Mentiras Brancas
Título Original: White Lies
Autora: Cassis Luna
Rate: T
Disclaimer: Harry Potter pertence a J.K. Rowling e esta fanfic a Cassis Luna
Shipper: HD/HP
Gênero: Romance/Humor
Atenção: Slash, homossexualidade, universo alternativo (o desenrolar dos acontecimentos não acompanham o último livro)
Sumário: Draco bebe uma poção que o torna capaz de dizer se uma pessoa está mentindo ou não , Harry, aparentemente culpado por esta situação, é forçado a 'ajuda-lo' com os efeitos colaterais. Pela primeira vez eles terão que lidar um com outro sem poder se esconder atrás de mentiras.
Capítulo 3 - Coisas de Lufa-lufa
Draco foi dispensado do restante das aulas depois de seu episódio sanguinolento de tosse, e Harry olhou para Snape, sua expressão brilhando de esperança a qual Snape rudemente destruiu.
"O que você está esperando, Potter? Volte para a aula."
E ele foi, murmurando sobre injustiça e malditos mestres de poção, mas não sem antes receber instruções de que deveria retornar imediatamente para a enfermaria com o término de suas aulas.
"Você tem que o QUÊ?" Ron berrou, eles estavam sentados confortavelmente em frente à lareira no salão comunal da Grifinória. Seu rosto assumindo um tom pálido abatido que contrastava imensamente com seu cabelo vermelho. "Oh cara, eu sinto por você," ele gemeu.
"Oh, pelos deuses, Ron!" Hermione disse revirando os olhos. "Você fala como se estivesse de luto!"
"Eu posso muito bem estar!" Ron replicou, ainda parecendo abatido. "Harry terá que ficar com o Malfoy durante 24 horas por 7 dias! Malfoy! 24/7!"
"Não é como seu precisasse acompanhá-lo até no banheiro, Ron," Harry murmurou emburrado, mas foi ignorado pelo amigo à medida que este conjurava imagens indesejáveis sobre o que-acontece-quando-eternos-inimigos-são-obrigados-a-ficarem-juntos, o que incluía azarações, bombas de bosta e os bons e velhos punhos.
"Sério, Ron," Hermione bufou. "Pensei que vocês tivessem colocado um fim neste pequeno desentendimento durante a Guerra."
"Pequeno desentendimento?" Ron guinchou, olhando para a namorada com os olhos arregalados, não acreditando no que estava ouvindo. "Você enlouqueceu, Hermione! Desentendimento?"
"Sim, desentendimento," Hermione disse com firmeza, erguendo-se e apoiando as mãos na cintura. E Ron não arriscou retrucar o que a namorada dissera, só um maluco desafia a própria namorada quando ela te encara com as mãos na cintura.
Harry, sabiamente, ficou calado, porque só um idiota interromperia Hermione quando ela ficava diante de alguém com as mãos na cintura.
Ela continuou, "E o fato de vocês não terem jogado nenhuma azaração um no outro neste ano só prova isso! Você não o odeia mais, certo?" Ela perguntou olhando-o de forma curiosa.
"Bem –" Ron começou para logo em seguida fazer uma pausa. "Okay, não, eu não odeio ele. Mas Malfoy continua sendo um idiota irritante e você poderia pelo menos admitir isso."
Harry bufou divertido ao ouvir isso.
"Claro," Hermione disse sem interesse, "Mas você não o odeia mais, o que só confirma que vocês dois mudaram e eu gosto de pensar que o tempo que vocês passaram juntos durante a Guerra, montando estratégias, ajudou um pouco nisso."
"Bem – é, mas –"
"E se vocês dois – de todas as pessoas, misericórdia, conseguiram trabalhar juntos – conseguiram colocar de lado as diferenças e concordaram em não arrancar a cabeça um do outro, então tenho certeza de que o Harry ficará bem," Hermione finalizou com um sorriso triunfante, para logo em seguida se sentar e continuar lendo.
"Mas o que – hey, o que diabos isso quer dizer?"
Harry lançou um sorriso agradecido na direção de Hermione.
Ele tinha muita sorte por ter uma amiga como ela. Hermione simplesmente compreendia tudo. E era tão convincente que não só Ron, como ele também, parara de entrar em pânico por conta do Malfoy. Em sua mente ele ainda conseguia se lembrar de Ron e Draco sentados em uma das livrarias de Grimmauld Place em meio a uma conversa acalorada, porém muito (surpreendentemente) civilizada. Era uma memória engraçada, mesmo que eles estivessem discutindo qual a melhor forma de cortar fora a cabeça de Nagini.
Pensando bem, se Ron era capaz de ser amistoso, porque ele não seria? Afinal de contas, desde a época em que Draco ficara hospedado em Grimmauld Place sobre a proteção da Ordem após alguns Comensais descobrirem que ele era um espião, ambos haviam superado a hostilidade que tinham um pelo outro.
Talvez… talvez eles tivessem ficado até mesmo amigos. Bem, pelo menos Harry queria estabelecer uma amizade com o loiro.
Ele passara grande parte de seus dezessete anos de existência, quando não estava pensando em jogar um Avada Kedavra em um maluco, lutando contra seus pensamentos sobre ninguém menos do que Draco Malfoy. Mais especificamente, tentando com muito esforço não socá-lo até a morte por conta de todas as coisas que ele havia dito nos anos em que frequentaram juntos Hogwarts. Durante o breve período em que Malfoy ficara em Grimmauld Place, eles brigaram apenas uma vez, no segundo dia de sua estadia.
Sem varinhas, apenas punhos e narizes quebrados, mas só esta vez foi o suficiente para colocar para fora o que estava acumulado em seus sistemas e uma frágil camaradagem surgiu após este evento.
Depois de um certo tempo, Harry começou a aceitar, com certa inveja, que Malfoy era uma companhia agradável. Eles… compreendiam um ao outro sem precisar dizer nada. Talvez eles fossem mais parecidos do que ele pensava. (Ele bufou ao perceber que estava realmente se comparando com Malfoy)
Okay, então talvez eles tivessem gradualmente diminuído a inerente animosidade que tinham um pelo outro, e talvez fossem até mesmos amigos, e Harry de fato apreciava (… algumas vezes) a companhia de Malfoy mas…
Ele ainda não estava muito feliz com a ideia de passar um mês inteiro grudado a Draco Malfoy. Havia algo simplesmente errado nesta situação.
"Harry?" Hermione interrompeu seus pensamentos, sua voz suspeitamente respeitosa e confortante, e apesar de Harry saber que nada ruim acontecera enquanto ele estivera na enfermaria (além do fato dele ser forçado a ficar de babá do Malfoy) aquilo só podia significar que 'algo ruim' estava prestes a acontecer agora.
"Sim, Hermione?"
"Nós agradecemos que você tenha vindo nos contar que terá que cuidar do Malfoy 24/7, mas… você não deveria estar cuidando do Malfoy 24/7?"
A ênfase na última parte não passou despercebida por Harry à medida que ele pulava do sofá, xingando, e corria em direção ao buraco do retrato da Mulher Gorda, quase tropeçando sobre as próprias pernas.
E ele percebeu muito bem o riso abafado de Ron.
Snape iria matá-lo!
Ou talvez não, já que Snape não estava em nenhum lugar da enfermaria quando ele se aproximou de Malfoy.
"A onde você esteve, Potter?" Malfoy zombou, apertando os olhos para olhá-lo enquanto saia da cama. Ele já estava vestido, seu uniforme parecendo como sempre o de uma realeza.
"Eu, uh –" Harry começou, corando de vergonha.
Draco bufou. "Você esqueceu, não foi?"
Harry tentou se defender. "Bem, eu pensei que você também não queria passar por isso!"
Com isso, uma expressão vulnerável cruzou a face de Draco, mas desapareceu rapidamente a ponto de Harry simplesmente acreditar ter sido algo da sua imaginação.
"Ao contrário de você, Potter, eu não tenho só metade do meu cérebro, então quando o Professor Snape diz para que eu espere aqui por você, eu faço questão de obedecer, porque a ideia de ter que limpar o salão de troféus com uma escova de dente não me parece nada interessante."
Às vezes Harry ficava maravilhado com a quantidade de palavras que Draco conseguia utilizar para chamar alguém de idiota. Ele fez uma careta. Ron estava certo. A animosidade entre eles poderia ter sido esquecida, mas Malfoy continuava sendo um imbecil insuportável. "Bem, eu estou aqui, não estou?"
Draco grunhiu. "Sim você está aqui, uma hora atrasado." Então ele fez uma pausa, parecendo… nervoso. "Sério, Potter, se você considera a minha companhia tão desagradável, você só precisa dizer e podemos fingir que estamos fazendo o que foi pedido apenas para evitar que o Professor Snape fique fungando nos nossos pescoços, o que é extremamente irritante, como você já deve saber," ele disse, resmungando de forma desdenhosa. "Às vezes eu acredito que lá no fundo o Professor é um maldito grifinório," ele adicionou, com uma pequena careta de desgosto.
"Não – não, Malfoy," Harry se pegou dizendo, parecendo dividido, como se não pudesse acreditar no que ele estava prestes a dizer. "Eu não… eu não acho a sua companhia desagradável."
Draco o encarou.
"Okay, talvez você seja extremamente irritante e insuportável," Harry murmurou, fazendo com que Malfoy desse de ombros. "Mas bem, err, a culpa é minha de você estar assim então é, e a crise que você teve mais cedo foi bastante assustadora..." ele disse com pouco caso, olhando para o chão com determinação.
Quando sua resposta foi apenas o silêncio, ele finalmente olhou para cima e apesar de saber ser impossível, ele meio que esperara que Malfoy ficasse tocado com o que ele dissera e agisse como um lufa-lufa, mas não, pelo contrário, o loiro parecia estar... horrorizado.
Draco gemeu com sofrimento. "Estou preso a um maldito grifinório!"
Harry se sentiu ofendido. "Ei, eu estou tentando ser educado!"
"Sua tentativa de ser educado tocou o meu coração, de verdade," Draco retrucou de forma exasperada.
"Okay, agora você está agindo como um idiota de propósito," Harry murmurou enquanto apertava os olhos para encará-lo.
Draco deu de ombros à medida que eles começavam a caminhar para fora da enfermaria. "O que eu posso dizer? É o meu charme."
Harry revirou os olhos. "Então, err, como é que vamos fazer... isto?"
Draco o olhou. "Você precisa fazer alguma coisa com relação a essa sua incapacidade de conversar como uma pessoa normal, Potter. É vergonhoso."
"Pare com isso!"
"Parar com o quê?"
"Pare de agir como um idiota."
"Eu já te disse, é o meu charme."
Harry pensou em como isso seria um longo e doloroso mês. "Apenas responda a pergunta."
Draco respondeu, mas seu sorrisinho de lado foi mantido. "Aparentemente temos que passar todos os instantes em que estivermos acordados juntos. Ou, pelo menos, todos os momentos que o Professor Snape puder nos ver."
Harry empalideceu diante isso. "Todos… acordados…" Repetiu de forma fraca.
"Oh, por Merlin, Potter!" Draco disse, revirando os olhos. "Eu não tenho nenhum interesse em tomar banho tendo você a dez passos de distância de mim! E eu disse todos os momentos em que o Professor Snape puder nos ver. Eu não acredito que o Professor irá nos seguir até no banheiro–" E então ele também empalideceu. "Oh, deus, acabo de pensar em algo nojento."
Harry também pensou e choramingou consternado. "E sobre as nossas refeições?" perguntou rapidamente, desesperado para mudar o assunto da conversa.
Draco ergueu uma sobrancelha. E então seu sorrisinho maldito voltou com toda a força. "O que, vai me dizer agora que você quer dar comida na minha boca, Potter?"
Harry engasgou e assumiu uma fantástica cor avermelhada. "O quê? Não!"
"Você é tão inocente," Draco zombou, fungando com desdém. "Coitada da Weasley-Fêmea que é obrigado a ficar presa a você."
"Não a chame assim," Harry disse, mais por reflexo do que por indignação. E então ele pausou. "E nós não estamos juntos."
Ao ouvir isso Draco pausou também, olhando para Harry de forma desconfiada. "Não estão juntos aqui, agora, ou não estão juntos?"
"Oh, olhe, o Salão Principal," Harry disse subitamente, em uma tentativa óbvia de desviar a atenção do loiro do assunto.
Draco continuou observando-o.
Harry autoconsciente mordeu os lábios, se perguntando se a luz ao seu redor estava ficando negra. Se estava (ou não estava), Malfoy não disse nada.
"Tudo bem," Draco comentou com suavidade. "Acredito que a partir daqui seguiremos caminhos diferentes, Potter."
Harry concordou. "Então, uh, nós não vamos… comer juntos ou algo do tipo?" ele perguntou com muito sacrifício.
Draco torceu o nariz com desgosto. "Oh, deus, não, Potter. Pare de agir como uma garota."
"Só estou checando," Harry murmurou enquanto abria a porta do Salão Principal.
Como esperado todo o burburinho chegou ao fim no exato instante em que eles entraram. Todos os olhos se voltaram na direção dos dois e era como se o tempo houvesse parado.
Harry odiava quando isso acontecia. Ele já havia experimentado esta mesma situação mais vezes do que consideraria normalmente aceitável.
Apesar disso ele não podia culpar ninguém. Harry Potter e Draco Malfoy entrando no ao mesmo tempo no Salão Principal (sem estarem com as varinhas apontadas para a garganta um do outro) era algo realmente extraordinário de se ver, mesmo que toda a escola já soubesse que havia uma trégua entre eles. E, julgando pelos sussurros de 'Potter envenenou Malfoy! Eu sabia que eles estavam apenas fingindo!', o que acontecera naquela manhã se espalhara rapidamente pela escola.
Dez horas, Harry contou. A rede de fofocas estava devagar hoje, hum.
Ele olhou para Draco e ficou surpreso ao ver o outro rapaz de olhos arregalados. Mas apesar disso, depois de alguns instantes, sua imagem de tranquilidade retornou e ele cumprimentou Harry com a cabeça antes de começar a caminhar em direção a mesa da Sonserina.
"Desculpe, cara," Ron disse, dando de ombro no instante em que Harry se sentava ao seu lado. "A fofoca meio que se espalhou como fogo de palha quando o Snape apareceu."
E confirmando a história, Snape se encontrava sentado na mesa principal, parecendo mais azedo do que nunca.
"Nós tentamos manter as coisas entre nós, Harry," Hermione começou, passando para Ginny a torta de melado. "E por sorte o Snape não apareceu para almoçar, então conseguimos manter tudo sobre controle, mas agora virou um caos."
Harry encolheu os ombros enchendo seu prato com comida. "Está tudo bem. Eu meio que gosto da ideia de ser acusado por envenenar o Malfoy," ele sorriu, imaginando a expressão aterrorizada do loiro ao pensar 'Potter? Me envenenando?'.
Ele olhou na direção da mesa da Sonserina e com toda certeza Malfoy estava olhando fixamente para o próprio prato enquanto Pansy o atualizava com as fofocas do momento.
"Oh, não se preocupe com eles, Harry," Ginny disse enquanto abria um sorriso. "Você sabe que amanhã todos irão esquecer essa história."
Seu relacionamento com Ginny podia ser complicado, mas de uma coisa ele tinha certeza, ela continuava sendo sua amiga, e continuaria sendo por um bom tempo.
Ele retribuiu o sorriso. "Obrigado, Ginny."
Quando Draco entrou no Salão Principal, toda a claridade do recinto o sufocou. Era esperado que todas aquelas luzes machucassem seus olhos, ou ferisse suas retinas, mas surpreendentemente... ele achou o que viu lindo. Algumas partes do salão ficavam negras por alguns momentos para depois retornar a cor normal, cintilando novamente, e era como uma dança, como várias centelhas negras. Por alguns instantes ele desejou que a outra cor fosse qualquer uma menos preto, talvez assim ele pudesse fingir que tudo não se passava de um show de luzes.
Aparentemente, Draco fez uma observação mental, várias pessoas mentiam com regularidade.
Era meio que chocante se ele fosse refletir sobre isso e ele demorou alguns segundos para se recompor e foi neste momento que ele se deu conta que Potter o estava encarando com curiosidade.
Falando de Potter… Aparentemente essa coisa de verdade-mentira não funcionava quando o que a pessoa dizia não era nem um nem outro.
Como mais cedo, quando Potter evitou responder a pergunta sobre a Weasley-Fêmea e mudou o assunto com um 'Oh, olhe, o Salão Principal", a luz ao seu redor não ficou negra porque o Salão realmente estava diante deles.
Mais apesar disso, quando ele disse 'nós não estamos juntos' a luz ao seu redor também não mudou de cor.
Draco tentou se convencer de que o calor na base de seu estômago era por conta da sopa e não por causa de... outra coisa.
Você é patético, Draco, ele pensou emburrado enquanto se empanturrava de pudim. Oito anos babando pateticamente por um cara que o odiava desde a primeira vez que eles haviam se conhecido. Oh, se seu pai ficasse sabendo, Draco tinha certeza que ele o puniria imediatamente com um Cruciatus.
Ele se sentia meio que satisfeito agora que ele e Potter estavam sendo mais amigáveis um com o outro. (Okay, o motivo para eles não terem sido amigos desde o início fora sua culpa, mas ele estava apenas seguindo as ordens de seu pai... Pelo menos até ele parar de escutar o que Lucius Malfoy tinha para dizer e continuasse a pentelhar Potter apenas para chamar sua atenção.) Mas toda essa… como é mesmo que Snape dissera?
Eu espero que você esteja com o Sr. Malfoy até que o efeito da poção passe, Potter.
Isso era simplesmente uma tortura.
"Merda!" Draco rosnou, fincando o garfo na mesa.
Os sonserinos mais próximos pararam de conversar para olhar para ele.
"Draco, você está assustando o pessoal do primeiro ano," Blaise avisou sem sequer desviar o olhos de sua comida.
"Eu não me importo," Draco exclamou, quase que em voz de choro. Ele estava muito irritado consigo mesmo. Oh, o que sua Mãe diria? Não, espera, sua Mãe provavelmente não iria se importar. O que seu pai – não, Draco não se importava mais com o que seu pai achava ou deixava de achar.
A coisa mais próxima que ele tinha agora de uma família era... Snape, e Snape provavelmente iria enviá-lo para o St. Mungus quando ficasse sabendo.
"Eu odeio o Potter," ele murmurou pegando novamente o garfo.
"Claro que você odeia," Pansy concordou sem se dignificar a lançar um olhar em sua direção. Eles já estavam acostumados com aqueles pequenos episódios sobre Potter, eles ocorriam com certa frequência e sempre resultavam no loiro declarando que odiava imensamente o Menino de Ouro e acabava com ele –
"Pansy, porque é que eu não pude ficar com você?" Draco perguntou angustiado. E então murmurou bem baixinho para que só Pansy e Blaise pudessem escutar. "Eu deveria ter nascido hétero."
"Nós tentamos, Draco, durante o quarto ano," Pansy fez questão de relembrá-lo. "Mas você queria o Potter e eu… queria alguém que fosse menos mulher do que eu –" e ela desviou da maçã que foi arremessada na direção de seu rosto.
"Você sabe, né, que você é a única pessoa que pode falar assim comigo sem correr o risco de ser castrada," Draco fungou de forma arrogante.
Pansy lançou um sorriso carregado de charme em sua direção. "É um privilégio, eu sei."
Draco se virou na direção de Blaise. "Blaise –"
Blaise ergueu uma das mãos. "Eu já disse, eu sou hétero."
Imediatamente Blaise foi envolvido por pomos negros. Draco piscou. Ele havia se esquecido da luz ao redor das pessoas porque o fato de todo o Salão Principal estar se parecendo com uma maldita árvore de natal começava a parecer... normal.
Ele sorriu com malícia, seu sonserino interior fazendo as engrenagens em seu cérebro girarem. "Oh, você é agora?"
"Sim," Blaise replicou com uma careta.
A luz negra não desapareceu.
Ainda era cedo para pergunta-lo sobre Longbottom, e Draco acreditava na emoção da caçada, por isso ele decidiu responder apenas com um animado "Tudo bem, então."
Blaise o olhou com desconfiança.
"E eu ainda odeio o Potter," Draco declarou.
"Claro que você odeia," Pansy respondeu automaticamente.
E Draco realmente o odiava.
E era por isso que ele se considerava um idiota patético por ficar de pernas bambas sempre que ele se recordava do que havia acontecido mais cedo, quando Potter dissera 'Eu não acho a sua companhia... desagradável' e a luz ao seu redor não ficara negra.
Draco quase deixou a colher cair ao se dar conta que Potter estava de pé diante dele. Na mesa da Sonserina. Que imediatamente explodiu em sussurros com sua aproximação. Ele ergueu uma sobrancelha. "Sim?"
Harry se remexeu de forma desconfortável. "Snape não para de me encarar," ele disse lentamente. "E então eu me dei conta que ele disse, sobre mim, uh... e você..."
Ao ouvir isso as sobrancelhas de Pansy quase desapareceram por detrás de seus cabelos e ela se virou para Draco com um olhar questionador. "Você e Potter?" ela perguntou suavemente.
Draco quase bateu uma mão na testa. "Céus, Potter, você precisa ter algumas aulas de conversação," ele murmurou enquanto massageava as têmporas. E então se virou para Pansy, olhando-a fixamente. "Não é o que você está pensando, Pansy."
"Oh," Pansy exclamou parecendo decepcionada.
"Então você tem que ficar me seguindo para cima e para baixo?" Draco perguntou secamente, virando-se para encarar o moreno.
Harry franziu o cenho. "Eu adoraria estar livre para cuidar das minhas coisas também, Malfoy," grunhiu.
Draco suspirou, empurrando o prato para longe enquanto se levantava. "Tudo bem então," ele disse para só depois se virar na direção de Pansy e Blaise. "Vejo vocês mais tarde no Salão Comunal. Eu vou estar na biblioteca," continuo baixinho, mas alguns sonserinos conseguiram escuta-lo.
Rapidamente ele se afastou da mesa e saiu do Salão Principal, confiante de que Potter o estava seguindo e desejando ardentemente ter escutado errado quando um burburinho de 'Amor proibido entre Potter e Malfoy? Quem teria imaginado! ' começou a se formar.
Julgando pelas bochechas rosadas de Potter ele também escutara a mesma coisa.
"Eu deveria matar o Snape por causa disso," Draco disse, se lamentando.
"Entre na fila," Harry murmurou.
"Okay, então," Draco suspirou, se recompondo. "Acredito que a sangue-ruim–"
"Não a chame assim."
"Granger te deu as anotações dela?"
Harry o olhou horrorizado. "Você não estava falando sério sobre a biblioteca, estava?"
"Claro que sim," Draco respondeu de forma debochada. "Algumas pessoas se preocupam de verdade com o N.I.E.M, Potter."
Se fosse possível, Harry teria ficado ainda mais apavorado. "Nós ainda estamos em outubro!"
Draco encolheu os ombros. "E eu preciso recuperar as lições que perdi hoje."
"Oh, céus, eu estou preso à outra Hermione."
"Nada mais justo por você ter agido de forma tão grifinoriana mais cedo," Draco rosnou enquanto eles caminhavam na direção da biblioteca.
Estudar com Potter o distraia por inúmeros motivos.
Em meia hora de silêncio na companhia um do outro, Draco já reparara diversas coisas sobre Potter enquanto tentava estudar. Primeiro, os cílios de Potter eram extremamente longos. Segundo, ele mordia os lábios quando estava confuso. Terceiro, ele agarrava os próprios cabelos quando estava frustrado (E este deveria ser o motivo pelos fios ficarem constantemente bagunçados). Quarto, ele reposicionava os óculos no rosto com o dedo indicador ao em vez do dedo do meio. Cinco, seus olhos eram muito mais brilhantes sem os óculos, fato que era intensificado pelo brilho dos pequenos pomos (ou seja lá o que eles fossem) que Draco via ao seu redor devido ao acidente com a poção, tornando a imagem em algo de tirar o fôlego.
Era óbvio que Draco já sabia de tudo isso.
O problema é que ele não podia evitar notar tudo novamente, porque era exatamente isso o que acontecia quando ele olhava para Potter, um hábito que estava se tornando mais frequente do que ele gostaria.
Era também uma distração, porque Potter também adorava… vocalizar suas expressões. Isso tornava praticamente impossível prestar atenção em seu próprio livro.
E como que adivinhando o que ele estava pensando, Potter soltou um rosnado baixinho.
Draco mentalmente estremeceu, porque aquele fora um som extremamente sensual.
Decidindo desistir de estudar, ele pousou o livro sobre a mesa com um suspiro. "O que é, Potter?"
Harry olhou para cima, para ele, surpreso, para depois piscar e olhar para baixo novamente, para seu pergaminho. Mordendo os lábios, ele fez uma pausa e então, encolhendo os ombros, apontou para o problema. "Eu acho que estou fazendo alguma coisa errada."
"Deixe eu ver."
Ao ouvir isso Harry pareceu ficar surpreso, mas repassou o pergaminho para Malfoy do mesmo jeito.
Draco sorriu de lado. "Isso é porque você realmente está fazendo algo errado."
"Idiota," Harry murmurou.
"Aqui," Draco chamou, colocando o pergaminho sobre a mesa e virando-o de lado para que os dois pudessem lê-lo apropriadamente. "Três corações de andorinha, não dois. Se você colocar três, você estará fazendo uma nova poção. E ignore essa parte, ela está aqui só para confundi-lo."
O queixo de Harry caiu. "Então é por isso que os ingredientes pareciam não fazer sentido!" E ele tomou o pergaminho das mãos do Malfoy e começou a escrever furiosamente, como se estivesse preocupado que fosse esquecer alguma informação.
Draco reparou, com grande satisfação, que Potter terminou de fazer o trabalho sem morder os lábios ou puxar os cabelos (Apesar de que era uma gracin – Oh, Draco, você é realmente patético).
Quando Harry finalmente terminou de escrever, ele olhou para Draco, parecendo estar nervoso, mas não sem deixar de sorrir. "Obrigado, Malfoy. Eu não sabia que você era capaz de ser legal," comentou brincalhão.
Draco fungou, indignado. "A última parte foi desnecessária, Potter."
Mas ele ficou confuso, porque a luz ao redor de Potter enegreceu quando ele disse a última parte. Então isso significava que Potter achava que ele conseguia ser legal?
Isso era algo… bacana… de se saber.
Meia hora antes do toque de recolher, eles se separaram de forma desconfortável –
("Então, uh, te vejo no café-da-manhã?
"Céus, Potter, isso é nojento. Você deveria ter sido sorteado na Lufa-lufa. Eu tenho dó da garota que for alvo das suas tentativas patéticas de flerte."
"Isso é um sim então."
"Não, porque Madame Pomfrey quer nos ver pela manhã. Infelizmente teremos que nos encontrar mais cedo por causa disso."
"Oh, deus, o meu estômago não vai conseguir sobreviver a isso." )
– e eles caminharam em direções opostas; Harry indo para a torre da Grifinória e Draco para as masmorras.
E talvez isso mostrasse que toda essa coisa de ficarem juntos não era tão ruim...
Okay, era ruim e Malfoy agia como um idiota grande parte do tempo mas Harry reparou que não era algo inteiramente… insuportável. Ele não achava a companhia de Malfoy desagradável, na verdade, pelo contrário. Não era exatamente um passeio no parque durante a primavera, mas era interessante porque o senso de humor do loiro era diferente. (Ele podia admitir isso agora, quando Malfoy não estava rindo... err... muito dele.)
A maioria das vezes em que eles haviam conversado em Grimmaud Place fora planejando estratégias, por isso falar sobre trabalhos e como o Snape era insuportável (palavras de Harry, não de Draco) era algo novo. E ele preferia assim.
Quase tropeçando, Harry virou o corredor –
E deu de cabeça com uma estátua que ele não se lembrava de existir no corredor do sexto andar. Especialmente no meio do hall! Com um grunhido, ele deu alguns passos para trás –
Para trás e para trás e onde diabos estava a maldita parede? Até que ele tropeçou sobre os próprios pés e caiu de qualquer jeito no chão empoeirado. O som de pedras se movendo fez com que ele entrasse em pânico, e Harry olhou para cima no exato momento em que a parede começou a se fechar. Além dela estava à estátua e o –
Corredor do sexto andar.
A porta se fechou com um barulho muito alto e intenso, e Harry gemeu de frustração. Ótimo. Ele acabava de ficar preso em buraco na parede. Um buraco que não deveria existir. (Pelo menos não existia no mapa dos Marotos, e ele acreditava no mapa com todo o se ser.) Aquilo não poderia ser considerado nem uma passagem! Era apenas um… quarto. Um pequeno quarto. Apenas um pouco maior que um armário da casa dos Durleys.
Passando uma das mãos no rosto – ou pelo menos ele tentou passar, porque seus óculos estavam no caminho… aparentemente quebrados. Partidos no meio, na verdade, agora que ele finalmente o tocou. E havia algo úmido e pegajoso em suas mãos. Ele pegou a varinha em um dos bolsos e murmurou, "Lumos."
Piscando ele olhou para as mãos, tentando enxergar em meio a sua visão borrada.
Okay, sua bochecha estava sangrando. Não muito, felizmente. Provavelmente fora apenas um pequeno corte.
Ele desfez seu feitiço Lumos e o quarto recaiu novamente em uma escuridão profunda. Apontando a varinha para o que ele esperava ser seus óculos, ele sussurrou, "Reparo."
Tornando a coloca-los, conjurou um novo Lumos.
Olhando ao redor para ver a onde estava não conseguiu descobrir coisa alguma, não havia nada de especial no pequeno quarto. O teto, as paredes e o chão eram feitos de pedra e tudo estava bastante empoeirado.
Ele espirrou.
Certo.
Ele não era claustrofóbico, de verdade, mas ficar olhando ao seu redor em meio aquele minúsculo quarto estava começando a deixá-lo desconfortável.
Ele procurou por qualquer detalhe, por menor que fosse.
Não havia nada além de uma pequena rachadura no teto.
Suspirando, começou a apalpar as paredes.
Harry estava exausto. Não que ele tivesse feito algum exercício físico, mas ele só queria ir dormir. Ele não sabia que horas eram só sabia que já deveria ter se passado muito tempo desde o toque de recolher.
Ele enroscou os dedos na varinha.
Pensou seriamente em usar Reducto na parede, mas a última vez que fizera isso (alguns dias atrás na verdade, quando caíra em um buraco na parede muito parecido com esse, mas o quarto havia sido muito maior e muito mais distante do corredor), ele quase se enterrou vivo. Apenas seu reflexo como Apanhador havia permitido que ele se salvasse quando tudo começou a desmoronar ao seu redor.
Respirando profundamente, acabou começando a tossir com pequenos espasmos.
Okay, ou ele se enterrava vivou ou iria morrer por falta de oxigênio.
Maravilhoso.
Suspirando, ficou de pé e se preparou, só por garantia, vai que a mesma coisa que havia acontecido no outro quarto voltasse a se repetir.
Apontando a varinha em direção à porta ele gritou, "Reducto!"
E a porta explodiu em todas as direções com um barulho imenso e fazendo tudo tremer. Ignorando a dor em seu ombro, onde uma pedra particularmente grande o havia atingido, ele se apressou para sair para o corredor do sexto andar, quase rastejando em direção à parede oposta enquanto tentava recuperar o fôlego.
Olhando para trás ele observou o quarto e toda a bagunça que havia feito. Suspirando aliviado, percebeu que o teto não havia desmoronado e que não precisava ter se preocupado em ser enterrado vivo.
E a estátua… a estátua havia desaparecido.
Xingando quem quer que tivesse construído a monstruosidade que era Hogwarts, Harry correu em direção a torre da Grifinória, tomando o cuidado para não dar de cara com nenhuma outra estátua suspeita. (Ou Filch)
O salão comunal já estava vazio quando ele finalmente chegou e olhando para o relógio ele percebeu que havia passado da meia-noite. Aquilo explicava o porque dele estar tão sonolento.
Sem nem se preocupar em se limpar, subiu as escadas. Só queria dormir, a dor em sua bochecha e ombro podiam esperar até o outro dia. Ele pediria para que Madame Pomfrey o curasse pela manhã.
Maldita Hogwarts.
N/T: Pessoal, muito obrigada a todos que estão acompanhando a história! Peço desculpas pela demora essa semana, mas a casa tá um horror com tantos animais e passo mais tempo cuidando dos gatos e cachorros do que dormindo.
Tentarei apressar a tradução do próximo capítulo, porque é nele que a tortura draconiana irá finalmente começar, ou piorar, como preferirem, haha.
Antes que eu me esqueça, feliz natal (terrivelmente atrasado) e ótimo ano novo para todos vocês.
