Capítulo 8 --- Desejos ---

- Vamos logo, você está nos atrasando - falou em tom austero Temari.

- Por que você quer chegar cedo? Quanto mais cedo nós chegarmos, mais teremos que trabalhar! - replicou Shikamaru.

- Ande preguiçoso!

-Já vou.

Caminhavam para o escritório de Tsunade para que ela lhes mostrasse as tarefas a serem cumpridas em prol da realização do festival. Konoha parecia acolhedora. Estava em ritmo de preparativos e o clima de festividade contagiava a todos.

Bom, pelo menos a maioria das pessoas pareciam empolgadas.

Não era esse o caso do Nara. Com a expressão de poucos amigos de sempre, seguia até o seu destino com a mínima vontade possível. Olhava para a disposição da loira de olhos verdes e se sentia ainda mais irritado. Ele sabia muito bem que não seria um dia calmo. Além das ordens de Tsunade, teria que suportar o jeito mandão de Temari.

Enquanto ele respirava fundo para continuar, ela seguia, imponente.

Temari realmente não gostava da forma como Shikamaru encarava a maioria das suas tarefas. Mas tinha que ceder quando o assunto era ele. A irmã do Kage da areia tinha um nobre sentimento em relação ao moreno. Adorava o modo como ele arrumava os seus cabelos e o olhar que ele tinha. Quando a olhava, ela sentia ainda mais a necessidade de chamar a atenção para si, para que parecesse interessante.

Ele sabia disso e tentava não corresponder dando-lhe maiores atenções. Porém, gostava de olhá-la e fazia aquilo para que ela não tivesse tanta certeza dos seus sentimentos. Para Shikamaru, seria muito problemático que ela confirmasse, afinal, se aproveitaria daquilo e talvez tentasse mandar nele.

- Como será que está o Gaara? Preocupo-me com ele – disse, aflita.

- Certamente que está bem – falou o Nara, calmamente.

- Ele não queria que tivesse alguém lá e ficou chateado pelo fato de que Kankurou e eu termos vindos como os seus representantes.

- Apesar de Ino não ser necessária lá, ela pode ser uma boa companhia. Sei disso porque treinamos juntos.

- Espero. Veja, Tsunade está ali naquele bar.

- Uma hora dessas e já no bar. Isso porque nos mandou chegar cedo ao escritório. Se soubesse que ela estaria tomando sake, teria ficado dormindo mais um pouco.

- Pare de reclamar e vamos. Você já dormiu muito.

- Poderia ter dormido mais, se não fosse por você.

Temari não disfarçou o sorriso de satisfação ao ouvir a reclamação do outro. Shikamaru enrubesceu ao ver que sua frase tirou um sorriso dela.

- Bom dia, Tsunade-sama – falou a loira, em tom sério novamente.

- Bom dia, Temari e Shikamaru – disse a Godaime, envergonhada por se achar no bar.

Shikamaru apenas acenou, enquanto Tsunade se levantava para irem ao escritório. Chegando, entraram e sentaram-se. A Hokage começou a distribuir alguns trabalhos para ambos. A cada tarefa acrescentada, o rosto do ninja preguiçoso mudava ainda mais o semblante.

Em meio às ordens, a porta do escritório se abriu e uma moça de cabelos rosas entrou.

- Bom dia! – falou a médica-nin, um pouco surpresa por ver a irmã de Gaara.

- Sente-se, Sakura – mandou a quinta. - Algum problema? Achei que há essa hora você estaria no hospital – continuou ela.

- Não, hoje é o meu dia de folga e como acordei cedo, achei que poderia ajudar em algo.

- Ótimo. Acompanhe Temari e Shikamaru e eles lhe mostrarão alguns afazeres.

- Hai.

- Agora vocês todos podem ir. – concluiu Tsunade, amigavelmente.

Deixaram o escritório e foram trabalhar.

Sakura não podia disfarçar certo incômodo durante o trajeto. Ela estava ao lado da irmã do homem que ela fizera amar, contudo, não fora capaz de retribuir na medida exata. "Será que ela sabe? É claro que sim, ela é irmã dele" se questionava e concluía.

Preferiu não comentar nada. Já fazia algum tempo e comentários não seriam necessários. Além do mais, aquilo poderia trazer certas rivalidades à tona.

Temari olhava a ninja de olhos verdes e pensava no quanto ela havia feito o seu irmão sofrer. Por mais que Gaara não partilhasse isso, apenas a reação dele ao ver a flor sakura, já demonstrava tudo. A usuária do vento realmente desejou tirar satisfações com Sakura, porém não o fez. Estava em outra vila e não seria bom para sua conduta brigar com a preferida da Hokage.

Shikamaru percebeu o clima tenso, mas, como não sabia de nada, permaneceu alheio a ele.

O silêncio foi quebrado com a pergunta de Sakura.

- Fez boa viagem, Temari? – arriscou ela.

- Sim, Kankurou me acompanhou. – respondeu, surpresa.

- E onde está ele?

- A última vez que o vi, estava com o Lee – disse Temari, despreocupada.

- Pretendem ficar aqui até quando?

- Até o final do festival. Gaara precisa de nós.

A kunoichi de Konoha não prolongou o assunto ao ser mencionado o nome dele. Acreditou ela que Temari lhe dissera o nome apenas para provocá-la. Nenhuma palavra saiu de seus lábios durante alguns minutos.

Temari hesitou ao mencionar Gaara, mas achou necessário. Ela queria ver como a outra reagiria ao ouvir seu nome. Confirmou que Sakura, mesmo tendo feito o que fez, havia ficado chateada pelo acontecido.

- Shikamaru, Tsunade mandou-nos comprar alguns laços coloridos para enfeitar as barracas. Poderia comprá-los? – falou a Sabaku, calmamente.

- Saco, vai você – reclamou.

Temari simplesmente o fuzilou com o olhar. Ela queria que ele saísse dali.

Com o QI de 200, logo percebeu que a sua presença não era interessante.

- Está bem, já vou - não disfarçando a forte respiração da frase. Ele não iria, mas percebeu que tinha que sair dali.

Skikamaru saiu e deixou as duas ninjas sozinhas. Ele sabia que teria que demorar um pouco mais que o necessário para comprar apenas algumas fitas.

"Saco". Era o que ele pensava durante todo o trajeto.

Aproveitando-se da deixa, Temari não titubeou em indagar Sakura.

- Sakura, não quero que me interprete mal – começou ela.

- Imagino o que seja e não interpretarei – respondeu, em tom pesaroso.

- Sei do seu envolvimento com o meu irmão e que o que houve entre vocês nada tem a ver com o nosso relacionamento. Porém, não consigo me dirigir a você sem antes perguntar-lhe sobre o porquê de tudo aquilo.

- Entendo. Sobre o meu relacionamento com Gaara, a única coisa que me resta dizer é que sinto muito.

- Sente muito? Apenas isso? – indagou Temari, perplexa.

- Sei que não adiantaria muito tentar lhe explicar o porquê de ter agido daquela maneira, nem mesmo eu entendo. Durante a minha estadia em Suna, não nego que ele habitou sim, muitas vezes a minha mente. Envolvi-me aos poucos. Melhor que eu, você sabe que Gaara não é muito receptivo. Desta forma, as coisas caminharam vagarosamente. A companhia dele me fazia bem. Senti que era correspondida e, a princípio, realmente desejei que aquilo fosse eterno.

- A princípio?

- Sim, desejei tanto quanto ele estarmos juntos. Tudo me fazia bem. Ele principalmente. Mas com o passar dos dias, comecei a perceber que a imagem de Sasuke não me saía da mente. Senti repulsa de mim mesma. Eu estava junto de alguém que era o que eu realmente necessitava no momento e, mesmo assim, não conseguia abandonar os meus antigos sentimentos. Apaixonei-me por Gaara, mas seria hipócrita se dissesse que eu o amava.

- Se sentia isso, por que não se afastou? – perguntou a loira, punindo a jovem.

- Acredito que todos nós tenhamos chances na vida. Acreditei que ele era essa chance. E não sei se faço certo em te dizer isto, mas, mesmo assim, forcei-me para amá-lo e o máximo que pude foi fazer o que fiz. Sinto vergonha de não ter tido outra atitude. Bastou ouvir a voz dele para que tudo fosse desmascarado. E foi. Devo desculpas a Gaara, por tudo que fiz e principalmente por fazê-lo acreditar que eu era a chance dele – concluiu Sakura, envergonhada.

- E por que simplesmente sumiu?

- Por que sou covarde. Tento esquecer-me disso, assim como tentava esquecer Sasuke. Não fui capaz de ambas. Se pudesse voltar no tempo, jamais faria o que fiz.

- Meu irmão ainda sofre por sua causa. Você acha justo isto? Gosta de lembrar-se de Sasuke e o amor que ele não te retribuiu? Da mesma forma que você se sente por culpa dele, Gaara sente por sua causa.

- Entendo o seu rancor por mim, Temari. Mas o que eu poderia fazer? Apenas voltar e tentar desculpar-me? Ele jamais me receberia! Minha presença só o perturbaria ainda mais e hoje vejo que ele é importante.

- Bom, acho que você deve desculpas. Mas não posso forçar nada e talvez tenha razão, você só o perturbaria mais.

Dizendo as últimas palavras Temari encerrou a sua conversa com ela. Shikamaru voltava, com uma sacola com várias cores saltando aos olhos. Apesar do clima tristonho, enfeitaram as barracas da feira. Ajudaram na escolha de tecido para as roupas da apresentação musical e encerraram o dia.

Sakura pensava no que havia dito a Temari. Realmente, ela estava errada. Deveria tentar se redimir.

Temari pensava no que Sakura havia dito "e hoje vejo que ele é importante". Será que Sakura agora realmente amava Gaara? Seria injusto da parte dela. Por egoísmo, a loira de olhos verdes imaginou que isso seria bem feito. Por mais infantil que parecesse esse pensamento, seria bom ver que ela agora sofresse. E, principalmente, por alguém que fizera sofrer.

Voltaram para as suas respectivas casas e, com elas, um desejo profundo: o de redenção e o de vingança.

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