Capitulo 5

Há anos ele ia até aquela mesma torre, naquela mesma ala... há anos ia para meditar, procurar respostas... era a primeira vez em que seu coração ia com ódio até um lugar que considerava sagrado!

Badr subia as escadas lentamente... pensando... teria feito uma boa escolha? Amélia se comportaria como sua serva? Tentaria se matar aos seus olhos e ele perderia sua chance?

Parou em frente a uma porta de carvalho e, com um pouco de força, ela se abriu com um rangido.

Passos largos, decididos, olhou ao redor de um recinto que parecia estar esquecido por deus, mas ele cuidava-o pessoalmente, nunca deixando nenhuma pessoa ou servo entrar nesse lugar sagrado.

_Você não está em paz, meu caro.

Uma voz quase metálica saia de uma luz em um altar. Badr parou.

_Meu coração não se encontra em paz.

_Assim vejo... o que o aflige meu rapaz?

_A sétima lua de sangue.

A luz vinda o altar começou a tomar forma. Braços, pernas, troço, cabeça. Cabelos... um rosto...

A voz metálica continuou:

_Meu querido – a forma se aproximou – não se aflija mais!

A luz o envolveu; mãos gélidas que ao mesmo tempo se tornavam quentes seguravam seu rosto ternamente.

_Culpo-me por não ter mais um corpo de carne e sangue. Esse corpo astral está preso nessa forma, tudo que posso fazer é dar pistas de minhas visões...

_Não – interrompeu Badr, segurando as mãos da criatura – Não... por favor, não. Você fez por mim e meu irmão, nenhuma outra pessoa o teria feito, e isso eu estou grato.

A expressão do rosto da criatura mudou para uma mais triste, lágrimas invisíveis saiam de seus olhos.

_Não se preocupe. Toda sua mágoa e sofrimento terminam antes da lua de sangue. A filha de seu inimigo está aqui. Tudo sairá como planejamos.

_A menina é inútil!

_Não! Ele é muito útil! Seu pai não a deixará perecer sozinha aqui. Mandará seu exercito para sua morte iminente, e você triunfará!

Badr olhou a criatura que sorria ternamente agora.

_Fique comigo um pouco, meu amor. Deixe-me tirar suas mágoas e acalentá-lo. Deixe-me confortá-lo.

E um beijo selava aquela estranha barganha.


Olhou para um lado, olhou para o outro. Sentia o corpo pesado, mal conseguia se mexer.

_O que aconteceu?

Com um pouco mais de esforço, Amélia sentou-se na cama. Estava em um quarto estranho e aquilo a assustava muito.

_Que lugar é esse?

Sua voz saíra um pouco rouca. Olhou para todos os lados e viu um jarro com água no criado mudo, ao lado de sua cama. Com muito esforço, alcançou o jarro e um copo e se serviu de um pouco. Bebeu tão rápido que a fez engasgar e tossir metade do que bebera para fora.

_Devagar! Vai acabar se engasgando assim!

_Quem é você? – perguntou a garota, ainda tossindo.

_Meu nome é Nina e você quase morreu tentando beber água. Aqui – disse a moça, dando uma nova leva de água à Amélia – devagar, o copo não vai sumir.

Amélia pegou o copo, o levou à boca, mas não tirou os olhos da mulher estranha ao seu lado.

_Por que eu estou aqui?

_Não se lembra? Lorde Bahir me disse que você é a nova criada particular do mestre! Mas, pelo jeito, você não tem o menor jeito pra isso, certo?

A menina deu um sorriso e levantou-se da cama.

_Não sei como ele deixou você ser criada. Você não tem cara que já trabalhou como uma. Já? Acho que não... só falo uma coisa, a ultima foi degolada na frente de todo mundo. Faz o que te pedem e bico calado!

Amélia só olhava-a com muitas perguntas em sua cabeça, mas flashes começaram a voltar de antes de desmaiar.

_Bom, ta quase na hora do jantar e eu tenho que subir. Por hoje o Lorde Bahir disse que você descansa, amanha a gente começa. Boa noite.

Nina saiu pela porta do quarto, sem deixar espaço para que Amélia lhe falasse nada. "Criada?" pensou Amélia.

_Pode ser a perfeita chance para eu fugir – e deu um sorriso trunfante.