Toda a correção na edição do capitulo são creditados a MOTO-chan

XXXXXXX

Capítulo 12 --- O outro lado do Kazekage ---

Do telhado de uma casa em Suna, um jovem contemplava a noite com o olhar perdido. O vento frio do deserto bagunçava os cabelos vermelhos e arrepiava a sua pele, fornecendo uma suave sensação para alguém que não deseja nada além de si próprio no momento. Sentado com as mãos sobre as pernas, lembrou que não fazia isso há muito tempo e que, quando o fazia, era porque não se sentia bem.

Quando enviou o comunicado a Konoha, não imaginava que a Hokage mandaria justamente ela. E também cogitava a hipótese dela recusar caso fosse enviada, mas pelo que Sakura lhe dissera, havia insistido por isso e, ainda de acordo com as suas afirmações, estava insistindo por ele. Os pensamentos davam nós na cabeça do líder da vila da Areia.

"Por que isso?"

Depois de tudo que aconteceu entre ambos, ela ainda tinha a audácia, que demonstrara a cada palavra, de crer que ele acreditaria e a aceitaria com extrema relevância. Os sentimentos do Kage tinham amadurecido e ele não deixaria que um simples "Desculpe" o fizesse retornar ao seu martírio, como ele próprio definia. O amor por Sakura só lhe rendera aquele tipo de fruto e não desejaria passar por tudo novamente.

Belos olhos e um cheiro fresco não causariam os mesmos efeitos de antes. Nem palavras e promessas. E, se aprendera a lidar com eles de início, lidaria com eles novamente, já que a maldita presença dela fizera seu estômago revirar.

Lembrou-se do sorriso de Ino que, mesmo nunca tendo dito, o apreciava e o tirava do sério. Se ela soubesse do ocorrido, teria um ataque e provavelmente a casa do Kazekage seria um cenário de luta. Admirava a loira por todas as suas qualidades e via nela a ausência que notava em si mesmo, acreditava que ela e o seu jeito de ser o completavam, ainda que tenham passado juntos pouquíssimo tempo.

Ela lhe inspirava confiança, que parecia que não seria quebrada.

Mas se ele continuasse a ter náuseas e incômodos pela presença de outra, estaria quebrando um voto que, mesmo não tendo sido feito, acreditava existir.

As conclusões foram interrompidas por um doce perfume que lhe invadira as narinas.

Ino.

Em passos cautelosos, ela caminhava para não escorregar e sofrer algum acidente, os cabelos soltos chegavam à cintura e estavam totalmente desalinhados pelo forte vento. A jovem, que andava como se estivesse pisando em ovos, parou atrás dele.

- Você vai pegar um resfriado se continuar sem camisa tomando esse vento frio.

Sentiu-se ainda pior ao ouvir as recomendações e preferiu não responder nada a ela. O silêncio a fez se aproximar ainda mais, sentando-se atrás dele e o puxando para que Gaara se deitasse em seu colo. Ele somente a olhou de esguelha, a reprimindo. O olhar ameaçador a impediu de convencê-lo a deitar.

Ino tocou levemente o rosto que a encarava e foi se afastando.

Deu as costas e, do mesmo modo que veio, voltava. Mais confusa por sinal. O modo como o ruivo agira não indicava boas expectativas e mostrava que a presença dela estava o torturando e, conseqüentemente, a Ino também. Se ele queria ficar sozinho, então ficaria. Se ele não tinha certeza do que queria, iria lhe dar a liberdade de escolher, mesmo sentindo ferver em suas veias a vontade de acabar com todo aquele "reboliço" no exato momento.

A mão do Kage a segurou, fazendo-a voltar atenção para ele.

- Se você continuar nesse frio, vai se resfriar – falou, enquanto puxava a jovem para si.

O sorriso que ele tanto gostava foi concedido.

Voltaram juntos para dentro da casa. Ino, que acordara no meio da noite e tinha ido até Gaara sem sono, agora dormia, aconchegada em seus braços.

A noite passara rapidamente para a loira, porém para a dona dos cabelos róseos e para um ruivo a história não foi a mesma.

Era o último dia de Sakura. Na manhã seguinte, voltaria para casa. O rosto inchado de tanto chorar não fora restabelecido com as pequenas cochiladas que conseguira dar.

Levantou-se da cama, imaginando como explicaria à Tsunade sua volta tão repentina. Enquanto tomava banho, torcia para que não os visse juntos pelo resto do dia e que, com muita sorte, conseguisse mudar a opinião de Gaara.

Vestiu-se e se lembrou de que teria de aparentar estar bem saudável para lidar com médicos. Desceu até a cozinha, procurando um pano para que pudesse envolver cubos de gelo e colocar embaixo dos olhos. Abriu algumas gavetas e achou uma toalhinha rosa que reconhecera imediatamente. Soltou alguns cubos da forma e os colocou no pano. Ao virar-se para voltar ao quarto, deparou-se com Gaara.

O jovem, quando a viu, deu meia volta e subiu as escadas.

Sakura irritara-se com aquela reação. "Por que ele foge de mim?" pensou, enquanto jogava o pano na tentativa de descarregar o seu ódio.

Ao pensar rapidamente, concluíra que talvez não estivesse perdido totalmente. Tomou o mesmo caminho que ele e o alcançou no corredor. Sem dizer nenhuma palavra, apenas fez o que seu instinto mandou e o beijou, usando a sua força para segurar-lhe.

O gesto repentino o assustara e nem mesmo seus reflexos foram rápidos o suficiente para desviar-se. Fora algo veloz, estranho e não correspondido. Somente os lábios dela se uniram e pediram uma passagem que não fora dada. Assim que notou a situação em que estavam, ele a empurrou para a parede, jogando violentamente a kunoichi no chão.

O acontecimento breve infelizmente foi vivenciado por Ino, que se encontrava estática na porta do quarto que dividira com um homem que agora estava com outra. Ela viu o beijo e também viu Sakura ser jogada ao chão, mas não entendeu que ele a jogara para longe porque aquela que lhe tomara os lábios não era quem ele desejava que fosse. Entendeu que Gaara somente a tinha afastado porque vira que Ino presenciara a cena e, na tentativa de remediar as coisas, fez o que fez.

A loira correu até o quarto onde estava e pegou todas as suas coisas. Sem lembrar no esperaria por ela em Konoha por abandonar uma missão, saiu o mais rápido que pôde da casa, usando suas técnicas ninjas. Enquanto corria, a imagem que vira não lhe saía da mente. Deixou Suna e, num piscar de olhos, deixava o deserto para trás.

Gaara não esperou um só momento para ir atrás da Yamanaka. Gritava para que ela parasse, assustando moradores da vila. Não era comum ver o Kazekage correr pelas ruas e gritar, ainda mais um nome feminino. Usava o treinamento ninja incessantemente, mas não conseguira alcançá-la a tempo.

Ino, que tentava usar de todos os modos para que ele não a parasse, recorreu ao Shintenshin no jutsu, correndo o risco de errar e ficar desprotegida por algum tempo.

Nem se lembrou das causas, ainda assim concentrou-se e atingiu Gaara, parando-o e fazendo com que este recuasse. Voltando a si própria, continuou a correr, procurando ganhar tempo até Gaara tornasse a procurá-la.

Não demorou e a tentativa de atrasá-lo não funcionou.

Um dardo envenenado a fez parar. Gaara assistiu-a cambalear e cair. Continuou a correr e pegou-a nos braços, desacordada. Envolveu ambos em sua proteção de areia, para que nenhum ataque fosse feito, e certificou-se de que não havia ninguém perto.

Enquanto a levava de volta, questionava-se sobre a autoria do dardo. Ele não atirara e também não tinha visto quem o havia feito.

Só pôde ver um pássaro gigante voando ao longe, mas era hora de ajudar Ino.

Chegaram ao hospital e Gaara mandou que verificassem o seu estado imediatamente. Sentiu o coração apertar ao ouvir que o veneno encontrado no corpo dela não era conhecido e que não tinham como ajudá-la. De acordo com os ninjas-médicos, ela teria contrações cada vez maiores.

- Arrumem um modo e dêem um jeito – falou, prendendo o ninja-médico responsável pelo comunicado.

- Gomen, Gaara-sama! Não podemos fazer nada, não temos conhecimento – respondeu o outro, ainda com a respiração entrecortada e os olhos arregalados.

Gaara o soltou. Não era culpa do ninja não ter conhecimento de como salvar e sabia das limitações, tanto por isso convocara ajuda externa.

Ajuda externa.

Sakura.

Correu até a sua casa e encontrou Sakura arrumando as suas coisas, em prantos. Rodeou-a em suas areias para que ela não fugisse e a levou para o hospital. Ela era a única solução para o problema.

Ainda sem entender direito o que estava acontecendo, simplesmente não questionou ao ver que o Kazekage tomara um rumo conhecido e que ela havia visitado no dia anterior. Ao chegar ao hospital, ele a levou até onde Ino estava.

- Um dardo envenenado a atingiu, não conhecemos o antídoto. Salve-a – completou, perdido.

- Não.

O egoísmo dela resplandecera. Não ajudaria a quem ela desejara isso. Mesmo que, no passado, o destino de ambas fosse unido pela amizade, agora não importava. A única coisa que lhe vinha à mente era o desejo ver a jovem loira se contorcer até a morte.

Continuaria seus devaneios satânicos se não fosse uma técnica que a assustara: o Sabaku kyuu. Gaara não se importou e estava prestes a usar a continuação dessa, Sabaku Sousou. Antes de liquidar totalmente a jovem, perguntou mais uma vez:

- Vai salvar? – indagou, tremendo.

Não era a melhor situação aquela em que ambos se achavam. O ruivo jamais imaginara que poderia tentar algo contra a vida da Haruno, mas se ele tinha alguma dúvida com relação aos seus sentimentos, ela fora quebrada quando ouviu que Ino poderia morrer. Se ela fosse morrer, qualquer um que não a ajudasse morreria.

Sakura somente consentiu. Ainda que não quisesse, estava sendo obrigada. Salvaria alguém que "tomara" o seu lugar e permitiria que a felicidade do Kage fosse devolvida.

De alguma forma, aquela situação lhe pareceu bem familiar e, como um flash em sua mente, o dia em que protegera Sasuke de Gaara a fez rolar uma lágrima. Arrependeu-se de negar ajuda a Ino. Seja lá o que fosse acontecer depois, isso já não importava. Faria dessa vez o que não fizera na outra: cumpriria a sua obrigação.

-

-

Após longas horas de tentativas, incluindo erros e acertos, Sakura comunicou Gaara de que Ino já não corria mais perigo algum.

O Kage entrou no quarto e viu uma jovem adormecida, com a aparência tranqüila. Torceu para que ela acordasse rapidamente e o visse ali, ao seu lado, e assim confirmar que estaria fora de riscos. Quando ele tentava se aproximar, foi alertado para que a deixasse descansar e parou. Saiu do quarto e foi atrás de Baki. Encontrou o braço direito e pediu para que ele tomasse conta dos afazeres de Suna por hora, comunicando-o também sobre o dardo.

Baki lhe dissera que investigaria as substâncias encontradas e tentaria identificar o possível responsável.

Desobrigado de seus compromissos temporariamente, Gaara voltou ao hospital para se sentar numa cadeira ao lado da paciente que não sabia da sua presença. Passou horas simplesmente a olhando e tentando prestar atenção a qualquer sintoma que pudesse indicar que ela estava encontrando algum problema, mesmo sem ter noções de medicina.

Sua vontade fizera com que comentários de não tão bom grado corressem pelos bastidores do lugar.

Da janela que havia entre o quarto e os corredores, outra jovem o observava. Reparava a cada centímetro dele e dela. Os olhos atentos dela absorviam a imagem da preocupação, do carinho, do amor e da lealdade.

Foi interrompida pela voz de Temari.

- Sakura!? O que aconteceu? – perguntou, afobada.

- Ino sofreu um problema, mas já está tudo bem agora – falou, calmamente.

- Kankurou e eu acabamos de chegar de Konoha. Ficamos somente até a abertura do festival e já voltamos. Quando chegamos em casa, nos informaram que Gaara estava no hospital e não sabiam dizer direito o que realmente tinha acontecido – falou, ainda ofegante. – Ainda bem que não aconteceu nada com ele – finalizou, suspirando.

- Desculpe, Temari. Vou voltar a trabalhar – Sakura encerrou e deu as costas.

Temari não entendeu o comportamento dela, mas não perdeu tempo a tentar decifrar. Viu o irmão sentado em frente à cama de Ino e logo entrou.

- Gaara!

Ele somente virou e mirou a irmã enquanto pedia silêncio. Temari estranhou a cena, mas ainda assim preferiu não perguntar mais nada e ficou na companhia do irmão, tentando imaginar o porquê dele estar ali.

Algumas horas se passaram e a loira resolvera voltar para casa. A viagem de Konoha até Suna não era muito curta e exigia um bom preparo físico.

Deixou um atento ruivo na sala. Algum tempo depois da ida de Temari, a jovem Yamanaka deu seus primeiros movimentos, indicando estar bem.

Gaara aguardou até que ela despertasse totalmente e isso demorou ainda mais do que ele imaginara. O relógio marcava 19:00 e finalmente a kunoichi acordou.

Abriu os olhos devagar e logo os arregalou, estranhando o local onde estava. Ainda com dificuldade, sentou na cama e viu Gaara a observando.

Lembrou da cena em que vira até pouco antes do dardo e imaginou que algo ruim tivesse acontecido com ela.

- O que aconteceu? O que você fez comigo? – gritava, exasperada.

- Eu nada. Mas um dardo te atingiu e você correu graves riscos – tentou confortá-la com uma voz ainda mais passiva que o normal.

Ao ouvi-lo, ainda com um pouco de dificuldade, Ino levantou-se e pretendia deixar o quarto onde descansava.

- Aonde pensa que vai? – perguntou, sem olhá-la e ainda na cadeira.

- Preocupe-se com a sua Sakura – ela respondeu, rudemente enquanto continuava a sair.

Fora impedida. As conhecidas areias que a sufocaram outrora, agora bloqueavam a passagem. Ino não demonstrava nenhuma calma e não queria conversa, pelo tom da voz que ela exibia a cada palavra dirigida a Gaara.

Já se preparava para usar novamente a técnica do clã Yamanaka, mas se sentiu enfraquecer. Não tinha chakra suficiente e seu corpo doía a cada movimento. Mesmo sob grande incapacidade, o que ela mais queria era sumir de Suna e, principalmente, da presença do Kazekage. Queria, não podia.

Ainda sem voltar à face para ele, sentiu-se amolecer, derramando lágrimas. Já não suportando a situação em que estava, só lhe restava desabafar. Se não podia lutar ou fugir, só lhe restava gritar. E foi exatamente o que ela fez.

O ar pesado tomou conta do lugar, os gritos ecoavam pelo hospital e fizeram com que médicos e mais médicos corressem até o quarto, a fim de acudirem as razões para os tão doloridos gritos.

"MALDITO GAARA! MALDITO SEJA VOCÊ E A SUA KONOICHI!"

Era necessário que se mantivesse silêncio no lugar e, ainda que tentassem calá-la, Gaara não deixou que ninguém entrasse. A cada insistência por parte do corpo médico para que o silêncio fosse restaurado, mais ele impedia que as diversas tentativas fossem realizadas.

Ouviria tudo o que Ino tinha a dizer, mesmo que não merecesse aquelas palavras. A falta de controle dos seus atos logo se misturara ao profundo ódio que lhe vertia à garganta. Jamais imaginara ser traída daquela maneira.

Amaldiçoou o dia em que a Hokage a enviara, bem como o passeio que tivera, a ajuda dada quando os sentidos faltaram a Gaara e chorava compulsivamente pela decisão tomada no dia em que invadira a sua sala sem o mínimo pudor. Amaldiçoou o amor que sentia por ele.

Como tentativa de matar a sua dor, avançou contra ele. Queria fazê-lo sentir fisicamente o que sentia emocionalmente. Parecia ter reunido as últimas forças e ido ao encontro daquele a quem queria destruir. Suas ações não foram impedidas por Gaara. Ele caiu, enquanto a jovem o machucava com atos e palavras, enquanto todos olhavam a cena inusitada que causava espanto nos que estavam ali presentes.

Após alguns momentos, ainda no chão de joelhos, ele segurou a mão da jovem, aproximando o rosto na altura do seu ventre e depositou o rosto em um gesto acolhedor, que ela evitara a princípio, mas depois soltou o corpo ao encontro dele. Gaara estranhou o súbito peso e, ao olhar a sua face, constatou que ela desmaiara.

O bloqueio da porta foi desmanchado e Sakura entrou o mais rápido possível. Sem mais nenhuma palavra, ambos calaram-se enquanto a médica socorria a paciente que deixara Gaara ainda mais fora de si.

- Cuide dela e diga o que aconteceu.

Um forte cheiro acordou Ino e, mais uma vez, a aceleração do seu palpitar foi provocada. Sakura a olhava.

Os olhos de Ino não aceitavam o que viam. Era como se tudo e todos estivessem querendo humilhá-la. Fechou os olhos na tentativa de acordar do seu pesadelo.

Mais uma vez, as lágrimas escorreram pela sua face.

Sakura, afastando-se dela também com lágrimas nos olhos, disse um pesaroso "Eu queria, ele não" e fechou a porta do lugar, deixando a jovem sozinha em seus pensamentos.

-

-

Ela se encontrava adormecida devido a algumas doses de remédios.

Sentado em uma cadeira próxima, ele.

Do lado de fora, no vidro, Sakura.

Mesmo sem desejar, entrou no quarto.

- Assim que acordar, já pode ir – disse indiferente, entregando-lhe um papel.

Saiu sem demora. Apenas o olhou de esguelha e um quase inaudível "Desculpe" foi pronunciado.

Deixou os corredores do hospital e caminhou até a casa do Kazekage. Subiu as escadas e entrou no escritório sem que ninguém a visse. Abriu algumas gavetas, puxou um papel, escreveu algumas linhas e o assinou. Saiu da sala e foi em direção ao quarto em que estava hospedada, pegou suas coisas e saiu.

Atravessava os portões de Suna quando parou e voltou.

Rapidamente, entrou na casa em que desejou estar para sempre. Caminhou até a cozinha e logo avistou uma pequena toalha jogada. Pegando-a, deu uma ultima olhada no lugar e saiu.

XXXXXXXX

Eis o penúltimo cap da fic.

Reviews enviadas foram aceitas sem nenhuma implicação! Obrigadaaaa!!

E se quiserem mandar mais, eu juro que eu não implico!! E eu prometo responder dessa vez ;P

Bjuss e atè o proximoo!!