Capítulo 12 - The best you ever had

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Eu corri para o meu quarto e me escondi debaixo das cobertas, hiperventilando, fechei meus olhos e rezei, não sabendo exatamente para quem, desde que eu nem mesmo ia a igreja, talvez para algum Deus piedoso de uma dessas centenas de religiões pelo mundo:

Por favor, por favor. Me ajudar a fazer o que é certo.

Eu não tenho certeza quando eu dormi, ou a que horas exatamente Luna entrou no meu quarto, mas quando eu abri os olhos no outro dia tive a fria percepção de que minhas preces não tinham sido ouvidas. Talvez porque eu não tivesse uma religião, ou então meu pedido era bobo demais, quero dizer, se há um Deus ele deve estar cuidando de coisas mais importante como a guerra no oriente médio, e não os problemas irrelevantes de uma pequena marginal.

No entanto, levantei ligeiramente melhor. Não há chuva que dure para sempre, é o que dizem. Corri para o banheiro tendo certeza de que ninguém havia acordado e lavei meu cabelo umas três vezes, porque isso realmente iria resolver meus problemas. Não. Vesti minha camisa do Arctic Monkeys e meu jeans favorito. Pequei meu coturno com tachas e uma jaqueta jeans. Joguei tudo dentro da bolsa, dei um chute em Luna e sussurrei:

_ Já vou.

Ela fez uma careta e olhou para o relógio.

_ Mas ainda faltam três horas para as aulas começarem... Não, hoje é sábado. Sua vadia! Hoje é sábado!

Sorri não muito simpática.

_ Eu sei. Estou indo para a casa do Draco.

Ela balançou a cabeça e voltou a dormi. Só espero que ela tenha escutado a minha alerta de "juízo" enquanto eu passava pela porta...

O que dizer da casa do Draco? Ele é rico pra caralho. Desde os portões com o brasão da família, até o jardim exótico. Eu poderia ter tocado o interfone, mas então não seria eu. Joguei minha mochila para o outro lado, e com um impulso, fui escalando a grade. Praticamente um dejavu da primeira vez que eu encontrei Draco, digo, realmente encontrei Draco, e não apenas o familiar e desconfortável ódio que eu estava habituada.

Para uma casa tão grande, foi absurdamente fácil. Meu segundo desafio foi subir na varanda dele. A mesma varanda em frente da piscina em que eu pulei, o que pensando agora, foi duplamente burro, desde que eu poderia simplesmente descer pelo suporte da cerca viva ao lado da janela. Suporte o qual que agora, eu felizmente, poderia usar.

A janela estava aberta, e quando eu vi a sombra de Draco repousando, me pareceu muito fofo. Como um filhotinho de pastor alemão dourado. Ele estava sem camisa e com calças pretas. Ri ao olhar pra mim mesma no espelho. Preto com preto. Rock com rock. Delinquente com delinquente. Eras diferentes em algumas coisas, como, ele é podre de rico e eu de pobre, hehe. Mas então, pensei enquanto me deitava ao lado dele na cama, absurdamente parecidos.

No momento em que eu me deitei ele abriu os olhos, assustado, e então, me reconhecendo em milésimos de segundos.

_ O que você está fazendo aqui sua doidinha?

Eu sorri. E então, ele me beijou.

_ Eu te amo. De verdade. Eu queria saber se é reciproco. Eu preciso saber.

Os olhos dele eram a tempestade que eu queria me perder. O rosto branco, mas ligeiramente corado lhe dava um aspecto jovem. Mas sua sobrancelha irregula, e seu nariz torto eram o que me fazia sentir uma banana.

_Eu não sei se alguma vez eu senti isso por alguém. Era carinho sem fim. Essa vontade de estar o tempo todo com você. E até mesmo. – ele disse olhando para o meu corpo ajustado ao dele. – esse tesão infinito. Eu não sei o que é amor, porque eu nunca fui amado antes, não pelo meu pai indiferente, não pela minha mãe ausente. Mas se eu puder tomar o risco, se isso não e amor, o que eu sinto por você, eu não sei o que é.

Uma lágrima desceu pela minha bochecha, tão rápida que eu não pude me conter.

_ Isso foi a coisa mais fofa do mundo.

Ele girou ficando em cima de mim. Absurdamente próximo. Meu peito colado no dele. Eu poderia jurar que nossos corações estavam batendo ao mesmo tempo.

_ Tem alguém aqui?

Ele franziu o cenho.

_ Acho que não. Talvez a cozinheira. Mas ela fica na casa dos empregados. Por que ?

Balancei a cabeça. Ele tinha casa de empregados. Dentro do quintal dele. Derrubei-o de lado. E fui para a estante cheia vinis da década de 80. Originais, com certeza. Peguei meu iPhone e encaixei na caixa de som. Minha música favorita começou a tocar. Favorita por causa dele, e porque me lembrava dele.

You used to get it in your fishnets

_ Eu sempre…

Now you only get it in your nightdress

_... Quiz que a minha primeira vez fosse ao som dessa música.

Discarded all the naughty nights for niceness

_ Desde o dia em que eu conheci você.

Landed in a very common crisis

_ Ginny.

Ele parou de falar quando eu tirei minha camisa preta e viu meu sutiã de bolinhas. (ei, era o melhor que eu tinha limpo!).

_ Você é uma gracinha.

Sorri e comecei a cantar, um pouco pra distrai-lo do meu corpo, um pouco porque eu precisava me distrair:

Everything's in order in a black hole
(Tudo está em ordem dentro de um buraco negro)

Nothing seems as pretty as the past though
(Nada parece tão bonito como no passado, apesar de tudo)

That bloody mary's lacking in tabasco
(Aquela 'Bloody Mary' está precisando ficar apimentada)

Remember when you used to be a rascal?
(Lembra quando você costumava ser um canalha?

Oh, that boy's a slag
(Oh, aquele garoto é um cafajeste)

The best you ever had
(O melhor que você já teve)

The best you ever had
(O melhor que você já teve)

Eu não terminei de cantar. Mas a música continuou ao seu ritmo. E enquanto Draco me beijava, tudo o que eu poderia pensar era que eu gostava dele pra caramba. E mesmo que no final, não ficássemos juntos, porque eu era uma idiota, porque os pais dele jamais me aceitaram, ou por ambas as coisas, eu tive certeza de que esse momento seria especial. Inesquecível, e de que eu jamais me arrependeria...

Is just a memory and those dreams

Weren't as daft as they seem

Not as daft as they seem

My love, when you dreamed them up

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Flicking through a little book of sex tips

Remember when the boys were all electric?

Now when she tells she's gonna get it

I'm guessing that she'd rather just forget it

Clinging to not getting sentimental

Said she wasn't going, but she went still

Likes her gentlemen not to be gentle

Was it a mecca dobber or a betting pencil?

-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX-XxX

NA: Ahhhhhhh, quanto tempo minhas lindas e lindos desse Brasil. Finalmente neh. Quem é vivo sempre aparece. Gostaria de agradecer a todas pela paciência, e dizer que eu li (todos) os comentários. Obrigada! Não é o fim, não ainda! Mas vemos que a Gina já tomou um partido! (ela estava confusa, pq eu estava confusa lol) Agora, vamos ver o que acontece daqui pra frente. Essa música é a Fluorescent Adolescent do Arctic Monkeys. (sim, eu amo essa banda *_*). Acho essa música a cara do Draco, "Oh, that boy's a slag. The best you ever had". Hehe. Espero comentários. Aviso que estamos na reta final. Beijos!