Lá estava ele, sobre a grama do campo, ele preferia estar longe do que retornar ao lugar ao qual pertencia, e esse local era o santuário, bom, na verdade ele não estava tão longe assim, ele continuava na Grécia, apenas pelo fato de que não poderia se afastar da sua terra natal. Mas não desejava voltar ao santuário, tudo lá o lembrava de sua traição e não queria conviver com aquelas pessoas que com certeza o julgariam, principalmente o dono do julgamento, Milo de escorpião, na verdade, ele já havia o julgado antes, afinal ele se lembrava perfeitamente de todas aquelas agulhadas, como poderia esquecer da dor lascinante. Ele não queria enfrentar nada daquilo novamente, na verdade era mais um modo de fugir, se esconder. Quando Athena o trouxe de volta, ele não entendeu os motivos e por isso pediu permissão a ela para não continuar ali, ela tentou argumentar, mas o cavaleiro não queria saber de santuário e sua deusa respeitou, disse apenas que quando fosse chegada a hora ele deveria ser leal e cumprir suas ordens, ele assentiu com a cabeça e se retirou.

Havia se passado um bom tempo que estava ali, e bem digamos que até era aconchegante, uma casa modesta, poucas pessoas ao redor, ele morava em uma vila, em um campo aberto, escolheu ali por parecer com o lugar que morava antes de ir para o santuário, mas aquele lugar estava bem melhor, tinha menos fome e miséria que em seu primeiro lar. Ele só esperava que sua paz não fosse perturbada, pois gostava de se sentir em paz, e pretendia manter isso.

Ele saiu para a floresta próxima do campo onde morava, precisava pegar lenha e algumas frutas para comer, estava planejando fazer uma salada de frutas para sobremesa, para adoçar um pouco, já que a carne, que era preparada a sal e sol o deixaria com bastante sede, então ele pegou algumas frutas para a sobremesa e outras para fazer um suco, foi quando ouviu uma voz infantil ao longe, parecia vir do barranco que estava ali próximo, ele ficou preocupado, se concentrou e pode notar que ouvia um pedido de socorro. Ele então deixou seus troncos de árvore e sua cesta de frutas e correu em direção ao som e ao pequeno cosmo, porém era algo estranho, ele podia sentir uma certa intenção estranha nesse e em outro cosmo próximo. Bom, ele não podia deixar de ir mesmo assim, mesmo tendo feito o que fez, no final ele era um Santo de Athena.

Ao chegar lá viu uma pequena menina, aparentemente uns 14 anos, ela estava caindo barranco abaixo, tentando se segurar em uma raiz de árvore, ele rapidamente posicionou suas mãos e como não queria deixar claro que na verdade ele era um cavaleiro de Athena ele então disse o nome de sua técnica em baixo tom, e dessa maneira a menina que estava caindo apareceu, como mágica, a sua frente.

- O QUE?! - A menina exclamou, porém o cavaleiro pode escutar um pouco mais distante, a mesma exclamação, mesmo tendo notado resolveu fingir que nada tinha ouvido, então ele prosseguiu olhando para a menina a sua frente.

- Olá pequena dama, o que a senhorita faz aqui tão longe de casa? Não sabe que existem muitos perigos pelas redondezas?

A menina se recuperou do baque que tinha levado ao ser teleportada magicamente e então levantou o olhar para o mais velho que estava a sua frente, o encarando por um tempo.

- Tudo bem, senhorita? - Ele perguntou novamente só pra ter certeza.

- Ah, é... Sim... Bem, mais ou menos, na verdade... - Os olhos dela ficaram um pouco lacrimejantes. - Não... Não é nada, muito obrigado por ter me salvado, bem, eu vou indo, tenho que voltar... - Ela deu uma breve pausa, como quem tenta segurar o choro, e então continuou andando.

Ele arqueou uma das sobrancelhas, vendo a menina se afastar cabisbaixa e soluçando levemente, então andou até ela e apoiou a mão em seu ombro, ela então parou e virou o rosto, olhando para a mão dele, mas não para seu rosto. Ele falou então para a menina a sua frente.

- Se precisar falar com alguém, pode falar comigo. - Ele disse sorrindo levemente. - Bem, mas eu acho que você não pode ir agora, precisa tomar banho e comer algo, não acha? - Ele disse ainda sorrindo.

-Ah, eu... não quero incomodar, estou indo agora... Vou ir...

Ele ri levemente e diz:

- Está tudo bem, não me incomoda, nem você, nem seu parceiro...

A menina ainda de modo a não olhar para o cavaleiro arregala os olhos e claramente gaguejando diz:

- Ma-mas eu estou so-sozinha... É, bem, deixa pra lá, eu tenho que ir... - Ela sai correndo pra frente, seus cabelos loiros balançavam ao vento, de um lado pro outro, seguindo suas delineadas curvas, ela deu uma leve olhada pra trás, com os olhos ainda um pouco lacrimejantes, mas teve uma surpresa, quando ela olhou não viu o homem que havia a salvado, estava começando a pensar que aquilo era um sonho e aquele homem bonito que a salvara era fruto de sua mente fértil, infelizmente ela percebeu que não ao bater em algo, e ao cair no chão, e olhar pra cima, arrumando os cabelos que se bagunçaram um pouco, viu o mesmo homem parado a sua frente.

Ele riu um pouco e então estendeu sua mão pra ela, esperando que ela pegasse e que tudo se esclarecesse.

- Como você?! - Ela disse espantada. - Ah, cansei de tentar entender, deixa pra lá... - Ela apoiou a mão no chão, decepcionando um pouco o homem a sua frente, e se levantou. - Bem, agora eu vou embora, com licença... - Ela o contornou e continuou andando, passando a mão pelos cabelos e no meio deles ela prendeu, ela parou e soltou a mão, reclamando um pouco. - Ah, mas que merda! - Deu um grande suspiro. - Sujei meu cabelo à toa...

Ele riu um pouco andando até ela.

- Você é engraçada, mas então... Não vai até minha casa tomar um banho, e comer algo?

- E você é estranho, não, eu não vou até sua casa, agora não tem mais propósito nenhum... Enfim, eu tomo banho em qualquer outro lugar... Bonitão esquisito... - Ele disse revirando os olhos.

Ele ri e então diz divertido:

- Bonitão esquisito, é? Nunca me viram assim antes, eu acho... As pessoas geralmente, quer dizer, agora... Não sei... Eu até voltei pra lá, mas... Ah, enfim, não vou te perturbar com isso agora... Ou melhor, não vou te perturbar mais... - Ele virou de costas e foi andando, estava usando uma calça larga, com dois grandes bolsos, a calça era bege clara, isso realçava a cor de seus cabelos, um azul vívido, que estavam presos em um rabo de cavalo, mas mesmo assim não deixavam de ser longos.

Ela se virou e viu aquela cena, ele estava sem camisa, o que mostrava seu físico impecável, e seu cabelo, balançando de um lado para o outro enquanto ele andava, ela reparou em seu quadril, enquanto eles mexiam, indo para lados opostos ao de seu cabelo. Ela viu então a mão dele se levantar e acenar pra ela, com dois de seus dedos levantados e o polegar um pouco curvado.

Ela ficou um pouco extasiada com aquela beleza e então resolveu falar.

- Espera! - Disse olhando pra ele, esperando ele se virar, mas ele também a decepcionou, algum tipo de vingança? Quem sabe?

- O que foi? Ainda está aí, é? - Disse um pouco seco.

- Claro que estou, e você sabe que eu estava, se não soubesse não teria acenado pra mim. - Disse cerrando os olhos.

- Ha! Então estava olhando pra mim, senhorita? - Ele disse se virando lentamente.

Ela o observou se virando, e finalmente contemplou seus olhos, antes ela tinha visto de relance quando ele a salvou, e agora ele a estava encarando com seus lindos olhos verdes, eles eram inquietos, e pareciam esconder alguma coisa, eram olhos claramente misteriosos, embora tivessem um tom claro eram na verdade um pouco foscos com um certo degradê e quando um raio de luz tocou levemente sua íris, tomou um tom mais claro, quase que um pouco azul, talvez um verde água, mas com os encantos daquelas águas misteriosas, e profundas. Ela se pegou divagando e balançou um pouco a cabeça, fazendo com que seus cabelos balançassem deixando uma pequena mecha próximo ao seu nariz, ela ia tirá-la, porém o homem foi mais rápido e levou a mão ao seu rosto, tirando o cabelo de seu nariz e o colocando atrás de sua orelha. Ele olhou para ela com um sorriso gentil esperando algo semelhante em troca.

- Não, não estava, só olhei pra ver por que estava aí choramingando. - Disse fazendo algo semelhante a um biquinho.

Ele riu quase que histericamente, e então parou colocando uma das mãos no rosto. Ela fechou a cara e o olhou séria para ele.

- Qual a graça, bonitão?

- Uhn? Vai mesmo me chamar assim? - Ele disse arqueando novamente a sobrancelha.

- Por que? Vai chorar, bonitão? - Disse ela também arqueando uma sobrancelha.

Ele sorri.

- Não, não vou chorar... Não sou de chorar... Eu... - Ele se lembrou de sua redenção, então seu sorriso ficou diminuto e ele passa a mão pelo rosto, recobrando a consciência. - Bem... Mas por que me chamou mesmo?

- Fez novamente...

- Fiz o que?

- Ficou dessa maneira.

- Que maneira?

- Ar solitário, misterioso, como se fosse alguém que carregasse uma forte dor, que machucasse seu coração, como uma lança ou flecha, era isso que eu queria falar...

Ele se espanta um pouco com a leitura da garota sobre ele, pois é, ela estava certa, mesmo ele sendo perdoado, e provado pelo cavaleiro de escorpião, ainda assim, ele sentia como se não pudesse regressar e como se tudo que ele tivesse feito e tudo o que aconteceu com ele não fosse de nada, que na verdade, o seu lado ruim fosse o que todos sempre iriam ver. E que esse era quem ele era realmente, se fosse em outra época, pensar isso seria um orgulho, mas agora era um vexame, ele se sentia envergonhado, e com medo de ser rejeitado. Ele virou para a menina, olhando em seus olhos, eles também eram verdes, mas diferentes dos seus eram bem claros e pareciam transparentes, como se mostrassem a sua alma, embora ele pudesse ver algum tipo de barreira, como se ela também escondesse algo.

Ele deu um sorriso um pouco melancólico.

- É, talvez tenha razão... Mas seus olhos também dizem algumas coisas...

- Dizem, é? - Ela perguntou curiosa, duvidando um pouco.

- Sim, dizem, mas por que você e o seu amigo não vem comigo e aí conversamos mais sobre isso?

- Meu ami- Ei! Para com isso! Não tenho amigo nenhum! Mais que coisa... Enfim, não acho que seja legal ir a sua casa, eu nem te conheço...

- É por isso mesmo, ou é por que não quer que o seu amigo me roube? Gostou da presa, foi isso?

- O que? Do que você está falando? Está louco, por acaso está me chamando de ladra?

Enquanto eles falavam isso puderam ouvir um som de algo caindo, Kanon logo olhou para a direção de onde veio o som.

- Ah, deve ter sido um côco, ou algo assim...

- Um côco não faria esse barulho todo, bem acho que eu vou lá ver...

- Não, não é nada, vamos, vamos pra sua casa, né... Acho que já conversamos bastante, você é gente boa... - Disse ela claramente nervosa.

- Por que está tão nervosa, por acaso tem algo lá que não quer que eu veja? - Disse ele dando alguns passos em direção ao som.

- Espera! - Ela disse correndo em direção dele e o abraçando em uma maneira desesperada para que ele não fosse naquela direção, seu corpo era pequeno e esguio, embora bem delineado, com uma bela silhueta. E ela batia mais ou menos na cintura dele.

- Ei calma... - Ele disse meio envergonhado pelo abraço. - É, eu estou um pouco suado... Melhor você soltar, não quero... - Ele olhou pra baixo e os olhos dele encontraram com os dela, ela o encarou por um tempo e depois escondeu seu rosto do abdômen dele.

- Só não vá, tá?

Ele riu meio sem jeito e passou a mão pelos cabelos.

- Ahaha Tudo bem, tudo bem... Bom, quer ir pra minha casa ainda?

- Ah... Eu acho melhor não... - Ela disse com o rosto ainda escondido.

- Ei, não precisa esconder o rosto... - Ele segura o queixo dela com sua mão e o levanta, fazendo com que seus olhos se encontrassem novamente. Ele viu novamente a saliente mecha de cabelo em seu rosto. E levemente a colocou pra trás de sua orelha, sorrindo levemente. Voltou a olhar em seus olhos, e esses estavam com pequenas lágrimas quase escorrendo. - Você... Está choran-

Ela levou o dedo indicados até os lábios dele, dizendo em seguida.

- Você estava certo, somos ladrões... Nós fazemos isso, quando o Kyr visualiza uma pessoa que pareça ter algum bem ou algo assim eu desço até uma parte do barranco e começo a gritar por socorro. Então a pessoa vem, e eu finjo que não quero ir e que vou voltar, mas que na verdade não tenho pra onde ir, aí essa pessoa me leva pra sua casa, enquanto o Kyr nos segue... e depois, quando eu conto minha história a pessoa vai dormir e o Kyr começa a roubar pequenas coisas, eu fico alguns dias pra não levantar suspeitas, mas depois digo que tenho que ir, agradeço e vou embora, felizmente não me reconheceram antes. E bem... Como você fez tudo isso? - Ela ia explicando, olhando pra ela claramente envergonhada.

- Você di-

Antes que ele pudesse responder um garoto pulou vindo na direção dele. Kanon apenas desviou, ainda com a menina nos braços e se virou pra ele, vendo-o cair apoiado sobre os quatro membros, depois de deslizar um pouco pela grama escassa do local ele parou com os joelhos dobrados e os pés próximos um do outro, com suas pernas formando um "V" e os braços esticados, com as palmas das mãos apoiadas no chão, um pouco a frente dos pés, entre as pernas. Ele levou uma das mãos, com os dedos dobrados apenas até a segunda articulação, ao rosto, passando pela boca, ele se levantou lentamente, com um olhar raivoso direcionado ao homem a sua frente.

- Kyr! - Gritou a menina que estava nos braços de Kanon. - O que está fazendo aqui? Você nunca aparece pros outros!

- É bom largar minha irmã! Grrr.

- Ele é o tal de Kyr, é seu irmão? - Ele disse olhando pra menina.

- Sim, exatamente...

- Nossa, ele é tão... Felino... Até as patas, digo... mãos, em forma de patinhas de gato... - Ele disse agora olhando para as mãos do menino, posicionadas da mesma forma de antes.

- Não ouse zombar de mim! Grrr.

- Ah, não, eu não estou zombando, só fazendo um comentário... Vocês são mesmo irmãos? Parecem tão diferentes... - Ele disse observando o menino, que tinha um tom de pele mais escuro, e olhos negros, como o seu cabelo. - Ah, entendi, são irmãos de consideração, certo?

- Não... - Disse a menina.

- Não! Grrr.

- Peraí... então vocês são irmãos de sangue? Jura!?

- Claro que sim! Grrr - Ele continuou - Agora solte a minha irmã! Grrr

- Ah sim... - Disse Kanon meio distraído, soltando a menina logo em seguida. - Mas como vocês são tão diferentes...

A menina se virou olhando pro mais velho e dizendo:

- É por que não somos gêmeos siameses...

- COMO!? VOCÊS SÃO GÊMEOS? - Ele disse se exaltando e pigarreando para que sua voz voltasse ao normal. - Ahn... Não entendi, quer dizer, vocês não são nada parecidos, a não ser talvez pelo corpo meio esguio e pela estatura mediana baixa... e o formato oval dos olhos e...

Ele foi interrompido pelo menino.

- Pare de ficar falando palavras difíceis! Grrr - Ele prosseguiu - "Vambora" Ky!

- Peraí... Seus nomes são Kyr e Ky? - Ele disse levantando uma das sobrancelhas.

- Na verdade, esses são nossos apelidos, nossos nomes são Kyra, que é meu nome, e Kyros, que é o do meu irmão... - Ela disse sorrindo levemente.

- Por que está falando nossos nomes pra ele Ky! Está louca!? Grrr.

- Ele não vai nos fazer mal Kyr, é uma boa pessoa!

- Como pode dizer isso de uma pessoa que acabou de conhecer? Grrr - Ele disse confuso. - Vamos embora, logo! Grrr - Ele disse pegando a mão da garota e andando em direção ao precipício.

- Espera Kyr, eu convivi mais com as pessoas que você, elas podem ser gentis, alegres, podem ser boas, podem te dar amor... Você diz essas coisas pois a única coisa que faz é viver nesse precipício e nessa floresta, a única aproximação que faz das pessoas é pra roubá-las, você não aprendeu com elas... Por favor, eu sei que esse homem é bondoso, eu vejo nos olhos dele...

- Você não sabe o que está dizendo Ky! Grrr - Ele continuou. - Humanos são maus e cruéis, e a única coisa que eles fazem é te abandonar e deixar aí pra morrer! Nenhum deles merece viver e ser feliz, nenhum deles consegue dar isso que você chama de amor! A única coisa que pode existir desse tipo é a nossa ligação e mais nada, nós devemos ficar juntos, e continuar essa vida, temos que roubar esses humanos malditos, isso é tudo que eles merecem! Grrr.

Kanon ouvindo as palavras do menino lembrou-se dele mesmo quando mais novo, tentando persuadir seu irmão a trair a todos e dominar o santuário, seus olhos ficaram um pouco turvos, devido às pequenas lágrimas que se formavam neles. Ele então se pôs a frente do menino, dobrou um dos joelhos no chão, e olhou bem dentro dos olhos negros da criança.

- Por favor, deixe-me provar que eu posso ser diferente dessas pessoas que lhe fizeram mal... Eu posso... Posso cuidar de vocês, ou talvez só ajudar, não precisam ficar comigo se não quiserem... Por favor, deixe-me pelo menos cuidar da sua irmã e de seus ferimentos...

- Não precisamos de sua ajuda! Grrr.

- Não fale assim Kyr! Ele está sendo gentil! Por favor, aceite a proposta! Não está vendo a verdade nos olhos dele? - A menina insistiu ao irmão.

O menino olhou bem ao fundo dos olhos de Kanon e pôde ver a verdade dentro deles, então ele virou a cabeça para o lado e disse mesmo contra sua vontade:

- Está bem! Grrr.

- Isso! - A menina disse feliz.

- Mas só vamos ir até a casa dele pra ele cuidar de você depois disso voltamos! Grrr.

- Aaah... Tá...

- Bom, então vamos?

- Sim! - Disse a menina empolgada.

- Grrr.

- Eu acho que isso foi um sim, né, gatinho?

- Não me chame de gatinho! Grrr.

Kanon riu juntamente com Ky e eles foram andando até a casa dele, passaram pelos mantimentos de Kanon e os pegaram, bem, na verdade a menina levou a cesta de frutas e Kanon a madeira, o menino se recusou a levar algo pois, segundo ele não era empregado de ninguém, eles foram conversando e Kanon se apresentou e contou a eles que ele era na verdade um Santo de Athena, a menina ficou impressionada, e deduziu que era por isso que ele era tão rápido, ele explicou algumas coisas e eles continuaram.

Eles andaram um pouco e chegaram à vila onde ele estava, ao chegar próximo a casa Kanon notou algo estranho: a grama estava remexida de forma diferente, e sua porta estava entreaberta, ele então pediu para as crianças esperarem do lado de fora por um minuto, e então adentrou a sua casa.

- Ora, então finalmente retornou... Achei que fosse ficar esperando o dia inteiro... - A voz que estava nas sombras falou em tom baixo.

- Você... - Ele conhecia aquela voz.

- Quem diria, não achei que fosse me reconhecer pela voz, tão rápido... - Falava a voz misteriosa.

- O que quer aqui? Eu não tenho mais nenhuma relação com o santuário!

- Não foi o que fiquei sabendo, pelo que O Grande Mestre me disse você continua com sua jura de lealdade a Athena, não é mesmo?

- Mas o que isso tem a ver com você estar aqui? Não entendo...

- Athena tem uma missão pra você... - Ele deixou seu dedo indicador apontado pra frente, fazendo com que uma frecha de luz refletisse em sua unha vermelha escarlate. - Me diga, vai obedecer ou não?

Kanon respirou fundo.

- Tenho outra escolha?

- Sempre se tem uma escolha... Você é a pessoa que mais deve saber disso, não? - Ele disse sorrindo, deixando a mostra seus dentes na escuridão, seu canino afiado, parecia prestes a devorar uma presa inocente.

De repente a luz se acendeu e quando Ky ia falar ela foi interrompida.

- Aaaaaah! Qual é!? Quem acendeu essa merda dessa luz? Porra! Tava mó clima maneiro, eu aqui com maior cena dramática prestes a falar o grande pedido de Athena e essa luz acende do nada! Quem foi!? Quem foi o desgraçado, vou meter a mão na sua cara! - Milo dizia irritado com os olhos cerrados por causa da luz que foi abruptamente acendida.

A menina estava agora escondida atrás de Kanon, colocou a cabeça um pouco pra fora e disse um pouco com medo:

- Fu-Fui eu... - Ela disse tremendo um pouco.

- Calma Ky, ele é agitado assim, mas não vai te machucar de verdade, e é claro que eu não permitiria isso de qualquer forma... - Disse Kanon.

- AHN? Uma garota!? Eu não acredito! Shion maldito! Ele passou a missão pra mim e no final não confiou em mim de verdade, ele mandou mais alguém atrás de você, não foi? Quem foi? Ele fez a mesma coisa que seu irmão, né? Mandou o Aioria no meu lugar não foi! Ah! Mas eu não vou perdoar, vou dar uma surra no Aioria dessas vez, como pode roubar minhas missões dessa maneira! Tá de sacanagem, né? - Ele ia continuar a falar irritado.

- MILO!

- Ahn?

- Pare de gritar e falar como uma matraca louca! Eu não sei do que você está falando, o que tem o Aioria!

- Nossa... Como ele fala... - Disse a menina espantada com tantas palavras de uma vez só.

- Eu não sou uma matrac- Como assim não sabe do que estou falando? Se você está com uma discípula é por que já recebeu a missão de Athena, não é?

- Missão de Athena? Discípula? Como assim? Você está bem Milo?

- Claro que estou bem... Tá... Mas se ela não é sua discípula quem é? - Ele deu uma breve pausa, bem breve mesmo e continuou. - Aaaaah Kanon seu safadinho! Ela é sua filha! Como assim, rápido no gatilho, hein? - Ele se aproximou da menina e apertou a bochecha dela para os lados. - Ah, como é fofinha! Onde está sua mãe, hein? Cadê, ela tá aí com vocês?!

A menina ficou um pouco sem jeito e ao ouvir sobre a mãe um pouco triste.

- Ei Milo, pare com isso, deixa ela, ela não é minha filha, o nome dela é Kyra, e ela é uma menina que eu acabei de conhecer, veio aqui pra se limpar pois caiu de uma ribanceira, agora se puder nos deixar em paz... - Ele disse tirando as mãos dele da bochecha da menina e arqueando uma das sobrancelhas.

- Mas isso é perfeito, ótimo, agora é só você treinar essa menina.

- Pra que isso?

- Athena ordenou que todos os cavaleiros de ouro treinassem uma amazona... Bem, agora é com você, tô indo!

- Nada disso! Pode ficar aí e me explicar isso direito! Ah, tem alguém que você tem que conhecer... - Ele chamou Kyr e o apresentou, Milo estranhou os modos do menino, mas achou engraçado.

Eles conversaram por bastante tempo, esclarecendo as dúvidas de cada um sobre o assunto, e como ele falava... Kanon custou a aceitar que Athena quisesse que ele treinasse alguém, nem mesmo uma armadura de ouro ele tinha, isso era quase um insulto, mas Milo disse que era uma honra e que ele não devia negar, assim como disse que ele já havia sido julgado e inocentado, por ele mesmo. Kanon finalmente cedeu e perguntou a menina se ela desejava ser treinada, e disse ao irmão que mesmo que Athena não o quisesse, ele o treinaria também, já que o mesmo disse que ele não iria deixar a irmã sozinha, então Milo trouxe suas pupilas que estavam o esperando por perto e eles todos comeram a carne que Kanon preparara, na verdade a carne toda. Mas ele estava um tanto feliz, a um tempo não ficava com tantas pessoas em casa, e ele gostava de conversar e se distrair, e podia-se dizer que Milo era uma boa distração.

Depois de tudo explicado Milo voltou ao santuário pra contar as boas novas e Kanon continuou em sua casa, pois se recusou a voltar, então continuou com seus pupilos cuidando deles e os treinando aos poucos.

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Capítulo por Darkness