N/T: Primeiro preciso pedir desculpas pela demora em postar o segundo capítulo, sei que havia garantido atualizações mais rápidas, porém, infelizmente, minha cadelinha de um ano e meio (uma louca salsichinha), adoeceu devido a uma virose e passei algumas noites em claro aferindo temperatura, ajustando o soro e tentando lutar contra uma desidratação severa.
Mas agora que tudo está voltando a normal, depois de muitos vômitos, seringadas de remédio goela abaixo (tenho certeza que ela irá me odiar depois de tudo isso, hahaha), posso finalmente sentar e traduzir mais alguns capítulos.
Confesso que estou tendo certa dificuldade em traduzir esta fanfic, nada muito grave, mas é algo que acredito que devo compartilhar com vocês. Não sei se dá para notar na tradução, mas a narrativa da Cassis é extremamente rápida, dando um tom dinâmico para a história. Isso em inglês funciona maravilhosamente bem, mas em português... Nossa língua tem uma necessidade absurda de preencher elos com conjunções, preposições, artigos, [...], enfim, um trabalhão danado. Portanto estou tendo que "linkar" algumas coisas dando um jeitinho brasileiro em algumas frases. Espero que isso não esteja interferindo no ritmo de leitura de vocês.
Quanto a ironias e palavrões, estas são duas coisas que infelizmente estão se perdendo um pouco no meio da tradução. Nossa língua possui poucos do que chamo "palavrões inofensivos", enquanto em inglês há pencas e mais pencas. Outro problema é o sarcasmo, português é muito formal, certinho, é quase que impossível se adequar a um discurso coloquial e irônico sem soar vulgar ou alguma espécie de caipira desajeitado. Mas estou tentando ao máximo preservar a essência da fic. Só quero garantir que a experiência esteja sendo agradável para todos.
Espero que aproveitem este capítulo. As coisas estão ficando mais interessantes!
Mentiras Brancas
Título Original: White Lies
Autora: Cassis Luna
Rate: T
Disclaimer: Harry Potter pertence a J.K. Rowling e esta fanfic a Cassis Luna
Shipper: HD/HP
Gênero: Romance/Humor
Atenção: Slash, homossexualidade, universo alternativo (o desenrolar dos acontecimentos não acompanham o último livro)
Sumário: Draco bebe uma poção que o torna capaz de dizer se uma pessoa está mentindo ou não , Harry, aparentemente culpado por esta situação, é forçado a 'ajuda-lo' com os efeitos colaterais. Pela primeira vez eles terão que lidar um com outro sem poder se esconder atrás de mentiras.
Capítulo 2 - O Problema
Mais tarde, quando Draco tornou a despertar, não se surpreendeu ao ver Madame Pomfrey inclinando-se sobre seu corpo. Porém, ele ficou espantado ao perceber que a estranha luz cintilante continuava rodeando a bruxa.
Deixando escapar uma tosse forçada, ele se fez ser notado para que ela se afastasse um pouco, dando espaço para que pudesse se sentar. Draco também percebeu que Snape e Potter estavam mais uma vez na enfermaria, bem distantes de sua cama e discutindo calorosamente. Ele meio que sentiu pena de Potter, não era fácil aguentar as perseguições de Snape. E honestamente? Ele não acreditava ser do feitio do grifinório sair sabotando poções.
Seria algo muito anti-Potter, afinal de contas, Draco gostava de pensar que apesar deles brigarem com regularidade, a famosa animosidade entre os dois havia diminuído consideravelmente. Mas apesar de tudo isso Potter continuava sendo para ele um idiota irritante.
"Originalmente eu havia planejado te liberar antes de dar a hora do almoço, Sr. Malfoy," Madame Pomfrey comentou, interrompendo seus pensamentos. "Mas parece que o Professor Snape precisa trocar uma palavrinha com você."
E neste exato instante um elfo doméstico resolveu aparecer com um estampido seco, deixando uma travessa repleta de comida logo ao lado de sua cama.
Madame Pomfrey começou a conversar com o elfo, mas Draco não estava realmente interessado em prestar atenção no que ela dizia, porque Snape e Harry finalmente se deram conta de que ele acordara e agora caminhavam em sua direção. Mais uma vez, à medida que ambos se aproximavam, a luz cintilante ao redor de seus corpos ficava cada vez mais pronunciada.
Ele suspirou. De verdade, algumas vezes seu padrinho conseguia ser mais protetor do que sua mãe. E ele não queria imaginar Snape se debulhando sobre ele, perguntando se ele havia tomado café-da-manhã, e foi por isso que se esforçou para afastar estas imagens absurdas o mais rápido possível de sua mente.
"Alguma novidade, Sr. Malfoy?" Snape perguntou, apesar de seus olhos ainda estarem concentrados no grifinório ao seu lado, lançando adagas na direção de Potter que se ocupava em encarar o chão.
Madame Pomfrey fez alguns gestos breves com a varinha para só depois se voltar na direção de Snape. "Ele está bem, Professor, de verdade. Não consigo detectar nada de errado."
Snape desviou o olhar de Potter para encará-lo. Draco deu de ombros. "Todos vocês continuam brilhando", comentou mais por saber que as expressões de todos os presentes ao ouvir isso seriam extremamente engraçadas.
De imediato Madame Pomfrey ficou preocupada e Snape pareceu ficar mais tenso e aflito do que o normal. Porém ele ficou surpreso ao ver que Potter sorrira em sua direção, começando a rir.
Sem reservas Snape se virou na direção de Potter, inclinando-se sobre o rapaz. "Qual o motivo da graça, Sr. Potter?"
Harry imediatamente assumiu uma postura defensiva, o sorriso esvaindo-se de sua face. "Nada, Professor!"
Com isso algo aconteceu. Os olhos de Draco se arregalaram ao notar que a luz dourada que rodeava Potter subitamente não era mais assim tão clara e começava a ficar negra. "Woah!", ele exclamou surpreso, pulando para trás na direção da cabeceira da cama.
Todas as cabeças se voltaram em sua direção.
A coisa… preta rodeando o corpo de Potter, não grande o suficiente para engoli-lo, continuava… ali. Mais tarde Draco iria descrevê-la como se fossem pomos negros voando todos muito juntos, mas agora a única coisa que conseguia fazer era encarar Harry boquiaberto.
E Harry também estava encarando-o de volta.
"O que é, Sr. Malfoy?" Madame Pomfrey perguntou, se posicionando quase que instantaneamente ao seu lado e soando muito preocupada.
"O que diabos é isso?", Draco exclamou, gesticulando profusamente com uma das mãos na direção de Harry.
Confuso e um pouco assustado, Harry olhou para baixo, para si mesmo. "Um," ele disse quando viu apenas as suas vestes normais. Ele meio que esperara encontrar um bebê acromântula agarrado ao seu torso com todas as suas pernas, mas não havia nem uma aranha normal em suas roupas. Não que ele pudesse ver, já que elas eram negras, por isso ele percorreu as mãos por toda a extensão do tecido, procurando pelo o que quer que fosse que Malfoy estivesse vendo.
Cautelosamente ele olhou na direção de Snape, que parecia estar tão confuso quando ele.
Ele virou a cabeça na direção de Madame Pomfrey, quase que implorando.
"Um," Harry disse novamente, olhando para Draco. "O que diabos é o quê?"
A nuvem preta estava lentamente retornando ao seu estado original de uma luz clara e cintilante.
"I-isso!" Draco persistiu, gesticulando para Potter, seus olhos percorrendo-o da cabeça aos pés a medida que observava a forma lenta com que a aura negra de… seja lá o que fosse, desaparecia. "Aquelas… pretas…" ele gaguejou, irritado com a forma estúpida que estava agindo.
"Minhas roupas?" Harry perguntou confuso.
Ele ficou surpreso ao ver Draco lhe lançar adagas com olhar.
"Não, Potter," Draco disse erguendo o queixo carregado de petulância. "Você acha mesmo que eu sou alguma espécie de idiota?" ele questionou irritado.
"Não," Harry respondeu rapidamente, balançando as mãos diante de si para enfatizar o que dizia.
A nuvem preta desaparecera completamente e Draco continuava encarando o local onde ela estivera confuso, mas sem entrar em pânico. Ele relaxou um pouco contra a cama, coçando o nariz em um gesto de concentração.
Harry se remexeu um pouco no lugar que estava parado, sem saber o que fazer com o escrutínio de Draco.
Um silêncio desconfortável preencheu a enfermaria, rodeando os quarto indivíduos presente à medida que Draco cruzava os braços e permanecia bastante quieto. As luzes bonitas e cintilantes estavam de volta, não havia nem um sinal dos pomos negros, mas o loiro continuava encarando Harry apenas para fazê-lo se sentir aflito.
"Sr. Potter," Snape disse calmamente, cortando a tensão com uma faca. "Me diga tudo o que aconteceu na aula após a... explosão," ele pediu de forma seca.
Ele falou tudo isso de forma tão calma que Harry não pode evitar suar frio. Mesmo tendo aprendido a respeitar o homem, ele ainda o considerava intimidador. No passado havia sido fácil discutir com ele por qualquer motivo, mas agora ele estava se sentindo culpado, apesar de não te feito nada.
"Err, bem," Harry começou indeciso, enxugando as mãos suadas nas vestes. "Nós limpamos o caldeirão e começamos a trabalhar na segunda poção," disse lentamente, perguntando-se o quão detalhista Snape queria que sua recapitulação fosse. "Preenchemos o caldeirão com Fluido Explosivo de Erumpent e depois adicionamos os rabos de ratazana. Três rabos," Harry complementou rapidamente. "Malfoy mexeu o caldeirão vinte e três vezes no sentido horário–" Snape deixou escapar um grunhido de impaciência e Harry imediatamente engoliu os detalhes sobre a temperatura que estivera prestes a adicionar a sua versão do que ocorrera. Okay, obviamente Snape não queria que ele fosse tão minucioso. "E então nós acrescentamos o absinto."
Eles haviam seguido as instruções de Snape com perfeição. Claro que eles haviam, afinal de contas Malfoy era um maluco obsessivo-compulsivo por perfeição.
"Deixamos ela ferver até o final da aula." Harry continuou, agora murmurando. Draco continuava encarando-o, o que era enervante. Ele discretamente coçou o nariz, apenas para garantir que ele não estivesse sujo.
Draco não podia evitar. Ele não conseguia parar de pensar na nuvem negra de mais cedo, e estava começando a achar que talvez houvesse algo de errado com ele. Você não simplesmente vê coisas brilhantes flutuando ao redor das pessoas, muito menos assiste estas mesmas coisas ficando subitamente negras, principalmente quando as pessoas ao seu redor garantiam que não estavam vendo a mesma coisa e deixavam isso bem claro te encarando como se você simplesmente tivesse crescido uma cabeça de hipógrifo.
"É verdade, Professor," ele disse, dando de ombros ao se lembrar da aula de poções.
Snape, depois de um tempo, concordou com um quase imperceptível gesto de cabeça, só para depois se virar novamente na direção de Potter. "E durante sua detenção?"
Desta vez Harry sentiu-se obrigado a olhar de forma penetrante para o professor. "Eu não coloquei nada na poção," murmurou. "Eu mal tive tempo de terminar de limpar a sala com feitiços antes que Pirraça aparecesse e começasse quebrar tudo–" Ele parou e arregalou os olhos.
Snape o encarou, parecendo também ter sido pego de surpresa por alguns instantes para logo em seguida, rapidamente, retomar sua típica expressão de descaso. "Você deverá ficar com o Sr. Malfoy, Potter, até que eu retorne. Ele é agora sua responsabilidade já que você é em partes culpado pelo o que aconteceu," disse com desprezo.
O queixo de Harry caiu. Eles não tinham acabado de chegar a um acordo mútuo de que tudo aquilo era culpa do Pirraça? Bem, pelo menos para Harry o fato deles terem se encarado havia sido um sinal de que ele e Snape concordavam com relação aquilo. Então porque o professor não podia agir normalmente? Ou pelo menos fingir não parecer estar constipado o tempo todo?
"Pirraça!" ele ganiu ao mesmo tempo em que Draco gritou "Potter?"
Snape caminhou para fora da enfermaria com um farfalhar de capa (Snape realmente gostava de fazer isso, huh?) sem olhar para trás, e Harry pensou em como o professor parecia estar se sentindo convencido.
Draco lhe lançou adagas com os olhos. "Bem, eu espero que você esteja feliz, Potter."
Harry ficou honestamente surpreso. "Feliz?"
Madame Pomfrey clareou a garganta, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha.
Ambos fecharam a boca.
"Agora," ela começou. "Comam a comida de vocês, queridos. Eu acredito que Snape logo, logo estará de volta. Talvez logo depois do almoço, tendo visto que ambos precisam ir para a aula, e–" Ela os encarou de forma firme. "Nada de se matarem na minha enfermaria."
Ela fez alguns novos gestos de varinha e uma cadeira transfigurada se fez ser notada ao cutucar o quadril de Harry.
Satisfeita, ela os deixou sozinhos para que pudessem se entender.
Grunhindo, Harry se sentou pesadamente na cadeira, retomando a competição de olhares que estava disputando com Malfoy.
"Ótimo, estou preso ao Garoto de Ouro," Draco murmurou secamente, descansando a nuca contra a cabeceira e deixando escapar um suspiro.
Harry encolheu-se ao ouvir isso. Ele odiava esse título do mesmo tanto que odiava "o Garoto-que-sobreviveu". Pensara que já havia se acostumado com estes apelidos há muito tempo atrás. Suspirou. A guerra havia acabado e ele só queria seguir em frente.
"Yeah, você está preso a mim," deixou escapar, recostando-se na cadeira. Estava cansado e ainda nem haviam ultrapassado a metade do dia. Mas Harry acreditava que isso era justificável, afinal ter Malfoy tendo um colapso literalmente sobre si e passar por um interrogatório de Snape sendo vigiado constantemente por ele era exaustivo. Portanto, não era de se espantar que ele não estivesse no clima para brigar, especialmente com Malfoy.
"Maravilhoso," Draco grunhiu, mas dessa vez sem soar agressivo. Ele se remexeu até que pudesse ficar de frente para a mesinha do lado da onde estava a travessa com a comida e sentando-se com as pernas cruzadas, começou a cobrir as panquecas com a calda. "Então, suponho que você não tenha nenhuma ideia sobre o que aconteceu com a poção?"
"Oh, por Merlim–," Harry disse exasperadamente, revirando os olhos. "Pela última vez, não, eu não sei o que aconteceu com a nossa poção. E se eu soubesse tenho a certeza de que você também saberia, afinal, você é o meu parceiro e você é meticulosamente doentio quando se trata de poções."
Draco sorriu de lado com isso.
"Mas –" Harry começou como se tivesse acabado de se dar conta de alguma coisa. Subitamente ele parecia estar desapontado. "Bem, err, se eu fiz alguma coisa – o que claro, eu não fiz, pelo menos não conscientemente, eu acho – então, bem – "
Houve um tempo em que se Malfoy se visse preso em uma situação de azar Harry teria gargalhado como se o Natal tivesse chegado mais cedo, como no incidente com o Bicuço no terceiro ano. Ou quando Hermione quebrou seu nariz. É, bons tempos. Mas, Harry pensou com solenidade, as coisas haviam mudado.
Malfoy mudara, assim como ele também estava diferente.
"Desculpas aceita, Potter," Draco zombou, ignorando-o. "Vejo que os rumores sobre a sua eloquência são verdadeiros."
Harry corou, olhando para o outro lado e grunhindo bem baixo sobre caras idiotas. Ele pegou um pedaço de torrada da bandeja de Malfoy e prontamente o devorou.
Draco torceu o nariz em desgosto. "Assim como os rumores sobre a sua falta de educação ao comer," observou.
Harry deu de ombro, engolindo. "Eu estou com fome."
"Obviamente."
Harry se serviu de um copo de suco de abóbora. "Então," começou a dizer. "O que foi aquilo mais cedo?" perguntou, notando o quão estranho era isso tudo, ele, tentando puxar conversa com Malfoy. Uma conversa civilizada, diga-se de passagem. Algo que não fosse sobre poções. (E mesmo quando era sobre poções, grande parte do tempo eles acabavam era discutindo.)
Draco suspirou dramaticamente. "Você deve achar que eu sou louco," murmurou quase como se estivesse se lamentando.
"Na verdade não," Harry disse de forma simpática. "Acredite, eu nunca acharia isso."
E apesar de Draco saber que Harry estava falando sobre suas experiências passadas, quando ninguém acreditou quando ele falou sobre as vozes que vinha escutando e os sonhos e Voldemort, ele ainda assim se sentiu acalentado ao ouvir isso. E foi exatamente por esse motivo que ele decidiu, mais uma vez, descrever para Potter o que ele vira mais cedo. Afinal de contas, se alguém era capaz de compreender o que era ver coisas bizarras que mais ninguém via, bem, este era Potter.
Draco analisou de perto a luz que rodeava o corpo de Harry. Para o grifinório, apenas parecia como se Draco estivesse encarando a parte da frente de suas vestes.
"Você está rodeado por luzes. Bem, até o Professor Snape e a Madame Pomfrey estavam rodeados por elas mais cedo, e não é exatamente uma luz, mas..." Draco começou, bufando a medida que tinha dificuldades para explicar exatamente o que via. Ele vasculhou o cérebro em busca de palavras que pudessem ajuda-lo.
Harry esperou pacientemente que ele continuasse.
No final das contas Malfoy apenas desistiu e continuou com a forma que descrevera mais cedo as luzes. "São como pomos de ouro voando ao seu redor!" Ele exclamou, quase que exasperado, voltando a fitar as próprias panquecas. "Bem, agora são como pomos, porém, mais cedo, quando eu gritei com você – aliás você não sabe o quanto eu sinto muito por isso, Potter–" E ele não soara nenhum pouco arrependido."— eles subitamente ficaram negros e isso foi... chocante."
Harry piscou, olhando para si mesmo meio que esperando ver vários pomos voando ao seu redor. Ele mantinha o que dissera antes, ele não achava que Malfoy havia enlouquecido. Na verdade ele acreditava no sonserino. "E você disse que Snape e Madame Pomfrey também estão rodeados por eles?"
Draco concordou, mastigando de forma pensativa.
"E… os meus foram os únicos que ficaram pretos? Já que eu fui à única pessoa para a qual você ficou encarando."
Draco concordou novamente, até ver a expressão que Harry estava fazendo. "Oh, não seja tão dramático, Potter. Tenho certeza de que não é algo assim tão sério."
"Sim, mas," Harry deu de ombros. "Preto." Ele pensou sobre como ele havia carregado por anos um pedaço da alma de Voldemort e não pode evitar o pequeno tremor que o percorreu.
Draco o olhou com firmeza. "Não se preocupe com isso." disse de forma definitiva.
Harry se perguntou desde quanto Draco não queria que ele se preocupasse com alguma coisa. Mas mesmo assim concordou com o que escutara sem realmente fazer o que lhe foi pedido.
"Então," disse novamente.
Malfoy revirou os olhos. "Você é horrível para puxar conversa, não é mesmo?"
Harry corou de forma culpada, mas tentou a todo custo parecer indignado com o que fora dito.
Ele continuou beliscando o café da manhã de Malfoy. "Então eu realmente tenho que ficar aqui com você, huh?" resmungou, pegando o garfo de Malfoy (era o único garfo da travessa) e espetando os ovos com as pontas.
"Sim, porque se é para eu sofrer deste jeito eu irei com certeza te fazer sofrer junto comigo," Draco respondeu como se fosse a conclusão mais óbvia do mundo e então sua expressão mudou para uma de horror quando viu Harry levar uma garfada de ovos em direção a própria boca. "Potter, você está proibido de contaminar o meu garfo com a sua–"
Harry abocanhou os ovos antes mesmo que Draco tivesse a chance de terminar o que ia dizer. Sorriu de lado. "Oh, não seja tão fresco, Malfoy."
Draco apenas o olhou de forma assassina.
Quando Snape verificou mais uma vez a lista composta pelos diversos itens de poção que confeccionara, continuou confuso como da primeira vez e nada pareceu fazer sentido.
Mais cedo, depois do Pirraça ter fugido de sua sala de aula, deixando-a completamente destruída, a primeira coisa que fizera fora recolher todos os ingredientes e poções que o poltergeist havia arremessado contra a parede. Claro que mal contivera sua vontade estrangular o fantasma, mas conseguira se conter, ocupado demais em inventariar e checar o que havia sido perdido ou o que havia desaparecido.
(Mas no instante em que finalizou a lista, ele saira rapidamente da sala em busca do Barão Sangrento)
Agora, olhando novamente para lista, tornou a checar as marcas que havia feito em frente a todos os nomes das poções e ingredientes que localizara. Estava tudo ali, exceto por três itens.
Pouco tempo depois ele retornou para a enfermaria.
"Amortentia, Veritaserum e Poção para Repor o Sangue," Snape informou Madame Pomfrey, prontamente ignorando os dois garotos que estavam um acomodado em cima da cama e o outro sentado em uma cadeira.
Draco assumiu uma careta, ele tinha todo o direito de saber o que estava sendo dito, afinal era sobre o que estava acontecendo com ele. Claro que não era como se Snape estivesse tentando manter segredo, principalmente pelo fato dos adultos estarem conversando logo ao lado deles, mas Draco não aceitava muito bem quando alguém o ignorava. Harry, por outro lado, acostumado a ter Snape fungando em seu cangote o tempo todo, estava mais do que grato por ser esquecido.
Madame Pomfrey franziu o cenho. "Isso não faz muito sentido, Professor. Como algo –"
"Ontem, Pirraça –" Snape assumiu uma expressão de raiva à medida que continuava explicando. "— deu um showzinho particular na minha sala de aula durante a detenção de Potter. Consegui recuperar praticamente todos os ingredientes e poções, exceto por estes três. Estou supondo agora que uma dessas poções deve ter se misturado com a poção que o Sr. Malfoy tomou."
Harry assumiu uma expressão contemplativa. Porque ninguém nunca dizia que a poção também era dele? Apesar que, levando em conta toda aquela situação, não era nada inteligente querer associar seu nome àquela poção em específico.
"Durante a detenção do Sr. Potter, você diz?" Madame Pomfrey repetiu de forma pensativa, olhando para Harry. "Você viu o que aconteceu, Sr. Potter?"
Harry concordou com um gesto de cabeça.
"E você também acha possível que uma destas poções tenha se misturado com a poção que o Sr. Malfoy tomou?"
Harry fez uma pausa ao ouvir a pergunta. Ele não se lembrava muito bem do que acontecera pois estivera ocupado demais com o Pirraça voando de uma lado para o outro, enquanto tentava não ser atingido pelas garrafas que o poltergeist arremessava em sua direção. "Mas ele se recordava muito bem da escandalosa explosão, a explosão que ele jurara ter aberto um buraco na parede e–"
Ele piscou, sendo tomado por uma realização. "Um blub."
Três pares de olhos o encararam incrédulos.
De todos Snape era o que parecia estar menos impressionado.
Draco grunhiu e afundou a face nas mãos, resignado com o fato de estar amaldiçoado independente do efeito que esta poção iria ter sobre ele. (Não que ela não tivesse sido responsável por nada além de fazê-lo ver pomos de ouro voando ao redor das pessoas e ficando abruptamente negros, mas isso não era uma coisa normal, portanto era motivo de preocupação)
"Um blub, você diz," Madame Pomfrey murmurou pensativa.
Harry concordou, abertamente ignorando os dois homens presentes, escolhendo conversar apenas com ela. "Sim, como uma pedra sendo jogado dentro do Lago Negro," ele disse, lançando uma olhadela nada contente na direção de Malfoy, que bufou ao ouvir sua analogia.
Merlin abençoasse Madame Pomfrey, ao ouvi-lo ela sorriu. "Bem, sua teoria foi confirmada, Professor!" ela comemorou com ambas as mãos apoiadas nos quadris. "Me parece que no final das contas algo realmente foi misturado a poção do Sr. Malfoy."
"Sr. Malfoy, você sente alguma súbita afeição por poltergeists?" Snape perguntou calmamente e de forma arrastada.
Draco o encarou com os olhos arregalados, horrorizado pelo chefe da sua casa estar falando com ele usando um linguajar tão estranho.
"Ou talvez, um desejo súbito e incontrolável de correr com o Pirraça em direção ao pôr-do-sol, ou quem sabe, fugir com ele como amantes?"
Harry teria rido, mas estava ocupado demais exibindo a mesma expressão de horror que Malfoy também tinha, porque oh céus, tudo isso estava saindo da boca de Snape.
Snape olhou para a face chocada do sonserino e fez um gesto de cabeça para si mesmo, satisfeito "Obviamente não foi a Amortentia. Poção de Repor Sangue?"
Madame Pomfrey franziu o cenho. "Oh, espero que não. Isso seria desastroso, considerando que ele não perdeu sangue algum," ela comentou, virando-se na direção de Draco. "Sr. Malfoy, você está se sentindo, quem sabe… um pouco nauseado? Ou, está sentindo vontade de vomitar?"
Draco, com muito esforço, tentou empurrar a imagem de Snape perguntando se ele queria fugir em direção ao pôr-do-sol para o fundo de sua mente. O sonserino lançou uma olhadela para o café-da-manhã parcialmente comido na mesinha ao lado da cama. "Não," respondeu. "Na verdade estou é com fome."
A medi-bruxa acenou com a cabeça. "E o que você disse para nós, sobre estarmos brilhando, é verdade?"
Harry se perguntou como ela poderia soar tão casual falando sobre tudo aquilo, mas acreditava que naquela profissão ela já deveria ter testemunhado de tudo.
Draco concordou.
"Potter," Snape exclamou abruptamente. "Minta."
Ninguém poderia culpar Harry por ter ficado tão perplexo. "O quê?"
Snape assumiu uma postura ameaçadora, e Harry rapidamente abriu a boca antes que Snape o fizesse. "Uhm, eu – eu não sou Harry Potter," ele deixou escapar, sentindo-se ridículo. No exato instante em que as palavras escapuliram por entre seus lábios, Malfoy deixou escapar um gritinho de surpresa.
Draco rapidamente cobriu a própria boca, corando devido ao som indigno que acabara de sair por ela. Ele olhou de forma penetrante na direção de Potter. "Você está com, uh, aquela nuvem preta de novo," ele explicou, sabendo que o outro rapaz iria compreender.
Harry piscou, olhando agora para si mesmo, mas desta vez sem ficar preocupado em encontrar acromântulas agarradas ao seu corpo. "Oh," ele retrucou de forma desarticulada.
Snape parecia estar satisfeito, e se alguém o observasse com mais atenção diria que também parecia estar um pouco intrigado. "Uma mistura de Poção Restaurativa e Veritaserum," ele murmurou, quase que para si mesmo. Mas então, recuperando-se de suas reflexões, virou-se na direção de Draco. "Parabéns, Sr. Malfoy, você parece ter... ingerido... a habilidade de saber quando outras pessoas estão praticando perjuro, literalmente."
Tanto Draco quanto Harry o olharam de forma inexpressiva. Draco porque o que Snape estava dizendo era ultrajante, e Harry por não fazer a menor ideia do que perjuro significava.
Madame Pomfrey, que Merlin a abençoasse mais uma vez, explicou. "Sr. Malfoy, considerando que você é capaz de nos ver brilhando, e que este brilho ficou enegrecido quando o Sr. Potter mentiu... Bem, me parece que você agora consegue saber quando alguém está mentindo."
"Como um bisbilhoscópio?" Harry ofereceu.
Snape estava pronto para retrucar de forma zombeteira o que o grifinório dissera quando seu conta de que bem, era realmente algo muito parecido com um bisbilhoscópio.
Mais uma vez Draco grunhiu e afundou o rosto em suas mãos. "Oh, céus, fui degradado a um objeto," lamuriou. Neste exato instante seu pai deveria estar tendo um ataque em Azkaban, discorrendo sobre a superioridade dos Malfoys.
"Eu acho que é algo legal," Harry disse sorrindo na direção do sonserino, deixando Malfoy mortificado.
"Você não está me ajudando, Potter," Draco murmurou contra a palma de sua mão. Ele então ergueu a cabeça para lançar um olhar mortal na direção do rapaz, mas ao em vez disso piscou os olhos ao perceber que a luz ao redor de Potter voltara a ser clara. Ele teria que tirar um tempo para refletir e compreender essa coisa toda de verdade-mentira se ele quisesse tirar algum sentido disso tud–
Subitamente ele arfou, sentindo como se seu peito estivesse sendo esmagado, fazendo-o se dobrar para frente e o obrigando a respirar com força na tentativa de fazer com que seu peito não doesse tanto. Havia uma estranha sensação em seus ouvidos, como se eles estivessem sendo massacrados por um turbilhão de sangue, e ele mal conseguia discernir as vozes carregadas de pânico que estavam ao seu redor e, oh céus, sua garganta estava pegando fogo e – sentando-se bem ereto – ele começou a tossir violentamente, o sangue manchando os lençóis brancos de sua cama.
Ele recaiu novamente contra o travesseiro, seus olhos arregalados e seu peito pesado, respirando em largas golfadas à medida que ia se dando conta de que podia respirar novamente.
Algo gelado tocou sua testa e ele percebeu, surpreso, que alguém estava umedecendo-a com uma toalha. Era uma sensação boa e ele estremeceu, fechando os olhos e se concentrando apenas em respirar.
Devagar todas as vozes pareceram soar mais claras e Madame Pomfrey estava agora muito próxima de seu ouvido, falando suavemente. "Sr. Malfoy, você está bem?"
Não, ele não estava bem. "Fantástico," disse com a voz rouca, sua garganta parecendo estar toda arranhada.
Subitamente Snape deixou escapar um palavrão. "O fluido explosivo de Erumpent deve ter reagido com o sangue de dragão da poção Veritaserum, eu deveria ter previsto isso…" Ele estava murmurando para si mesmo, parecendo bastante abalado.
Draco fechou os olhos não querendo olhar para a cara de Potter. Ele sentia-se mortificado pelo grifinório tê-lo visto em uma situação tão constrangedora mas – ele não queria passar a imagem de que estava com medo, então ele se forçou a abrir os olhos e olhar fixamente na direção do outro rapaz–
– que não estava mais sentando, mas sim de pé, muito rígido e pálido, parecendo... preocupado?
Draco queria rir. Santo Potter, de fato.
Ele não resistiu. "Não fique assim, Potter," disse de forma áspera, "Você está parecendo a Murta-que-Geme." E riu baixinho de sua própria piada, relembrando o sexto ano.
"Você está…" Harry começou de forma trêmula, incerto. Ele olhou para Malfoy por um momento, para logo depois olha nervosamente para o lado.
"Professor," Madame Pomfrey disse subitamente, pousando a toalha perto da bacia com água que Draco não se recordava de estar na mesinha ao lado de sua cama. Ela se virou para encarar o mestre de Poções, que interrompeu seus murmúrios para prestar atenção na bruxa. "Quanto tempo até o efeito da poção acabar?"
Diante desta pergunta Snape franziu o cenho, parecendo incerto. "A Poção Restaurativa é o tipo de poção que funciona imediatamente após o consumo, mas a Veritaserum…" Ele empalideceu consideravelmente. Quando tornou a falar foi com uma carregada suavidade. "Pelo o que me recordo, eu tinha estocada uma garrafa cheia de Veritaserum em meu armário."
Se Draco já não estivesse pálido devido ao acesso de tosse que teve mais cedo, com certeza teria ficado branco agora. "Toda uma garrafa? Isso é o suficiente para alguém contar os próprios segredos por durante um mês!"
Quando Harry terminasse de ficar em pânico por conta do estado de Malfoy, ele iria definitivamente ficar com inveja do loiro. Porque é que ele não podia falar daquela forma com Snape sem perder cinquentas pontos e um piscar de olhos?
Apesar do piti de Draco, Snape o avaliou com calma. "Qual o seu nome?"
Draco o encarou confuso e absolutamente desnorteado. "O quê?"
"Vendo que você falhou em me dizer o seu nome quando perguntei, tenho plena certeza de que você não irá sair por ai contando todos os seus segredos, Sr. Malfoy," Snape disse. "Você está correto ao dizer que a quantidade de Veritaserum em uma garrafa é capaz de permanecer no sistema de uma pessoa por um mês, mas apesar disso, com o Fluido Explosivo de Erumpent reagindo de forma desfavorável com o sangue de dragão, eu não posso afirmar com toda certeza por quanto tempo a poção ainda terá efeito. Felizmente, o efeito irá acabar cedo ou tarde."
Draco resmungou. "Cedo ou tarde, huh."
"Bem, tudo resolvido então," Madame Pomfrey anunciou, quase que comemorando. "Enquanto você não estiver correndo perigo, Sr. Malfoy, acredito que tudo ficará bem até o efeito da poção passar."
E Draco, agora que ele tinha oxigênio o suficiente em seu cérebro e seu peito não estava mais doendo, se deu conta de que sim, talvez ele fosse ficar bem. Além disso, ele era um sonserino. Imagine o que ele poderia fazer com a habilidade de saber quando alguém estava mentindo. Oh, ele iria direto falar com Blaise depois disso tudo, só para perguntar se ele estava afim do Longbottom.
"Beba isso aqui, querido," Madame Pomfrey disse, dando para ele um pequeno frasco. "Irá ajudar com a sua garganta."
Abruptamente Draco se recordou do acesso de tosse que teve mais cedo e se deu conta de que okay, talvez ele não fosse ficar assim tão bem.
Aparentemente Snape também se recordou do ocorrido, porque imediatamente ele se virou na direção de Potter, uma expressão zombeteira tomando seu rosto. "Eu espero que você acompanhe o Sr. Malfoy todos os dias até o efeito da poção acabar, Potter. Não podemos arriscar que aconteça algum acidente com o Sr. Malfoy quando ele estiver... sem supervisão."
Draco e Harry apresentavam agora expressões similares de incredulidade.
E quando Madame Pomfrey também concordou com um "Também acredito que esta seja a melhor solução, rapazes", as expressões de incredulidade deram lugar para uma de horror.
"Malfoy," Harry deixou escapar um ganido estrangulado. Ele olhou para o sonserino deitado na cama, quase que implorando. "Por favor, me diga que eles estão tirando um sarro com a nossa cara."
Draco se deu conta, enquanto seu estômago afundava, que a luz ao redor de Snape e Madame Pomfrey continuava brilhando bem forte e clara. Não havia nem sinal dos pomos negros.
"Isso tudo é culpa sua, Potter," ele murmurou e não teve forças nem para apreciar o grito de desespero que escapou dos lábios de Potter.
N/T 2: Nossa, pensei que não iria terminar nunca de traduzir este capítulo, hahaha.
Bem, como já é um pouco tarde, irei revisá-lo outro dia, mas como sei que alguns não se importam em encontrar alguns errinhos e preferem ler a continuação o mais rápido possível, estarei postando-o mesmo assim. Peço desculpas adiantado se algo estiver errado.
Agradeço de coração a todas as reviews. Elas me ajudam a continuar traduzindo, fico feliz em saber que não sou a única que está se divertindo com esta história.
E concordo com o que foi dito pela Anne Marie Le Clair e pela PandoraMaria, vocês captaram com perfeição uma das coisas mais interessantes desta fic, que é a caracterização.
Outro ponto positivo é a sensação que a história passa, faz com que a gente se lembre dos primeiros livros da saga, quando acompanhávamos o dia-a-dia de Harry na escola, com as todas as intrigas e mistérios. Sinto falta disso, para mim foram os melhores livros apesar dos outros não ficarem muito atrás.
Bom, tentarei postar o próximo capítulo o mais rápido possível. Só posso adiantar que o Draco ficará positivamente insuportável agora que tem a capacidade de saber quando alguém está mentindo ou dizendo a verdade, imaginem o que ele não irá aprontar com esta nova habilidade.
Novamente agradeço o carinho de vocês e até a próxima.
