Nota: sendo uma fic, tomei liberdade de alterar algumas coisas relacionadas a nanotecnologia. Caso leiam algo que não condiz com a realidade, por favor, isso é apenas para entretenimento.

Capitulo 02

Anos depois...

Superman observou os policiais levando os traficantes de metanfetamina embora. Ele veio seguindo o grupo até Gotham, onde conseguiu rendê-los. Seu trabalho estava feito e sentia-se feliz por ter ajudado.

-Se você tem alguma coisa a dizer, o momento é agora. –ele disse, sem sair do lugar.

-Está mesmo preparado pra me ouvir?

Ele virou-se e encarou Batman. Não era a primeira vez que os dois se encontravam, Metropolis e Gotham eram cidades vizinhas, separadas apenas por um largo rio e algumas pontes que as interligavam. Porém eram muito diferentes, assim como seus guardiões.

A mídia possuía uma relação de amor e ódio com os dois, hora chamando-os de justiceiros loucos, ora agradecendo pelos esforços. Tudo ainda estava muito confuso e parecia não haver uma resolução tão cedo.

-Até agora você é a única pessoa que teve coragem de se aproximar de mim. –descruzou os braços. –Não tem medo?

-Acredito que o medo não deve paralisar, e sim nos mover. –o cavaleiro das trevas deu um passo à frente. –Minha pergunta é: o que você realmente quer?

-Acima de tudo ajudar as pessoas, ser uma luz no meio de tantas trevas... –Superman respirou fundo, como se estivesse aliviado por finalmente estar falando. –Dar esperança aos que já perderam sua fé que o mundo pode ser um lugar melhor.

-Isso é impossível! –Batman abriu os braços. –Olhe ao seu redor! O ser humano é ruim por natureza, existe algo podre dentro de nós. Eu acredito sim na Justiça, como uma maneira de tentar frear nossos instintos ruins... Mas a Esperança está morta.

(...)

Clark acordou antes do despertador tocar. Estava ansioso por aquele dia, então queria ter tempo de preparar tudo com calma. Banho tomado, cama feita, e roupas passadas. Agora tomava café da manhã enquanto lia as notícias no Planeta Diário. Como sempre as reportagens de Loius Lane eram fantásticas e estampavam as capas.

Ele terminou de comer e lavou a pequena louça. Um dos benefícios de se morar sozinho é que não era necessário muito esforço nas tarefas domésticas. Vestiu uma camisa social azul, calça e sapatos pretos.

Pegou sua pasta e foi andando para o laboratório de bicicleta, como fazia todas as manhãs. Para a alegria de Martha, seu filho formou-se com louvor em Engenharia Física e Eletrônica, com especialização em Nanotecnologia.

Jonathan não chegou a vê-lo se formar, porque acabou infartando logo depois que Clark entrou na faculdade. Mas enquanto estava vivo, não cansava de dizer o quão orgulhoso estava.

Assim que chegou ao trabalho, foi recebido pelos colegas de equipe. Estavam checando os últimos detalhes quando foram informados de que as visitas estavam chegando. Pelo que sabiam até então, uma grande empresa havia se interessado em financiar as próximas etapas da pesquisa.

Ficaram no saguão do andar, ansiosos para saber que iria sair do elevador.

(...)
Bruce conteve a vontade de se espreguiçar na frente dos outros. Estava cercado por uma comitiva da empresas Wayne Enterprises e pelo dono dos laboratórios, com sua assistente.

Assim que a porta do elevador abriu, foram recebidos por um grupo de cientistas. Após uma breve troca de cumprimentos, dirigiram-se até a área de pesquisa, onde através de um vidro era possível acompanhar a ação dos nanorobôs.

Eles conseguiam decompor diversos tipos de materiais, como plástico, vidro, borracha, silicone. A solução para os problemas ambientais com o lixo bem ali na sua frente.

-E como eles irão saber qual o material adequado para ser decomposto? –Bruce perguntou, ainda sem tirar os olhos daquela invenção maravilhosa.

-Ao entrarem em contato com plástico nos oceanos, por exemplo, eles vão decompor o material até restar apenas substâncias iguais aquelas encontradas ao seu redor. –um dos cientistas explicou, sua voz era grave. –Se jogarmos eles aqui no prédio, não vão decompor nada, porque todo nosso ambiente é feito de cimento, vidro e outros materiais.

A maneira como a resposta foi dada soou tão segura, que Bruce virou-se para ver quem era. Geralmente as pessoas sentiam-se intimidadas em sua presença, por ser um dos maiores empresários do país e influente no mercado internacional. Por isso, quando até que gostava quando alguém agia naturalmente.

O cientista que lhe respondeu estava à sua esquerda. Era mais alto que todos, grossos cabelos negros, olhos claros escondidos atrás dos óculos, roupas sociais e jaleco branco, como seus companheiros.

-Devo lhe dar os parabéns por essa pesquisa tão inovadora. –ele esticou a mão. –Será muito benéfica para toda a humanidade.

-Na verdade, a equipe inteira trabalhou muito focada. –Clark sorriu e apertou a mão do outro. –E obrigado por acreditar em nós.

-O mundo merece nosso empenho. –Bruce fez um gesto com a cabeça. –Senhores, a verba já estará disponível a partir de amanhã. Caso tenham algum problema, por favor procurem diretamente Lucius Fox ou a mim.

-Alguma previsão de quando sairão os primeiros protótipos? –Lucius aproximou-se deles.

-Como nossa pesquisa já está bastante adiantada, creio que em três meses. –Clark estava animado.

-Ótimo! Creio que poderemos fazer o pronunciamento durante o baile beneficente anual. –Bruce cumprimentou novamente a equipe. –Me desculpem, mas preciso atender a outra reunião. Boa sorte a todos!

(...)

-Eu vi do que o ser humano é capaz, alien. Presenciei cenas horrendas, de sofrimento, de medo... Tudo por conta de ganância ou pelo simples prazer.

-Porém essa mesma humanidade que faz seu próximo sofrer, também me acolheu e me mostrou seu lado mais gentil, mais amoroso. –Superman esboçou um leve sorriso.

-Que uma coisa fique bem clara: eu não tenho de você. –Batman apontou o dedo para o símbolo no peito do outro. –Mesmo envolto em toda essa aura divina, sei que deve existir alguma falha. E caso represente uma ameaça, eu vou eliminá-lo.

Houve um momento de silêncio entre eles, apenas os sons noturnos da cidade preenchendo o vazio.

-Não precisa ser dessa forma, nós dois queremos a mesma coisa... –o escoteiro azul gentilmente segurou a mão do outro. –Jamais seria seu inimigo.

-Não me toque! –ele aumentou o volume da voz, tirando a mão rapidamente. –Nunca mais encoste sua mão em mim, ouviu?! Não somos amigos. Apenas não fique no meu caminho que eu não ficarei no seu.

Batman afastou-se bruscamente e saiu no seu enorme carro de combate, os pneus cantando no asfalto. Superman permaneceu parado e respirou fundo. Não queria que as coisas tivessem tomado esse rumo.

(...)

Exatamente como previsto, após três meses de trabalho intenso, os primeiros protótipos estavam prontos. Os testes foram bem sucedidos e mostraram estabilidade dos nanorobos em diversos ambientes.

Os cientistas receberam convites para o baile beneficente anual realizado pela Wayne Enterprises. Era um dos eventos mais cobiçados pela elite nacional, devido ao luxo da festa e o resultado positivo que as contribuições acarretavam perante a opinião pública.

Clark precisou alugar um smoking para a ocasião, modelo de duas peças e tom azulado, que de acordo com o vendedor realçou os olhos dele.

Às nove e meia da noite, estava na frente ao Castelo Montgomery. A construção era comumente usada para festas, pois ficava um pouco afastada do centro de Gotham e por lembrar um castelo gótico.

O local já fervia com o movimento de convidados e seguranças, além da imprensa que cobria o evento, acompanhando a entrada de todos no tapete vermelho. Clark evitou a confusão na porta e com a ajuda de um segurança, conseguiu entrar de maneira discreta. Lá dentro, ficou impressionado com a opulência da decoração.

Grandes lustres de cristal iluminavam o local, destacando os detalhes em ouro nas paredes e as cortinas pesadas, bordadas a mão. Vários garçons andavam um lado a outro, servindo os convidados com comida e bebida.

Diferente da primeira vez que foi a uma cidade grande, agora Clark não se sentia tão intimidado. Aprendeu a escolher a roupa certa para cada ocasião e percebeu que o segredo era ignorar as pessoas e focar apenas no que interessava. Ele então foi andando pelo salão, observando a decoração das mesas e procurou seus colegas de trabalho.

Acabou encontrando-os numa mesa perto do palco.

-Quase não te reconheci, Kent! –Samantha comentou com um sorriso largo. –Ficou muito bem nesse smoking.

-Obrigado. –ele coçou a nuca. –Bom estão preparados?

-Se for pra beber e comer muito, pode deixar que já estou trabalhando nisso. –William riu e bebeu mais um gole de champagne.

Eles ficaram conversando por algum tempo até que Bruce Wayne subiu no palco.

-Senhoras e senhores, bem-vindos ao baile beneficente anual. Obrigados a todos por sua presença e não esqueçam de deixar sua contribuição no nosso cofre ao fundo do salão. –ele parecia confortável com tanta atenção.

Houve uma salva de palmas.

-Esse ano será marcado por uma grande mudança, não somente em nossa cidade, mas também em escala mundial. Acreditando no potencial de um sonho, a Wayne Enterprises financiou um projeto de pesquisa independente, que desenvolveu nanorobôs especializados na decomposição do lixo.

Os convidados ficaram surpresos, os flashes das câmeras pipocaram.

-Gostaria de chamar os cientistas responsáveis para subirem ao palco e explicarem melhor o projeto. –Bruce fez um gesto.

O grupo levantou-se, e subiu ao palco, acompanhados de palmas. Devido ao fato de Clark ser horrível para falar na frente de muitas pessoas, quem tomou a frente foi Samantha Lambert. Ao fundo do palco, a projeção mostrava o vídeo os testes.

-A tecnologia desenvolvida irá decompor todo o lixo encontrado na natureza, quebrando suas moléculas até ficarem reduzidas a apenas átomos, que serão integrados pelo meio ambiente normalmente. –ela parecia muito feliz.

-Isso irá beneficiar a todos nós, acabando com um dos maiores problemas que enfrentamos no momento. –Bruce completou. –Por isso, precisamos que contribuam com a causa. Os nanorobôs serão espalhados por todo o planeta, não sendo propriedade de nenhum país em especifico.

Quando entenderam a grandiosidade do projeto, todos os convidados levantaram e aplaudiram de pé. Após o pronunciamento, a festa correu normalmente, com as pessoas conversando, alguns arriscavam dançar na pista.

As doações bateram recorde nesse ano, o que deixou Bruce feliz. Agora estava na varanda, bebendo seu whisky sozinho observando a lua. Precisava de um tempo mais tranqüilo, todas essas convenções sociais o deixavam muito cansado. Estava acostumado a isso desde criança, mas simplesmente odiava toda aquela gente mesquinha.

-Com licença. –alguém aproximou-se.

-Seu discurso foi muito bom lá no palco.

Ah, era um dos cientistas.

-Muitos anos de experiência... –Bruce respondeu dando de ombros. –Achei que fosse falar hoje, afinal é o líder da equipe.

-Ah, não sou bom na frente de muitas pessoas. –ele ajeitou os óculos. –As chances de derrubar o microfone ou gaguejar são muito altas.

-Poderia dizer que entendo... mas estaria mentindo. –o milionário riu e estendeu a mão. –Clark Kent, certo?

-Isso mesmo.

Bruce bebericou seu whisky novamente, quando uma lembrança antiga voltou à tona.

-Por acaso participou da Olimpíada Integrada Nacional na Gotham Academy?

-Nos encontramos sem querer numa sala... –Clark sorriu e se animou.

-Nossa! –ele levantou as sobrancelhas. –Não é que você realmente foi ainda mais longe, hein Smallville?

-Quem diria que um dia estaríamos trabalhando juntos... –o cientista encostou-se na sacada.

Acabaram conversando sobre vários assuntos, empolgando-se em vários momentos. Era impressionante como iam desde o dólar no mercado internacional à comida favorita. O garçom trazia regularmente whisky e cerveja para ambos, além dos canapés e outros petiscos deliciosos.

-E então o cavalo saiu disparado a toda velocidade e eu estava morrendo de medo. –Clark gesticulava freneticamente. –A cela aos poucos foi soltando e não tinha mais onde me segurar. Phantom deu um pinote e acabei caindo no chiqueiro! Fiquei com lama até nos ouvidos.

Bruce tentou se segurar, mas ao imaginar a cena acabou rindo alto. Finalmente estava tendo uma conversa com alguém que não passava todo o tempo querendo agradá-lo. Pouco importava se era efeito do álcool ou não, a questão era que sentia-se a vontade com Clark, talvez fosse seu jeito mais relaxado.

-Teve uma vez que Alfred comprou blueberries para fazer a torta de aniversário da minha mãe. Eu devia ter uns seis anos e estava com tanta fome, que acabei comendo todas berries. –ele sorriu ao lembrar. –Acabei com uma forte dor de barriga e precisamos comprar uma torta nova.

Dessa vez foi Clark quem riu alto. Continuaram contando alguns casos, até que perceberam que a festa se encaminhava para o final.

-Como você volta pra casa, Kent? –Bruce pegou o celular do bolso.

-De táxi. –ele deu de ombros.

-Alfred, pode vir me buscar por favor? –o empresário afastou-se um pouco para falar no celular. –Claro, eu espero.

-Não precisa se incomodar c-comigo. –Clark limpou o suor das mãos no paletó discretamente.

-Não se recusa uma carona, é falta de educação. –ele sorriu levemente. –Onde você mora?

-Em Metrópolis.

-Tá vendo? Assim você economiza a pequena fortuna que iria pagar ao taxista. Acho que Alfred já deve estar chegando.

Eles foram para a parte dos fundos do Castelo Montgomery, onde um Rolls Royce esperava por eles e um homem por volta dos cinqüenta anos os esperava.

-Patrão Bruce. –seu sotaque britânico era evidente. –Como foi a noite?

-Muito agradável, Alfred. –ele respondeu tirando o paletó. –Este é um dos cientistas do nosso projeto, Clark Kent.

-Senhor Kent, é uma honra conhecê-lo. –o mordomo fez uma saudação. –Me chamo Alfred Pennyworth. Por favor, entre e fique a vontade.

-Obrigado... –Clark estava sem graça.

Eles sentaram-se no banco de trás, enquanto Alfred ficou de motorista. A viagem correu tranquilamente, conversando sobre o tempo e o outono, que já começava a descolorir as árvores.

Cerca de meia hora depois, estavam na frente do prédio onde Clark morava.

-Me diverti muito hoje, obrigado por tudo, Wayne. –Clark cumprimentou-o novamente. –E obrigado pela carona, senhor Pennyworth.

-Descanse bastante porque amanhã o dia será longo, nos vemos na empresa.