Rachel ergueu a manga do suéter, que pegara emprestado no guarda-roupa de Quinn, para verificar quanto de tempo ainda tinha em seu cronômetro. Ficou satisfeita ainda possuia um pouco mais de uma semana, logo ela iria receber seu pagamento, havia conseguido economizar bastante esse mês e quem sabe poderia fazer uma pequena estravagância?
– No que está pensando? – Quinn lhe observava atentamente, estava parada no batente da porta do quarto segurando uma bandeja que era praticamente uma miniatura do café que a morena havia preparado.
– Em nada. – Escondeu o braço dando um sorriso leve.
Quinn franziu as sobrancelhas se aproximando da cama, pousou a bandeja sobre o colchão e rapidamente retirou o suéter de Rachel a deixando apenas de calcinha.
– Não iamos conversar? – Rachel arqueou as sobrancelhas, estava se divertindo com aquela atitude.
– E vamos, mas eu quero fazer isso de maneira confortavel. – A loira retrucou com uma pisdacela.
Rachel puxou a bandeja para perto se servindo de um pouco de suco. Quinn se sentou a observando cautelosamente.
– Porque? – A voz de Quinn quebrou o silencio. – Porque aquela mensagem?
– Que mensagem? – Rachel franziu o cenho.
– Que você não aguentava mais. – Abaixou a voz clara e límpida assim como os olhos verdes. – Por isso estava indo embora.
– Não te deixei mensagem alguma. – Rachel pousou o copo. – Eu sai e não te deixei nada. Russel não deixou.
– Era a sua voz. – Quinn rebateu.
– Eu não fiz isso. – Rachel contrapôs. – Eu não iria embora e muito menos faria isso por causa da sua doença.
Quinn esfregou a nuca ainda sem encarar Rachel.
– Olha pra mim. – A Berry pediu suavemente, quando a loira lhe atendeu, Rachel se inclinou para poder pegar na mão pálida. – Eu não teria ido embora se tivesse escolha. Eu não te abandonaria daquele jeito e ainda dando uma desculpa dessas.
Quinn voltou a encarar o chão, tinha ouvido bem o que Rachel havia falado, mas em sua cabeça as memórias dos dias que seguiram a partida da morena ainda eram dolorosas.
– Olha pra mim. – Rachel pediu outra vez. – Quinn…
A loira se levantou indo até a parede espelhada, ouviu o suspiro da morena antes de sentir o corpo pequeno próximo ao seu.
– Doeu muito? – Rachel perguntou já sabendo a resposta.
– Sim.
– Quanto?
– Você não precisa dessa informação. – Quinn aprumou os ombros.
– Eu preciso saber.
– Doeu muito. – Quinn virou o rosto a olhando por cima dos ombros. – Basta saber isso.
– Não. Não basta. – Rachel encarava a cidade. – Eu sempre soube que doeu, mas nunca o quanto doeu. Preciso saber.
– Porque?
– Porque eu preciso saber porque você não vai voltar pra mim. – Encarou os olhos verdes. – Porque você me odeia.
– Então você não precisa saber. – Passou pela morena indo pegar um copo de suco na bandeja. – Eu não te odeio.
– Quanto? – Rachel fechou os olhos respirando fundo.
Quinn virou-se para olhar o corpo suave de Rachel, admirando a pele caramelada.
– Você nunca irá imaginar. – A voz foi baixa, mas Rachel ouviu claramente.
– Como estão os seus pais? – Quinn perguntou depois de um tempo.
– Bem. – Rachel se limitou a responder.
A morena abraçou o próprio corpo, já não se sentia mais tão confortável em ficar semi-nua na frente da loira. Virou-se e saiu do quarto ainda protegendo os seios, sabia que Quinn estava lhe olhando sem entender. Desceu as escadas correndo quando ouviu o seu nome ser chamado, sua roupa estava espalhada no chão. Agarrou o macacão o vestindo apressadamente.
– Rachel. – Quinn apareceu no alto da escada olhando para Rachel no andar debaixo. – O que você esta fazendo?
A morena aborou o sutiã antes de por a parte superior do macacão e prende-lo com o cinto, passou a mão em um bolso escondido e dele tirou uma pílula vermelha e gelatinosa que rapidamente engoliu. A mão fria de Quinn em sua cintura fez com que ela se afasta-se, evitou encarar os olhos verdes.
– Você vai sair? – Rachel se afastou indo até o piano abandonado no canto da sala. – Eu chamo dois Agentes para de acompanhar.
Quinn arqueou uma sobrancelha.
– Você disse que eu não poderia sair.
– Você não pode sair sozinha. – Rachel a corrigiu ainda de costas encarando o piano. – E eu não posso te acompanhar, como eu disse estou de quarentena e ter vindo aqui já foi bastante arriscado.
– Rachel… - Quinn suspirou, bagunçou os cabelos tentando estravasar a frustração. – Falei algo errado?
– Não. – Respondeu se virando cautelosamente. – Apenas não me senti mais avontade.
– Se eu sair, vou atrás do meu pai e exigir uma explicação. – Quinn afirmou encarando os olhos castanhos.
– Eu sei… - Suspirou baixinho. - Chamarei Santana.
– Se eu fizer isso… - Quinn parou vendo a morena olhar para a palma da mão direita. - Ele te manda pra longe de novo e pode fazer algo pior com os seus pais.
– Eu sei… - Rachel não a corrigiu. O pior iria acontecer com a própria Rachel.
– É o que você quer?
– Uma coisa que seu pai me deixou bem claro naquele dia e durante todo o meu treinamento, foi que eu não tenho querer. Apenas sou um objeto feito para servir.
– Eu não te usei. - Quinn reagiu.
– Eu te provoquei. - Rachel voltou a atenção para a palma de sua mão. - Chamarei Santana e ela irá te acompanhar.
Quinn se adiantou fechando a mão da morena em um punho.
– Eu não te usei. - Falou baixo. - Eu nunca te usei e odeio pensar nisso. Não vou atrás do meu pai, pelo menos por agora, não sei quanto tempo irei aguentar, mas eu sei que você não vai sair de perto de mim.
– Quinn…
– Você não vai sair de perto de mim. - Pressionou o corpo de Rachel contra o piano.
Rachel ergueu o rosto sentindo a respiração de Quinn bater em sua face.
– Se é o que você quer. - A Berry respondeu inexpressivamente.
– Rachel. - Sua voz saiu truncada. - Pare com isso.
Permaneceram em silêncio encarando, cada uma tentando decifrar a outra.
– Onde estão os seus pais? - Quinn sussurrou, seus dedos começaram a fazer um carinho sutil na cintura coberta.
– Na A2. - Rachel respirou fundo. - Papai está trabalhando com restauração e meu pai lecionando Literatura na Academia de Artes.
– Tenho um amigo lá que os manterá seguros se for necessário. - Passou a língua sobre os lábios. - Vamos apebas dizer que ele me deve favores.
– E o que isso significa?
– Que se você quiser ficar eu vou garantir a sua segurança e a dos teus pais.
– Quem protege agora sou eu, você é a protegida. - Rachel arqueou as sobrancelhas.
Quinn revirou os olhos fazendo um barulho de descordancia com a garganta.
– Estou falando sério Quinn. Sua segurança não é uma brincadeira.
– Foi apenas um acidente. - Quinn retrucou fazendo pouco caso. - Não precisa de tanta preocupação.
– Não foi apenas um acidente. - Rachel puxou uma boa quantidade de ar. - Pelo menos não depois de ontem.
– O que tem ontem?
– Os Calabans, vieram deixar um aviso. - Se livrou do corpo da loira e sé pôs a andar pela sala. - Eles tem um alvo. E esse alvo é você.
– Perdão? - Quinn franziu as sobrancelhas. - Creio que não entendi exatamente o que você disse.
Rachel mordeu o lábio.
– Existe algo que eu deva saber? - A morena virousse de supetão para encarar Quinn. - Qualquer coisa que possa despertar interesse de pessoas erradas?
Quinn retesou o corpo assumindo uma posição defensiva, Rachel soube nesse momento que havia algo.
– Quinn. - Deu um passo para frente.
– Esqueça. - A loira deu um basta com as mãos. - Não vou falar sobre isso. É loucura e não teria como alguém saber.
– Eu preciso saber.
– Esqueça Rachel eu não falarei sobre isso. - Quinn tinha um olhar frio e rígido.
Rachel respirou fundo, a loira poderia não querer falar, mas ela sabia outros jeitos de conseguir informações. Observou Quinn mover o pulso direito, o lagarto se movia junto com a pele.
– Quando você fez? - Rachel encarava a tatuagem.
– Quando meu avô morreu. - Escondeu o braço atrás das costas. - Você sabe que ele gostava de lagartos. Significam…
– Boa sorte uma proteção na vida - Rachel completou com um pequeno sorriso. - Eu me lembro.
A loira se sentou em uma poltrona se acomodando confortavelmente, Rachel continuou andando pela sala.
– Por isso Lacerta? - Rachel parou olhando um quadro qualquer.
– Lagarto em latim. - Quinn concordou. - Estávamos projetando a empresa quando ele simplesmente me deu o tempo inicial.
Rachel acenou com a cabeça, observando algumas fotos que mudavam lentamente em um holograma.
– Joshua Hindengurg. - Murmurou sem deixar Quinn ouvir. - Obrigada por tudo.
Ficaram em silencio por alguns instantes antes de Quinn o quebrar.
– Minha avó continua a mesma. - A loira deu um sorriso carinhoso.
– Ann? - Rachel soltou uma risada. - Imagino que esteja e que continue provocando seu pai.
– Eles se odeiam. - Encolheu os ombros. - Não sei como minha mãe saiu tão diferente.
– Poderíamos dizer que ela é adotadae mas eu sou adotada e sou praticamente identica aos meus pais. - Ouviu a risada de Quinn e por um instante fechou os olhos aproveitando aquilo. - Eu gostaria de vê-la. Sua avó.
– Podemos ir lá agora. - Quinn se levantou.
– Não posso…
– Você já está fora de risco de contágio. Tomou a segunda pílula vermelha. - Caminhou até a escada. - Vamos lá, vai ser interessante.
– Isso significa que ela me odeia? - Rachel gritou.
– Significa que ela odeia o meu pai. - Quinn gritou de volta.
Quinn conduziu o carro até o grande terminal, pessoas circulavam pelo local com suas bagagens prontas para pegar os planadores em direção há alguma das Áreas. Rachel saiu do carro olhando em volta, analisava cada canto do terminal antes de Quinn tomar a frente mexendo em algo que Rachel não pode ver.
Entraram em uma pequena fila que se formava para os guichês onde os viajantes selecionavam seus destinos. Rachel havia avisado a Santana e ao seu supervisor sobre aquela repentina viagem. Era óbvio que o supervisor sobre aquele repentino imprevisto. Era óbvio que o surpervisor de Rachel não ficara satisfeito com aquilo, afinal a Agente estava de quarentena, mas ele não negaria nada a filha do Diretor-Chefe.
Quinn se aproximou de um guichê livre e prontamente tocou a tela de vidro com a mão.
– Boa tarde senhorita Fabray. - Era uma voz feminina e suave. - Em que posso lhe servir hoje?
– Um planador particular.
– Destino?
– Área 4, Distrito1.
– Quantos passageiros?
– Eu e uma acompanhante.
– Deposite 5 décadas, por favor.
Quinn enrolou a manga da camisa e estendeu o braço direito para a abertura indicada.
– Agradecemos pela sua escolha e pôr escolher viajar conosco. - Duas palacas com códigos de barra foram emitidos. - Dirija-se ao portão C.
Quinn se afastou do guichê segurando as placas enquanto arrumava a manga da camisa.
– Vamos? - Parou ao lado de Rachel.
– Claro. - Segurou o ticket que a loira lhe estendia. - Vai na frente.
Quinn revirou os olhos, sabia que fazia parte do treinamento dela. Rachel estava sempre um passo atrás, não tão longe para não ter uma reação se necessário e nem tão perto que denuncia-se a proteção ou invadisse a privacidade do protegido.
Chegaram ao portão C onde um rapaz estava no portão. Alto, forte, com traços moldados cuidadosamente, olhos azuis fortes e cabelos ruivos encaracolados caprichosamente.
– Bom dia senhoritas. - Os dentes brancos e perfeitos sonorizavam bem a voz agradavel. – Posso ver os tickets?
Quinn estendeu o que segurava, o homem esticou a mão passando por cima enquanto os olhos desciam pelo corpo da loira antetamente, como se procura-se algo.
– Muito bem senhorita Fabray. – Sorriu para ela. – A senhorita está liberada, o planador é o de número 13. Boa viagem.
Quinn acenou despreocupadamente se afastando para olhar Rachel se adiantar. O homem franziu as sobrancelhas perfeitas enrugando o nariz que possuia poucas sardas.
– Perdão, mas a senhorita não pode prosseguir. – A voz assumiu um tom mais grave. – Os Agentes da Fundação estarão aqui em 40 segundos.
Quinn se adiantou rapidamente.
– Você está armada? – Viu os Agentes se aproximando por entre a multidão que ia se afastando rapidamente.
– É claro que estou. – Rachel retrucou retirando o casaco e o jogando na direção de Quinn, as duas armas ficaram expostas na altura de sua cintura enquanto uma faca se encontrava na bainha da calça fixada no cinto.
– Permaneça parada. – Ouviu a ordem levemente tremida.
Revirou os olhos, sempre mandavam os novatos para treinarem nos terminais.
– Berry. – A voz mais firme. – Abaixe essa arma moleque.
Rachel se virou lentamente vendo o homem asiático olhar severamente para um garoto obviamente recém-formado.
– Sairei da A1 a serviço. – Rachel ergueu o queixo. – Acompanhar a senhorita Fabray em uma viagem.
– Certo. – O homem acenou com a cabeça.
Rachel se virou para o homem ruivo e ergueu a mão direita o tocando o peito. A expressão do homem suavisou e ele sorriu.
– Perdão Agente Berry, a senhora pode passar. Boa viagem.
Rachel olhou para o asiático e acenou com a cabeça antes de se virar para Quinn e indicar para que ela entrasse.
– Seu casaco. – Quinn estendeu o agasalho.
Acomodaram-se no planador prendendo o cinto firmemente. Rachel olhou pela janela antes de acomodar a cabeça e relaxar.
– Partida em 5 minutos. – A voz femina anunciou, era a mesma do guichê. – Permaneçam sentados com os cintos de segurança durante todo o percurso. A viagem terá uma duração de 2h e 45mins.
– Foi você que construiu? – Rachel olhou para Quinn.
– Os planadores? – A loira virou o rosto para ela. – Não, nada nos terminais vem da Lacerta. Quem era o cara lá de trás?
– Mike Chang. – Rachel respondeu prontamente. – Fizemos treinamento juntos, ele acabou sendo responsavel pelo treinamento em campo dos recém-formados que chegam a A1.
– Pensei que vocês tinham uma Academia para isso.
– E temos, fica na A4. – A morena acenou com a cabeça enquanto fechava os olhos. – É uma zona afastada na verdade, não fica dentro da Área.
– Não? – A loira arqueou as sobrancelhas.
– Não, é uma zona mais afastada que fora criada exclusivamente para o treinamento dos Agentes. Uma espécie de internato.
– Não sabia disso.
– A Fundação mantém isso como assunto… confidencial… coloquemos assim. – Rachel sorriu suavemente. – Imagina o que a população acharia disso? É perigoso de mais.
– Benjamim quer ser um Agente.
– Jura? – Encarou a loira, agora era a sua vez de estar surpresa. Ainda pensava em Benjamim e em Alexie como duas crianças. – Ele já tem idade?
– Daqui há alguns meses. – Quinn suspirou. – Alexie quer a Academia de Artes.
– Uau… - Rachel soltou uma risada baixa. – Seus pais devem estar amando isso.
– Minha mãe está tentando domar a Alexie enquanto meu pai ignora a existencia do Ben.
– E se não fosse assim não seria o seus pais. – Rachel resmungou amargamente.
Ouviram o leve apito que indicava que o planador iria partir. As duas se ajeitaram sentindo a partida em alta velocidade, logo perderam a gravidade.
– Quem constrói os planadores? – Rachel perguntou assim que o tranco inicial passou.
– A mesma empresa que criou os terminais. – Quinn respondeu dando de ombros. – E as Vias Expressas, tudo isso foi construído pela ND Corporation.
– Porque não vocês?
– Bem… Russel não aceitou a nossa proposta. – Quinn deu um sorriso debochado.
– Tudo é deles? – A morena arqueou as sobrancelhas escuras. – Os guichês, robôs, esteiras e todo o resto?
– Exatamente. – Fechou os olhos verdes. – O que era aquilo no seu braço? Hnn… eu vi hoje cedo, mas não tinha como… parar… para perguntar. É no braço direito na parte interna.
– A marca da Fundação. – Rachel respondeu. – É o que faz de mim uma Agente reconhecida e cada traço mostra o meu nível dentro da organização.
– Nunca vi nada parecido no meu pai.
– Ele cobre, muitos de nós cobrimos é a nossa forma de nos misturarmos a sociedade. – A morena explicava com calma. – É mais… prático.
– Hnnn… - Se olharam por alguns segundos, Quinn tinha os olhos quase fechados quando soltou um pequeno bocejo.
– Você deveria tentar dormir. – Rachel falou suave com um sorriso acolhedor.
Alex tinha uma marreta nas mãos e estava em um dos laboratórios subterrâneos. Estava de frente para uma massa branca e disforme.
– Posso perguntar uma coisa? – Santana estava entediada próxima a porta.
– Você já perguntou. – Alex retrucou.
– Você é tão espertinho. – O comentário sarcástico da Lopez. – Porque você e a Fabray nunca delegam funções?
– Nós delegamos funções. – Alex passou uma mão pela massa dura e áspera.
– Então porque não tem ninguém aqui? – Aumentou a voz abrindo os braços para da enfase ao eco que se formou.
– Tenho os meus motivos. – Deu dois passo para trás e marretou com força a proteção.
Como se fosse neve a proteção caiu revelando que no seu interior não havia nada além de um cilindro de metal.
– O que diabos é isso? – Santana arqueou as sobrancelhas.
– Isso foi o que impediu a minha morte e a de Quinn naquele dia. – Largou a marreta pegando um pedaço grande e se aproximando de Santana. – Aqui.
Santana percebeu como era leve e aerado, apertou percebendo com era rígido.
– Repito… o que diabos é isso?
– Repito… foi o que salvou nossas vidas. – Alex sorriu com os dentes brilhantes. – Vamos apenas dizer que criamos uma espuma que quando acionada se solidifica criando essa crosta impenetrável que absorve todo o impacto.
– Mas você arrebentou isso com um marreta. – Santana ergueu a espuma. – Não é impenetravel.
– Eu sei. – Pegou a espuma das mãos da mulher. – Quero apresentar uma alternativa a Quinn.
– Alternativa?
– É… - Alex se aproximou do monte de espuma. – Essa espuma foi criada como uma proteção para transportes em geral, mas se eu conseguir ajustar a fórmula podemos fazer algo maior.
– Como vocês saíram de dentro do carro? – Santana se aproximou devagar.
– Apertando o mesmo botão que aciona a espuma. – Alex respondeu pegando um pequeno cilindro. – Ele desativa a espuma.
Ficaram em silencio enquanto Alex trabalhava e Santana observava atentamente. Ouviram o salto contra o piso.
– Senhor Pettyfer. – Emily o chamou educadamente. – O senhor tem um almoço na A2.
– Certo. – Alex respondeu com um resmungo. – Já estou subindo para sairmos, a senhorita irá me acompanhar. Me prepare um terno limpo e um casaco grosso como a senhorita já está ciente.
– É claro senhor, seu terno e agasalhados já estão separados desde ontem a noite. – A mulher se retirou rapidamente.
Santana deu um sorriso malicioso antes de limpar a garganta.
– Pettyfer.
– Hn? – Alex respondeu distraído.
– Você ou Fabray?
– O que tem? – Alex se votlou para ela limpando as mãos com um pano que havia retirado do bolso traseiro da calça. – Lacerta guarde tudo e limpe a espuma, por favor.
– É claro senhor, devo dizer que a minha senhora já está a caminho da A4.
– Excelente, almoçarei na A2 e retornarei assim que possível, enquanto isso a empresa está no seu controle. – Se pôs a andar na direção da saída. – Fale Lopez.
– Qual de vocês come a secretária?
– Nenhum dos dois. – Alex parou e se virou para encarar a latina. – Embora a Quinn tenha mais chances, pelo que sei ela tem uma boa inclinação para mulheres.
– Sério?
– O sorrisinho babaca que você está exibindo quer dizer que você se interessou? – Arqueou a sobrancelha direita, sorriu com o canto dos lábios. – Cuidado Lopez…
– Porque? – Santana o desafiou.
– Pelo que já ouvi ela é capaz de… como posso dizer? Ela pode literalmente te deixar de cama por um dia inteiro. – Alex piscou um dos olhos azuis soltando uma gargalhada. – Vamos Lopez, te pago uma bebida quem sabe com isso você tem ânimo para aguentar.
– Vá se foder Pettyfer. – Santana sibilou raivosamente.
– Uh… - Alex soltou uma gargalhada saindo do laboratório.
Quinn pegou o porta-lâminas no bolso do casaco, Rachel lhe olhou com o canto dos olhos.
– Novo tratamento? – A morena perguntou finalmente.
Estavam no carro a caminho da mansão Hindenburg, permaneceram em silencio desde que Quinn acordara ainda no planador.
–- Desenvolveram na tentativa de controlar a minha dor.
– E está funcionando? – Rachel estreitou os olhos quando um homem encurralou uma senhora.
– Razoavelmente. – Quinn deu de ombros. – O terminal da A4 é extremamente mal localizado.
O terminal da A4 se localizava no Distrito 2. As Áreas possuíam os seus Distritos sempre em um mesmo padrão.
O Distrito 1 era o cerne da Área, era onde estava a sua administração central, e os prédio de maior importância ou aqueles de maior poder aquisitivo. Também era onde a elite morava confortavelmente.
O Distrito 2 era a zona Industrial, o Distrito onde tudo era produzido em massa.
O Distrito 3 era a área residencial quase que exclusiva para a classe média, embora algumas pessoas da elite preferissem morar por lá.
O Distrito 4 era a zona de comércio, mercado negro em outras palavras.
E por fim o Distrito 5 era o mais pobre de todos e o mais atacado por Príons e Calabans.
Quinn pagou o pedágio para passarem para o Distrito 1, pegariam a Via Expressa na direção norte do Distrito.
Enfiou a mão dentro do casaco que usava puxando o aparelho fino e transparente. Deu um toques na suposta tela vendo algumas coisas surgirem.
– Alex foi para a A2. – Quinn resmungou. – Esqueci totalmente desse maldito almoço;
– Algo importante? – Rachel se interessou.
– Uma empresa que quer nos vender um novo programa. – Quinn respondeu distraidamente. – Algo sobre robôs domésticos.
– E vocês vão comprar?
– Hnn… creio que não, temos um projeto sobre isso. – Franziu as sobrancelhas claras. – Alex deve rejeitar a proposta gentilmente, até porque queremos vendes algumas peças para eles.
Rachel permaneceu quieta a observando.
– Qual o problema? – A morena indagou.
– Era para termos embarcado uma remessa de armamentos hoje pela manhã, mas elas não saíram do depósito.
– Você está considerando o fuso?
– Hnn… sim, era para terem sido enviadas um pouco antes de termos saído do meu apartamento. – Deu mais alguns toques antes de xingar. – Filho da mãe.
– O que foi?
– Russel negou o embarque. Porra Alex você tinha que ter resolvido isso antes de viajar. – Deu alguns comandos e guardou o aparelho.
– Se eu falar para você se acalmar só vai te irritar mais não é?
– É. – Fecgou os olhos recostando-se no banco.
Rachel suspirou, já conhecia aquele humor ácido que Quinn exibia às vezes.
A senhora que esperava por elas, no quintal de uma casa grande e arejada, era de estatura média e magra que exibia os cabelos brancos com orgulho. Os olhos eram azuis claros e profundos, a mulher pequena e de aparencia frágil vestia uma roupa de jardinagem sujas de terra.
Rachel deu um leve sorriso com a visão, saiu do carro enquanto Quinn acertava a corrida com o motorista. A morena descarregou as pequenas malas, viu pelo canto dos olhos a mulher se aproximar.
– Senhora Hindenburg. – Rachel acenou com a cabeça, era melhor manter uma distâcia respeitavel. – É um prazer revê-lo.
A senhora se aproximou estreitando os olhos. Rachel viu chegando, mas manteve-se parada até o tapa lhe acertar a bochecha.
– Ann! – Ouviu Quinn exclamar surpresa.
Ann Hindenburg ergueu a mão calando a neta antes de apontar um dedo para Rachel.
– Espero que você tenha uma excelente explicação Rachel Berry.
