Mas que droga! - Exclamou a adolescente irritada consigo mesma. Caminhou em direção à pia e ligando a torneira colocou o dedo ensanguentado embaixo da água fria. Depois foi até a geladeira e tomou um gole de uma bebida que parecia refrigerante, então voltou a fechar a garrafa e a posicionou na bancada para poder limpar a bagunça que havia feito com o prato do café da manhã.

Depois de tudo arrumado foi para a sala de estar assistir um pouco de TV antes de dar a hora de ir para o colégio.

A verdade era que Lizzie Jackson estava gostando daquela rotina, por mais que sentisse falta da família e dos amigos. Era complicado estar longe de Percy - seu irmão gêmeo - e de sua adorável mãe, Sally. Contudo, quando levantava da cama, sempre sentia uma estranha sensação em seu estomago, como se borboletas voassem dentro dele.

Mas naquele dia, além de borboletas no estomago, também sentiu um um arrepio na nuca, que a fez congelar por um instante. E por isso tinha quebrado a louça.

O fato era que Lizzie nunca havia ignorado sua intuição antes, pois ainda muito nova percebera que coisas ruins aconteciam quando o frio lhe subia a espinha. E sua intuição era ativada com mais frequência do ela gostava de admitir.

Decidiu deixar o assunto de lado. Não havia nada que pudesse fazer até que o problema chegasse à ela de fato.

Depois de mais alguns minutos, olhou o relógio e percebeu que se não saísse de casa naquele exato momento chegaria atrasada na escola. Novamente.

Pegou a mochila a colocando sobre o ombro e saiu da casa com as chaves de sua BMW S100RR preta que tinha ganhado do pai no seu aniversário de dezessete anos há dois meses.

A moto era incrível. Super potente e chegava a até 305km/h, o que era o máximo para pessoas que gostavam de velocidade como ela.

Percy também havia ganhado uma igual, só que vermelha.

Percy era muito parecido com ela, exceto os olhos que eram verde-água como os do pai deles e o cabelos que eram preto.

Já Lizzie tinha os olhos cor de chocolate e o cabelo no mesmo tom. Tirando isso, os dois eram muito parecidos.

Lizzie supunha que essas características havia herdado de sua mãe biológica, a quem ela jamais conhecera.

Acontece que ela e Percy não eram gêmeos de verdade, apenas diziam que eram, pois Percy era menos de um mês mais velho que ela.

Sally havia lhe contado que quando era recém-nascida, sua mãe por algum motino que nunca lhe explicaram - e ela duvidava que a própria Sally soubesse - não pôde ficar com ela, então seu pai a deixou aos cuidados da mulher que tinha acabado de dar a luz a seu outro filho. Depois de saber que ela estava segura, seu pai simplesmente desaparecera.

Ela sempre soube que era adotada, é claro. Sally não mentiria sobre esse assunto.

Quando conheceu seu pai aos doze anos de idade, Lizzie lembrava-se de perguntar a ele sobre sua mãe biológica, mas ele apenas dissera que quando chegasse a hora saberia tudo a cerca de passado.

O problema era que ela sabia tudo sobre seu passado, exceto sobre sua mãe. E isso era o que a perturbava.

Tudo sobre o seu passado, e não sobre sua mãe, ele dissera.

Aquela pequena frase a fazia pensar que o motivo de ter sido adotada era bem mais complexo do que apenas a impossibilidade de sua mãe de cuidar dela ou o abandono, como no caso de muitas outras crianças que ela conhecia. Isso a fazia se sentir inquieta. E foi com esse pensamento que ela chegou ao estacionamento da escola já vazio àquela hora. Colocou a moto no lugar de sempre ao lado de um Volvo prata sem prestar muita atenção e seguiu correndo para sua primeira aula, que seria Biologia.

Entrou na escola correndo e nem percebeu os olhos de uma garota se arregalarem ao vê-la.

Foi em direção a sala de aula esbaforida e congelou ao entrar. Era a vez dela de arregalar os olhos ao ver o garoto que a olhava como se visse um fantasma. Então tudo começou a rodar e sentiu-se caindo em direção ao solo enquanto a escuridão a dominava completamente.