Estava entediado sentado em sua cadeira na sala de estar. Remexia inquieto o cabelo azul, com a unha carmesim, como sempre afiada. Pensava na própria vida, cogitou visitar Camus, porém lembrou-se que este estava saindo com a sua nova pupila, veio-lhe então a mente que tinha que arrumar uma, ou Shion iria pegar no seu pé eternamente, Então resolveu dar uma olhada entre as amazonas que treinavam no Santuário. Infelizmente para ele, nenhuma lhe apeteceu.
- Ah... – Murmurou. Estava entediado, não iria achar ninguém ali, resolveu sair do Santuário e circundar as vilas próximas a ele. Ele gostava daquele lugar, afinal, praticamente nasceu ali. Viveu sua vida ali, na Grécia, e grande parte dela no Santuário. Lembrava-se de sua vida na Ilha de Milos, teve trabalho sobrevivendo, mas foram bons momentos...
Andava despreocupado, passou por uma cafeteria e comprou um frappé de baunilha, ele gostava daquele sabor gélido em sua boca. Continuou andando até chegar a uma parte mais afastada da ilha, onde ninguém atrapalharia, lembrou-se dos comentários irritantes de Shion, sobre como era importante ter uma discípula e como seria interessante aprender com ela. Começou a pensar em como seria aquilo, pois diferente do Camus, ele nunca teve um discípulo de verdade, apesar de ter o fardo de julgar aqueles que se dizem arrependidos de seus pecados, ele nunca teve alguém consigo, alguém a quem passar seus conhecimentos. Ele sentia inveja de Camus nesse quesito, parecia que pra ele, só sobrava à parte chata e tediosa da coisa, estava cansado daquilo.
De repente, ouviu ao longe o ecoar do som de pedras se partindo. Estranhou, aquele lugar era normalmente tão calmo...Tinha conhecimento de um rochedo ali perto, então resolveu verificar por via das duvidas.
Ao chegar lá deu de cara com uma cena um tanto quanto inusitada. Sobre algumas pedras e abaixo de um rochedo uma jovem de cabelos ruivos um pouco a cima dos ombros e aproximadamente 13 anos franzia as sobrancelhas e gritava algo como "jogue logo idiota". Foi obrigado a observar que apesar da pouca idade que mostrava a face, seu rosto era bem delineado.
Olhou para cima; para a direção para a qual ela gritava, Então viu a segunda garota. Os cabelos dessa eram negros e longos caindo lisos, seu corpo era menos delineado que o da ruiva. Prestou atenção e pode ouvir o que gritava a morena e não pode deixar de rir.
-Minha unha quebrou, vamos parar com isso! Estou cansa- Foi interrompida pela ruiva que respondeu com língua afiada rolando os olhos e batendo os pés sobre as pedras, vez por outra, as ondas batiam próximas a ela e davam um efeito dramático e perigoso as suas ações. Perigoso para a ruiva.
-Pare de palhaçada e jogue logo! Não vai conseguir se tornar uma amazona se continuar a ser fresca dessa maneira!- Brigou a de cabelos curtos com a morena que ficou visivelmente irritada, e deu um forte golpe no pedregulho a sua frente. Enquanto isso a ruiva percebia que não havia se preparado pra aquilo.
-Oh merda... - A ruiva disse baixinho fechando os olhos. Milo pensou em não interferir, porém viu que a menina acabaria morrendo e se isso desse repercussão... Nem queria ver o quanto o Shion iria reclamar... Resolveu ajudar. Muito a contragosto, pois queria ver se a menina seria capaz de fazer algo naquela situação, mas até mesmo seu senso de justiça o incomodaria se ele não fizesse algo e ela se ferisse. Ele foi rápido e calmo, apenas proferiu, em alto e bom tom:
- Scarlet Needle! – Bem simples, e só se podia ver os farelos do que seria aquele pedregulho. As meninas ficaram apenas paradas sem entender nada. Até que a que estava em cima gritou:
-F- foi você que fez isso?- Sem compreender o que havia se passado e a outra respondeu ríspida.
-Claro, eu agora tenho voz de homem, e uso ataques na velocidade de só Athena sabe o que!- Ironizou sem perceber que Milo se aproximava por trás dela, estranhamente discreto.
- O que vocês pensam que estavam fazendo?! Poderiam ter se machucado. – Bem, ele estava se preocupando com alguém ao que parecia, mas o que podia fazer? Era um santo de Athena. Olhou as duas que se sobressaltaram, a morena deu um passo para frente, olhando por sobre o rochedo, a ruiva não foi tão sutil.
-Por Athena! De onde 'cê veio? – A ruiva Perguntou desconfiada a ver um homem estranho com uma única unha vermelha desnecessariamente grande se aproximando sorrateiro. Onde aquele homem achava que estavam? Aquilo não era nenhum tipo de convenção para travestis, eram os arredores do santuário da deusa grega Athena, o lar dos santos dourados e seus discípulos...
Uma resposta rápida chegou até a ponta da língua mais foi impedida, mordeu a própria língua antes de responder um "do inferno". Eram apenas crianças, eram diferentes do Camus com quem ele podia usar aquele tipo de linguajar. Era engraçado até, afinal não importava o que ele falava, Camus continuava com aquela cara de quem não ligava para absolutamente nada. Era realmente divertido se lembrar dele nesses momentos.
- Estava apenas observando vocês... – Ele disse reparado nos olhos vermelhos da garota que falava consigo, davam realmente um tom bonito ao seu rosto.
- Olha Louise, temos um stalker agora! – Disse a de cabelo vermelho estranhando ainda mais o sujeito a sua frente.
- Ora! Eu salvo a sua vida e você me agradece me chamando de stalker? – Ele disse indignado com a reação da menina.
- Mas você é mesmo! Tu tava querendo o que vigiando a gente, hein? – Ela colocou as mãos no quadril, e cerrou os olhos o encarando em uma pergunta incisiva.
- Primeiro, não estava vigiando vocês. Segundo, seja mais grata para com a pessoa que acabou de salvar a sua vida, e... – Foi quando ele viu a outra menina pulando lá de cima. – Vocês são loucas ou o que? – Ele levantou as mãos aos céus e depois as levou à cabeça vendo então a menina caindo apoiada sobre os pés com os joelhos arqueados, um deles apoiado no chão enquanto o outro fazia um ângulo de 90º entre as duas coxas, tendo uma das mãos levemente apoiada no chão.
Ela levantou e arrumou o cabelo, era muito mais graciosa que a ruiva, seus cabelos pretos que iam até a cintura e delineavam seu rosto suave com expressões doces. A pequena usava um vestido igualmente preto adornado de um cinto purpura abaixo dos seios fazendo assim com que esses fossem realçados apesar do pouco tamanho desses. Suas unhas eram bem pintadas e uma delas estava quebrada. Ele reparou em seus olhos da cor do cinto. Eram purpura suave, quase lilás, encantadores e doces, porém dotados de força de vontade.
Observou a diferença entre as garotas; A de cabelo vermelho tinha traços mais intensos embora não masculinos, era mais alta e possuía os seios mais fartos do que a morena, porém era menos feminina e em suas mãos estavam enroladas faixas já meio amareladas que ele podia apostar que quase sempre estavam em posição de luta, sobre as faixas já gastas ele pode notar calos e em seu rosto podia ver alguns band-aids, provavelmente de algum tipo de confronto, não pode deixar de pensar assim ao observá-la. Diferente do delicado vestido da outra, essa trajava shorts curtos e largos negros e uma camiseta vermelha, sustentando os shorts estava um suspensório da mesma cor da camisa que levavam a estampa de pequenas caveiras com sorrisinhos macabros em preto. Suas roupas eram bem mais gastas que as roupas da outra.
A ruiva encarou a garota que havia acabado de descer e rumou em sua direção com passos fortes e um sorriso nervoso no rosto fazendo a outra dar alguns passos para trás.
- Você. Quase. Me. Matou! – A cada palavra ela investia sobre a morena um golpe, estes golpes eram desviados com facilidade.
- Muito lenta Lucy! – A morena ria divertida enquanto movia-se esquivando dos golpes.
Ele estava impressionado com aquilo, precisava perguntar ao Shion se ele poderia ter duas discípulas... Se bem que Dokho tinha duas, embora as dele fossem gêmeas. Ele não sabia se isso seria um empecilho para o Shion, mas estava se divertindo com as garotas. Sentou-se em uma pedra menor e ficou assistindo. Não demorou muito para as duas pararem e olharem pra ele.
- Ei Tiozão, por que raios você ainda está stalkeando a gente? – Disse a ruiva, meio desconfiada com o chamado "Tiozão".
- Eu não estou... Deixa pra lá... – Ele disse passando a mão pelos cabelos azuis. – Eu vi certo potencial em vocês, apenas isso...
- Potencial para que? Pra fazer se... - A morena tampou boca da primeira.
- Esquece o que ela ia dizer... Meu nome é Louise e o da estressada é Lucy – Ela riu meio sem graça, ainda segurando a boca da ruiva. – Mas quem é você afinal? Suas unhas são bonitas... - Ele riu da reação da menina corada com grandes olhos brilhantes que havia acabado de elogiar suas unhas, as quais ele tanto gostava e respondeu.
- Bem, primeiramente obrigado, e... Eu sou um cavaleiro de Athena! Milo de Escorpião pra ser mais exato! Bem, você deve saber, eu guardo a casa de escorpião, né... Como diz no nome... – Ele ria levemente, com aquele sorriso maroto de canto de boca. Seguia olhando nos olhos daquela menina, eram tão intensos e vibrantes.
- Um cavaleiro de Athena?! - A morena exclamou. – Sério? – Ela estava muito animada com a ideia de estar conhecendo um cavaleiro de Athena, exatamente aquilo que ela queria para seguir com sua vida dali em diante. Ela precisava se dar bem com esse homem, era a chance que elas teriam em suas vidas, ele ia responder, mas a ruiva estava muito engraçada tentando falar com a mão da outra ainda tapando sua boca. Ele não conseguiu segurar o riso, e não podendo fazer isso, riu levando a mão ao rosto de forma a tampar a boca. A morena destampou a boca da primeira, que disse:
- Tá vendo? Ele ta de zoeira com a nossa cara! Tiozão stalker imbecil! – Ela ficou completamente irritada, pois pensou que ele estava rindo da cara delas por estarem acreditando em suas histórias.
- Lucy! Não fala assim! – Tentou a morena inutilmente parar a ruiva, pois essa geralmente dizia as coisas sem pensar muito. O que muitas vezes estragou as chances delas conseguirem um bom emprego ou algo do gênero. Mas ela não podia perder uma chance daquelas, não, não podia deixar isso passar.
- Bem, eu não estou de palhaçada, só achei engraçada a reação de vocês duas. Bem, o nome de vocês duas... Louise e Lucy correto?- Ele disse apontando pra cada uma das duas respectivamente. A morena respondeu:
- Sim, isso mesmo. –Louise disse dando um leve sorriso, amigável, esperando que a outra não estragasse aquilo. A ruiva contrariando a vontade de Louise pronunciou-se de forma acida.
- Aham, então é só você me provar que é verdade! – Ela era assim, adorava desafiar as pessoas, ela podia estar de frente a própria Athena ela tendo aquele cosmo gigantesco, que ia querer uma prova de sua santidade.
- Lucy! – Disse Louise já desesperada com as coisas que a ruiva estava fazendo.
- Ora, ingrata, eu salvo sua vida com minha Agulha Escarlate e você ainda pede provas?
- Agulha Escarlate? O ataque do cavaleiro de-. – A morena foi interrompida por Milo.
- Sim, do cavaleiro de escorpião, que sou eu... – Ele fica sorridente com o reconhecimento.
- Nossa! Que legal! Então você é mesmo o cavaleiro de escorpião!– Dizia Louise realmente animada.
- Sim, eu so... – Nesse momento ele foi interrompido.
- Claro! Você acredita em tudo mesmo, né, Louise? – Disse Lucy provocando.
- Olha só garota! Você é muito petulante e mal agradecida! Você podia estar morta a essa altura se não fosse eu ter te salvo! Vê se consegue se atina! – Ele estava começando a se irritar com a petulância e audácia da garota, mas de certa forma, ela lembrava um pouco ele mais jovem.
- Você ter me salvado? Eu poderia muito bem ter quebrado aquela rocha facilmente! E quem é que pode afirmar que foi você mesmo quem quebrou aquela rocha? E se fui eu com minha máxima maestria? – Ela disse de forma a debochar dele, dando a entender que podia ter quebrado a "pequena" pedra que quase a esmagou.
- PAREM VOCÊS DOIS AGORA! – A morena gritou irritada batendo o pé, com a mão na cintura. - Mas que coisa! Estão toda hora se alfinetando e respondendo um ao outro como crianças! Parem com isso! Peçam desculpa!
- Mas... Não fui eu... – Os dois disseram juntos.
- PEÇAM! – Louise disse olhando para os dois.
- Desculpa... – Disseram se encarando, de cara feia.
- Agora o abraço! – A pequena foi mais longe do que apenas a desculpa.
- Ah, aí já é demais... – Ele disse.
- Concordo! – Ela disse, incrivelmente concordando com o mais velho.
- ABRAÇO! – Ela disse irredutível. Os dois muito a contragosto se abraçaram, ficando lá, meio sem jeito, com a cara virada.
- Ok, muito bem... Agora, senhor Milo de escorpião, será que poderia provar pra minha amiga que é realmente o cavaleiro que diz ser? – Ela disse, agora sem exaltação na voz, como sempre falava.
- Por que eu tenho que provar isso? – Ele disse indignado.
- Por favor, senhor Milo... Eu não duvido do senhor, mas para acalmar os ânimos... – Ela falou de modo a não ferir o orgulho dele, que parecia ser bem grande.
-Ok, ok. – Ao falar isso ele usou sua velocidade da luz, e foi até um pedregulho acima delas, onde estava a Louise antes e usou novamente a agulha escarlate para quebrar a pedra, achava aquilo um desperdício, mas fez, e depois retornou para seu lugar. Não era pra menos que era tido como o cavaleiro mais veloz. Elas nem tiveram tempo de reação, simplesmente viram uma pedra se quebrar e ele estava lá, no mesmo lugar novamente.
- Nossa! Incrível! O senhor é mesmo muito rápido! – A morena disse impressionada. Ele riu-se:
- Não precisa ficar me chamando de senhor... – Ele disse cordialmente.
- Ah, é o costume... – Disse rindo sem graça, mas ainda assim admirada.
- Tá, vocês podem se pegar, eu não ligo não tiozão stalker pedófilo! – Ela disse zombando da cara deles.
- Lucy! – A morena ficou pasma.
- Ô garota desbocada... – Disse Milo passando a mão pela testa.
- Eu falo da maneira que eu quiser ô Tiozão! – Ela disse novamente provocando.
- E pare de me chamar assim, que coisa! – Ele retrucou.
- VOCÊS PODERIAM PARAR?! - Ela dá um cascudo em cada um deles, fazendo-os ficarem quietos.
- Acho que ele já provou que é o cavaleiro de escorpião que disse ser... – Disse Louise sendo sincera.
- Mas-. – Lucy ia contestar.
- Sem mas! Ele provou! – ela foi irredutível novamente.
- Ok, sua chata... – A ruiva resmungou.
- Bem, mas o que faz por aqui, Senhor Milo? – A morena indagou, ela realmente queria saber o que um cavaleiro como ele fazia em um lugar daqueles, era uma missão ou algo do gênero? - Algum tipo de missão? Está ocorrendo algo por aqui, algum espectro? Ó, por Athena! Uma nova guerra santa?!
- Nossa, calma... Você sabe de bastante coisa, hein? Não, nada de espectros ou guerras santas, mas digamos que pra mim isso é meio que uma missão sim, se bem que vocês podem não acreditar, ainda mais a ruivinha aí... Mas bem, eu estava procurando uma discípula pra mim... – Ele disse calmamente para não espantá-las.
- COMO?! – As duas tiveram a mesma reação.
- Isso cheira a treta... – Disse a ruiva, logo seguido ao espanto.
- Desculpe Senhor Milo, mas... O senhor disse discípula? Com A? – Ela estranhou, agora por acaso os cavaleiros de Ouro iriam treinar amazonas? É isso mesmo?
- Sim, foi a ordem do grande mestre e da senhorita Athena... – Ele respondeu.
- Ordem da deusa Athena?! – Ela disse espantada e feliz.
- Cheira a treta... – A ruiva continuou a murmurar no meio da conversa, mais alto que em tom de murmúrio e rolando os olhos sendo ignorada pelos dois.
- Sim... Ela pediu que cada cavaleiro de ouro treinasse uma amazona, foi isso mesmo que ouviu. – Ele disse normalmente para a morena.
- Treta... – A ruiva continuou. –
- Nossa, por essa eu não esperava! – A morena falou surpresa.
- Pois é, ela resolveu inovar... – Ele riu.
- Cara, presta atenção! Esse maluco só quer levar a gente pra um cantinho e pum! Comer a gente! Sacou não?! Ele é taradão! – A ruivinha explodiu com a dedução um pouco ilógica dela.
- Olha só! Se eu quisesse comer vocês, por que raios eu já não teria feito isso?! Afinal, estamos em um lugar deserto! Dã! Você não tem muitos neurônios, não, né? – Ele disse revidando e indagando-a a respeito disso, afinal, se ele quisesse isso, ali seria o lugar ideal, ele pensava que aquela menina só podia ser paranoica e louca. Louise já estava se irritando de verdade... Eles continuaram discutindo e ela explodiu.
- PAREM VOCÊS DOIS! PARECEM CRIANÇAS! QUE RAIOS! POR QUE NÃO SE COMPORTAM COMO PESSOAS NORMAIS! SERÁ QUE NÃO SABEM? PAREM COM ISSO, NÃO É NADA MADURO, E EU DIGO PROS DOIS! LUCY PARE DE PROVOCAR! E SENHOR MILO, NÃO SE IGUALE A UMA CRIANÇA! MAIS QUE COISA!
- Sim, senhora, senhora Louise... – Disseram os dois juntos.
- ÓTIMO! – Ela respirou. – Então diga senhor Milo... E o senhor disse que viu potencial em nós? – Ela retornou ao seu tom normal, que era baixo e suave.
- É, bem, sim, e vi interesse também! Afinal vocês falaram algo sobre se tornarem amazonas... Não foi? – Ele perguntou pra confirmar.
- Stalker. – A ruiva resmungou.
- Calada Lucy! – A morena disse e continuou a falar. - Ah sim, é verdade... Depois que nos tornamos órfãs, temos estado sempre juntas. E o desejo de nos tornarmos amazonas cresceu, afinal lá teríamos muito melhor condição de vida, apesar de vivermos nos arredores do Santuário a vida nunca é fácil para nós órfãos... – Ela disse com certo pesar sobre a fala, lembrar de seu passado era um tanto quanto doloroso.
- Sei como é... E bem... Vocês são irmãs? – Ele indagou esperando que fossem.
- Não, amigas... – Lucy disse.
- Uhn... Era o que eu temia... – Ele pensou alto meio pensativo.
- O que quer dizer com isso? – A morena indagou.
- Bem, eu fiquei sabendo de um cavaleiro que está treinando duas meninas, porém elas são irmãs, e gêmeas, ou seja, separa-las seria algo complicado... Mas vocês, levar as duas, eu não sei... – Ele disse ainda pensativo.
- Não vou sem a Louise! – A ruiva falou irredutível.
- Idem, crescemos juntas e vamos continuar assim. Sinto muito, mas se quiser nos levar, terá que levar as duas! – A morena concordou fielmente com a primeira.
- É, foi o que eu pensei, bem, eu vou conversar com o Shi... Digo... Com o grande mestre... E digo que se ele não aceitar terá que me deixar sem discípula nenhuma! – Ele disse com verdade em sua fala.
- Sério? – Elas ficaram espantadas.
- Sério, eu gostei de vocês, apesar da ruivinha aí não ter gostado tanto de mim assim...
- Não disse que não gostei de você tiozão, disse que você é um stalker taradão, só isso! – Ela disse brincando com ele.
- Ah, claro, só isso! – Eles riram.
- Então, vamos? – Ele perguntou ansioso pela resposta positiva.
- Agora? – Perguntou a morena.
- Por que não? – Ele indagou confuso, se elas não tinham lar nem família, por que ela não queria partir imediatamente?
- Não estamos prontas, né Lucy? – Ela disse meio que buscando apoio na amiga. Ela estava insegura, esperava que a outra entendesse o recado.
- Eu estou sempre pronta! – Infelizmente parece que a ruiva não compreendeu.
- Mas e nossas coisas? Quer dizer... Não temos muito, mas... Sei lá, partir assim... Acho que, não sei... – Ela seguiu tentando argumentar sobre ficar mais um tempo ao invés de partir logo.
- Para de ser medrosa, Louise! – A ruiva disse.
-Ora, eu não sou medrosa sua... – A morena disse irritada.
- Fala! Fala se tem coragem! – Lucy falou provocando.
- Meninas... Tudo bem, se vocês não estão prontas podemos partir outro dia. – Ele falou de modo a acalmar os ânimos delas.
- Não, tudo bem, a Lucy tem razão... – Ela disse abaixando um pouco a cabeça, e segurando na barra de seu vestido, apertando-o.
- Eu tenho? – A outra perguntou confusa.
- Tem sim... Eu estou com medo de começar uma vida nova, de mudar do nada, mesmo que eu não tenha nada ao que me prender aqui... Eu não sei... Fico insegura... – Algumas lágrimas se formavam em seus olhos de cor púrpura, e Milo percebeu como eles ficavam bonitos com aquela expressão meio triste, eles brilhavam mais, ele não sabia explicar o que estava pensando direito, gostar de ver uma menina quase chorando, aquilo era novo até pra ele. Então Lucy se aproximou dela e disse;
- Você sempre foi um bebê chorão, mas eu sempre vou ficar do seu lado, não precisa se preocupar. Vamos ficar bem... - Ela abraçou a amiga, que afundou o rosto no ombro desta e a abraçou. Lucy acariciou os cabelos da morena, e ela deu um leve sorriso, Milo admirou ainda mais do que as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, a relação delas era tão bonita, definitivamente ele não podia separá-las, e Shion ia ter que entender, ou como ele mesmo disse, ele não teria nenhum outro discípulo ou discípula. Ele sentiu algo escorrer de seus olhos, e quando passou a mão pelo rosto pode sentir uma pequena lágrima. Ele tratou logo de retirá-la dali e ficou de costas para as meninas, mascarando a voz um pouco embargada pelo sentimento.
- E então, vão ou não? – Ele indagou. As meninas ficaram lado a lado, e se entreolharam, a morena enxugando as lágrimas. E então disseram em uníssono:
- Vamos sim!
- Ótimo, mostrarei o caminho então! – Ele foi seguindo na frente, em direção ao santuário.
- Tá tiozão! – A ruiva disse.
- Sim, Senhor Milo! – Disse a morena.
Então, seguido das suas duas novas prováveis discípulas Milo rumou ao santuário rezando internamente para Athena colocar algo na cabeça de Shion e assim, fazer com que a ovelha do santuário lhe permitisse manter as duas amazonas como discípulas.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Capítulo por Darkness
