DE REPENTE 17

By Ligya Ford

Canção para ouvir nesse capitulo: Red House – Jimi Hendrix

CAPITULO QUATRO

Chase parou diante da porta de Cameron. Ela, ao ver que ele não entrou, parou para encará-lo.

- O que foi?

- Eu... – ele disse constrangido.

- Venha! – ela esticou a mão, e Chase a alcançou hesitante.

Cameron fechou a porta atrás de si.

Chase fechou os olhos. Não esperava aquilo. Parecia um adolescente diante de um mulherão. Se sentia estranho, deslocado. Como se não soubesse onde colocar as mãos, o que fazer, o que dizer.

De repente, o som conhecido de uma guitarra encheu a sala. A música era lenta e ritmada. Um melodia quase sensual.

Sentiu as mãos dela tirando sua jaqueta. Se virou para ela.

- Você está tremendo. – ela observou.

- Estou? – estava nervoso.

- Robert... – ele ouviu a voz dela e ficou arrepiado. Deus, estou enlouquecendo!

Ele levou as mãos ao rosto dela.

- Me sinto um garoto de 12 anos. – ele confessou.

- E eu dezessete. – e o beijou.

Chase sentiu novamente aquele gosto inconfundível. Mesmo que beijasse dezenas de bocas, jamais confundiria aquele gosto.

Sentiu a língua dela invadindo sua boca, e perdeu qualquer noção de tempo ou espaço.

Sua cabeça começou a girar. Isso é errado. Não posso fazer isso. Oh, Deus, eu posso sim. Ela é minha de novo. Não, não. Isso é bom demais.

- Não! – ele se soltou, talvez falando um pouco alto demais. – Isso não é certo.

Cameron fixou bem seus olhos verdes nos olhos azuis dele.

- Por que é tão difícil você perceber que eu não sou... ainda... aquela Cameron?

- É por isso. Deus, eu tenho medo...

- Medo do que?

- De você me odiar. De me odiar quando lembrar de tudo. Quando você lembrar que eu era só um brinquedo pra você se divertir...

- Robert...

- Medo de você lembrar e perceber que errou ao estar comigo, e me odiar por achar que estou aproveitando da situação.

- Não! Não, Robert, não. Por favor, não me julgue. Eu sei que isso não é garantia de nada, mas... não faria isso.

Chase a olhava, confuso. Metade do seu cérebro dizia para amá-la ali, agora. E a outra metade, dizia que aquela não era a Cameron, que não sabia quem era, que não podia substituir aquela Cameron.

- Robert, eu não sei explicar. Mas de tudo o que está acontecendo, você é a única pessoa com me sinto bem. Com você, eu me sinto... não sei dizer. A sensação que eu tenho é que... você é única... você é a única coisa na minha vida. E eu nem sei o que isso pode significar...

Antes que ela terminasse, Chase deu um passo e a beijou. Frenética e desesperadamente. Ficaram se beijando pelo tempo que nem Cameron ou Chase puderam definir.

Ela levantou os braços e Chase retirou sua blusa. Viu o delicado sutiã e segurou a respiração. Já a tinha visto nua antes, por que agora era diferente?

Cameron, sem parar de beijá-lo, retirou a blusa dele, e viu a barriga reta e o estomago côncavo.

Ela passou a unha pela pele branca até chegar ao jeans, e o ouviu gemer.

Aquilo era novidade pra ela. Essa Cameron nunca havia dormido com um cara antes. E pelo fato de já ter feito sexo com Chase e o fato dele ter dito que a amava, ela ia deixar as coisas acontecerem.

Era uma virgindade psicológica que ela enfrentava. E aquele olhar, aquele sorriso, o jeito único e especial dele, a fazia sentir uma mulher de verdade. Não uma garota de 17 anos.

Jimi Hendrix começava a cantar:

- "There's a Red House over yonder/ That's where my baby stays/ There's a Red House over yonder, baby/ That's where my baby stays."

Sentiu novamente os lábios dele. Só que dessa vez na pele do seu pescoço. Cameron achava que poderia se embriagar com o perfume dele. Era inebriante. Poderia se viciar naquele cheiro.

- "Well, I ain't been home to see my baby,/ in ninety nine and one half days./ 'Bout time I see her,/ Wait a minute something's wrong here/ The key won't unlock the door."

As mãos dele desciam pelas costas dela, alcançando o bumbum dela, e ela tremeu ansiosa. Como se precisasse daquele toque, daquele estímulo. Sem perceber o que tinha feito, pulou no colo dele. E Chase mirou os olhos dela de uma forma selvagem e devoradora, como se nunca a tivesse visto antes.

- Me leva?- ela sussurrou.

- Pra qualquer lugar...

- Pro céu...

Chase, a beijando, ainda com Cameron enrolada a seu corpo, andou até o quarto. E se arremessou na cama dela.

A despiu lentamente. Primeiro lhe tirando os sapatos, e em seguida, o jeans, a deixando apenas com a lingerie branca.

Cameron, deitada na cama, sentia sua pele ardendo, como se cada centímetro do seu corpo precisasse ser tocado. Aliviado com a pele dele, com o sabor e o gosto da boca dele.

- "I have a bad bad feeling/ that my baby don't live here no more./ That's all right, I still got my guitar/ Look out now . . ."

Chase ficou de pé a observando. Apenas observando a mulher que amava. Sentiu seu corpo corresponder com tanta excitação que poderia perder a sua ereção ali. Só a observando. Como ela era linda!

Ele retirou o tênis, as meias, o jeans e a cueca. E Cameron pode vê-lo por completo. A pele dele era branca, quase transparente. A ponto dos cabelos louros mal puderem ser vistos. Tinha coxas musculosas, pernas torneadas e uma ereção firme e pulsante. Ele era lindo!

Subiu na cama, e retirou a lingerie dela, enquanto beijava e passava a língua sobre a pele quente e macia, descendo do seu pescoço até sua barriga.

Cameron mantinha os olhos fechados, e parecia ter entrado em transe. Bem lá no fundo da sua cabeça, voava sobre campos de cor, paisagens e estrelas.

Quem precisava de drogas?

- Robert, por favor... – ela murmurou.

Chase, em êxtase, ouvindo a voz dela implorando, ajoelhou com uma das pernas entre as pernas dela e vestiu uma camisinha. Deslizou bem devagar para dentro dela, apoiando com cuidado o peso do corpo. Cameron o enlaçou com as pernas e entrou no seu ritmo. E sentiu que seu corpo havia sido moldado ao corpo dele.

- Cameron... – ele murmurou o nome dela, e ela sentiu novamente que ele a completava.

Chase, a cada investida, a beijava como se precisasse disso pra sobreviver. E Cameron devolvia com o mesmo ardor a impaciência e excitação.

Cameron começou a perder a noção de tudo, enquanto ouvia suas respirações ficarem cada vez mais curtas. Ela cravou as unhas nas costas dele, e ele mordeu seu seio. Cameron gritava com cada espasmo, e arquejou junto com ele. Gozando juntos, chegando ao céu juntos.

Chase descansou a cabeça embaixo do pescoço dela, e ela o abraçou. Ficaram recuperando o fôlego. Ali unidos, como se um mundo separado tivesse sido criado. Segundos depois, Chase foi até o banheiro, e Cameron o admirou novamente.

Ela ainda não conseguia conceber aquilo. O que aquela velha Cameron fazia? Era tudo isso o que ela tinha. Era aquilo que Chase lhe dava? Tudo aquilo? Como ela se previu de tudo aquilo? Por que ela não o amava?

Chase apareceu e parou na porta do banheiro.

- No que está pensando?

Ela sorriu, feliz. Ele se aproximou, e deitou na cama, a abraçando novamente.

- Foi sempre assim? – ela perguntou.

- Assim como?

- Assim. Deste jeito. – ela o encarou, apoiada no peito dele.

- Sempre. – ele murmurou sem desviar os olhos. – Sempre foi... assim.

Ela sorriu, também sem parar de olhá-lo firmemente. Ela tirou uma mecha de cabelo molhados dos olhos dele, e percebeu que agora não tinha mais volta.

Aquilo só tinha precipitado o que ela sentia. Estava se apaixonando. E o medo dele passou para ela.

O que aconteceria quando ela se lembrasse de tudo? Quando recuperasse todas as suas lembranças? Como seria seus sentimentos? Quais sentimentos sentiria por Chase? O amaria como o amava agora? Ou deixaria de amá-lo de acordo com o que sentia antes do acidente?

Não, isso não é ficção. Eu não vou esquecer quando lembrar o que eu era. Por que estou tão preocupada? Eu não vou deixar de amá-lo. Claro que não.

Sentiu Chase abraçá-la mais forte, gemendo satisfeito.

- Não queria nunca mais sair daqui. – ele murmurou. - Queria ficar grudado ao seu corpo o resto da vida.

Cameron riu, deliciada.

- Acho que vou falar pro House que eu to doente. – ele pensou alto.

- Não. Você não pode fazer isso.

- Por que não?

- Porque é a última semana do Eric, certo? Você não pode deixá-lo sozinho.

Chase riu.

- Esta é a Dra. Allison Cameron que eu conheço. Super profissional.

- Ah! – ela resmungou embaraçada. – Nós temos todo o tempo do mundo.

Ela se aproximou do rosto dele e o beijou. Chase, completamente atordoado, corresponde apaixonado. Eles se fitam, sem trocar palavras.

Cameron sorriu, e perguntou:

- Me conta uma coisa?

- Qualquer coisa.

- Fala sobre nós. Como nós... ficamos juntos pela primeira vez.

- Ficamos juntos pela primeira vez? – ele repetiu. – Deixa eu ver...

- Nós íamos sair? Jantar? Beber alguma coisa? – ela perguntou, esperançosa.

- Bem... nós íamos. – ele falou a ultima palavra com ênfase.

- Mas...?

- Você me chamou pra sair, mas... você me agarrou na porta.

- O quê? – ela riu.

- É. Você me... seduziu. – achou melhor não falar do "Chrystal Meth". – Me jogou no chão desse quarto, e abusou de mim. Bem ali. – E apontou para um pedaço do chão.

Cameron abriu a boca, em choque. Fechou os olhos e encostou a cabeça no peito dele. Ele estranhou mas percebeu que ela ria, divertida.

- Eu fiz isso?

- Foi.

- É incrível!

- Foi incrível.

- E nós... mantivemos nosso... "acordo" desde aquele dia?

- Não, nós... decidimos que podia complicar o nosso trabalho.

- Nós decidimos?

- Foi. – ele sorriu embaraçado. – Na verdade pra mim não era tão complicado mas... achei que depois poderia te convencer, e então eu enfrentei um processo por erro médico e...

- Erro médico? - ela perguntou, assustada. Se sentou na cama, com uma expressão curiosa no rosto.

- É, quase perdi minha licença.

- Kayla!

- O quê? – ele se impressionou.

- O nome dela era Kayla!

Chase abriu um sorriso.

- Era! Era! – e a abraçou. – Meu Deus, você lembrou!

- É. – ela gargalhou. – Isso é fantástico!

- É maravilhoso, Cam. É o inicio de tudo.

De tudo! Ela lembraria de tudo, e era o inicio do fim. Sabia que tudo acabaria quando ela voltasse a ser a velha Cameron.

- Não se empolgue, Robert. – ela interrompeu os pensamentos dele. – É como um flash qualquer como os que eu tive antes. Eu sei que o nome dela era Kayla, mas... não faço idéia de qual tenha sido o erro médico.

- Mas isso é importante.

- É. Acompanhando você e o House no hospital vai ser ótimo. Vai ajudar. Você me ajuda?

- Com certeza.

- Vai me ensinar os procedimentos?

- Claro. Te ensino tudo. – Chase sorriu, mesmo sentindo uma leve tristeza no coração.

Cameron sorriu feliz.

- Obrigada.

- Faço qualquer coisa por você.

Cameron o beijou apaixonadamente. Chase a sentou sobre seu colo e fizeram amor novamente. Agora mais devagar, com mais preguiça, mais sensual do que antes.

XxLFxX

N/A: Capitulo curtinho. Só pra dar um gostinho de quero mais.

Okay, a canção é Red House do Jimi Hendrix. Eu tenho aqui uma versão perfeita. Ao vivo. Acho melhor que a original. É perfeita.

AGRADECIMENTOS A: Flora (desculpe a demora, problemas no Pepe), Mona (ela tinha que beijar ele, tinha!), Lais (obrigada pelo carinho, flor), Nessa (obrigada pelo "perfeito", se tu lesse as fics da Sally, você saberia mesmo o que é perfeição), Dra. Poli (minha frô de maracujá, não torturei tanto assim, foi o que chamam de cliffranger, um gancho), Lalá (ih, sua persona vai entrar no próximo capitulo ainda), Naiky (valeu, linda, obrigada pelo carinho), Anne (agora que a Cam volta pro hospital, o House vai aparecer, só preciso procurar meu estoque de sarcasmo e ironias – Ah, sou paulista, mas conheço o Tribo de Jah) e Lis (depois de 50,000 anos, você leu – justo você que sempre lê tudo antes... curtiu a NC? Claro que curtiu, pervertida!).

E agradecimentos, a todos que leram e não deixaram rewiews!

Red House - Jimi Hendrix

There's a Red House over yonder

Há uma casa vermelha longe daqui,
That's where my baby stays

é lá onde o meu amor está,
There's a Red House over yonder, baby

há uma casa vermelha longe daqui, querida,
That's where my baby stays

é lá onde o meu amor está.

Well, I ain't been home to see my baby,

bem, eu não tenho estado em casa pra ver meu amor,
in ninety nine and one half days.

em noventa e nove dias e meio,
Wait a minute something's wrong here

espere um pouco algo está errado aqui,
The key won't unlock the door.

a chave não abre a porta.

I have a bad bad feeling

eu tenho um péssimo pressentimento
that my baby don't live here no more.

de que meu amor não mora mais aqui.

That's all right, I still got my guitar

tudo bem, eu ainda tenho minha guitarra,
Look out now . . .

agora olha só...

I might as well go on back down

Ainda assim eu tenho que descer de volta,
go back 'cross yonder over the hill

voltar pelo distante vale,
I might as well go back over yonder

ainda assim eu tenho que voltar pra lá
way back over yonder 'cross the hill,

de volta pra lá depois do vale,
(That's where I came from.)

(que é daonde eu vim)

'Cause if my baby don't love me no more,

Porque se o meu amor não me ama mais,
I know her sister will

eu sei que a sua irmã vai.