Capitulo 08

-Eu realmente não sei como você me convenceu a isso. –Bruce comentou, enquanto sentava-se no lugar marcado.

Clark apenas exibiu um sorriso largo e deu de ombros. O Madison Square Garden estava lotado, a noite prometia um jogo emocionante: New York Rangers contra Chicago Blackhawks.

O cientista havia conseguido pares de ingressos e arrastou o milionário até a cidade de Nova York para ver o jogo de hockey do seu time favorito. Estava claro que Bruce sentia-se deslocado ali, com tantas pessoas barulhentas ao seu redor, esperando o jogo começar.

Para evitar ser reconhecido, vestia um gorro, calças jeans e botas. O casaco era maior e folgado, porque pertencia a Clark e escondia completamente seu corpo. Não fazia a mínima idéia de que estava muito sensual vestindo algo mais casual.

-É a primeira vez que você vai a um estádio né? –o cientista admirava o outro.

-Meus pais eram mais clássicos, até mesmo nos esportes. Afinal, eu pratiquei esgrima. –ele olhava ao redor. –Nada de futebol, baseball e hockey...

-E o que vocês assistiam juntos então?

-Ópera, teatro, ballet...

-Isso deveria ser muito entediante para uma criança. –Clark conferiu o relógio. –O jogo vai começar agora, estamos no setor dos Rangers ok? Por mim, você é livre para torcer pelos Blackhawks, só cuidado pros outros não te ouvirem.

Bruce ficou encantado com o jogo, o modo com os atletas conseguiam ser tão rápidos e precisos patinando sobre o gelo. Levou alguns sustos quando haviam encontrões fortes e as coisas começavam a ficar mais sérias.

O melhor de tudo foi o ver o brilho nos olhos do outro, o modo passional como torcia e incentivava o time, batendo palmas e berrando o nome dos jogadores. Estava completamente à vontade ali e fazia comentários explicando as estratégias.

Ao final, Rangers ganharam e o estádio foi à loucura, com todos vibrando e pulando. Do lado de fora, pediram cachorros quentes e batata frita numa barraca no outro quarteirão.

-Isso é realmente muito gostoso! –Bruce comentou, terminando de mastigar.

-Agora você sabe como é emocionante ser um plebeu.

Clark riu e ajeitou os óculos. Vestia boné, blusão de manga comprida dos Ranges, jeans e tênis. Desde a noite que passaram juntos, vinham se esforçando para conhecerem um ao outro, como um casal.

Agora caminhavam para a estação de trem de mãos dadas, onde voltariam para Metropolis, as ruas decoradas com motivos natalinos. Sentiam-se tão felizes juntos, que era como se estivessem numa pequena bolha e todos os olhares feios não importavam, nem alguns xingamentos ocasionais.

Eles confundiam-se na multidão de Nova York e naquele momento eram iguais aos outros, nada de poderes, capas...

O trem de volta demorou meia hora e assim que desceram na estação, foram para o apartamento do cientista. Clark não perdeu tempo e empresou o milionário contra a parede, beijando-o intensamente. Agora que finalmente estavam sozinhos, poderia fazer o que vinha desejando a noite inteira.

Sempre foi conhecido por ser tranqüilo e calmo, porém existia algo em Bruce que fazia tudo isso ir por água abaixo. Algo primitivo nascia no lugar, uma necessidade de urgência maior do que jamais sentiu antes.

Por isso, ele segurou o outro pela gola do casaco e o conduziu até o sofá, que era grande e de couro. Clark era guiado apenas por um pensamento e iria colocar em prática. Usando de sua força, ele girou o humano, deixando-o de bruços e puxou sua calça jeans.

-O que pretende fazer? –Bruce perguntou, olhando por cima do ombro.

-Te enlouquecer.

Sem mais delongas, o alien afastou as nádegas do outro e começou a lamber a entrada do canal. O milionário gemeu de prazer e arranhou o sofá, enquanto levantava a pelve, garantindo um melhor acesso.

Surpreendeu-se quando sentiu o dedo do meio de Clark entrando. No começo, Bruce ficou hesitante porque era uma experiência nova, mas relaxou enquanto seu pênis era tocado ao mesmo tempo.

Olhou novamente por cima do ombro e viu que a necessidade, a intensidade era tão forte que até mesmo escureceu os olhos azuis do outro. O humano soube que naquele momento era apenas uma marionete sendo manipulado numa tortura prazerosa.

Mordeu o lábio inferior e deixou-se levar, não protestando quando o ritmo mudava. A próstata era estimulada, depois do dedo saía e então a língua voltava. A mão masturbava rapidamente, depois focava nos testículos ou apenas no prepúcio.

Bruce gemia, afundando o rosto nas almofadas e o quadril completamente erguido, deixado ser usado, tocado, abusado. E ele de fato enlouqueceu, gozando forte e sujando a mão de Clark.

Virou-se no sofá a tempo de ver o cientista levando a mão à boca e lambendo o gozo como se fosse a coisa mais gostosa do mundo, depois a língua passou pelos lábios. Por ainda estar usando óculos, a imagem mais retraída e tímida criada foi completamente pervertida ali.

O humano puxou o alien pela gola da camisa, aproximando-o a força, enquanto fechava as pernas ao redor da cintura dele, sentindo o membro duro por baixo do jeans dele.

-Você está duro como aço... –Bruce murmurou. -Anda logo e me fode.

-Não posso... –ele respirou fundo e fechou os olhos. –Posso perder o controle. Não quero te machucar.

-Precisamos discutir de novo sobre isso?

-E-eu...

-Cala a boca.

Bruce empurrou o outro e levantou-se do sofá. Sem pressa, subiu a cueca e fechou a calça jeans. Depois pegou a toca no chão e caminhou até a porta do apartamento, parando no meio do caminho. Trocaram olhares pela última vez e então o milionário foi embora.

Clark tirou os óculos e passou a mão no rosto, bufando. Seu membro ainda latejava e implorava por alívio, mas ele ignorou suas vontades no momento. Era muito difícil conseguir relaxar o suficiente para ser o ativo. Sabia como poderia ser perigoso caso perdesse controle, um aperto mais forte, uma estocada mais funda e poderia não ter volta...

O cientista ficava chateado com todas as regras criadas pelo outro sobre como deveriam se comportar em público, tomar cuidado com as demonstrações de afeto, usarem disfarce e evitarem lugares onde a imprensa poderia estar.

Mas ele também sabia que era chato privar o outro de poderem trocarem de posições, de revezarem...

(...)

Na manhã seguinte, Bruce estava na cozinha, tomando seu café da manhã quando recebeu uma ligação desesperada de Lucius Fox pedindo para que ele ligasse a televisão.

Ainda com o celular no ouvido, ele caminhou até o escritório rapidamente e ligou o aparelho. Era uma daquelas conferências realizadas na Casa Branca quando o governo precisava informar a população de alguma medida.

Amanda Waller subiu ao palco determinada, era uma feroz mulher negra por volta na casa dos quarenta anos.

-É de conhecimento mundial de que temos um alien entre nós, mais conhecido como Superman. –ela pronunciou o nome com certo nojo. –Por enquanto, essa criatura tem se mostrado amistosa e gentil com os humanos, auxiliando por todo mundo, apesar de não termos pedido ajuda nenhuma. A questão é: até quando ele irá permanecer do nosso lado? Quais são seus interesses?

Ela fez uma pausa, deixando as questões pesarem na consciência de todos que a ouviam.

-A própria permanência de Superman em nosso planeta é perigosa. Quem pode garantir que outros alienígenas não venham também? Aprendemos que o universo é mais vasto que imaginávamos e precisamos estar preparados para qualquer ameaça que possa surgir.

-Esse discurso é perigoso demais Wayne. –Lucius comentou do outro lado da linha. –É uma declaração de guerra contra quem?

-Essa é uma realidade que precisa ser encarada, não há como fugir. E nós humanos também precisamos nos preocupar com nossos semelhantes, afinal Batman está por ai, criando sua própria justiça. A soberania do Estado não pode ser contestada por poderes paralelos como eles, sejam aliens ou humanos. Devido a isso, o governo decidiu criar uma força-tarefa junto com Lex Corp. Andróides que serão controlados por agentes federais, caso algum desses vigilantes como Superman e Batman, ou quem mais apareça, resolvam ir contra as leis da Constituição.

Amanda desceu do palco e evitou a chuva de perguntas dos repórteres.

-Já estou indo para a empresa, me espere na minha sala. –Bruce disse, antes de desligar.

O coração dele batia freneticamente no peito, a mente tentando processar o que tudo aquilo significava. Não era muito difícil entender o recado que deveriam agir sob ordens, ou então seriam considerados criminosos.

Mesmo sob os protestos de Alfred, que insistia para que o patrão terminasse de comer, ele pegou suas coisas e foi para a empresa de Lamborghini. Lucius já agaurdava, andando de um lado a outro.

-Lex Corp aliando-se ao governo é pior do que um pesadelo. –ele passava a mão na testa.

-A questão é saber como esses andróides serão produzidos. –Bruce encostou-se à mesa.

-Eles trabalham principalmente com tecnologia bélica, disfarçada de segurança. Eu tenho medo de onde isso vai nos levar...

-Para evitar uma queda nos lucros, precisamos aumentar nosso mercado e cobrir as partes que a Lex Corp deixará em aberto, porque estarão ocupados com o governo. –o empresário coçou o queixo. –Encomende uma pesquisa de mercado e vamos iniciar um plano de ação.

Lucius deixou a sala e então Bruce ligou para Clark.

-Precisamos conversar. –ele disse assim que o outro atendeu.

-A-andei pensando melhor e... você tem razão. Eu...

-Me encontre naquele restaurante italiano em Downtown às duas horas.

-Ok, estarei lá.

(...)

No horário combinado, eles se encontraram no restaurante. O ambiente era bem aconchegante e familiar, com a melhor pasta caseira da cidade. Sentaram-se mais aos fundos, longe das janelas.

-Luthor usou nossa tecnologia para desenvolver andróides, aquilo que vimos era uma espécie de protótipo. –Bruce ajeitou o guardanapo de pano ao colo. –Usando de medo e especulações, ele conseguiu que o governo financiasse sua pesquisa.

-Isso é um convite. Ele está nos testando, nos provocando a cometer um erro. –Clark prendeu o guardanapo na gola do suéter que usava. –Não adianta me olhar com essa cara, ok? Eu sempre me sujo com o molho.

Assim que o pedido chegou, eles começaram a comer.

-Devemos ser mais cuidadosos do que nunca. –o milionário bebericou o suco. –Não sabemos aonde isso vai chegar.

-Eu acho que devemos ir a público, dar o primeiro passo. –o cientista gesticulava com os talheres à mão. –Isso tudo está acontecendo porque não demos espaço para que os outros soubessem dos nossos interesses. Eles estão com dúvida, assustados.

-O que pretende? Uma entrevista coletiva? –ele levantou a sobrancelha.

-Só estou dizendo que poderíamos evitar muitos problemas se abríssemos um diálogo. Não podemos deixar que nos vejam como uma ameaça.

-Eu não pretendo que coloquem uma coleira em mim e me forcem a servir esse governo corrupto. –Bruce terminou de comer. –O que busco é a Justiça e isso está acima de qualquer país ou bandeira.

Clark também terminou de comer e colocou o guardanapo na mesa, respirando fundo.

-Não estou dizendo que devemos ser capacho do governo e sim trabalhar junto dele em prol das pessoas.

-Não confio em instituições falhas como governos, religiões... –ele estava sério, as sobrancelhas franzidas.

-Espero que isso não seja uma indireta sobre a nossa situação. –o alien colocou mais suco no copo. –Sinto que você está mais distante do que nunca.

-Eu acredito em nós, estou apenas puto com você.

-Por que?

-Sinto que você não confia em mim totalmente, apesar de ter demonstrado de todas as maneiras que conheço, que você pode... que deve confiar. –Bruce cruzou os braços. –Sei exatamente os meus limites e até onde posso ir. A dor tornou-se algo com que convivo diariamente, não tenho medo.

-Eu não confio é mim mesmo! –Clark ajeitou os óculos. –Não deixe que minha aparência te engane, eu sou um alienígena. Porra, devo ser a criatura mais forte nessa parte da galáxia. Uma pressão mais forte e eu quebro você em pedaços.

-Acima disso tudo você é racional e não um monstro verde guiado por instintos.

O cientista riu e tirou os óculos, massageando a ponte do nariz. Encarou o outro e sabia que aquilo não terminaria enquanto ele não tivesse o que queria. Bruce poderia ser muito mimado e egoísta quando queria.

-Você não faz idéia do que desperta em mim, Bruce... da urgência, da necessidade, do desejo... –ele colocou os óculos de novo. –Já é arriscado demais o fato de estarmos nos relacionando. Não puxe os limites ainda mais.

-Você perde muito tempo se preocupando com isso, enquanto poderia estar me fudendo. –o milionário sorriu maliciosamente e levantou-se para pagar a conta.

(...)

Os jornalistas praticamente se cotovelam para conseguir um bom lugar, afinal não era todo dia que algo daquela magnitude acontecia. Superman e Batman estavam de pé em frente às escadarias que levavam a Corte.

Civis rodeavam o local, todos interessados no que os vigilantes iriam dizer. Alguns seguravam placas de protesto, outros apoiavam. Contudo, todos ficaram em silêncio quando Superman levantou as mãos, chamando a atenção.

-Essa é uma mensagem para toda a humanidade. O planeta onde nasci estava entrando em colapso, e antes que explodisse, meus pais biológicos decidiram me dar uma nova chance e fui mandado embora. Minha nave caiu aqui na Terra e tive sorte de ser encontrado por um casal muito amoroso. Apesar de ser um alienígena, eu fui criado como um humano, cercado das dores e das alegrias que cercam a vida de todos aqui. Entendo o desespero que sentem, o medo do desconhecido e a dúvida em relação ao futuro.

Ele fez uma pausa e deixou que seus olhos corressem pela multidão a sua frente. Mais do que nunca deixou que seu coração falasse mais alto.

-O que eu mais desejo é mostrar a todos que podemos ser melhores, podemos sonhar com um mundo mais justo e igualitário. Onde todos os humanos sintam esperança de um amanhã melhor, que existe uma maneira de superar os problemas. Eu vim de um mundo decadente e que enfrentou seu fim. Agora tenho a chance de estender esse conhecimento a vocês e caminharmos juntos para um futuro diferente, melhor.

-Está ligado a algum partido? –um dos repórteres perguntou.

-Minha ajuda é oferecida a todos que quiserem, independente de qualquer padrão social. –ele esboçou um sorriso. –Quando procuramos entender o outro, quando escutamos o que o outro tem a dizer, percebemos que não somos tão diferentes.

Superman afastou-se do microfone e deixou que Batman tomasse seu lugar.

-Muitos podem criticar meus métodos e dizer que sou apenas um louco vestido de morcego. Mas o que na verdade eu sou, é um homem que venceu seu maior medo e usou isso como força para combater a injustiça. É para mostrar a todos que não podemos nos deixar paralisar, que sempre é tempo de lutar pelo que é certo.

-Você aplica sua própria justiça? –outra repórter levantou a mão.

-Nem sempre o sistema funciona como deveria. O que faço é mostrar que mesmo policiais corruptos não estão impunes, alguém está observando. Eu não aplico a lei, só mostro que a verdade é impossível esconder.