Nota: ao verem uma letra de música em inglês itálico, escutem Diamonds da Rihanna ;)

Capitulo 06

-Não esperava que chegasse tão cedo, Patrão Bruce. –o mordomo sorriu. –Oh, senhor Kent, digo, Clark... que bom que esteja aqui.

-A viagem foi mais curta porque eu trouxe... –Clark começou a falar.

-Não. ouse. contar. –Bruce o encarou com um olhar ameaçador, apontando o dedo e depois foi embora, subindo as escadas.

-Pelo visto ele não gostou muito. –o cientista deu de ombros, apesar de estar sorrindo. –Alfred, trouxe um pedaço da torta da minha mãe para você.

-Oh, muito obrigado. –ele segurou o vasilhame. –Por favor mande os agradecimentos a senhora Kent.

-Claro.

Bruce voltou usando um terno e gravata vermelha, com sua maleta.

-Já que chegamos cedo, preciso resolver algumas coisas na empresa. -ele pegou as chaves da Lamborghini. -Se precisarem de alguma coisa, me liguem.

Saiu tão rápido quanto chegou, deixando Alfred e Clark sem jeito.

-Ele parecia tão tranqüilo lá em casa... -o alien coçou a nuca.

-É que o inverno chega amanhã... e com a estação, muitas memórias desagradáveis. –o britânico suspirou. -Deseja alguma coisa, Clark?

-Não, obrigado Alfred. Preciso ir também, nos falamos.

O cientista levantou vôo, indo direto para seu apartamento em Metropolis. Tudo estava exatamente como havia deixado há quatro meses. Quando foi embora, a mágoa era grande demais e o impedia de ver as coisas com clareza.

Claro que dali em diante não seria fácil, porém o melhor que poderia fazer pelas pessoas que se acidentaram e morreram na explosão era seguir em frente e continuar trabalhando.

Inspirando. Como Bruce havia dito.

Respirando fundo, Clark então começou a arrumar tudo, deixando o lugar de novo com aspecto de um lar. Algumas coisas antigas aproveitou para doar na reciclagem do bairro e mudou os móveis de lugar.

A máquina de lavar cuidava das roupas enquanto ele arrumava o armário. Algumas peças estavam cheirando a mofo e foi quando se deparou com os farrapos que estava usando na explosão.

O terno de Bruce ainda estava lá e decidiu lavá-lo também para devolver. Ao mexer na calça jeans, algo caiu no chão, era um pendrive. Toda a cena voltou como um filme em sua mente. Ao saber que Samantha ainda estava dentro de prédio, ele entrou para buscá-la.

Encontrou a loira nos servidores, mexendo em algo. Com muita dificuldade, ele conseguiu convencê-la a sair e foi quando houve a segunda explosão. Já estavam no corredor quando partes do teto caíram sobre eles, machucando gravemente Samantha. Clark então a levou desacordada nos braços o mais rápido possível para fora do prédio, sem levantar suspeitas e guardou o pendrive no bolso.

Havia esquecido completamente disso até ver o objeto. Resolveu ver as informações que estavam guardadas, afinal ela arriscou sua vida por isso, chegando a falecer no hospital depois.

Prometheus.

Era o nome dado ao projeto e que aparecia na tela do computador, os dados eram confidenciais. Mesmo tendo uma equipe de oito cientistas trabalhando, apenas três tinham acesso direto ao sistema de controle: Clark, Samantha e William. Afinal, envolvia milhões de dólares e investimentos, sendo a segurança o foco principal.

O que ele estava encarando agora era um código de ativação remota dos nanorobôs, permitindo que fossem controlados a distância. Devido à interrupção da transmissão de dados entre os servidores e Prometheus, por conta da explosão, era esperado que as unidades ficassem em modo stand-by até que fossem reconectadas ao mainframe.

A questão é que isso deveria ser possível apenas utilizando os servidores do laboratório, devido ao sistema complexo e único criado pela equipe. Clark passou a mão nos cabelos e respirou fundo, tentando se acalmar.

Ele então ativou o código e surpreendeu-se com o que viu. Os pontos brilhantes não piscavam mais nas áreas de pesquisa de campo, onde inicialmente haviam sido colocados, mas em vários lugares do mundo.

Até mesmo a cor dos pontos era diferente, estavam azuis ao invés do tradicional vermelho. Aquilo arrepiou seu corpo por completo, o deixando aterrorizado. Devido ao código desenvolvido por Samantha, sabia apenas da localização de Prometheus, mas não quem o estava utilizando e para que.

-Bruce, por favor, preciso muito falar com você, é urgente! -ele ligou no celular do outro, mas caiu na caixa postal.

Clark andou de um lado a outro na sala, sem saber o que fazer. Precisava tomar alguma atitude, se os nanorobôs caíssem em mãos erradas, com certeza o mundo inteiro iria pagar pelo preço. Mesmo rastreando os dados, não havia como saber se mais alguém possuía essa informação.

-O que houve? –Bruce retornou a ligação.

-Acho que a situação é mais grave do que imaginávamos.

-Ok, edifício Sky High às 20 horas.

(...)

Como combinado, Superman estava no terraço de um dos prédios mais altos de Gotham, o Sky High. Batman chegou logo em seguida, pontual como sempre.

-Os nanorobôs foram ativados por alguém de fora da equipe. Estão espalhados pelo mundo e não seguem aos meus comandos... –o escoteiro azul mordeu o lábio inferior. –Mesmo com minha chave de segurança. Acredito que Samantha O'Neil tenha vazado as informações.

-Ela morreu na explosão não é?

-Sim... Nunca pensei que ela fosse capaz disso. Precisamos descobrir quem comprou essas informações. Prometheus já está operante, em vários lugares do mundo.

-Samantha tem família, amigos, algum contato que possa ser nosso ponto de partida? –uma névoa se formava toda vez que o morcego falava, era o frio.

-A família é toda da Califórnia... –o alien franziu as sobrancelhas tentando lembrar. –Se eu não me engano, ela comentou que estava saindo com um cara... Peter... Peter Friedman.

-Vamos rastrear ele agora mesmo.

Batman jogou-se da mureta do Sky High, plainando até o chão. O carro de combate estava conectado ao computador na caverna, o que facilitava a troca de informações.

-Busca em todas as bases de dados pelo nome Peter Freidman. –ele ordenou.

Em questão de poucos minutos, a tela no painel mostrava as informações principais. Engenheiro civil, 40 anos, um dos sócios da empresa DM and Building. O mapa mostrava a localização do celular, piscando na tela.

Peter estava saindo de um bar quando foi surpreendido e rendido pelos vigilantes, que o levaram até um prédio ainda em construção.

-Me diga Friedman, você facilitou o extravio do C4 meses atrás? –Superman cruzou os braços e a expressão fechada. –Que seria usado na demolição do antigo arco viário de Metropolis?

-Eu... eu não sei do que vocês estão falando! –ele levantou as mãos num sinal de rendição. –Essas coisas acontecem o tempo todo...

-Era sua obrigação como engenheiro responsável pelas demolições informar o desaparecimento de parte da carga. Por que não reportou? –o alien deu um passo a frente. –Quem levou o explosivo?

-Não pode ficar me acusando assim sem provas! –Peter mudou a postura e pegou o celular no bolso.

Agindo rapidamente, Batman jogou um batrangue, que danificou o celular, jogando-o no chão. E então venceu a distância entre eles e segurou o outro pelo coralinho.

-Minha paciência está se esgotando, então é melhor começar a responder antes que eu perca o controle. –seu tom de voz era baixo e ameaçador. –

-J-já disse que nã...

Foi interrompido por um forte tapa, que cortou seu lábio inferior.

-Último aviso. –o morcego apertou mais a gola da camisa.

-Assim que a e-empresa ganhou a licitação, um grupo de mercenários foi atrás de cada um dos quatro sócios e nos ameaçou. Deveríamos facilitar o roubo de C4 para eles em troca de nossas vidas e de nossos familiares. E-era sério, porque a mãe do Edward Stilinski foi morta quando ele recusou da primeira vez.

-Esses mercenários deram algum nome para vocês? Dava para identificá-los de alguma maneira? –Superman andava de um lado a outro.

-Não. Depois que conseguimos o explosivo, eles foram embora, libertando nossas famílias.-Peter tremia da cabeça aos pés no momento.

-Qual eu envolvimento com Samantha? –Batman observava o outro atentamente.

-Estávamos saindo apenas... nada sério.

A hesitação foi perceptível quando o assunto voltou-se para Samantha. O morcego então resolveu assustá-lo novamente, dessa vez jogando-o no chão com força. Não machucou gravemente, mas expulsou o ar de seus pulmões, deixando-o zonzo.

-Na verdade, todos foram liberados pelos mercenários menos eu. –Peter tossiu e piscou os olhos tentando focalizar a visão. –Disseram que tinham uma última missão para mim, era isso ou a morte. Precisava roubar um pendrive da Samantha e entregar a eles.

-Você chegou a ver o conteúdo? –o escoteiro azul parou de andar e foi até eles.

-Não, eu só queria me ver livre desses caras. Levei a vadia pra jantar e a embebedei, usando isso como desculpa, a deixei em casa. Foi então que consegui roubar o pendrive.

-Onde foi a entrega? –Batman não cedeu um milímetro sequer.

-Nas docas, perto do píer 4. Assim que eu entreguei o pacote a eles, os caras foram embora. –Peter respirou fundo. –Isso foi de madrugada, lá pelas três da manhã. Quando foi por volta de uma nove da manhã, o laboratório onde a Samantha trabalhava explodiu.

Segundos de silêncio entre eles, conforma a informação foi sendo processada.

-Eu já contei tudo que sei, me deixem ir embora... –o engenheiro choramingou.

-Ainda precisamos de uma última informação... –o morcego arrastou o outro até a borda do prédio.

-Por favor... –Peter começou a se urinar de medo.

-A DM and Building é uma empresa de fachada?! –Batman perguntou, o tom de voz mais alto e inquisitivo.

-Sim, sim porra! Pertencemos a um grupo de empresas, que pertence a outro grupo e que está dentro da Lex Corp! –ele berrou, as lágrimas molhando seu rosto e o nariz escorrendo. –Assim não pagamos tantos impostos e a margem de lucro é maior, é um cartel.

-Espero que goste de altura.

Os vigilantes deixaram Peter Friedman no prédio em construção, num andar que ainda estava sendo finalizado e portanto não tinha nenhum acesso direto, a não pelo andaime do lado de fora. E este balança perigosamente com os ventos fortes polares que assolavam a região leste do país nesse começo de inverno.

O silêncio era pesado dentro do carro, enquanto eles iam até o porto de Metropolis. As atividades no porto mudavam drasticamente durante o outono e inverno, devido ao congelamento da água nessa época. Aproveitando a troca dos guardas, Batman e Superman entraram na cabine de vigilância e começaram a vasculhar as gravações antigas. O cais 4 era uma das poucas áreas que ainda não havia sido modernizada, por isso não tinha muitas câmeras.

Conseguiram achar uma filmagem mal focalizada, que mostrava Peter entrando numa van preta e saindo segundos depois. A placa do veiculo estava coberta. A dupla deixou a guarita antes que o outro guarda chegasse.

Dali foram direto para a caverna, precisavam pensar e elaborar um plano.

-Você tem razão, isso está ficando cada vez mais complicado. –Bruce comentou, enquanto tirava a máscara. -Se a Samantha tinha com o código no pendrive, é porque já estava trabalhando para alguém.

-Ela pode ter hesitado e então mandaram Peter para terem certeza de que conseguiriam. Acho que é por isso que ela estava desesperada mexendo nos servidores durante a explosão. –Clark encostou-se na mesa ao lado dele.

-Quem contrataria esses mercenários? –o milionário franziu as sobrancelhas. –Se bem que... isso não é muito difícil se tiver os contatos certos.

-Lex Luthor. –ele disse o nome com verdadeiro nojo.

-E da onde você elaborou isso, Sherlock? Não temos nenhuma ligação direta entre eles.

-Eu estudei com aquele babaca durante a faculdade em Princeton, foram muitos anos de convivência e sei o que um sujeito como ele é capaz.

Bruce levantou-se da cadeira e encarou o outro.

-Precisamos mais do que seu ódio pessoal no momento.

-Lex é movido pela ambição de crescer cada vez mais, não importando os meios. Não é novidade que a empresa do seu pai utiliza mão de obra escrava em vários países. Além de ser um dos principais concorrentes da Wayne Enterprises. –Clark desviou o olhar.

-Tem algo além disso, não é?

O alien bufou e passou a mão no rosto.

-Nos conhecemos em um dos períodos mais vulneráveis que já passei, meu pai havia acabado de infartar e eu me mudei para muito longe... Devido ao trabalho em dupla, acabamos nos aproximando e viramos melhores amigos. Eu não percebia as jogadas de Lex porque o considerava como um irmão, mas foi manipulado o tempo todo. Só percebi a facada nas costas quando foi tarde demais... Um dos meus projetos havia sido roubado durante uma festa na república e fui acusado injustamente de estupro.

-Como assim? –o milionário levantou uma sobrancelha.

-Ao longo do tempo fui percebendo que Lex levava a nossa concorrência pelo primeiro lugar cada vez mais a sério... Era final do penúltimo semestre da faculdade e precisávamos entregar um grande projeto, que seria avaliado por empresas de verdade, nos dando a chance de sairmos empregados. Daí para nos distrairmos antes das provas finais, a república resolveu dar uma festa. Tinha muita bebida e uma das meninas passou mal. Levei Rebecca para o meu quarto, pra que ela pudesse descansar, só que ela era afim de mim e ficou me agarrando o tempo todo.

-E então?

-Com muito custo, consegui fazê-la dormir e desci pra festa. Dois dias depois, Rebecca me acusou de estuprá-la e meu projeto sumiu. Enquanto eu estava passando um verdadeiro inferno, tendo que provar minha inocência e tentar restabelecer minha honra, Lex começou a namorar com a garota e apresentou meu trabalho.

-Isso foi realmente um golpe baixo. –Bruce levantou as duas sobrancelhas.

-Acredite em mim, ele deveria estar de olho nessa tecnologia do Prometheus.

(...)

A neve caia silenciosamente, cobrindo a paisagem com sua brancura. Enquanto isso, Clark trabalhava incansavelmente no computador da caverna afim de quebrar o código de ativação usado por Samantha.

A pista sobre os mercenários acabou levando Bruce ao Beco do Crime em Gotham, que depois de algumas perguntas e ossos quebrados, revelou-se falsa.

Não poderiam sair por ai sem um plano definido, a estratégia de batalha nesse momento era o ponto principal. Qualquer erro e poderiam chamar atenção indevida. Nisso, os dias foram passando lentamente.

Bruce acordou berrando e suando frio novamente, a camisa velha colada no peito e a pele toda arrepiada. Os pesadelos estavam cada vez mais freqüentes e reais. As memórias confundiam-se com seus medos e tudo que lhe restava era assistir o assassinato de seus pais inúmeras vezes. E sentir-se impotente em todas.

Ele olhou lá fora, um verdadeiro deserto branco. Toda a vegetação na mansão e aos arredores, completamente despojada de suas folhas verdades, restando apenas os galhos secos. Aquele era o único dia do ano em que desejava não acordar pra viver de novo.

Tentando controlar os tremores que ainda assolavam seu corpo, ele foi andando até o banheiro, onde tomou um banho quente e demorado. Mais calmo, voltou ao quarto vestindo seu robe felpudo e cuecas limpas, encontrando Clark parado na porta.

-Pode entrar. –o milionário resmungou, enquanto abria o armário.

-Eu... eu trouxe bolo. –o cientista ajeitou os óculos. –De chocolate.

-Não precisava.

Sem importar-se, tirou o robe e começou a vestir-se ali mesmo, ignorando o olhar curioso e tímido do outro. Tinha plena noção de seu corpo era coberto por diversas cicatrizes, algumas grandes, outras pequenas...

O que Bruce não desconfiava era que Clark estava prestando mais atenção no movimento dos músculos, na compleição atlética e no volume...

-Então... –o alien tossiu algumas vezes, virando-se de lado e ajeitando os óculos novamente. –É... Alfred está chamando.

-Ok.

Era perceptível as olheiras e falta de brilho nos olhos do humano. Eles desceram as escadas e foram até a cozinha onde Alfred tomava um chá quente. Com a ameaça de nevasca pairando sobre Gotham e Metropolis, todos os empregados da mansão ficaram em suas casas, até o tempo melhorar e as estradas ficarem acessíveis.

-As flores já chegaram e o caminho foi limpo. –o mordomo informou. –Deseja companhia senhor?

-Sim, por favor.

O trio foi andando lentamente até chegarem aos fundos da mansão, onde havia dois túmulos embaixo de uma grande árvore.

Thomas e Martha Wayne.

Mais um aniversário de morte. Mais um ano sem suas presenças radiantes.

Alfred depositou as flores com cuidado e limpou as lágrimas com um lenço. A dor que atravessava seu coração no momento era descomunal. Ficaram alguns minutos em silêncio, apenas o vento uivando.

-Obrigado Alfred. –Bruce o abraçou. –Vou ficar ainda mais um pouco.

-Caso precise de mim, estarei nos meus aposentos.

Ali, diante do túmulo de seus pais, ele sentia-se novamente uma criança de 10 anos. Respirou fundo e tentou segurar, mas era impossível. As lágrimas romperam e molharam seu rosto, o peito apertando em agonia.

Clark sabia muito bem o que o outro estava sentindo, era uma dor que nunca ia embora de verdade, alternando entre períodos mais calmos e mais freqüentes. Não sabia o que fazer para ajudar Bruce no momento, o milionário era o puro retrato da desolação.

Aos poucos, mais neve foi caindo, cobrindo as flores depositadas nos túmulos.

You're a shooting star I see / A vision of ecstasy

When you hold me, I'm alive/ We're like diamonds in the sky

Durante o resto do ano, Bruce iria engolir toda sua dor e seguir em frente, como sempre fez. Combater o crime e trazer Justiça. Porém, naquele dia em especial era quando permitia-se ser fraco, vulnerável, até mesmo patético na visão de alguns. Mergulhava fundo na sua dor e chorava tudo o que segurava até então.

Não sabia explicar porque essa ferida doía de maneira tão fresca, como se a morte deles tivesse acontecido ontem. Então apenas sentia.

O nervosismo ia crescendo no peito de Clark, conforme ele via o sofrimento de Bruce. Era uma espécie de ritual de purgação, onde extravasava tudo de uma vez só. Sabia que era um momento íntimo, porém não conseguiu agüentar por muito tempo. Havia encontrado no milionário um amigo, um apoio seguro num monte de questionamentos que era sua existência. E o desejo de ser o apoio para ele cresceu de maneira avassaladora em seu coração.

O cientista era um solitário porque isso fazia parte de sua natureza, sem pertencer a nenhum lugar, mas tendo o melhor dos dois lados. Porém Bruce resolveu optar por isso porque toda a sua luz foi arrancada brutalmente. Toda a inocência e doçura infantil sendo distorcida num amadurecimento em apenas uma noite.

So shine bright, tonight, you and I / We're beautiful, like diamonds in the sky

Eye to eye, so alive / We're beautiful, like diamonds in the sky

A neve caía com força, impedindo que vissem alguns metros a frente, apesar do vento continuar fraco. Bruce estava definitivamente mais calmo.

Virou-se para falar com o outro, sendo surpreendido pela intensidade do olhar de Clark, os óculos guardados no bolso da jaqueta jeans. Dessa fez o arrepio não foi de medo... pelo contrário. Ao encarar aqueles orbes de um azul completamente único, sentiu-se mais seguro do que nunca. Estava escrito bem ali, que Clark seria capaz de enfrentar qualquer coisa.

A esperança que tanto dizia estar morta começou a crescer timidamente em seu coração a cada dia, conforme foi se aproximando dele.

Clark sentia seu rosto enrubescer, mas não deixaria a timidez vencer. Diminuiu a distância entre eles e o beijou. Não sabia dizer exatamente o porquê da sua atitude, mas sentiu que era certo.

Os lábios encontraram-se apenas superficialmente, sem as línguas. Contudo, foi intenso, durando alguns segundos.

I knew that we'd become one right away / Oh, right away

At first sight, I felt the energy of sunrays / I saw the life inside your eyes

Eles mantiveram os olhos fechados, mas encostaram as testas.

-Eu estou bem aqui. –Clark sussurrou.

-Obrigado. –Bruce limpou as lágrimas e respirou fundo.

-O que acha de entrarmos para comer o bolo e tomar café?