-Davy Jones?É só uma lenda! – disse Antonio.
-Ele é tão lenda quanto a Medusa. –disse Jack
-O que ele quer com a Carmem?
-Não sei...
-Acha que quer usa-la para chegar á você?
-O que?
-Ora,Jack, "O Grande amor de Jack Sparrow" é uma história bem conhecida.
-Mas se ele estava lá,no fim do mundo,porque ele não me levou de uma vez? –perguntou Jack,Antonio pareceu pensativo.
-Eu...eu realmente não sei,Jack. –disse Antonio e Jack ficou demonstrou-se desapontado –Mas não se preocupe,nós alcançaremos o navio logo e a resgataremos.
-Não,Antonio,você não sabe com o que está se metendo...
-Mas você sabe,Jack.
-Mas eu não quero!
-O que?
-Se eu encontrar ele de novo...é o meu fim.Eu não posso ajudar,Antonio.
-Mas Carmem precisa de você!Você é o único... –dizia Antonio mas Jack o interrompeu.
-Não posso,Antonio,sinto muito.
-Sente muito? –perguntou Antonio,olhando para Jack severamente –Não me diga que sente muito,Jack,se sentisse,estaria fazendo algo por ela.
-Antonio... –disse Jack mas Antonio virou as costas e foi embora.
Antonio subiu as escadas e voltou ao convés,onde foi abordado por Will e Elizabeth.
-O que está acontecendo?Que caixa era aquela? –perguntou Will
-Onde está o Jack? –perguntou Elizabeth.
-É uma longa historia.. –disse Antonio passando por eles sem parar,até que Will se colocou em seu caminho.
-É uma longa viagem. –disse Will,Antonio pareceu incomodado e suspirou.
-Venham comigo. –disse Antonio acenando com a mão e Will e Elizabeth o seguiram até sua cabine. –Aquela caixa,era uma pista de Carmem,para que pudéssemos encontra-la.Essa pista nos levou a conclusão que ela está em poder de...Davy Jones.
-Davy Jones?! –perguntou Will.
-De acordo com Jack,a Armada não tem como derrota-lo,diz que não saberíamos como lidar com ele.E eu sei que ele sabe,mas,ele se recusa a ajudar.
-Não acredito...como pode? –disse Elizabeth.
-Também não conformo...como ele pode se importar tão pouco com alguém que fez tanto por ele?!
-Vejo que finalmente foi apresentado ao verdadeiro Jack. –disse Will.
-Mas e agora,e Carmem?Jack é o único que poderia saber como lidar com ele...
-Talvez não...-disse Will e Elizabeth e Antonio se viraram para ele. –Em questão de enganar Davy Jones,eu e Jack estamos quase empatados.
-Você faria isso? –perguntou Antonio.
-Faria e com gosto,acredite. –disse Will recebendo olhares admirados de Antonio e Elizabeth.
-Muito,muito obrigado,Sr.Turner. –disse Antonio indo até Will e apertando sua mão.
-Também tenho meus motivos,Almirante Mendez.Meu pai está preso naquele navio,condenado a servir aquele monstro.
-Almirante Mendez. –um oficial abriu a porta da cabine. -Sparrow...seu irmão...er...o prisioneiro está te chamando aos berros.
-Pois ele que grite até que ficar sem voz,não vou falar com ele. –disse Antonio voltando a ficar atrás de sua escrivaninha.
-Almirante...ele está...irritando,muito.
-É sua principal habilidade... –disse Will. –Eu vou até lá.
Will saiu da cabine e já pode ouvir os gritos de Jack e desceu as escadas até as celas,quando chegava,Jack ouviu seus passos e parou de gritar.
-Antonio!Sabia que viria! –disse Jack e Will apareceu –Oh...você não é Antonio.
-Bem,não,mas,eu preciso falar com você. –disse Will andando até a cela de Jack.
-E aí vem... –disse Jack se afastando das grades e se sentando encostado na parede.
-Só queria te alertar sobre algumas coisas que...provavelmente te fariam mudar de idéia.O coração...de Davy Jones,sabe com quem está?
-Você sabe? –disse Jack se levantando,alerta.
-Norrington pegou,e entregou para Beckett.
-Beckett...aquele miserável...
-E esse mesmo Beckett está noivo,sabia?
-Não me interessa. –disse Jack virando de costas,irritado.
-Acho que te interessa sim,Jack,porque ele está noivo de Carmem. –disse Will e Jack se virou,atônito.
-O que?
-Você me ouviu,Jack.E não acha um pouco estranho que entre todas mulheres no mundo,ele foi ficar noivo logo de Carmem,depois que você a deixou.Ele pode ter achado vantajoso,Jack,mas eu vejo por outro lado. –disse Will e Jack se virou para ele,tentando esconder o interesse –Carmem pode te levar até ele,agora.Você resgata Carmem de Davy Jones e se une a ela para pegar o coração de volta.
-Está começando a pensar como um pirata,William?
-É preciso.
-Bem...então,agora que eu decidi ajudar,será que você poderia pedir para Antonio me tirar daqui? –disse Jack cuidadosamente e Will riu.
-Espere um pouco,vou falar com ele. –disse Will e foi em direção ás escadas,encontrando Barbossa logo na entrada. –Barbossa?O que faz aqui?
-Vim cumprimentar o velho Jack. –respondeu Barbossa
-Não sei porque,mas acho que ele não quer te cumprimentar. –respondeu Will.
-Isso é o que vamos ver. –disse Barbossa desviando de Will.
Barbossa entrou e andou em direção á cela de Jack que tinha os braços para a fora,e o rosto apoiado entre as grades.Ao ouvir o som de botas,Jack levantou a cabeça,e deu alguns passos para trás,esfregando os olhos.
-Eu preciso de rum. –disse Jack.
-Rum é algo difícil de se encontrar num navio da Marinha.Mas alguém sempre tem escondido,só é preciso...barganhar. –disse Barbossa se aproximando.
-Chega de assombrações por hoje...vai,chispa! –disse Jack fazendo movimentos com as mãos e fechando os olhos como se fizesse um feitiço.
Barbossa o olhava com as mãos atrás das costas e uma expressão lívida.Jack abriu um olho lentamente,e viu que ele ainda estava lá,repetiu os movimentos insistentemente.
-Barganhar... –disse Barbossa pensativo. –Foi assim que eu consegui sair daquele lugar... –Jack abriu os olhos –Ao contrario de você eu não disponho de amantes poderosas...bem,talvez,mas...
-Quem te ajudou? –perguntou Jack finalmente se conformando.
-A mesma pessoa que te ajudou...-disse Barbossa –E é bom ir pensando numa recompensa para ela,sabe que ela não faz nada de graça.
-Tia Dalma.-concluiu Jack com um sorriso –Mas...onde Carmem entra nessa história?
-Bem...como você perdeu o Perola Negra –disse Barbossa e Jack fez uma careta ofendida –Precisávamos de navios,e tropas...e como Dalma havia ouvido aquele belo conto de fadas..."O Grande...
-Amor de Jack Sparrow",sei.
-Ela soube que Carmem era a pessoa certa para ajudá-lo,poderosa,honesta,confiável... –Jack abriu um sorriso –Mas acho que ela se enganou.
-O que?- perguntou Jack,o sorriso se desfazendo.
-Não acha que o jovem Will Turner se tornou um pouco determinado demais,assim,tão de repente? –disse Barbossa e Jack pareceu irritado.
-O que isso tem a ver com Carmem?
-Tudo,meu caro Jack.
-Sabe quem eu sou?
-Não,mas...eu te conheço. –respondeu Carmem.
-Então,é você mesmo...
-O que quer dizer? –perguntou Carmem,confusa e amedrontada.
-Você...é meu destino,e eu,sou o seu.Levante-se. –disse Davy Jones e Carmem se levantou lentamente.
-Por isso estava em meus sonhos?
-Estava em seus sonhos para te salvar.Mas você não me escutou.
-O que?O que fiz de errado? –perguntou Carmem sem entender a ligação que sentia com aquela criatura.
-Você voltou para ele.
-Ele?Quem?
-Você sabe.-disse Davy e Carmem pareceu entender,e abaixou a cabeça como se entendesse a repreensão.
-Jack. –ela sussurrou.
-Jack.Eu te avisei,e mesmo assim você foi atrás dele,e o ajudou.
-Eu tive que faze-lo!Eu prometi!
-E quantas promessas ele te fez e não cumpriu?!
-Mas eu não sou como ele!E ele estava pagando pelo que fez!
-Ele estava,até que você interferiu! –bradou Davy,Carmem deu alguns passos para trás amedrontada –Olhe para você...é uma Rainha,se vestindo como uma reles pirata!Olhe o que Jack fez de você!Ele te faz sofrer e você faz de tudo para a felicidade dele...você vai pagar por isso.O que ele não está sofrendo,você vai sofrer.
Dizendo isso,Davy cambaleou,andando para trás,seu tronco balançou hesitante,para frente para trás,Carmem o olhava apavorada.Ele levou uma das garras ao peito.
-Vá para seus aposentos,troque essa roupa e depois volte aqui. –disse Davy e Carmem continuou a olha-lo confusa. –Vá!
Carmem se assustou e saiu correndo pela porta,por um longo corredor,até que um aposento lhe chamou a atenção.
Era diferente de todo o resto do navio,havia uma janela e o quarto tinha uma claridade ofuscante e misteriosa.Lá havia uma cama,com lençóis brancos,e uma escrivaninha,Carmem parou na porta,e viu que sobre a escrivaninha havia uma caixa de madeira,semelhante a que sua mãe havia lhe deixado.Carmem entrou no quarto,encostou a porta ás suas costas,e foi se sentar em frente á escrivaninha,para examinar melhor a caixa.
Não havia nada de especial sobre a caixa a não ser que lhe lembrava a de sua mãe,e ela achou uma incrível coincidência encontrar uma caixa daquelas ali.Abriu-a lentamente,estava vazia.Passou a mão sobre o fundo a puxou-o,abrindo um sorriso,que em seguida se tornou maior.Ela olhou um volta,viu um tinteiro com um pena e puxou-o para mais perto,procurou com os olhos,e um encontrou um caderno parecido com um diário,foi á ultima pagina e arrancou um pedaço de papel.
Molhou a pena no tinteiro e escreveu uma frase no papel,que colocou no fundo falso da caixa o tampando,e fechando a caixa.
Olhou em volta mais uma vez e se levantou,indo rapidamente á janela e a abrindo,jogando a caixa ao mar,esperando que a pessoa certa a encontrasse.Fechou os olhos sentindo os respingos do mar em seu rosto.De repente,algo a assustou.
Uma criatura havia entrado no quarto e deixado uma caixa em cima da cama.
-O Capitão falou para você vestir isso. –disse a criatura e Carmem concordou,a encarando com os olhos arregalados. –Disse que é para encontra-lo,para tomar chá.
Carmem concordou com a cabeça,sem saber muito bem com o que concordava,a criatura então se virou,e saiu pela porta sem nem mexe-la,já que o pequeno espaço de abertura era suficiente para que a criatura que de frente parecia ser enorme,de lado era extremamente fina,como um tipo de peixe,pudesse passar em seu vão.
Carmem balançou a cabeça como se afastasse o pensamento,e foi até cama,se sentando nela e abrindo a caixa,que continha um longo vestido rosa claro.
Carmem levantou-se com o vestido,para ter uma idéia se serviria,então se lembrou de porque o usaria.
-Chá?Aquela coisa toma chá?
Carmem encolheu os ombros em sinal de duvida,e trocou as roupas de pirata pelo vestido.Após vesti-lo,dirigiu-se à porta,mas escutou um som conhecido vindo da caixa onde estava o vestido.
-A canção... –disse Carmem se apressando até a caixa e encontrando um pingente de ferro em formato de coração,que tocava a canção,como uma caixinha.Carmem segurou o colar pelo cordão e saiu do quarto,andando novamente pelo corredor,até a ultima porta.Abriu-a lentamente e viu Davy Jones sentado em frente ao órgão,o mesmo som que vinha do pingente que ela tinha em sua mão vindo da sala.Carmem andou e parou atrás dele.
-Acho que isso é seu. –disse ela esticando a mão lhe mostrando o pingente sobre seu ombro.Ele esticou um de seus tentáculos que segurava um pingente semelhante.
-Fique com este,já tenho o meu. –ele disse e Carmem trouxe o pingente de volta,segurando-o contra o peito.Olhou em volta e viu uma bandeja sobre uma mesa velha,foi até lá e viu que só havia uma xícara.
-Só há uma... –disse Carmem
-Não achou que eu fosse mesmo beber chá,não é?-disse Davy e Carmem deixou escapar uma pequena risada.
-E não acho que me chamou aqui apenas para me oferecer uma xícara de chá.
-Está certa. –disse Davy e Carmem se aproximou –Te chamei aqui para abrir seus olhos,lhe contar a verdade sobre as conseqüências do que fez...e te fazer perceber como somos iguais...Veja bem,me apaixonei por uma mulher,há um bom tempo atrás,e...resumidamente,ela não me amava,por um bom tempo me enganou,trocamos cartas de amor e até tive certeza que ela realmente me amava...até que ela fugiu com outro,com o homem que realmente amava,e nunca mais voltou para mim...Carmem,Jack te deixou,ele pôs um fim a sua historia,mas você decidiu voltar,procurar por ele,e agora tudo que vai encontrar é sofrimento.Agora mesmo,Jack está num navio,fugindo para longe com sua amada...
-Pare! –gritou Carmem,os olhos cheios de lágrimas.
-É verdade,e você sabe disso!E eu sou o único que pode te poupar de todo este sofrimento... –disse Davy,e Carmem virou as costas,se voltando para a bandeja,e pegando a xícara.Davy começou a tocar sua musica vigorosamente no órgão,Carmem levou a xícara à boca e tomou um longo gole de chá.Abaixou a xícara,a deixando escorregar e tombar na bandeja.Levou a mão à cabeça e saiu andando em direção á porta.Sua visão se tornou borrada e ela correu pelo corredor até encontrar o quarto de onde havia saído,entrou e fechou a porta,andou até a cama,onde caiu,desmaiada.
Então a porta se abriu,Tia Dalma entrou lentamente,parou ao lado de Carmem,e a observou.
-Está feito.
