Chapter 4 - Violência
– Olá, Dean - O moreno o encarava com os olhos sérios e um aperto no coração.
– Que porra é essa? - Dean tentou se soltar ao perceber que seus braços estavam presos à cadeira em que sentava - O que vai fazer comigo?
– Você estava muito agitado, enquanto estava desmaiado, por incrível que pareça - Sam se aproximou e começou a soltar as cordas que prendiam seu irmão - Tive que fazer isso.
– E o que está fazendo agora? Eu posso simplesmente fugir por aquela porta ou por aquela janela - Dean o encarava, analisando cada um de seus movimentos.
Ele não era mais aquele garoto focado e um tanto desengonçado. Não era mais o garoto esguio que queria muito entrar para o exército ao lado de seu irmão. Sam não tinha mais o sorriso fraco sempre presente nos lábios, não tinha mais aquele brilho em seus olhos. Agora tudo o que Dean podia ver, era o cenho franzido e os olhos frios e focados. Os cabelos ainda rebeldes, colocados para trás da orelha, o corpo forte sob grossas camadas de roupas... Não parecia, não agia e não era mais o seu Sammy.
– Não, Dean. Você não vai a lugar algum.
– E o que faz você ter tanta certeza? – Dean perguntou com os olhos desafiadores.
– Talvez o fato de eu ter soldados muito bem treinados, por mim é claro, posicionados em volta dessa base militar. E nenhum dos homens aqui está muito contente com a sua presença. Você só está vivo porque eu permito isso.
O loiro ficou encarando seu irmão, vasculhando sua expressão por algum sinal de blefe ou nervosismo, mas não encontrou nenhum. Então estava realmente encrencado.
– Quem diria, Sammy – Ele se levantou da cadeira, encarando o mais jovem – Um Winchester, líder dos rebeldes... Como os grandes caem.
– Não caí, Dean. Eu saí do buraco. Tive coragem o suficiente para ver a verdade que o sistema tenta esconder de todos nós.
– Verdade? Eu só vejo uma verdade aqui, Sam! – O tom de voz de Dean tornou-se mais alto.
– E qual é?
– Você está traindo o seu país, Sam!
– Não, o presidente nos traiu. O país traiu a si mesmo. Como pode me acusar de tal ato? – Sam perguntou indignado.
– Como posso te acusar? Olha o que aconteceu. Você mudou, irmãozinho. Não te reconheço mais. O que houve com você?
– Eu cresci, Dean. Você deveria tentar isso alguma vez.
– Se crescer é isso, se crescer é ficar paranóico e contra o próprio país, então eu prefiro não fazê-lo – Dean respirou fundo e disse baixo.
– Um dia você vai ver que o que estamos fazendo aqui é a coisa certa.
– Não tenho tanta certeza disso.
– É ainda melhor do que ser a vadia do governo, matando inocentes, acatando ordens como se não tivesse vontade própria, como se não tivesse uma honra própria!
Dean estava tentando manter a calma, mas aquilo já estava sendo demais para ele. Não respondeu, apenas avançou em seu irmão, proferindo um forte soco em sua boca.
– Cale a boca, Sam! Não ouse dizer nada sobre honra! Não para mim! – O Winchester mais velho segurou o moreno pela camisa, olhando em seus olhos.
– Não encoste em mim!
Sam deu um soco em se irmão e depois mais um, errando o terceiro. Dean partiu para cima dele também, e depois de muitos socos e chutes, Sam conseguiu terminar com aquilo, pressionando seu irmão contra a parede.
Suas respirações se misturavam devido a proximidade de seus corpos, os peitos subiam e desciam, demonstrando o quão ofegantes estavam. Não se escutava nada mais naquela sala, apenas o som de seus corações pulsando freneticamente, enquanto um usava de toda a sua força para escapar, e o outro usava da sua para mantê-lo no lugar.
– Não tente escapar, Dean. Sabe que não vai conseguir – Sam disse, recuperando o fôlego.
– Me solta, Sam – O loiro praticamente gritou ao sentir que a outra mão do moreno foi parar em seu ombro, pressionando-o ainda mais contra a parede gélida.
– Não.
– Então me mata.
– Não vou te matar, Dean. Eu te deixei vivo por um motivo e ele ainda não mudou – Sam disse sério.
– Ou você me mata agora, ou eu juro que vou dar um jeito de matar você.
– Dean... Eu fiz a coisa certa.
– Já chega dessa besteira – Dean disse e usou toda a sua força para empurrar o corpo forte do moreno, acertando um golpe em sua boca assim que se libertou.
Sam tentou socá-lo também, mas falhou nas duas tentativas, recebendo mais dois ou três ganchos de direita e sendo pressionado contra a parede.
– Eu fiz... A coisa certa – Sam cuspiu as palavras na cara do irmão.
– Ah, cala a boca.
Dean não pensou. E só percebeu o que estava fazendo quando os braços de Sam envolveram sua cintura. Estavam se beijando. Ambos perdidos nas sensações desconhecidas que experimentavam, enquanto suas bocas se enroscavam em um beijo desengonçado e intenso. As mãos apertando a carne do corpo do outro e o espaço entre eles diminuindo cada vez mais.
Um segundo de consciência tomou conta do cérebro do mais novo e ele separou o ato, encarando os olhos claros e arregalados de seu irmão mais velho.
– Que merda foi essa? – Sam perguntou.
– Eu não sei.
– Isso é errado.
– Eu sei – Dean respondeu, ainda ofegante.
Sam engoliu em seco e viu o irmão molhar os lábios com a ponta da língua. Seus corações pulsavam rapidamente e era como se alguma força os puxasse para mais perto, até que se encerrasse aquela distancia que os separava. Com o mesmo desejo do beijo anterior, os lábios se tocaram novamente. Tudo aquilo era tão extremamente errado, tão extremamente excitante, tão extremamente necessário.
Continua...
