Capítulo nove
As possibilidades
Lúcio Malfoy esperava pacientemente em sua sala de cristais que a pequena Core chegasse. Ele havia mandado chamá-la, mas até agora ela não tinha aparecido. Até que finalmente um ruído estalou lá em cima e sons de passos rangeram pelas escadas. Ela estava descendo. Seus enormes olhos verdes reluziram e se assustaram quando depararam com os vidros iluminados nas prateleiras.
"É a primeira vez que você vem aqui", disse Lúcio, lançando um discreto olhar para o cortinado fechado lá atrás. "E será a última."
"Sim, senhor", fez a garota com um aceno de cabeça. "O que o senhor deseja?"
"Desejo que você me entregue o anel que achou."
"Não está mais comigo, senhor. É muito perigoso, parece que dentro há..."
"Eu sei muito bem o que há naquele anel, Corelina."
Lúcio a fitou agudamente. A garota ficou imóvel. Ele a estudou por um momento. Ela era, talvez, a mais bonita entre as irmãs, a mais astuta e a menos inocente. Mas não seria difícil convencê-la a fazer o que queria.
"Eu sei do caso que você tem com o meu filho", disse Lúcio com naturalidade. Core abriu a boca, mas pareceu não achar nada para replicar, de modo que ficou simplesmente calada, o olhando. "É um problema muito grande, o que você arranjou."
Silêncio.
"Digamos que, por um acidente do acaso, você fique grávida..."
"Não senhor..."
"Basta de tolices!", bradou ele, a olhando de esguelha, no que a menina tornou a se calar. Sob a luminosidade âmbar da sala, ela já estava ganhando uma tonalidade pálida-esverdeada. "Como eu ia dizendo antes que você me interrompesse, se você engravidar de meu filho, será expulsa dessa casa e sem direito a coisa alguma de nossa família."
As finas sobrancelhas de Core se franziram tanto que quase formaram uma linha reta em cima dos olhos faiscantes.
"Não tenho interesses materiais, se é o que o senhor está insinuando", ela disse, a voz baixa e querendo soar normal. Tinha medo de provocar o patrão. "Me desculpe, senhor, mas eu amo seu filho."
"Está perdendo seu tempo, Corelina. Ele vai se casar."
A garota não teve reação. Após alguns segundos, balbuciou algumas palavras desconexas. Estava visivelmente chocada.
"Me surpreende que você ainda não soubesse disso", Lúcio continuou, ignorando o estado da menina, "uma vez que dorme quase todos os dias no quarto de Draco. Ele já devia ter lhe contado."
"Nunca...nunca mais dormi lá desde que a amiga dele chegou", os olhos dela eram grandes e profundamente verdes. "Ele não...não temos nos falado muito desde que ela chegou."
Lúcio fingiu estar surpreso. Depois riu.
"Ora, não me diga que ele está gostando de Pansy Parkinson e esqueceu você!", exclamou.
Os olhos de Core vagavam vazios pela saleta, seu rosto era confuso e anuviado.
"Ele...está gostando dela..."
"Draco, Draco", fez Lúcio.
"...mas ela havia me dito que...só amigos..."
"Mas precisamos admitir que ela é simplesmente encantadora, não é?"
"Sim, ela é linda...", agora Core falava com apatia. "Como uma bonequinha de porcelana."
Lúcio aproximou-se da garota e pôs as enormes mãos em seus ombros.
"Garotas da sua idade não amam", disse ele em tom de consolo.
"Elas amam", replicou Core, inexpressiva. "Amam com mais vontade. E também odeiam com mais força."
"Você vai se recuperar", e ele suspirou casualmente. "Mas o que estávamos falando...ah, sim, o anel. Vá buscá-lo, Corelina."
A garota se afastou e subiu as escadas. Estava quase tudo pronto. Lúcio calculou que em menos de cinco horas todo o seu plano já teria dado certo.
A porta no final do corredor estava entreaberta. Gina aproximou-se silenciosamente dela, até poder vislumbrar de longe o perfil de uma pessoa dentro do quarto, arqueada sobre a penteadeira. Era Core; reconheceu pelos longos cabelos louros e ondulados espalhados pelas costas da garota. Curiosamente, a garota estava remexendo numa caixinha, e Gina a viu retirar enormes jóias dali de dentro, colares de rubis e broches de marcassita. Então um ruído alto no hall (talvez um dos bustos ao pé da escada tivesse sido derrubado), fez com que ambas se assustassem: Core correu para dentro do armário e Gina apenas olhou para trás, imaginando se alguém tinha caído ali no corredor, mas ele estava vazio. Quando voltou a olhar para dentro do quarto, Core havia sumido.
Gina empurrou completamente a porta e entrou. Havia um closet ali, e Core podia ter ido para dentro dele, parecia estar procurando algo quando o barulho a assustou e ela se escondeu. Portanto devia estar fazendo algo errado...era muito estranho que ela estivesse remexendo na caixa de jóias de Narcisa. A tampa da caixa estava bem distante da mesma e os colares e jóias escorriam da caixa para a penteadeira como se fosse calda escorrendo de um bolo. Mas certamente o camafeu não estava ali. Narcisa o tinha recolhido junto com as roupas, então precisava achá-las.
Vasculhou os baús, os armários, dentro das enormes caixas de veludo que narcisa ocultava num outro compartimento do quarto, chegou até a forçar as paredes, caso houvesse passagens secretas no aposento, o que seria muito comum se tratando de uma antiga casa de bruxos. O vestido não estava em parte alguma – encontrou revistas antigas, diários, vidros de perfumes, flores velhas e amareladas, e fotos. Várias fotos. Uma delas particularmente curiosa. Gina não conhecia aquela pessoa naquela foto. Era uma garota, deveria ter por volta de quinze ou dezesseis anos de idade, loura e pálida – na verdade quase tão branca quanto uma folha de papel – de cílios igualmente louros e compridos e olhos de um azul muito claro e suave. Usava o uniforme de Hogwarts com o emblema da Corvinal bordado na altura do peito. Entretanto, o que mais chamou a atenção de Gina foi a singularidade daquele rosto: não havia dúvidas de que ela era uma Malfoy. A possibilidade de que a garota na foto fosse Narcisa não parecia válida, uma vez que ,apesar de se parecer com os Malfoy, ela não se parecia totalmente com Narcisa. Em segundo lugar, era sabido por todos aqueles que conheciam Draco Malfoy (ele fazia questão de falar) que seus pais tinham freqüentado a Sonserina, e não a Corvinal. Por fim, enquanto Gina observava a foto, a garota ora sorria levemente de maneira azeda, ora relaxava o rosto numa expressão honestamente enfadada, como se o fato de estar dentro daquela foto a matasse de tédio.
"O que foi, não sabe como chegar aqui?", perguntou-lhe a garota.
Gina estreitou os olhos. Não tinha conhecimento de nenhum caso em que figuras dentro de fotografias tivessem se comunicado com coisas reais, de carne o osso. Virou o verso da foto instintivamente.
"O que você está procurando afinal?", a voz da garota era petulante.
"Quem é você?", Gina perguntou à figurinha estranha na foto.
"Essa pergunta me pertence", replicou a garota. "Você está na minha casa, no quarto de minha mãe, segurando a minha foto e cansando minha beleza. Quem é você?"
Havia insinuações impertinentes no tom dela. Gina, atormentada, começou:
"Eu estava...procurando uma coisa. Narcisa é sua mãe?"
Diante de tal pergunta, a garota recusou-se a responder ; ao invés disso semicerrou os olhos e observou as unhas num gesto displicente.
"O que acontece se eu rasgar você?", Gina perguntou, séria.
"Você está segurando uma foto, garota", retrucou a figura.
Gina pensou. Coisas intrigantes passavam pela sua cabeça. Ela sabia que não era para ela muito saudável ter idéias.
"Que quer dizer com isso? Que você existe?"
"Quero dizer que pode fazer o que bem entender com essa foto, contanto que não me amole."
"Estou lhe amolando?"
"Sou uma mediação, um meio para que cheguem do outro lado, e se você fica apenas me segurando, fico esperando o momento de abrir a passagem à toa!"
Gina calou-se e permaneceu segurando a foto. Então a foto gritou. Um grito impaciente e encolerizado.
"Me solte se não quer passar para o outro lado!"
"Bem, quero passar", disse Gina. "Mas quando você diz que é filha de..."
Piscou e sentiu que estava deitada em algo frio e duro. O chão parecia estar falando sem parar, mas na verdade eram somente as vibrações das vozes das pessoas. Levantou-se, confusa, e compreendeu que estava em uma das salas de aula de Hogwarts; parecida com a sala em que tinham aulas de História da Magia, entretanto não estava havendo aula. Ao menos não naquela sala. O barulho vinha do lado de fora, dos corredores.
O outro lado é Hogwarts? Gina se perguntou. Abriu a porta da sala e saiu. As pessoas andavam para lá e para cá trocando de salas, esbarrando com professores, entrando e saindo dos banheiros. Viu Rony inclinado-se num bebedouro que ficava debaixo de um amplo raio de sol. Harry e Hermione aproximaram-se dele. Gina desconfiou que ninguém a estava vendo ali. Fez um teste: ficou parada no meio do corredor, contra o fluxo de alunos que ia em direção ao Salão Principal. Viu um grupo de garotos da Sonserina se aproximando, entre eles estava Pansy, Crable, Goyle, alguns outros garotos que ela se lembrava serem da casa, mas não viu Draco.
Pansy fez um sinal ao grupo quando percebeu Hermione perto do bebedouro, e num gesto vulgar arrancou uma folha do livro e fez rabiscos, a amassando numa bola gorducha, mirando Hermione e a arremessando. A bola fez uma trajetória que poderia ter acertado, com pontaria precisa, a cabeça de Hermione, não fosse Gina estar no meio do caminho. Entretanto, a bola de papel não colidiu com ela – a atravessou como se Gina não fosse sólida, mas isso foi o suficiente para fazer com que a munição de Pansy se desviasse do alvo.
Tanto Hermione quanto Pansy ficaram surpresas pela repentina e inesperada curva da bola. Ambas esqueceram, por alguns segundos, de se irritarem uma com a outra.
"Vamos", disse Hermione para Harry e Rony de repente, arrumando a mochila nos ombros.
"Para que ficar arremessando bolinhas, Pansy?", Rony retrucou. "O único cachorro aqui é você. Vá buscá-la."
"Rony,Vamos", Hermione insistiu, o puxando pelo pulso.
Gina os seguiu.
Harry havia realmente se intrigado com o fenômeno que vira e ficou olhando por cima do ombro para o lugar onde a bola se desviara.
"Tinha alguma coisa ali", disse aos outros dois.
"Pode ter sido uma corrente de ar", tentou Hermione.
"Ar?", Rony fez uma careta.
Hermione piscou e olhou os dois garotos. Gina compreendeu o que se passava. Não podia ser uma corrente de ar, porque estava tão quente que os garotos haviam afrouxado seus gravatas e desabotoado os primeiros botões da blusa. E isso significava também que não era natal, portanto, estava em outra data.
"Como eu ia dizendo antes de Pansy nos interromper, Snape deve estar variando", Hermione trocou de assunto, folheando seu livro de poções. "Aqui diz que a quantidade de sementes de mandrágoras é duzentos miligramas, ele disse para adicionarmos quase uma grama inteira no tubo!"
"O problema é dele", Rony replicou. "Espero que na próxima aula todas aquelas poções tenham solado."
"Poções não solam", corrigiu Hermione. "Não são bolos. Elas apenas dão erra..."
"Por falar em bolos, acho que hoje a sobremesa vai ser alguma coisa de abóbora, vi Hagrid passando para a cozinha com montes delas. Já não agüento mais comer abó..."
Risadas altas abafaram a voz de Rony.
"Eu realmente acho", dizia alguém em voz alta, "que se depender do jogo de amanhã, a Grifinória está fora do campeonato entre casas."
Os quatro se viraram para ver de onde vinha tanto barulho. Desta vez era um grupo de alunos da Corvinal. Gina estreitou os olhos. Cintilando numa nesga de sol, no meio dos garotos e das garotas, os cabelos cor de trigo longos e lisos como fios seda, a garota da foto falava para todos reunidos ao redor dela.
"Talvez eu devesse deixar Potter apanhar o pomo amanhã, ao menos uma vez. Às vezes as pessoas precisam de um incentivo."
Os alunos da Corvinal não gostaram da brincadeira por inteiro. A garota riu e virou casualmente a cabeça para o lado, esbarrando com o olhar impassível de Harry. Sem o menor indício de constrangimento, a garota acenou para ele.
"Gostaria que Fred e Jorge tivessem acertado um balaço no rostinho bonito dela", comentou Rony ao entrarem no Salão Principal.
"Harry, não se...", Hermione começou, mas percebeu que falava sozinha.
"Para onde ele foi?", perguntou Rony, notando a ausência do amigo.
Hermione sorriu.
"Acho que foi fazer o que eu ia sugerir que fizesse. Bom, talvez não o vejamos mais hoje. Quem sabe de noite, no campo de quadribol."
Seria a primeira vez, em muitos anos, que ele a veria lúcida. Estava nervoso por isso. Quando a via na cama, agonizando e murmurando entre sonhos tempestuosos, sabia que ela não tinha poder nenhum sobre si mesma, que toda sua exuberante personalidade estava igualmente adormecida. Ela não podia feri-lo com palavras e acusações, não podia olha-lo com ódio, porque ela nem tinha consciência do que era odiar. Mas agora Narcisa era sua mãe outra vez. Se ele errasse, ela saberia. Se ele desse a mais ínfima pista de que, naquela noite, iria destruir Lúcio, ela não agüentaria.
Desceu as escadas lentamente, segurando-se no corrimão com firmeza. Escutava a melodia vindo da sala de musica, parecia ser propositalmente trágica; teclas agudas de piano produzindo abstrações. Por fim, divisou o piano lá dentro, ao chegar no último patamar da escada. Mas ele não estava sendo tocado. Narcisa talvez tivesse posto no aparelho de som alguns dos CD´s clássicos de Lúcio. Esperava vê-la tocando o piano. Por algum motivo, a visão do instrumento vazio o chocou. Havia uma atmosfera cataclísmica ali, ou seria efeito da musica?
Chegando perto da porta dupla, viu sua mãe de pé em frente ao enorme espelho de uma das paredes. Agora que seus cabelos estavam escovados, a roupa corretamente ajustada ao corpo e sem vincos, o rosto lavado e o olhar novamente vivo, podia-se achar que ela não passava de uma adolescente prepotente em seu vestido negro. Narcisa estava esticando o tecido da roupa na região da barriga...Draco deu um passo para trás, atordoado. Ela estava acariciando o ventre e o olhando no espelho, no rosto havia um sorriso que misturava malícia e superioridade.
Algo impeliu Draco a falar:
"O que está olhando, mãe?"
Ela apenas desviou o olhar para ele através do espelho.
"Não é bonito?"
Draco sentia-se desconfortável.
"O que é bonito?"
"As possibilidades que são jogadas fora durante a vida. Você já jogou possibilidades fora?"
Ele não conseguia ver o que havia de bonito em se jogar possibilidades fora. Aos poucos aquilo estava virando um pesadelo.
Narcisa estava o olhando fixamente, a expressão aérea.
"Várias vezes", continuou ela, "durante minha vida, gostei de saber que o tempo todo eu poderia ter oportunidades: elas sempre surgiam. Mas, houve um dia...apenas um dia, em que eu não tive o controle sobre essas possibilidades. Depois, houve mais um dia. E outro, e mais outro, até que eu não tinha mais nenhuma possibilidade. Todos os meus caminhos iam se anulando e sumindo. Mas na verdade eles continuam lá. Só precisam de um pouco mais de luz...para voltarem a existir."
"Quer que eu feche as cortinas?"
"Você gostaria de se suicidar?"
Após ter arriscado alguns passos para dentro da sala, chegando quase ao centro dela, Draco estacou abruptamente.
"É claro que não", disse, voltando-se para Narcisa.
"Mentira."
Ela encaminhou-se para o piano, mas matinha os olhos grudados em Draco.
"Meu querido, você é pequeno demais para o mundo", ela pronunciou estas palavras com tanto carinho que sua voz estremeceu, quase engrolou de emoção. "Frágil demais, impotente demais, como pode ser hipócrita a ponto de dissimular dizendo que não gostaria de se suicidar, se você sabe que o único meio de terminar com tudo é morrendo? Você é sensível, Draco, é fraco para si mesmo, e pessoas assim pagam um preço caro demais. Elas sofrem, e cada vez que sofrem a morte ganha uma tonalidade mais agradável."
Narcisa tocou os cabelos do garoto pálido em sua frente, acariciou-lhe o pescoço e o beijou nos lábios.
"Morra, meu anjo. Desligue a luz do seu quarto e termine com seu sofrimento."
Draco fechou os olhos e percebeu que estava franzindo as sobrancelhas com força, como se uma dor aguda o incomodasse. A musica estava tão rápida agora que parecia zombar dele, dizendo "Suicídio, suicídio, suicídio" entre agouros de violinos. Ele deixou-se largar lentamente no banquinho do piano, apoiando as mãos nas teclas. Narcisa acariciava seus cabelos cada vez com mais força, ele podia sentir as unhas dela apertando seu crânio enquanto percorriam sua cabeça. Até que de repente ela se afastou dele, os saltos estalando com estrépito no chão, foi até o som e o desligou. O silêncio pairou como um zumbido pela sala, então ela suspirou e se retirou lentamente.
Narcisa entrou no quarto e viu uma garota de traços delicados e cabelos de fogo caída no chão do quarto, segurando algo na mão. Então, a medida em que ia se aproximando, foi visualizando com mais clareza o que ela segurava. Era a foto.
Ela precipitou-se sobre a garota e a sacudiu, a tirando do transe. Pansy abriu os olhos, atordoada.
"O que está fazendo?", perguntou Narcisa, irritada.
Pansy sobressaltou-se. Ficou de pé, o rosto corando rapidamente.
"Perdi...perdi um anel", disse, sem pensar.
"Um anel?", Narcisa não estava convencida.
"Meu anel. Deixei em cima do vestido, junto com o camafeu e...você levou tudo, achei que podia achar o anel embolado no vestido, e vim procurar o vestido..."
"Péssima desculpa, querida. Teria sido infinitamente mais educado se me pedisse para descer até a lavanderia ver se o anel ainda estava com o vestido, ao invés de vir revirar meu quarto."
Narcisa tomou-lhe a foto da mão.
"Você sonhou."
"Não", Pansy negou com a cabeça. "Não foi um sonho."
"É maneira de dizer. Bem, esqueça isso. Esqueça tudo."
"Não é real, não é mesmo?"
Pansy estava um pouco pálida, seus olhos pareciam um tanto assustados.
"Não, não é real. Como posso dizer? Apenas um sonho."
Mas a garota não se fazia satisfeita. Perguntou mais,quis saber como ela tinha feito aquilo, se era Magia Negra, porque tinha feito aquilo, quem era a garota na foto, o nome dela, como ela realmente era.
Mesmo sabendo que seria melhor não dizer nada sobre a garota, Narcisa hesitou. Jamais falava daquilo para ninguém, sentia falta de comentar sobre seu grande feito. Pansy, apesar de inconveniente e curiosa, parecia bobinha demais para usar aquelas informações de uma forma mais comprometedora.
"É Magia Negra", começou Narcisa, "mas é um feitiço incompleto. O feitiço completo tornaria tudo real. Tanto Draco quanto a garota na foto existiriam, só que em dimensões diferentes. Apenas uma pessoa conseguiu fazer esse feitiço sair de forma perfeita, foi Tom Riddle. A garota é como uma sombra de uma das infinitas possibilidades de Draco, é como ter várias combinações de pontos diferentes, todos ligados, e mudar somente um, sem alterar os outros. Foi isso que eu fiz. A garota é o que Draco poderia ter sido, mas só existe enquanto faz de conta."
Pansy estava fascinada.
"Por isso ninguém pode nos ver do outro lado. Não existimos, assim como eles não existem, só fazem parte do cenário onde minha garota vive, e somente ela pode nos ver."
"Você a escolheu?", Pansy perguntou.
"Não, ela já existia...Ela seria exatamente assim se existisse. A mesma personalidade, a mesma voz, a mesma maneira de odiar."
Pansy começou a deixar os lábios se abrirem, como costumava fazer quando estava estupefata ou profundamente pensativa.
"É como uma história", disse. "É como...uma brincadeira..."
Narcisa sorriu.
"Você sabe o resto?", Pansy quis saber.
Narcisa assentiu.
"Mudar uma vida implica em outras mudanças", disse. "Não posso saber como será a vida de Draco, porque ele existe, mas a garota vai ser vítima de um acontecimento estranho, causado por Harry Potter, que talvez não aconteça realmente já que Draco existe. A garota seria descobrirá coisas sobre os Potter, coisas perigosas, e essas coisas vão cair no conhecimento de Harry." Narcisa lançou um olhar inexpressivo á Pansy. "Bem", suspirou, "Harry Potter vai desaparecer. Assim como Voldemort fez. Não sei se vai retornar, apenas sei da garota: ela também irá desaparecer num acidente, aparentemente, sem explicações. Mas isso tudo não tem importância, não é? Já que ela não é de verdade. Agora vamos lá em baixo ver ser seu anel ainda está preso ao vestido."
