Capitulo 01 - Lene e Laurensse
Apertei o punho e, me lembrando da regra principal durante uma briga de rua, retirei meu polegar para fora da palma. Se fosse dar um soco em alguém hoje, era melhor fazer a coisa da maneira correta.
Estourei uma bola de chiclete, e o som ecoou por todo o beco, talvez fosse o silêncio assustador, ou talvez eu estivesse melhor com minhas bolas de chiclete, mas por alguns minutos, aquele foi o único som que se ouviu por todo o beco.
Depois foi tudo como em um filme lento do Jackie Chan.
Cedrico, meu arqui-inimigo, pulou de cima do carro, olhando para mim, em uma espécie de golpe-parafuso que eu só havia visto na luta-livre. Mas ele não me acertou, caiu ao lado, machucado demais para se levantar. Tive vontade de rir, mas a vadia da Cho Chang não esperou muito. Correu para o meu lado com um taco de basebol nas mãos, enquanto gritava.
Louca de pedra, eu diria se você me perguntasse o que eu acho da vadia. Mas se tem uma coisa em que ela é boa, é quando está com um taco de basebol na mãos. Era difícil de acreditar, mas a maluca mantinha o recorde de tacada mais rápida do estado.
Abaixei esperando não levar uma pancada no rosto e por sorte fui veloz o suficiente para dar uma rasteira nela, que caiu de bunda no chão, assim, aproveitei a oportunidade e chutei sua barriga. Qualquer um que não me conhecesse pensaria que eu era só mais um acidente da sociedade... Mas então, eu nunca liguei para a sociedade de qualquer forma, então foda-se ela, e qualquer um que não gostasse de mim. Ela gemeu, e eu sorri. Só que não por muito tempo. Cedrico havia se recuperado antes do esperado e estava atrás de mim, com uma cara nada amigável. Droga.
_ Bate como uma garota, Weasley.
Pisei no pé dele, e lhe dei uma cabeçada. Ouvi um estalo e um pouco de sangue caiu sobre minha camisa branca, certamente havia quebrado seu nariz. Sorte minha mamãe iria me matar. Mas.. eu deveria me preocupar com isso mais tarde, porque Cho levantou-se e sorriu, ainda tinha o taco na mão e parecia ainda mais louca que o de costume. Eu podia ter tido a vantagem no começo, mas brigar com Cedrico e sua namorada do inferno, tinha me exaurido. E quando vi o resto da gangue se aproximar, fiz uma oração silenciosa. Talvez fosse a minha morte. Ou pior, meus irmãos descobririam, e isso sim, seria o meu fim.
Colin era enorme. Quase dois metros de pura maldade. Era mais novo do que qualquer um da nossa turma, e ainda assim o mais inteligente. Eu sei, a vida não é justa. Ele quebrava qualquer esteriótipo sobre Nerds. Ele não era como minha amiga, Hermione Granger, uma doce e delicada garota que não ligava para nada além dos deveres. Não Colin, ele gostava de sangue. Principalmente antes de resolver uma derivada ou integral. Não que eu particularmente soubesse alguma coisa sobre isso, eu era do grupo dos arruaceiros vagabundos. Tinha sorte quando Mione ou Harry me passavam cola.
O soco de Colin no meu estomago me fez voltar a realidade.
Filho da puta! Retirou o meu ar de uma só vez.
Cai no chão, joelho sobre o concreto. Rezei para não morrer tão jovem, minha mãe ficaria puta. Cara, minha mãe vai me matar. Mesmo que eu tendo outros vinte irmãos. Brincadeira. Eu não tinha vinte irmãos. Quero dizer, a fabrica Weasley não parecia estar fechada ainda... Droga. Não queria morrer com tal pensamento. Minha mãe velha fazendo sexo. Quão pior isso pode ser?
Meus olhos pesaram. Era o fim. A humilhação seria minha por meses. Mas antes de fechá-los vi uma luz. Era uma espécie de lambreta amarela. Uma estranha visão do inferno? Então é assim a morte? Estaria alucinando tão perto do fim? Ouvi barulhos, socos e berros. Não pude abrir os olhos, e mesmo se abrisse, acredito que o sangue me cegaria, havia cortado a sobrancelha, e Deus tivesse piedade de mim quando minha mãe visse, ela sempre dizia que cicatrizes nas sobrancelhas eram coisas de marginais. Suspirei. Seria motivo de piada na escola e ainda ficaria de castigo.
Logo eu! Admirável membro de uma respeitável gangue juvenil. Eu era parte da história daquela cidade. E agora a única história sobre mim, seria a de como eu desmaiei como uma garotinha até ser regatada pelos meus irmãos mais velho. Tanto tempo construindo uma má reputação para ser estragada tão rápido.
Parabéns Gina Weasley, você acaba de entrar para o hall da vergonha.
P-E-R-D-E-D-O-R-A.
.
.
.
Estava estranhamente confortável, apesar das dores que ainda sentia. Só que, com as dores, eu estava acostumada, acordar em lençóis de seda era outra coisa. Demorei para abrir os olhos, em parte porque não queria acordar do meu sonho, em parte porque a vida real era infinitamente menos confortável.
Ser a mais nova de seis irmãos era como crescer entre os lobos, ou eu encontrava minha maneira de sobreviver com o cérebro, ou aprendia a apanhar e ficava mais forte. Vamos dizer que eu não era exatamente um gênio. Por isso pratico tantos tipos de lutas. Krav Maga, Carate, Boxe e Taekwondo.
Eu não quero me gabar, não sou exatamente um Chuck Norris, afinal, mal acabei de completar dezessete. Mas eu era boa o suficiente para ter meu próprio grupo de arruaceiros. Eles até me deram um apelido. Hot Pepper. E, sim! Eu era ruiva, mas não! Não era por isso o apelido. Era mais sobre a maneira com todas as minhas discussões, por algum motivo estranho, acabavam em briga...
_ Ei princesa, hora de acordar.
Tentei reconhecer a voz. A única pessoa no mundo que me chamava de princesa, era o meu pai, e aquela voz, definitivamente não era dele. Acordei em alarme. Estava em um luxuoso quarto. Paredes altas, cortinas brancas, uma TV do tamanho do mundo.
Droga Dorothy, você não está mais na porra do Kansas!
Dei um pulo e me coloquei em posição de ataque. Analisei minhas opções, o Krav Maga seria o mais indicado. Estava sozinha e em local desconhecido. Ouvi uma risada atrás de mim, droga, surpreendida pelo inimigo. Virei-me mais rápido do que você pode falar Rocky Balboa. E me deparei com o maldito loiro mais bonito da cidade.
Ah, e também, maior inimigo da minha família. Era o Fodido-Draco-Malfoy.
_ Eu não sabia que a família Weasley poderia ser tão... agradável.
Franzi o cenho até perceber sobre o que ele estava falando. Eu estava nua. Peladinha na frente do meu nêmesis desde a pré-escola, e eu não sabia se puxava um lençol para esconder minhas vergonhas, ou saía correndo como uma louca. Boa de briga ou não, ele ainda era meio metro maior que eu, e pesava pelo menos o dobro do meu peso. As vezes eu podia ser meio idiota, mas não tanto a ponto de cair em uma briga, pelada, contra Draco Malfoy.
_ Malfoy, você está tão ferrado! Quando Rony descobri que você me sequestrou, ele vai quebrar sua cara ao meio!
Ele riu. Era um sorriso rouco que me fez sentir um tremor estranho pelo corpo.
_ Ah, ah, Red Pepper, eu posso ver porque você tem esse apelido.
Ele me encarou de cima a baixo, e quanto mais ele me olhava, mais vermelha eu ficava. Olhei para a janela, estava no segundo andar, e podia ver um lindo jardim ao fundo. E uma piscina. Pensei um pouco. Balancei a cabeça, pensar não era o meu forte, as vezes quando pensava muito minha cabeça doía. Encarei o Malfoy, e com toda a minha coragem sorri. Ele pareceu confuso por todo o meu constrangimento ter se transformado em um sorriso, e então olhou para onde eu estava olhando.
_ Você não... Isso seria burrice. - ele disse fazendo uma careta.
_ Coragem. - falei em um sorriso.
Ele coçou a cabeça.
_ Você é muito idiota se estiver pensando no que eu acho que está pensando.
_ Os idiotas são mais felizes porque não temem a morte!
Dito isso, eu corri e pulei. E enquanto caia em direção a grande piscina que na realidade era muita mais longe do que eu calculei, só tive tempo para um pensamento: Aquela ultima frase soou muita mais inteligente na minha cabeça.
Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisas, senti o impacto da piscina como se estivesse batendo contra o asfalto. Senti a água gelada invadir meus ossos, e o triste pensamento de morrer na piscina da mansão Malfoy, pelada, me pareceu ainda mais deprimente.
Muito bem Gina Weasley, muito bem, simplesmente o orgulho da família. Que humilhante, posso até ver as noticias no jornal, "ruiva babaca confunde distância e se ativa para a morte".
Tive vontade de respirar, mas me lembrei que isso só traria água para os meus pulmões. Eu sentia meu corpo doer, e sorri, porque isso significava que eu estava viva. Quando finalmente cheguei ao fundo da piscina, dei um impulso com os meus pés e nadei para a superfície. Hoje não seria o dia da minha morte.
Parece que entre tudo isso, da janela até o fundo da piscina, se passaram horas, mas eu tinha certeza que foram apenas segundos, porque quando abri os olhos, vi o Malfoy me olhando da janela, imóvel, ainda não acreditando no que eu tinha feito.
Mostrei meu dedo do meio para ele.
_ Idiota um, babaca zero.
Mais uma frase que pareceu melhor na minha cabeça. Mas ele ainda estava ali, chocado e então, sorriu. Um maldito de um belo sorriso.
_ Eu só estava ajudando Weasley.
Sai da piscina, morrendo de frio. Não estava só pelada, agora também estava molhada e com frio. Corri e peguei o forro de uma das mesas próximas a piscina e fiz um vestido improvisado.
_ Da próxima vez, vá ajudar a sua vozinha!
Ele gargalhou. E eu sai dali, pulando o muro, obviamente, porque não poderia deixar ninguém me ver saindo da porta dos Malfoy e pensar que eu tinha ido ali com algum propósito licito. Foi um pouco difícil, se você levar em conta a tolha de mesa que eu usava como roupa, mas a dignidade não tem preço. Fui andando e só virei para trás uma vez, e quando virei, vi o Malfoy me encarando ainda perplexo da janela. Um estranho olhar em seu rosto. Curiosidade e... alegria?
Por algum motivo sorri, dei os ombros e peguei a estrada, rezando para que o asfalto não queimasse meus pés. Isso sim, foi um inicio de semana agitado.
.
.
.
Tudo o que meus irmãos queriam era saber como eu tinha batido em Cedrico e em toda a sua gangue, sozinha. Obviamente, o Malfoy não tinha espalhado a história de como ele havia, heroicamente, me salvado de morrer de tanto apanhar. E eu não seria aquela a contar a verdade. Por isso, fiz o que qualquer um faria, menti.
Disse que havia dado uma chave de pescoço no Cedrico, e chutado a Cho no meio da testa. Disse que tinha batido em cada um dos capangas até eles pedirem penico. Eu só não soube explicar porque estava molhada e vestida com uma toalha xadrez, mas eu disse que se alguém tivesse alguma dúvida poderiam perguntar a Lene e Laurensse. Meu punhos. Porque essa semana, eu estava quente.
Mas mamãe chegou e peguntou se iriamos chegar atrasados a escola mais uma vez, e que se esse fosse o caso, ela tinha alguém para nos apresentar, A Madrasta de Um Olho Só, que era como ela chamava colher de pau de quarenta e cinco centímetros que ela guardava atrás da porta da cozinha.
Não era como se nós não a conhecêssemos, A Madrasta de Um Olho Só, pelo contrário, por a conhecermos bem demais, corremos cada uma para o seu quarto, tentando ficar prontos antes que mamãe precisasse fazer qualquer tipo de apresentação. Acredite em mim, ninguém gosta de ser apresentado a ela.
Fui a ultima a ficar pronta, não por ser uma garota, mas porque havia perdido nas cartas semana passada, de forma que fui a ultima a usar o banheiro. Sim, acreditem, um banheiro e seis irmãos, dá quase um nome de um filme de guerra.
Por sorte eu tinha um melhor amigo. Por sorte Harry, sempre me esperava para dar uma carona. Harry com seus cabelos bagunçado... Ah... Harry com seu tanquinho malhado... Harry com seus óculos caídos por trás dos olhos absurdamente verdes.
Harry... como eu posso descrevê-lo?
Ele não é o tipo de pessoa que você diria que andaria comigo e com meus irmãos. Ele é mais do tipo príncipe da beleza e da verdade... sabe, aquele que defende os mais fracos e oprimidos, lindo de morrer e que dirige um Porsche vermelho. Mas eu o havia conhecido na natação, quando tinha cinco anos, antes mesmo de pensar em que tipo de pessoa eu seria, e então nós crescemos, e formamos uma aliança silenciosa, ele não perguntava o que não queria saber, e eu fingia ser uma pessoa legal.
_ Hey Gi! - ele me deu um beijo na bochecha e eu corei.
Eu sempre corava perto do Harry. Eu acho que era porque ele usa um perfume muito bom. Um desses estranhos e caros em que eles colocam ferormônios ou outra coisa com nome difícil. Ou talvez fosse só porque ele é absurdamente lindo.
_ Oi Harry.
Ele me olhou de cima a baixo. Estava em um dos meus jeans surrados e camiseta branca. Não era feia. Tinha o cabelo longo, que sempre usava em uma trança até a cintura, os olhos azuis, como todos na minha família e, tirando as marcas azuis, verdes e roxas pelo meu rosto e corpo, eu certamente entraria na categoria "bonitinha". Digo, eu não era uma oh-que-coisinha-mais-linda-musa-de-Ipanema, certamente as pessoas não iriam compor uma música de elevador para mim. Mas certamente, o Harry me achava alguma coisa.
Ele tinha que achar. Se não, todo os meus planos sobre casar com ele iriam para o fundo do poço. Não que ele soubesse disso agora, mas obviamente, ele saberia no futuro. Balancei a cabeça, quase poderia ouvir minha própria risadinha diabólica no fundo da minha mente. Oh...sim.
_ Esteve brigando Gi? - ele disse tocando minha sobrancelha cortada. Alguém tinha dado pontos nela na noite anterior.
E quando eu digo alguém, eu quero dizer, Draco Malfoy.
Voltei a realidade e fiz cara de inocente.
_ Foi da aula de Krav, ontem. - puxei a sua mão.
_ Domingo? - balançou a cabeça e sorriu, voltado as mãos para o volante e suspirando como se pensasse que eu não tinha jeito.
Ele sabia que eu estava mentindo, mas aceitou, como sempre. E então acelerou o carro, deixando nada mais do que poeira para trás. A escola era um lugar familiar. Territória tranquilo e neutro para ele. Ali, ele poderia fingir que todos eramos pessoas legais. Que eu não era um pobretona filha de um fazendeiro, que eu e meu irmãos não brigávamos em gangues para se divertir, e que ele não era o garoto mais rico da cidade, o garoto que passava os fins de semana ajudando criancinhas na hemodialise.
Maldito fosse Harry Potter se ele não sabia como conquistar uma garota.
…...
Okay girls, por hoje é tudo. Queria agradecer a Mary P Malfoy e a Agapimeni por comentarem. Esperam que se divirtam com a minha Gina. Beijos!
