Capítulo 4 ----Bem vinda: a ironia-----

- Suna é tão longe! Já não agüento mais andar, por todo lado onde olho só posso ver areia. Espero encontrar flores na Vila, me fariam muito bem. Tsunade-sama poderia ter mandado outra pessoa para proteger o Kazekage. Eu realmente não gostaria de perder o festival de Outono, ainda mais para proteger alguém que nunca precisaria da minha ajuda. - disse Ino enquanto caminhava totalmente desinteressada no meio das areias.

A loira de olhos azuis se recusava a acreditar que enquanto todo o vilarejo de Konoha festejava, ela teria que ficar fazendo companhia para uma pessoa que mal se comunicava.

Com o temperamento difícil e sua agilidade com a fala, realmente odiaria ter que ficar completamente sozinha em um lugar que se tem areia por todos os lados. Enfim, ela chegara a Suna, onde Temari e Kankuro a aguardavam ansiosamente.

- Olá, Ino - disseram os irmãos.

- Olá - respondeu a Yamanaka tentando parecer empolgada.

- Esperamos que você tenha feito uma boa viagem. Agora entre para lhe apresentarmos seus aposentos e em seguida te levaremos até Gaara - disse Temari.

- Sim, Obrigada.

Ao entrar na casa dos irmãos, Ino ficara realmente surpresa, pois esta era muito grande e tinha a aparência perfeita, um ambiente sério e ao mesmo tempo equilibrado.

Não que ela entendesse algo sobre decoração, o máximo que ousava a incumbir-se era da seleção e preparação de arranjos, afinal como dona de uma floricultura era o que pelo menos ela devia saber.

Observava cada milímetro dos cômodos, como que procurasse por algo, e não fazia questão em disfarçar, mesmo sabendo que teria tempo suficiente para sua minuciosa análise.

Tanta indiscrição fez com que Temari se perguntasse se a sua casa era tão diferente das demais e se Ino estava vendo alguma sujeira ou bagunça, porém espantou esse pensamento ao lembrar que existiam criados que eram responsáveis pela manutenção do lugar.

Ao final de todos esses pensamentos que a incomodaram, resolveu aceitar a hipótese de que a garota de orbes azul-celeste apenas não conseguia controlar seu jeito espalhafatoso de ser.

"Parece que não será tão ruim passar uns dias por aqui" pensou a Yamanaka que estava deslumbrada ao ver todo o conforto que os irmãos dispunham.

- Venha, Ino. Gaara está em sua sala esperando você.

A frase soou um tanto quanto ambígua para a kunoichi, porem tratou de espaventar tais maluquices. Pois, ele era o Kage e ela apenas uma ninja de Konoha, e com a grande divergência de interesses, seria improvável que isso um dia viesse a acontecer.

- Gaara, Yamanaka Ino está aqui, creio que não precisemos lhes apresentar. Agora Kankuro e eu partiremos.

E rapidamente Temari passou pelo corredor e entrou em seu quarto para pegar seus últimos pertences, correu as escadas e logo estava ao lado de Kankuro rumo à Konoha.

- Vejo que estás ansiosa para chegarmos à Vila da Folha.

- Sim, teremos muito trabalho por fazer lá.

- Trabalho? Qual será sua tarefa na casa dos Nara?

- Deixe de insinuações, não tinha necessidade em você ir, se continuar a insinuar, faço você voltar. - disse Temari em tom ameaçador.

Ino não sabia muito bem o que fazer, estava parada em frente ao Kazekage que a olhou tranqüilamente sem nenhuma expressão, apenas balançou a cabeça de modo que esta entendesse que já havia sido notada.

Após alguns minutos, a kunoichi que continuava em pé mostrava se inquieta, percebendo a atitude dela, o ruivo disse:

- Sente-se.

A moça sente um alivio ao perceber que com a atitude dele, ela se sentira mais à vontade. Observou todo o trabalho do moço à sua frente, durante todo o tempo ela observara o modo como ele agia, nem mesmo ela acreditou que conseguira ficar em silêncio durante todo o tempo.

Como percebera estar sendo observado, Gaara sentiu um incomodo durante toda a tarde, porém não desejava criar nenhum tipo de desentendimento. Ela estava ali cumprindo ordens e esse era o trabalho dela. Proteger.

Diante da moça que o observava, deixou-se perder em meio às linhas que o prendiam a atenção, mas isso não foi obstáculo para que ele sumisse em espírito dali, estava perdido em suas mágoas. A cadeira que a moça agora ocupa, fora dela.

Os olhos que agora o observam, não eram os dela.

De algum modo desejara que Tsunade lhe tivesse enviado Sakura, mas seria improvável que esta retornaria, desde que se recuperou e fora embora, não teve coragem de visitá-lo. Nem ele. Não havia esta necessidade. Mas havia o desejo. Reprimido e enterrado, porém havia.

Continuaria mergulhado em suas lembranças, se não fosse a voz que lhe despertava do transe.

- Ainda falta muito?

- Por que?

- Faz muito tempo que você está aí lendo e resolvendo suas obrigações, mas eu não agüento mais ficar sem fazer nada, somente te olhando.

Sentiu-se incomodado com a petulância da moça, e prontamente lhe respondeu:

- Achei que Tsunade-sama havia lhe dito exatamente o que você faria aqui.

- É claro que sei de minhas obrigações, mas ficar aqui somente olhando não faz parte delas.

- Vá para seus aposentos, não acho que sua ajuda seria necessária, até porque, não tive escolhas, tive que recebê-la. Faça como eu, apenas cumpra suas ordens.

Ino realmente ficara irritada com a reação de Gaara. Não era acostumada a ouvir afrontas, porém não poderia respondê-las à altura, ele não era um qualquer, era o Kazekage. Respirou fundo e nada disse.

Gaara ao ver a atitude da moça, perguntou-se se essa era mesmo a Yamanaka, afinal, realmente esperava que ela iniciasse uma discussão. Mas ficou feliz em pelo menos ver a expressão de ódio estampada em seu rosto. Não estava de todo errado. Com um pequeno sorriso irônico, encarou a moça irritada.

Ao ver o sorriso irônico à sua frente, ela estremeceu. Até onde ela sabia, ele não costumava sorrir e muito menos após um mal entendido. Perguntava-se o que diabos ele tinha na cabeça e então impulsivamente ela se levanta e sai batendo a porta.

Com a atitude da kunoichi, ele pode perceber que não seriam dias felizes os que estavam por vir.

Ino se dirigia ao seu quarto, enquanto discutia consigo mesmo. Em meio a ofensas não ouvidas, prometia insistentemente que Tsunade-sama a pagaria por isso. Entra em seu quarto e bate a porta.

Faz isso sem o mínimo de pudor, nem ao menos se importa por não estar batendo suas portas, e sim as portas dele. Sentia-se vingada com essa atitude. Livra-se de suas roupas que não se encontram muito limpas devido à viagem e deita-se na cama, aos poucos adormece.

Gaara resolve parar, pois a noite já estava chegando, e sentia-se faminto. Fechou a porta de seu escritório e caminhou rumo às escadas. Ia jantar. Mas lembrou-se de sua hospede, voltou o corredor e bateu na porta da kunoichi. Com o som forte de suas batidas, a loira acorda se enrola em uma toalha que deixara esticada, para o banho. Abre a porta e somente coloca a cabeça para fora, sabendo das limitações de suas vestes. Não queria que fosse vista naquele estado, toda suja e semi nua.

Gaara percebe que batera em sua porta em uma hora não muito apropriada, mas não tinha ninguém para fazer isso, era tarde seus criados já haviam se retirado, e estava sozinho em casa.

- Desculpe, o jantar está servido, desça quando quiser. - disse e saiu das imediações do quarto de Ino.

A loira então opta por um banho, não ousaria jantar com o Kazekage em sua deplorável situação. Entra no banheiro, liga o chuveiro, entra sob ele e molha-se. A cada gota de água que lhe cai sobre a pele, ela vai se sentindo mais leve e renovada.

Enquanto lava os cabelos lembra-se da hora em que o dono dos olhos verdes lhe batera a porta. Não imaginava que ele pudesse ser gentil. Ficou mais um pouco sob a água enquanto imaginava o que estaria acontecendo em Konoha.

Desligou o chuveiro e foi enrolada em sua toalha até o quarto, afinal era uma suíte. Olhou por sobre a mobília de mogno onde percebeu um toque feminino. Uma pequena toalha de mesa enfeitava o criado-mudo à esquerda de sua cama.

Olhou e estranhou. Não esperava encontrar artefato tão feminino num quarto de hospedes. Não se tratava de uma casa qualquer, tratava-se da casa e o quarto de hóspedes do Kage de Suna.

"Rosa? esperavaencontrar branco, afinal um quarto de hóspedes é formulado para receber ambos os sexos" pensou e logo desceu, não faria o ruivo esperar.

Enquanto descia as escadas, Ino certificava-se de que seu vestido estava totalmente certo e se não havia nada desabotoado Ajeitou o tecido em sua silhueta, e concluiu estar tudo bem. Estranhou sua própria escolha, não era habituada a usar vestidos, ainda mais se estivesse em missões. Mas não era uma missão em si. Era apenas companhia e proteção, se caso necessário. Alisou mais uma vez o azul bebê que emolduravam o decote, não queria que isto indicasse vulgaridade.

Gaara estava faminto e não estava mais agüentando esperar, mas se comportou de modo cavalheiro e com muito custo aguardou.

Enfim, a loira chegara. Sem sequer um olhar para a sua convidada, diz a ela que se acomode e se sirva à vontade.

A loira fez o que lhe mandaram, fez seu prato e sem sequer titubear, colocou-lhe mais comida que o necessário, estava faminta e nem sequer ligou para as boas maneiras. Gaara observou a atitude da moça e nada disse, afinal ele não ligava à mínima para isso, apenas estranhou quando lembrou de outras visitas femininas jantaram ou almoçaram em sua residência.

O silêncio imperava. Até que uma pergunta quase engasgou o Kazekage.

- Costuma receber muitas mulheres aqui?

- Não, recebo somente quando necessário.

- Então alguém esqueceu algum pertence por aqui.

- Por que?

- Uma toalha rosa em cima de meu criado-mudo.

Diante da resposta Gaara silenciou-se, lembrava muito bem de que se tratava e de quem havia esquecido o objeto, mas para evitar incômodos e qualquer insinuação, preferiu não responder.

- Qual o problema? Você costuma deixar de responder as questões de seu trabalho? – alfinetou a loira.

- Nenhuma e o procuro cumprir de forma exemplar.

Ino em um impulso levantou e debruçou-se sobre a mesa, de forma, que seus olhos chegaram muito próximos ao do Kage, apontou o dedo indicador para ele e disse:

- Você é muito arrogante.

Com o que a moça lhe disse chegou ele ainda mais próximo dela encarou seus olhos de uma maneira que ninguém jamais havia feito. Com esta expressão ele a desafiava e muito mais. Não era somente uma má compatibilidade de gênios.

Com esta atitude, ele procurou mostrar para a jovem que ele era superior e a inferioridade da mesma faria com que ela reconhecesse isso, porém isto mexera com os instintos dela.

Ino desviou o olhar e voltou a sentar-se. Agora sentia vergonha, baixou o olhar, mirando as sobras de seu prato e se calou.

- Estou satisfeito.

A kunoichi entendeu que sua frase tinha sido formulada para que tivesse vários sentidos. Diante da reação desconcertante que ele a proporcionara nem mesmo se deu ao trabalho de pensar em algo, não podia, estava ainda em estado de choque.

O olhar que a fitara a pouco penetrou em sua mente desregulando sua agilidade. Levantou-se da mesa e caminhou rumo às escadas. Subiu cada degrau com os olhos verdes em sua mente, era recente e tão real.

Jamais sentiu-se desta forma antes. Não pensou em mais nada e entrou em seu quarto. Com o fechar da porta, imaginou selar o acontecimento.

Gaara ainda estava na cozinha, se perguntando sobre a atitude da moça. Não esperava que ela fosse desistir tão fácil e que muito menos sairia do lugar. Sentiu-se mal por isso. Custava a acreditar que teria de se desculpar.

Mas com o que ele fizera, mesmo somente com a intenção de irritar a loira, esta havia entendido erroneamente. Subiu as escadas enquanto pensava as palavras, desta vez tentaria não se irritar e decidiu que mesmo se alguma afronta viesse por parte de Ino, ele não as responderia.

Bateu na porta do quarto dela e em seguida a moça abriu, o olhou sem mencionar nada. O esperou entrar, sentou-se na cama e continuou com o olhar baixo. Agora mirava o tapete ocre que estava sob seus pés descalços.

Gaara então começou a se desculpar com certa dificuldade, porém conseguiu. Mas como lhe faltavam as palavras e seu próprio jeito não o ajudavam na hora a única coisa que saiu de seus finos lábios foi apenas "Desculpe-me".

Ino não acreditou a principio, mas mesmo assim se manteve calada. Não continuaria a ser irônica. Levantou-se e foi em frente ao Kage que se achava em pé olhando minuciosamente para as atitudes dela e disse:

- Também lhe devo desculpas, se não for de sua vontade, peço-lhe que envie um comunicado à Tsunade-sama dispensando os meus serviços. Não vejo razões para proteger alguém que chegara ao cargo mais respeitado da vila. Não pretendo continuar.

As palavras da loira o acertaram, desta vez, ele estava desconcertado. Pensou em concordar com a decisão da moça, afinal isso era realmente desnecessário. Era tempo de calmaria. Mas relutou a aceitar, pois não seria interessante duas vilas aliadas entrarem em certo desconforto por uma tola razão.

- Fique, afinal, ninguém é bom o suficiente e nem ruim ao extremo.

Ino consentiu. Depois de alguns minutos e a aparente calma, ela se dirigiu ao Kazekage desta vez tímida, mas mesmo assim disse:

- Agora, creio que possamos fazer algo, já que não está trabalhando e ainda não é tão tarde a ponto de dormir. O que Suna tem de interessante?

- Suna possui a vista de um pôr do sol, que realmente agrada muitas pessoas, porém já passamos da hora de vê-lo. E Suna costuma se tornar muito fria à noite. Não seria interessante sairmos agora, mas se mesmo assim, você ainda quiser, podemos nos dirigir ao centro da vila e vermos a lua.

- Vamos - disse Ino animada.

Não agüentava mais ficar dentro da casa. Queria sair, ver, conhecer. Saíram, não sem antes Gaara pegar uma jaqueta para levar, visto que a loira saiu na frente e nem mesmo deu ouvidos aos comentários sobre a baixa temperatura noturna.

Andaram pelas ruas de areia enquanto observavam tudo. Enquanto ela via as casas, os muros, as praças, ele observava a lua.

Gaara, enquanto andava, convenceu-se que era bom andar por Suna à noite, com suas mãos nos bolsos de sua roupa preta. Perdeu-se nas lembranças de seu passado onde ele fizera o mesmo trajeto com a moça de cabelos rosa. Só que esta, não se perdia em suas curiosidades. Estava ao lado dele.

Foi interrompido com os gritos da loira que o diziam para esperá-la.

Olhou para traz e viu que a moça tinha parado para esvaziar seus chinelos, cheios de areia. Para não atrasar a visita, ela corre e chega próximo ao Kage. Ao ouvir a respiração ofegante da loira, decide caminhar mais devagar.

Não queria cansá-la.

Bom:

Fico muito grata a MOTOKO LI por se dispor a me ajudar!! Realmente agradeço pela disposição:D

LUNOCA: eu também não trocaria !! concordo com vc! Mas, ele vai encontar sim, e logo !

INOROXXXX: Sim, a sakura é a mais besta!! Hehe , espero que continue acompanhando ...e fazendo cafunés!! E uma coisa.: faça sempre lendo a minha fic :P

PEEH: nãoo, num desisti não! Pedi pra me ajudarem apenas, pra que a fic não fique chata e mal feita!! E Temptation, num demora pra voltar postá-la ela menina, senão vc me mata de curiosidade,e isso é muita, muita maldade!!

QUEENRJ:realmente, ele sempre tão fechado, qndo se permite a uma aproximação, acontece isso, but... nem sempre vai ser assim!

Espero que continuem acompanhando!

Bjos! E bjo especial para o anjo que me salva: Igor!!