---Créditos a Moto-chan ---
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Capítulo 11 --- O toque dela ---
A viagem de Sakura não levou todo o tempo estimado. Fizera o trajeto na menor quantia de tempo possível.
O desejo de chegar fazia com que sua agilidade se tornasse duas vezes maior que o comum e realmente tornara-se descomunal quando viu o terreno verde rarear e, aos poucos, tornar-se arenoso e povoado apenas por plantas típicas do deserto.
O país do Vento não mudara nada desde a última vez. Avistou logo o forte que cercava Suna e sentiu um alívio ao lembrar que em pouco tempo ela estaria frente a frente com ele. Entrou com uma autorização do Kazekage e outra da Hokage, pois tinha que mostrar que sua vinda estava programada. E nada melhor que uma permissão expressa para entrar na vila de Gaara sem que ela receba por parte dele, principalmente, retaliações. As casas ainda mantinham o mesmo estilo que ela pôde observar a alguns anos atrás, enquanto caminhava pelas ruas.
Sabia que o seu paradeiro não estava longe.
Mais alguns metros e logo avistou a casa do Sabaku. A aparente calma do lugar a fez sentir-se segura.
Passou por todos os que questionavam sua presença e logo foi encaminhada à sala do ruivo. Foi anunciada e, assim que Baki a autorizara a entrar, sentiu um tremor súbito. As mãos praticamente ensoparam os papéis de regularização. Ainda com a porta semi-aberta, viu os cabelos cor de fogo dançarem ao vento.
Desejou poder tocá-los e arrumá-los, assim como o fazia antes.
Apenas desejou. Uma mão os afagava para organizá-los. E não poderia ser qualquer mão, ele nunca permitiria uma vã aproximação. E, se permitisse, a dona da mão branca que se mexia vagarosamente era provavelmente muito próxima.
Talvez Temari o fizesse. Mas se ela estava em Konoha...
Abriu a porta e entrou, antes mesmo de focar o Kage, fitou a dona da mão.
"Yamanaka Ino."
Os orbes verdes arregalaram-se e a face da kunoichi corou violentamente. Tentou recobrar a pose, que já estava perdida desde que vira o carinho. A sua obrigação pareceu-lhe interessante.
Olhou para ele. Os olhos verdes penetrantes continuavam com a máscara negra para protegê-los da sensibilidade do clima. E ainda se mantinham frios.
Queria poder falar, mas as palavras não saiam.
Diante do Kage que a fitava sem maiores expectativas, sentiu o coração pulsar.
Da boca masculina nenhuma palavra foi sequer tentada. E o silêncio amedrontava a loira, que não conseguira focalizar nada além da nova hóspede.
"Problemática", era essa a palavra que Shikamaru usaria para definir o tão inconcebível encontro entre eles.
Graças à agilidade de Ino, o clima foi quebrado.
- Fez boa viagem? – perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente. Na verdade, pouco lhe importava como tinha sido a viagem. A loira só não queria ter que observar a situação de braços cruzados.
- Sim - respondeu, voltando o olhar à outra médica-nin.
O tom de ambas foi percebido por ele. Era visível que aquele diálogo, na verdade, exprimia alguma rivalidade entre elas e Gaara sabia que não era nova. Ino havia confidenciado a ele o seu amor de infância por Sasuke. Resolveu tomar as rédeas da situação.
Ele era o único que poderia resolver.
- Vejo que Tsunade-sama nos ajudou mais uma vez – concluiu, olhando friamente para o chão. – E que você está pronta para realizar o que veio fazer aqui – lembrou ele, trocando o foco de sua visão.
Fitou a jovem de cabelos róseos e acrescentou: – Será hospedada aqui durante todo o período em que precisarmos de ajuda e Ino lhe mostrará o quarto – finalizou, enquanto fazia menção para que ambas deixassem o escritório.
A Yamanaka o amaldiçoara mentalmente pela decisão. O que ela menos queria era ter de compartilhar o mesmo recinto com a Haruno. Apesar de toda a frustração, deixou o escritório na companhia da ninja recém-chegada. Caminharam pelo corredor em silêncio e não se olharam.
Ino passara o próprio quarto quando Sakura comentou algo que fez a loira ficar ainda mais apreensiva.
- Costumava ficar nesse quarto, algumas vezes.
- Agora vai ficar aqui – disse apontando um outro quarto.
A Haruno entrara e observara o cômodo minuciosamente, como se nunca tivesse estado naquele lugar.
- O quarto de Gaara era bem mais espaçoso que esse – suspirou, enquanto colocava seus pertences por sobre a cama.
Ino irritou-se profundamente com o comentário que dizia em alto e bom tom que ela já havia estado muitas vezes na companhia do ruivo. Tentou engolir e nada responder, mas seu temperamento não permitiu. Disse apenas um "Eu sei, já tinha reparado desde a primeira vez que entrei lá".
Se Sakura havia tentado embaraçar a jovem loira, com certeza tinha falhado. Porém, confirmou a cena que vira e agora se sentia numa disputa infantil, e infantilidade era o que ela pensou ao analisar seu próprio comentário.
A kunoichi de olhos azuis já se preparava para sair do lugar e voltar à companhia de Gaara e pelo menos certificar de que a visita não mexera com ele, antes de juntar-se à Sakura para irem ao treinamento dos médicos da Suna. Sairia rapidamente se a curiosidade da outra não a parasse no meio do caminho.
- Há quanto tempo dormem juntos? – perguntou, sem nenhum pudor.
- Não é da sua conta – respondeu friamente, enquanto fechava a porta do quarto.
"Idiota"
Pode-se dizer que era um pensamento mútuo.
Após fechar a porta do quarto, ela foi direto à sala do Kage e entrou com a aparência triste. Seus olhos azuis perscrutaram o ruivo à sua frente e ele fez o mesmo.
Aproximou-se dele e o avisou de que voltaria para o hospital. Tentando disfarçar a sua aflição, o beijou de modo doce e terno. Ainda que poucos instantes fosse o tempo em que ficaram colados, Gaara pôde senti-los frios. Frios como nunca estiveram antes.
Ela virou-se e rumou à porta. A mão dele a segurou e a impediu de sair.
Olhou-a mais uma vez nos olhos e tentou tranqüilizá-la com um toque na face, seguido de um beijo que parecia desesperado. Tão desesperado que parecia não ter fim.
Aos poucos o traje branco e azul se misturava com as roupas dela ao chão.
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Sakura ainda estava no quarto esperando ser chamada e, mesmo sabendo da obrigação a ser cumprida, não conseguia se concentrar no tema da palestra que ela daria. Seus olhos viam a mão da jovem o tocando em todos os lugares que olhasse. Sentiu um ódio pairar por sobre seu peito ao invejar a liberdade de estar com ele e novamente se culpou por ter sido estúpida.
Mesmo sabendo que seria chamada, não esperou.
Tinha que falar com ele e pouco importava o que Ino diria. Saiu de seu quarto e foi direto à sala do ruivo nem mesmo se importando com o que aconteceria. Talvez, se tivesse sido um pouco mais cautelosa, não teria visto vestes jogadas pelo escritório pela pequena fresta que sobrara aberta.
Não moveu mais o seu corpo. Suas lágrimas eram as únicas que faziam movimento e elas escorriam pelo seu rosto. Só saiu do lugar quando viu que as roupas começaram a ser recolhidas e, ainda assim, saiu a passos lentos e custando a acreditar no que vira.
Era bem provável que estivesse acontecendo algo entre os dois, mas não achou que seria algo tão explícito e que a dor que Temari havia lhe confessado seria curada deste modo. Para a kunoichi, o relacionamento era vulgar e limitava-se aos toques.
Bom, pelo menos era nisso que ela queria acreditar.
Encostou se na porta do quarto, tentando disfarçar o desgosto, e logo ouviu passos vindos na sua direção. Assim, foi ao encontro deles.
- Vamos – falou a loira, ainda corada e ofegante.
Sakura sentiu o sangue ferver. Sua presença não tinha sido respeitada e eles muito menos se preocuparam de fechar a porta. Não respondeu, somente acompanhou.
"Não adianta dizer nada a Ino, tenho que falar com Gaara".
Seguiu a loira, que já estava bem à frente de si, e chegaram ao hospital, onde treinaram o pessoal sem demora.
O tempo era escasso e o trabalho, farto. As tarefas não se acumularam e o rendimento dobrou, mesmo que Sakura não estivesse muito interessada em ajudar. Seu objetivo era outro, porém, mesmo estando presente em corpo e sua alma estando a visitar outros lugares, tratou de fazer o que lhe era destinado com maestria.
Os ninjas-médicos de Suna nada tinham a ver com os problemas alheios.
Saíram do hospital já noite e ambas estavam exaustas. Ino aparentava estar mais sonolenta ainda, pois coube a ela apresentar a outra e orientar todas as atividades até então já elaboradas.
Desta vez, o Kazekage não apareceu para buscá-la e nem deveria, até porque não seria muito agradável caminhar com as duas e ter de ser o alvo de certa rivalidade, ainda que ele não soubesse das reais intenções da Haruno. Assim que chegaram, o banho foi a primeira alternativa para duas ninjas, que não se falaram mais que o necessário durante todo o dia. Não se podia dizer que estavam numa atmosfera amistosa e muito menos que comentariam sobre as estruturas do lugar comparando com Konoha.
O jantar que era compartilhado por Gaara e Ino não aconteceu àquela noite. Ele preferiu não esperar ninguém e nem dar as caras pela casa. Trancafiou-se em seu quarto, ainda que soubesse que não dormiria cedo e nem tarde. Receberia Ino, caso ela aparecesse, e somente isso.
Não contou com a visita de outra pessoa. Depois de um longo tempo em que Ino se ausentara do aposento, novas batidas foram ouvidas e o modo cauteloso de bater em sua porta imediatamente o intrigou. Ino não bateria, pois já entraria e, se caso um milagre acontecesse, ela praticamente a socaria.
Levantou ao perceber a insistência da porta e deparou-se com os antigos olhos verdes.
Sem entender a razão da visita, somente a observou.
- Gaara – começou Sakura, sem jeito.
- Algum problema? – perguntou cortando o embaraço dela.
- Eu queria conversar com você – segurava as mãos enquanto falava.
- Sobre?
- Sobre nós – respondeu com dificuldade, encarando os olhos dele.
- Nós? – repetiu o ruivo, rudemente.
"Gaara." Ela chamou e puxou o braço do homem à sua frente para que este lhe desse ouvidos, mas ele somente desvencilhou da mão feminina e entrou novamente em seu quarto, dando as costas a ela. Sakura sentiu o coração partir ao ver que tudo seria bem mais difícil do que ela imaginara. Mas ela não tinha vindo a Suna em vão e falaria com ele de qualquer modo.
Decidida e sem ao menos pensar na hipótese de ver um Gaara irritado, entrou no quarto para o ver e conseguir o que queria. O barulho que ecoava pelo cômodo escuro fez com que mais uma vez Gaara ficasse alerta.
"Gaara."
A conhecida voz o chamou novamente e a sua resposta saiu com um longo suspiro "Saia."
- Gaara, por favor! – a kunoichi implorava, já chorosa.
Ainda que o lugar estivesse escuro, o tom da voz em que ela falava fê-lo respirar fundo mais uma vez. O silêncio dele a fez prosseguir, porém, não sabia como continuar, mesmo sabendo que seria a única chance que ele lhe dera.
- Desculpe.
Mesmo não vendo praticamente nada, pôde ouvir um pequeno riso sarcástico, que durante todo o tempo que ela dividira com ele, nunca foi visto.
- Terminou? – perguntou ele, voltando a aparente calma.
- Não, eu queria ainda te dizer as minhas razoes para ter feito o que fiz... – Sakura começou a desculpar-se sem se preocupar com a ordem dos fatos, apenas despejando o que lhe vinha à mente. Mas foi impedida de continuar.
- Não me interessa – disse, caminhando até o interruptor e o acendeu.
As luzes acesas fizeram com que ambos pudessem se ver. E a Haruno, ao vê-lo, correu até ele em meio a soluços e não pensou em tocá-lo. Seus toques foram afastados e seu braço pego, sendo arrastada para fora.
Utilizou-se então da força adquirida com o treinamento com a Sannin e o parou.
- Você pode até não perdoar, mas vai ouvir tudo que eu tenho a dizer – falou firme, tentando demonstrar segurança.
Gaara viu que estava sendo segurado e não tardou em usar a areia para se livrar e também prender o corpo da kunoichi contra a parede, que lutava contra os grãos unidos e apertando seu corpo.
- Você deveria se limitar a cumprir a sua missão – disse, soltando-a após assustá-la.
- Ainda assim, não terminei. Eu errei, Gaara, mas eu devo lhe dizer que só agora percebi que te amo.
As palavras da kunoichi o paralisaram. Se ele estava decidido a não ter que falar sobre aquilo novamente, resolveu que seria a hora para isso. Não pôde esconder a expressão um pouco mais fechada que o normal. Era hora de esclarecer tudo, mesmo que as coisas não ocorressem como desejado para ela. Sem dizer mais nenhuma palavra, encostou-se no batente da janela e observou a lua, deixando-a lhe dizer tudo o que queria.
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Sakura terminou de se explicar e lamentar pelo que havia feito. Calou-se por um momento e, logo após, sentou na beira da cama e ainda em prantos, concluiu: "Volta para mim, vim aqui apenas para isso."
As costas expostas era a única coisa que ela via e ele agradeceu por isso.
Levantou e caminhou até ele e então encostou seu corpo nele, tocando a face em seu pescoço com um gesto fraterno, mas que fora repelido.
- Ajude Ino amanhã no hospital e arrume as suas coisas.
A única solução cabível era concordar e sair, e foi o que ela fez. Afastou-se, envergonhada e também indignada com a própria atitude.
"O que eu imaginava? Que ele fosse dizer: Sim, Sakura, eu volto?"
Atravessou o corredor e lançou um olhar ainda mais triste para o quarto da Yamanaka. Era exatamente naquele cômodo que dormia a nova companhia do Kazekage.
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YO!
Perdoem a falta do barraco neste cap., eu não pretendo fazer a Ino sujar as mãos com ...
Mas, agradeço as reviews, mesmo sem responde-las, tenho andado sem tempo ultimamente, mas AMO cada uma delas
