Will foi se deitar,e percebeu que havia uma rede maior,provavelmente para os dois dormirem juntos.Deixou-a para Elizabeth,e foi dormir na rede mais próxima.
Após se recuperar,Elizabeth desceu para dormir.Viu a grande rede vazia,procurou por Will,e encontrou-o deitado na rede logo à frente.O observou por um tempo,passou os dedos por entre seus cabelos,contendo os soluços, beijou sua testa,desejando-lhe boa noite e foi se deitar.
Will abriu os olhos,que agora estavam cheio de lágrimas,e engoliu as palavras que tanto desejava dizer a Elizabeth.
Próximo dali,o Holandês Voador, com um novo comandante,o agora Almirante Norrington,elevado de cargo por Lorde Beckett como recompensa pelo coração de Davy Jones,que havia lhe dado o poder sobre o navio,ganhando o poder Davy Jones,que agora comandava um navio comum com seus servos que conseguiram fugir da súbita invasão.
-Almirante,temos um navio à vista! –gritou um oficial,e Norrington e Beckett vieram á seu encontro,Norrington pegou a luneta para avistar o navio.
-Oh,o Safira.São apenas uns bandos de piratas que não perceberam que a pirataria está prestes a ser a atacar a pouco tempo. –ele recolheu a luneta –É só um pequeno navio pirata.
-Bem,então vamos corta-lo pela raiz antes que ele cresça... –disse Beckett com um sorriso e Norrington olhou para o navio ambiciosamente.
-Homens preparem-se,vamos nos aproximar!Preparar cerco. – os homens começaram a prepararem suas posições e suas armas. –Vamos atacar.
Os homens abordaram o navio tão silenciosamente que a tripulação não acordou,e nem puderam reagir.Os oficiais chegaram arrancando todos de suas redes e os colocando ajoelhados no convés.Os gritos dos capturados acordavam os outros que eram logo pegos por outros oficiais.
Quando todos haviam sido reunidos no convés,Beckett andava em frente á eles de um lado pro outro.Um marujo em particular tremia e chorava,rezando com um terço na mão.
Então Norrington pareceu se inquietar,se aproximou de Beckett e sussurrou algo em seu ouvido.Os dois se viraram para Gibbs.
-Sr.Gibbs? –Beckett chamou.Gibbs respirou fundo e respondeu.Beckett e Norrington se entreolharam e Beckett foi até Gibbs.
-Está familiarizado com Jack Sparrow?
-Capitão. –Gibbs murmurou.
-O que? –perguntou Beckett,com um tom mais perigoso.
-Sim. –disse Gibbs.
Enquanto isso Norrington se aproximava das pessoas ao lado de Gibbs.Então viu alguém de cabeça baixa,logos cabelos claros,puxou sua espada e colocou a no queixo da pessoa,fazendo-a erguer a cabeça.
-Elizabeth. –disse ele surpreso.
-James. –Elizabeth respondeu fria.
Norrington guardou sua espada de volta na bainha,e Beckett se virou para eles com um sorriso cheio de maldade.
-Ah,mas parece que se reuniram todos para a festa! –disse Beckett contendo sua emoção de encontra-los todos juntos,mas a satisfação da vingança escondida em todas suas palavras. – Onde está o grande Jack?
Todos ficaram em silêncio,houve uma movimentação e sussurros entre alguns homens da tripulação e Beckett riu,Norrington ainda olhava Elizabeth incrédulo.
-O que faz aqui? –Norrington perguntou á ela.
-Fazemos parte da tripulação. –respondeu Will.
-Ah,são parte da tripulação de um navio pirata.São piratas,então,serão tratados como tal.Levem-nos para as celas. –disse Beckett e todos os oficiais os olharam confusos,Norrington o segurou pelo braço.
-Não vai perguntar se eles querem se defender? –perguntou Norrington.
-Não. –Beckett disse e voltou andar mas Norrington o impediu novamente.
-É melhor perguntar.Seu cargo é muito ambiciado,esses homens usariam qualquer errinho para derruba-lo.
-Certo. –disse Beckett desgostoso se voltando para os piratas –Alguém tem algo em defesa da tripulação? –todos ficaram em silêncio,e se entreolharam em busca de alguém que lhes trouxesse a ultima esperança. –Ninguém?
Beckett lançou um olhar desafiador para os oficiais que olhavam com ódio e se preparou para ordena-los que levassem os prisioneiros,quando uma voz trêmula e distante gritou:
-Eu clamo por misericórdia!
Os olhos de Beckett queimaram de ódio e ele se voltou para a tripulação,e andou até o penúltimo homem,ao lado do Capitão,que tremia compulsivamente e segurava com toda sua força um terço entre as mãos.Sua voz havia saído num grito,desesperado e amedrontado.Beckett parou em frente á ele.
-Clama por misericórdia á quem? –perguntou Beckett ameaçadoramente.
-Á Vossa Majestade,a Rainha!
-Qual Rainha? –perguntou Beckett e o homem pareceu mais seguro e corajoso,levantou a cabeça para encara-lo, sua voz saiu num grito ainda desesperado porém mais forte:
-Clamo por misericórdia á Vossa Majestade,a Rainha Carmem da Espanha!
-Oh... –disse Beckett com desgosto, decepção e até desprezo,virando o rosto instintivamente,em seguida o voltando para frente.
-A misericordiosa Rainha Carmem... –disse Beckett com desprezo.
-Irá aquiescer ao pedido,Lorde Beckett? –perguntou Norrington,tentando disfarçar a curiosidade,e manter a formalidade.
-Sim –respondeu ele se virando para os oficiais –Levem-nos á ela.
Numa cela do Holandês Voador,Will e Elizabeth,questionavam Gibbs:
-Quando ela virou Rainha?
-Não sei...algo deve ter acontecido com o pai dela.Pobre mulher,perdeu o Jack,o filho,e o pai.
-Mais um motivo para ela não ajudar... –disse Will.
-Estou dizendo,ela não vai ajudar.Ela vai ficar até feliz em saber o que aconteceu. –disse Elizabeth.Will e Gibbs a olharam espantados. –Vocês não conhecem nós,mulheres.Nossa ira pode causar grandes estragos...Sabemos amar,mas sabemos odiar também.
Will e Gibbs se entreolharam,e Elizabeth não os encarava,olhava para frente,sem se importar muito com os olhares que lhe lançavam.
Lorde Beckett adentrou o Palácio e foi informado de que a Rainha se encontrava em seu escritório.Foi até lá,um criado entrou para anuncia-lo,e em seguida abriu a porta anunciando que ela iria recebe-lo ,e Beckett entrou em sua sala.
A sala tinha grandes janelas, estava bem clara devido á luz do sol.Além de alguns quadros,a sala tinha apenas uma grande escrivaninha,atrás da qual se encontrava Carmem,em pé.
Carmem vestia um longo vestido branco,com um leve tom rosa,que deixava seus braços á mostra e era discreto e até simples.O brilho de sua imagem ficava por conta da grande coroa brilhante em sua cabeça,os cabelos soltos,caindo pelo seu ombro,e descendo até um pouco abaixo do busto do vestido.
-Lorde Beckett.
-Alteza. –ele disse tirando o chapéu e fazendo uma reverência,Carmem fez um aceno com a cabeça em resposta.
-O que te traz aqui novamente? –ela perguntou.
-O segundo motivo pelo qual venho aqui,após sua beleza. –disse Beckett graciosamente,fazendo Carmem abrir um sorriso irônico.
-Piratas.
-Precisamente.
-Eles já estão aqui? –perguntou Carmem saindo de trás da mesa.
-Estão á sua espera,Alteza. – disse Beckett,e Carmem passou por ele e saiu da sala.
-Carmem,será que poderia me dar um minuto? –disse Beckett saindo correndo atrás dela,que parou.
-Lorde Beckett,não é porque sabe meu nome que pode usa-lo tão informalmente. –disse Carmem quando ele a alcançou e em seguida voltou a andar.
-Perdão,Alteza,mas há algo que eu gostaria de lhe falar. –disse Beckett ainda atrás dela.
-Pois então fale. –disse ela,e Beckett hesitou –Consegue andar e falar ao mesmo tempo,Lord Beckett?
-Sim,Alteza.Mas,eu tenho um interesse em particular na tripulação desse navio.
-Qual o porquê desse interesse?
-É...pessoal.
-Política não é pessoal,Lorde Beckett,é para sociedade. –disse Carmem se virando para encara-lo mas sem parar de andar. –Não podemos decidir o destino de varias pessoas baseados no capricho de uma só.
-Não é um capricho,Alteza,é uma obrigação muito importante,uma vontade...
-Lorde Beckett,não sei se lembra,mas eu ainda tenho uma autoridade maior que a sua. –disse Carmem finalmente parando,Beckett parando bem em frente á ela – A palavra final é sempre a minha,a minha vontade prevalece a sua,e a minha vontade é que todos sejam julgados com igualdade.
Carmem voltou a andar,Beckett ficou parado formulando argumentos para convence-la.
-Me perdoe,Alteza.Não tive a intenção de lhe faltar com respeito. –disse Beckett de cabeça baixa.
Carmem parou de andar mas continuou de costas.Beckett odiava a idéia de se dirigir assim a uma mulher,mas era o que tinha fazer,para não arruinar sua reputação.
-Mas,Alteza,são apenas três pessoas que me interessam,será que poderia deixar apenas elas á meu julgamento? –perguntou Beckett levantando a cabeça,e Carmem virou os olhos e se voltou para ele,indo á sua direção.
-Alguém pediu a misericórdia pela tripulação a mim,certo? –Carmem perguntou.
-Exato.
-Essas três pessoas fazem parte da tripulação? –perguntou Carmem.
-Sim,Alteza.
-Então elas serão julgadas por mim,juntamente com a tripulação. –disse Carmem,em seguida virou as costas e voltou a andar.
-Mas,Majestade,eu realmente preciso... –começou Beckett mas Carmem parou de andar,e se virou novamente para ele dizendo:
-Lorde Beckett,se lembra que eu disse que a palavra final era minha? –perguntou Carmem friamente e Beckett concordou com a cabeça. –Pois então...Essa é minha palavra final.
