Capítulo 4

_Porque não a mata, meu irmão?

Badr ainda olhava pela janela de seu quarto. Bahir estava em uma mesa, perto de seu irmão, sentado, com as pernas para o alto e olhando para o teto, esperando pacientemente, mesmo sabendo qual seria a resposta.

_Precisamos dela...

_Faz dias que não come, não grita – disse Bahir, impacientemente, enquanto se endireitava na cadeira para melhor olhar seu irmão – outro dia mandei alguém verificar se ainda estava viva! A essa hora, semana que vem, ela morrerá... mate-a logo, um problema a menos!

Badr se virou e olhou para o irmão. Tão diferentes, pensou ele. Ele, Badr, com a estratégia e Bahir com a força. Como se os dois se complementassem, unidos pelo ódio e a morte.

_O pai sabe onde está o antídoto, ela não sabe onde está o pai. Na certa, aquele velho já sabe que morta ela não está.

Bahir inspirou o ar e soltou, sabia que não tinha como discutir.

_Ela vai se matar. Ao menos, pense em como manter-la viva.

Bahir se levantou de seu lugar e estava indo em direção a porta.

Uma idéia.

_Peça alguém para trazê-la aqui – disse Badr.

_O que vai fazer?

_Você logo saberá.


Mal conseguia se manter em pé. Estava sendo levada para outra parte do palácio. Olhava para todos os cantos, a visão turva, quase caindo e um idiota gritando e empurrando para ela andar mais depressa.

Entrou em uma sala. Um quarto para falar a verdade. Não sabia direito a extensão do quarto; a luz do sol cegava seus olhos, já que tinha ficado muito tempo no escuro; se sentia fraca, por isso não conseguia se concentrar na imagem do todo que era o quarto.

Uma figura a sua frente se mexeu.

Era Badr.

_Você está horrível.

Ela riu. De todos os comentários possíveis que ela esperava, esse era o mais improvável.

_Você será minha serva pessoal.

Agora sim ela prestou mais atenção à figura na sua frente, por mais que sua desnutrição impedia de focar mais ainda na conversa.

_O que? – com muito esforço, a frase saiu.

_Será minha serva pessoal a partir de hoje, trabalhará somente para mim e espero que tenha plena consciência de exigirei muito de você.

_E se eu me recusar? – estava começando a perder consciência.

_Não existem segundas opções.

Foi a ultima coisa que se lembrou, pois perdera a consciência ali mesmo.