Capítulo 10 - Quarenta perguntas ou mais para descobrir se ele e o amor da sua vida

Eu sou uma pessoa de excessos. Mas sentada no teatro vazio enquanto Draco Malfoy penteia meus cabelos com os dedos me dá a impressão de que eu não posso pedir mais nada nesse mundo. Ele cantarola My Body is a Cage, do Arcade Fire… e eu imagino quantos cantores não desejariam ter a voz pelo menos uma parte tão bonita quanto à voz dele.

_ No que você está pensando?

Levanto minha cabeça do seu peito e saboreio um pouco da sua beleza perigosa. Ele está com o cabelo jogado para trás, em um estilo que me lembra James Dean nos seus melhores anos. Usa uma camisa preta sem mangas que diz "My Sex Is On Fire" em vermelho, e Deus, eu acredito em cada palavra, como se ele precisasse vender ainda mais sua imagem de perfeição. Os usuais jeans lavados e rasgados, e é claro, suas botas de combate que eu tanto adoro.

_ Eu estava pensando o que foi que eu fiz para merecer um namorado tão gato.

Ele sorri, seus olhos me encaram como um gato vigiando a sua presa.

_ Eu gosto de você.

Eu parei o ar em meus pulmões por um momento. "Eu gosto de você". Não "eu amo você". Eu gosto de você. Penso por alguns segundo se alguma vez ele já disse "eu te amo". Eu me lembrei do recado no píer, o "te amo" que me fez presumir que Draco estava me esperando, o "te amo" que Harry disse, não Draco. Eu levantei abruptamente. Estava surtando por causa de uma besteira ? Talvez. Eu não deveria me importar com isso. Eu amava Draco e não me lembrava de ter dito isso em nenhum momento além dos meus próprios pensamentos. Eu quero dizer, você deveria se lembrar desse tipo de coisa. Mas por algum motivo, aquilo me incomodou. E muito.

_ Gina? Você está fazendo essa cara de que alguma coisa grande aconteceu ou vai acontecer.

_ Eu... Eu não sei.

Ele se levantou também e me puxou para perto dele, e então me entregou um beijo quente como o inferno. Soltou-me com um risinho no canto da boca.

_ Poderíamos aproveitar que os seus pais estão fora... Para, você-sabe-o-quê.

Maldito bastardo lindo de morrer. Por um momento eu me esqueci de tudo. Mas lá estava ele de novo. Talvez ele só estivesse comigo por causa de você-sabe-o-quê. Céus! E se ele não me... amasse? Digo, o que é amor no final das contas?

Pensar demais estava me dando dor de cabeça, então eu fiz a terceira coisa que eu sou melhor, depois de brigar e comer, eu corri.

Corri, corri e corri. Passando entre carros e pessoas, tão rápido que minhas pernas ficaram em fogo, e o ar dos meus pulmões não pareceu ser o suficiente. Quando me dei conta já estava em casa. Mamãe terminava de colocar as malas no carro quando me viu.

_ Gina? O que aconteceu?

Fingi um sorriso.

_ Nada. Queria me despedir antes de vocês saírem.

Ele arqueou uma sobrancelha como se soubesse cada segredo sujo que eu escondia.

_ Juízo, e nada de trazer aquele menino aqui.

Balancei a cabeça e observei o carro descer a rua. "Aquele menino", era como a minha mãe chamava o Draco. Ela não gostava dele pelo simples fato de que ele era um Malfoy. E então, talvez ela estivesse certa. E se...

Estou vivendo em uma cadeia perpetua de "e se". E isso só estava me deixando mais alucinada. Eu gostava dele, droga, eu o amava, eu acho. A questão era, como saber se eu realmente amava Draco Malfoy, e ainda, ele me amava?

Com a dúvida mastigando meu pobre coração corri para o quarto, liguei para Luna e esperei que ela chegasse com a única forma real de descobrir como eu me sentia. Toda sua coleção da Cosmopolitan Magazine. O livro sagrado para mulheres de todo o mundo. Certamente lá eu conseguiria um teste de "quarenta perguntas ou mais para descobrir se ele e o amor da sua vida" e ainda um quis especial de "Será que ele me ama? Descubra através de sinais se o seu amado sente aquele sentimento especial por você".

É, de uma forma ou outra eu teria uma resposta. Ou eu não me chamo Ginny Punhos de Ferro. Okay, eu não me chamo Punhos de Ferro, mas a chance de que eu realmente chegue a uma conclusão no final do dia era realmente muito pequena,