Capitulo 6 --- Entre ela e eu---
"Every single day"
(A cada dia)
"Every word you say"
(Cada palavra que você disser)
"I'll be watching you"
(Eu estarei te observando)
Gaara entrou no quarto, olhou para a sua cama e, num súbito momento, desejou estar com ela ali. Mas, naquele instante, a dona do seu desejo era uma jovem loira. Da sua mente não saía a imagem daqueles olhos azuis. Agora, a respiração que lhe fizera ter forças para continuar não era mais a dela.
O cheiro de álcool que estava ainda em suas mãos lhe dava uma sensação de limpeza, limpeza das suas tristezas, o sentimento de que tudo, dali adiante, poderia ser diferente.
Deitou-se, com certa felicidade no peito. Havia muito tempo que não se sentia daquela maneira. Ele claramente sabia que podia deixar levar-se por aquilo. Mas não era tão fácil quanto parecia, ainda mais para ele que, com todas as dificuldades do seu passado, considerava difícil apenas sorrir para o presente e o futuro, sem nada de trágico para esperar.
As horas se passam e ele perdeu-se no tempo. Achou-se quando as primeiras luzes começam a adentrar sua janela. Era hora de trabalhar.
Desceu as escadas rumo à cozinha, onde tomou o desjejum e, logo depois, foi para o escritório, pois o trabalho espera pelo Kage.
Ele entrou na sala, sentindo o vazio da cadeira em frente à mesa. Imaginou que ela deveria estar exausta pela longa noite e preferiu não acordá-la. Não que precisasse da sua companhia ou de algum favor, mas talvez precisasse ser observado e desejado.
Sua porta abriu-se inesperadamente. O Kazekage de Suna odiava que aquilo acontecesse. Era um apreciador das boas maneiras e achava essencial que lhe tomassem partido daquela forma.
- Bom dia - disse a loira, em um sorriso que chegava próximo às orelhas.
- Bom dia - respondeu ele e corou, pois ficou sem jeito ao receber o belo sorriso da kunoichi.
Ele não devolveria o gesto de simpatia, mas deixou-se notar pelo tom das bochechas rosadas.
- Achei que gostaria de descansar um pouco mais, depois da longa noite de ontem.
- Não consegui dormir e estava enjoada de virar de um lado para outro na cama.
- Por que não conseguiu? Faltava algo em seu quarto para a sua comodidade? – ironizou a garota.
Ino, quando ouviu a pergunta, quase não segurou a vontade de responder que o que lhe faltara na noite passada fora a companhia do ruivo. Conteve-se. Não podia declarar o desejo por ele, era antiético e muito pessoal.
Se a jovem loira fosse se declarar a todos os homens por quem se sentia atraída, ela certamente sentiria vergonha de andar pelas ruas. Afinal, tinha que manter a compostura, pois não tinha certeza sobre o moço e se ela fosse rejeitada, não saberia o que fazer e muito menos o que dizer.
- Não, estava tudo perfeito, só não preguei os olhos porque ainda estava a mil por hora - disse ela, tentando parecer engraçada para disfarçar o nervosismo.
- Não se preocupe, esta noite você dormirá muito bem.
A loira corou ao ouvi-lo. Por menos malícia que uma pessoa tivesse, aquela frase realmente seria encarada com certa ambigüidade, ainda mais se a pessoa que a ouvisse tivesse um certo interesse pelo locutor. Mas a Yamanaka não era capaz de manter o controle sobre seu temperamento e sua distinção.
- Realmente espero ter - disse a moça e saiu, avisando que tomaria café.
Abandonou a sala do ruivo, que não conseguia disfarçar o entusiasmo diante das palavras dela. O gesto que ela lhe fizera na noite anterior realmente mudara sua concepção a respeito da dona dos belos olhos azuis.
O que a princípio era mais um fardo para ele, agora fazia parte das suas aspirações. E notou que levou menos de um dia para que tal coisa fosse qualificada por ele próprio como fugaz.
Mas ao caracterizar o seu repentino desejo, percebeu que aquilo poderia machucar Ino. E se ele somente quisesse passar o tempo com ela? E se não conseguisse esquecer Sakura? Bem sabia que as coisas não acontecem de uma hora para outra e que aquilo levaria tempo e que até agora ele não conseguira fazer.
Mas e se ela fosse a chave? Não dizem as más línguas que, para esquecer um grande amor, era apenas arranjar outro? E se ela fosse insubstituível? Valeria a pena tentar?
Apenas respirou fundo e concluiu que não criaria situações para que aquele tipo de envolvimento tomasse conta. Se não o fizesse, acreditou ele, não haveria razões para a Yamanaka certificar-se de suas pretensões.
Já que lhe era claro que estas existiam para ela. Como bom observador, isto não passara despercebido.
Voltou-se para as suas obrigações. Elas eram as únicas certezas de sua vida e as certezas da vida do Kazekage eram a esperança da Suna.
Ino não tardou a voltar para a sala, mas manteve-se silenciosa. Daquela vez, Gaara a interrompeu.
- Por que Tsunade-sama enviou você? Alguma razão em especial?
- Por que, segundo ela, eu me empolguei demais no festival da Primavera e, visto que de flores eu entendo, acabei criando pequenas confusões com aqueles que não concordavam com as minhas decisões.
- Fez bem em tê-la enviado então.
Ino preferiu interpretar aquela frase como um agradecimento da parte dele. Voltou novamente ao seu lugar e deixou o moço trabalhar. Ficou sentada na cadeira que a princípio se achava vazia, mas não por muito tempo.
Logo, resolveu olhar por todo o cômodo em que estava e, aos poucos, aproximou-se da janela, onde, enfim, encostou-se e cruzou os braços.
Desse ângulo, ela podia ver o Kage por trás e observar sem atrapalhá-lo. A nuca de Gaara estava contrastando com a cor escura do seu traje, evidenciando a pele sensível, a qual ela cobiçou e desejou tocar. Imaginou poder tocar suas costas, sentir-lhe o corpo. E perdeu-se em seus pensamentos humanos.
Gaara sabia estar sendo observado e, com o olhar aos cantos dos olhos, percebeu que a loira estava pensando, distante.
Esperou mais algum tempo, até que propositalmente ela debruçou-se sobre ele, de modo que sua cabeça ficasse lado a lado com a do Kage e suas mãos tocassem-lhe os ombros.
- Posso ver o que está fazendo?
- Estou lendo um comunicado do Kage da vila do Som - Respondeu ele, sem maiores comentários, por mais confiante e tentador que fosse responder à loira, que estava tão próxima.
Ele não podia confundir as coisas.
Sentiu o doce perfume que ela usava. Ele prometera a si próprio que não criaria situações para que fosse criada uma possibilidade de contato ainda mais íntimo, mas não contava que ela faria aquilo.
Gaara não conseguia mais ler, sua atenção estava voltada para ela. Saiu de si ao sentir que a moça lhe tocava os ombros, caminhando para os seus cabelos, onde movia os dedos.
Toques suaves capazes de baixarem a sua guarda, era o que Ino fazia, enquanto se envergonhava por sobre a cabeça do Kage. Ela sabia que estava totalmente fora de si, mas ao ver as mechas cor de fogo por entre seus dedos e sentir o aroma que vinham do cabelo de Gaara, ela desistiu de torturar-se.
Viu os olhos dele se fecharem, apenas sentindo o seu toque. Ao ver aquela reação, ela entendeu que poderia descer seus toques e, agora, passar por sobre sua nuca os seus dedos. A pele dele arrepiou, os poros tomando destaque, os pequenos pêlos do seu corpo eriçaram. Deixou que o toque dela o seduzisse.
Ela não esperou pela sua tola atitude. Em meio aos carinhos que recebia, Gaara balbuciou uma palavra que fez a kunoichi parar:
"Sakura."
Ele se deu conta do que dissera, esqueceu-se de que não estava sozinho e, que por mais baixo que o som lhe saísse, ela ouvira. A kunoichi loira afastou-se rapidamente, indo para a janela. Seus olhos azuis estavam enormes.
Custava a ela acreditar que, em meio as suas carícias, ele dissera o nome dela. Maiores ainda se encontravam os olhos dele, ao ver o que fizera. Diante disso, tentou ir à sua direção.
- Ino - disse ele.
Mas não teve sucesso. Ela saiu da sua. Por mais que soubesse que não havia nada entre eles, ficou horrorizada ao ouvir o nome da moça e sentiu ainda mais ódio por ser culpa de Sakura. Se realmente fosse aquela que conhecia, seu ódio se multiplicaria.
Gaara foi atrás dela, tentando explicar-se, porém, a loira não lhe deu ouvidos. Desistindo de tentar dar satisfações, ele apenas disse:
- Não seja infantil, Yamanaka Ino.
Ino ouviu e consentiu. Virou-se e, com a dura frase, entendeu que já não era mais uma criança. Não era mais uma criança, desde que o desejara.
- Desculpe-me – disse, envergonhada pela sua atitude infantil.
- Desculpe-me pelo que fiz, não tinha a intenção de te ofender.
- Não se importe comigo. Não deve satisfações a mim – falou, tentando parecer indiferente.
- Sei disso, porém não acho que não lhe devo explicações, ainda mais pelo que acabamos de vivenciar lá em cima.
Ino nada mais disse. Ouviu atentamente as explicações do ruivo. Estranhou a atitude dele, não esperava que fosse confidenciar algo. E assim ele fez: contou tudo sobre o que lhe tinha acontecido. A loira ouviu tudo pacientemente, até ouvir que a Sakura que ele chamara era Haruno Sakura.
Subiu-lhe o sangue, seu ódio estava à flor da pele. Gaara percebeu isso quando Ino desviou o olhar.
- E foi isso o que aconteceu - disse ele, terminando.
Ino ainda se mantinha em silêncio. Agora, a moça sentia os reflexos da sua atuação no andar superior.
- Eu não devia ter me excedido. Você ainda a ama e é incapaz de envolver-se novamente e, se mesmo assim fosse, não seria eu a pessoa mais indicada.
- Você não fez isso sem razão. Dei a você motivos o suficiente para que agisse assim.
- Mas não agi somente por conseqüência do momento, Ino. Realmente me senti e ainda me sinto atraído por você - completou ele.
Ino ouviu aquela última frase e nada comentou. Olhou para baixo durante algum tempo.
Mais uma vez, Gaara se desculpou e saiu.
Ela entendeu que o seu sentimento por Sakura era muito forte, mas percebeu que ele era capaz de desejar. E ela era a fonte de seu desejo.
Ele não tinha somente se deixado levar, mas deixou-se envolver. Se não tivesse se envolvido, não lhe explicaria coisa alguma e tampouco se desculparia. Simplesmente não se importaria e continuaria a encará-la com desprezo.
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