A cozinha espaçosa era ocupada por três mulheres sentadas a mesa, a empregada havia servido copos de chá gelado antes de voltar aos seus afazeres.
– Russel? - Ann franziu as sobrancelhas. - Mas não faz sentido. Porque ele te mandaria para longe e depois ordenaria que você fizesse a segurança de Quinn.
– Nisso nós três concordamos. - Rachel suspirou. - É insano.
– Nem tanto. - Quinn se manifestou. - Ele anda insistindo para que eu me case com o Alex. Talvez ele ache que eu tenha perdido o interesse em mulheres.
– Isso é típico do seu pai. - Ann se levantou pegando uma luva de cozinha. - Fiz os seus biscoitos favoritos querida. Rachel fiz alguns muffins para você.
Quinn revirou os olhos diante da atitude da avó.
– Seu pai e sua mãe parecem que ainda vivem nos anos 2000. - Ann resmungava tirando os biscoitos da assadeira e os colocando em uma travessa. - Ele ainda empurra a Frannie para o Alex ou essa honra é só sua?
– Ele ainda tenta, mas ela se joga mesmo. - Quinn respondeu vendo Rachel tentar esconder o riso.
– Diga ao Alex que ele está me devendo duas décadas do nosso último jogo de pôquer.
– É claro. - Quinn revirou os olhos de novo. - Como está o jardim?
– Uma porcaria. - A mulher resmungou pegando o prato de muffins já frios. - Não sei porquê diabos comecei essa história de jardinagem.
– Porque o jardim era do vovô. - Quinn tomou um gole de chá enquanto a senhora pousava as travessas na mesa.
– Seu avô levava jeito para isso, eu só sei matar as malditas plantas. - Olhou para as duas mulheres que olhavam hesitantes para as travessas. - Podem comer quem fez tudo foi Mary, vocês não perderam os dentes, não morreram envenenadas e nem de indigestão.
As duas mulheres soltaram risadas enquanto a senhora piscava um dos olhos para a neta, mas os olhos azuis ficaram sérios ao fitarem a Berry.
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A Área 2 ficava onde um dia fora Moscou com sua arquitetura antiga e cores fortes e impactantes. O frio de -15C era até confortável se comparado ao de -50C durante o inverno, a parte estranha da A2 era que a cidade era uma cidade fantasma. As pessoas não se aventuravam nas ruas, o transporte era feito principalmente por trens. Os prédios na superfície funcionavam normalmente, mas se as pessoas não saiam as ruas então como a Área funcionava? Simples. A Área 2 era uma cidade subterrânea.
Grandes galerias foram construídas abaixo da terra, e dentro delas a cidade se erguia e fervilhava. Restaurantes, prédios menores, bares, museus, teatros, instituições de ensino, tudo se encontrava ali. Os prédios que funcionavam do lado de fora possuíam uma ligação direta com o subterrâneo. Os trens circulavam entre os Distritos entrando e saindo do subterrâneo. A A2 era o centro nervoso da arte desse novo mundo. Tudo era ornamentado ricamente e detalhadamente, um prazer para os olhos.
Alex estava olhando pela janela do trem, tinham uma cabine privativa no trem que seguia veloz pelos trilhos. A cabine era toda revestida por painéis de madeira e o chão por um felpudo e confortável tapete. Santana estava sentada de frente para ele enquanto Emily estava acomodada ao lado do chefe.
– Qual foi o motivo? - Alex mantinha a voz baixa e séria.
– Não nos foi comunicado. - Emily respondeu revirando uma pequena bolinha de metal que segurava. - Apenas negaram o embarque.
– Hn - Alex mastigou a língua. - Perfeito.
O terminal do distrito1 se aproximava, levantaram-se prontos para sair. As galerias eram climatizadas para se manter uma temperatura agradável. Alex arrumou a gravata, sentia o sangue quente ensurdeceder seus ouvidos pela raiva latente que sentia.
– Mande Lacerta averiguar a situação. - Ordenou enquanto andavam pelo corredor do trem até a saída mais próxima. - E reserve o nosso vôo de volta, quero voltar para a A1 assim que terminarmos este almoço.
– Já está feito senhor.
Alex soltou uma risada rouca.
– Emily deixe de ser tão eficiente. - Sorriu mostrando os dentes brancos. - Quero resolver tudo antes do almoço na verdade.
– O senhor deseja almoçar no planador então? - Emily revirou a bolinha entre os dedos.
– De preferência. - Viraram uma esquina. - Uma bebida e uma negativa.
– Ela vai insistir.
– Não quero saber. - Alex sorriu para uma moça que passava. - Lopez, talvez você seja necessária.
– Hn? - Santana estava atrás dos dois.
– Corcoran é a CEO da Mirnyy e geralmente ela está com o seu cachorrinho treinado. - Alex explicava, já estavam próximos ao restaurante. - Dizem as más línguas que eles tem um caso e que o rapaz possui o dedo nervoso.
– Hn. - Santana acenou mesmo que ele não visse. - Entendo. Corcoran?
– Exatamente. - Emily lhe deu um pequeno sorriso.
Entraram no restaurante e logo foram recebidos pela recepcionista, os casacos foram removidos, menos o de Santana que preferiu ficar com o sobretudo.
– Shelby Corcoran. - Alex sorriu para a atendente.
A mulher de traços orientais lhe sorriu e os guiou pelo restaurante até um reservado.
– A senhora Corcoran ainda não chegou, mas os senhores podem esperar. - Indicou as cadeiras. - O que desejam como aperitivo?
– Vodca. - Alex se manifestou puxando uma cadeira para Emily. - Duas doses e uma caneca de Kvas.
A mulher se retirou e Santana prontamente se posicionou contra a parede.
– Por favor. - Alex puxou uma cadeira, olhava para a Agente com um sorriso gentil. - Sente-se.
– Eu não sento e não bebo em serviço.
– Por favor, apenas uma dose. Prefiro que não fique um clima hostil. - Alex insistiu sorrindo. - Uma dose de vodca para esquentar.
Santana revirou os olhos aceitando a cadeira que ele oferecia.
– Acho que não poderemos almoçar na volta. - Emily avisou enquanto olhava para uma das paredes. - Não existem vôos disponíveis com almoço.
– Então comemos aqui mesmo. - Alex deu de ombros. - Quinn já deu notícias?
– Já chegou na casa da senhora Hindengurg.
Santana estreitou os olhos observando Emily atentamente, a serviçal entrou com as bebidas as servindo para seus respectivos donos.
Alex ergueu o copo para Santana lhe piscando um dos olhos azuis antes de virar a dose. A queimação instantânea da vodca forte entranto pelo seu sistema.
– Uma dose. - Alex balbuciou. - Juro que essa porra ainda vai matar um.
Santana respirou fundo mantendo a compostura, seus olhos presos em Emily.
– Não gosto de vodca. - Emily respondeu a pergunta muda de Santana distraidamente.
– Hn - Santana resmungou virando a própria dose.
Alex revirou os olhos disfarçadamente, ouviram a batida leve na porta e rapidamente se levantaram. Pela porta entrou uma mulher de silhueta bem definida pelo vestido, os cabelos escuros com leves ondas desciam pelas costas eretas com sua postura impecável. O rosto anguloso com o nariz relativamente avantajado e os olhos escuros penetrantes e sedutores.
Alex sorriu charmoso se aproximando da mulher ignorando o homem que estava parafo atrás dela.
– Senhora Corcoran. - Alex a segurou pela mão erguendo-a até os lábios. - É sempre um deleite vê-la.
– Sempre tão galante Alex. - A senhora Corcoran deu um leve sorriso. - Agora o que eu já lhe disse sobre me chamar de "Senhora Corcoran"?
– Perdão Shelby. - Alex se afastou puxando uma cadeira para ela. - Por favor.
– Obrigada querido. - Shelby se aproximou correndo a mão pelo rosto dele.
– Por favor, me traga três doses de uísque, uma taça de vinho branco e outra caneca de Kva. - Alex se dirigiu a serviç estava ciente do clima tenso que se instalara na sala, sutilmente abriu o sobretudo que usava sentindo a lâmina fria com os dedos. Alex e Shelby flertavam descaradamente ignorando o homem que havia se sentado ao lado da mulher de frente para Santana. Os olhos castanhos, os cabelos desalinhados, o ar superior como se todos naquele ambiente não passassem de nada além do chão em que ele pisava. Santana sabia bem quem ele era, já havia o encontrado em algumas poucas situações. E o fato de que os olhos dele captaram seu movimento lhe deixaram tensa.
Ele era alguns anos mais velho e havia se formado na Academia, mas se tornará um mercenário logo após se formar. Aquilo precisava chegar a Rachel. Jesse St'James não era qualquer um.
– Querida. - Alex correu a ponta da língua pelo lábio inferior. - Eu gostaria que tivéssemos essa conversa antes do almoço.
– Eu havia pensado em almoçarmos e deixarmos os negócios para depois em um lugar mais íntimo.
Alex sorriu com uma leve malícia antes de inclinar a cabeça para Emily esperando a assistente se manifestar, o que foi prontamente atendido.
– Temos que retornar a A1 para que o senhor possa resolver o problema do embarque. - Emily possuía um tom macio e calmo.
– Viu querida, não posso. - Alex se inclinou segurando a mão de Shelby. - Tivemos um pequeno problema com a Fundação.
– Quinn não pode resolver? - Shelby arqueou as sobrancelhas.
– Ela viajou para a A4. - Alex se afastou sutilmente quando a serviçal entrou com as bebidas. - Mas é óbvio que você já sabe disso.
– Óbvio? - Pegou a taça de vinho tomando um pequeno gole.
– Bem - Alex sorriu tomando um gole de uísque. - Não vamos ser hipócritas
– Não estou entendendo. - Shelby se recostou contra a cadeira.
Santana mantinha seus olhos colados nos de Jesse que não haviam abandonado os dela desde o movimento que havia pegado.
– Você vigia bem de perto a sua "filha". - Tomou mais um gole do destilado. - Ela acompanhou a Quinn até a A4.
Shelby se moveu olhando para Jesse, o homem se mexeu desconfortável.
– Eu não sabia disso. - A voz de Shelby saiu cantada. - Achei que Rachel estivesse na A3 como me fora informado.
Alex deu um pequeno sorriso antes de tomar outro gole.
– Não entendo Shelby. - O homem loiro tinha a calma empregada em seus movimentos. Era como uma valsa, onde um vacila-se o outro iria tomar o controle. - Porquê vigia-la e não manter contato?
– Isso querido é algo privado. - O sorriso de Shelby morreu, Alex abriu um sorriso com os lábios.
A serviçal bateu na porta a entreabrindo.
– Prontos para pedir?
– Ah eu estou. - Alex sorriu com os dentes brancos e os olhos fixos em Shelby.
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Quinn estava sentada em uma espreguiçadeira no deck que havia atrás da casa. Observava o lago que o avô havia mandado construir e os peixes que passeavam lá embaixo. Tomou um gole de chá gelado fechando os olhos demoradamente.
– Eu me lembro de quando você era pequena e adorava pescar com o seu avô.
Quinn deu um pequeno suspiro se virando para olhar a avó que se aproximava a passos lentos. Ann parou ao lado da neta olhando o lago com um olhar saudosista.
– Então - Quinn olhou para o copo. - Quer começar agora ou
– Vou esperar você terminar o chá não quero que você se engasgue.
– Vovó
– Agora eu sou "vovó"? - Ann arqueou uma sobrancelha. - No que você está pensando Quinn? Ela te deixou.
– E se a história do meu pai for verdade? - A loira se levantou encarando a senhora.
– Quinn ela sumiu por mais de cinco anos. - Ann rebateu. - Eu concordo que o seu pai é retardado o suficiente para acreditar que você agora se interessa por homens ou que você a odeie tanto ao ponto de nunca mais ter nada com ela, mas
– Mas o que? - Quinn se afastou segurando os cabelos da nuca, bateu o copo na mesa contra a mesa derramando um pouco de seu conteúdo. - Porra.
– Ela não é mais a mesma. Ela mudou e passou por coisas que nunca iremos imaginar.
– Pare de achar que eu não sei de tudo isso. - Quinn se voltou para ela, a senhora se manteve parada. - Pare de achar que eu ignoro os últimos cinco anos, nunca vou ignorar ou esquecer, mas também não posso ignorar a reação do meu corpo quando ela está perto. É. Olhar para ela me irrita sim, me deixa com raiva por tudo que passei, mas ela também consegue me acalmar. E isso também me irrita, pelo tamanho do controle que ela tem em mim, mas é a primeira vez em anos que eu consigo relaxar.
Ann se sentou em um banco de madeira maciça olhando a neta andar de um lado para outro gesticulando freneticamente.
– Foda-se se foi o meu pai. - Deu as costas para a senhora. - Que ele tenha entrado lá em casa. Foda-se que ele ferrou com tudo. Não vou deixar ninguém se meter nessa história e isso inclui a senhora.
– E quando o trabalho dela acabar? E ela for para outro lugar? - Ann arqueou uma sobrancelha. - Por que isso é um trabalho.
Quinn aprumou os ombros erguendo o queixo. Silêncio foi a resposta.
–-
Rachel estava encarando o vidro que exibia a tela da Fundação. Ouviu Quinn entrar no quarto.
– Santana está com o Alex. - Informou sem desgrudar os olhos da tela. - Eles estão voltando para a A1.
– Ok. - Resmungou se largando na cama escondendo o rosto com o braço.
Rachel franziu as sobrancelhas se desconectando do sistema, se virou para ela.
– Conversaram? - Se aproximou da cama.
– Unhum
Rachel acariciou o abdômen de Quinn por cima da camisa.
– Conversa boa ou conversa ruim?
– Ruim.
– Vai ficar me respondendo com uma palavra?
– Sim.
Rachel rolou os olhos se deitando ao lado dela.
Perguntas se acumulavam e respostas não eram dadas, ignorar aquilo que está bem na sua frente pode evitar uma briga, mas é apenas no momento. O problema de verdade continua existindo como se fosse um fantasma baforejando em seu pescoço.
Quinn tirou o braço do rosto e o abaixou pegando a mão de Rachel. Os dedos se entrelaçaram com firmeza.
– Discutimos. - Quinn sussurrou. - Alex está bem?
– Está, embora eu não sei se quero saber porque vocês mantêm contato com a Shelby.
– São apenas negócios. - Quinn retrucou virando o rosto para ela. - Apenas negócios.
– Porquê com ela?
– Foi a primeira que se dispôs a fazer negócio conosco. - Quinn fechou os olhos. - Óbvio que foi por sua causa, mas mesmo assim não podíamos negar.
– Eu entendo. - Rachel respondeu com um suspiro. - Não gosto, mas entendo.
– Eles já estão voltando? - Quinn franziu as sobrancelhas.
– Já. - Rachel virou o rosto para ela, os narizes se chocaram de leve.
Quinn ajeitou-se dando um beijo suave nos lábios da morena. Se encaram em silêncio.
– Posso confessar que estou com medo? - Rachel sussurrou.
– Eu sei. - Quinn se virou ficando de bruços. - Também estou, o nosso medo provém do fato de que sabemos que devemos conversar, mas não queremos porque sabemos que o resultado dessa conversa pode nos afastar.
– Já disse que amo a sua inteligência?
Rachel ficou de lado acariciando os cabelos claros, descendo pelo trapézio, ouviu o suspiro enquanto descia a mão até a base da coluna erguendo a camisa com a ponta dos dedos.
Quinn sentiu a pele se arrepiar enquanto a ponta dos dedos acariciavam a linha de sua coluna. Gemeu baixinho sentindo a boca quente na curva de sua lombar.
– Quinn. Ouviram o bater na porta.
Rachel ajeitou a blusa da loira, que socava o colchão, colocou um beijo no meio das costas da mulher e se levantou. A morena abriu a porta encontrando Ann.
– Vamos caçar. A senhora estendeu duas armas para Rachel.
–-
Alex entrou pelas portas largas do segundo prédio principal da Área1. Tinha chegado e ido direto para ele, ignorou a recepção e se encaminhou direto para o elevador. Havia dispensado Emily a mandando retornar a empresa. Santana o seguia em silêncio. Saiu no ultimo andar, era uma ante-sala ampla com carpete azul escuro e paredes claras, a mulher sentada atrás da pesada mesa de madeira tinha uma postura rígida. Rígida de mais.
– Senhor? Ela era linda, Alex revirou os olhos, aquela maldita perfeição robótica lhe irritava por vezes.
Alex a ignorou empurrando as portas com força e entrando sozinho na sala, Santana havia parado na ante-sala.
– Exijo uma explicação. Rosnou encarando Russel.
Russel estava encostado em sua cadeira olhando para Alex como se ele fosse um objeto interessante que talvez ele compra-se. O escritório possuía o mesmo carpete azul e as paredes claras e lá bem no centro a marca da Fundação. A mesma marca que todo Agente tinha tatuado na parte internar do braço, e por mera curiosidade também era o mesmo padrão com o qual os distritos se arrumavam nas Áreas. Eram cinco círculos circunscritos em ordem crescente de dentro para fora formando um formato de alvo.
– Posso saber o porquê da indelicadez para entrar no meu escritório? O Fabray se recostou na cadeira jogando o corpo para trás.
– No momento em que eu souber o porquê da sua falta de profissionalismo em barrar a carga de armas que iriamos mandar. Alex se aproximou, a expressão séria e o corpo tenso.
Russel jogou o corpo para trás mais uma vez cruzando as mãos a grente do corpo.
– Porque eu não quero mais as suas armas. Russel respondeu friamente.
– Temos a concessão da Área1 e da Área4 por mais 19 anos, você não pode negar o envio. Alex se curvou apoiando as mãos espalmadas contra a madeira. A concessão não pode ser revogada.
– Há não ser que em uma clausula esteja escrito que diante de um caso excepcional a concessão seja revogada.
– E qual seria o caso excepcional? Alex manteve uma calma quase irônica.
– A minha vontade. Russel deu de ombros. Acho que isso é algo excepcional, não acha meu caro Hudson?
Alex se endireitou ouvindo a risada baixa que vinha do canto esquerdo.
Ele era alto, um pouco mais alto do que Alex, o terno cinza se ajustava ao corpo levemente fora de forma. Os cabelos escuros, o rosto sem barba que lhe conferia um ar jovem de mais e os olhos castanhos pequenos e calculistas.
– A ND Corporation irá assumir a concessão das Áreas. De todas as Áreas.
– Todas as Áreas? Alex estreitou os olhos. Taigã não vai permitir isso.
– Quem manda sou eu. Russel inclinou a cabeça para o lado. Eu comando as quatro Áreas e o que eu decido será cumprido.
– Você não é Deus. Alex rosnou se voltando para o Fabray.
– Fui escolhido por ele para guiar o que restou de nossa civilização. Deus me escolheu. Russel apertou um botão na lateral da mesa. Agora saia.
As portas se abriram e Santana entrou com dois homens. Ela pôs a mão no braço de Pettyfer que se mexeu contra a sua vontade.
–-
Quinn resmungou sentindo a arma em suas mãos.
– Não acredito. Resmungou.
Ann rolou os olhos diante dos resmungos da neta, fez um movimento com o pulso como se acelera-se uma moto. O cano duplo da arma girou em seu eixo, a senhora a ergueu e mirou em um Príon que passava longe do muro de contenção.
– Aha! A senhora gritou. Mais um. Agora sim, odeio aquele maldito jardim, foi para isso que eu nasci.
– Matar seres que já não estão vivos e que gostam de comer carne humana? Quinn arqueou uma sobrancelha.
– Exatamente. Ann sorriu tomando um gole de seu cantil.
– Vinho? Quinn mantinha a sobrancelha arqueada.
– Quer? Ann ofereceu a neta.
Quinn bufou se levantando. Rachel subia a escada para onde elas estavam. O "muro" de contenção era uma forte muralha de aço com postos de observação a cada 20 metros.
– Acredita nisso? - Quinn gesticulou para a arma. - Minha própria avó usa as armas da concorrência.
– Seu avô me deu essas armas. - Ann se defendeu.
– Jura? - Quinn tinha um toque de deboche na voz. - Porquê se não me engano essas armas são do novo modelo.
– Não tenho culpa se prefiro as deles. - Ann murmurou com um rolar de olhos. - Melhor equilíbrio e muito mais ágil para recarregar. Quinn apertou os olhos na direção da avó, sentiu os dedos de Rachel seguem seu queixo o virando para a morena antes dos lábios macios tocarem os seus e a mordidinha sutil em seu lábio inferior.
– Ela tem razão. - Rachel se afastou com um sorriso divertido nos lábios e um piscar de olhos. - Suas armas tem um coice muito forte.
Quinn rolou os olhos com um muxoxo.
– Vou mandar balancear e ver isso do tranco. - Quinn se apoiou na mureta de proteção e cruzou os braços.
Rachel pegou a arma que Quinn abandonara sobre o banco e se postou contra o muro, esperava que algum Príon aparecesse.
– Teremos visitas para o jantar. - Ann anunciou descontraidamente.
Quinn sentiu o perigo daquelas palavras se infiltrarem pela sua espinha.
Rachel notou a rigidez da loira, mas manteve-se calada fingindo prestar atenção nos escombros do que um dia fora uma cidade. Os Príons geralmente ficavam em cidades fantasmas, embora tivessem implodido os prédios mais próximos as Áreas, as cidades permaneciam.
– Quem? - O falso interesse de Quinn era mal dissimulado.
– Rosalinda. - Ann apertou os olhos observando o horizonte. - Ela virá com uma espécie de guarda-costas.
– Mercenário a senhora quis dizer. - Quinn resmungou irritada.
Ann deu de ombros, olhou para Rachel com o canto dos olhos.
– Eu tentei que Quinn e Rosalinda namorassem. - A senhora Hindengurg falou casualmente. - Sabia Rachel? Rosalinda é bonita, de boa família e inteligente as duas tem muito haver e formam um belo casal. Funcionária se Quinn não estivesse com tanto medo de compromisso.
Rachel apertava a arma com força, seus dedos brancos eram um indicativo disso. Um Príon apareceu. Rachel errou o tiro.
– Opa - Ann sorriu sonsamente. - Sinto muito querida, acho que você perdeu essa.
–-
Quinn se apoiava na janela olhando as estrelas que já estavam altas brilhando palidamente contra o negrume da noite. A lua minguante mal iluminava o quintal, sentiu as mãos pequenas serpentearem sua cintura com um aperto forte.
– Me desculpa por hoje cedo. - A loira murmurou. - Ela apenas está te provocando.
Rachel afastou os cabelos loiros do pescoço pálido distribuído beijos pequenos na base do pescoço. Quinn assoprou o ar de seus pulmões com força quando os dentes roçaram contra a sua pele, as mãos espalmadas contra seu abdômen pressionando os corpos. Os dedos rastreavam o corpo por cima da camisa fina que Quinn usava roçando nos seios firmes da loira.
Puxou a camisa para fora do corpo esguio deixando o tronco nu, arrastou o nariz pelo trapézio sentindo o cheiro, enquanto os lábios roçavam pela pele sentindo os arrepios. Quinn segurou as mãos de Rachel se virando para encara-la, a morena livrou uma das mãos empurrando Quinn contra a janela.
– Minha. - Rachel murmurou, seus olhos desafiavam Quinn a dizer o contrário. - Você é minha.
Tomou a boca rosada de Quinn com fome, hora sugava os lábios hora os mordendo, sentiu a mão fina se enfiar pelos cabelos grossos e escuros os agarrando com força e como resposta suas mãos apostavam a cintura da loira.
Quinn deslizou uma das mãos pelas costas de Rachel até agarrar a bunda macia, redonda e firme com força afundando seus dedos contra a carne. Puxava Rachel contra o seu corpo pressionando os quadris, uma mão se fechou sobre o seu pescoço pálido e fez uma leve pressão.
– Quieta. - Mordeu rudemente o lábio inferior da loira.
Rachel se afastou virando o rosto para o lado ouvindo com atenção.
– Pelo amor de Deus. - Quinn murmurou frustrada. - De novo não.
– Chegaram. - Rachel assoprou contra os lábios inchados e vernelhos.
Quinn rosnou jogando a cabeça para trás, arregalou os olhos abafando o gemido quando Rachel mordeu o bico saliente de um dos seus seios ainda protegidos pelo sutiã.
– Tira a calça. - Rachel sussurrou abrindo o bendito sutiã.
Uma batida na porta.
– Quinn. - Ann chamou.
– Já vamos descer. - Quinn grunhiu tentando manter a voz estável.
Sua calça e a calcinha foram para o chão.
– Elas já chegaram. - Ann insistiu. - Rosalinda perguntou por você.
Os olhos de Rachel queimaram com um fogo excitante antes de abocanhar um dos seios de Quinn enquanto torcia o bico do outro habilmente entre os dedos.
– Já vamos. - Quinn engasgou.
– Querida está tudo bem?
– Unhum
Quinn agarrou os cabelos de Rachel, sua testa franzida e a boca entreaberta deixando os gemidos mudos saírem.
– Vem. - Rachel tinha um tom de voz rouco. - Quero você na cama.
Quinn estava envolvida naquela atmosfera que a morena havia criado, o cheiro das duas se misturando lhe embriagava. O coração martelava em sua caixa torácica como um martelo na madeira, sentia o sangue bombeando e a pressão em seus ouvidos. Deixou a morena lhe sentar na cama enquanto ela retirava as roupas calmamente, Quinn lambeu os lábios engolindo em seco. Rachel caminhou até a cabeceira da cama ajeitando os travesseiros lentamente apenas para torturar a loira. Se sentou recostando-se e ergueu a mão chamando Quinn provocativamente.
– Vem pro meu colo vem.
A loira lambeu os lábios, rodou o pescoço, pôs os joelhos no colchão e rastejou até a morena. Gemeu se acomodando no colo da Berry, as mãos pequenas agarraram os quadris da loira. A Fabray se prendeu no pescoço moreno enquanto seus quadris remexiam, esfregando-se contra a morena. Os cabelos claros se agarravam a pele suada e rosada, a cabeça jogada para trás deixava o pescoço livre para os ataques da morena e o lábio inferior preso entre os dentes tentando abafar os gemidos.
Rachel engoliu um dos seios sugando forte, Quinn estremeceu, Rachel ergueu uma das mãos segurando a nuca da loira a trazendo para se esconder em seu pescoço moreno e suado.
– Senti falta do teu corpo estremecendo assim. - Sussurrou, a loira se agarrou ainda mais nela aumentando o ritmo de seus quadris. - Do teu corpo gostoso, do teu cheiro e do teu gozo.
Quinn deixou um gemido estrangulado sair.
– Goza pra mim? - Rachel sussurrou, mordeu a orelha de Quinn. - Goza.
A língua quente se arrastou pelo pescoço pálido antes dos dentes se cravarem na pele. Esse simples gesto fez o corpo de Quinn estremecer violentamente, as contrações em seu ventre lhe provocando espasmos prazerosos e os gemidinhos finos que lhe escapavam.
Rachel mordia o lábio respirando forte sentindo o corpo da loira receber todo aquele prazer. Beijava os ombros e o pescoço de Quinn com calma tentando controlar o próprio desejo.
– Temos que descer. - Rachel sussurrou deslizando as mãos pelas costas suadas.
Quinn a beijou na boca com calma puxando o rosto da morena com as mãos.
– Mais tarde. - Rachel sussurrou de olhos fechados sentindo o hálito de Quinn em seu rosto. - Mais tarde você faz o que quiser comigo. Promete?
– Prometo. - Quinn sussurrou mordendo o lábio da Agente. - A noite toda.
Rachel franziu as sobrancelhas soltando um gemido baixo.
– Não usa o uniforme da Fundação não. - Quinn sussurrou. - E nem as armas.
– Por quê? - Rachel abriu os olhos escuros.
– Não quero uma Agente do meu lado essa noite. - Quinn deu um pequeno beijo nos lábios cheios.
– E o que você quer? - Rachel perguntou franzindo as sobrancelhas.
Quinn se curvou sussurrando no ouvido da morena algo que lhe causou um sorriso meigo.
