Três dias de guerra. Os rebeldes venceram essa batalha.

Havia poucos homens no lado do governo e o General Dean Winchester optou por recuar, mesmo sobre os protestos agressivos e ameaçadores de seu pai, o Marechal John Winchester.

- Você está louco, garoto?! – O Marechal gritou assim que o loiro retornou à base com o que sobrou dos soldados – Perdeu completamente o juízo!

- Eu salvei essas pessoas, senhor! Iríamos todos morrer! Não teríamos a menor chance!

- Conversaremos depois. Onde está o capitão?

- Capitão! – Dean gritou, chamando a atenção do loiro soldado.

- Sim, senhor – Balthazar bateu continência.

- Descansar, soldado – o Gerenal disse, olhando para o loiro – O Marechal gostaria de falar com você, Balthazar.

- Sim, senhor – Ele continuava com o mesmo ar profissional que o exercito exigia.

John e o Capitão ficaram conversando, enquanto Dean saiu de lá o mais rápido o possível.

Estavam em um ambiente semi-deserto com algumas árvores que os cercavam. Os soldados dormiam em tendas coletivas, para quatro ou cinco homens, enquanto que os Capitães, o General e o Marechal tinham suas tendas individuais.

Dean foi até a tenda de seu pai, pois sabia que eles teriam que conversar. Seria melhor acabar logo com isso. Sentou-se em uma cadeira, com os cotovelos apoiados em suas pernas, segurando sua cabeça com as mãos. Respirou fundo, tentando parar de pensar nas coisas horríveis que aquela guerra, que ele achava sem sentido, tinha causado a ele e seus colegas.

A guerra só tira. Não tem nada para dar.

Ele não conseguiu mais segurar as lágrimas que insistiam em escorrer de seus olhos, nem os soluços que saiam sem querer por sua garganta. Todas aquelas pessoas mortas... E por quê? Qual o motivo? Birra daqueles idiotas mimados que gostam de fazer farra só porque não concordam com algo do governo.

Que ódio!

Mas, fazer o que, não é? Tudo o que ele poderia fazer era tentar defender o seu país de seus cidadãos.

- Dean? O que está fazendo aqui? – O moreno perguntou, olhando para seu filho.

- Oi, pai. O senhor disse que conversaríamos depois – Ele respondeu, secando as lágrimas com as costas de sua mão – E já é depois.

- Sim. Você está bem?

- Não muito.

- Está ferido? – A voz de John saiu mais suave, obviamente preocupada.

- Nada grave.

- Deixe-me ver – O Marechal estendeu uma mão para seu filho, fazendo-o ficar de pé.

- Não é nada, pai – Dean resmungou, quando seu pai abriu sua camisa.

- Ai meu Deus, Dean! – John arregalou os olhos e saiu da tenda – Mitchel! Venha aqui!

Dean ficou sozinho na tenda, vendo seu pai se afastar de lá, procurando pelo doutor. Alguns momentos depois, ele estava de volta, seguido por Ash, o ajudante do médico. Todos o achavam meio louco, mas ninguém poderia negar que o cara era um gênio quando se tratava de medicina. Não era de muita ajuda no exército, ele deveria estar curando doenças em algum centro médico de Massachusetts e não remendando as pessoas como um enfermeiro qualquer.

- Eu vou te matar, Winchester – John disse nervoso, mas Dean pôde sentir que era só a preocupação de um pai falando.

- Não deveria ter me chamado, então, Marechal – Ash sorriu, todo brincalhão.

- Ele está certo, pai – Dean riu também.

- Vamos ver o que temos aqui – Ash afastou a camisa do loiro, examinando seu abdômen.

O ajudante abriu sua maleta de pronto-socorros e começou a limpar os ferimentos completamente ensanguentados, enquanto John encarava a cena, nervoso. Dean apenas observava o médico trabalhar, ignorando a ardência dos cortes em sua barriga.

- Meus parabéns, você conseguiu ser esfaqueado três vezes e levou um tiro de raspão. O que você está fazendo vivo, garoto? – Ash falou, um tanto surpreso.

- Você foi esfaqueado e quase levou um tiro e me diz que não foi nada? – John estava tentando se controlar para não gritar com ele. Estava nervoso por conta da preocupação.

- Eu disse, não foi nada demais – Dean sorriu.

Ficaram alguns segundos em silêncio, até que Dean perdeu o foco de seus olhos e sua visão escureceu. John correu para segurar sua cabeça antes que batesse no chão, enquanto Ash o examinava para ver o que tinha acontecido.

- W A R -

- Eles se retiraram, Sam. Podemos avançar mais ao nascer do sol – Castiel sorria para o moreno, que não conseguia perder aquela expressão de preocupação de seu rosto.

- Isso é ótimo – O moreno tentou um sorriso, mas não convenceu Novak.

- Vamos, Sam. Se anime! Coisas horríveis aconteceram? Claro, mas já estavam nos planos. Você mesmo disse que não iríamos conseguir nada sem lutar. E a luta, quase sempre, envolve a perda de vidas "inocentes" – Ele fez as aspas com os dedos.

Sam sorriu de verdade dessa vez. Ele precisava parecer feliz para que seus soldados não perdessem a fé no que estavam fazendo. Ele era o General, no fim das contas. Precisava agir como tal.

Já estavam nesse jogo de poderes por três meses. Estavam na mata, tentando chegar à cidade, caminhando lentamente à uma base militar abandonada que Cas descobriu ter perto de Washington. E de lá agiriam.

O plano estava ocorrendo perfeitamente e, mesmo com as infortunadas mortes, Sam parecia feliz. Estavam ganhando cada vez mais força e logo, logo conseguiriam derrubar os tiranos e corruptos. De uma vez por todas.

- W A R -

- Dean! Acorda! – John estava desesperado e sacudia os ombros do filho que estava caído no chão.

- Sr. Winchester se acalme e me ajude a colocá-lo na cama.

O Marechal afirmou com a cabeça e respirou fundo, ajudando o médico levantar o corpo inconsciente do loiro. Alguns minutos depois, Dean voltou à consciência.

- Pai?

- Dean! Que susto garoto! Nunca mais faça isso!

- Fazer o que? Calma, está tudo bem – O loiro sentou-se na cama.

- Me acalmar? Droga, Dean eu já perdi um dos meus filhos, não posso perder o outro! – Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de John.

- Me desculpe, pai – Ele colocou uma mão no ombro do pai, tentando confortá-lo – Não vai me perder.

Continua...