhando carinhosamente pro meu celular como se ele fosse tão importante quanto um órgão. E naquele momento, ele era. "Deixa que eu faço isso." Bati o pé e me encostei na pia, um pouco mais afastada de onde todos estavam. De canto de olho, pude observar cada coisa que todos faziam, Caleb mexia nos cabelos (sobreviventes a queda por estresse e velhice precoce) da Hanna, que sorria como uma gata manhosa e Aria revirava os olhos e abria o armário procurando por um copo para servir-se de água. Quando me certifiquei de que eles não esticariam os olhos para ler a minha mensagem como os abutres que eram, comecei a pensar em algo para responder. O que eu poderia dizer?

"Quer ir pro banheiro para ter mais privacidade com o seu amor, nerd?" Num pulo, a voz de Hanna (sempre ela), me fez acordar de meus devaneios e revirei os olhos.

"Me chupa!" Respondi seca e grossa.

"Só se você largar isso e se nós formos pra um lugar mais reservado..." Aria engasgou com a água que estava bebendo, Caleb esbugalhou os olhos como um desses desenhos de anime japoneses e eu olhei-a com força e repugnância. Claro que caberia a Hanna transformar essa discussão em uma baixaria sem limites. Que sorte a minha.

"Me dá licença, eu vou vomitar." Já falei me virando e fugindo daquela cozinha atrás de paz para os meus pensamentos. Não sei que bicho mordeu a Hanna nessas últimas horas, mas as piadas de duplo sentido estavam tomando um outro nível.

"Você me quer que eu se -ei! Não adianta fugi-ir!" Ao ouvi-la cantarolar, tratei de apressar meus passos e sair de seu campo de visão e audição o quanto antes.

"Spencer, o que você fez com a minha namorada?" A última coisa que ouvi foi o grito do Caleb seguido pelas gargalhadas altas de Hanna e pelos acessos de tosse (cada vez mais constantes) da Aria. E se eu puder dizer algo, é que esses dois se merecem. E que Deus me livre deles! Depois de sair pela porta da frente para tomar um ar, sorri comigo e pensei numa ótima mensagem para respondê-la. Só espero que ela goste e me responda de volta.

...

Eu estou sentindo saudades da sua voz. Você pode me ligar? Xoxo –Spence

Assim que saí do banho e me sentei-me à mesa para tomarmos café e conversarmos, resolvi responder a mensagem da Spence porque se eu a conheço bem, aposto que ela está tendo um derrame pensando nas infinitas possibilidades de eu ter sido morta com brutalidade e requintes de crueldade. Sorri comigo mesma, essa era a nossa, como chamaria a Hanna, líder e nerd de plantão, sempre pensando em tudo e se preocupando com as pessoas. E era bom fazer parte da pequena lista de pessoas por quem ela faria qualquer coisa, me passava um sentimento de proteção e segurança que não sentia há muito tempo e pensar nisso me deu saudades de casa, das minhas amigas e das noites que só nós duas passávamos conversando e bolando planos mirabolantes. Suspirei. Nem tudo pode ser como gostaríamos que fosse.

"Alguma coisa importante, Em?" A voz da Chris (porque ela me pediu para não chamá-la de Christine porque a fazia sentir-se velha como uma personagem de alguma comédia sem graça. E acho que ela estava se referindo ao 'The new adventures of old Christine', mas ainda não tenho certeza) me tirou dos meus pensamentos melancólicos e ela aproveitou para sentar-se à mesa com a garrafa de café no meio, me encarando. "Hum, já sei! É de alguém especial, né?" Não sei por que, mas sua pergunta me fez ficar tímida e um pouco embaraçada, por isso abaixei os olhos e ela deve ter percebido. "Ah rá! Sabia! Quem é ele?" Ouvindo sua voz novamente, levantei os olhos para olhá-la. "Ou melhor, ela?." Por sorte, eu ainda não tinha me servido de café ou estaria fazendo uma bagunça homérica na cozinha e cuspindo para todos os lados. Digo isso porque engasguei com minha própria saliva e fiquei olhando-a como um peixe fisgado, de boca aberta e olhos arregalados.

"O-o que?" Exatamente, isso foi tudo que minha boca de peixe conseguiu engasgar e botar pra fora. Maravilha. Ela pareceu se interessar e sorriu, balançando as mãos em gestos de pouco caso.

"Ora, Em, eu te conheço há muitos anos, não é?" Assenti com a cabeça, mesmo que aquilo não fosse exatamente uma pergunta. "Então, eu sempre soube que você era diferente. Não que isso seja ruim, ou coisa do tipo, só faz de você mais sincera e brava com seus sentimentos por admiti-los e encará-los assim." Concordei mais uma vez por não saber o que dizer. Na verdade, eu não me sentia nem um pouco mais forte ou segura de mim. Se eu fosse sincera, ter fugido do modo que eu fiz, só me transformava em uma garota mais fraca e covarde. "Então, quem é ela?" De novo a pergunta que me fez ficar vermelha e quente como um tomate na frigideira. E o pior! Sem motivo nenhum! Afinal de contas, Spence e eu éramos e sempre fomos (e seremos) só amigas e nada além. Mas vá entender essas porcarias de sentimentos. Acho que foi o modo que ela perguntou tão diretamente e sem julgamento nenhum que me deixou assim. É, provavelmente foi isso, já que eu não contei com essa mesma compreensão quando 'saí do armário' para os meus pais. Só pude contar com as minhas amigas – a Spence incluída como amiga –, é deve ser isso que me surpreendeu.

"Ah, é uma amiga minha preocupada comigo, já que eu não me despedi dela realmente..." Disse me servindo de café e olhando para baixo.

"Amiga?" Olhei para cima mais uma vez e balancei a cabeça várias vezes como um desses bonecos possuídos de filme de terror, ininterruptamente. Ela pareceu acreditar. Claro, afinal de contas, eu estava dizendo a verdade. "Hum... E por que não se despediu dela?" Eu sei que tinha algo de estranho e ambíguo naquela frase, mas resolvi ignorá-la por hora.

"Porque ela não teria me deixado sair de lá." Suspirei depois de dizer isso porque era bem a verdade. Ou melhor, acho que nenhuma delas me deixaria sair de lá, mas a Spence faria da sua nova missão me arrumar motivos para ficar. Sorri e balancei a cabeça em negativa só imaginando os discursos que teria que ouvir. Ao abrir os olhos de novo, me deparei com um sorriso interessado e minha tia apoiando o rosto na mão, parecendo uma criança imersa em um conto de fadas. "Ou ela teria vindo atrás de mim, não sei." O que também poderia acontecer e é por esse motivo que eu não posso ligar, não agora, ou vai tudo para o beleléu. Ainda mais se ela usar aquela voz meio vulnerável e me pedir pra voltar, ou pedir o endereço para vir me ver, eu tenho certeza de que eu daria sem pestanejar e não posso correr esse risco agora. Não quando eu tinha acabado de chegar, pelo menos.

"E isso seria ruim assim?" Sua voz me trouxe novamente para a realidade e mais uma vez eu não sabia o que responder. Bem, por um lado sim, seria ruim, já que transformaria todo o meu esforço em nada. Por outro, nem tanto. Eu realmente já estava sentindo falta dela. Delas.

"Acho que agora sim, seria." Tentei parecer segura, mas eu não convenceria nada e ninguém naquele momento, nem os surdos acreditariam no meu discurso. Mas a Chris pareceu deixar de lado e me ofereceu um pedaço de bolo, mudando um pouco o foco da conversa, coisa pela qual fiquei imensamente grata.

"Bem, e o que ela escreveu?" Foi a sua pergunta e decidi só passar meu telefone pra ela, pra que pudesse ler por si. Além do mais, é falta de educação falar com a boca cheia. "Hum, ela parece gostar muito e se preocupar bastante com você." Assenti com a cabeça mais uma vez, mesmo tendo pescado algo diferente no ar. "E não vai respondê-la?" Sua pergunta me fez pensar um pouco e lá estava ele de novo, o trem da culpa, sempre no horário. Engoli com dificuldade o bolo e a vontade de ligar e pedir pra elas virem para cá, pra todas começarmos novamente e esquecermos tudo que já se passou. Balancei a cabeça em negativa. Eu não podia fazer isso com elas, não mesmo. Falando nisso, só de pensar nas minhas melhores amigas, meu celular apitou novamente mostrando uma mensagem e tive que conter meu entusiasmo de voar pela mesa e resgatá-lo da mão da minha tia que a abriu para ler em voz alta.

"Por favor, Em, eu só estou preocupada contigo e quero saber onde você está. Você nem imagina o que eu estou aturando da Hanna e você não está para me ajudar. Eu só não sei o que fazer e não posso te perder. Xoxo – Spence. O que é 'xoxo'?" Meus olhos encheram d'água ao saber do conteúdo da sms que foram engolidas junto com um pedaço de bolo e me segurei para não me teletransportar imediatamente pra lá. Não que eu possa fazer isso, de todo modo... "Em, é por causa dela que você está aqui? Essa Spence, ela te fez alguma coisa...?"

"Deus, não! Ela seria incapaz de fazer algo para me magoar ou até mesmo deixar que alguém fizesse. Nossa, ela é o tipo de pessoa que ia pelas minhas costas tirar satisfações com as minhas ex e as obrigava a se desculpar e a agir certo comigo. Ela nunca me magoaria, nunca mesmo." Fui extremamente sincera porque só o fato de alguém pensar que a Spence poderia me machucar de algum modo já me dava calafrios maus pela espinha.

"Ah bom. Então eu gostei dela, ela parece ser uma boa pessoa." De novo, eu concordei sorridente, como uma criança querendo fugir do castigo.

"E ela é! Sério, Chris, se você conhecê-la, você vai se apaixonar imediatamente! Ela é o tipo de pessoa que é quase perfeita, sabe? Digo quase perfeita porque ela não sabe lidar com sentimentos e coisas que vão além do controle dela, mas nossa, tirando isso, ela é excepcional. Ela é ótima nos estudos e nossa amiga Hanna a chama de nerd. Ela é atlética e faz qualquer tipo de esporte que você surgir parecer um passeio no parque, tem opinião e as melhores idéias. Ah sim, além de ter um ótimo senso de humor. Meio geek e com umas piadas relacionadas à teoria da relatividade, é verdade, mas ela é adorável." Sim, eu estava falando mais depressa que um locutor de jogos de futebol e quando percebi isso, calei a boca e vi o olhar da minha tia, uma nova onda de timidez me bateu.

"E por que você não a chama para uma visita?" Sua pergunta pareceu sinceramente interessada e curiosa, por isso tentei ser mais leve que o comum.

"Ah, ela tem muitas coisas para fazer e não quero atrapalhá-la. Nenhuma delas, na verdade." Ou porque eu estava fugindo mesmo por ser uma criança mimada, mas ela não precisava saber disso.

"Entendo..." Foram suas únicas palavras por um tempo, até que voltou a tocar no assunto. "Bem, eu acho que você deveria dar-lhes o benefício de saber onde você está pelo menos, ou a sua amiga vai enlouquecer de vez." Eu sorri e concordei, é bem a cara dela mesmo. E nem imagino como todas estão reagindo.

"É, vou pensar nisso..." Respondi sorrindo.

"Só o que eu te peço." Ficamos em silêncio por algum tempo, só bebericando o café. Até ela se lembrar de algo para a mesa, não que eu sentisse falta, mas eu era hóspede e vai que essa era uma das suas manias? A gente não se via há muito tempo, então nem tem como saber. Enfim, ela me fez a última pergunta normal do resto da nossa noite e, pela luz do dia, eu não posso imaginar como a conversa ficou tão perdida depois disso. "Em, eu esqueci a manteiga, você pode pegá-la pra mim?" Assenti com a cabeça e me levantei, rumando a geladeira, uma pouco mais distante da mesa. Assim que voltei, me deparei com seu questionário súbito. Vai ver não existem mais pessoas normais no mundo, afinal de contas.

...

Depois de voltar pra nossa cozinha incrivelmente triste pelo fato de eu não ter levado a sério a brincadeira sobre cair de boca nela (não que eu tenha algo contra isso, afinal, eu sou amiga da Em, mas tenho um namorado que me satisfaz e muito, obrigada), Spence voltou mais sombria que o próprio Drácula e se jogou no chão como um peso morto e deu com sua cabeça cheia de teorias alucinantes no meu armário da cozinha. É, acho que seu caso de amor com o celular não deu muito certo.

"Viu? Se tivesse ficado aqui, aposto que você não estaria com essa cara de cachorro que caiu da mudança." Falei bebericando um bocado de suco e sua cara de nojo foi entre hilária e digna de pena, assim como seu rosnado.

"Não, se eu tivesse ficado, no mínimo estaria surda por ouvir tanta baixaria." Ela disse sem nem ao menos abrir os olhos.

"Ah, eu sei que você adora quando eu te falo baixarias, Spence, eu bem lembro..." Usei o meu melhor tom sedutor e Aria bambeou na cadeira e, por sorte, se apoiou na geladeira antes de cair no chão. O que há com o senso de humor desse povo? A nerd arregalou os olhos e quase me abaixei para me preparar para pegá-los quando eles saltassem. Terminei com uma piscadela e Caleb riu baixo do meu lado.

"Você tá fumando oxi ou o quê?" Ao ouvir seu tiro, Mufa e o escroto do meu namorado começaram a gargalhar alto e tive medo de dona Ashley Marin descer valsando pelas escadas e sambar em nossas caras por estarmos fazendo tanto barulho.

"Oxi? Oxigenada?" Eu estava realmente curiosa. O que eu conheço de oxi é isso que as meninas (não eu, juro por Deus!) usam para descolorir seus cabelos e isso é líquido, até onde sei. Ela só revirou os olhos e acenou com a mão como quem diz que esse não é um assunto que valha a pena ser discutido e cruzei os braços, puta da cara por terem acabado com a minha diversão. "Alguém pode me dizer o que é esse tal de oxi?" Perguntei fuzilando a Mufa e Caleb, porque, já que eles riam tanto, podiam pelo menos compartilhar a piada. Mas aparentemente era algo engraçadíssimo, já que eles não conseguiam parar de rir por um minuto para me responder. E isso me deu uma vontade quase incontrolável de empurrá-los no chão, idiotas! Até a nerd resolveu dar umas risadinhas com isso. Palhaços. Todos eles. Resolvi buscar mais suco para beber metralhando cada um deles com meus olhares, o que não surtiu o menor efeito e só bufei de raiva. Grandes babacas! Cadê a Em aqui para me explicar as coisas?

E como que por magia (ou alucinação. Será que nós duas temos uma ligação que rompe as barreiras da distância e do tempo? Isso faria sentido, já que dividimos a mesma casa por tanto tempo e me dava uma sensação tão bacana, de ter minha própria super heroína), o celular da Spencer tocou e todos calaram a boca e engoliram a graça no mesmo segundo. A nerd só levantou os olhos pra gente e olhou para o identificador, dizendo as palavras que ansiávamos ouvir.

"É a Em!" Não, é Oprah! Hoje a Spence estava inspiradíssima em dizer coisas se noção, hein? Te contar...

"Atende essa caralha!" Eu gritei e ela obedeceu, colocando em seguida no viva voz.

"Em...?" Sua pergunta foi baixa e um tanto quanto incerta, por isso a nerd tentou de novo. "Em, você tá aí?" Nessa hora, nós três já tínhamos nos jogado no chão junto com ela e estávamos tentando entender sobre o que se tratava a ligação, será que ela estava em perigo? Abri a boca para gritar por seu nome e dizer que tudo ia ficar bem quando ouvimos uma voz ao fundo e nos entreolhamos.

"Então, Em, o que você está achando de Lima, Ohio até aqui?" De quem poderia ser essa voz? Acho que essa foi mais uma das perguntas mudas da noite, já que ficamos nos entreolhando e buscando em nossa memória alguma dica sobre a tal da mulher que estava com ela. Será que ela arrumou um novo caso e fugiu com ela? Ou ela pode ter sido seqüestrada por sapatões canibais e estava sendo mantida em cativeiro e...

"Meu.." Antes que pudesse expressar a minha surpresa com um grito, Mufa colocou suas mãos em minha boca e todos me viraram fazendo 'shh'. Grandes amigos da onça!

"Bem, eu não conheço muito, confesso, mas acho que parece ser uma boa cidade, né? Pequena e pacata..." Arregalamos os olhos nos olhando surpresos, nós quatro. Aquela era a Em, sem dúvida alguma. E sua voz estava leve e até descontraída, o que anula o fato de ela poder estar sendo mantida como refém de terroristas do Oriente Médio. Menos mal, menos mal.

"Achou muito diferente de Rosewood, Em?" A tal da pessoa perguntou de novo e, tenho certeza de que se dona Ashley Marin escolhesse essa hora para nos brindar com sua presença, ela no mínimo cairia dura e morta no chão ao nos ver jogamos no chão e levemente trepados um em cima do outro parecendo mais um filme pornô classe b.

"É diferente sim, tia, mas diferente é bom de vez em quando, né? Acho que posso vir a gostar daqui." Oras essa cadela! Já estava nos trocando e pensando em começar a vida em algum lugar com sabe Deus quem é esse ser humano? Ah mas eu vou lá só para dar uns tapas bem dados em sua cara de pau! Essa cretina quase me transforma no Lex Luthor e lá está ela, sorrindo e dizendo que vai começar de novo no meio do nada e...

"Vocês prestaram atenção em qual lugar ela está?" Sussurrei para os três porque minha onda de raiva tinha me deixado temporariamente surda e acabei perdendo esse importante comentário. Os três assentiram com a cabeça e a nerd já tinha digitado o nome daquele fim de mundo no meu celular e passado para o meu namorado que, provavelmente estava envolvendo a NASA ou quebrando os códigos do FBI para conseguir descobrir onde se escondia esse buraco.

"E eu aposto que você vai gostar da cidade! Na segunda, eu vou matriculá-la no McKinley High para você não ficar parada aqui, okay?" Algum tempo se passou e aposto que a desnaturada da Em estava sorrindo enquanto nós desejávamos morrer de apreensão na minha cozinha. "Ótimo! Lá eles tem um bom time de natação e você vai se destacar mais uma vez. Afinal, eles são bons e você é espetacular!" Revirei os olhos para essa mulher enquanto ouvíamos as gargalhadas da Em ao fundo.

"Achei. É a umas dez horas daqui na estrada e já marquei o caminho no GPS." Meu namorado disse nos olhando e mexendo em seu celular enquanto devolvia o meu pra Spence. E a Aria e eu sorrimos enquanto a nerd parecia estar tendo uma convulsão no chão da cozinha e fazia algum tipo de magia negra com meu telefone. Ao ouvi-lo, ela levantou a cabeça e sorriu como forma de agradecimento e Caleb retribuiu o sorriso. Pensando agora, com esses dois trabalhando juntos nós poderíamos muito bem quebrar a bolsa de Nova Iorque ou encontrarmos qualquer pessoa que já tenha pisado nessa terra. Eles eram assim, impressionantes. E assustadores também.

"Ótimo, eu usei o celular da Hanna para buscar algo relacionado à minha família e descobri que temos uma casa lá, só preciso ligar para o contador e pegar as chaves amanhã, quando chegarmos. Falando nisso, vou até deixar um recado com a secretária para marcar uma hora." A nerd sussurrou baixo em contrapartida para seu comparsa que sorriu e resolveu mexer mais naquela porcaria de telefone.

"Agora me diga, o que achou da Santana?" Eu sabia que tinha mulher envolvida no meio! Sa-bia! Sapatão sem vergonha que não pode ver uma mulher! Mas e estranhamente, a mais chocada com isso foi a Jane Bond que, ao ouvir aquela pergunta, largou o meu celular e passou a fuzilar seu aparelho como se ele tivesse cometido um crime. Ora, ora, será que Spencer Hastings estava com ciúmes? Sorri comigo, muito bem, nerd, vai se entregando...

"O que sobre ela? Nós nem conversamos e eu só soube seu nome porque você me disse, Chris. Não venha me dizer que vai bancar o cupido agora?" A gargalhada da Em nos fez suspirar em alívio e a grande nerd Dexter soltou o ar de seus pulmões e ensaiou uma risadinha. Muito discreta, como sempre...

"Não, eu não quis dizer desse modo, só queria saber o que achou porque ela costuma intimidar as pessoas." Hum, quem será essa tal menina? A partir daí, nós nos preocupamos apenas em prestar atenção na conversa e ouvir bem, a Spence largou seu vibrador (o meu telefone. Se bem que só ao pensar nela usando meu pobre celular pra esses fins já me dava um embrulho no estômago, cruzes!) e o Caleb também deixou seu primeiro amor de lado para que pudéssemos ouvir melhor.

"Isso ela faz mesmo."

"E queria saber se ela te deixou desconfortável, porque amanhã ela virá aqui com a namorada ver um filme e acho que seria bom você fazer amizades pela cidade e conhecer novas pessoas. Mas claro, se você não se sentir no clima para isso, eu entendo perfeitamente."

"Não, não, eu acho uma ótima idéia conhecer algumas pessoas novas e seria legal conversar com elas."

"Okay, estamos combinadas então!"

"Se não for incômodo pra você, eu acho que vou descansar um pouco, a viagem foi meio longa e..." No seu usual tom incerto e tímido, a Em comentou com aquela mulher em um suspiro baixo.

"Claro, absolutamente..." E essa foi a última coisa que ouvimos antes de a linha ficar muda. Assim que a ligação terminou, continuamos nos olhando de boca aberta e tentando entender o que acabou de acontecer.

"Seja quem for essa tia da Em, ela nos ajudou demais hoje. Agora sabemos que ela está em Lima, Ohio e vai estudar no McKinley High, seja lá onde for esse colégio." Mufa deu voz a nossos pensamentos e resolvemos nos recostar no balcão assim como a nerd. E foi só pensar nela que Meyer resolveu endereçá-la. "Spence, conseguiu deixar a mensagem com o contador?" A resposta da dita menina foi um balanço positivo de cabeça e isso fez a nossa nanica sorrir empolgada. "Ótimo, o que estamos esperando?" Falou chamando nossa atenção e nos motivando a levantar, coisa que fizemos.

"Talvez seja a minha permissão." Minha mãe se materializou sorrindo na porta da cozinha e, pela segunda vez na noite, Mufa se virou tão rápido que se eu não esticasse o braço para segurá-la pelo ombro, sua cabeça dura teria quebrado a porcelana da minha avó e aí sim, estaríamos em uma grande enrascada. Vendo tanta falta de jeito, noção e elegância mesmo em uma pessoa tão curta e quase delicada, a senhora Marin balançou a cabeça em negativa e sorriu, porque nem eu tinha me acostumado com essa falta de graça da Meyer.

"Já vai, Aria?" A nerd, em um de seus raros momentos de humor, disse para Aria que só abaixou sua cabeça cheia de citações de revista em vergonha. Sorri para a Spence, era bom tê-la de volta com seu bom humor (talvez não fosse tão bom assim para a Mufa, mas quem liga?). Minha mãe se aproximou da gente para reiniciar a conversa.

"Vocês pretendem ir agora?" Foi sua única pergunta e todos assentimos com a cabeça. "Certo, está tudo arrumado para irem?" Mais uma vez concordamos. "E vocês irão como?" Sua pergunta final nos fez nos entreolharmos e esperamos nossa líder retornar de sua bad trip e voltar ao seu lugar de direito.

"Ashley, eu vou dirigindo." Com sua usual postura de futura presidente da república, Spence deu um passo à frente e se dirigiu diretamente a minha mãe, olhando-a nos olhos (e por isso eu até dou um ponto para ela, pelo que eu conheço da senhora Marin, ela admira mais as pessoas que tem segurança o suficiente para falar encarando-a). Sua resposta foi um sorriso agradecido.

"Muito bem, Spencer, o seu carro é grande o suficiente pra levar algumas malas e vocês todos?" Droga! Isso queria dizer que eu não ia pegar o carro. "Não, Hanna, eu não vou te dar o carro porque bem me lembro da última vez que você foi usá-lo para viajar e ele acabou trepado em cima de uma árvore." Maldita memória de mãe! Quando eu tirei 10 em educação física ela não lembra...

"Como você conseguiu jogar um carro em cima de uma árvore, Han?" A boca de caçapa da Mufa perguntou com uma expressão surpresa e revirei os olhos. De repente todos viraram pilotos de corrida, né? Humpft!

"Bem, a árvore estava mal localizada e bem na frente de uma descida, então..." Tentei explicar brincando com as mãos e cerrando os olhos para a minha mãe, aquilo não era assunto pra se trazer a tona assim, ora essas!

"Eu acho que quem estava mal localizada era você, Han. Definitivamente você não deveria estar atrás de um volante." Sheldon Cooper resolver nos dar seu ar da (des)graça mais uma vez na noite e virei meus olhos para fuzilá-la enquanto todos caíam (inclusive a dupla Caleb e Ashley que se uniram contra mim) na gargalhada mais uma vez. Gente fresca!

"Certo, certo. Então eu vou ajudá-los a levar as coisas pro carro e a arrumarem as coisas para ir, okay?" Assentimos com a cabeça e, ainda de mau humor, fui trotando e rumando escada acima para pegar meus pertences e sendo seguida pelo Caleb.

"Credo, Hanna! Que quantidade de mala é essa? Pra onde você vai?" Caleb perguntou surpreso. Revirei os olhos para ele. Ora, quando uma dama não sabe para onde vai e qual tipo de tempo vai enfrentar, ela tem que se preparar para tudo que pode surgir de imprevistos, ué.

"Caleb, querido Caleb, você não entendo porque é homem, mas nós mulheres precisamos de roupas para cada tipo de situação e isso é exatamente o que eu estou fazendo." Expliquei minha teoria e me abaixei para pegar minha mala menor, deixando as outras três pra que ele leve como um bom cavalheiro. E estávamos até que nos entendendo (apesar dos seus olhares assassinos em minha direção), mas claro que a nerd tinha que surgir ali para atrapalhar todo o progresso que eu já tinha feito com ele. Sempre ela.

"Pelo amor de Deus, Hanna! Você não precisa levar o seu quarto todo, sabia? Lá na casa já tem móveis, pode deixar os seus aí!" Ah, Ah. Engraçadíssima!

"Você seria mais útil se nos ajudasse e parasse de reclamar, sabia?" Respondi bufando e revirando os olhos, o que há com esse povo e essa necessidade de reclamar de tudo? Eles vão ficar velhos muito cedo. Também revirando os olhos, ela reclamou, mas abaixou e ajudou a pegar uma mala. Adoro mulheres fortes por isso, ela e a Em poderiam levantar o peso que fosse que não reclamavam. A Em porque é sapatão e alta e ela porque... Bem, porque é a mulher maravilha, acho. Tudo bem, a Spence murmurava e muito, só que como ela sempre estava se lamuriando, nem levei muito a sério. Sendo assim, ela pegou uma das malas, o Caleb levou as outras duas e eu peguei mais uma e rumamos escada abaixo, onde encontramos Mufa e minha mãe.

"Hanna, onde você acha que vai levando metade da minha decoração?" Olha, te dizer que hoje é dia, hein?

"Eu e a Spencer acabamos de fazer a mesma pergunta..." Aquele sem vergonha e traidor ousou falar e só me dignei a bater em seu braço. "Ai, eu estou tendo escravizado e ainda apanho?" Revirei os olhos, depois a dramática sou eu...

"É melhor você ser escravizado em silêncio ou eu te mando pro tronco!" Exclamei não só para ele, mas me focando na Spence também, para que ambos soubessem de seus dignos lugares.

"Hanna! Isso é modo de falar com as pessoas?" Parecendo particularmente ofendida (e me pergunto por que diabos), minha mãe tentou me dar um esporro, mas Mufa veio em minha salvação.

"Tudo bem, Ashley, é melhor que nós tiremos ela daqui o quanto antes ou não vai ficar um eletrodoméstico para contar a história."

"Ah ah! Estou morrendo de rir aqui, Mufa, morrendo!"

"Você vai morrer de verdade se não se arrastar logo e jogar essa bunda sedentária no banco do meu carro!" A nerd mal(comida)vada gritou lá de fora e nós nos apressamos enquanto disputávamos dardos pelo olhar, Meyer e eu. Minha mãe nos acompanhou até o carro e nós três paramos um minuto só para admirá-lo, de boca aberta. Vendo nosso estado (vegetativo) de contemplação, Jane Bond revirou os olhos e tratou de arrumar seu porta-malas para que coubesse tudo. "Vamos logo, ele não morde!" Ao ouvir o seu convite, eu e a meio metro saímos correndo para ver mais de perto aquela maravilha.

"Spence, o que aconteceu com o seu carro e de quem é esse novo?" Aria conseguiu formar uma frase coerente pela primeira vez na noite e expressar nossos sentimentos de paixão (meu, obviamente) e de surpresa (dela, creio eu).

"Não sei se vocês se lembram, mas a polícia derrubou o meu carro ribanceira abaixo quando tivemos aquele problema com a Mona. Ainda não sei onde eles conseguiram tiram uma carteira de motorista, mas acho que, assim como a Hanna, eles arrumaram com algum traficante. E bem, esse aqui é o novo." Foi sua resposta revirando os olhos (mais uma vez e nem acredito que o planeta Terra tenha girado tanto desde foi criado como ela girou os olhos hoje).

"Ele é uma Mercedes..." Claro que contar com duas frases de sentido vindas da boca de Mufa na mesma noite era pedir demais, então deixei essa passar.

"Pois é, eu percebi isso." Foi sua única resposta enquanto se encostava na porta dos passageiros do carro. Percebendo que era mais fácil que um dragão entrasse voando pela goela da nossa escritora que ainda estava com seu bocão arreganhado do que sairmos antes de uma resposta mais completa, a doutora Hastings resolveu continuar. "Sim, ele é feito sob encomenda e esse é o modelo GL SVU, ele é maior, mais rápido e mais confortável que o outro. Ainda bem, porque veio a calhar, dada a nossa situação. Além do mais, presentes de culpa costumam ser mais caros do que aqueles dados por carinho." Balançando a cabeça como um pêndulo assombrado, Mufa resolveu fechar a boca antes que se envergonhasse mais, minha mãe sorriu compreensiva (já que toda a cidade acabou descobrindo do caso do Sr. Hastings com a Sra. DiLaurentis pela boca da Melissa), Caleb escolheu só ficar quieto e ir para o carro (porque ele já tinha problemas de família o suficiente) e eu resolvi segui-lo. Depois de brigar com a porta, Meyer só faltou se jogar no banco da frente antes que fosse desmaiada e arrastada pela nossa líder que a olhava com sangue nos olhos, afinal de contas, aquilo era uma porta de carro, não a porta da esperança, o que a tornava bem mais simples de ser aberta (não para a nanica, aparentemente). Assim decidimos entrar também, Caleb e eu, depois de darmos um beijo e um abraço na minha mãe.

"Meninas, cuidado e boa viagem. Me liguem quando chegar!" A Sra. Marin disse na janela da Spencer e nos acenando. Aria, Spencer e Caleb acenaram de volta enquanto eu ia brincando com todos os botõezinhos do carro e, acreditem, eram muitos! Tinha um próprio sistema de tevê à cabo atrás de cada um dos bancos e tenho certeza de que eu poderia virá-los de cabeça pra baixo ou testar alguma posição do kama sutra com eles que eles me obedeceriam. Claro que, sendo o estraga prazeres que é, Caleb me deu um tapa na mão me incentivando a acenar para a minha mãe e assim o fiz (depois de tentar incinerá-lo com os olhos).

"Pode deixar, Ashley, eu irei com cuidado e não deixarei a Hanna encostar no volante." Com um sorriso torto e sem a menor graça, a magricela nerd resolveu fazer graça com a minha mãe que riu.

"Sabia que poderia confiar em você, Spencer." Não sei o que eu ainda estava fazendo naquele carro já que todos estavam me atirando e por todos os lados. Se eu pudesse, eu teria pulado, mas tinha um botão tão legal que ajustava um barulhinho bacana que fazia na parte de trás e acabei me entretendo. "Agora boa viagem para vocês e não se esqueçam de me ligar." Dito isso, minha mãe se virou em seus calcanhares e foi rumando para casa, parando na porta e nos acenando mais.

Nossa motorista de fuga pisou o acelerador e o carro começou a bambear e pular como uma máquina possuída pelo diabo e, no mesmo instante, ela desligou o carro. Para nosso horror, só Aria conseguiu falar algo (é sempre surpreendente ouvir as coisas que saem – ou não saem – de sua boca).

"O que houve, Spence, ele quebrou?" Foi o que disse e tocou o braço da dita nerd, que só abaixou a cabeça, encostando-a no volante e respirou fundo. Por um minuto, o clima no carro ficou entre pânico e terror e nos olhamos sem saber o que poderíamos fazer, se pulávamos do carro porque ele ia explodir, se ligávamos para um padre e o chamávamos para exorcizar essa máquina, se...

"VOCÊ PODE PARAR DE BRINCAR COM A MINHA SUSPENSÃO, HANNA? CACETE!" Seu grito acordou todos os mortos nessa e em cidades vizinhas e pulamos todos no carro, assustados com seu ataque de fúria. Assim que ouvi sua voz adquirir um tom tão sombrio e revoltado, eu tirei a minha mão do botão como se ele estivesse pegando fogo. Merda! Não posso nem me divertir... Acho que ela reclamou baixo algo com um 'piru' no meio, mas não acredito nisso, ela era muito certinha para tal. Vendo que minhas mãos estariam amarradas se pudessem, ela suspirou e voltou a ligar o carro.

"Ei! Como você sabe que era eu?" Estava realmente curiosa com isso, afinal de contas, poderia ter sido qualquer pessoa no carro (menos ela, obviamente), ou ele só poderia estar com defeito. Não sei o que disse de tão surpreendente assim, mas no segundo seguinte, ela estava me fuzilando com os olhos pelo retrovisor, Caleb estava me cerrando os olhos do meu lado e Mufa se virou para revirar os olhos para mim. Esse povo e essa maldita mania de reclamar pelos olhares.

"Porque ninguém além de você está mexendo nos botões do carro e eu sei muito bem que ele não está quebrado. Simples assim." Ainda revoltadíssima, a nerd resolveu comentar seca assim como seu corpo e cruzei os braços porque eu não tinha culpa nisso!

"Ora essas, não é culpa minha se essa gente que produz os carros deixam esses botões importantes para os passageiros apertarem. Se está com raiva, fique com raiva deles e não de mim!" Respondi revirando os olhos. E estava certa, ué! Quem em sã consciência deixaria esses botões destruidores atrás, né? Claro que ela bufou, jogando o carro em ré para pegarmos a estrada.

"Porque esse carro definitivamente não é um van de carregar crianças. E eles não imaginaram que entraria uma adolescente de dezessete anos com mentalidade de dez anos que mexeria em todos os botões, tenho certeza." Sua resposta foi fria, seca e sarcástica e só revirei os olhos ouvindo. Se ela estivesse dando para alguém, duvido que estaria assim, tão amarga.

"Pois eles trabalham na Mercedes e ganham para pensar. Se fosse assim, até eu faria um carro." Cruzei os braços e dei com a cabeça no banco (maravilhosamente confortável) de couro branco. Acho que eu poderia morar aqui dentro e seria imensamente feliz.

"Hanna, você não sabe fazer um carrinho nem de lego, menos, tá?" Ora, ora, Meyer estava colocando as asinhas de fora e me agredindo também. Eram duas contra uma e eu precisava do meu namorado para transformar isso em um número justo, por isso olhei para ele que só viajava janela afora. Que grande homem cavalheiro eu fui arrumar...

"Isso não quer dizer nada, só que eu não sei brincar com lego." Me defendi do modo que podia contra aquelas duas, a bocuda e a cabeçuda. Que covardia comigo! "Além do mais, isso não muda o fato de que eles estão errados sobre localizar esse botão aqui atrás." Ao ouvir isso, Spencer acelerou mais achando que ia me calar me ameaçando com seus dotes de pilota de kart. Rá! Mas ela está muito enganada.

"Primeiro, Hanna, o botão que você mexeu está embaixo do banco e crianças não são assim tão curiosas. E segundo, esse mesmo botão, se você não o torcesse como um pano de chão, ajusta a entrada de ar pela lateral do carro, mas como você ouviu o clique e continuou mexendo nessa porcaria, ele levantou a suspensão e subiu todo o carro e acabou ligando a tração. Só isso que você fez. Só isso." Uhum, ironia comigo, dona Hastings, porque estou nesse clube há muito tempo.

"Então não fizessem um botão multiuso assim, cacete! Se eu continuar mexendo vai acontecer o quê? Ele vai transformar o carro num canivete? Coisa mais imbecil." Olhei para o lado e Caleb estava olhando seu relógio e tendo um conversa mental com ele.

"Não sei se você sabe, Hanna, mas essas coisas estão diretamente ligadas." A nerd falou já mais calma.

"Sei..." Aquele assunto já tinha ficado chato. "Se eu construísse um carro, ele não seria assim." Claro que não! Ele seria mais luxuoso, mais simples e com botões que abrem uma champanhe e ligam o piloto automático. Isso sim é útil.

"Definitivamente, duvido até que ele teria rodas e volante." Mufa se meteu mais uma vez no papo e resolveu me gongar mais ainda. E ela não sabia no que estava se metendo, fato!

"Pois saiba você que ele teria quatro rodas sim, um volante e seria lindo e luxuoso." Claro que meu carro seria perfeito! Afinal de contas, seria feito por mim!

"Com certeza seria cor de rosa e puxado por cavalos." Não sei se ela estava tentando fazer piada ou só estava nesse mau humor todo por causa do Sr. Fitz, mas mesmo assim, não deixei barato!

"Nova horas e cinqüenta e sete minutos. Deus, essa vai ser uma viagem longa." Caleb murmurou ao fundo, só que nada tiraria o meu foco da nossa conversa!

"Eu estou falando de um carro, Aria, não de uma carroça! Eu sei a diferença, okay?" Maldita mania que tinham de implicar com as minhas confusões.

"Aham, até imagino o seu carro, Han, ele seria uma banheira, no mínimo!" Engraçadíssima essa nanica, engraçadíssima!

"Claro que não! Ele seria forte e rápido como um carro de corrida." Banheiras eu tenho em casa, pra que iria querer dirigir outra? Cada idéia! Além do mais, eu já ouvi falarem sobre mulheres pilotando fogão, mas nunca sobre pilotar banheiras.

"Por que logo uma cidade tão longe...?" Meu namorado reclamou mais uma vez e acho que isso é má influência da nerd.

"Acho que se fôssemos pro Japão ainda seria mais perto." Falando nela, eu me lembrei que ela ainda estava no carro depois de ouvi-la em mais de duas horas de silêncio.

"Ah, tenho certeza. E ele no mínimo pararia em cima da estátua da Liberdade, né, Han?" Minha cabeça se voltou imediatamente para Mufa e dei um tapa no banco, já que ela estava na minha frente. "Ai, Hanna!" Bem feito! Isso é pra aprender a brincar!

"Claro que não, eu estou falando de um carro e não de um helicóptero." Revirei os olhos, aquilo não fazia o menor sentido afinal de contas.

"Ué, você conseguiu jogar um carro em cima de uma árvore, isso nem seria novidade nenhuma." Mais uma vez, graças à dona Ashley Marin, o maldito do assunto sobre a maldita da árvore! Desgraça!

"Quanto tempo ainda falta, Caleb?" A nerd suspirou.

"Nove horas e cinqüenta e seis minutos, Spencer." Meu namorado lamentou de volta.

"Isso tudo?" Não sei o que se passa na cabeça dela, mas eu tenho certeza de que o carro dela não era o DeLorean, então ele não influenciava em nada o tempo de uma viagem. Que seja! Não vou deixar esse espírito velho desses dois me colocar pra baixo!

"Eu já disse que a culpa foi da árvore que estava no caminho, não minha." E lá estava eu me explicando novamente. Por que ninguém acreditava?

"Ah sim, porque a árvore se moveu só para atrapalhar a sua direção." Mufa bufou se sentindo a dona da verdade.

"É, essa vai ser uma longa viagem até Ohio, bem longa..." Caleb falou para a janela, ou para sua outra personalidade. Porque falar sozinho não é nada normal.

"Exatamente isso! Você sabe que eu vi um filme onde as árvores matavam pessoas e eram todas possuídas por um espírito maligno, onde seu principal objetivo é acabar com todos os humanos para que o mundo fosse só delas." Eu esqueci o nome do filme, mas ele me deixou aterrorizada depois de vê-lo. Isso super explica aquelas árvores balançando nos filmes de terror e nos assustando como loucas, elas todas estão juntas contra nós!

"Ah, certa, Han, e você acha que aquela árvore fez isso contigo porque ela faz parte de uma sociedade secreta na flora e todos os animais merecem ser extintos?" Tudo bem, eu sei que ela é lerda e tudo mais, só não sabia que era surda também.

"É isso que eu tô te dizendo, Mufa! Ela era parte desse grupo!" Gritei para ver se algo entrava na sua cabeça pelo menos uma vez na noite, porque tá foda isso aqui.

"Caleb, quanto tempo falta?" Spencer deu o ar da graça mais uma vez.

"Ainda faltam nove horas e cinqüenta e cinco minutos, Spencer..." E meu namorado respondeu.

"E como a árvore reagiu ao vê-la em cima dela com um carro? Ela não te engoliu, Han?" Qual é o problema dessa menina, meu Deus! De onde ela tira essas coisas sem noção?

"Aria, pelo amor de Deus, nós estamos falando de uma árvore e não de um buraco negro! Como ela iria me engolir?"

"Ué, se todas estão contra você, é bem possível..." Revirei os olhos mais uma vez.

"Spencer, você tá indo a quanto de velocidade?"

"Sim, elas estão juntas contra nós humanos, mas isso não quer dizer que elas deixaram de ser árvores, Mufa! Pelo amor de Deus!"

"Estou em 180 km/h, Caleb, vamos ver se conseguimos acabar logo com isso..."

"O que isso quer dizer, Hanna? Se elas continuam sendo árvores, como iriam andar e nos matar?"

"Obrigado, Spencer, é só o que te peço..."

"Elas não andam, Aria! Cacete! Mas como elas fazem parte do planeta, elas podem mudar de posição e se materializar em outros lugares. É difícil assim de entender?"

"Você nem imagina o quanto eu também quero isso, Caleb, nem imagina..."

"É, é muito difícil de entender, Hanna! Quer dizer que as árvores se teletransportam, mas não podem simplesmente sumir e engolir uma pessoa? Isso não faz o menor sentido! Pra começar, se elas tem esses poderes todos, como nós conseguiremos medir até onde eles vão? Elas poderiam fazer absolutamente qualquer coisa!" Pensei por um minuto nisso e talvez ela até estivesse certa...

"Bem, isso faz sentido. Mas não existe um corpo que engula a existência de outro, Aria, isso eu ainda não conheço."

"Ah, eu imagino sim, Spencer, e sei bem como você se sente..."

"Não que a gente saiba, mas existem muitas coisas por aí que ainda não foram estudadas, então essa é uma probabilidade bem forte."

"Entendi o seu ponto de vista, só não sei como funcionaria isso. O que você sugere?"

"Que vocês calem a boca, por favor!" Spencer e Caleb disseram ao mesmo tempo e nós duas paramos nosso papo para olhá-los. Do que esses dois estão falando? Estávamos discutindo um assunto importante e os amargos queriam que calássemos a boca? Que diabo? Depois de olhá-los, Aria voltou os seus olhos para mim e se virou no seu banco para falar comigo.

"Então, Hanna, o que eu estou dizendo é que foi comprovado que nós não usamos nem cinco por cento da nossa capacidade cerebral. Então, imagine se usássemos? E imagine também se todos esses tipos de vida tivessem um sistema central tão eficiente e misterioso como o nosso cérebro? Ou melhor ainda, se eles tivessem um cérebro e a ciência não quisesse que soubéssemos disso para não nos assustarmos? Já pensou no que poderia acontecer, Han? Mudaria tudo que conhecemos por ser humano e vida terrestre..." Wow! Quem diria que Aria era tão inteligente assim? Isso é um ótimo assunto, o que será que aconteceria se nada fosse verdade e tudo fosse apenas inventado pelos cientistas para nos fazer acreditar e levar a vida sem sermos ameaçadores pra eles?

"Aria! Essa é uma questão maravilhosa! Meu Deus! Isso comprovaria as nossas teorias sobre a vida animal e vegetal e mudaria tudo que sabemos sobre esse planeta. Afinal de contas, as árvores poderiam sim se teletransportar e nos engolir para o centro da Terra, não é?" Me aproximei dela e pude vê-la balançando a cabeça em concordância comigo. Nós éramos a dupla mais inteligente que já existiu nesse mundo.

"Cristo me salve... Caleb, quanto tempo?"

"Exatamente, Han! Então a humanidade poderia muito bem ser uma das raças menos desenvolvida do planeta, ou ter que lutar contra tudo que existe aqui, sabe? Como em 'Hunger Games', uma luta pela sobrevivência, só que ao contrário!"

"Ainda faltam nove horas e cinqüenta minutos, Spence. E tá indo a quanto?"

"Sim, sim! Por isso nós, humanos, teríamos que nos unir para juntos sobrevivermos nesse planeta e dominarmos todas as espécies, antes que fossemos destruídos por eles."

"Já estou em 200 km/h e, infelizmente, esse carro só chega a 240 km/h..."

"Esse é o nosso grande problema, ao invés de lutarmos para sobreviver nesse planeta, as pessoas se matam umas as outras, então temos que bolar um plano pra nos juntarmos todos e batalharmos lado a lado ou será o nosso fim..."

"Por que a Emily precisava ir pra tão longe, por quê?"

"Isso! O negócio é como iremos contar a eles sobre esse grande mal. Você sabe da previsão dos Maias, né? Então, o mundo se livraria da gente esse ano ainda e nós precisamos arrumar um plano pra não deixar isso acontecer, Aria! O que vamos fazer?"

"Calar a boca sempre é uma opção..." A nerd nos disse e reviramos os olhos, era pra ela estar do nosso lado, caramba!

"O mundo pode acabar, Spence, como você quer que nós duas fiquemos quietas e deixemos isso acontecer? Era pra você estar do nosso lado, você é inteligente e sabe do que estamos falando. Isso tudo é muito possível, caramba!" Aria defendeu nossa teoria e sorri em vitória, ela bem que poderia ser uma boa advogada, quando resolvia falar coisas com sentido, ela fazia tudo muito bem, vejam só. A nerd suspirou fundo e balançou a cabeça em negativa. Depois ela morre e o mundo acaba e vai ser tarde demais para fazer algo. Aí sim, ela vai se sentir culpada.

"Spencer, melhor não..." Caleb disse tocando o braço da minha amiga e olhando pro relógio mais uma vez. Revirei os olhos, eu é que não vou morrer porque eles são dois covardes e fracos! Ainda bem que tenho a Mufa do meu lado para salvá-los, sorte deles. Sem dizer nada, Spencer só olhou para Caleb que deu de ombros.

"Então, Aria, eu tenho um plano..." Falei me virando para minha amiga e chamando sua atenção ao tocar em seu braço. Obviamente, ela se virou na hora e prestou uma rara atenção nisso.

"É, nós ainda temos nove horas e quarenta e cinco minutos para ouvi-lo..." Meu namorado me disse com um sorriso sem graça.

"Bem, vou tentar fazer dar tempo..." No mesmo instante, Aria concordou com a cabeça várias vezes como costuma fazer e Caleb e Spencer suspiraram fundo. Um dia eles nos agradecerão, tenho certeza!


P.S.: O título da história é uma música cantada pela Katie Herzig e pelo Mattew Perryman Jones que leva esse mesmo nome. O título do primeiro capítulo é um álbum e música do U2 e o título desse capítulo é um verso da música 'Running up that hill', da Kate Bush (embora eu prefira a versão da Tori Amos). A FYI do dia. Xoxo. ;]