Aviso no fim do capítulo.

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"Não... deixem-na em paz! Vampira!"

A voz de Amy chegava em seus ouvidos, cada vez mais baixa, mais distante. Vampira tentou abrir os olhos, dizer ou fazer alguma coisa para acalmar a criança, mas não conseguiu.

Se mover estava tornando-se cada vez mais difícil, como se cada um de seus membros pesassem toneladas, inclusive suas pálpebras que se recusavam a se abrir.

Ela estava apenas parcialmente consciente do que acontecia ao seu redor, e esta lucidez ia se perdendo aos poucos no turbilhão de sua mente confusa, seus pensamentos tornando-se mais lentos, focar-se em qualquer coisa exigia um esforço árduo.

Ela sentiu quando foi erguida no colo, algo parecido com flutuar, ainda que as mãos que a estavam segurando não fossem nada gentis, alguns movimentos bruscos indicavam-lhe que estava sendo carregada, e a situação se seguiu por um tempo que Vampira não pôde determinar.

Em alguns momentos durante o percurso, ela conseguiu abrir os olhos, mas foi por poucos instantes, e logo eles tornavam a fechar-se.

Ainda assim, nesses raros momentos, Vampira observou o máximo de coisas ao seu redor por trás dos ombros do homem que a carregava, em uma tentativa desesperada de situar-se, e o que viu a teria tornado revoltada se sua cabeça estivesse funcionando normalmente, se conseguisse manter-se focada em qualquer pensamento por tempo suficiente para sentir qualquer coisa.

Havia várias celas, todas pareciam simples e semelhantes embora não houvesse nem mesmo uma completamente igual à outra.

Cada cela era composta com elementos diferentes; provavelmente projetada para resistir a cada poder específico, tornando qualquer tentativa de fuga completamente inviável.

Isso era perceptível até mesmo para uma observadora distante como Vampira, que suspirou desanimada com a constatação. Não via maneira de escapar daquele maldito lugar, e isso trouxe um frio inesperado ao seu peito. Ela nunca admitiria, mas estava começando a temer por si mesma.

Inúmeros mutantes estavam cativas por ali, muito mais do que Vampira imaginara a princípio.

Os olhos de Rogue buscaram desesperadamente qualquer familiaridade por onde que passava, mas percebeu que não conhecia aquele lugar. Já estivera em uma das inúmeras cedes da organização e, desanimada, percebeu que nunca havia estado na que agora se encontrava.

Ela não fazia idéia de onde estava.

Algumas das pessoas presas gritavam insultos contra os homens que passavam, esbravejavam ameaças. Outros tremiam em seu pavor mudo, principalmente os mais jovens.

Embora sua mente não estivesse em estado normal, Vampira sentiu-se enjoada ao ver a quantidade de crianças que lá havia, algumas ainda mais novas do que Amy, chorando e tremendo, como animais enjaulados, encurralados. Seus olhos se fecharam por um curto período de tempo.

Tornou a abrir os orbes por alguns segundos e notou que o cenário havia mudado, Vampira deduziu que chegaram a seu destino, mas não fazia idéia de onde era, nem conseguiu manter os olhos abertos por tempo o suficiente para ver onde estava. Tornou a fechá-los.

Sentiu-se ser colocada em uma superfície lisa, uma espécie de lâmina de metal, crestada pelo frio gélido que tomava todo o local.

A temperatura estava caindo drasticamente, fazendo-a tremer por vezes sem conta. Tudo parecia muito vago, confuso. Vampira finalmente parou de lutar contra a inconsciência, perdendo completamente os sentidos.

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Os olhos de Vampira se abriram lentamente, de maneira difícil. Seu queixo descansava sobre o peito, as respirações estavam rasas.

Aos poucos, ainda desnorteada, ela tomou consciência de seu próprio corpo, e de tudo o mais que havia ao seu redor. Levou alguns minutos para perceber detalhes de seu cativeiro.

Vampira estava suspensa em uma posição ereta, sentiu os pulsos e pés presos firmemente com grilhões de metais quando tentou se mover.

Conseguiu erguer a cabeça por alguns segundos, não sem excessivo esforço, os olhos verdes embaçados viajaram por todas as pessoas que a cercavam.

Eram várias, incontáveis. Todos usando luvas de látex e roupas brancas com o emblema da organização anti mutantes estampado no peito, seus rostos pareciam borrões para Vampira, disformes, idênticos.

Ela percebeu que o lugar se tratava de uma espécie de laboratório, assemelhava-se muito com o que estivera ao lado de Emma algumas vezes, trabalhando em seus poderes, na mansão Xavier.
Entretanto a tecnologia do local era bem mais evoluída, tanto que Vampira não reconhecera metade das máquinas, ainda que estivesse acostumada com os aparelhos avançados x-men.

Haviam diversos fios colados em seu corpo, conectando-a as inúmeras máquinas, cuja finalidade era desconhecida a Vampira.

Vagamente ela percebeu que suas roupas estavam rasgadas, deixando grande parte de sua barriga, um de seus braços e pernas a mostra.

Ela quis falar, perguntar algo ou até mesmo gritar quando agulhas lhe perfuraram, mas apenas um gemido doloroso escapou de seus lábios, que estavam estranhamente dormentes. Suas reações estavam difíceis, lentas assim como sua respiração.

A dor sobressaía, destacando-se sobre todas as outras sensações ruins, seus músculos ardiam cada vez mais intensamente, como se estivessem queimando. Ela se perguntou que maldita coisa estavam aplicando em seu corpo, e o que pretendiam com aquilo.

Seja lá o que fosse, estava roubando-lhe o controle de seus membros. Havia uma espécie de torpor que a impedia de se mover, como se sua mente estivesse sendo desligada do restante de seu corpo, como se estivessem seguindo um comando que não era o dela.

Ainda assim Vampira estava dolorosamente consciente de cada coisa que faziam com ela, cada agulha que lhe espetava o corpo, cada efeito que as drogas lhe faziam.

Depois do que pareceram séculos, o tempo parecia acelerado e lento, ainda que isso não fizesse sentido, eles finalmente acabaram seja lá o que fosse que pretendiam com Vampira.

Ela despencou assim que soltaram seus braços e pernas, teria caído diretamente no chão se não houvesse sido segurada.

Relanceou o olhar pelo local em que antes estava, lembrando-se vagamente de algum lugar da mansão Xavier, embora estivesse confusa demais para que conseguir recordar o cômodo específico, surgiu em sua mente febril imagens de seus amigos.

Exausta, Vampira perdeu a consciência, sem conseguir seguir qualquer linha de raciocínio racional por mais tempo.

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"Vampira! Por favor abre os olhos!"

Amy sacudia o corpo de sua colega, sem qualquer resultado, com lágrimas escorrendo dos olhos claros.

Haviam devolvido Rogue à cela já há algumas horas, e ela não deu qualquer sinal de vida desde então, completamente inerte, a respiração quase suspensa, o rosto pálido.

A pequena já não mais sabia o que fazer. Temia que o pior acontecesse. Desesperada, ela perguntou o que haviam feito com Vampira assim que eles a levaram, chegou a atacá-los, verbal e fisicamente, mas foi facilmente ignorada.

Até começar a perder o controle de seu temperamento, ficando perigosamente desesperada, as paredes começaram a tremer.

Então eles a doparam também, e ela acordou muito tempo depois, embora não soubesse o quanto de tempo havia passado, sentia um gosto amargo em sua boca, estava um pouco tonta.

E Vampira continuava exatamente na mesma posição em que foi colocada, de bruços contra o chão frio, os cabelos escorridos escondendo parcialmente o rosto pálido.

A garota tentou colocá-la na cama, mas era muito pequena e não conseguiu sustentar o peso de Vampira sozinha, acabou desistindo, angustiando-se mais a cada momento que passava e Vampira continuava no mesmo estado.

Ela sentou ao lado de Rogue, suspirou. Abraçou os joelhos apoiando o queixo neles, ponderando o que deveria fazer.

Chamar alguém, gritar e atrair atenção, não surtiria qualquer efeito, sabia que o pessoal que os havia capturado não dava a mínima para as mortes. Amy já vira acontecer algumas vezes. Estremeceu com a lembrança.

Usar seus poderes estava fora de cogitação. Além de desmoronar todo o lugar com sua falta de controle, provavelmente machucaria todos os outros inocentes também, inclusive Vampira.

A garota apertou os olhos com ambas as mãos, ainda perdida em sua mente, buscando uma solução que no fundo sabia não existir. Ela já estava próxima de entrar em pânico quando altos estrondos começaram a soar, surpreendendo-a, fazendo com que Amy esquecesse seus problemas urgentes por alguns instantes.

O alarme disparou estridente, alto e constante, seguido de um som claro e agressivo de luta, uma batalha extremamente selvagem.

Rosnados bestiais, ruídos metálicos e gritos extremamente intimidadores, se aproximaram cada vez mais, Amy tentou manter-se corajosa e firme, mas o medo foi inevitável. Não fazia idéia de quem, ou o quê, estava invadindo o lugar ou para qual finalidade, nem mesmo quantos eram. Mas pelo que ouvia, as coisas não estavam muito boas lá fora.

Ela se encolheu ao lado de Vampira, sacudindo-a freneticamente, sem conseguir conter as lágrimas que seguiram escorrendo por seu rosto claro, que já começava a avermelhar-se com o choro constante.

"Por favor, por favor, Vampira acorda."

A voz afetada pelo pranto ficou cada vez mais agoniada.

"Vampira, anda, estamos com problemas."

"Logan."

Rogue murmurou em um sussurro quase inaudível. Amy ficou ainda mais preocupada ao ver que ela estava delirando. Percebeu que Vampira não acordaria a tempo de ajudá-la a se esconder ou lutar.

As lágrimas queimaram mais intensas nos olhos cor de mel, a respiração acelerada da menina ia se transformando em soluços, cada vez mais audíveis, de desespero.

Irritada consigo mesma, Amy ergueu o rosto, esforçando-se para engolir o choro. Sabia que se continuasse com essa atitude derrotada, não seria capaz de se salvar, e nem mesmo de ajudar sua companheira de cela que, por algum motivo desconhecido e intrigante, se tornara importante para ela, mesmo em um tempo tão curto de convivência.

E ela não permitiria que alguém importante morresse por sua covardia. Não de novo.

determinada, ainda que assustada, Amy se levantou secando as lágrimas do rosto com desnecessário ímpeto, ficando na frente de Vampira, as mãos pequenas cerradas em punho, o rosto concentrado, pronta para defender a si mesma, e também a amiga, da ameaça iminente.

Ela ergueu o queixo desafiadoramente e ficou encarando a entrada da cela, esperando o surgimento de seu atacante.

Amy costumava ser bastante atenta aos sons, detectando cada movimento das pessoas ao seu redor, uma ótima maneira de prever um ataque surpresa. Aprendera esse e outros truques de batalha nas ruas, com outros jovens mutantes que estavam na mesma situação que ela. Definitivamente os melhores professores que poderia ter tido.

Podia ouvi-lo cada vez mais próximo, era apenas uma questão de tempo para que ele aparecesse, Amy pensou convicta.

E estava certa.

Uma silhueta tomou forma aos poucos na escuridão do lugar, o barulho de lâminas afiadas de metal abrindo caminho por pele e carne foi aterrador, Amy nem ao menos se moveu, ainda de pé na frente de Rogue.

Com os olhos arregalados em um pavor mudo, a pequena viu finalmente os detalhes do rosto e corpo do homem mais assustador que se lembrava de haver visto, sua expressão era selvagem, como a de um animal que cercara sua presa depois de uma longa caçada austera.

Em seu rosto havia uma fúria homicida, nos olhos azuis nebulosos um ódio palpável que fê-la tremer.

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Wolverine praticamente saltou de sua moto, sem dar-lhe a menor importância, assim que sentiu o cheiro de Vampira mais intenso. Sabia que havia encontrado o local.

Eles eram bom em disfarces, ele teve de admitir, afinal uma construção tão simples, ao menos aparentemente, no meio do nada, era o último lugar que qualquer um procuraria pela cede principal de uma organização super desenvolvida, com máquinas sofisticadas.

Mas Wolverine não era qualquer um.

Logan teve a confirmação de que estava no lugar certo assim que o invadiu. Seu interior contrastava drasticamente com a simplicidade externa, destacando a superioridade de sua tecnologia.

O alarme soou imediatamente, atraindo rodos os capangas da organização, que investiram com tudo o que tinham contra Wolverine. Mas nenhum deles conseguiu pará-lo quando, paralisado em sua fúria, Logan sentiu o cheiro do sangue de Vampira.

O ódio tomou conta de cada célula de seu corpo, seu peito foi tomado de uma ira homicida, Logan encarou cada um deles retirando as garras furiosamente.

Wolverine despertou sedento por violência, atacando o máximo de pessoas que podia, ferindo-as, vingando-se e, ao mesmo tempo, abrindo caminho para chegar até Vampira. Aqueles desgraçados haviam ousado ferir a guria, sua guria. Eles iriam pagar.

A batalha foi violenta, sangrenta, mas Logan conseguiu derrubá-los embora estivesse em desvantagem numérica, saiu com ferimentos graves, entretanto. Wolverine continuou procurando por Vampira mesmo antes de estar completamente recuperado de seus ferimentos, caminhava com dificuldade no início, até começar a regenerar-se com a costumeira rapidez.

Assim que localizou seu cheiro em uma das únicas celas que se conservaram ocupadas, Wolverine libertou todos mutantes que encontrou em seu caminho, ainda que estivesse ciente de que era apenas uma questão de tempo para eles que eles tornassem a ser presos, correu o mais rápido que pôde até Vampira.

Ele arrebentou a entrada da cela com um simples golpe de garras, seus olhos passearam pelo lugar rapidamente, sem dar qualquer atenção, além de um rápido olhar displicente, à garotinha que o encarava paralisada de medo, parada frente a seu objeto de preocupação. Wolverine não notou qualquer coisa ao seu redor quando a viu.

Em choque, Wolverine parou onde estava, e assim se manteve por um minuto ou dois, encarando desesperado o rosto completamente branco de Vampira, ainda mais pálido do que de costume. Seus lábios geralmente avermelhados também não tinham cor.

A cabeleira castanha estava jogada sobre seu rosto, em um canto de sua mente Logan se atentou ao fato de estar vendo-os soltos pela primeira vez, escondendo-o parcialmente, impedindo que Wolverine pudesse ver os traços do rosto que tanto sentira falta, e que agora parecia sem vida. Os olhos verdes grandes, intensos e teimosos, que costumavam enfrentá-lo sempre que havia chance, estavam fechados. Ela tinha uma das mãos estendidas em direção a entrada, como se estivesse esperando que algo se aproximasse, tentando tocar alguém invisível.

Logan estudou-a minuciosamente ainda à distância, atento ao fato de que a ascensão e queda de seus ombros e o ritmo de seus batimentos cardíacos estavam completamente irregulares, de uma maneira alarmante.

Saindo do choque inicial, Ele foi rapidamente até Vampira, mas assim que tentou segurá-la, foi detido.

Duas mãos brancas e pequenas seguraram um de seus braços, perceptivelmente com o máximo de força que pôde reunir. Ele ergueu o olhar para a pirralha, finalmente dando conta de sua presença, ela tinha os olhos avermelhados e inchados pelo pranto, mas uma expressão tão agressiva, tão obstinada no rosto rosado, que o deixou sem palavras.

"Não chegue perto dela."

A pequena ameaçou-o com a voz firme, os olhos brilhantes estreitos.

Mesmo em meio a toda preocupação que o corroia, Logan riu sem conseguir se conter. Toda sua fúria animal tornou a enterrar-se dentro de si, evaporando como se não houvesse se libertado há instantes atrás. Ele era um completo imbecil nas mãos de garotinhas indefesas.

"Não precisa ter medo pirralha, não vou machucar vocês."

Tentou usar um tom amável para compensar por tê-la assustado tanto no início, mas não pareceu surtir qualquer efeito. A garota era bastante teimosa.

"Já disse para não se aproximar dela. E eu não estou com medo de você."

Protestou fechando os punhos com força e encarando-o de forma desafiadora.

Logan se abaixou ao seu lado, lendo o desespero por trás da coragem que a pequena se esforçava ao máximo para demonstrar diante dele, crendo que ele era o inimigo. Tentou acalmá-la novamente.

"Olha só pirralha, eu estou aqui para ajudar Rogue, sou um amigo dela."

A garota ainda não parecia convencida. Ele bufou, já estava começando a perder a paciência.

"Ela precisa de ajuda, você não tem escolha senão confiar em mim, eu vou cuidar dela, prometo."

Por um momento a sinceridade que Amy viu nos olhos azuis, agora brandos, quase a desarmou. Porém ela não se permitiu confiar, já havia aprendido a não confiar em ninguém.

"Você só vai tirá-la daqui se me levar junto."

Ela decidiu perfurando os olhos de Wolverine com os seus. Ele acabou assentindo.

"Mas e sua família?"

"Não se preocupe com isso."

Ela assegurou convicta abrindo espaço para que Logan verificasse o estado de Rogue. Ele imediatamente levou uma das mãos enluvadas à testa de Vampira, sentindo a preocupação crescer ao constatar que ela estava ardendo. Ele pôde sentir o calor que ela irradiava, mesmo através do tecido grosso de sua luva.

Seus sinais vitais estavam fracos, irregulares. Logan verificou a pele raramente exposta de Vampira em busca de alguma lesão séria, e viu que os ferimentos que o guiaram até ela eram pequenos furos, mas que por serem constantes e em muitos pontos de sua pele arrancaram-lhe sangue o suficiente para levá-lo até ela.

Não que fosse necessário muito. Wolverine nunca, em hipótese alguma, se esquecia de um cheiro depois de tê-lo sentido. Entretanto o de Vampira era mais chamativo, tão familiar e forte à ele, que Logan poderia senti-lo mesmo há uma distância enorme, bem mais intenso ao seu olfato do que qualquer outro.

Nunca havia se perguntado o motivo disso. Nem de sentir-se tão bem ao lado da garota, ou a falta que ela lhe fazia com seu temperamento difícil explosivo, e seu mau gênio quase constantemente irritadiço. O que o movia era sentir, sem pensar a respeito. Estava satisfeito com aquela situação, sem cobranças ou compromissos que não estava disposto a encarar.

"Ela está encrencada não é?"

Ao som da voz delicada, ele ergueu o olhar para o rosto claro, as sobrancelhas da menina estavam unidas acima dos olhos claros, neles brilhavam uma preocupação feroz que o surpreendeu.

"Ela vai ficar bem."

Não sabia o motivo, mas sentiu vontade de tranqüilizá-la. Ele percebeu que não funcionou, mas não tornou a tentar. Não gostava de mentiras.

Sem mais falar, ergueu Vampira carinhosamente no colo, tomando cuidado para não tocar sua pele diretamente. Ele não hesitaria em dar os poderes à ela, mas sabia que na situação em que se encontravam faria mais mal do que bem, não sabia o que havia com ela e, além do mais, tocá-la o deixaria inconsciente por algum tempo, completamente vulnerável sem que pudesse defendê-la. Sabia que teria de sair de lá o mais rápido possível.

Amy percebeu seu gesto, e seu coração se acalmou um pouco. O cuidado que o estranho assustador tomava para não tocar a pele de Vampira era prova de que a conhecia. E o carinho e preocupação que esboçava ao tomá-la nos braços mostrava que ela era querida a ele.

Logan pegou o telefone, discou o número e esperou impaciente, torcendo para que alguém atendesse logo. Ficou aliviado ao ouvir a voz calma do outro lado da linha, apressou-se a falar sem nem mesmo permiti-la terminar seus cumprimentos.

"Preciso de ajuda Ro, quero que traga o jato até o lugar que eu te disser."

Amy o encarava atentamente, ouvindo cada uma de suas palavras e estudando suas expressões para compreender o tópico da conversa. A desconfiança ainda permanecia.

"Logan! O que está acontecendo?"

"Não há tempo Storm, Vampira está comigo, mas não em condições de seguir de moto..."

"Céus Logan como ela está?"

"Mal" Ele respondeu secamente, ainda que aquela não fosse sua intenção. Sua voz se abrandou um pouco quando ele completou: "Venha depressa Ro."

Ele passou as coordenadas do local para Ororo detalhadamente para que não houvesse atrasos, disse-lhe que não era necessário levar todos os x-men com ela, porque a batalha já estava acabada. Desligou o telefone suspirando preocupado, os olhos presos ao rosto de Vampira.

"Para onde você vai levá-la?"

Ao ouvir a preocupação explicita na voz da menina, ele baixou o olhar para ela.

"Para o instituto Xavier. Já ouviu falar dos x-men?"

Os olhos da pequena cintilaram.

"Claro que sim! Você é um x-men?"

Logan sorriu do alívio que leu no rosto infantil.

"Sim. E Vampira também."

"Então como vocês deixaram-na ser capturada?"

A expressão de Logan endureceu.

"Ela não estava com a gente. Tinha decidido passar um tempo, sozinha."

"Eu não entendo. Porque alguém escolheria viver sozinha depois de ter passado a vida toda só? Não faz sentido."

"O que você sabe sobre ela?"

O tom de Logan era de visível interesse, completamente absorto na conversa embora seus olhos viajassem impacientes para os céus de quando em quando.

Amy deu de ombros.

"Pelo que nós conversamos. Vampira disse que tinha a mesma experiência que eu..."

Ela se interrompeu pouco a vontade em falar de sua vida.

"E a qual experiência você se refere?"

"Porque você quer saber?"

Ela retrucou defensiva. Logan se irritou.

"Porque você é uma pirralha ainda, e não é dona de seu nariz. Estou levando-a comigo e é justo avisar seus pais sobre seu paradeiro."

"Não tem ninguém para avisar."

Ela baixou o olhar, mordiscando os lábios. De repente Wolverine se arrependeu de suas palavras.

"Olha garota..."

O barulho que a aproximação do pássaro negro causou desviou a atenção de ambos da conversa constrangedora que nenhum dos dois estavam dispostos a continuar tendo. Então agarraram a oportunidade de desviar do assunto com toda força e satisfação.

Amy olhou para o jato enorme com expectativa e receio, enquanto Wolverine demonstrou certo alívio.

Assim que pousou o jato o mais próximo possível da entrada do local, onde Wolverine se encontrava, Storm desceu graciosamente correndo até Vampira no exato momento em que os pés tocaram o chão, seu rosto bonito demonstrou preocupação ao ver a palidez da garota que estava flácida no colo de Wolverine. Fera também se aproximou rapidamente, sem perder tempo para examiná-la.

Ororo se abaixou um pouco surpresa, dando pela presença da pequena que parecia deslocada e ansiosa ao lado de Wolverine. Seu olhar passeava de Vampira aos recém chegados com um receio palpável.

Storm olhou-a nos olhos com calma, notando que a pequena se afastou quando ela se aproximou, uma atitude extremamente familiar que fê-la lembrar-se imediatamente de Vampira.

"Olá pequena."

Amy arregalou os olhos claros. Encarou-a em silêncio, sem se mover um milímetro se quer, nem ao menos piscava, a respiração suspensa. Storm tentou novamente.

"Não precisa ter medo criança, não vou machucar você. Como se chama?"

Wolverine se deu conta de que nem ao menos sabia o nome da garota, ainda que houvesse passado tanto tempo em sua companhia.

Saber o mínimo possível sobre alguém caso não fosse um inimigo, se envolver o menos possível, evitar ao máximo qualquer ligação emocional. Este era e sempre fora seu lema. Com uma pequena exceção que abrira, sem nem ao menos perceber como ou quando, para a garota que se encontrava desfalecida em seus braços.

Ororo se virou para ele quando a menina não respondeu. Ele meramente deu de ombros, indicando que não sabia a resposta. Ela revirou os olhos com a atitude de descaso típica de Wolverine, voltando-se para a garota amedrontada. Sorriu calmamente oferecendo-lhe a mão.

"Eu sou Storm."

Ela estudou a mão estendida de Ororo por quase um minuto inteiro antes de aceitar o aperto. Suas mãos se tocaram por alguns segundos e a pequena recuou, ainda um pouco hesitante, um pouco desconfiada. Não estava acostumada com atitudes amistosas sem algo no fundo. Ninguém era bonzinho sem motivos. Não no lugar de onde ela havia vindo.

"Amy."

Ela respondeu finalmente, a voz baixa, constrangida. Storm tornou a sorrir.

"Tem algum lugar em que possamos levar você Amy? Onde fica sua casa?"

Logan decidiu que era hora de interferir, quis poupar a garota de explicações constrangedoras desnecessárias.

"Ela vem com a gente Ro."

Storm ergueu os olhos para ele, curiosa por sua resposta. Amy ficou internamente agradecida por sua atitude.

"Mas isso é algo que ela deve decidir, Logan."

"Ela já decidiu... o que foi guria?"

Ele acrescentou ao ver os olhos de Amy fixarem-se nele, surpresos, brilhantes, como se algo extremamente importante a houvesse acabado de alcançar.

"Você! Então você é o Logan?"

"Sim"

Logan estranhou a pergunta. Respondeu embora ela parecesse haver sido retórica.

"Vampira fala de você. O tempo todo."

Ele a olhou surpreso.

"Fala?"

"Sim! Enquanto dorme. Ela sussurra seu nome, fala coisas sobre você..." Ela parou por um momento, contemplativa e depois, voltando para o presente, acrescentou. "Se você tivesse dito seu nome eu não teria ficado com tanto medo!"

Sua voz era quase exasperada, Amy estreitou os olhos em direção a Wolverine. Ororo sorriu, mas Logan não foi capaz disso. Ficou em absoluto silêncio, as palavras de Amy mexendo com algo fundo dentro dele. Ela o chamara. Chamara-o quando estava em perigo, adormecida, inconsciente. Pensou nele enquanto estava sendo agredida, ferida.

O que ela havia passado, ele se questionou quase em desespero, para chegar ao ponto de chamar por ele? Sabia que pedir ajuda era algo que Vampira não se humilharia a fazer, a salvo em circunstâncias verdadeiramente extremas, mesmo inconscientemente. Principalmente pedir a ajuda dele, o que ela confiava e havia dado-lhe as costas mais de uma vez.

Vendo a desolação repentina em seu rosto, Ororo tocou-lhe o ombro, oferecendo um sorriso reconfortante.

"Wolverine." Hank se pronunciou finalmente, afastando-se de Vampira por alguns instantes, os olhos preocupados, sábios. "É melhor voltarmos para a mansão o quanto antes, Rogue precisa de cuidados e suporte que apenas lá, com os equipamentos do instituto, posso oferecer a ela."

"É muito ruim azul?"

Logan questionou hesitante, Ororo e Amy se aproximaram com olhares apreensivos. Fera sustentou os olhares de todos, que inadvertidamente caíram sobre ele, com calma, embora uma severa preocupação brilhasse no fundo de seus olhos esverdeados.

"Não posso dizer ao certo. Vamos."

Logan assentiu. Sem dizer qualquer palavra, caminhou um pouco mais apressado que os outros em direção ao jato. A resposta evasiva de Hank o esmagava mais que qualquer confirmação que pudesse haver feito.

Vampira definitivamente não estava bem. E no fundo ele sabia que fora o responsável por isso. Não poderia lhe dar com o que estaria por vir se ela não ficasse bem. Se não ficasse com ele. E de repente a explosão de sentimentos que o tomou foi tão intensa, tão confusa que o deixou tonto.

Que merda Vampira significava pra ele afinal?

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Anne: Olá. Fico feliz por gostar da fic, muito obrigada mesmo pelos reviews. Também sou leitora assídua dos quadrinhos, desde criança na verdade, em português e inglês, por isso a variação de nomes de ambos os idiomas. Essa fic é antiga, está acabada desde o desenho Wolverine e os x-men, mas como não houve procura, e o tempo passou, nunca terminei de postar. Não escrevo mais fanfics, agora tenho roteiros próprios pra escrever, a faculdade e a carreira não me deixam muito tempo. Então decidi postar o restante da fic porque não gosto de deixar as coisas inacabadas quando tem um leitor, mas não tenho tempo para revisar todos os capítulos e trocar os nomes, sorry. Inclusive provavelmente tem alguns erros de português, porque não chegou a ser completamente betada. Sorry mesmo, meu tempo é quase nulo D: Tenho outras fanfics também, todas focadas na Rogue, prontas, mas que nunca postei. Beijos e obrigada (: