Capítulo 04 – Harry ou Draco, eis a questão.

_ Um filósofo disse uma vez, "Oops!...I did it again. Got lost in this game, oh baaaaby baby". Eu acho que eu posso entender isso agora.

Luna me olhou cética.

_ Não foi um filósofo, foi a Britney.

Dei os ombros.

_ Não importa, depois de tudo o que eu lhe disse, o que você acha?

Luna sentou-se na minha cama como uma estátua e ficou me encarando por horas. Luna era minha vizinha desde que eu me lembro por gente, ela sempre vinha aqui e eu sempre ia na casa dela. Ela não é encrenqueira nem nada, ela é mais como a Hermione, estudiosa, só que um pouco mais maluca, só que eu acho que isso é bom, digo, Einstein era doidão não era? E ele inventou a eletricidade no final das contas. Eu acho.

_ Você fizeram aquilo?

Cuspi todo o meu todynho no chão.

_ Do que você está falando? Sabe que eu estou me guardando para o Harry.

Luna revirou os olhos. Primeiro porque ela não acreditava muito Hanny, Harry + Ginny, em segundo porque mesmo sendo uma nerd maluca, ela era a maior vadia. Certo, ela não era a maior vadia, mas ela tinha feito, você sabem o quê com os meus irmão, Fred e Jorge. Não ao mesmo tempo, sua pessoa de mente pervertida, mas ano passado com Jorge e esse ano, antes das férias com Fred. Como ela sabe a diferença? Não sei! O que ela diz? Que... eca, ela está apaixonada pelos dois.

_ Gina você tem que esquecer o Harry, ele não é... para você.

Me virei de costas para ela.

_ Eu finalmente consigo namorar o amor da minha vida e você diz que 'ele não é para mim'? Ficou doida? Ele é para mim, ele é meu número perfeito! O Draco foi só... uma Coisa.

Suspirei, e que Coisa Quente! Depois de nos beijarmos por horas na noite passada, quando eu finalmente consegui me separar dele, não consegui dizer uma só maldita palavra, então sai correndo feito uma louca no meio da rua, e de noite antes de dormi, ainda estava quente, por causa dele. Então me desculpe se eu parecer um pouco mal comida, digo, amada durante o resto da semana.

_ Bem, você pediu a minha opinião, eu sou Team Draco. Mas não vou te julgar se quiser transar com o Harry antes, acredite, eu transaria. O negócio é que, talvez você não goste-goste do Harry, talvez você goste-goste do Draco, e do Harry você só goste-assim-goste.

Fiz uma careta tentando entender o que ela tinha falado. Decidi ignorar, quando o assunto é Luna, algumas vezes você só ignora.

_ Não sei. Só sei que estou atrasada e o meu namorado super gato está me esperando. - fui saindo do quarto, mas antes me lembrei de uma coisa. - E você vem junto, Jorge está em casa 'doente' e eu não confio nele e você sobre o mesmo teto.

Ela sorriu dando uma de inocente, mas eu puxei-a pelo braço. E na pior situação, se o clima no carro ficasse estranho, se eu ficasse estranha, sempre teríamos a Luna para ser mais estranha ainda.

Peguei meu suco de maçã de caixinha e saí bebendo, e nem ofereci a Luna, mesmo sabendo que ela adora. Mas ela não pediu nem um golinho, só fez uma careta e sussurrou, Team Draco.

Harry estava lindo, do tipo lindo de tirar o fôlego. Tinha tomado banho pela manhã e cheirava a sabonete de erva-doce e tinha os cabelos pingando de maneira incrivelmente sexy pela camisa branca de manga ¾. Jeans claros e um coturno novo. Ele parecia saído do national geographic, sabe, um daqueles biólogos incrivelmente gostosos que vão desbravar a Africa ou coisa assim.

Santa mãezinha, como eu tinha sorte!

_ Oi Harry. - sorri.

_ Hey Ginny-bolinho.

Fiz uma careta sobre o "bolinho", mas ele é tão lindo que no segundo seguinte já não me importava.

_ A Luna vai pegar uma carona com a gente, espero que não se importe.

Ele sorriu e piscou para mim. Wow.

_ Nunca, e aí Luna?

Luna levantou o polegar e sorriu, forçadamente. Credo, ela estava levando essa ideia de Team Draco longe de mais.

_ Então Ginny, o que fez ontem a noite.

Cuspi me suco de maçã pelo nariz.

_ O quê?

Ele riu e puxou um lenço do bolso. Sim, um lenço! Me ofereceu e sorriu.

_ Eu? Nada por quê?

_ Eu te liguei ontem mas seu celular entrou na caixa postal.

_ Ah, isso. - tomei mais um gole do meu suco. - Eu dormi mais cedo.

Ele franziu o cenho.

_ Juro! Palavra de escoteira. - completei.

Ele riu.

_ Certo. Mas só para constar. Você não é escoteira.

Dei os ombros e sorri, obstáculo um, vencido. Dei-lhe um beijão de bom dia e sorri, porque as coisas podem dar certo, mesmo para mim.

O resto do caminho, Luna veio falando sobre como era possível uma viagem interdimensional e bla-bla-blá! Eu tentei interagir com o Harry, mas eu estava morrendo de medo de a qualquer momento ele dizer: "Te peguei!". Como acontece naqueles programas de TV aonde você vai quando acha que seu namorado está pulando a cerca.

Felizmente, nada aconteceu, e chegamos na escola antes do sinal tocar. Minha primeira aula não era com o Harry, então antes de ir para Poesia II, passei no meu armário para pegar o meu PSP portátil, no caso do professor não falar sobre um assunto do meu agrado. Suspirei cansada e dei graças a Deus por ter pego essa matéria sozinha.

_ Culpada.

A voz dele veio como fogo subindo pela a minha espinha dorsal.

_ Quê-quê-como?

Ele sorriu. Ai, meu coração.

Draco tinha arrumado o cabelo para trás com gel, como um daqueles Rock Stars da década de 50, com um fio loiro escorregando na frente. Vestia uma camisa sem mangas por baixo da jaqueta de couro, e jeans escuros e apertados, também usava um coturno, mas diferente do Harry, o dele era mais rock n' roll. E o cheiro, Deus meu! Cheirava a loção de barbear e Azarro Pour Homme, que era o meu perfume masculino preferido.

E eu só tinha uma pergunta: Por quê?

_ Nossa Red, você parece um pouco nervosa... Assim, como se estivesse escondendo algo do namorado.

_ Cala a boca Malfoy!

Ele suspirou e balançou a cabeça.

_ Pensei que já tínhamos superado isso de sobrenome.

_ Vai catar coquinho, vai.

Ele riu.

_ Então... Quando vamos repetir a noite de ontem.

Bati meu armário.

_ No dia de São Nunca!

Ele me seguiu pelo corredor.

_ Que é isso Red? Porque tão brava logo pela manhã? O seu namoradinho não dá conta de apagar o seu fogo? Parece que você... não teve uma boa noite de sono.

Parei um pouco antes da porta da sala.

_ Vai se foder. E pare de me seguir.

Riu e passou a mão nos cabelos. Tão... sexy.

_ Não estou te seguindo, estou indo para a aula.

_ Mas você não faz essa aula, espertinho.

Ele aproximou seu rosto de mim.

_ Não fazia. Agora, eu sento bem ali. - apontou para as duas únicas cadeiras vazias. - Do seu lado.

Fiz uma careta.

_ Você só pode estar brincado.

Ele pegou o meu queixo com a mão.

_ Não dessa vez.

Me arrepiei até a alma. Seria uma longa aula pra começar o dia. Aliás, seria um longo dia.

"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação"

O professor começou com Shakespeare. Pelo menos o assunto da aula era legal. Quero dizer, Shakespera era um cara muito esperto, mas ele tinha sérios problemas com romances. Hamlet era um maluco, eu entendo a fúria, a vingança pelo assassinato do pai, mas ele acaba levando todos ao fundo do poço.

Sim, eu gosto de literatura, não é como matemática, ou essas coisas desnecessárias que aprendemos na escola, então quando Harry perguntou se eu tinha lido sonhos de uma noite de verão, durante as férias, a resposta foi não, porque eu já tinha lido várias vezes ano passado, e no ano anterior. Mas esse é um lado que eu não gosto de compartilhar com os outros, e agora, eu teria que fingir não prestar atenção nas aulas para o Malfoy não queimar o meu filme.

Sorte a minha.

_ Então... você gosta de romance?

O ignorei.

_ Não? Você prefere mais... um conto erótico?

Corei. Droga de Malfoy.

_ Hum... Eu posso escrever um para você. Começa com um loiro lindo de morrer, e uma ruiva fogosa.

Olhei para ele, e espero ter passado toda a minha cara de "inacreditável" e "cala a boca".

_ Qual é o seu problema? - perguntei, não pude mais ignorá-lo.

_ Meu problema? - ele riu e se aproximou de mim para cochichar. - É que eu não dormi ontem a noite, por causa de assuntos inacabados com uma ruiva aí.

O empurrei.

_ Você gostariam de discutir com a turma? - o professor perguntou.

_ Não senhor. - respondi antes que o Malfoy desse uma de engraçadinho.

_ Bom, e já que vocês dois são tão amigos. Acho que já sei que papel vocês farão na peça desse ano. Petrúquio e Catarina. Sim, perfeitos.

Fiquei branca como papel. Haveriam varias peças do Shakespeare que eu poderia encenar com o Malfoy, eu poderia ser Hamlet, e ele meu tio. Eu poderia ser Brabantio e ele Otelo. Mas não, tinha que ser A Megera Domada. Tinha que ser um romance com final feliz.

O Malfoy sorriu.

_ Vai ser um prazer professor.

E na maneira com que ele disse "prazer", fez uma ou duas meninas desmaiarem.

_ Sim, vai ser um prazer.

E espero, sinceramente, que toda a minha ironia e todo o meu veneno tenham sido demonstrados através dessa única e simples frase. Porque eu não sabia muita coisa sobre a vida, mas de uma coisa eu tinha certeza, aquele iria ser um longo, longo ano escolar.


Geeeente, algumas vezes a Gina vai falar besteira, como Einstein inventando a eletricidade, mas você devem compreender que ela é a Gina então, rs, relevem. E outras ela vai parecer esperta, porque ela é, então, aceitem :)

Agapimeni: Haha, com certeza. Eu sinceramente, suspiro quando escrevo sobre o Draco, porque, ele é muito foda pra ser real. Em fim, espero que tenha gostado, ainda mais agora que o futuro do nosso casal foi traçado. Bjs

Avenna Malfoy: Bem vinda! Espero que continue acompanhando, que eu vou continuar postando, pode demorar, ou pode ser rápido, mas eu tento sempre terminar as fics que começo. :)

Aos demais leitores, apareçam! :)

[fanfiction levemente modificada para corrigir erros esdrúxulos de português 01/05/13]