Capitulo 04
Clark não conseguia parar de tremer. Da cabeça aos pés, seu corpo inteiro tremia. Estava sozinho no seu apartamento, abraçando as pernas, imerso na escuridão. Ainda tinha vontade de chorar, mas parecia que as lágrimas secaram por completo. O único barulho no apartamento era do antigorelógioque ficava na sala.
Tic-toc.
Lembrou dos almoços de domingo após o culto na igreja... Dos ensinamentos que seu pai lhe transmitia de alguma maneira todos os dias, de ajudá-lo no arado do campo e lidar com os animais... Da dificuldade que teve nos primeiros anos de escola e de como sua mãe havia sido paciente e gentil... Das noites de verão onde dormia no jardim para observar as estrelas, de correr pela plantação afora até não aguentar mais...
Tic-toc.
Não havia nada que pudesse fazer fisicamente no momento, apenas esperar. Clark então fechou os olhos e orou. Os Kent eram uma família tradicionalmente Metodista, mas sua fé ia muito além de instituições.
Acreditava na esperança, na força criadora do universo, na bondade...
Precisava nesse momento agarrar-se em algo, ou sentiria que ia ser dragado pelas ondas da tristeza e desespero.
Tic-toc.
Aos poucos, os primeiros raios de sol iluminaram a sala. Deixou seu olhar vagar pelo apartamento, até que sua atenção focou no jornal deixado na mesa de centro. Era a edição na qual Louis Lane publicou o artigo a respeito da história de vida do Clark.
Seu coração endureceu-se novamente. Ele era considerado por muitos alguém bondoso, justo e otimista, acreditava nas pessoas. Sempre buscava ver o melhor dos outros, apesar dos defeitos, pois sabia que ninguém era completamente ruim ou bom. Dar o benefício da dúvida era uma maneira de estimular as pessoas a darem seu melhor.
Porém esse não foi o caso.
Sentiu-se enganado e traído, sua confiança quebrada.
Ele esperou até que o sol tivesse surgido por completo no horizonte para se levantar. Clark era uma pessoa matinal e adorava ver o sol, sentia suas energias renovadas toda vez que observava o astro nascendo.
Mas não dessa vez.
Um dos seus maiores defeitos era que quanto mais mal-humorado e impaciente ficava, mais se tornava impulsivo. A raiva ia se instalando até que explodia de vez, o que geralmente significava problemas sérios.
Clark não comeu nada, apenas tomou banho e trocou de roupa. Foi diretamente na redação do Planeta Diário, procurar Louis Lane. Ela acabou chegando apenas uma hora depois.
-Bom dia, Kent. –deixou a bolsa na mesa. –Espero que tenha gostado do artigo. Você realmente é mais interessante do que parece, cheio de histórias...
-Valeu a pena remexer na minha vida? –ele estava com os punhos cerrados.
-Quando a opinião pública te der mais apoio, não esqueça de me agradecer. –Louis remexeu nos papéis.
-Claro, nunca vou me esquecer que foi por conta do seu artigo que minha mãe está morrendo no hospital.
-O que?!
-Eu te pedi para deixar meu lado pessoal fora disso, queria que o foco ficasse no meu trabalho. A fazenda da minha família foi atacada, por coincidência, logo depois que você publicou o artigo deixando pontos de referência bem claros.
-Eu não tenho nada a ver com isso. Jamais iria querer causar a morte de alguém! –ela ficou assustada.
-Mas conseguiu. Minha mãe está lutando pra se manter viva e é por sua causa.
-Kent... Oh meu Deus. Me desculpe!
-Desculpas não vão desfazer tudo isso, não vão reestabelecer a saúde dela. –Clark foi aumentando o seu tom de voz. –Minha vida está arruinada por sua causa!
A redação foi parando suas atividades aos poucos para observar a cena, ninguém se mexia.
-Eu tinha muito respeito pelos seus artigos, senhorita Lane, realmente gostava do seu trabalho. Mas se a fonte dos seus prêmios é porque pisou em alguém e distorceu as palavras, do mesmo modo como fez comigo, então você não é digna de nada.
-Me desculpa! Não foi minha intenção! –ela começou a chorar.
-Guarde as suas palavras, porque elas não tem valor nenhum. –Clark aproximou-se dela com um olhar furioso. –Se a minha mãe morrer, você vai pagar por isso. Eu te garanto.
Ele saiu do jornal e ganhou a rua. O sol brilhava timidamente entre as nuvens e o clima continuava cada vez mais frio. Precisava andar para espairecer um pouco, pegou a avenida principal e foi caminhando lentamente sem rumo.
Após meia hora, houve um barulho muito forte, como uma grande explosão. Segundos depois, várias viaturas dos bombeiros e polícia passaram a toda velocidade, deixando todos alarmados.
Seu celular tocou, era William.
-Pelo amor de Deus, onde você está Kent? –ele perguntou preocupado.
-No centro, por que?
-O laboratório... –começou a chorar. –Explodiu!
-Já estou indo, me espera!
(...)
Bruce demorou para chegar ao complexo do laboratório, estava terminando uma reunião na Wayne Tower e as principais rotas foram bloqueadas após a explosão. Enquanto se dirigia ao local, fez uma série de ligações para o chefe da segurança, precisava garantir a integridade da pesquisa e de todos os funcionários.
Quando finalmente chegou, a cena era desoladora, parte do prédio ainda em chamas, a fumaça preta manchando o céu. Uma confusão de pessoas do lado de fora, algumas ajudando, outras apenas observando e tirando fotos. Bombeiros e policias se moviam rapidamente e aos poucos as vítimas foram sendo retiradas.
Devido aos seus conhecimentos de primeiros-socorros, Bruce ajudou quem precisava dando apoio e fornecendo instruções. Pouco tempo depois houve outra explosão e mais viaturas chegaram. Toda a estrutura do prédio parecia estar comprometida.
Ele quase não acreditou na cena que viu, Clark saindo do laboratório com Samantha desmaiada em seus braços. Ambos estavam muito sujos, roupas rasgadas e cobertos de sangue.
Os bombeiros prestaram o socorro imediatamente. Ela precisou ser levada ao hospital devido a extensão dos ferimentos, enquanto Clark foi avaliado ali mesmo, pois não aparentava danos graves.
-Você está bem?! -Bruce aproximou-se.
-Tá tudo certo. -ele deu de ombros como se não importasse. -Você se machucou?
-Não, cheguei depois da primeira explosão. Assim que tudo estiver resolvido por aqui, vou diretamente no Comissário de Segurança de Metropolis. -tirou o paletó e entregou-o ao outro. -Sua camisa está em farrapos.
Assim que Clark pegou o paletó, jogando-o por cima dos ombros, Bruce notou seu olhar. Uma das lentes dos óculos estava quebrada e a haste torta, mas percebeu a fúria estampada em seus olhos azuis. Nunca havia visto nada parecido antes, era intensa e voraz.
-Me desculpe Bruce, mas preciso ficar sozinho por enquanto. -sua voz estava áspera. -Se precisar de mim estarei em casa.
O milionário observou o cientista sair de cabeça baixa, mas com passos determinados. O frenesi em volta do laboratório começava a diminuir e ele também deixou o local. Minutos depois, estava na sala do Comissário de Segurança de Metropolis.
-Acredito que tenha algo muito errado acontecendo, Daniel. -Bruce cruzou os braços. -Precisamos estabelecer se existe uma ligação entre o suposto assalto na fazenda Kent à explosão do laboratório.
-Foram acontecimentos completamente diferentes. -ele gesticulou impaciente. -Laboratórios possuem produtos químicos e inflamáveis, é esperado que acidentes aconteçam.
-Esses dois eventos ocorreram um espaço de três dias!
-Olha, pode ser que lá em Gotham você seja o rei, com todos lhe servindo fielmente, mas aqui é Metropolis, senhor Wayne. -Daniel levantou-se. -As regras são diferentes. Agora me dê licença que tenho um caso com provas de verdade para trabalhar.
Bruce deixou a delegacia respirando fundo. Precisava fazer alguma coisa, seus instintos lhe gritavam que havia uma conexão entre os casos. Não era do tipo que se contentava com respostas atravessadas e má vontade.
Enquanto voltava para sua mansão em Gotham, certificou-se de que todas as vítimas estavam tendo atendimento adequado e que os danos no laboratório foram contidos. Assim que chegou foi recebido por Alfred.
-Patrão Bruce, o senhor se feriu? -estava preocupado.
-Não, estou bem. Por favor, separe uma roupa limpa enquanto vou tomar banho.
Ele precisou esfregar o sabonete no corpo muitas vezes, até sua pele ficar rosa para conseguir livrar-se da sujeira e do cheiro de fumaça. Assim que terminou, enrolou-se num roupão e foi para o escritório, onde ligou para a empresa e convocou uma reunião de emergência.
-Aqui está. –o mordomo voltou com o pedido. –Qual é a gravidade da situação?
-Temos dez mortos, tantos outros feridos gravemente e o laboratório completamente comprometido. –ele virou-se de costas e começou a se vestir ali mesmo.
-E o senhor Kent? –Alfred aproximou-se, ajudando-o a dar o nó na gravata.
-Clark não teve grandes ferimentos, mas parecia muito furioso. –Bruce ajeitou as mangas do terno.
-Clark? –o mais velho levantou uma sobrancelha e esboçou um sorriso. –Estava me perguntando quando iriam passar das formalidades...
-O que está insinuando?
-Que você é jovem e precisa de companhias que realmente acrescentem algo na sua vida, ao invés daquelas senhoritas de sempre.
-Eu tenho vida social, ok?–o empresário pegou as chaves do carro.
-Nunca vi nenhum dos seus "amigos" lhe fazendo visitas ou telefonando... –o mordomo continuou sorrindo. –E o senhor Kent, parece ser uma pessoa muito boa e lhe faz rir. Isso já é alguma coisa.
Bruce parou no meio do caminho e virou-se para encarar o mais velho. Não havia palavras o suficiente para descrever a ligação entre os dois, era profundo demais. Alfred nunca havia se enganado ao perceber o caráter dos outros.
-Eu nem sei porque ainda estou lhe dando ouvidos nessa conversa totalmente sem sentido. –ele passou a mão no rosto, por alguns segundos demonstrando cansaço.
-Se me permite um conselho, senhor... Nunca irá aprender a confiar em outra pessoa se não lhe der o beneficio da dúvida, se não acreditar primeiro.
Com aquelas palavras ecoando em sua mente, o empresário dirigiu até a Wayne Tower. Assim que entrou na sala de reuniões, foi recebido por uma enxurrada de perguntas ao mesmo. Todos preocupados com as ações, o dinheiro perdido na pesquisa e a ameaça de novos atentados.
-Senhores, por favor. –Bruce fez um gesto de calma. –Fico feliz em saber que estão preocupados com as vítimas da explosão. Todos recebem o devido atendimento médico, mas apesar disso já temos 10 mortos.
Os outros sócios calaram-se diante da notícia.
-Para compensar os custos adicionais gerados a curto e médio prazo, peço hoje a votação do Plano Everst.
Era uma estratégia montada na empresa a fim de gerar mais lucro e cobrir quaisquer imprevistos, uma medida de contenção e reavaliação de gastos. Como ninguém queria perder, a votação foi unânime e Bruce assinou a documentação necessária para a liberação do Plano Everst.
Enquanto saia da sala, foi acompanho por Lucius.
-Os nanorobôs ainda estão funcionando normalmente, Bruce. –ele observada os dados no tablet.
-Ótimo. Deixe que todos pensem que eles foram desativados junto com a explosão. Os dados ficarão perdidos por enquanto, mas pelo menos o objetivo principal será cumprido, que é a decomposição do lixo.
-Vários jornais já nos ligaram pedindo informações...
-Convoque uma coletiva de imprensa para daqui a duas horas. Quero cobertura na televisão ao vivo também. –Bruce estava determinado. –Tenho algumas coisas a dizer...
Exatamente como previsto, duas horas depois um grande número de jornalistas estava na porta da Wayne Tower, com fotógrafos, emissoras de televisão e rádio... Assim que chegou perto do microfone, todas as atenções ficaram focadas no empresário.
-Meu desejo era estar fazendo essa coletiva para anunciar a imensa melhoria ambiental que os nanorobôs trouxeram ao planeta. Contudo infelizmente, anuncio que devido à explosão, dez pessoas já morreram. –ele estava seguro de si. –As investigações sobre a causa serão realizadas com o mais profundo rigor e todas as vítimas estão recebendo tratamento médico adequado. Caso fique provado ser resultado de ações criminosas, a Wayne Enterprises não vai medir esforços para trazer os responsáveis a Justiça. O que houve hoje não foi apenas a interrupção de uma pesquisa, mas também o atraso e possível perda de um grande avanço para toda a humanidade.
(...)
Batman caminhava cuidadosamente sobre os escombros da ala oeste do complexo do laboratório. De acordo com as leituras térmicas que seu aparelho fez, conseguiu achar a localização exata onde o explosivo foi ativado.
Esgueirou-se entre os blocos de concreto e coletou alguns destroços. Todo o quarteirão foi cercado por policiais, afinal era uma cena de crime e as investigações ainda estavam em curso. Contudo, o vigilante conseguiu burlar o esquema facilmente, estava acostumado a ser discreto.
Devido ao tamanho do complexo, a ala leste não chegou a sofrer nenhuma explosão direta, mas também sofreu com o impacto. Usando seu gancho, Batman subiu até o quarto andar.
Havia memorizado a planta do lugar e foi diretamente a sala dos servidores. Encontrou a porta aberta e a fechadura eletrônica arrancada da parede. Entrou cauteloso, observando ao redor e viu Superman mexendo em um dos servidores.
-Estão todos queimados, não dá como salvar os dados da pesquisa. –ele respirou fundo e trincou os dentes. –A explosão afetou o gerador e não houve refrigeração adequada.
-E por que isso é tão importante para você?
-Na verdade, para mim tanto faz. Porém isso poderia ser a solução de um dos problemas da humanidade! –Superman parecia não acreditar. –Por que alguém arruinaria algo que traria benefícios a todos?!
-Eu te disse que os humanos são ruins. Para algumas pessoas poderosas, o lucro vem antes de tudo, mesmo que a pessoa esteja se afogando, ela vai preferir o dinheiro. –Batman tocou em um servidor, realmente não havia solução.
-Não vou desistir da humanidade. Deve existir outro modo de salvar vocês.
-Superman, eu não acredito que a humanidade deseja ser salva.
Eles encararam-se por alguns segundos.
-Poderíamos acabar com a fome no mundo em questão de poucos meses, produzimos comida o suficiente para todos... Temos tecnologia o suficiente para combater várias doenças e mesmo assim deixamos algumas populações à mercê... –Batman deu de ombros. –Mudar toda a humanidade é muito difícil, nem todos irão concordar. Por isso eu foco no que ainda consigo segurar, na minha cidade. Se conseguir tornar Gotham uma cidade mais justa, a idéia se espalha e essa nova geração de crianças saberão o correto.
-Você está certo... eu... eu realmente acreditei que poderia ser o salvador, a esperança. –o escoteiro azul franziu as sobrancelhas.
-O último cara que foi considerado o "salvador" da humanidade foi crucificado e pagou por um crime que não cometeu. –o morcego aproximou-se. –Melhor tomar cuidado com o que deseja.
-O que faremos agora?
-Nós precisamos investigar melhor essa explosão. Eu acredito que seja criminosa, alguém queria deixar um recado.
-Nós? –os olhos de Superman pareciam brilhar.
-Resolvi dar uma chance para trabalharmos em equipe. –Batman encarou-o. –Espero que eu não esteja errado e nem me desaponte.
-C-Claro que não! –ele sorriu. –Para onde vamos?
-Vou para minha caverna analisar os rastros que encontrei. –o morcego deixou a sala. –Eu entro em contato.
-Você tem uma caverna?!
-Sim.
-Isso parece ser muito legal. Posso ir com você?
-Eu...
-Por favor!
-Ok, mas vai ter que seguir tudo o que eu disser e não tocar em nada.
Minutos depois, Superman estava dentro do carro de batalha de Batman. Era um tanto quanto apertado para dois, porém não passaram muito tempo ali. Seguiram na Park Road, uma estrada abandonada que ligava o Parque Ecológico de Gotham ao centro da cidade.
Em certa altura, o chão trepidou e uma entrada subterrânea foi aberta e assim que passaram, fechou-se em seguida. Continuaram na escuridão total, até chegarem ao centro de uma grande caverna.
O alien observou ao redor, não acreditando no que via. O lugar era simplesmente fantástico, cheio de formações rochosas naturais e tecnologia ao mesmo tempo. O carro parou bem no centro, do lado esquerdo uma plataforma que dava acesso a um computador de última geração, com uma tela enorme, e parecia estar rodando algum programa de segurança.
Ao lado direito uma espécie de enfermaria e vestiário, com os armamentos e dispositivos exibidos num armário de vidro.
-Vou checar as informações. Não mexa em nada. –Batman seguiu para o computador.
Superman voou ao redor, observando os detalhes. Realmente não esperava por aquilo, era uma surpresa agradável. Percebeu que alguém entrou na caverna, e trazia comida, porque o cheiro era maravilhoso.
-Não precisava se preocupar comigo... –ele voou até perto de Batman e não acreditou no que viu. –Ah, oi senhor Pennyworth.
-Quando eu disse para o senhor trazer amigos... não estava contando que seria tão cedo. –o mordomo deixou a bandeja na mesa e encarou o alien. –Já nos vimos antes?
Um silêncio incômodo pairou sobre o trio.
-Oh, acabei de estragar tudo. –Superman mordeu o lábio inferior.
-Esqueci de avisar que teria mais alguém. –Batman levantou-se. –Alfred é uma pessoa de confiança, fique tranqüilo... Mas de onde o conhece?
-Bem... –ele pigarreou e coçou a nuca. –E-Eu...
Nunca havia passado por uma situação dessas antes.
-Acho melhor você ter uma boa resposta... –o morcego cruzou os braços.
-Ok ok! –Superman levantou as mãos em rendição. –Na verdade, eu conheci o senhor Pennyworth quando estava com a minha identidade secreta...
-E isso significa que se me conhece, e estou bem aqui... então sabe a identidade dele. –Alfred engoliu a seco.
-Agora descobri que Batman é Bruce Wayne, sim. –Superman corou e parecia sem graça. –Me desculpe, não queria nada disso! Seu segredo ficará bem guardado comigo, tem minha palavra.
-Melhor não desonrar sua educação, caipira. –Bruce tirou a máscara e tinha um leve sorriso nos lábios.
-O que?
-Achou mesmo que eu não desconfiaria, Clark Kent? –o empresário encostou-se na mesa e adoçou seu café, como se nada tivesse acontecendo. –Já tinha minhas suspeitas, mas hoje tive a confirmação quando te encontrei no laboratório.
-C-como? –seu rosto estava muito corado.
-Quando houve as explosões você saiu do prédio segurando a Dra. Lee, que estava extremamente ferida, quando você não tinha nem um arranhão sequer. –ele bebericou o café. –Percebi seu olhar de fúria e como ficou desolado... E hoje no laboratório, você mexia nos servidores como se soubesse o que estivesse fazendo e parecia realmente desapontado com a perda dos dados.
Clark ficou quieto, ainda tentando processar tudo aquilo. Ninguém além de sua família sabia da identidade secreta.
-Como prefere seu café, senhor Kent? –Alfred perguntou normalmente.
-Ah... com creme e açúcar por favor.
-A comida que mandou aquele dia estava deliciosa. –o mordomo sorria. –Obrigado pela gentileza de mandar.
-De nada. –Clark coçou a nuca e bebeu o café. –Fico feliz que tenha gostado.
-Devo confessar que essa coisa do poderoso alien se disfarçar de humano e viver entre nós é realmente inteligente. –Bruce terminou a bebida e mordiscou um sanduíche. –Mas deve ser entediante.
