Capitulo 2- Quem tem medo do lobo mau?
Hunter abriu os olhos, o sol surgia no horizonte. Era cedo demais, e ele estava com vontade demais de ficar na cama. Apesar disso ele se levantou. Hoje era o começo do resto de sua vida. Um banho (gelado) o despertou, só depois ele se lembrou que a caldeira estava desligada, afinal era a função dele garantir isso.
A primeira coisa a fazer era acender a caldeira, depois preparar o café.
Uma troca de roupa, depois começa a rotina.
Andando pelos corredores vazios do castelo e ouvindo os próprios passos era impressionante o quando era grande o castelo, não que ele tivesse ficado maior de um dia para outro, mas era diferente com outros alunos andando pelo lugar.
Usando a chave-mestra, ele foi a cozinha, um amplo salão de mais de 300 pés de comprimento por 250 de largura, tinham três bancadas e um fogão grande o bastante para uma panela de tamanho industrial. Era grande o bastante para atender a um batalhão.
Hunter preparou alguns ovos e um suco de laranja, alem de algumas torradas.
Também preparou um cafe que tomou ali mesmo para afastar o frio e o sono. Mas não comeu nada. Colocou tudo em uma bandeja e voltou pelo caminho que tinha feito até os dormitórios. Desta vez porem foi para o dormitório feminino.
Normalmente haveria um ogro aqui que impediria a entrada de qualquer homem ao recinto, mas hoje não era um dia normal, e Hunter entrou sem dificuldade. Eram quase sete horas quando ele bateu a porta do quarto de Ashlynn.
- Pode entrar. - Ela anunciou.
Hunter entrou, mas para sua surpresa não viu a namorada na cama.
- Trouxe o café-da-manha. Cade você?
- No banheiro, só vou tomar um banho e já saio.
Hunter, nesse momento, suou frio, e sussurrou para si.
- Eu esqueci de ligar a caldeira...
Minutos depois Ashlynn, vestindo uma roupa mais confortável do que a de costume, mas ainda com uma toalha enrolada no cabelo. Olhava enfezada para o namorado.
- Eu já pedi desculpas. - Justificou Hunter. - Foi um lapso. E eu trouxe seu ovos na cama, isso deve contar pra alguma coisa.
- Mas esqueceu de ligar a caldeira e me deu um banho de água fria, literalmente.
Hunter tentou se aproximar, mas foi barrado por uma Ashlynn não muito contente.
- Não pense que só por estamos sozinhos você vai fazer o que quiser. - usando uma colher como se fosse uma faca para colocar Hunter no seu lugar.
- Eu juro que não pensei em nada.
- Nisso eu acredito.
- Eu só ia dizer que preparei um dia legal pra nos, primeiro uma volta pela cidade, onde você poderia comprar todos os sapatos que eu puder carregar. Um belo almoço no restaurante dos Três Ursos, depois uma volta pelo lago encantado e terminamos o dia com um chá na Loja de Chá do Chapeleiro Louco. Eu tenho certeza, você vai adorar.
Hunter tinha muito orgulho de sua ideia, afinal ele havia combinado o roteiro com a Cupido no dia anterior e tinha certeza, Ashlynn iria adorar.
Horas depois.
Hunter tinha absoluta certeza que o universo o odiava. Não havia outra explicação. NENHUMA de suas ideias tinha funcionado. Gracas ao feriado nenhuma das lojas estavam abertas, a unica forma de comprar um sapato para Ashylynn seria na loja Sapatinho de Cristal onde ela própria era a dona. Mamãe Ursa tinha fechado o restaurante, e, conforme Blondie anunciara em seu blog, os Lockes e os Ursos estavam em um retiro durante o fim de semana. Com Maddie na terra das maravilhas não havia ninguém na loja de chá.
De certo modo Hunter se sentira extramente idiota nesse dia. E não conseguia deixar de pensar que quando o fim de semana terminasse Ashlynn certamente terminaria com ele.
- Desculpe gatinha. Acho que estraguei tudo de novo.
Ashlynn o olhou de cima a baixo, como se o visse pela primeira vez. Hunter sentia seus olhos acusadores.
- Te desculpar? Por qual motivo?
A pergunta pegou Hunter de surpresa.
- Por não fazer nada certo. Eu queria que você se divertisse, e tudo que eu fiz foi fazer você andar comigo em uma cidade-fantasma.
- Hunter, não importa se a cidade esta vazia, eu estou com você. É isso que importa. Vamos ainda temos tempo de ir ao lago encantado.
Hunter recuperou um pouco de estima. Era claro que o universo estava completamente louco, só assim para ele conhecer encontrar a mulher mais perfeita do mundo. E (e isso era muito improvável) ela se apaixonar por um idiota como ele.
- Espera, eu tive uma ideia melhor.
De volta a Ever After High Hunter passou mais algum tempo na cozinha, preparara sanduíches, uma garrafa de suco de laranja (sem açúcar), bolinhos, purê de batata, ate mesmo uma torta de maçã. Tudo para Ahlynn.
Enquanto isso ela havia saído para explorar a escola, e quando voltara trazia no corpo um nova traje (composto por uma blusa em tons amarelos calca caqui e uma jaqueta leve por cima, alem de pender o cabelo em um rabo-de-cavalo) e trazia na mão uma cesta de palha.
- Onde aprendeu a cozinhar Hunter? - questionou Ashlynn.
Ele, que tirara a torta do forno nesse momento, respondeu:
- Você promete não contar a ninguém?
- Que meu namorado é o homem mais prendado do mundo? Não sei, talvez pelo preço justo.
- E qual seria esse preço?
- Um beijo e um pedaço dessa torta.
- Ok, o beijo eu dou agora, mas a torta é para o nosso passeio.
- Então, vai me contar?
- Quem me ensinou foi minha mãe. Meu pai trabalhava como caçador da rainha, as vezes ficava dias sem aparecer em casa. Minha mãe passava muito tempo em casa e morávamos em uma casa muito pequena. Ela acabou trabalhando vendendo doces para ajudar com as contas da casa. Acabou que, com o tempo, ela precisava de ajuda e eu passei a ajudar com as encomendas.
- E por que meu grande Hunter Huntsman não quer que ninguém saiba do seu passado sombrio?
Hunter corou, mas respondeu:
- Mesmo sendo um Rebel todos esperam que eu seja um herói. Eu deveria matar o lobo mau e não fazer um suflê pra ele.
- E você sabe fazer um suflê? Que outros segredos você esconde de mim?
- Sei. E se eu te contasse todos os meus segredos você me acharia muito sem graça, então vamos manter um mistério. Agora venha aqui que você merece um beijo e tem que me ajudar a guardar tudo nessa cesta.
A caminhada pela floresta foi tranquila, Hunter ia na frente para abrir caminho e Ashlynn carregava a cesta atrás sem dificuldade, não foi preciso procurar muito para achar uma campina onde passaram as horas seguintes, conversaram e se lembram de quando precisavam mentir para todos sobre o seu relacionamento, e sobre como os amigos tinham aceitado bem tudo isso. Se lembraram do dia dos corações verdadeiros, e antes de se darem conta estavam sobre a toalha. Hunter deitado sobre as pernas de Aslynn apreciando a brisa fresca do fim da tarde. O silencio só quebrado pelo sons do vento da floresta encantada.
- Eu te disse que era uma boa ideia virmos pra cá.
- Você não me ouviu reclamar.
O tom de Ashlynn era muito mais relaxada do que estivera nos últimos tempos, de fato, ela quase se esquecera da razão de ter vindo aqui para começar.
Nesse momento a unica coisa que importava era estar aqui com Hunter, seu namorado, seu amor. Depois de tudo que eles passaram no dia dos corações verdadeiros. Eram esses momentos que a deixavam com a certeza que fizera a escolha correta.
Um tanto quanto distraída ela percebeu com algum atraso que Hunter a admirava com um olhar fixo.
- Hunter, alguma coisa a errada?
- Não, nada errado.
- Então por que esta me olhando desse jeito.
- Seria possível olhar de outro jeito a mulher mais bonita do mundo?
Ashlynn não pode deixar de corar, mesmo que pudesse não o faria.
- Bobo.
- Bobo e apaixonado.
Hunter se levantou, ao seu lado admirou profundamente seus olhos, e com a mão afastou uma mecha de cabelo de Ashlynn. Ela corou com o gesto, ele se aproximou lentamente de maneira constante. No começo Ashlynn tentou resistir, ir com a cabeça um pouco para trás, mas a mão firme de Hunter a impediu.
O que aconteceu a seguir foi o mais intenso beijo dos dois ate aquele momento, cada centímetro dos lábios de Ashlynn eram alisados pelo de Hunter, sua mão direita tentou se mover, mas a mão de Hunter a pegou em pleno ar e trouxe para a sua cruzando seus dedos, ela em fim retribuiu e colou sua mão esquerda sobre as costas de Hunter e também o trouxe mais para perto, se isso possível fosse ele seriam um em corpo como já eram em coração.
Juntando toda a força do seu ser Ashlynn conseguiu afastar seu namorado.
- Mas eu pensei que você, e eu, e nós... - Era difícil para Hunter raciocinar.
- Não entenda errado Hunter. Eu te amo, mas não estou pronta pra dar esse passo.
Hunter respirou profundamente, e por um instante sentiu falta do banho frio. Sem alternativa e vendo que a noite estava cada vez mais próxima Hunter sugeriu que voltassem ao castelo. Com todas as coisas guardadas eles se foram. Hunter até se ofereceu para carregar a cesta, mas Ashlynn insistiu que ele já havia feito o bastante por um dia.
O caminho de volta foi muito mais difícil, parece que todo caminho que pegavam dava no lugar errado, cada arvore que usavam como marcação parecia que estava do lado errado da floresta. Hunter estava ficando cada vez mais irritado. Quando um som foi ouvido pelo casal.
- Espere aqui. - Ordenou Hunter.
Ele queria ter algo melhor que um galho como arma, mas sem pensar saltou entre as folhagens.
Ashlynn percebeu que estava só, era noite na floresta e ela estava só. Pela primeira vez ela achou que essa história toda era um erro. Que por pior que fosse sua madrasta ainda era melhor que morrer em uma floresta abandonada e sozinha. Ela ouviu um barulho atrás dela e se virou rápido demais, perdeu o equilíbrio e caiu.
Quando se virou pra ver a fonte do barulho, um lobo a encarava, seu pelo era cinza e os dentes eram afiados como agulhas e tinham quase uma polegada de comprimento. Seus olhos eram negros como a noite e parecia muito hostil. O que não deixou Ashlynn menos surpresa quando ele começou a falar.
- Você. Humana. Comida.
Ashlynn não podia acreditar, mas sabia que alguns animais da floresta encantava falavam, e muitos ajudavam princesas. Talvez com um pouco de sorte ela poderia sair dessa.
- Não senhor Lobo. Eu não sou comida.
- Comida! Cheiro de Palha!
Ashlynn entendeu rápido. O olfato dos lobos era muito mais acurado que o dos humanos, talvez estivesse sentindo o cheio da cesta. Ela abriu a cesta e achou um último bolinho que Hunter tinha feito, mas não tinha comido. Ela o pegou com a mão, e se lembrou de todas as aulas de trato com animais e se amaldiçoou por não ter prestado mais atenção nas aulas.
- Aqui senhor Lobo. Comida.
O lobo deixou ela se aproximar, e Ashlynn entregou o bolinho. Ele devorou em uma unica mordida. Ele ainda parecia furioso, mas menos.
- Mais! - O lobo ordenou.
Ashlynn sabia que não tinha mais. Então era hora de usar o cérebro.
- Eu não tenho mais aqui. Eu deixei o resto no castelo. Se eu chegar até o castelo pego mais. Muito mais.
- Muito mais?
- Muito mais. Mas eu não sei como voltar ao castelo.
- Castelo?
- Minha casa.
O lobo parecia pensar:
- Casa, naquela direção. - Ele indicou com a pata um caminho.
O lobo voltou as costas para Ashlynn e voltou a para a floresta. Ashlynn ainda estava terrivelmente abalada quando Hunter voltou minutos depois:
- Eu vi alguma coisa, mas acabou fugindo. - Disse ele até olhar sua namorada e seu estado - Meu Deus, o que houve?
- Um Lobo, tinha um lobo. - Ela tentou dizer, mas a adrenalina ainda corria em suas veias seu coração estava disparado. Ela sentia como se tivesse corrido uma milha.
- Já passou, já passou. - Ele a abraçou com força - Agora estou aqui. Vai dar tudo bem.
- Ele... ele disse...
- O que ele disse?
- O castelo é naquela direção. - Ashlynn conseguiu por fim dizer.
Hunter não entendeu, mas Ashlynn parecia mais calma e era isso que contava. Por fim ele a ergueu do chão e ambos voltaram a caminhar, sem saber para qual direção seguir, eles caminharam na direção indicada por Ashlynn e depois de algum tempo eles viram luzes, uma casa no meio da floresta.
- Ajuda, finalmente. - Disse um aliviado Hunter. - Agora é só bater, e...
Ele não conseguiu terminar a frase.
- Ashlynn desde quando você usando esse capuz?
- Capuz, que capuz, eu não estou usando nenhum capuz. - Ashlynn passou a mão sobre os cabelos e onde um rabo de cavalo devia estar um capuz vermelho fora colocado. - Mas não estava usando um capuz. Hunter o que está a vendo?
- Me diga, onde você pegou essa cesta, Ashlynn?
- No quarto da Cerise.
- E por qual razão você pegou de lá?
- Ela é mágica, você pode colocar qualquer coisa dentro dela e ela sempre pesa o mesmo que a cesta fazia.
- Você está com uma cesta mágica, usando um capuz e viu um lobo que falou com você. Querida, acho que estamos na história da Chapelzinho Vermelho e aquela ali é a casa da vovó.
Ashlynn se apressou para entrar, mas foi impedida por Hunter.
- Você esqueceu o que acontece lá dentro?
Ao que isso era dito a porta da frente se abriu, uma sombra podia ser vista recordada da luz que vinha de dentro.
Ashlynn simplesmente sussurrou a resposta:
- O Grande Lobo Mal.
