Estava sentado em uma praça no centro de Rodório; apenas pensando na vida; afinal, tinha muito o que pensar sobre ela; já estava com vinte e cinco anos e era um cavaleiro extremamente poderoso; mas o que mais era?
Shion o havia intimado a pegar uma discípula para treinar, disse que se não escolhesse logo ele mesmo o faria.
Mas como escolher quando não sabia o que procurava? Olhava para todos que passavam por ele, mas ninguém lhe chamava a atenção; nem mesmo um ínfimo sinal de cosmo; simplesmente nada.
Se levantou; diria ao Grande Mestre que escolhesse outro; ou mesmo que lhe desse uma discípula, sua mente não conseguia lhe dar uma solução.
Mal havia dado dois passos e alguém se chocou contra ele com força.
-Olha por onde anda seu armário! – Gritou o menino.
Aioria olhou para ele curioso; era baixo; mal passava da altura de seus ombros; tinha expressivos olhos verdes, e estava vestido como um mendigo, roupas rasgadas e velhas e uma boina na cabeça.
-Cuidado ao correr por ai – Mandou ele.
Havia segurado seu pulso automaticamente ao sentir o impacto; e agora olhava intrigado um senhor vir correndo em sua direção, com uma vassoura nas mãos.
-Me solta! – Mandava o garoto parecendo desesperado.
-É agora que te pego moleque! – Afirmou o velho ao levantar a vassoura.
Aioria segurou a "arma" e olhou feio para o senhor.
-O que essa criança fez ao senhor? Não é do meu feitio deixar que se aproveitem das pessoas – Afirmou seco.
-Esse trombadinha me roubou de novo! Todo dia é a mesma coisa! – Reclamou puxando a vassoura.
-Roubou esse senhor? – Perguntou o encarando.
O garoto virou o rosto, fungando enquanto tentava se soltar dele; em vão.
-O que ele roubou? – Perguntou ao senhor.
-Eu não sei, ele passou correndo pela minha banca, todo dia; ora uma banana, ou uma maçã; minhas laranjas, minhas uvas, até uma melancia ele já levou! – Esbravejava.
Aioria encarou o menino e depois foi puxando-o na direção da banca, sendo seguido pelo senhor.
-Quero meia dúzia de cada uma de suas frutas – Pediu – E inclua o que o garoto pegou também – Mandou ao retirar uma maçã mordida das mãos dele.
-Ei! – Protestou.
-Fique calado – Mandou.
Ele pegou a sacola das mãos do senhor e o pagou, depois saiu puxando o garoto.
-Isso mesmo moço, esse garoto merece ser punido! – Ia dizendo o velho as suas costas.
Ele continuou andando, só parou fora da vila, quase na entrada do santuário.
-Moço; o senhor vai me punir? Me bater? – Perguntou choroso.
Aioria o soltou, e remexeu na sacola pegando uma maçã bem vermelha, depois deu o pacote para o garoto.
-Não vou puni-lo; sei como é difícil passar fome e não ter para onde ir; fique com as frutas, pode come-las por alguns dias – Afirmou se afastando enquanto mordia a maçã.
-Se.. Senhor! – Gritou o garoto correndo para alcança-lo – Não vou mesmo apanhar? – Perguntou sem acreditar.
Aioria o analisou por alguns segundos, e tomou sua decisão; ouviria as reclamações de Shion depois.
-Qual seu nome? – Perguntou ao parar de andar.
-Anne – Respondeu quase se chocando com ele novamente.
Arregalou os olhos; então era uma garota? Nunca iria perceber, vestida como estava parecia um rapazinho.
-Gostaria de ser aprendiz no santuário? Não precisará mais roubar para comer, e terá uma casa onde dormir – Ofereceu.
-Eu poderia me tornar uma cavaleira? – Perguntou confusa; achava que o santuário era povoado apenas por homens.
-Você poderá ser uma amazona; estava procurando por uma discípula, gostaria de vir comigo?
-Sim! – Afirmou pulando em volta dele.
Ele sorriu de canto e voltou a andar com ela em seu encalço; entraram no santuário e ele a levou diretamente a seu templo, cumprimentando os outros cavaleiros por quem passou com pressa.
-Primeiro tome um banho, depois conversaremos – Mandou ao empurra-la para a casa de banhos.
-Mas senhor... eu não tenho roupas – Afirmou abaixando a cabeça.
-Vou lhe emprestar algumas por enquanto, depois terá as roupas que necessitar – Afirmou ao fechar a porta.
Revirou seu armário atrás de algo que servisse para ela, parecia ser tão pequena, não devia ter mais que quatorze anos; achou um shorts velho que não lhe servia a tempos e uma regata também antiga foi até a porta e a abriu alguns centímetros, colocando as roupas para dentro; depois foi a cozinha guardar as frutas.
-Precisa de ajuda meu senhor? – Perguntou uma serva que acabava de cozinhar.
-Gostaria que arranja-se roupas para minha discípula – Pediu.
-Como quiser meu senhor; irei assim que voltar da vila das amazonas – Afirmou ao sair.
Ele se sentou na sala principal, estava acabando de comer sua maçã quando a porta da casa de banhos se abriu; se espantou ao ver a moça linda que estava escondida por debaixo daqueles trapos; ela tinha cabelos longos e loiros, que batiam em seus quadris, os olhos verdes lhe davam um ar angelical; era extremamente magra e baixa; e suas roupas ficavam enormes nela.
-Se sente melhor? Podemos comer agora – Informou ao leva-la para a cozinha.
Ele se sentou de frente para ela e fingiu não notar a rapidez e a quantidade que ela comia; depois de satisfeita ela retirou os pratos e os lavou.
-Obrigada pela comida; pelo banho; por tudo – Agradeceu de cabeça baixa.
-Sente-se; vamos conversar – Mandou – Onde estão seus pais?
-Eu não sei senhor; viemos para a Grécia quando eu tinha apenas 6 anos; fiquei muito doente, meus pais me levaram ao hospital, mas nunca vieram me buscar, não sei o que houve – Afirmou pensativa.
-Sua linguagem é muito boa para quem viveu nas ruas – Comentou a olhando.
-Minha mãe me ensinou a ler e escrever, eu ganhava algum dinheiro escrevendo cartas na feira.
-Quantos anos tem? – Perguntou curioso.
-Tenho vinte; isso é um problema? – Perguntou confusa.
-Não, não é, quero que a partir de hoje faça refeições a cada 3 horas, irá caminhar comigo todas as manhãs e tardes, nesse meio tempo irá estudar a teoria dos vários estilos de luta utilizados nesse santuário; precisa ganhar um pouco de peso e massa antes que comecemos os treinos físicos – Afirmou se levantando e andando de um lado para o outro.
-Sim senhor – Afirmou ela fingindo uma continência.
-E pare de me chamar de senhor, não sou muito mais velho que você.
-Como se chama então? Não me disse seu nome – Cobrou rindo.
-Sou Aioria, Cavaleiro guardião do templo de Leão; pode me chamar de mestre ao invés de senhor – Afirmou sorrindo de lado.
-Sim mestre; mas vou precisar de roupas, essas ficaram enormes em mim – Afirmou puxando as sobras da blusa para os lados.
-Já mandei uma das servas ir arranjar roupas para você – Contou ao olhar pela janela – E parece que elas já chegaram – Venha; vai conhecer uma grande amiga minha.
Eles foram para o salão principal do templo de Leão; onde Marin o aguardava com várias sacolas.
-Você é muito folgado sabia? – Reclamou ela colocando tudo no chão – As pessoas devem achar que amo compras por ser mulher – Afirmou ranzinza.
-Ora Marin, as vezes não faz mal agir como uma – Brincou – Está é minha nova discípula – Apresentou pondo a garota a sua frente – Anne; essa é Marin de Águia; uma grande amazona deste santuário – Afirmou com orgulho.
-Muito prazer senhora – Cumprimentou abaixando a cabeça.
-Mas que garota linda você é – Afirmou sorrindo para ela – Pena que esse leonino lhe deu roupas tão ridículas – Riu – Vamos trocar esses trapos – Afirmou a puxando para o quarto de hóspedes.
Aioria riu das atitudes da mulher, mas gostou da ajuda que ela lhe deu, seria mais fácil lidar com uma discípula se tivesse algumas dicas de mulher.
Voltaram logo depois; usava uma roupa simples de treinamento, os cabelos escovados e trançados as suas costas; agora parecia mais com uma mulher do que com uma menina.
-Essas são do tamanho adequado Anne? – Perguntou a analisando.
-Sim; muito obrigada mestre – Agradeceu feliz.
-Agora guarde essas sacolas em seu novo quarto – Mandou apontando as roupas.
Ela pegou as sacolas e as levou, os deixando sozinhos.
-Ela é extremamente magra – Marin comentou – Onde a achou?
-Roubando comida em Rodório – Contou pensativo – Vou faze-la ficar mais saudável, não se preocupe – Afirmou decidido.
-Estou de olho em você leonino – Afirmou ao sair – Pode dizer a ela para me visitar quando quiser, ficarei feliz em ajuda-la.
Aioria sorriu; agora não tinha mais que ficar pensando em encontrar uma discípula; ela o havia encontrado antes mesmo que soubesse o que procurava.
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Capítulo por Maga
