O homem loiro estava sentado confortavelmente contra o banco de couro, seus dedos longos e grossos manuseavam hábilmente um aparelho fino e transparente, as noticias do dia. A luz solar entrava pelo teto de vidro do carro de ultima geração, os lábios grossos assoviavam descontraidamente antes dele coçar o queixo cheio de pêlos curtos.
O carro estacionou e ele rapidamente soltou o cinto empurrando a porta do carro para cima adentrando no apartamento amplo.
– Bom dia Lacerta. – Cumprimentou com sua voz grossa. – Café, por favor.
Deixou o jornal eletrônico que estava lendo sobre a bancada.
– Bom dia senhor Pettyfer, café com creme e um toque de canela. – A voz macia e masculina preencheu o cômodo.
O homem se adiantou pelo piso de madeira até a cozinha. A caneca estava fumegando a sua espera, a pegou aspirando o cheiro gostoso.
– Bom dia. – A voz suave invadiu a cozinha.
O homem sorveu um gole se virando para a mulher. Os cabelos loiros batiam na altura dos ombros, ela era alta e possuia belos olhos verdes, colocava um casaco escuro sobre a camisa social.
– Pronta? – O homem perguntou abaixando a caneca.
– E alguém alguma vez esteve pronto para encontrar o meu pai? – Roubou a caneca tomando alguns goles.
– Não. – Ele retrucou. – Você viu os jornais?
– Sim, eu dei uma olhada. – Retrucou pousando a caneca no balcão. – Papai estará insuportavel.
– Mal posso esperar. – O homem suspirou recuperando a caneca.
– Lacerta. – A mulher chamou calmamente. – Faça uma analise completa dos nossos principais projetos e me atualize até a hora de sairmos do café com meus pais.
– É claro senhora, tenha um bom encontro com seus pais. – A voz macia respondeu antes de acrescentar. – Se me permite está particularmente bonita nesta manhã e seus pais irão odiar a sua roupa. Meus parabéns, senhorita.
A loira soltou uma risada baixa.
– Hey e eu? – O homem se indignou. – Não estou bonito? Eles não vão odiar a minha barba? Deixei de fazer a barba por três dias só pra hoje.
– Eles odiaram a sua barba senhor. – A voz respondeu entediada.
Quinn soltou uma risada alta diante da indignação do homem.
– Às vezes acho que ele me odeia. – Reclamou olhando para a loira.
– Ele te adora só é implicante. – Tentou apaziguar. – Vamos não queremos nos atrasar.
Os corredores apinhados de gente, suas vozes se misturando em vários idiomas. O cheiro de café no ar junto com os passos que iam e vinham.
As duas mulheres sentadas lado a lado naquela sala ampla com móveis confortáveis de alguém que batalhou para chegar naquela posição. Elas olhavam a movimentação no corredor, sempre tinha alguém correndo para chegar a algum lugar.
O homem alto e magro entrou na sala, vestia seu terno negro e bem cortado, os olhos azuis astutos, a careca que brilhava suavemente.
– Tenho um trabalho para as duas. – Sua voz tinha um toque de sotaque desconhecido.
– E o que é dessa vez? – A mulher de pele queimada retrucou fazendo pouco caso, seus traços latinos evidenciados.
– Talvez um atentado. – Ele se sentou atrás da mesa jogando o corpo contra a poltrona de couro. – Devemos interceptar.
– E eu achando que era esse o nosso trabalho. – A latina suspirou fazendo pouco caso.
– Santana. – Ele ergueu os olhos azuis afiados como se desafiasse a mulher a falar mais alguma coisa, a morena apenas se retraiu. – Ótimo, agora peguem a pasta e sumam da minha frente.
A mulher que até então havia se mantido calada se levantou, seus traços mais suaves, a pele mais branda e as linhas expressivas evidenciavam sua etnia judaica. Os dedos roçaram na pasta e pararam ao ler o nome escrito.
– Lacerta? – A voz firme. – Isso é sério?
– Muito sério. – Ele desviou o olhar para ela.
Saiu da sala se enfiando no primeiro cubículo vazio que encontrou, seus olhos revistaram os arquivos rapidamente. Seu coração acelerado enquanto virava as páginas rapidamente.
– Relaxa. – Ouviu a voz da latina próxima ao seu ouvido. – Respira Rachel.
– Você tem noção de quanto tempo eu não…
– Cinco anos. – Completou, pousou a mão sobre o ombro dando um aperto firme. – Vamos temos que ir logo.
Os empregados se reuniam na entrada da casa, a arquitetura era antiga e a residência se situava em um dos bairros mais seletivos do 1º distrito. Os dois se aproximavam da porta sentindo o sangue ir gelando aos poucos.
– Lucy! Alex! – Olharam na direção da escadaria principal que levava para a parte central da casa. – Estão atrasados.
A senhora loira e esguia, sua expressão plácida contrastava com os olhos azuis fumegantes. O vestido que trajava era recatado e os cabelos loiros presos em um apertado coque, a pele pálida e bem cuidada não evidenciava sua idade.
Os dois parados no patamar inferior ficaram tensos enquanto retiravam seus casacos e entregavam a empregada mais próxima.
– Perdoe o nosso atraso. – O homem sorriu galante antes de galgar os degrais até a mulher. – A senhora está linda senhora Fabray.
– E você precisando de um barbeador. – Lhe olhou severamente antes de encarar a filha que subia calmamente. – E você não tinha roupas mais femininas para vestir?
– Também estava com saudades mamãe. – Quinn respondeu entediada.
– Não me venha com gracinhas. – A mulher ergueu um dedo ameaçadoramente. – Sou sua mãe então me respeite.
– Desculpe mamãe. – Murmurou apertando a mandibula.
Assim que a senhora Fabray se virou para subir os poucos degrais que havia descido, Alex se virou para Quinn e fez um sinal com as mãos pedindo para que ela mantesse a calma.
A sala de jantar era suntuosa e já era ocupada por três pessoas que mantinham seus pratos intocados.
Uma mulher na faixa dos 29 anos, ela se chamava Frannie Fabray. Cabelos loiros que se ondulavam nas pontas e olhos azuis frios e intransponíveis. Era a menina dos olhos da mãe, obediente e bem quista diante da sociedade, prendada nos afazeres da casa estava a espera de um bom marido para sustenta-la. Curiosamente seu alvo preferido era o sócio de sua irmã.
O rapaz ao seu lado trajava o uniforme do Instituto onde estudava, alto e forte Benjamin Fabray ansiava por entrar a serviço da Fundação. Os cabelos loiros escurecidos estavam curtos em estilo militar e os olhos verdes brilharam ao ver sua segunda irmã mais velha. Ele tinha uma predileção pela irmã rebelde.
A mais nova era Alexie Fabray e iria completar seus 15 anos em poucas semanas, estava ansiosa pela festa que o pai havia lhe prometido. Já começara a ser domada pela mãe que ia aos poucos podando seu sonho de ser dançarina.
Como Quinn Fabray saira tão diferente do resto de sua família? A resposta era simples… seus avós.
Quando pequena Quinn fora diagnosticada com uma certa doença que lhe causava e ainda causa dores constantes. Os médicos aconselharam seus pais a irem morar em um lugar mais quente, mas seu pai na época aspirava uma boa posição na Fundação. Fora mais prático mandar a menina ir morar com seus avós, só não esperava que ele dessem uma criação tão "liberal" a sua filha.
Russel Fabray era um homem rígido e tradicional. Diretor-chefe da Fundação Libertatem era um homem respeitado nos cinco distritos da Área 1. Seus cabelos loiros e seus olhos verdes intimidavam qualquer um em qualquer lugar.
O mundo se dividira em quatro áreas hábitaveis a Área 1(A1) se situava no meio do que um dia fora os EUA, mas especificamente no Texas. A Área 2(A2) no que restara da Europa, na antiga Rússia. A Área 3(A3) na Ásia onde se localizava a Mongólia. E a última seria a Área 4(A4) era em Sidney a única parte da Austrália que restara.
Cada área se dividia em 5 distritos e estes eram divididos pelo tempo, é óbvio que o 1º distrito possuia mais tempo corrente do que o 5º.
A mãe ocupava a cadeira vazia ao lado da cabeceira da mesa, de frente para a filha mais velha, deixando Alex e Quinn se sentarem nas cadeiras vazias ao seu lado de frente para os outros dois Fabray. Esperaram em silencio por alguns minutos antes da porta ser aberta e por ela entrar um homem, Russel Fabray, apoiado em sua bengala.
– Bom dia. – A voz grossa e baixa.
– Bom dia, senhor. – Responderam em coro.
Russel ocupou a cabeceira e esperou a esposa lhe servir. Assim que tomou o primeiro gole de café seus filhos, sua mulher e Alex puderam se servir. Comiam em silencio com movimentos metódicos e sempre sem levantar os olhos do próprio prato. A opressão era tanta que os empregados tentavam se fundir a parede.
Quinn levou a mão ao bolso da calça e puxou um pequeno e fino porta-lâminas. Abriu e retirou uma fina lâmina gelatinosa quase transparente, a colou contra o céu da boca a sentindo dissolver imediatamente. Um gole de suco para tirar o gosto estranho da boca.
– Ainda com dores, Lucy? – Russel perguntou sem erguer os olhos.
– Algumas. – Quinn respondeu, odiava ser chamada pelo primeiro nome.
– Hn… - O homem retrucou. – E você Alex? Qual o problema com o seu barbeador?
– Eu peço desculpas senhor Fabray, mas eu não tive tempo de me barbear. – Alex falou em obdiência.
– Faça a barba. – Se acomodou na cadeira. – Você precisa de uma boa mulher para cuidar de você. É isso que você precisa.
Alex conteve o rolar de olhos, sempre era a mesma conversa. Russel iria empurrar Frannie para ele, e quando ele sorrisse e desconversa-se educamente o Fabray iria insinuar que Quinn iria lhe assegurar a totalidade da empresa e que o lugar de mulher era em casa. Russel Fabray não era um homem acostumado a receber recusas. Era sempre um jogo de cartas marcadas em cada café da manhã com eles.
Alex arrumava o paletó enquanto Quinn recebia mais alguns conselhos da mãe. A loira se aproximou com os olhos semi-cerrados.
– Porque nós ainda tomamos café com eles uma vez por semana? – Murmurou para o homem apertando a ponte do nariz, uma pontada dolorosa cruzava o centro de sua cabeça.
– Porque são seus pais e seria muito estranho tomarmos café no cemitério com os meus. – Alex respondeu vendo os dois Fabray's mais novos saírem da casa. – E porque você ama essa parte.
Quinn se virou para ver os irmãos se aproximando com sorrisos tímidos identicos.
– Hey vocês seus montrinhos. – Beijou a testa de Alexi que já estava quase do seu tamanho e em seguida abraçou Benjamin. – Estão bem?
– Sim. – O rapaz respondeu calmo e seguro.
– Ótimo. – Segurou o queixo do irmão. – Estou vendo 3 fios de barba.
– Você faz essa piada há quase 3 anos. – Resmungou.
– E você? Preciso mandar o Alex ameaçar alguns namoradinhos? – Perguntou a irmã.
– Não, nenhum namoradinho.
– Namoradinha?
– Nem namoradinha. – A garota rolou os olhos.
– Hn… - Estendeu o casaco para Alex antes de dobrar as mangas da camisa de botão. – Vocês estão guardando direito?
Os dois acenaram veementemente com a cabeça. Quinn estendeu o antebraço direito para a irmã. a parte superior da pele fora tatuada com o lagarto tribal, enquanto olhava para o braço esquerdo.
Havia 16 dígitos em seu braço direito e ele dizia o seguinte 1:104:03:7:11:3:23:50:20 em contagem regressiva. Era o quanto de tempo Quinn tinha disponível para gastar, fora o que ela tinha armazenado. A contagem era simples, utilizando o próprio tempo que Quinn tinha deve se ler da esquerda para a direita.
1 – Milênio
104 – Séculos
03 – Décadas
7 – Anos
11 – Meses
3 – Semanas
23 – Horas
50 – Minutos
20 – Segundos
Alexi segurava um pequeno aparelho que Quinn havia desenvolvido era uma espécie de meia pulseira de aço. Encaixou embaixo do pulso de Quinn.
– Pronto 1 ano para a sua poupança. – Piscou para a irmã antes de estender o antebraço para o irmão. – Pegue 1 ano você também.
Era bem simples. Quinn dava aos irmãos uma quantia de tempo que eles armazenavam em pulseiras, que Quinn havia desenvolvido, chamadas APT(Armazenagem Provisória de Tempo). Eles só poderiam usar o tempo da pulseira ou o 1 ano que estava em seus braços quando completassem os 18 anos. Benjamin juntava o tempo para ter seu próprio apartamento enquanto Alexi esperava ter o suficiente para a única Academia de Artes que tentava a trancos e barrancos se manter naquele novo mundo, ela se encontrava localizada na A2.
– Se comportem e até semana que vem. – Beijou os dois que logo correram para onde o motorista os esperava para leva-los ao colégio.
– É sério o teu pai vai te matar quando descobrir. – Alex abriu a porta para ela entrar.
– Mal posso esperar. – Murmurou com um leve sorriso debochado nos lábios.
O tráfego era rápido e intenso, estavam na pista superior. Quinn olhava alguns dos relatórios que Lacerta havia lhe enviado.
– Nossa área de robótica está atrasada. – Murmurou. – Qual o problema?
– Não é a área de robótica em si. – Alex respondeu. – É a biotecnologia em conjunto com a robótica.
– Achei que estivessemos adiantados com os corpos sintéticos. – Quinn murmurou.
– Parece que arranjaram um problema em um lote e tiveram que recomeçar do zero, isso atrasou os pedidos. – Alex murmurou olhando pelo retrovisor. – Me explica de novo porque criamos essa área?
– Porque é técnologia.
– Posso estar ficando louco, mas tem um carro nos seguindo. – Tencionou o maxilar, seus olhos azuis conferiram novamente o retrovisor.
Quinn se virou no banco, viu o carro que aparentemente os seguia.
– Não seja paranóico. – Resmungou. – Vamos logo para a emp
