Capitulo 02 – Beijos e Amassos.

Quando eu entrava na escola podia logo sentir o respeito da pessoas sem nem mesmo olhar para o lado. Elas nunca encaravam meus olhos, e eu nunca tinha que pagar pelo meu lanche, ou fazer anotações. Não que algum dia as usasse, mas se quisesse, sempre as tinha em mãos no final do dia.

No almoço me sentava com Harry, Rony e Hermione. Rony foi o ultimo menino antes de mim, exatos noves meses, e ele tinha virado amigo do Harry antes mesmo que eu o conhecesse na natação. Rony, Harry e Mione eram inseparáveis, mesmo que meu irmãos fosse um pé-rapado brigão, mesmo que Harry fosse um príncipe educado, mesmo que Mione fosse uma nerd excluída, nada disso importava, porque de alguma estranha forma eles eram melhores amigos e nada mais importava.

Eu só ficava ali com o Harry, porque ele se recusava a ficar pajeando Rony e Mione trocarem farpas de amor. O que só era mais uma coisa estranha, porque mesmo que Rony fosse o completo oposto de Hermione, eles eram como manteiga e pipoca, feitos um para o outro. E só eles pareciam não perceber.

_ Você leu os livros durante as férias?

Harry perguntou, mesmo que ele soubesse a resposta.

_ Droga, eu esqueci completamente. Era alguma coisa com o verão?

_ Sonhos de uma noite de verão, de Shaskepeare.

Sorri para ele.

_ Você pode me explicar tudo em .. - olhei para o relógio em meu pulso – cinco minutos?

Ele riu e bagunçou minha cabeça.

_ É sobre o amor, e como as coisas podem ficar confusas. Como algumas vezes você se apaixona pela pessoa errada, e como algumas vezes ela não se apaixona por você.

Franzi o cenho.

_ Não me parece tão complicado assim. Ou você ama alguém, ou não ama. E se essa pessoa não ama você...bem, ela é uma idiota.

Ele riu.

_ Não é bem o caso, mas acho que você entendeu a essência. De qualquer forma, acho melhor você se sentar atrás da Mione, sabe, por via das dúvidas.

Dei uma cotovelada nele.

_ Esse é o meu garoto!

O sinal tocou e tivemos que ir para sala, aonde eu faria uma prova sobre um livro que eu não tinha lido. Grande semana Gina.

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Consegui colar metade da prova da Hermione, e metade do Rony. Sabe, para não fechar a prova e algum professor ficar desconfiado. E vocês poderiam perguntar, mas como? Ele não é o seu irmão mais velho? Só que a resposta é simples. Eu posso não ser um gênio, mas não sou a mais burra da família, para isso, sempre posso contar com meu irmãozinho que repetiu a primeira séria. Sério, a primeira séria. Ele teve tantas conversas com A Madrasta de Um Olho Só, que até hoje tem dificuldade de sentar com o lado esquerdo da bunda.

Mas, se você perguntar a minha opinião, eu diria que a culpa não é dele, acho que mamãe usou toda a inteligencia da família nos primeiros garotos, até que não sobrou muita coisa para o Rony. A minha sorte foi ter nascido garota, se não, Deus sabe que tipo de besta eu seria. Digo, mamãe realmente caprichou com Gui, Carlinho e Percy. E então, não sobrou muito, ai vieram os gêmeos. Que são espertos, só que usam o cérebro para o mal, não como o Darth Vader, acho que eles são mais como o Pica-Pau ou Perna Longa. De qualquer maneira, pobre Rony, a raspa do tacho.

Entretanto, não é sobre o Rony que eu tenho que pensar. Eu tenho é que ficar esperta com o Malfoy, que ficou me olhando a prova inteira como se fosse me dedurar. Ele estava começando a saber segredos demais sobre mim. As provas que eu colava, as brigas que eu perdia, Deus sabe o que mais ele sabia sobre mim!? Por isso, antes que alguém percebesse, o encurralei no corredor, no final das aulas. Sabe, do bom e velho jeito Weasley de se fazer as coisas.

_ Qual o seu plano?

_ Plano? - disse tentando se passar de inocente. Oras, inocente minhas bolas.

_ É, plano... você não contou nada sobre a briga, quando claramente poderia ter ganho território. E também deve ter mandado eles guardarem segredo, ou a vadia Chang já teria espalhado aos quatro ventos que me bateu. Então eu lhe pergunto Malfoy, qual é a merda do seu plano? E não me venha com palavras doces, eu sou do tipo que toma café. Sem açúcar.

Ele sorriu e fez uma careta, se aproximou de mim, me encostando na parede até ficarmos tão próximos que eu poderia sentir o cheiro dele e sussurrou no meu ouvido. O que eu só deixei, obviamente, porque eu não queria que ninguém ouvisse o que ele iria falar, e não porque eu tinha qualquer desejo secreto de chegar mais perto dele nem nada.

_ E... se eu não tiver um plano?

Fique desconcertada. Ele era um Malfoy, ele sempre tinha um plano. Um plano do mal, sem dúvida.

_ Eu sei que você tem um plano. O que você quer?

Ele sorriu e segurou o meu queixo. Não que eu estivesse prestando muita atenção. Mas ele cheirava malditamente bem para um garoto. Eu digo, meus irmãos cheiram a meia suja, Harry... bem, vocês sabem meu problema com o cheiro dele. Talvez eu tivesse um problema no nariz, por isso garotos-não-Weasley fossem tão cheirosos para mim. Obviamente, isso era só uma teoria.

_ O que eu quero?

Bati na mão dele. E fiz uma das minhas típicas caretas.

_ Não se faça de esperto. Sabemos que você não faz nada por fazer. O que você quer?

Ele se abaixou até que seu incríveis olhos azuis metálicos encarassem os meus. Olhos nos olhos. E eu nem sabia que esse tipo de cor poderia existir, até ficar presa no olhar dele, até sentir minha barriga doer e meu coração bater como se estivesse fugindo da polícia.

_ Eu? Eu só quero uma coisa.

Franzi o cenho. Boa coisa não era.

_ E isso seria...?

Ele sorriu. E que boca! E que dentes! O garoto era tão mais bonito de perto que eu achava que poderia até mesmo me esquecer que ele era um Malfoy.

Eu não sei bem se forram os seus olhos assustadoramente bonitos, ou se se foi o seu sorriso, diabolicamente sensual, mais a próxima coisa que eu tive noticia, foi dos seus lábios beijando os meus. E infernos, ele era bom!

Ele apertou seus braços em volta da minha cintura e me levantou até que meus pés não tocassem o chão. Ele me encostou contra a parede, até que a única opção que eu tive foi envolver uma perna em volta de sua cintura, enquanto uma de suas mãos dava apoio ao meu bumbum. Eu não percebi se a escola tinha começado a pegar fogo, mas alguma coisa certamente estava quente por aqui.

Eu comecei a gemer, e ele colocou uma de suas mãos em baixo da minha blusa, e diabos, quantas mãos esse maldito loiro tinha? Eu tinha visto duas, mas pareciam mil! De alguma maneira ele conseguiu desabotoar meu sutiã, e eu, uma moça de família, não dava um inferno por isso, tudo o que eu queria era um quarto escuro e Draco Malfoy nele.

Espere. Algo errado. Draco Malfoy nele? Mil demônios que não!

O empurrei e ele pareceu surpreso com isso.

_ O que diabos você está fazendo? Por acaso quer morrer? - Passei a mão no rosto e tentei me recompor. - Quem você pensa que é? Acha que pode sair por ai agarrando as pessoas? Se esqueceu quem eu sou? Se esqueceu que me odeia? Se esqueceu eu te odeio? Meu bem, eu não sei em que planeta você vive, mas no meu, nenhum maldito Malfoy vai botar as mãos dentro das minhas calças.

Assim, fiz o que eu sempre faço quanto estou cansada, confusa, ou assusta. Puxei Laurensse para trás, afim de pegar impulso, e a apresentei-a a ele. Bem no meio da bochecha. Ele vacilou para trás com uma mão no rosto e me olhou surpreso, ainda mais surpreso do que quando eu pulei da janela.

_ Red, tapa de amor, não doí.

Abri a boca surpresa e fechei-a várias vezes antes de falar.

_ Amor, amor meu caralho. Vai se foder!

Ele sorriu, ainda com a mão no rosto.

_ Eu vou se você for comigo, e sabe de uma coisa Red? Você não perde por esperar!

Me empertiguei, arrumei o meu sutiã, e busquei minha dignidade. Perdida em algum lugar entre o tanquinho definido do Malfoy que eu tinha, misteriosamente, deixado a mostra.

_ Esperar. Eu não vou esperar nada. - estalei minhas mãos, meus braços e minha coluna. Cerrei meu punho, movi meu polegar, e o soquei. De novo.

Sei que só consegui porque o peguei desprevenido, mais uma vez. As pessoas nunca esperam ser socadas por uma ruiva de um metro e cinquenta e cinco, e é por isso que eu sempre me dou bem com nas brigas. Acertei em cheio o nariz dele, ouvi um estalo na cartilagem, acho que não quebrou, mas pelo sangue que respingou na minha camiseta branca, fez um baita de um estrago.

Ele segurou o nariz sangrando, estava chocado e puto de raiva, eu notei. Afinal, não era tão engraçado assim apanhar. Mas eu sorri, e comecei a correr. Não vale a pena contar com a sorte tantas vezes no mesmo dia.

_ Você não mexe com um Weasley e sai impune! - gritei de longe, não era boba para ficar ali esperando ele se recuperar do susto.

_ Você está tão fodida! Eu vou te pegar Weasley, e quando eu fizer isso, você vai estar gemendo o meu nome!

Corri até que meu coração subir pela garganta, corri até que meus músculos começassem a doer, corri até não poder mais, porque querendo ou não, aquele maldito Malfoy não tinha ideia do quanto estava certo.

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Encontrei o Harry conversando com uma estudante de intercambio que ele tinha conhecido um pouco antes das férias, ela era a irmã mais nova da garota que Gui estava tentando pegar. Eu não tinha certeza sobre o que falavam, mas de uma coisa eu estava certa, ela não tinha ouvido sobre a minha fama. Se não, não estaria tão próxima ao meu Harry. Não que eu fosse maluca ou algo parecido. Mas nenhuma garota se aproxima do Harry. Nunca, porque elas sabem o que acontece quando alguém entra no meu caminho. E vou dizer, não era uma coisa legal.

_ Oi. - sorri.

Ela deve ter se assutado com meu rosto claramente maniaco. Porque saiu correndo como se tivesse que tirar a mãe da forca.

Ele sorriu para mim, mas então pareceu assutado.

_ Gina! Sua camiseta!

Olhei para o sangue do Malfoy respingado sobre o branco da minha camiseta. Droga, minha mãe iria me fazer lavar isso a mão.

_ Não é meu.

Harry suspirou. Retirou uma camisa de dentro da mochila e me entregou. Era dele. Era um bonita camisa azul de algodão. Eu sorri e agradeci. Puxei minha camiseta ali mesmo e coloquei a que ele tinha me entregado. Ele me olhou como se eu estivesse dançando a ula ali no meio do estacionamento, mas eu preferi pensar que ele estava impressionado com os meus fabulosos peitos em um sutiã de enchimento (não que desse pra notar, o enchimento eu quero dizer).

_ Gina... você não...

Pareceu loucura na hora, e mesmo depois de ficar horas olhando para o teto do meu quarto, continuou parecendo loucura. Mas eu beijei ele. Beijei como se minha vida dependesse disso. Beijei para esquecer o garoto que eu tinha beijado antes. Beijei para me lembrar que tinha decidido me casar com o Harry quando tinha cinco anos, e um Weasley nunca volta atrás com sua decisão. Não importa o quão idiota ela fosse.

Ele sorriu depois do beijo. Me olhou como a coisa mais preciosa do mundo. Me olhou como se eu não fossa a desmiolada que sei que sou. Me olhou como uma coisa boa, e acreditou em mim como ninguém nunca acreditou. Me fez lembrar porque eu gostava dele. Porque ele trazia em mim o meu melhor, ele me fazia acreditar que eu poderia ser mais...

_ Eu não quero que você brinque comigo Gina, mas eu realmente gosto de você.

Sorri, segundo em seu colarinho, rezando para me esquecer de um outro colarinho que eu tinha segurado a pouco

_ Garotão, é claro que eu aceito.

Ele fez uma cara confusa, e então entendeu.

_ Então, eu acho que você quer ser a minha namorada? - sorriu.

Eu não respondi, só o beijei mais uma vez. Eu não vi, mas tive uma certeza, ao longe, de algum lugar, um loiro não muito feliz estava me vigiando, e por Deus, eu tinha certeza de só uma coisa, eu estava encrencada.

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Hey Agapimeni, obrigado por comentar. Eu também estou gostando do rumo que essa Gina está tomando, principalmente depois de ver o capitulo 03 (eu só posto um capitulo quando termino o seguinte). Em fim, continue acompanhando. Beijos.

Ah gente, e não deixem de mostrar presença, o divertido de escrever um FF é quando as pessoas comentam e dizem se gostam ou não, se se empolgam ou se estão se divertindo. Beijos