Capitulo 09

No hemisfério norte a primavera já estava o seu auge, colorindo e perfumando tudo ao redor... E o mundo ainda continuava digerindo aquela coletiva de imprensa.

Meses após e a onda não dava sinais de ceder tão cedo. Cada um aproveitou a situação da forma como achou mais conveniente... Indústria e comércio viram uma forma excelente de vender vários produtos com a imagem deles, apesar de os vigilantes já terem dito que não apoiam essa iniciativa. Mas sabe como é... a máquina precisa continuar girando, nada pessoal.

Os líderes mundiais não chegavam a nenhuma chance de acordo entre eles, afinal Superman e Batman não estavam infringindo nenhuma lei e era difícil ir conta a opinião popular, que em sua grande maioria os apoiava. Eles inspiravam milhões de pessoas, trouxeram um pouco mais de esperança e o senso de justiça que parecia morto a tanto tempo.

O planeta estava sedento deles e por enquanto, enquanto não se posicionavam diretamente contra o interesse de ninguém, estava tudo certo, tinham muito trabalho a fazer. Poderiam continuar brincando de festa a fantasia o quanto queriam.

Contudo, nem tudo eram flores, principalmente no país de onde surgiram. O governo americano já estava implementando a segunda fase da Operação Skyfall. Os androides haviam sido um sucesso nos testes na capital Washington e em Nova York, realizando seu trabalho com maestria.

Amanda Waller anunciou que mais lotes dos androides estavam sendo finalizados e seriam mandados para todos os grandes centros populacionais do país, afim de manterem um padrão uniforme de atendimento aos cidadãos. Os debates nas redes sociais e nos meios de comunicação estavam muito inflamados, devido a divisão de opinião.

Era fato de que os androides haviam sido uma boa alternativa e que realizavam as tarefas com eficiência... além de estarem mais perto dos civis do que os novos ícones pop.

Neste exato momento Bruce passava a mão no rosto, enquanto respirava fundo. As negociações com os coreanos havia sido mais difícil do que imaginava, mas após horas de conversa, conseguiram chegar a um denominador comum que agradece ambos lados.

Sentia a dor de cabeça pulsando por trás dos olhos. O volume de trabalho aumentou consideravelmente nos últimos meses, o mercado estava louco. Tudo reflexo da aparição do Batman. Era nesses momentos que tinha vontade de xingar a si mesmo, era praticamente impossível encontrar um ponto de equilíbrio entre seus dois lados.

Estaria lutando contra si mesmo por toda sua vida e isso apenas o deixava cansado. As últimas semanas haviam sido complexas, muitos contratos, muitas reuniões, parecia não ter fim. Preferia enfrentar bandidos na rua do que ter que agradar outro diretor babaca.

Bruce engoliu um comprimido bebendo um suco de laranja e deixou a empresa, despedindo-se dos seguranças que guardavam o prédio. O patrão foi a última pessoa a sair, como sempre.

Lá fora a lua brilhava magnifica no céu, a noite estava fresca e convidava para um passeio. Mesmo sabendo que precisava acordar cedo no dia seguinte, de novo, o milionário parou alguns instantes num mercado gourmet e fez algumas compras. Pelo horário, sabia que Clark estava em casa.

Seguiu para o apartamento do outro e abriu a porta sem pensar duas vezes, afinal tinha as chaves há algum tempo. Encontrou o cientista largado no sofá apenas de cueca, o laptop ligado na mesa de centro, vários papéis empilhados ao redor. Clark dormia profundamente, a boca aberta, os óculos tortos no rosto, o cabelo bagunçado.

Bruce guardou as compras na geladeira e tirou a gravata. Ele sentou na mesa de centro e passou a mão no rosto do outro, o que acabou acordando-o.

-Eu... -piscou algumas vezes, até acordar completamente. -Bruce!

O alien não deu tempo para o outro formular nenhuma resposta. Estava com tanta saudade que praticamente saltou do sofá nos braços do milionário, beijando-o intensamente. Fazia algum tempo que não se viam e qualquer momento que passavam juntos era sempre intenso.

Sem mais delongas, foram para o chão, sem roupas. Amaram-se com urgência, os corpos estremecendo com cada toque. Algumas horas depois, estavam ofegantes deitados, olhando para o teto. Clark fazia carinho nos cabelos bagunçados cheio de gel de Bruce, sentindo ainda seu corpo vibrar de prazer. Nunca iria se cansar se sentir o outro penetrando, era indescritível.

-Trouxe aquela cerveja belga que você adora e pacotes extra-grandes de batatinhas. -o empresário comentou, sentando-se.

-Perfeito! Acabei de baixar The Godfather.

Eles ficaram abraçados na cama assistindo o filme, comendo e bebendo enquanto comentavam algumas cenas. Acabaram pegando no sono e acordaram na manhã seguinte com o despertador de Clark tocando.

A rotina no STAR Labs começava cedo, deixando o milionário resmungando de sono na cama, ele foi se arrumar. Antes de sair, arrumou a mesa do café da manhã e deu um beijo de despedida.

Após a explosão do antigo laboratório onde trabalhava, várias pesquisas foram encerradas e Clark precisou ser realocado. Acabou sendo chamado para a STAR Labs, uma das maiores redes de laboratórios do mundo, com filiais em vários lugares do mundo.

Agora ele integrava uma equipe responsável por descobrir meios de baratear os custos na produção de equipamentos médicos de diagnósticos. Era uma área completamente diferente do que estava acostumado, mas aceitou o desafio.

Com o tempo, foi ficando mais íntimo da equipe e precisou lidar muitas vezes com a sua desconfiança. Depois do problema com Samatha, era um exercício constante estar novamente em uma situação parecida e não tentar antecipar as reações dos outros.

-Ai, Grandão... -James aproximou-se com um sorriso no rosto. -O jogo de sexta vamos assistir na sua casa ou na minha?

-Olha... -ele tentou lembrar se tinha marcado algo com Bruce. -Tanto faz, contando que tenha aqueles enroladinhos, eu estou dentro!

-Mas é claro! -o outro piscou. -Dessa vez Camila vai estar de folga, então pode ser lá em casa.

James era um dos cientistas, brilhante físico e casado com Camila Johnson, fisioterapeuta. Ambos torcedores fanáticos do Denver Broncos. Apesar de não ser um dos melhores times, Clark torcia para o Kansas City Chiefsdesde criança. Depois de uma conversa casual durante o almoço, o alien descobriu que o colega também curtia esportes. Desde então, aproximaram-se mais e combinavam de ver jogos juntos, comentando sobre as tabelas e a atuação dos times, principalmente de futebol americano e hockey.

-Perfeito. Eu levo as cervejas então. -Clark vestiu o jaleco. -Já saíram os resultados dos testes de resistência?

-Terminando agora mesmo, já pode chamar a equipe pra discutirmos. -James estalou os dedos.

Clark não tinha do que reclamar do novo ambiente de trabalho. As pessoas eram muito boas no que faziam, não havia muitos problemas na equipe e a verba disponível era suficiente para atender a todas as necessidades.

Como prometido, não demorou muito para terem os primeiros resultados dos testes e reuniram-se junto aos departamentos de Biologia e Física para avaliarem juntos as estratégias que poderiam ser aplicadas dali em diante.

Assim que terminou o expediente no laboratório, Clark foi direto para casa, estava muito cansado e ainda precisava terminar seu relatório sobre as atividades mensais. Ligou a televisão e começou a colocar a roupa na máquina. Prestava atenção no noticiário da noite enquanto o jantar para esquentava no forno e surpreendeu-se com a chamada após o intervalo.

-O famoso geneticista Kirk Langstrom encontra-se em estado grave no Hospital, sua casa foi assaltada no final dessa tarde. Ainda não se tem informações sobre o que foi levado, a polícia está investigando o caso.

O alien deixou as coisas de lado e foi procurar mais informações na internet. Durante o período que estudou em Princeton ele e Kirk foram vizinhos de dormitório e tinha uma relação bem amigável.

O sistema interno de segurança da casa filmou toda a ação, apesar dos três ladrões estarem encapuzados, conheciam bem a rotina do cientista e o pegaram desprevenido. Apesar de sua carreira brilhante, ele não tinha muitos amigos e costumava sair pouco. Clark franziu as sobrancelhas e foi terminar suas tarefas domésticas, apesar de ainda ficar pensando na notícia.

No dia seguinte, o clima no STAR Labs não era um dos melhores, muitas pessoas conheciam e admiravam o trabalho de Kirk e torciam para que ele se recuperasse rapidamente. Clark seguiu com seu trabalho como sempre, tomando cuidado para não chamar atenção. Quando terminou o que estava previsto para o dia, ele despediu-se da equipe e foi para casa.

Ou pelo menos foi o que todos acharam. A verdade era que ele trocou de roupa e então foi até a cena do crime como Superman. De tanto trabalhar com Batman, acabou assimilando algumas manias do parceiro e seu modo de examinar o local.

A casa estava completamente revirada, todos os móveis abertos e fora de lugar, o sofá e almofadas rasgados. Usando seus poderes, conseguiu detectar que o telefone fixo estava grampeado e que tinha uma escuta na sala. Por sorte, estava flutuando e não fazia barulho.

Ainda pairando, subiu as escadas e verificou os outros cômodos estavam na mesma situação, revirados. Havia um rastro de sangue no quarto, que continuou até o escritório, como se Kirk tivesse sido arrastado.

A cena era muito caótica, mas Superman percebeu que faltava computadores na casa. As jóias ainda estavam no cofre, broches de ouro com o brasão da família Langstrom, além de passaporte e alguns documentos. Enquanto vários pensamentos passavam pela sua mente, ele prestou atenção nos papéis que encontravam-se espalhados pelo escritório.

Grande parte era apenas relatórios de campo e análises de laboratório. Kirk era um dos maiores geneticistas da atualidade, sendo responsável por várias descobertas a respeito do genoma humano. Ficou conhecido por sua opinião polêmica a respeito de apoiar pesquisas com células-tronco e modificação genética.

Superman continuou avaliando os papéis, mas não acabou encontrando algo realmente relevante. Mesmo assim, levou um relatório consigo afim de examiná-lo depois. Deixou Metropolis para trás voando e foi direto para a caverna de Batman. O morcego estava ocupado fazendo alguns testes.

-Pelo visto temos um novo distribuidor de metanfetamina na cidade. -o morcego comentou, esfregando os olhos. -Acabei de analisar esses cristais azuis que encontrei sendo distribuídos por aí.

-Você parece cansado. -o escoteiro azul aproximou-se.

-O trabalho na empresa está mais estressante do que nunca. -ele resmungou, jogando-se na cadeira.

-Sinto sua falta. -o alien tocou o rosto do outro.

Bruce tocou sua mão e depois voltou a trabalhar, digitando rapidamente no computador.

-Andei pesquisando e percebi que esse novo lote de drogas está sendo produzido do outro lado do país. Em estados como Novo México e Texas é caso de saúde pública. -ele continuou focado. -Estou tentando achar uma possível rota de distribuição.

-James e Camila me chamaram para assistir o jogo na sexta na casa deles... quer ir comigo? -Clark encostou-se na mesa.

-Não está prestando atenção no que estou falando? É importante. Provavelmente temos um cartel mexicano entupindo jovens com drogas e você está pensando em encontros duplos? -o humano franziu as sobrancelhas e virou-se para encará-lo.

-Só estou tentando achar um jeito de fazer nossa relação dar certo. Combater o crime é muito mais fácil do que nos vermos. -o alien deu de ombros, cansado. -Estamos sempre cheios de compromissos, preocupados com outras pessoas... e quanto a nós?!

-Acho que estamos conseguindo levar muito bem.

-Você considera que dormir juntos praticamente a cada quinze dias seja suficiente?! Eu tenho tentado de todas as maneiras que eu conheço de manter nosso amor aceso, mas não podemos ir a qualquer restaurante, sair em público só se você estiver disfarçado, tudo sempre tem que ser escondido.

Bruce levantou-se e respirou fundo.

-Você sabe muito bem que não posso sair assumindo nosso relacionamento em público, isso nos traria mais problemas do que solução. Eu te amo e isso deveria bastar.

Clark beijou-o de surpresa, não dando tempo para que o humano reagisse. Não queria passar o pouco tempo que tinha brigando, mas era inevitável. Contentar-se com tão pouco era algo que não estava preparado. A única coisa que acalmava agora seu coração agoniado era sentir o corpo do outro tão perto.

Em poucos minutos, Bruce estava quase deitado na bancada, ambos ainda vestindo os uniformes, porém as calças abaixadas, com os membros se roçando. Ele prendeu a respiração ao sentir sendo penetrado por um dedo, sem qualquer aviso prévio. Mordeu o lábio inferior e relaxou aos poucos, gemendo.

No fundo, Clark estava morrendo de medo. Medo de perder seu parceiro, seu amor. De que seu pequeno paraíso seria destruído e não poderia fazer nada para impedir. Esse sentimento cresceu cada vez mais, obscurecendo sua razão aos poucos, tomando conta do seu coração por completo. Então ele aumentou a intensidade dos beijos e colocou mais um dedo. Tinha que fazer alguma coisa para impedir que o outro fosse embora.

Ao ouvir os gemidos ficando mais intensos, sabia que estava no caminho certo. Seus instintos agora eram animalescos, brutais e primitivos, misturados ao medo e a ansiedade. Devido a sua fisiologia, o alien produzia mais fluidos do que um humano, sendo assim não precisava se preocupar muito com lubrificação. Quando percebeu que Bruce estava estimulado o suficiente, escorreu seu pênis pelo canal.

No começo, a resistência era muito grande, mas não deixou de continuar dando prazer, masturbando o milionário e beijando-o. Bruce franziu as sobrancelhas com a nova experiência, aos poucos sentindo que estava dilatando, apesar de ainda não ser o suficiente. A lubrificação excessiva do outro ajudava, porém ainda sentia dor.

As primeiras estocadas foram muito desconfortáveis e ele apertou os braços musculosos do outro com força, respirando ofegante. Acostumou-se com a movimentação e enlaçou as pernas na cintura de Clark, não deixando-o sair. O posicionamento ajudou e o pênis foi mais fundo, arrancando gemidos de Bruce. O prazer começou a surgir aos poucos, conforme sua próstata era estimulada.

Clark abraçou-o ao ver que estava começando a fluir melhor, ambos relaxando e sentindo prazer. Entre gemidos e arranhões, as estocadas foram ficando mais ritmadas e rápidas, a bancada tremendo com a movimentação deles. Bruce sentia seu corpo inteiro em curto-circuito, dor e prazer ao mesmo tempo, mas não queria que parasse.

Mexia seu quadril e deliciava-se ao sentir toda a extensão do outro dentro dele, aquela grossura preenchendo-o por completo. Agarrou-se a capa vermelha e berrou de prazer, seu ponto sendo atingido em cheio, uma onda forte de prazer tomando conta de toda razão. Clark segurou-o e sem esforço, desceu para o chão, que trincou com a força que ele fez.

Bruce sabia que estava flertando com a morte naquele momento, literalmente. Sentia que suas pernas poderiam quebrar-se a qualquer instante, devido à pressão e o peso que sustentavam, os pulmões ardiam por não conseguirem oxigênio suficiente, seu canal ainda doendo muito. Mas ele não se importava.

Clark rasgou o uniforme do outro com as mãos, estourando as placas de kevlar como se não fossem nada, depois devorou aquela pele branca por baixo, mordendo-o e lambendo. Sentia o gosto metálico do sangue de Bruce, porém o único desejo que tinha era de ir mais além, precisava de mais. Movimentava-se agora com mais força, penetrando-o com toda sua extensão, as pelves se chocando.

O milionário sentia que estava chegando ao seu limite, tanto de dor quanto de prazer. Simplesmente não conseguia ter nenhuma reação, estava inebriado pelas sensações, totalmente entregue. Ignorava os apelos de seu corpo, que gritava por alívio. Acabou rindo ao perceber o quão masoquista era.

O alien sabia que precisava recuperar o controle, porém não tinha como ignorar como era delicioso ver o outro entregando-se daquela maneira, deixando-se ser violado de todas as formas. Sabia que estava infringindo prazer e dor, tanto ao humano quanto a ele mesmo. E não sabia como lidar com aquilo. Ele apoiou as mãos no chão, rachando-o ainda mais e sabia que não faltava muito para chegarem ao clímax. Algumas estocadas fundas depois e lá estava Bruce sob seu controle gozando forte, sujando-se por completo, os lábios entreabertos e as nádegas contraídas.

Clark tirou o membro e logo em seguida também gozou, o liquido escorrendo pelo uniforme azul e manchando a capa vermelha. Ainda sentia os espasmos contraindo seus músculos, de uma forma tão intensa que fechou os olhos. Respirou fundo e quando sentiu que estava mais calmo e racional, foi então que percebeu o que tinha feito. Bruce estava bem machucado, com olhos mareados perdidos no teto da caverna e um sorriso maníaco nos lábios. Clark tentou segurar as lágrimas, mas foi impossível ao ver que seu pênis estava sujo de sangue.

(...)

Superman voava na direção de Central City, no estado do Missouri. A imprensa local ainda procurava compreender o que era aquele borrão vermelho que atravessava rapidamente a cidade, salvando as pessoas.

Os eventos chamaram a atenção da dupla de vigilantes, que acompanharam o desenvolvimento dessa história por alguns meses e resolveram investigar mais atentamente. Enquanto o escoteiro azul ia até a cidade ver exatamente do que se tratava, o cavaleiro das trevas encarregou-se de entender o que havia acontecido com Kirk Langstrom.

Central City era moderna e imponente, com prédios arrojados e bem desenhados. Superman voava tranquilamente, observando a movimentação nas ruas. Ficou impressionado como era tudo limpo e organizado, diferente do caos urbano que era a costa leste.

Quando menos esperava, percebeu o tal borrão vermelho que todos falavam, cruzando as ruas como se o trânsito fosse apenas uma simples brincadeira de criança. Superman então percebeu a rota que o borrão fazia e aterrissou no meio da rua, fazendo com que se chocassem. O impacto fez com que o alien afundasse os pés no concreto e o outro fosse arremessado a alguns metros de distância.

-Essa doeu, viu?! –o borrão reclamou, levantando-se.

Era um homem, usando um uniforme todo vermelho, com detalhes em amarelo e um raio no peito.

-Mas... o que?! –Superman não acreditava no que via, até porque sabia que o outro era completamente humano, ao usar sua visão aguçada. –Como você se movimenta tão rápido?!

-Acho que esse não é o melhor lugar para conversamos... –ele olhou ao redor, já tinha curiosos aproximando-se deles. –Me siga.

Num instante estavam indo para um prédio que parecia estar desativado, em frente a um grande lago. O alien sabia que poderia ser uma cilada, porém estava intrigado demais. Reparou que por dentro, o local ainda funcionava e parecia ser uma espécie de laboratório independente.

-Meu nome é Flash. –o homem disse, finalmente parando de correr, ao chegarem no salão. –E é um prazer finalmente poder conhecê-lo pessoalmente, Superman.

Desconfiado, o escoteiro azul olhou ao redor e viu que realmente estavam sozinhos, apesar de terem algumas câmeras de segurança no lugar.

-O que é você exatamente? –ele perguntou, cruzando os braços.

-Humano... –o velocista deu de ombros. –Com poderes.

-De onde esses poderes surgiram? –franziu as sobrancelhas, prestando muita atenção na linguagem corporal do outro.

-Há cerca de um ano, fui atingido por um raio. –ele estava calmo, suas palavras eram sinceras. –Acordei desse jeito, algo deve ter afetado meu metabolismo.

(...)

Batman resolveu que iria buscar informações em outros lugares, já que o sobrado de Kirk fora limpo e organizado, após as evidências terem sido coletadas, o que acabava com qualquer chance de conseguir pistas.

Ele aplicou-se mais uma dose de remédio para dor e continuou suas investigações, indo até Princeton. O campus da universidade estava quase vazio, devido a um recesso escolar. O morcego então foi até o escritório de Kirk, cuja janela dava para um dos jardins internos do antigo prédio.

O lugar era pequeno, mas abastecido de livros e alguns prêmios nas prateleiras, diplomas e fotos pendurados nas paredes. Sem perder tempo, Batman ligou o computador e começou a digitar, quebrando os códigos de segurança. Através dos emails, descobriu que o cientista foi chamado para integrar uma equipe de pesquisa sobre aprimoramento genético humano na Lex Corp.

Foi a única coisa realmente interessante que descobriu. Ao entrar no carro, decidiu que era hora de fazer uma visita ao hospital.

(...)

-Andei acompanhando seu trabalho... salvando as pessoas, ajudando a combater o crime... –Superman ainda permanecia parado. –Se temos os mesmos objetivos, por que ainda não se mostrou ao mundo?

-Porque as pessoas ficarão assustadas. –Flash andava um lado a outro. –Você é um alienígena poderoso, seu amigo é um cara muito bem treinado e com dinheiro... se isso já deixou o mundo louco, imagina descobrirem um humano com poderes?!

-Tem razão. –ele respirou fundo. –Não posso exigir isso de você.

-Mas eu adoraria trabalhar com vocês. –o humano sorriu e abriu os braços. –Se todos temos o mesmo objetivo, que é ajudar o mundo, nada mais lógico que juntarmos forças. Quer dizer, eu não sou forte, mas você entendeu...

Superman avaliou a situação com calma. Sabia que o outro estava falando a verdade, porque o corpo sempre sinaliza quando está mentindo. Ter mais alguém para ajudá-los era um alívio, porque assim poderiam dividir o peso e não se sentiriam tão sozinhos.

-Espero que não me arrependa, mas vou lhe dar um voto de confiança. –ele descruzou os braços e relaxou a postura. –Preciso da sua opinião em um caso que estou investigando.

-Claro, e o que seria? –o velocista aproximou-se.

-O que esse relatório lhe diz?

Flash demorou apenas segundos para ler e após terminar, sua expressão era de surpresa, estava até pálido.

-Kirk Langstrom descobriu algo que ele chamou de metagenes. São genes, que se tiverem a exposição correta podem expressar-se, alterando o fenótipo humano, principalmente no sistema nervoso e metabólico.

-O que isso quer dizer?

-Que esse metagene é capaz de mudar a fisiologia e evoluir o ser humano, como nunca antes visto. Aqui ficou claro que todos nós possuímos, mas é algo latente, da última vez que houve uma exposição, foi no tempo das cavernas. É o nosso "elo perdido". –ele molhou os lábios. –A questão é, se descobrirem como ativar esses genes hoje em dia, o que será de nós?

Fim da parte 01.

Nota: amados leitores, obrigado por acompanharem até aqui, mas a história ainda não acabou. Pretendo escrever uma série de fanfics que irão culminar no surgimento da Liga da Justiça, cada uma focando em algum herói diferente.

Nessa primeira parte foi Batman e Superman, a próxima fic será em Flash e Lanterna Verde. Adoraria que vocês me acompanhassem nessa saga, porque ainda tem muitas coisas para acontecer ;) Espero vocês em "Good Cop, Bad Cop".